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sábado, 6 de fevereiro de 2010

- As legendárias Minas de Prata -Parte 3

Histórias de nosso cotidiano.
Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller.
Hoje vamos concluir este nosso trabalho sobre as “Minas de Prata” da Nova Rússia, bairro Progresso em Blumenau. Analisando o relato do historiador José Ferreira da Silva, vimos como foram cavados túneis na rocha e erguidos, em plena mata, os depósitos, moinho e forno para fundição de metais.
Por Carlos Braga Mueller
Ferreira, no artigo “As Minas de Chumbo do Ribeirão da Prata”, publicado em 1968 na revista “Blumenau em Cadernos”, relata que “novas prospecções e medições dos terrenos foram feitas pelo engenheiro Hugo von Moers. Um engenheiro alemão, o Sr. Kerschbaumer, que trabalhara nas colônias germânicas do sudoeste africano, também já havia realizado outras prospecções das minas, trabalho muito dificultado pela irregularidade do terreno e pelas enormes e densas florestas que o cobriam, e o cobrem ainda.
Igualmente trabalhou no levantamento da Mina e na avaliação de sua capacidade o geólogo Dr. Heinrich Lotz, que para cá viera durante a primeira grande guerra, o qual atestou tratar-se de veios de quartzo de cerca de 40 metros de largura, por uma profundidade de 50 quilômetros mais ou menos, rico em substâncias metálicas.
Já em 11 de janeiro de 1913, anteriormente, portanto às providências mencionadas, o Sr. Otto Rohkohl requerera autorização à Câmara Municipal para a construção de uma linha aérea em que, por meio de cabos de arame, estendidos sobre postes, e por caçambas deles suspensas, se fizesse o transporte de minério bruto desde a mina até o porto de Blumenau.
Ponte da Entrada das Minas da Prata - Construída na Gestão do então prefeito Hercílio Deeke (1951/1954). 
Essa providência, apesar de autorizada pela Câmara, nunca foi posta em prática e a sua idéia foi logo abandonada em vista do vultoso custo em que importaria, resolvendo-se o beneficiamento do minério no próprio local das jazidas.
O Sr. Rohkohl procurou interessar grandes firmas alemãs no empreendimento. Assim é que, depois da primeira guerra mundial, a grande empresa de mineração alemã, Hugo Stines, mandou para cá o seu engenheiro de minas, Dr. Vogel, que procedeu a novos estudos a respeito da qualidade do minério e do seu aproveitamento industrial. O seu relatório nunca foi dado a conhecer, mas o fato é que o mesmo Dr. Vogel resolveu permanecer em Blumenau, construindo residência própria no bairro do Garcia, nas proximidades da Rua Engenheiro Odebrecht.
É desse Dr. Vogel que provém o nome do ribeirão que, nascendo nas encostas dos morros da margem direita do Ribeirão Garcia, atravessa as terras que foram do mesmo Dr. Vogel e deságua neste último ribeirão.
Aconteceu, porém, que pouco depois a firma Hugo Stines, em virtude da grande crise por que passou toda a indústria carvoeira da Europa, foi à falência, morrendo o seu chefe. E o seu homem de confiança aqui, o Dr. Vogel, algum tempo após aquele desastre, veio igualmente a falecer de desgosto e depressão.
Continuaram-se, entretanto, os serviços preparatórios para a exploração industrial do minério, agora sob a direção dos senhores Kirschbaumer e Otto Schlem, este último como gerente comercial, chegando-se mesmo a conseguir a fundição do chumbo comerciável, transformado em barras.
Mas ao mesmo tempo em que, a custo de enormes sacrifícios pessoais e grandes somas de dinheiro, iam se conseguindo estes pequenos resultados satisfatórios, acentuava-se a realidade de que só mesmo um grande empreendimento, dispondo de grandes capitais para a compra e instalação de maquinaria especializada, poderia tornar a empresa economicamente lucrativa.
Realmente, a aparelhagem que havia sido montada mal servia para o aproveitamento do minério de chumbo, perdendo-se, na escória, todo o restante teor de cobre, zinco, enxofre e prata.
Escola Básica Municipal Margarida Freygang (1938)
Chegou-se à conclusão de que o que se punha fora com os resíduos da fusão do chumbo era muito mais valioso do que este último produto.

Tendo que cuidar de outros empreendimentos em que se envolvera, como na direção da Empresa Força e Luz Santa Catarina, o Sr. Otto Rohkohl desinteressou-se da mineração e as Minas de Prata do Garcia foram legadas ao abandono.
O Sr. Otto Schlem, que havia construído uma suntuosa residência no próprio local das minas, deixou-a, e transferiu-se para Joinville.
“Aos poucos, tudo quanto ali se havia feito com tanto trabalho e grandes dispêndios de dinheiro, foi desaparecendo, ou furtado por estranhos, ou consumido pelo tempo.”
Quando redigiu este estudo, em 1968, Ferreira da Silva destacou que naqueles tempos restavam apenas vestígios do que fora feito na região, e do que ali se produzira.
Naquele ano, escória de material fundido ainda podia ser vista entre pedaços de rocha veiada de minerais, reverberando ao sol, em montes de cascalho extraído dos vários túneis, cujas aberturas, na rocha viva, estavam sendo encobertas pela capoeira e pelos fetos que crescem exuberantes, escondendo os derradeiros sinais de uma empresa que poderia ter sido de inestimável impulso para o progresso e enriquecimento de Blumenau.
Hoje em dia, muitos ainda se aventuram pelas matas em busca dos túneis. Alguns os encontram, entram neles, e saem entusiasmados, com a certeza de terem vivido uma experiência emocionante.
Texto: Carlos Braga Mueller/Revista Blumenau em Cadernos; 1968; José Ferreira da Silva. Arquivo:Pedro Prim/Adalberto Day

4 comentários:

Renato disse...

Caro Adalberto, e Braga Mueller

Se minha participação está sendo importante, de nada ela adiantaria se não fosse pela sua boa vontade. Foi um prazeroso momento em que encontrei o seu blog, com estas matérias tão interessantes e envolventes.
Mas não irei parar por aqui, continuarei a pesquisar, sem pressa, e quem sabe um dia, saber um pouco mais.... irei retornar até o local e fazer alguns registros fotográficos, e comparar de alguma forma com estas raras fotografias que você conseguiu postar no blog .... aliás, o que foi realizado até aqui por vocês, já é algo para ser aplaudido e cuidadosamente guardado ... mas como já havia citado, eu sou curioso, gosto de saber mais, de ter e exercer o conhecimento ... e isto não se compra nem se adquire, se conquista através das experiências de sua verdadeira busca!

Um grande abraço,
Renato

Santos disse...

Amigo Beto.
Essa historia das Minas de Prata é bastante longa, e nota-se que cada historiador quer colocar a sua versão sobre a mesma. Ficou conhecida essa tal mina, mais pelas histórias contadas a seu respeito do que pelo conteúdo mineral propriamente dito. Ela era tão conhecida que tão logo cheguei a Blumenau já me informavam a seu respeito. Então de tantas histórias contadas sobre o assunto é que ficou famosa a ponto de acharem que aquilo ali deveria ser um manancial de metal precioso muito importante. Chegaram até a impressionar o governo alemão. Na verdade, não passava de uma MONUMENTAL fofoca. Mas,. ficou na história da cidade que é o mais importante. Valeu Beto, pelos seus registros históricos enriquecidos por mais essa importante passagem.
Um grande abraço e parabéns a você ao Braga.
E.A.Santos

JurisCode disse...

oi Sr. Adalberto. Sinto saudades suas. :D de verdade. O senhor colocou uma widget nossa no seu blog, o que nos rendeu muitas visitas e muitas menções suas no nosso blog. Pena que durou apenas quatro meses essa parceria.
A Dalva continua com nossa widget de frase do dia e já tivemos mais de 11.000 visitas só vindas desse blog. As nossas visitas são abertas em nova janela ou aba. Não queremos roubar visitas de ngm, apenas recebermos um comentário de alguma frase, comentários vindos dos seus usuários.
Se o senhor removeu por incompatibilidade de conteúdos, avisa aí um tema que nó queremos muito ampliar nossa base de dados e nada como ampliar agradando quem agrada a gente. Obrigado por todo e espero sinceramente que o senhor volte.

Adalberto Day disse...

Senhor Carlos Braga Mueller
Agradeço profundamente pela sua colaboração sobre as Minas de Prata, na nova Rússia. Sua colaboração foi importantíssima, pois assim, novas pesquisas serão feitas. Já tenho mais dois amigos querendo ir mais a fundo, fotografar, comparar fotos.
Obrigado meu grande amigo Braga.
Adalberto Day seu admirador e com palavras nem sei como agradecer

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