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segunda-feira, 26 de maio de 2008

- O fim melancólico


Foi em 26 de maio de 1974 o último dia que o Amazonas jogou (pisou) em seu magnífico estádio.
Após um longo período de glórias, chegou à hora melancólica do time Alveceleste, o time proletário como também era conhecido. O Amazonas era o Bi-Campeão da 2ª divisão 1972/73, quando acontece o que a imensa maioria dos Blumenauenses, principalmente a comunidade do Grande Garcia jamais poderia imaginar, a toda poderosa Empresa Industrial Garcia, ser incorporada à Artex S/A. A repercussão na época foi um fato inacreditável, por muitos anos, mas aconteceu. A incorporação começou em fase experimental ou adaptação em fevereiro de 1973, com a real efetivação em 15 de fevereiro de 1974. É bom salientar que a incorporação teve cunho político na época, exigência do governo federal através do então ministro Delfim Neto. Durante alguns anos a incorporação foi benéfica, para o ramo Têxtil de Blumenau, constituindo-se a Artex S/A, na maior Empresa do Ramo na América Latina.
Os anos passaram-se, e o império que era a Artex desmoronou a empresa foi vendida, transferindo-se a famosa marca Garcia e Artex, para outro estado da federação.
Os fatos mencionados nos ajudam a entender o porquê, do encerramento das atividades do Amazonas E.C. em janeiro de 1975. O Amazonas vinha disputando com sucesso em 1974 o campeonato da cidade estando sempre nas primeiras colocações durante todo o decorrer da competição. Mas era evidente o desinteresse dos dirigentes da Artex em apoiar o Amazonas.
Foi a 26 de maio de 1974, um domingo bonito com sol, mas sombrio pela circunstância, que o Amazonas se despediu para sempre do seu magnífico estádio, uma baixada que foi impiedosamente aterrada, pela Artex, em trabalhos de terraplanagem executado por duas possantes maquinas da Construtora Triângulo, o Amazonas vence o Tupi de Gaspar por 3x1, com dois gols de Bigo(Nilson Siegel) e um de Tarcisio Torres, pelo campeonato Taça Governador Colombo Machado Salles. Posso falar sobre isso, pois estava presente, jogando na preliminar.
Os últimos jogadores a pisar o gramado do majestoso estádio da Empresa Industrial Garcia, foram: Cavaco,Nena , Girão, Eloi(depois Luiz), Gaspar e Adir, Werninha e Nelsinho (depois Poroca),Nilson (Bigo), Tarcisio e Ademir.
No dia seguinte, as máquinas começam os serviços de terraplenagem, retirando o barro onde estavam sendo executadas obras do novo traçado da Rua Amazonas transferindo para o local onde era o Estádio, uma baixada que impiedosamente foi enterrada para sempre. A tristeza tomou conto dos fanáticos torcedores Alveceleste, que viram desaparecer uma das maiores e melhores praças esportivas de Santa Catarina da época.
O campeonato seguiu, até o seu final, apesar da apatia dos jogadores e torcedores Amazonenses, que sem estádio, realizavam seus treinamentos, no ex campo do América F.C. (pasto do Sr. Bernardo Rullenski), na Rua Hermann Wendenburg, Progresso - e jogavam suas ultimas partidas no estádio do seu arqui rival o Palmeiras E.C. Com a falta do apoio, o desanimo tomou conta dos jogadores e torcedores. - Como Cientista Social, pesquisador da historia e antigo atleta, em diversas modalidades do Amazonas, procurei resgatar a história do clube, pesquisando junto à comunidade, ex-jogadores, e muitos deles me doaram fotos, troféus, bandeiras, camisas, e informações as quais pude transcrever em jornais, e repassar, através de documentários, radio tv, e escolas e fizeram isto com orgulho, alguns com idade avançada, repassaram seus objetos para mim, pois tinham a segurança, que após sua morte, alguém zelaria como memória histórica de uma época de nostalgia, amor, determinação e colaboração e brilhantismo.
Arquivo e Crônica de Adalberto Day/Cientista Social e pesquisador da História. O conteúdo em sua integra está na Revista Blumenau em Cadernos Nov/dez 2004 – Nº 11-12 – paginas 107 até 119.

8 comentários:

Adilson Siegel - Ticanca disse...

Adalberto,

Eu também presenciei a invasão daquelas máquinas. Também joguei na preliminar e na época com 15 anos, não fltaram as lágrimas. Se pudesse, paralisaria aquelas máquinas eternamente, pois ali estavam não apenas enterrando o estádio do Amazonas, mas todo um trabalho de dedicação de muita gente e em especial, estavam enterrando o meu MAIOR SONHO, jogar no Amazonas na equipe principal no Estádio da EIG, assim como meu Pai e meus irmãos o fizeram. Foi melancólico realmente.

Edemar Annuseck disse...

Meu caro Adalberto
Quero me associar as suas manifestações de "pesar" pelo que aconteceu há 34 anos com a "implosão" do simpático Estádio Proletário, do Amazonas EC. Nós jovens jogando no meu caso pelo Guarani EC nos juvenís, aspirantes, no time principal e até com a equipe da Rádio Nereu Ramos considerávamos o melhor gramado de Blumenau. E depois desse lamentável episódio destruíram também a Baixada, o Guarani e o Vasto Verde para transformá-los em campos de futebol soçaite e o Aderbal Ramos da Silva, vendido em leilão e demoliado à seguir. Espero que as cabeças pensantes do esporte em Blumenau não se comportem mais dessa forma em benefício do moderníssmo. Aliás, não sei se você e eu estaremos vivos para ver a conclusão de um estádio que possa definitivamente colocar o futebol de Blumenau no contexto nacional. Essa história do estádio na cidade vem da época de Renato Vianna - acho que no seu primeiro governo - em que a maquete do estádio era até estampada nos cartuchos dos supermercados. Foi tudo pro lixo.
Um grande abraço
Edemar Annuseck - Curitiba -

Zé Pfau disse...

Embora lamentável, acho genial esta colocação de oportunismo no teu BLOG, ou seja rever valores exatamente na data em que aconteceu. Uma forma inteligente de valorizar o fato mesmo que lamentável. É aquela situação que já comentamos - o teu material conta a história mas com estreito relacionamento com a atualidade.
Considero também que "tudo acaba" e desta forma podemos sem nenhuma magoa ou tristeza falar dos assuntos do passado com muito orgulho. Que ótimo que há 34 anos existiu o Amazonas para alegria, orgulho e satisfação de todos. Fez história.
José Geraldo Reis Pfau

Anônimo disse...

Beto, recordar é viver.......vi essa foto e seu comentário sobre o Campo do Amazonas, e recordei que na minha adolescência eu e minha amiga Alanir Massaneiro,hoje infelizmente perdi o contato, íamos praticar esportes no campo.
Era assim que chamávamos "o campo". Podíamos entrar a qualquer hora, para treinar corridas, barras, salto em altura, e até bicicleta de corridas. Para nós era uma alegria muito grande de poder usufruir de tudo isso que o campo nos oferecia. A disputa era sempre entre eu e minha amiga Alanir, que por sinal sempre era a vencedora. São lindas recordações que guardo na lembrança, e que você Beto com seu conhecimento e amor pelo que faz, traz de volta o que estava perdido e esquecido por algumas pessoas. Um Abraço. Tere.

Valdir Salvador disse...

Amigo Adalberto você falou que tem um arquivo de todas as fotos de minha loja, tudo bem espero que mantenha também uma foto minha pois eu também tenho que fazer parte de tuas pesquisas , do Bairro do Garcia pois eu como um batalhador por manter os patrimônios Históricos também sou filho do Bairro do Garcia nasci na rua do (FIFA)Hoje rua Belo Horizonte meu Pai era inquilino da terceira casa do lado direito das casas do famoso Açougueiro Tydre, em frente aos cavacos, e aos Forbices sendo segundo vizinho do extraordinário Pedro Novais, es vendedor do carrinho de Pasteis e Bananinhas,Tangerina e outras guloseimas que tinha como ponto de venda cedido pela Empresa Industrial Garcia até seus últimos dias de vida.Meu Pai era o então Barbeiro seu Rudolfo Salvador,que tinha barbearia ao lado da venda do senhor Chico Malheiros, onde tinha o tradicional coqueiro que era a indicação onde o Ônibus da empresa Ziguel parava quase na frete da Garapeira da velha Cassiana assim como era chamada, o marido da mesma era o Senhor Caciano e era por muito tempo o Inspetor de quarteirão, hoje seria delegado de Bairro,como lembranças triste tenho do momento que em que o senhor Marcos Moritz, ...........o operário pessoa simples e querida de todos, o senhor Pedro Ramos, e lembranças alegres são muitas da melhor foi os ensinamentos inicial que recebi das famosas professoras, Dona Agda, Dona Esmeraldina, Dona Nadir,e da então Diretora da Escola Dona Julia que Deus a tenha,e das Festas da Igreja que no segundo dia das festas íamos juntar tampinhas de garrafas para fazer nossos jogos de crianças, das cerejeiras que balançávamos os galhos para sujar os uniformes de nossos colegas de sala, mas deixa para lá Criança é que nem Rapas pequeno.por enquanto é só pois peço perdão não sirvo para escrever pois sou muito burro em português porem te desafio em matemática. abraços teu amigo Valdir Salvador.

Anônimo disse...

Adalberto,
Com a extinção dos campos de futebol em Blumenau, foi-se um futebol maravilhoso,que hoje tenta sobreviver representado por um clube que não tem nenhuma identificação com o suadosista torcedor blumenauense.
Abraçamigo,
Valdir Appel

airton moritz disse...

Grande e emérito historiador Adalberto Day:

Não me manifestei a respeito de alguns assuntos em sua página, porém, é oportuno frisar que tenho visto com a devida atenção algumas divulgações, dentre as quais posso citar a que cita o Clube Caça e Tiro Jordão, do qual o Ex Vereador Evaldo Moritz, esteve na presidência por determinado período, a Ponte Preta, na qual passava todos os dias no mínimo duas vezes e por fim o melancólico final do Amazonas Esporte Clube, ao vê-lo recordei com um misto de tristeza e ódio aquele período e alguns fatos me parecem, passaram despercebidos. Na ocasião o Wilson Siegel e eu ao final dos treinos no bar do Cilinho, tecemos comentários a respeito, no início não acreditávamos que pudessem aterrar todo o estádio, mas, com o passar do tempo nos convencemos da sacanagem que estava por vir. Começamos a nos mobilizar sem, contudo obter êxito junto a mais adeptos da idéia de que deveríamos nos manifestar para os “novos" caciques da EIG. Ma, não desistimos fomos ao Dr. Righetto que prontamente aderiu ao movimento e marcamos um horário com o Dr. Eunildo Lázaro Rebello, diretor administrativo do grupo Artex. Acompanhou-nos neste encontro além de mim, o Dr. Righeto, Dr Nelson Salles de Oliveira, Sr. Nilson Carvalho (lateral paulista com passagem pelo CNA Barroso de Itajaí), Sr. Wilson Siegel e desculpe foram outros (três ou quatro),que no momento não recordo. Fomos recebidos pelo Dr. Eunildo, que confirmou que iria soterrar todo o estádio, e que estariam construindo um novo parque esportivo, ao ser indagado qual o tempo que demandaria esta construção, disse ironicamente que levaria aproximadamente 5(cinco) anos. A partir, daquele encontro, sentimos o verdadeiro ódio da Artex com a Garcia, eu já havia presenciado algo parecido. Em um encontro realizado no Grande Hotel e posteriormente, a noite comemorado no "Vapor Blumenau, o cidadão, ex-prefeito de Blumenau, e Diretor da Artex, fez uso da palavra e além de tecer vários comentários a respeito da conquista, a qual no entender dele se revestia de enorme alegria e ao final fez uso de uma picareta e a colocou sobre a mesa, com certa força, curiosamente a picareta se desprendeu, deslizou pelo cabo e atingiu sua mão que posteriormente necessitou de alguns curativos e disse em altos brados, não sei lhe dizer se foi de ódio ou dor, isto com referencia a entonação da voz, mas as palavras foram ensaiadas e diziam que "esta picareta ira, destruir o muro que separa a Garcia da Artex, sob o aplauso de um sem numero de "baba ovos", e os ex-colaboradores presentes e agora transformados em colaboradores da Artex, ficamos perplexos, tristes e um sentimento de desconforto diante de tanta insensibilidade. Na verdade amigo, lhe cumprimento e lhe reverencio em nome dos verdadeiros amazonenses se foram craques ou não, pela sua fibra, coragem, em continuar divulgando este nome magnífico do esporte blumenauense, que está entalado na garganta de todos nós, pois, não merecíamos este tratamento hostil, vergonhoso que nos foi imposto, única e exclusivamente por um motivo: o Amazonas Esporte Clube, lembra e lembrava a famosa EIG, destaque nacional e internacional no ramo têxtil, e isto eles não conseguiam engolir, pagamos o preço do ódio.
Curiosamente ou coincidentemente todos os que participaram daquele encontro com o Dr. Eunildo, foram demitidos, utilizando-se de todos os meios para denegrirem suas imagens, tentando vingar a coragem que tivemos em enfrentá-los com um humilde objetivo, dar uma satisfação àqueles que não tinham acesso para desfazerem suas duvidas a respeito do futuro do Amazonas Esporte Clube.

Avante Amigo.Estou vivo e feliz. Não canso de olhar minhas faixas e medalhas de campeão das conquistas amazonenses das quais participei como um humilde integrante.

Não esqueci você nem toda Garcia, sua gente, que me acolheu da qual só guardo lembranças maravilhosas.

Abraços Azul e Branco.

Airton Gonçalves Ribeiro - Airton Moritz

ernestodwerner@hotmail.com disse...

hoje lendo algumas mensagens fiquei orgulhoso de ter contribuido com o esporte de blumenau,dando as vezes alegria ao povo do garcia e aos blumenauenses pelos titulos que ajudeie a conquistar junto com mesus amigos. o passa tempo ou divertimento dos garcienses era o amazonas ec,cine garcia,cantina da artex,bons tempos de juventude.quero deixar a todos que vivencirao esta espetacular epoca um grande abraco,alegria,saude e paz. do amigo esportista e atleta do glorioso amazonas e.c WERNINHA ernestodwerner@hotmail.com

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