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segunda-feira, 4 de abril de 2011

- A Escola Nova de Alemã em Blumenau

A Escola Nova de Alemã em Blumenau
{...}Um breve Histórico:

A Escola Nova Alemã de Blumenau surge, em 1889,como resposta a duas reivindicações fundamentais da comunidade alemã daquela cidade.
Em primeiro lugar,sua criação justificou-se pela persistente falta de escolas públicas na região.

Não obstante os pedidos expressos em diversos ofícios encaminhados pelo Doutor Hermann Blumenau aos poderes governamentais, Blumenau, até 1883, contava apenas com duas escolas públicas. A educação das crianças continuava confiada, então, ás escolas particulares, que á época já eram noventa.

Conforme já discutido anteriormente, os imigrantes alemães saíram do seu país conscientes da importância da educação para o desenvolvimento geral de sua comunidade. Portanto, empenharam-se bastante na criação de um sistema que provesse os seus descendentes de condições para tal acesso. Contudo, apesar dos esforços nesse sentido, as escolas criadas por eles, durante as primeiras décadas de imigração, limitavam-se a ensinar o absolutamente imprescindível, ficando a alfabetização, principalmente na região rural, bastante precária.
Neue Deutsche  Schule- Escola Nova Alemã de Blumenau 
Fonte: www.delcampe.net Colaboração Wieland Lickfeld
Com a criação do Colégio Central de São Paulo, em 1877, pelo Padre Jesuíta José Maria Jacobs, as preocupações com um ensino solidamente mais completo pareciam não encontrar mais lugar em meio aos imigrantes. Contudo, as diferenças religiosas entre uma comunidade, constituída basicamente por imigrantes de formação luterana, e um colégio de orientação católica começaram a se tornar conflitantes para as comunidades envolvidas.
Neste contexto, e aqui se encontra a segunda reivindicação básica a que nos referimos acima, destaca-se a criação da Escola Nova Alemã. Seu caráter não confessional fez-se sentir já na reunião de fundação da Sociedade Escolar, que colocaria em prática a idéia de criação da Escola.
Pensionato da Escola Nova de Blumenau em 1912 - Rua XV de Novembro, atual Lojas Sulamericanas

Conforme a Ata da Assembléia Geral da Escola, entre as cinqüenta pessoas presentes havia nitidamente católicos e evangélicos, motivados pelo mesmo ideal. Evidencia-se ainda esse caráter na mesma ATA: “Decidiram nesta reunião: ...aulas de religião fora do estabelecimento; nenhum religioso como Diretor...”

Reforça a natureza não confessional da Escola a condição imposta pelo Doutor Blumenau , quando da negociação de troca do terreno para a construção do prédio escolar definitivo. Para ele, a escola deveria para sempre ser uma escola livre de qualquer elo religioso; do contrário passaria a pertencer à Câmara Municipal.

A Escola Nova Alemã experimentou, inicialmente, algumas dificuldades no que se refere a sua manutenção financeira e à falta de professores. Anúncios freqüentes de contratação de professores, publicados nos jornais da cidade, denunciam esse problema, também comum a outras escolas e regiões.
Escola nº 1 Itoupava Central
No que concerne à parte financeira, o dinheiro arrecadado através das mensalidades pagas pelos alunos não cobria as despesas gerais. Contribuíram para equacionar esse problema o governo alemão que, seguindo uma política de preservação da germanidade no ambiente luso-brasileiro, enviava mil marcos anualmente, bem como o governo de Santa Catarina, com uma subvenção de quatro mil e oitocentos réis. Para fazer jus a essa subvenção do Estado, a Escola tinha de ministrar o ensino da língua Portuguesa e promover 53% do ensino gratuitamente.
Para concluirmos essa parte, avançaremos rapidamente no tempo com alguns acontecimentos que marcaram a história da Escola Nova Alemã.
Em 30 de novembro de 1917, em função dos acontecimentos relacionados com a Primeira Guerra Mundial, a Escola foi fechada, sendo reaberta no dia 18 de fevereiro de 1920. Pelos relatórios, a partir dessa data, a Escola continuou a desenvolver e ampliar as suas atividades. Em 1938, em resposta a legislação que obrigou mudanças, a Escola teve seu Estatuto reformulado, passando a se denominar Sociedade Escolar Pedro II. Já em meio ao clima político da Segunda Guerra mundial, a Escola foi integrada à rede pública estadual como Grupo Escolar Modelo Pedro II e Curso Complementar Pedro II. Após algumas modificações, em função de legislação, a Escola, desde 1976, chama-se Conjunto Educacional Pedro II. {...}

Dados extraídos do Livro "Portugueses na Escola Alemã de Blumenau: da formação à extinção de uma prática" José Marcelo Freitas de Luna;ed.da FURB.; Capa : José Isaías Venera.
Acervo Arquivo Histórico José Ferreira da Silva.

5 comentários:

AnaLu disse...

Adorei o post!analurolim.blogspot.com

Júlio Castellain disse...

...
Caro Sr. Adalberto,
Fiquei feliz pelas palavras.
Quero registrar que aqui encontro muita informação, muito conhecimento.
Parabéns pelo espaço.
Meu abraço.
...

Antunes Severo disse...

belos tempos caro adalberto
abraço do antunes severo

Andre disse...

Muito bom professor. abs.

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Caro Adalberto, ao ver a imagem da Escola No. 1 em seu post, lembrei de um equívoco muito comum, inclusive por parte da mídia, ao se fazer referência a ela. Não se trata, como muita gente pensa, da 1a. escola de Blumenau, mas de uma escola construída sobre o Lote Colonial No. 1 daquela localidade. As novas normas instituídas em 1938, mencionadas no post, certamente fazem referência ao Programa de Nacionalização de Getúlio Vargas. Nesta época, muitas escolas particulares espalhadas pelo Vale do Itajaí, a maioria mantida pelo meio luterano, foram fechadas. Meu falecido tio, Fritz Lickfeld, foi professor numa destas escolas. Grande abraço, Wieland Lickfeld

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