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terça-feira, 28 de abril de 2009

- Um Zeppelin no céu



- Passagem do dirigível Graf Zeppelin , em julho de 1934, assusta e emociona a população.
Blumenau acordou mais cedo naquele dia 1º de julho de 1934. Ainda de madrugada, milhares de pessoas, ansiosas, se posicionaram em pontos estratégicos da cidade. O motivo de tanto alvoroço surgiu imponente, no céu junto com os primeiros raios do sol. Exatamente às 6h45 min, segundo relatos da época, o ronco dos motores anunciou a chegada do LZ 127 Graf Zeppelin, uma das grandes maravilhas que a tecnologia humana havia conseguido criar até então.
Um dos símbolos mais utilizados pela Alemanha nazista para convencer o mundo de seu poderio, o lendário dirigível significava muito mais que isso para as pessoas comuns, que o admiravam, como um ícone da modernidade. A noticia de que ele passaria por Blumenau, vindo de Buenos Aires rumo ao rio de Janeiro, se espalhou rapidamente dias antes. A população preparou até bandeirinhas para recepcioná-lo e o Zeppelin não decepcionou tanto empenho. Tornaram aqueles poucos instantes inesquecíveis.

O Graf Zeppelin surgiu sobre o Morro do Aipim (sentido Gaspar/Blumenau) e a cerca de 120 km/h sobrevoou o rio Itajaí-Açu. Para delírio dos observadores no solo (que o acenavam com gritos e bandeiras agitadas), quando estava bem no Centro da cidade o dirigível ficou parado no ar durante alguns minutos, antes de sumir da vista das pessoas no sentido das Itoupavas. Mas ele ainda voltaria a surpreender os blumenauenses. À noite, quando ninguém mais esperava, voltou a voar sobre a cidade, mas desta vez mais rápido, rumo a Itajaí. Ainda de acordo com relatos daquele dia, o vôo do Zeppelin provocou reações curiosas nos mais desavisados. Não foram poucos os casos de pessoas que se esconderam imaginando que o gigante no céu sinalizava o fim do mundo.






Carlos Braga Mueller, que também se interessa pela nossa história, tem algumas interessantes colocações sobre a passagem dos zeppelins por Blumenau:

Texto Carlos Braga Mueller escritor e jornalista.
A passagem por Blumenau dos dois maiores símbolos da conquista do espaço aéreo pelos alemães, o Graf Zeppelin e o Hindenburg, revelou a importância que esta região tinha aos olhos de Adolf Hitler, cujos sonhos de grandeza incluíam a conquista do Universo.
O sobrevôo sobre o Vale do Itajaí em 1934, diz a lenda, seria para mapear um terreno pelas bandas de Hansa-Hammonia (hoje Ibirama), onde Hitler pretendia construir seu "Ninho de Águia" no Brasil.
Alguém devia ter soprado ao Führer que, subindo as escarpas da Serra do Mar, o clima seria tão saudável quanto o dos Alpes, onde ele tinha o seu famoso bunker na Alemanha.
Para disfarçar a intenção, continua a lenda, o Comandante Hugo Eckener teria parentes em Hansa-Hammonia e foi divulgado então que ele aproveitou para vir saudá-los do alto. Realmente, passando por Blumenau o dirigível seguiu em direção ao médio e alto Vale do Itajaí. O que seria verdade ou mentira?
Certamente jamais saberemos ao certo. Os que viveram naquela época não estão mais aí para contar. E os arquivos nazistas foram confiscados e destruídos pelos aliados, que ganharam a guerra.
Minha tia Nitinha (Antonietta Braga) sempre me contava a emoção de ter acordado cedo para ver o grande charuto voador despontar por sobre o Morro do Aipim e depois sobrevoar Blumenau.
Parabéns, Adalberto, por recordar este assunto.
Dirigível Hindenburg

Dois anos mais tarde, no dia 1º dezembro de 1936, Blumenau receberia a rápida visita do dirigível Hindenburg (foto) da época, e que seis meses depois se incendiaria em pleno vôo sobre Nova Jersey, nos Estados Unidos. A tragédia iria antecipar a aposentadoria do Graf Zeppelin, que ainda passaria mais uma vez por Blumenau, em 1937, antes de fazer sua ultima viagem em 18 de novembro do mesmo ano.
OS TRAUMAS DA SEGUNDA GUERRA

Constantemente somos consultados, principalmente por estudantes, que buscam dados sobre o período em que Blumenau vivenciou momentos dramáticos, provocados pela Segunda Guerra Mundial.
Se quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, em 1933, a expectativa era de euforia, depois, ao eclodir a guerra, os descendentes de alemães, considerados nazistas, sofreram dura perseguição dos governos estadual e federal.
Por isto, postamos recentemente as matérias (clicar) - Traumas da Segunda Guerra Mundial

Fontes: Nico Wolff (Diretor de Cultura FCB) 3326 7582 e 9936 3977 e Kátia Klock (Direção e Roteiro) 48 9989 4202.
Jornalista: Marilí Martendal – MTb/SC 00694 JP. 3326 8124 e 9943 0235.
Fonte: Suplemento do Jornal de Santa Catarina, sábado e domingo 30/31 de agosto 2003 Volume 1 – Emoções.
Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Cássio R. Splitter/Osmar Hinkeldey Adalberto Day

2 comentários:

Jornal PZ disse...

Boa tarde!
Prestigie a exibição do documentário “Sem Palavras” nesta terça-feira:
Dia: 28 de abril de 2009
Horário: 19:30
Local: Clube Pomerode – Rua dos Atiradores, 247, Centro
ENTRADA FRANCA


É muitíssimo interessante.
abs

VAldir Appel disse...

Beto,
Quando menino, ouvi tantas historias sobre o Zeppelin que eu cresci com a idéia fixa de que vira os dirigíveis circulando nos céus de Brusque. Imaginação de menino, dos tempos em que a bolinha de gude e a funda eram os nossos brinquedos.
Mais um belo texto.

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