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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

- As nossas valorosas mulheres

Foto: Eraldo Martins
As mulheres na colônia Blumenau

[...] Não obstante todas as dificuldades, a nova Colônia progredia lentamente. Um grande obstáculo no seu desenvolvimento era a minoria do sexo feminino que, em relação ao masculino, era mais ou menos de uma mulher para dez homens. Justamente, no primeiro período as mulheres eram imprescindíveis, não só como meio para aumentar a população da Colônia,mas também, especialmente , para auxiliar o homem em sua árdua tarefa, pois não pode ignorar a prestimosa ajuda que uma mulher representa para o homem, quando é ativa e diligente!

Para se ter uma idéia do quanto a falta de mulher era sentida na Colônia, basta dizer que os homens solteiros, alguns até bem “maduros”, iam ao seu encontro nos navios que eram anunciados conduzindo imigrante.

E o faziam quando o navio que eram ainda se achava longe do atracadouro e da barra. Alugavam embarcações e se dirigiam para lá, subiam a bordo do navio para fazer propostas de casamento às jovens solteiras e senhoras que, via de regra, eram aceitas. Nestas “viagens de núpcias", agia-se muito conscienciosamente.
Através de uma lista com o nome das mulheres embarcadas e disponíveis para o casamento, os jovens solteiros tomavam conhecimento de que a “mercadoria” estava á disposição e, de acordo com esta informação, se operava a “transação” : tantas mulheres, tantos homens, nenhum a mais, ou a menos.
Os homens, candidatos ao casamento, eram escolhidos através de sorteio ou "rifa", assim como as mulheres. Era óbvio que, por vezes, um homem mais idoso era premiado com uma mulher bem jovem e vice-versa. Mas, como isto era um jogo de sorte, ninguém reclamava do destino – muito menos se um velho era premiado com uma jovem.
Troca não havia. O bilhete era sorteado por um juiz. Só em casos quando um ou outro era rejeitado, então poderia haver um acerto pela troca de beldades entre si.

Se as jovens, principalmente as mais belas, tivessem a oportunidade de conhecer com antecedência a maneira pela qual aqui decidiriam seus destinos, algumas certamente desistiriam de embarcar!

Este sistema – o de sorteio - era até certo ponto secreto, e todos o aceitavam e se comportavam como se realmente estivessem apaixonados. É claro que nem todos os que iam a bordo tinham por objetivo comprar carne humana. Muitos só desejavam adquirir provisões, como: sardinhas em salmora, carne salgada,batatas, etc. Mas isto também acontecia à parte, por muitos dos que iam ao sorteio, pois o mais importante para eles era, primordialmente, o bilhete premiado. Secundariamente vinham os negócios de compra de provisões. Nos casos das escolhas de casais, o comandante do navio era cientificado e, por sua vez, facilitava as coisas, auxiliando na organização e distribuição dos “prêmios do sorteio”.
Hoje tudo tem mais comodidade e não é necessário arriscar-se a vida, no mar traiçoeiro, para conseguir uma esposa [...] ________________


Dados extraídos do livro O município de Blumenau e a história de seu desenvolvimento. Escrito em 1917 por José Deeke/reeditado - Blumenau Nova Letra,1995 e revisado pelo Dr. Niels Deeke, neto de José.

Ficha Catalográfica elaborada pela Fundação "Casa Dr. Blumenau" - Blumenau - SC
Título original "Das Munizip Blumenau und seine Entwickelungsgeschichte", José Deeke, 1917.
Adalberto Day

3 comentários:

Maria Cecília disse...

Bom dia senhor ADALBERTO E senhora DALVA.

Visitei hoje os 2 blogs e como sempre os assuntos me enriquecem culturalmente.
Desconhecia esta passagem na vida das mulheres estrangeiras que chegavam ao Brasil antigamente.
Felizmente na minha epoca fui mais feliz ,pois, eu escolhi o pai dos meus filhos ,casei com quem desejei.
Tambem muito ineressante o comentario do concurso de Miss Blumenau ,tambem desconhecia que elas representam entidades
beneficientes da cidade.
Tambem achei otimo que empresas como a que o Jaime, este jovem que e um exemplo para a juventude, trabalha, seja parceiros desta entidade que e tao importante.
Estou enviando para meus contatos entre outros para Genebra ,Celia e Australia para meus 2 filhos matarem um pouco a saudades de nossa querida Blumenau aonde tambem nasceram.
Obrigada poe esta oportunidade ,sempre aprecio muito.

Carinhosamente M. Cecilia

Paulo Roberto Bornhofen disse...

Muito interessante esta passagem histórica. É importante que as pessoas entendam que não podemos julgar o passado com base em nossos valores atuais.

Abraços,

Paulo

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Interessantíssimo este tema, Adalberto. Já tinha ouvido do meu sogro, Frederico Klemz, histórias sobre colonizadores solteiros que iam ao porto tentar encontrar esposas. A propósito, o Dr. Hermann Blumenau desencorajava completamente a imigração de homens solteiros, por saber das imensas dificuldades que teriam para, sem o apoio de uma esposa, iniciar uma vida na Colônia a partir da estaca zero. Em cartas escritas a familiares de Hermann Baumgarten que ficaram na Alemanha, prestando contas de como este se portava na qualidade de jovem imigrante, deixa isso bem claro. A quem se interessar pelo tema das nossas valorosas mulheres, sugiro a leitura de "O outro lado da história: o papel da Mulher no Vale do Itajaí 1850-1950", de Maria Luiza Renaux (ex-Hering), publicado em 1995. Nossos respeitos à jovem imigrante Louise Eberwein, que chegou em Blumenau em 03 de junho de 1899. No navio que a trouxe ao Brasil teria noivado com um jovem de sobrenome Sprenkmann, que para cá veio com o intuito de trabalhar numa farmácia. Este, forçado pelo empregador, homem conservador, que não queria um funcionário que fosse noivo de uma mulher que morasse num hotel, como era o caso, desistiu do compromisso. A jovem foi encontrada sem vida às margens do Itajaí-Açu cerca de três semanas depois de sua chegada a Blumenau. Supostamente tirou a própria vida. O Blumenauer Zeitung publicou o fato sob a manchete "A Noiva Morta" e um longo inquérito foi instaurado para investigar o assunto. Sugiro aos descendentes de alemães, italianos e outras etnias, e que ainda tenhas avós ou mesmo bisavós, que dediquem um pouco de seu tempo para perguntar-lhes sobre como era sua vida no passado. Elas sorrirão e se sentirão valorizadas, e os mais jovens, grandemente enriquecidos. Acreditem, não tem preço! Grande abraço!

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