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sexta-feira, 1 de maio de 2009

- O dia 1º de maio em Blumenau

A imagem a esquerda, mostra desfile de funcionários da E.I.Garcia, na Rua Amazonas em frente ao 23º BI - em direção ao estádio do Amazonas dia do trabalhador em 1959.
A direita desfile pela Rua da Glória, de funcionários e jogadores do Amazonas, rumo ao Estádio do Amazonas, festa do dia do trabalhador em 1956.
O dia primeiro de maio é comemorado em quase todo o mundo como o dia do trabalhador. Cada cidade, cada sociedade, comemora ou de forma festiva ou de manifestações, por mais direitos sociais. Em nossa cidade de Blumenau, lembro-me dos anos principalmente das décadas 60,70 do século 20. Prefiro deixar o leitor ler o breve relato da história abaixo, para sua avaliação em um contexto geral.
Minha intenção é mostrar aquilo que vivenciei juntamente com toda a comunidade principalmente no bairro Garcia “conhecido por bairro proletário nas décadas citadas”. O nome proletário que significa Homem de nível de vida relativamente baixo, e cujo sustento depende da remuneração recebida pelo trabalho que exerce em ofício ou profissão manual ou mecânica”  (segundo dicionário Aurélio),  o que não era diferente em todos os bairros de nossa cidade.
O Garcia que era o nome conhecido ao conjunto de todos os bairros, Ribeirão Fresco, Vila Formosa,Valparaíso, Progresso, Glória e Garcia, e por ser a região Sul a mais populosa, e com maior número de industrias e trabalhadores recebia este adjetivo.
Nas empresas Hering, Teka, Cremer, Sul Fabril, Souza Cruz, Artex, Eletro Aço Altona enfim em todas, as festividades do primeiro de maio era aguardada pelos funcionários com ansiedade.

A imagem de 1968 (Esquerda) e (Direita), mostra festividades teatrais no estádio do Amazonas em comemoração ao centenário da E.I.Garcia e dia do trabalhador. A imagem ao centro, trabalhadores da Artex em uma caminhada de bicicleta nos anos 60.
- Quando garoto, aguardava com expectativa, a comemoração do primeiro de maio pela Empresa Industrial Garcia, onde meus pais trabalhavam. A festa sempre era organizada pela direção da empresa na figura do Gerente de departamento de pessoal, Dr. Nelson Salles de Oliveira, funcionários e principalmente por José Pêra – “Zé Pera” que além de motorista da diretoria, foi um dos maiores treinadores de futebol de Blumenau. Zé Pera treinou o Amazonas, Olímpico e Palmeiras. Em 1949 quando o G.E. Olímpico foi campeão estadual pela primeira vez, o treinador no inicio da campanha era José Pera.  Conquistou o titulo do centenário de Blumenau em 1950, pelo Palmeiras Esporte Clube. Ele estava sempre a frente das festividades, onde eram realizados durante a festa, diversas atrações esportivas e teatrais Exibições teatrais pelos próprios funcionários, que desfilavam pela Rua da Glória e Amazonas, culminando no magnífico Estádio da Empresa Industrial Garcia. Sempre havia um jogo do time anilado, que disputava com algum grande Clube da cidade ou região a partida de fundo. Hora Palmeiras, hora Olímpico, Guarani, Vasto Verde, ou Marcílio Dias, Carlos Renaux, Paysandú, Juventus de Rio do Sul.

Olímpico - Palmeiras - Vasto Verde - Guarani
Durante a festa, eram sorteados bicicletas, eletrodomésticos, e o tradicional churrasco, não podia faltar, tanto para funcionários como também seus dependentes.

A imagem a (Esquerda) e (Direita) de 1968, mostra as festividades do dia do trabalhador, funcionários representando teatralmente os indígenas, e ao centro o Estádio do amazonas em 1970.
História:

Festividades do dia do Trabalhador e centenário da E.I. Garcia em 1968 , no estádio do Amazonas.
O dia primeiro de maio foi escolhido como dia dos trabalhadores como uma forma de assinalar e de lembrar as muitas e difíceis lutas que marcaram a história do movimento sindical no mundo. O dia é uma homenagem aos trabalhadores da cidade de Chicago que, em 1886, enfrentaram forte repressão policial por reivindicarem melhores condições de trabalho e, especialmente, uma jornada de oito horas. Nesse episódio houve trabalhadores mortos e presos que, desde então, tornaram-se símbolos para todos os que desejavam se engajar na mesma luta. No Brasil, alguns períodos são particularmente importantes para se entender esse dia.
É possível observar que, já no início do século XX, os trabalhadores brasileiros passaram a assinalar o primeiro de maio com manifestações que ganhavam as ruas e faziam demandas. No Rio de Janeiro, então capital da República, esses fatos ocorreram, por exemplo, em 1906, pouco depois da realização de um  Congresso Operário, onde a presença de trabalhadores anarquistas foi muito importante. Em muitos outros anos, durante a chamada Primeira República, o primeiro de maio seria um momento de reivindicar e de demonstrar a força dos trabalhadores organizados em algumas cidades do país. 
Nessa época, as lideranças do movimento operário realizavam meetings e comícios para a propaganda de suas idéias e também organizavam boicotes e greves, enfrentando o patronato e a polícia. As principais reivindicações foram a jornada de oito horas de trabalho (quando se trabalhava de 10 a 12 horas por dia), a abolição do trabalho infantil (crianças de seis anos eram operários) e a proteção ao trabalho da mulher, entre as mais importantes. O primeiro de maio, ensinavam as lideranças, não era dia de comemorar, mas de protestar e ganhar aliados. Um dia para se valorizar o trabalho e os trabalhadores tão sem direitos.
Uma das maiores manifestações de primeiro de maio ocorridas no Rio foi a de 1919, que uma militante anarquista, Elvira Boni, lembrou assim: "No primeiro de maio de 1919 foi organizado um grande comício na praça Mauá. Da praça Mauá o povo veio andando até o Monroe pela avenida Rio Branco, cantando o Hino dos Trabalhadores, A Internacional, Os filhos do Povo, esses hinos. Não tinha espaço para mais nada. Naquela época não havia microfone, então havia quatro oradores falando ao mesmo tempo em pontos diferentes." Manifestações desse tipo ainda ocorreram no início dos anos 1920, tendo como palco praças e ruas do centro do Rio e de outras cidades do país. Depois escassearam, encerrando uma experiência que, embora não muito bem sucedida em termos da conquista de reivindicações, foi fundamental para o movimento operário.
De forma inteiramente diversa, um outro período marcou a história do primeiro de maio no Brasil. Foi o do Estado Novo, mais especificamente a partir do ano de 1939, quando o primeiro de maio passou a ser comemorado  no estádio de futebol do Vasco da Gama, em São Januário,
 com a presença de autoridades governamentais, com destaque para o presidente 
Getúlio Vargas  presidente do Brasil (1930/1945 e 1951/1954).

Estádio do Vasco da Gama
 Nesse momento, o presidente fazia um discurso e sempre anunciava uma nova medida de seu governo que visava beneficiá-los. O salário mínimo, a Justiça do Trabalho e a Consolidação das Leis do Trabalho (a CLT) são três bons exemplos do porte das iniciativas que então eram ritualmente comunicadas a um público, invariavelmente através do chamamento inicial: "Trabalhadores do Brasil!" Nesse momento, o primeiro de maio se transformou numa festa, onde o presidente e os trabalhadores se encontravam e se comunicavam pessoalmente, fechando simbolicamente um grande conjunto de práticas centradas na elaboração e implementação de uma legislação trabalhista para o país. Por isso, nessas oportunidades, os trabalhadores não estavam nas ruas, nem faziam reivindicações como antes, mas recebiam o anúncio de novas leis, o que efetivamente causava impacto, não sendo apenas efeito retórico. Para se entender o fato, é preciso integrar esse acontecimento a uma série de medidas acionadas anteriormente no campo do direito do trabalho, e que tiveram início logo após o movimento de 1930, com a própria criação de um ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Dando um salto muito grande, um outro período em que o primeiro de maio ganhou relevo para a história do movimento sindical e para o país foi o dos últimos anos da década de 1970. O Brasil vivia, mais uma vez, sob um regime autoritário, mas o movimento sindical começava a recuperar sua capacidade de ação e de reivindicação. Grandes comícios então se realizaram, sobretudo em São Paulo, onde se protestava contra o "arrocho salarial" imposto aos trabalhadores, e se denunciava o regime militar. Essa era grande bandeira e projeto do movimento sindical: combater a ditadura militar e lutar por melhores salários e liberdade de negociação.
Arquivo de Juarez Bornhausen/Adalberto Day

11 comentários:

Santos disse...

Caro amigo Beto. Merece menção honrosa o seu trabalho sobre o 1º de Maio no Blog. Muito bem explanado com detalhes marcantes.
Eutraclinio A. Santos

Tere disse...

Beto, o que posso te dizer desse seu belíssimo trabalho é: PARABÉNS Leio sempre seu blog, mas nem sempre dá tempo para deixar aqui um comentário. Um abraço.

Simone Oliveira disse...

Eu comprei um jogo de toalhas dos senhores e gostei muito do material e como eu trabalho com vendas gostaria de saber se há condições de revender o produto dos senhores. Ficarei muito agradecida se houver esta possibilidade, por favor ficarei aguardando a resposta o mais rápido possível,muito obrigada.(021) 9491-2714. Atenciosamente: Simone Oliveira.

Juarez disse...

Maravilhoso seu trabalho, e muito obrigado pela lembrança.

abraços

Anderson disse...

DersonP @adalbertoday muito bom o relato. como as coisas eram diferentes, esse dia era realmente de festa. já hoje... mas parabéns pela publicação.

Gelásio disse...

gsoares10 @adalbertoday Bom dia Adalberto. Gostei da matéria.

Adrian Marchi disse...

Alberto,
Como sempre, belíssimo trabalho eternizado pelo Sr.

Parabéns!

Abraços
Adrian Marchi

Adilson Siegel disse...

Muitas saudades do primeiro de maio no estádio da EIG.
Que tempos felizes.
Abraço e parabéns por resgatar está história fantástica.

Ricardo disse...

Ótimo artigo, Amigo.
Parabéns.
Ricardo Stodieck

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Que saudade me deu ao ler o texto,pois me lembro muito bem sim desta data tão aguardada por todos. Era dia realmente de festa, churrasco , distribuição de prêmios e outros, me sinto orgulhoso de ter participado desta época. Parabéns pelo resgate da referida data, e com riqueza de detalhes, como sempre.

Valdir Salvador disse...

Amigo Adalbertovou te ensinar a agradecer a Deus, por nos ser tão felis, de estarmos vivendo por tão longos e lindos dias e poder nos locomover-nos e dialogar com os amigos,esta semana fui fazeruma pesquisa e queria fazer um jantar de encontro e comentarios de nossa época da prestação de serviço nas Famosas lojas da Empresa H.M.gosto das inicias pois ja eram um grande islogan, digo Hermes Macedo,tamanha foi minha surpresa pois infelismente dos competentes funcionarios da mesma sobram poucos que eu digo somos os Ultimos dos Moicanos,mas deixando isto de lado nosso computador celebrau que somos feliz de defrutar podemos e temos a grande honra de nos lembrar das grandes festas organizadas pelo grande Pera e o Simpatico so conheço como Nego Cirilo com a autorização do competente Dr. Nelson de Oliveira que morava ao lado da guarapeira da esquina que fazia concorrencia ao batalhador do carrinho de lanche Sr. Pedro Novais que tinha ponto de venda na portaria d E.I.G. mas voltando a tua reportagem os desfiles no local eram Ineditos veja foi ali que fui conhecer um Indio Siox,e o Cacique Pera grande homen,se bem me lembro eles fizeram um porco ou uma ovelha inteira no espeto que foi um atraçõ chega ja falei demais abraços a voce e seus leitores,deste que não te esquece Valdir Salvador

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