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quinta-feira, 11 de maio de 2017

- Morro do aipim

Frohsinn por volta de 1970
Foto divulgação "face Antigamente em Blumenau".
MORRO DO AIPIM : Elevação do terreno, com 140 metros de altura, existente a leste e sudeste da rua Itajaí , ou seja da antiga rua Minas Gerais. No seu topo, em certa época se pretendia fazer um aeroporto tão extensa é a sua continuidade. No longo platô que se esparge por cerca de 05 km, há terras com moderada ondulação, as quais dividem-se em numerosos espigões, parecendo uma soca de aipim arrancada da terra e o que vemos, da cidade, não são as raízes mas sim a cabeça da soca inaproveitável do pé da rama. As terras das faldas do morro, não se prestam para o plantio vantajoso do aipim, mas o morro era uma referência aos instrumentos necessários à sua produção  machado ,foice, facão - enxada , e lógico os sempre imprescindíveis afiadores pedra de afiar e rebolos que somente lá eram produzidos pelo Dr. Blumenau. O Dr. Blumenau, após recepcionar no seu bureau administrativo o novo imigrado recém ingresso, indicava-lhe o galpão do almoxarifado onde poderia adquirir sementes e instrumental para iniciar sua lavoura, e lá o colono tomava conhecimento, vez primeira em sua vida, do aipim ( aqui assim chamado e não por mandioca) suas ramas para o plantio, sem o qual não poderia satisfatoriamente criar seus porcos, que representavam, no início de qualquer assentamento colonial, a fonte de alimentos de mais rápida conversão. Sem embargo todo o equipamento que adquirisse o novo colono, ficaria logo dependente da respectiva afiação, que sem os ditos instrumentos abrasivos, não poderia adequar as lavouras aos fins a que se destinavam. Pedras- limas- rebolos- afiadores para viabilizar as plantações, que eram essencialmente de aipim. Ora limas Nicholson􀂴de aço-carbono naquela pregressa época ainda não havia. Trazer pedras na travessia oceânico seria desperdício no pagamento do frete à navegação, que cobrava os ditos sobre o peso do material embarcado. Chistes e pilhérias cedo foram lançadas, como a associação das pedras e rebolos abrasivos ao até então desconhecido aipim. Daí por diante é fácil imaginar como o colono referenciou, mediante uma metonímia transversa ( transnominação, sinédoque por associação) , os amoladores ao aipim. E segundo constou o próprio Dr. Blumenau, desejando não ver mencionado o seu morro particular como Feileberg, termo que o associava à sua pequena exploração dos amoladores, passou à citá-lo em português, aliás língua na qual sempre preferencialmente denominou pontos da geografia local, como Morro do Aipim. A denominação já estava definitivamente consolidada em 1892, e assim manteve-se.
Sintetizando: O Morro por semelhar-se à uma soca de aipim arrancada e por ter sido o Morro dos amoladores dos instrumentos para produzir aipim, tomou o nome de Morro do Aipim. Contudo antes foi chamado Feileberg (Morro do Amolador) para designar o talude frontal quando observado a partir do centro da cidade.
E afinal, sempre associada ao aipim, a lima ou a pedra abrasiva, que o colono enfiava na cinta, pelo desgaste tornando-se cônico, semelhava-se em muito a uma das raízes do tubérculo, o que fez com que dessem o nome de aipim para aquela rudimentar ferramenta. Portanto tudo terminou quando aquela ferramenta, passou a ser jocosamente denominada Aipim em vez de Feile, ainda mais pela razão da pedra ser de má qualidade e que logo se desgastava, e era mole como um aipim. Passar o aipim na enxada ou passar a enxada no aipim - algum dos dois seria necessário que fizessem, e isto diziam em alemão para assegurar que trabalhar era preciso. Aqui finalizo o resumo de uma parte dos contos que passou-me meu pai - Hercilio Deeke com relação ao Morro do Aipim 􀂱 e a origem de seu nome provindo da imensidade de gozações que faziam quanto às pedras de amolar do Dr. Blumenau.
Contou o Sr. Jorge Gropp  que durante a gestão do prefeito Hercílio Deeke - deveria ter sido na primeira em 1951 a 1955 - acompanhou-o, na condição de morador das proximidades ao cume do morro, que pertencia a municipalidade, para verificar quanto às condições de viabilidade para, na relativa distância em que o 􀂳plateau se derrama para o sudeste, aplainando-o, fazer uma pista de cerca de dois mil metros de pouso. Em 26/3/1998 durante uma churrascada do Clube de Aposentados no Bela Vista Country Clube, o Sr. Jorge Gropp, na ocasião pouco adoentado, confirmou-nos o episódio, afirmando que o fato ocorreu em 1953, quando acompanhou na qualificação de Engº da EFSC e de morador nas adjacências, o prefeito Hercílio Deeke mais o Engº Wladislau Rodacki ao cimo do morro para inspecioná-lo, visando, especificamente, tomar vistas e observações para eventual estabelecimento de aeroporto naquelas paragens. Vide jornal  A Nação de 24.01.1954 - título  Empenhado o Governo Municipal na Construção de um Aeroporto Local- Oferece o Empreendimento amplas perspectivas econômicas.

Realmente as terras além do cume não apresentam inclinação excessiva, sendo, moderadamente onduladas, além de muito extensas, e confrontavam-se, e quase toda sua borda leste e sudeste, com o município de Gaspar, até mesmo nos distantes sítios localizados nos fundos da propriedade da família Bowens, atual Centro de desportos Bernardo Wolfgang Werner, (Bernardo Hermann Wolfgang Werner) em cujos fundões, há poucos anos passados (1983), através precário caminho pela mata, chegava-se, com automóvel, a 􀂳Cabana das Bandeirantes (talvez edificada já em terras da municipalidade, mas por cuja superfície a PMB jamais se interessou. Aliás é uma vasta área só adentrada por intrusos, como pela antiga rua das Cabras, atual rua Pedro Krauss sênior e atualmente (2002) por uma rua denominada Avaré. O levantamento topográfico de toda a área do terreno valeria o trabalho estafante de algum barnabé engenheiro da PMB, elaborando definitivamente uma planta do próprio municipal.
Lá, no alto do Morro do Aipim, pretendiam, em 1930 instalar a antena da então recém constituída Rádio Cultural Sul Brasileira
Conforme correspondência mantida por volta de 1925, «na época dos festejos dos 75 anos de Fundação da Colônia», com as filhas do Dr. Blumenau, estas explicitaram, com muita ênfase, que desejavam ver cumprido o desejo do Fundador que era o de que estabelecessem nas suas terras particulares do Morro do Aipim, um 􀂳Museu Colonial da Imigração. O Morro do Aipim, não constou da venda das terras da colônia particular do Dr. Blumenau ao governo imperial em 13 de janeiro de 1860, e foi objeto de doação da família do Dr. Blumenau à municipalidade de Blumenau  A doação das terras foi procedida em 1909 e formalizada em 1911, pelo filho do fundador, que entretanto na formalização do ato da transferência, através instrumento próprio, foi acompanhado de correspondência na qual, os descendentes do fundador, condicionavam a doação à municipalidade, mediante observância de clausulas estabelecendo finalidades da destinação do terreno, que deveria ser a de, exclusivamente, servir à construção ao «Memorial da Colonização». O 􀂳Morro do Aipim constava dos 􀂳Relatórios Administrativos do Prefeito Hercílio Deeke􀂴
desde o ano de 1951, arrolado na Demonstração dos Bens Patrimoniais pertencentes à Prefeitura Municipal de Blumenau. O valor do bem patrimonial denominado por Morro do Aipim, cf. arrolamento no Relatório Administrativo Hercílio Deeke ano 1954 pág. 32, foi de Cr$ 350.000,00 e, objetivando  estabelecer uma relação de valores, aqui registramos o valor que foi atribuído ao terreno contendo o próprio municipal sito a rua 15 de Novembro, onde se situava a Prefeitura (antiga Prefeitura-fronteira à Praça Hercílio Luz) o Fórum, Seção de Águas, Oficina Mecânica e Almoxarifado, cuja importância foi estimada em Cr$ 2.500.000,00, portanto observe-se o vulto atribuído ao valor do Morro do Aipim, que foi superior a 14% do valor atribuído ao terreno e edificação do prédio sede da administração municipal, não constando, porém, naqueles documentos, sua área ou confrontações. O prefeito Curt Hering em seu Relatório da Gestão Dos Negócios do Município De Blumenau durante o ano de 1929, cita a página nº 09 : Em vista de ter sido marcado o dia 29 de dezembro para o lançamento da Pedra Fundamental do Museu da Imigração Alemã mandei construir em novembro uma estrada, provisoriamente de três metros de largura, que dá acesso ao alto do Morro do Aipim, como também mandei escavar o chão para o futuro Museu􀂴. Contudo, como soe acontecer neste país, nada foi cumprido, só ficou o futuro visionário, e acabaram arrendando o proeminente local de visual panorâmico mais distinto da cidade,
para exploração comercial de comes e bebes (Restaurante Frohsinn ) e, houve até um prefeito que intentou transferir para aquele local os flagelados, aqui arribados para esvaziar o excesso populacional de outros municípios, o que certamente transformaria o morro num 􀂳belo􀂴ortiço, tão ao gosto das
administrações da atualidade que nada mais fazem que promover a favelização das nossas cidades.
( O Restaurante Frohsinn não se localiza no Morro do Aipim propriamente dito, e sim no Morro do Amolador, ou melhor sobre o talude do Morro do Amolador. Morro do Amolador, ou Morro de Amolar FEILEBERG ou FEILENBERG era o primeiro promontório e seu talude observável a partir do centro da cidade de Blumenau, e cujo nome foi esquecido a partir dos anos 1883/84.
Consoante me contou meu pai, Hercílio Deeke, o Dr. Blumenau não gostava que referissem o morro por tal denominação, pois assim procedendo explicita vinha a menção à Mina de Amalodres e Limas de Pedra, além dos rebolos, de propriedade exclusiva do Dr. Blumenau e que se situava no seu sopé, justamente no local onde atualmente está edificado no prédio do Centro de Saúde. Era tamanha a contrariedade do Dr. Blumenau às especulações e aleivosias além de chistes com que a população referia aquela sua pequena mina com produção artesanal, que ainda, em 1911, o seu filho Pedro Blumenau, fez questão de salientar, no termo de doação do Morro do Aipim, que a fazia condicionada à proibição da retirada de qualquer pedra daquele sítio, certamente desejando expungir da memória histórica qualquer recordação que remetesse à lembranças da antiga exploração e artesanato de amoladores limas e rebolos - mantidos por seu pai o Dr. Blumenau, que foi objetivo de muitas piadas e blagues na época da colonização.
O referido burgomestre não deixou de pecar, pois criou ( permitiu a invasão) uma super favela denominada Nova Blumenau, em terreno da municipalidade, terreno que, em administração anterior (31/01/1961- 31/01/1966), foi adquirido com finalidade específica de conter as instalações da grande usina, que estava projetada, para o Tratamento d􀂶Água, com o qual estaria garantido o abastecimento com tanta água quanto fluísse pelo rio Itajaí Açu, na região da Usina do Salto, portanto com enorme capacidade. « Historiar aquisição da vasta área de terras, pela municipalidade, à família Bromberg vizinhas à represa do Salto Usina de Força». Atualmente (1997) o Prefeito Décio Nery de Lima , em suas declarações aos jornais, afirma que pretende alienar o terreno do Morro do Aipim. Pois sim! Acerca da doação do Morro do Aipim à municipalidade, consta, a seguir, o texto da Ata da Sessão Ordinária do Conselho Municipal de Blumenau do dia 10 de abril de 1911, no qual foi mencionada a intenção da doação, sob condições. Ata da Sessão Ordinária do Conselho Municipal de Blumenau do dia 10 de abril de 1911. Aos 10 dias do mês de abril de 1911, às 10 ½ horas da manhã, presentes os conselheiros Abry,
No Morro do Aipim também construiu a sua moradia o alfaiate Penzlien. Morava próximo ao Sr. Richard Kaulich, pouco acima deste, e alcançava a sua casa por estreito caminho que somente servia para pedestres, em razão de ser muito estreito e íngreme, pois fora talhado na abrupta rampa do Morro do Amolador, então já denominado Morro Aipim. Era então (1946) o residente que em mais elevada altura se estabelecera para habitar no Morro do Aipim. Na década de 1960/70 encontraremos o seu filho, cremos que fosse genro do Sr. Spengler, exercendo atividades no Comércio Spengler, em Gaspar.
Clube dos Candangos. Em 1962 era presidente do 􀂳Clube dos Candangos  em Blumenau, o Dr. Engº Álvaro Lobo Bittencourt Filho, o qual exercia então a Superintendência da Estrada de Ferro Santa Catarina em Blumenau, desde sua posse em 04/5/1961 até 11/6/1963. O 􀂳Clube dos Candangos􀂴 foi autorizado pela Lei nº 1.101 de 19/10/1961 (Gestão Prefeito Hercílio Deeke) ao uso a título precário  permissão para ocupação e uso de área de terras situada no Morro do Aipim, mediante termo a ser lavrado quando o clube apresentasse a necessária personalidade jurídica- certidões e registros de seus estatutos. Termo a ser lavrado entre a Prefeitura Municipal de Blumenau e o respectivo Clube.
In Memorian – autorizada por Niels Deeke
Arquivo Adalberto Day
Para saber mais sobre o Frohsin e outros dados, acesse:

2 comentários:

Marilene disse...

Muito interessante conhecer mais uma porção da bela Blumenau.

Valdir Salvador disse...

Ammigo Beto, Parabens pela reportagem Morro do Aipim, pergunto que foi os primeiros colonos a plantar o famoso Aipim no morro ? os indios, que na reportagem não interferirão na retirada de pedras de Amolar nem limas de perda,porque nos outros lados da Cidade tanto foram as brigas e mortes se ali não tinha Indios?? mmas ainda não foi falado que ali devia estar o grandioso teleferico com prolongamento para os fondos do terreno que seria um cartão de visita de Blumenau .que hoje esta em Camboriu pois não?.tomara que a esploração do novo restaurante saia em sua frete um elevador podem fazer a copia do elevador lacerda da Baia com decida para o lado do Centro de Saude da rua Itajai. tenho dito. Valdir Salvador.

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