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domingo, 6 de setembro de 2009

- Lindolf Bell "O Poeta"

Morte do Poeta em dezembro de 1998 abriu uma lacuna na cultura blumenauense.
O Dono das palavras mágicas
“O som do poema é essencial” defendia o poeta Lindolf Bell. Conhecimento de causa ele tinha para enaltecer as poesias. Recitadas por sua mãe Amália, na infância em Timbó, sua cidade natal, acabaram moldando os sentidos do artista.
Assim como o som do bandôneon tocado pelo seu pai, Theodor, cujos acordes ouvia atentamente na infância. A arte, o conjunto de palavras dispostas de forma bela, como os sons, como as tintas de um quadro, era o que encantava poeta.
Como ele, não houve nenhum poeta foi tão importante para a Cultura de Blumenau. “ Ele era o crítico oficial da cidade”., lembra o então diretor da Fundação Cultural de Blumenau, Vilson do Nascimento. Com a criação da Galeria Açu-Açu, no início dos anos 70, Bell se tornou o principal propulsor das artes de Blumenau e da região.

Lindolf Bell declamando em praça pública

A comemoração dos seus 60 anos, completados em 2 de novembro de 1998, poderia servir como uma homenagem à sua vida, e aos seus ideais. Enfim Bell faria uma grande festa, esquecendo o retiro individual que, na maioria das vezes, acompanhava suas bodas. Os presentes que queria receber não eram caros, mas espalhafatosos: cada um de seus convidados devia levar livros, que seriam doados ao Acervo da Biblioteca Pública municipal de Timbó. A intenção era difundir a leitura entre os jovens de sua comunidade natal, incutir o prazer e o valor da palavra escrita para a vida. Era sua forma de sanar a dificuldade pela qual ele próprio passara cinco, seis décadas atrás, quando as poucas condições da família, lembrava não lhe deixavam ler algo além da “Bíblia e do calendário de farmácia”.
Lindolf Bell com a família Elke, Pedro, Rafaela e Eduardo
Mas no dia 5 de dezembro, às vésperas da grande comemoração, o disparado e ansioso coração de Bell , ainda acabrunhado com os preparativos para a festa, começa a brincar com a saúde do poeta, as 9h. Segue-se um tormento de cinco dias, que acaba levando sua vida. O diagnóstico é uma dissecção aguda na aorta.
Para a cultura de Blumenau, devastação semelhante só com a morte da ex-mulher de Lindolf Bell, Elke Hering, quatro anos antes. Desde jovem o escritor já insistia em vôos mais altos, no entanto, chegaram após servir a Policia do Exercito (PE), em 1958 no Rio de Janeiro, quando o poeta começa a tomar vulto.
Antes mesmo de deixar a PE, começa a freqüentar a faculdade de Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 60, de volta a Timbó, começa a ter grande reconhecimento no ambiente literário.
Lindolf Bell - Galeria Açu-Açu
O ambiente tenso de 1964parece não te abatido o jovem poeta, Nesse ano,Bell publica Ciclos e inicia o movimento de Catequese Poética, recitando poemas na Boate ELA, Cravo e Canela, em São Paulo. Faz vários recitais em teatros, universidades, escolas e clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, onde também se apresentam Álvaro Alves de Faria, Carlos Soulé do Amaral e Roberta Bicellei. Entre 1965 e 1968, a Catequese Poética toma vulto. O Poeta e os outros integrantes do movimento viajam por todo o país, sensibilizando o universo artístico e estudantil. Sai também a Antologia da Catequese Poética. De volta ao Vale do Itajaí, e já unido a Elke Hering, se fixou em Blumenau. Junto com Péricles e Arminda Prade, o casal criou a Galeria Açu-Açu, em 1970. Pouco depois, Bell publica As Annamarias, considerada por Carlos Drummond de Andrade “a mais importante obra lírico-amorosa em língua portuguesa dos últimos quinze anos”. Nas próximas três décadas, seguem-se obras vigorosas, o apoio a arte e permanecem os ideais.
Porém nem tudo que escreveu e fez em vida preenche o abismo deixado pela sua morte.
Suplemento do Jornal de Santa Catarina, sábado 2/setembro/2000 Volume 3 – Personagens, lugares e construções.
Foto: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Adalberto Day

4 comentários:

Valdir Appel disse...

Bell,
É o maior poeta catarinense de todos os tempos. Tive o prazer de conhece-lo pessoalmente. Li Bell e Neruda, mesmo sem gostar muito de poesia, porque eles são magnificos.
Acho que ele merece uma biografia minuciosa.
Abraço e parabens pelo post.

nana disse...

Adalberto, parabéns pela postagem. Bell e seu poema merece cada espaço que lhe é aberto, sempre.

Anônimo disse...

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Mery - Coqueluxos disse...

Essa semana estive com o Pedro e ele estava contando um pouco da história da família dele, fiquei encantada!! Parabéns pelo post!!! :)

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