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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

- As legendárias "Minas de Prata" Parte 2


Histórias de nosso cotidiano.

Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata a parte 2 sobre as ”Minas de Prata” em Blumenau.

Por Carlos Braga Mueller
AS  LEGENDÁRIAS “MINAS DE PRATA” DE BLUMENAU
Em nosso comentário anterior traçamos um perfil do que significam, na história de Blumenau, as “Minas de Prata”, algo que durante décadas e décadas representou para Blumenau, desde seus tempos de Colônia, um “eldorado”, de onde espargiriam toneladas de prata para enriquecer os mineradores que se aventurassem a buscá-las na Serra do Itajaí.
Vimos como passaram a posteridade alguns relatos do Professor Rodolfo Hollenweger, sobre um explorador estrangeiro que teria palmilhado a região nos anos 30 do século 19, em busca de riquezas minerais, embora estas informações não possuam certificação.
Mas como tudo passa, as “minas de prata” também passaram, ficaram no esquecimento, transformaram-se praticamente em lenda. Isto porque, comprovou-se, as reservas de minério (ouro, prata, chumbo, cobre ) estavam em local de difícil acesso, afugentando investidores porventura interessados.
A revista “Blumenau em Cadernos”, fundada na década de 50 do século passado pelo historiador José Ferreira da Silva, publicou em seu tomo IX, de 1968, muitos fatos interessantes sobre este assunto, sob o título de “As minas de chumbo do Ribeirão da Prata”. Por aí se pode deduzir que a prata tinha sido artigo raro na mineração que havia se processado na região. As minas estavam mais para a extração de chumbo.
Vamos nos permitir reproduzir neste espaço, alguns tópicos daquilo que José Ferreira da Silva pesquisou e publicou há 41 anos. (1968).
Poderá haver, nestes dados, divergências que outros estudiosos e pesquisadores entendam que colidam com suas anotações e arquivos. Se contestações surgirem, estaremos buscando atualizar estas antigas informações, transformando-as em repositório mais seguro para os estudantes deste assunto.

Depois das primeiras incursões de mineradores, houve desistências e, como relata Ferreira, “as matas do Garcia continuaram, ainda por muitos anos, no seu primitivo abandono, morada de feras e de índios. Terras muito acidentadas, impróprias para a cultura, não despertavam a cobiça dos colonizadores, que as aproveitavam apenas como fonte fornecedora de madeira para os engenhos próximos, de palmitos para a cozinha dos moradores da cidade e para as pequenas fábricas de conservas.
Até que, por volta de 1896, uma sociedade de argentinos e espanhóis requereu e obteve uma concessão de 3.000 hectares na região, fé-la medir e demarcar, propondo-se a explorar o minério, já então mandado analisar. Essa firma, sob a razão de Cortada & Cia., deu os primeiros passos para a instalação da maquinaria necessária.
Entretanto, os trabalhos de prospecção das minas resultaram na conclusão de que a exploração do minério seria muito problemática em seus resultados econômicos, dada a reduzida capacidade das jazidas. Os empresários, desanimados, ante essa evidência, e ainda mais, diante da retratação dos financiadores, acabaram abandonando a idéia.
Mas o propósito de fazer com que a riqueza mineral da região viesse, também, contribuir para o progresso do município, numa época em que, por toda parte, reinava uma ânsia de desenvolvimento em todos os ramos de atividades, continuava a preocupar a mente de alguns blumenauenses, entre os quais a do Cônsul Otto Rohkohl, tanto mais quando haviam sido descobertos novos depósitos de minério, ribeirão mais acima.
Otto Rohkohl que, como primeiro diretor da Estrada de Ferro Santa Catarina e à frente de outros empreendimentos regionais, vinha prestando grandes serviços ao município, adquiriu as terras do Ribeirão da Prata e providenciou nova prospecção das jazidas e novos exames do minério. Destes últimos, participou o engenheiro de minas, Pedro Hermann, único filho homem do Dr. Hermann Blumenau .
Conservava o Arquivo Histórico, destruído por um incêndio em 1958, duas cartas desse engenheiro, dirigidas ao senhor Victor Gaertner, datadas de junho e outubro de 1913. Na primeira delas, o filho do fundador acusava o recebimento de amostras do minério, mas lamentava ter que contrariar as esperanças do remetente, pois as amostras comprovavam tratar-se de quartzito com aspersões de cascalho sulfuroso.
Na segunda carta, o Dr. Pedro Hermann comunicava que o Sr. Otto Rohkohl o havia visitado e conversado com ele sobre as ocorrências mineralógicas no Garcia, havendo-lhe dito que havia entrado em contato com muitos interessados e fazendo votos que os seus esforços na Alemanha fossem coroados de êxito. Adiantava mais que faria o que pudesse para auxiliar o Sr. Rohkohl, aconselhando-o na medida do possível e que, depois de examinar os minérios e planos para o seu aproveitamento, poderia concluir se os citados dados seriam bastantes para se chegar a um critério seguro, ou se seria necessária a sua vinda a Blumenau para examinar, in loco, a situação e o aproveitamento do material.
Realmente, na viagem que em 1911 empreendera a Alemanha, o Sr. Otto Rohkohl empenhou-se não apenas em mandar analisar as amostras que levara, como a interessar capitais que pudessem ser investidos no empreendimento. Nessa oportunidade, acertou a ida a Blumenau do Dr. Pedro Hermann, que efetivamente aqui esteve e realizou os estudos técnicos dos quais resultou a possibilidade de aproveitamento industrial do minério, em vista da riqueza das jazidas.
Verificou-se que o material examinado continha boa percentagem de chumbo, além de prata, cobre, zinco e enxofre.
Em vista disso, deu-se começo aos trabalhos de exploração e aproveitamento do minério. “Foram cavados três túneis na rocha, perseguindo os veios mais ricos, construíram-se depósitos para o material bruto, moinho e pequeno forno para a fundição.”
Na seqüência deste trabalho, vamos conhecer um pouco mais da aventura que marcou a atuação dos mineradores das nossas “minas de prata”, conforme relato publicado pela revista “Blumenau em Cadernos”.
Texto: Carlos Braga Mueller/Revista Blumenau em Cadernos; 1968; José Ferreira da Silva. Arquivo:Adalberto Day

7 comentários:

Pedro disse...

Quando garoto morava em Blumenau e ouvia muito o comentário dessa história das Minas de Prata. Pouco ou nada se aprendia nas escolas. Lembro que meu pai e seus amigos iam caçar na região, e aproveitavam para visitar ou até se refugiar nessas cavernas. Algumas vezes trouxeram de lá, algumas lascas de pedras brilhantes, cores cobre, prata, sei ouro? Mas a quantidade era muito pequena mesmo. Durante muitos anos no final dos anos 50 e 60, guardei algumas dessas pedras, pena que não as tenho mais, pois agora veio a tona toda aquele falatório que existia na época. Tinha outras histórias no bairro também, Menino Santo, um assassinato de um menino que não recordo o nome. Minha mãe estudou com esse professor famoso Holenweger e ele comentava na escola que se localizava na Rua Progresso, sobre as Minas de Prata, que teria participado de várias excursões exploratórias.
O senhor Braga Mueller, que depois soube que foi um dos primeiros apresentadores de TV em Santa Catarina em um canal de Blumenau pioneiro, nos mostra nas diversas postagens desse interessante Blog, fatos interessantíssimos. Exemplo que o filho de Dr. Blumenau, Pedro (meu Xará) participou dessas explorações.
Bem eu fiquei muito feliz em encontrar tão vasto assunto, tanto na primeira parte como na segunda parte. Coincidência ou não fui pesquisar no Google sobre as Minas de Prata em Blumenau, e me deparei com este Blog do Adalberto, que creio não te-lo conhecido, mas outros do sobrenome Day, eu recordo.
Parabéns ao Adalberto e ao Braga por essa excelente pesquisa que servirá, não só para os Blumenauenses, mas a todos.
Pedro Arcanjo
São José do Meriti/RJ

Iris disse...

estou encantada!. Quanta informação interessante e real da nossa historia.
meu nome é iris tallmann, neta de Emilio Tallmann e filha de Paulo Tallmann.
Parabéns.
iris

Wieland Lickfeld - wieland@terra.com.br disse...

O fato de não ter sido confirmado o "eldorado blumenauense", isto é, o sucesso econômico deste interessante empreendimento do passado de nossa cidade, permanece imaculada a sua importância para a historiografia blumenauense. Quando menino, ouvia de meu pai, Willi Lickfeld (1928-1987), histórias de suas incursões pelo Garcia, nas quais, em companhia de amigos, visitava as Minas de Prata e subia o Morro Spitzkopf. Segundo ele, as "lascas de pedras brilhantes" que aparecem no comentário do Sr. Pedro Arcanjo, referem-se a incrustações de pirita, mineral parecido com o ouro, mas de pequeno valor comercial, e por isso apelidado de "ouro dos tolos". No final da adolescência, inspirado pela lembrança das histórias contadas por meu pai, chegara a minha vez de conhecer as Minas de Prata. Não há como não ficar impressionado com o local. Coletei, assim, meu próprio souvenir de "lascas de pedras brilhantes", que ainda guardo com muito carinho. Retornaria ao local muitas vezes depois disso, a passeio, para mostrá-lo a amigos em visita a Blumenau, e até mesmo com uma pequena "excursão" de moradores do condomínio onde moro. Nesta última, além do aspecto histórico, enfatizamos questões de educação ambiental. Munidos de sacolas plásticas, recolhemos farta quantidade de lixo - infelizmente - deixado no local por visitantes irresponsáveis. É uma pena não terem sido preservadas as construções que outrora deram vida às Minas de Prata. Parabéns pela matéria!

Theodor disse...

Sr. Adalberto !

Bom dia, tudo bem ?!

Muito legal a reportagem. Já ouvi falar bastante da Mina da Prata mas ainda não a conheço. Quero fazê-lo o mais breve possível.

Tenho lido e me interessado muito sobre a história de Blumenau e também trocado idéias com o "professor e mestre" Wieland".

Entre outros assuntos, dediquei-me em meus últimos estudos sobre o que aconteceu com o território blumenauense que, conforme já conversamos, tinha em torno de 10.600 km2 e agora está reduzido a 519,8 km2. Descobri vários estudos e teses muito interessantes que dissertam a respeito. O que pude concluir até o momento é muito triste: o esfacelamento de Blumenau em resumo tratou-se de uma postura totalmente política, arbitrária e revanchista do governo estadual da época, em especial, do interventor Aristiliano Ramos.

Mas Blumenau provou ao longo dos anos que também pode superar isto, se consolidando novamente como uma das cidades mais importantes de Santa Catarina.

Obrigado pelo compartilhamento do e-mail sobre a Mina da Prata.

Um grande abraço a você e bom final de semana,

Theodor.

Renato disse...

Gostaria de parabenizar o colega Adalberto e Braga Muller pela complementação da matéria. Vejo que existem aqui, comentários de várias pessoas que conhecem ou visitaram a localidade, assim como eu. Gostaria de contar com a colaboração de alguém que eventualmente tenha fotografias da mina que fora implodida ( ou desabou, os relatos são incertos ) pois quando acampei na localidade pela primeira vez em 1990 a mesma já encontrava-se soterrada. Ouvira dizer que era a maior das 3 minas, alguns dizem que foi o exército que a implodiu por ser muito extensa e perigosa, outros citam o desabamento. Por favor, se alguém possuir alguma imagem, ou relato fidedigno, entrem em contato: one507@hotmail.com

Obrigado!

RAP BLUMENAU disse...

fui algumas veses na minas das prtas e sempre tive muita curiosidade de como foi aquilo ali...parabens pelo blog muito interresante....

Ricardo Eduardo disse...

Adalberto.
Por favor, saberia nos informar que minério é aquele azul encontrado nas paredes da mina?
Obrigado.

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