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quarta-feira, 25 de março de 2009

- Desordem Institucional

Escrevi este artigo e mandei para alguns jornais, pela primeira vez em 12 de maio de 1990. O desenho (casa enjaulada) feito pelo saudoso amigo Dimas dos Santos, reflete pessoas do bem enjauladas, enquanto os que vivem na marginalidade circulam livremente. Na época passávamos por uma turbulência desenfreada principalmente com a inflação atingindo 84,32% ao mês... mas isso é outra história. Em meu texto original, citei esse fato, felizmente desde 1994 os índices inflacionários estão sob controle. Achei oportuno postar em meu blog por entender que pouca coisa mudou, e também aproveitar a oportunidade da passagem de mais de quatro meses da fatídica tragédia em Blumenau (22,23,24novembro/2008),há muitas coisas a fazer, a serem recuperadas, apesar do esforço do governo municipal.
As fotos acima (hoje 26/março/2009) mostram o caos na Rua Júlio Heiden e barranca do Ribeirão Garcia. Conversando com taxistas e carteiros classificam este e a Bruno Screiber, Emilio Talmann como os piores lugares de Blumenau.
Na Rua Progresso, em Blumenau, (tragédia esperada e anuncida) Maurici Klabunde, 38 anos, morreu após por algum motivo ter seu veículo Santana na curva do cemitério , caído na barranca do Ribeirão Garcia, dia 05/abril/2009 às 05:58 min. As condições do local são precárias e muitos acidentes como este, poderão acontecer, como também na Rua Júlio Heiden.
As verbas prometidas por diversas autoridades máximas do governo federal, em várias visitas a cidade, pouca coisa veio. Promessas de milhões, falácia (Afirmação falsa ou errônea com aparência de verdadeiro. O termo falácia deriva do verbo latino fallere que significa enganar. ...) ? Ou também falta de projetos de reconstrução para o futuro e não paliativas, onde estão os erros? Penso que o povo de Blumenau e região merecem respostas, e ações imediatas de nossas autoridades constituídas......até quando?.
Artigo
Desordem Institucional

12/maio/1990
O momento que estamos vivenciando nas questões políticas, corrupção desenfreada, e um “aparente comando” dos que estão a margem da sociedade, devem servir como um alerta para aquilo que todos almejam, um futuro melhor.
Devemos ir a luta para uma mudança em nossa sociedade, que hoje é fraca , e que reflete o atual quadro que se apresenta, através de alguns políticos. Não adianta só por a culpa nos governantes, porque a eles atribuímos nossos votos. A maioria da sociedade é justa, honesta, porém "O que preocupa não é só o grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Para que as forças dos marginais triunfem, basta apenas que as pessoas de bem não façam nada".
Quando a força do bem prevalecer, uma sociedade mais politizada, teremos então um bom governo, pois será dessa sociedade, que escolheremos nossos representantes. O governo sempre é o reflexo da sociedade.

Chocolate quente e merenda 1960 escola São José
Quero aqui reafirmar o que Herbert de Souza, o “Betinho” de saudosa memória, vinha sempre alertando, “possuímos mais de 20 milhões de cidadãos abaixo da linha de pobreza, Como também dizia que a Elite é o Pai e a Mãe da miséria, e se cada um de nós fizermos alguma coisa, vamos mudar esse Brasil”. E dizer que mudar o futuro depende de como se pensa o presente.
Só pensamos na mudança, depois que acontecem os problemas, quando o correto seria a prevenção, um planejamento para evitar a convulsão social que pode chegar ao caos. É só observar o problema histórico na educação, e os sistemas penitenciários.
A má distribuição de renda, maior problema nacional, como também do atraso na questão da reforma agrária, só será amenizado se melhorarmos a qualificação da nossa mão de obra, e isso só serão possíveis, com ação eficaz do Estado na educação básica. Entendemos que uma melhor distribuição de renda só vai acontecer quando a educação escolar básica for ofertada a todos e com boa qualidade, proporcionando igualdades de condições, qualificando melhor a mão de obra e como conseqüência um aumento do preço da mão de obra não qualificada, por diminuição de sua oferta.

- A Educação, sabemos, é dever do Estado e, vemos com os "bons olhos da esperança", que um dia cada criança, futuros cidadãos brasileiros, possam ver isso se tornar realidade.
Diante de tanta desordem institucional, não podemos permanecer passivos, de braços cruzados, precisamos participar, deixar de ser omissos. A sociedade sem participação é fraca, oprimida, e desunida, torna-se palco das discussões mais polêmicas, de intrigas, todos sabem o que falta, mas não encontram o caminho. A forma de fazer, e as soluções não saem do chão, por falta de iniciativa e liderança. Precisamos ser organizados, idéias as mais diversas, diferenças de toda ordem fazem parte de qualquer grupo social. Ao juntar-se a fé, a esperança de cada indivíduo, podemos dizer que vivenciamos a verdadeira fraternidade, sonhada por todos nós. Não devemos cair no descrédito, isso fará com que percamos a esperança. Vamos fazer nossa parte.
Arquivo Adalberto e Dalva Day e in memorin Dimas dos Santos.
O autor é Cientista Social
Adalberto Day 12/maio/1990

10 comentários:

Carlos Braga Mueller disse...

Beto,

O que assusta não é só a "desordem institucional", mas o tempo em que ela se arrasta, sem soluções que contemplem o cidadão brasileiro quando o assunto é segurança pública. E não se avista uma luz no fim do túnel. Você escreveu em 1990, há quase 20 anos, coisas que se ajustam aos acontecimentos de hoje ...
A jaula continua sendo o protótipo da casa segura para os homens de bem. Os maus, os bandidos, não precisam de jaula, mesmo porque nossos presídios estão superlotados. Deveriam colocar na entrada: "Não temos vaga" !
Em Santa Catarina foram criados os Conselhos Comunitários de Segurança (faço parte do Conselho Centro/Escola Agrícola e Região).
Mas toda a boa vontade dos membros de uma comunidade esbarram sempre com a falta de recursos para implementar um simples esquema de segurança ostensiva dos policiais militares, por exemplo. E cada vez mais os cidadãos acreditam menos nas autoridades !
A violência nos grandes centros é assustadora. Hoje pela manhã ouvi na TV um depoimento de uma senhora que mora há 50 anos no Rio .Assustada, ela vivenciou um tiroteio entre polícia e traficantes na zona mais nobre da cidade, a aristocrática Copacabana.
Lá prevalece o espírito da violência e as autoridades de Segurança Pública batem o pé: dizem que têm que revidar, com a mesma moeda, os desafios dos traficantes dos morros.
Como controlar, com este esquema de olho por olho, a segurança de uma cidade que tem milhares de favelas ?
Existe a luz no fim do túnel ?
Vamos sair um dia desta "desordem institucional ?"
Só Deus talvez possa responder.
Abraços do
Carlos Braga Mueller

Carlos disse...

Adalberto

Gostei muito deste seu artigo, dinâmico, positivo, esclarecedor. Um corretivo no governo e um verdadeiro alerta para nossa sociedade.
Parabéns pela grande capacidade de entender e mostrar o caminho correto para todos nós.
Abração.

CarlosASallesOliveira.

Barreira disse...

Senhor Adalberto.

Como de costume, sua matéria está excelente. E, neste caso em especial, ela é totalmente oportuna.
Desde de meus tempos de escola já escutava que a história é cíclica. Mas no Brasil, infelizmente, ela é repetitiva.
Abraços.

BARREIRA.

Djalma disse...

Sem comentar muinto sobre as suas palavras,mas vale apena lembrar..................Ano que vem eles vem ai............e a falastrona da Edeli Salvate é candidata a candidata ao governo do estado.Ficamos atento a isto

Tere disse...

Sobre essa questão de "desordem institucional", poderíamos fazer várias perguntas: quando há desordem está faltando O QUE? quando não há punição, o que está falhando? E essa "desordem institucional" ela se reflete na educação, na família, nas ruas e em todos os setores de nossa sociedade. No Brasil há muitas leis e muito boas por sinal,só que não são cumpridas. Se as autoridades de um país descumprem essas leis, se a maior instituição de um país está em "desordem", como cobrar ordem e leis dos cidadãos comuns, das cidades, dos morros, das favelas, das escolas, dos presídios???????

Beto, um abraço.

Urda Alice Klueger disse...

Adalberto
Haja desordem institucional, companheiro! Principalmente nesta cidade de Blumenau! Aqui na minha rua está tudo despencando - mas só é limpa a calçada de um prédio (com tratores e caminhões - quando eles chegam, parece que vai haver alguma coisa que preste), porque naquele prédio moram diversos maçons. Disseram-me que lá dentro da prefeitura o pessoal só está conseguindo brigar um com o outro. Arghhh!
Urda.

Renate disse...

O povo reflete o governo. Quando o exemplo vem de cima, o povo se alinha. O nosso povo é bom, mas sempre teve exemplos deploráveis. Agora, se lá em cima a corrupção domina, o que fará o nosso pobre, o desamparado, o marginalizado, o doente abandonado? - vai imitar o pessoal lá de cima.

Renate S. Odebrecht

Anônimo disse...

Bom Dia
Foi muito bom ver sua saudação e reconhecimento a pessoa e ao desenho feito pelo meu pai em memória “Dimas Dos Santos, Desenhista da ARTEX e outras, pintor de quadros e professor de musica”, grande saudades, gostei dessa reportagem.

Ranieri Dos Santos – Filho de Dimas dos Santos c/ muito orgulho.
Téc.Segurança do Trabalho

Marilene disse...

Olá! Encaminhei à minha filha que é assiste social, pós graduada em Ciências Políticas, Especialidade em Drogas (trabalhando com população em situação de rua e recuperandos)e outra em curso.
Ela vai gostar.
Abraços desde as Minas das Gerais.
Vi a figura do lendário Noel e quatro renas no perfil.
Que seus leitores possam também ler este texto que anexo neste espaço (sem sua permissão, claro) e tirarem suas conclusões.
http://adalbertoday.blogspot.com.br/2009/03/desordem-institucional.html

Altair Pimpão disse...

O tempo passa. O tempo voa e Brasília continua numa boa. Hoje o presidente deve estar jogando aviõezinhos para os governadores e perguntando, como faz o Silvio Santos: Quem quer dinheiro. Quanto aos presos é aquilo que o secretário dá juventude revelou. Uma chacina por semana.

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