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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

- A Família Deeke

Consta da árvore genealógica da família Deeke, que seus ancestrais viveram durante séculos, na região Sul da Floresta Hercínia (Harz) na Alemanha central.
Desde o patriarca da família nascido em 1662, os representantes masculinos dedicavam-se, sem exceção a carreira florestal e de monteiria.
Com a emigração para o Novo Mundo, abriram-se novos horizontes ao pendor peculiar da família e, assim, resolveram os Deeke emigrar para o Brasil. Partiu primeiro em 1857, Theodor Deeke, atraído pelas publicações propagandistas do Dr. Blumenau. Seu nome consta sob o n° 727, do livro de matriculas I de imigrantes.
Não se conformou Theodor Friedrich Ernst Deeke com o parcelamento das terras da colônia do Dr. Blumenau em pequenas propriedades rurais, e adquiriu uma grande área onde estabeleceu sua fazenda em Brusque, no rio Limeira.Seguiu-lhe um ano depois Frederico ( Carl Friedrich Ferdinand Georg August) Deeke, genearca da família no Brasil e cujo nome figura no registro de imigrantes sob n° 867, do ano de 1858. Dois anos após veio ainda o irmão mais novo Carl Ernst Deeke, que alistou-se, em 1865, nas Forças Imperiais e seguiu, como Tenente, à Guerra do Paraguai, falecendo em batalha, portanto honrando o patronímico Deeke com a nobre qualificação de Martir da Pátria. Theodor voltou à Alemanha em idade avançada, onde faleceu. Seus descendentes vivem radicados no Estado do Paraná, sob o nome de Oliveira. Na Alemanha extinguiu-se o nome Deeke desse ramo,quando pereceram durante uma epidemia, os três filhos homens de Wilhelm Deeke, único irmão que lá permanecera exercendo a profissão de Couteiro-Mor do Império Alemão.

- Frederico Deeke (Foto)
(Carl Friedrich Ferdinand Georg August), nascido em Braunrode, em 25 de março de 1829, tronco dos portadores do nome DEEKE no Brasil. Casou-se em 1860, com Cristiana Krohberger, irmã do engenheiro-arquiteto Henrique Krohberger, de quem fora companheiro de viagem na sua vinda ao Brasil, mudou-se para Blumenau alguns anos depois. Adquiriu diversos terrenos, de segunda mão, perto da sede.
O local em que se ergue o Teatro Carlos Gomes, foi parte de sua propriedade, que, parcialmente continua em mãos de seus descendestes (1950).
A inclinação pela vida em contato com a natureza induziu-o a passar grande parte de sua vida na floresta, em prolongadas caçadas e a procura de minerais. Foi ele o descobridor e concessionário da mina de prata no Garcia, mas não se lhe tornou possível explorá-la.
Grande conhecedor do mato, prestou, sob este aspecto, relevantes serviços à colonização. Foi-lhe confiado pelo governo , a indicação do Dr. Blumenau, o comando das “guardas”, como se denominam, nos documentos da época, os pelotões de vigilância do “Serviço de proteção contra os Índios”, sendo encarregado ainda de fazer estudos topográficos para a diretoria da colônia, durante as suas inúmeras excursões.
O perigo dos Índios (Indígenas) representava, desde logo, o maior obstáculo para a colonização. Em vários relatórios, Dr. Blumenau mencionava a eficácia da instituição das guardas, realçando o zelo do comandante. Há no arquivo da Prefeitura Municipal (Arquivo Histórico José Ferreira da Silva) três cartas de Frederico Deeke e outras tantas do próprio punho do Dr. Blumenau, referentes a essa atividade.
Constituem tão interessantes quão valiosos documentos históricos, em que se faz, convincentemente, a defesa dos colonos e da administração de Blumenau, acusados de provocaremos índios, e se tornarem, assim, culpados das suas violentas reações. Empenhando-se a diretoria da colônia em estabelecer relações amistosas com os indígenas, Frederico Deeke foi incumbido de procurar um intérprete do idioma dos botocudos.
Encontrou-se um individuo apto para essas funções em São Lourenço, na pessoa do velho Jeremias, numa viagem,que, com esse intuito, realizou o “capitão do mato” (como se chamava o comandante das guardas) ao norte de Santa Catarina e às zonas vizinhas do Paraná.
O interprete Jeremias era um caboclo que, raptado em criança pelos índios Coroados, passara, como se supõe, quatro anos no convívio deles, tendo aprendido também o idioma botocudo de mulheres e crianças prisioneiras daquela tribo.
Se todos esses esforços não deram o resultado almejado, não foi por culpa da diretoria da colônia e, tampouco, do comandante dos batedores de índios.
Dissolvida a instituição das guardas, Frederico Deeke empregou os seus próprios recursos na expectativa de realizar o seu plano pacificador: o entendimento com os habitantes primitivos desta terra.Além do cargo mencionado, Frederico Deeke ocupou outros na vida pública; contudo, o seu principal campo de atuação foram, sempre, as selvas.
Faleceu na madrugada de 6 de setembro de 1895, seguido pela esposa em em 11 de abril de 1897.
Deixou seis filhos:
Maria (1861-1947), casada com Hermann Baumgarten, proprietário de tipografia editor-proprietário do primeiro jornal de Blumenau.
Fides (1863-1929),primeiro tabelião de Blumenau e detentor de vários outros cargos, durante décadas seguidas,com o intervalo, apenas de sua demissão por ocasião da primeira queda do governo republicano de Santa Catarina. Participou da ação contra o comissário de policia Elesbão Pinto da Luz, como todos os participantes no caso, este homiziado até que, por decisão do Supremo Tribunal, cessaram as perseguições aos mesmos. Durante a revolução de 1893-1894, ocupou o cargo de capitão, incorporado a Milícia Nacional, que se havia formado em Blumenau. Acompanhou as tropas legalistas sob a chefia do General Lima Câmara, ao Rio Grande do Sul, e depois de sua volta,em maio de 1894, foi agraciado por Floriano Peixoto, com o título de “Capitão honorário do Exercito Brasileiro”. Data de então do seu reempossamento ao cargo de tabelião.
Mais tarde viveu retraído, exclusivamente dedicado ao trabalho e ao lar.
Felix (1866-1948), abastado lavrador em Rio do Sul, caçador destemido até idade avançada, empreendeu caçadas por seus riscos e sucesso.
Caetano Deeke (nascido em 08 de outubro de 1868, foi durante muitos anos agente de terras em Blumenau,mais tarde,inspetor de patrimônio do Estado,e, depois, titular da diretoria de Terras em Florianópolis. Foi ele delegado de policia em Blumenau na agitada época do início do século 20, em que os casos policiais apresentavam, geralmente, um colorido político.
Frederico (Fritz) (1870-1944) estabeleceu-se em São Paulo, onde viveu modestamente.


José Deeke ((1875-1931). Criado por seu tio Henrique Krohberger, iniciou sua vida profissional,trabalhando a cargo dele, na medição de terras, no interior do município. Mais tarde prestou um exame perante a diretoria de terras em Florianópolis, e se fez agrimensor independente, trabalhando em outras zonas do Estado, principalmente na região serrana, em Curitibanos e Campos Novos.
Foi nesses anos de peregrinação que ele adquiriu profundos conhecimento sobre seu Estado SC, natal, sua fauna, flora, condições geológicas e tantas outras.
Viajou à Europa em 1904, e após a volta aceitou um emprego na administração da então Colônia de Hamônia, atual município de Ibirama. Em 1909, José Deeke foi nomeado diretor das colônias Hanseáticas, a que pertenciam além de Hamônia , dois núcleos em Joinville e outro em São Bento. Exerceu este cargo até 1929,quando se aposentou de todas as suas atividades profissionais e transferiu sua residência para Blumenau. Seguiu depois a carreira de escritor publicando vários, contos típicos da vida cotidiana brasileira e teuto-brasileira. O seu primeiro trabalho literário, foi a História de Blumenau em três pequenos tomos:”Das Munizip Blumenau und seine Entwicklungsgeschichte”, editado em 1917, em São Leopoldo. No livro comemorativo do primeiro centenário da Imigração Alemã em Santa Catarina, publicado em Florianópolis, em 1929, José Deeke contribuiu com um considerável números de trabalhos. José Deeke deixou ainda dois romances inéditos : “Um filho da Colônia” e Dom Carlos da Capa Blanca”, e uma seleção de contos típicos, “Em volta da Fogueira”.

Em 1905 e 1924, a prefeitura de Blumenau publicou mapas por ele desenhados, tendo sido seu maior trabalho neste ramo um mapa de cadastro, representando uma obra de valor e utilidades como poucos municípios possuem.
José Deeke era casado com Emma Rischbieter, cujo nome (E.Deeke) é também muito conhecido na literatura teuto-brasileira, pois ela foi colaboradora de vários almanaques do País e jornais locais. Teve o casal cinco filhos:Christina,Raul, Ilse,Hercilio e Vitor.
Emma Deeke nascida em Blumenau em 7 de julho de 1885, faleceu na mesma cidade, em 10 de abril de 1950.
José Deeke faleceu aos 56 anos de idade, em 24 de agosto de 1931. Enfermo havia muito tempo. Razão por que se retirara da vida ativa profissional,, assim mesmo se encontrava em plena atividade literária, tendo em preparo outro trabalho sobre a história de Blumenau.
Conteúdo extraído do livro Centenário de Blumenau – 1850 – 2 de setembro – 1950-Edição da comissão de Festejos. /Adalberto Day

3 comentários:

Werner henriqueTönjes disse...

A nobre, tradicional e honrada família Deeke teve e tem grande participação na história de Blumenau.Graças ao feliz encontro de dois valorosos blumenauenses, o Dr.Niels Deeke e o cientista social Professor Adalberto Day tivemos oportunidade de visualizar a vida desse ilustre Amigo Dr.Niels em sua fazenda.Deus proteja e longa vida dê à ambos Amigos meus.

Elaine Deeke disse...

Parabéns pelo trabalho de pesquisa que conta a história dos ancestrais Deeke. Abraço, Elaine Fátima de Melo Deeke

LEILA PLATT DEEKE disse...

GRANDE SATISFAÇÃO EM
* SABER DA HONRADEZ DE MEUS FAMILIARES;
* CONHECER UM POUCO DA VIDA
DE MEU TRISAVÔ FREDERICO DEEKE E TRISAVÓ CRISTINA KROHBERGER,
QUE FORAM:
PAIS DE CAETANO DEEKE (CASADO COM ROSÁLIA DEEKE),
AVÓS DE UDO DEEKE (CASADO COM OLGA DEEKE,
BISAVÓS DO MEU PAI,
HENRIQUE JOSÉ DEEKE E DA MINHA TIA,
MARITA DEEKE,
MEUS TRISAVÓS, E
TETRAVÓS DE MEU FILHO,
ALEXANDRE DEEKE.

TRINETA: LEILA PLATT DEEKE.

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