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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

- As legendárias “Minas de Prata” Parte 1

Histórias de nosso cotidiano.
Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre as ”Minas de Prata” em Blumenau.
Por Carlos Braga Mueller

AS LEGENDÁRIAS “MINAS DE PRATA” DE BLUMENAU

Em plena “Mata Atlântica”, na região sul do município de Blumenau, onde desponta a Serra do Itajaí, ficam situadas as cabeceiras do Ribeirão Garcia.

Sinuoso, o córrego transforma-se em ribeirão e percorre alguns quilômetros até depositar suas águas, já volumosas, no Itajaí Açu, na curva do rio em frente da PRAÇA HERCÍLIO LUZ , bem no centro de Blumenau.
Por entre essa densa floresta muitos outros córregos deslizam em direção ao Garcia, formando dezenas de afluentes, que garantem um manancial de água importantíssimo para o nosso município.
Esta região é conhecida como Nova Rússia.
No início do século 20, o então superintendente de Blumenau, José Bonifácio da Cunha, já se preocupava com a preservação do manancial e não foram poucas às vezes em que enfrentou vozes que o chamavam de visionário, quando na verdade teria sido esta uma das primeiras manifestações de um blumenauense a favor da conscientização ambiental.
"Em meados do século 20 ainda era possível encontrar-se no meio da mata as antigas construções que abrigaram as empresas de mineração que exploravam as Minas de Prata (Nova Rússia, Blumenau)"
Pois bem, um destes córregos tem o nome de Ribeirão Minas de Prata.
Conta-se que o nome foi dado por um engenheiro de minas alemão, chamado
Vogel, que por volta de 1914 veio para Blumenau a serviço da empresa alemã de mineração Hugo Stines, para fazer prospecções sobre as tão faladas “minas de prata” que existiriam nas fraldas da Serra do Itajaí. Vogel, quando sua empresa faliu, resolveu ficar em Blumenau. Comprou terras na área onde se imaginava existir muito minério de prata e construiu uma casa no Garcia, mais perto do centro da cidade, nas imediações da atual Rua Engenheiro Odebrecht.
Lá no meio da densa mata atlântica, um córrego cortava a sua propriedade e desaguava na margem direita do Ribeirão Garcia, e ele o batizou de Ribeirão Minas de Prata, nome que conserva até hoje. Vogel não resistiu muito tempo a esta aventura no meio do mato e acabou morrendo de desgosto e depressão.
Caminhos que nos levam para as Minas de Prata – Belas construções ainda permanecem.
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POR QUE EXISTIRIA PRATA NO SUL DA REGIÃO?
O historiador José Ferreira da Silva pesquisou alguns escritos deixados pelo professor Rodolfo Hollenweger, nos quais ele revela dados que, embora sem provas, lançam alguma luz sobre como surgiu a lenda das “minas de prata”.
Aliás, de prata elas tinham muito pouco, e sim chumbo, cobre e outros metais, entre os quais até ouro, em quantidades mínimas para justificar um grande empreendimento de mineração.
O professor Hollenweger deixou registrado que em 1830, bem antes do Dr. Hermann Blumenau iniciar sua colônia, um inglês andou a procura de ouro nas cabeceiras do Garcia, e de fato ali encontrou o precioso metal.
O inglês trouxe consigo alguns batedores e um escravo de uns 15 anos de idade, comprado no Rio de Janeiro.
Estes mineradores foram seriamente hostilizados pelos indígenas, que não lhes davam paz. Os mineradores recuaram até a localidade de Garuba, onde encontraram pedras que continham prata. Mas o constante enfrentamento com os índios acabou por afugentar o inglês e seu pessoal, que abandonaram a idéia de enriquecer as custas do minério. Como haviam encontrado prata, surgiu a lenda.
Quarenta anos depois, por volta de 1870, quando Blumenau já era uma colônia que começava a desenvolver-se, o escravo, que acompanhara o patrão até sua morte e alcançara alforria, voltou para a região e chegando à floresta, onde estariam às minas de prata, ali construiu um rancho rústico, no qual passou a habitar.
Ao redor plantou algumas árvores frutíferas e dizem que de vez em quando voltava do trabalho com um dedal cheio de pepitas de ouro.
Conta-se também que tempos depois o ex-escravo vendeu suas terras. Mas os novos proprietários também não duraram muito tempo por ali.
As “minas” ficaram então abandonadas por muito tempo.
Em nosso próximo encontro vamos contar mais um pouco desta excitante história das ”minas de prata” blumenauenses.
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Adendo do Memorialista Niels Deeke
O 1° Mapa da Silbermine, chancelado, sob estampilhas, pelas autoridades do Império, foi levantado por Frederico Deeke e seu cunhado o eng° Heinrich Krohberger em 1881, detalhando minuciosamente as características do terreno e situando um ribeirão então denominado Ribeirão Frederico ( atual ribeirão das Minas, à margem esquerda do Ribeirão Garcia, provindo, este último, da antiga 3ª Vargem, atual Parque das Nascentes), visando estabelecer empreendimento de mineração, obtendo, para tanto, concessão do Império em área restrita, à exploração, limitada a um milhão de metros quadrados.
Resultante da insuficiência de capital, Frederico Deeke transacionou sua concessão com investidores argentinos -da ¨Companhia Cortada¨ - que, após, tornaram-se proprietários de todo o imenso território de 30 milhões de metros quadrados, até os confins do atual município de Botuverá - antes Guabiruba - superfície que contém o ponto culminante de Blumenau, ou seja o antigo Morro dos Argentinos, também conhecido que foi por Morro Buenos Aires e atualmente, é denominado Morro Santo Antônio com 958 metros de altitude. Cumpre esclarecer que o topônimo Botuvera - onde o correto seria Botuberá, foi escolhido justamente por minha indicação pessoal, junto ao então deputado estadual Mário Olinger, quando das tratativas de emancipação do município. Indiquei o termo visando resguardar o anterior indicativo, por sua similitude de acepção com Buenos Aires, vez que Botuverá, em tupi - abanheenga- significa ¨Bons Ares¨, ou Ventos Límpidos e ainda Montanha Brilhante.. Certo que houve subcontratos da empresa ¨Calzada e Cortada¨ com o Sr. Otto Rokholl - associado à mineradora alemã Stinnes- empresário que trouxe, da Alemanha, o eng° Vogel, quando instalaram, precariamente, tanques e equipamentos de lavagem do minério e procederam maiores escavações nas rochas, pequenas cavernas donde fizeram a extração na margem esquerda do ribeirão Garcia. Conforme muito claramente está evidenciado no Mapa, as terras requeridas localizavam-se na margem direita (montante p/ jusante) do ribeirão Garcia.
Houve, também, a exploração procedida pela portentosa empresa ¨Sul Americana de Mineração S/A¨, do Sr. Adriano Seabra ( capitalista português, proprietário da Tecidos Bangu em 1954 e da grande mineradora de tungstênio em Apiaí -Ribeira SP, empreendimento de mineração cuja iniciação, em 1955, se deveu ao empenho de Hercílio Deeke, junto seu grande amigo o Sr. Seabra,.do Rio de Janeiro.
Na oportunidade foram contatados engenheiros, realizadas prospecções e demoradas análises, além execução pela PMB (Prefeitura Municipal de Blumenau) das necessárias obras de melhoria na estrada da Nova Rússia, feitura de pontilhões e alargamento da problemática via pendente nas íngremes ribanceiras do pseudo cânion. Entretanto a atividade da Sul Americana, no alto Garcia, limitou-se a extração experimental do minério, não prosperando devido ao retorno de Seabra e de sua esposa Dona Aurora, já então muito idosos, à Portugal para onde deslocou seus investimentos..
O nome do Inglês era Jünger Albion. Como na Norte América era usual grafar-se primeiramente o patronímico ( sobrenome) e só após e primeiro nome, tanto lá como cá, seus portadores assim eram conhecidos. Portanto o dito Jünger Albion tinha como prenome Albion e sobrenome Jünger, logo ALBION JÜNGER, conhecido do mineralogista prático Frederico Deeke, quando este prospectou, em parceria com americanos, terrenos auríferos na Limeira - Brusque. Aliás, o dito, não era inglês e sim americano ( EEUU), garimpeiro,. que junto ao Sr Read - este de quem Frederico Deeke adquiriu sua vasta gleba de terras na Limeira - tal como norte americanos foram outros que arribaram, muito antes da Guerra da Secessão, no vale do Itajaí Mirim objetivando extrair ouro.
Texto: Carlos Braga Mueller/Revista Blumenau em Cadernos;1968;José Ferreira da Silva. Adendo do Memorialista Niels Deeke
Arquivo de Pedro Prim/ Adalberto Day

15 comentários:

Aluizio Amorim disse...

CAro Adalberto,
está muito interessante este post sobre as minas de prata de Blumenau. Não conhecia essa história. Depois verei se me lembro de escrever um post sobre as minas de prata remetendo meus leitore para cá.
Grande abraço

fp disse...

Sr. Adalberto, parabéns pelo tema escolhido. Já visitei a mina 2 vezes, uma delas trouxe amigos de Indaial para conhecer a o lugar. Talvez pelo fato dela estar hoje abandonada, a curiosidade de visitar o local aumenta. Não sei se existe segurança para transformar o local em um ponto turístico, mas em caso positivo, "Blumenau está adormecido ao lado de uma Mina de Prata"... literalmente... Quem tiver oportunidade de visitar, o lugar é muito curioso. Leve uma boa lanterna e não se preocupe com os morcegos.

Anônimo disse...

Ola!!
Muito bom saber algo sobre as minas de prata ..
Parabéns
Abraços

Renato disse...

Belo Post, Adalberto! É muito enriquecedor saber um pouco mais acerca deste misterioso local, onde acampei dezenas de vezes na adolescência e à noite, à beira da fogueira levantávamos hipóteses sobre o que haveria ocorrido ali no passado. É uma pena que o local esteja abandonado, deveria haver uma iniciativa mais enfática para promover o turismo ecológico na localidade.

Silvio Kohler disse...

Surpreendente e maravilhoso o seu post caro amigo.
Um abraço firme do Silvio.

Renato Vieira disse...

Belíssimo post Adalberto, mais uma vez muito obrigado! Estou tentando associar as imagens com a localidade, acredito que a construção maior, no morro, seja onde hoje pode ser ver os resquícios de um muro, um pouco antes de se adentrar na trilha que levas as minas. A segunda trilha ( que sobe ) acredito que seja onde existia uma grande mina, que segundo as histórias que ouvi, fora implodida pelo exército, por ser muito grande e perigosa. Irei retornar ao local quando possível para poder tirar umas fotografias e comparar com estas de seu blog.
É interessante observar, de que como a natureza se recompôs de forma explêndida, pois através das imagens é latente o tamanho da área desmatada para extração de minério.
Fiquei muito feliz de ler no título "Parte 1", um bom sinal de que mais coisas interssantes poderão vir.


Mais uma vez, muito obrigado e parabéns pelo seu grande trabalho!
E ao Braga Mueller que escreveu o texto.
Renato

André disse...

Adalberto, o post de hoje está super interessante, como de costume.
Há aproximadamente um ano, estive passeando com meu filho no Ribeirão e nas Minas de "Prata" e tive a oportunidade de conversar com um senhor, cujo nome infelizmente não recordo que é proprietário daquelas terras. Ele permitiu o acesso às minas, com a condição de dividir com ele os lucros de algum minério encontrado. rrsrssrrs. Ele já tem mais de 70 anos, acredite, e continua confiante em encontrar riqueza naquelas terras.
O que me chamou mais atenção no post foi a história do escravo. Eu já havia lido na obra de Edith Kohrmann algo sobre este fato, anterior à colonização. Porém, não sei se ele morreu em Blumenau ou retornou ao Rio de Janeiro. O Sr. sabe o desfecho desta história?
Muito obrigado pela atenção e parabéns pelo site.
Abraço

André M. Mrozkowski

jviten disse...

Relembrando o passado do grande Garcia, parabéns ao Braga Muller e a você Adalberto.
Quantas toneladas de prata foram ceifadas das nossas matas? Com certeza nos capítulos seguintes, vamos ter estas informações.

Meu pai, Victor Iten, sempre narrava esta historia:

Quando os engenheiros se dirigiam a mina da prata, pois estes, mais graduados, não pernoitavam no local, paravam em uma determinada propriedade e perguntavam ao morador como seria o tempo neste dia.

Ele de forma simples dava a “previsão do tempo” do dia, e jamais errou.

Intrigado, após meses, o chefe dos engenheiros quis saber como ele fazia esta previsão, com tamanho acerto.

Ele respondeu, novamente de forma simples, que acordava sempre muito cedo, e ligava o rádio AM em uma estação gaúcha e estes davam a previsão do tempo.

Verdades(?) do cotidiano da Mina de Prata.

Abraços a todos.
José Victor Iten

Pedro Prim disse...

Adalberto; e Braga
Ficou muito boa a materia; blumenau precisa dessa historia.
Prim

Arlete disse...

Oi Adalberto
Muito bom este tema.Meu avô paterno trabalhou nesta mina e morreu muito jovem, consequência das minas, meu pai sr. Egon Bugmann era criança ainda. As Minas de Prata é uma história incrível.
Abraços.
Arlete
arletehasse@uol.com.br

Renato Vieira disse...

Caro Adalberto,

com este adendo de Niels Deeke, a história das minas enfim, vem à tona com mais embasamentos históricos, o que é gratificante. Continuarei pesquisando a respeito do tema, e gostaria de contar com a colaboração de algum leitor do blog que tiver algum material, ou história a respeito pode me enviar pelo e-mail: one507@hotmail.com
A região das minas e sua história devem ser preservadas, e graças ao belíssimo trabalho deste Blog e de seus colaboradores, iremos levar para as próximas gerações, o fantástico enredo histórico que nossa cidade possui.
Parabéns, Adalberto, Niels Deeke e Braga Muller, por esta importante colaboração, no resgate de nossa história.
Um Abraço.

Santos disse...

Oi Beto.
É admirável o histórico apresentado pelo Braga e Niels, sobre essa mina de prata. Desde minha chegada a Blumenau se comentava sobre a tal mina de prata, mas, nunca se soube de extração real de prata dali. Fiz muitas excursões ou passeios
Até lá dentro, adorava aquelas belezas naturais, e cheguei a acompanhar amigos meus da época, em caçadas que empreendiam até ali. Nunca cacei nada, pois, não tinha coragem de "assassinar" os pássaros que por lá havia, até em profusão. E, na verdade, nunca vi quaisquer indícios de prata naquelas cavernas.
Parecia mais um reduto abandonado, como bem descreve o Niels Deeke, nosso historiador, que possui um rico acervo sobre o assunto e seus personagens contemporâneos. Os investimentos, como se soube, resultaram na extração de chumbo e cobre, mas, prata mesmo, está ainda para ser extraída, se é que existe. Só o que sei, amigo Beto sobre o assunto, pois, não me aprofundei em pesquisar sobre isso. Um grande abraço

Daiane N B Crispim disse...

Realmente as histórias relacionadas com as minas de prata são fascinantes, lembro que meu avô sempre me contava...é muito bom relembrar dessas histórias, afinal fazem parte da minha infância...sou grata á você que faz a história de nossa cidade...relembrando e contando em minuciosos detalhes. Só deveriam de transformar ela em ponto turístico de Blumenau, pois é uma das melhores histórias que nossa cidade já teve...e nela existe várias lendas...me lembro como se fosse hoje meu avô me contando...é realmente um post maravilhoso...Parabéns querido, e aguardo novos posts sobre assuntos relacionados a nossa cidade e suas histórias..Grande abraço!!!

Daiane Neumann Bertoldi Crispim

Mariana disse...

Eu não sabia nada deste lugar, e com meus companheiros de trabalho de radiologia no rio de janeiro queríamos ir a próxima semana...

Gian Gilberto Motta disse...

Mas as historias contadas por pessoas que ali moram foi RUSSOS que vieram explorar a PRATA?Ou o nome NOVA RUSSIA não tem nada a ver ??? Um grande abraço THUNDER.
gian.thunder@gmail.com

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