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segunda-feira, 9 de maio de 2016

- “DAS FRAUENSCHIFF”

“DAS FRAUENSCHIFF”
                                                   a Mário Hennings in memoriam

Por Cezar Zillig/Neurologista em Blumenau Cezar Zillig é médico, neurocirurgião de formação, atuando em Blumenau desde 1978.

É um episódio que se refere à curiosa página da história da colonização de Blumenau. Repasso como ouvi, não boto minha mão no fogo por ela, mas por ser picante e burlesco vale o relato: segundo o mesmo, ainda em seus primórdios, a colônia teria se ressentido da falta de mulheres; os homens, com seu espírito aventureiro, estavam sobrando; teriam acorrido em maior número para enfrentar os desafios do novo mundo, atendendo ao velho sonho de “fazer a América”, ou seja, enriquecer. Para resolver a incomoda premência, a Diretoria da Colônia promoveu uma campanha de arregimentação feminina em diversas regiões da Alemanha. Sabe-se lá o que foi prometido. Pois bem, estes clamores encontraram grande receptividade, inclusive num certo bairro portuário de Hamburgo onde um bom número de destemidas damas se apresentou para vir preencher as lacunas aqui no empreendimento do Dr. Blumenau. O navio que trouxe a preciosa carga passou a ser conhecido como “das Frauenschiff” (Navio das mulheres) e era aguardado com muita expectativa.
Vapor Progresso - AHJFS
Aguardado em termos, pois a impaciente tribo dos solteirões se mandou Itajaí abaixo muito antes da chegada do galante buque. Subiram a bordo, enquanto o navio estava ancorado na antiga barra do Itajaí, ante as praias de Cabeçudas e Atalaia. Antes mesmo da chegada do prático já tinham feito um sorteio para ver quem ficava com quem. Vieram trinta damas, menos do que o necessário para estabelecer o equilíbrio. Embora democrática, a partilha deixou alguma insatisfação: alguns velhos ficaram com mocinhas e alguns jovens com balzaquianas.
Vapor Blumenau - AHJFS
Consta que a feliz volta, em primitivas canoas correnteza a cima, durou três dias. Mesmo as senhoras com currículos pouco abonadores, acabaram se entrosando no puritano núcleo de emigrantes. Afinal, a turma  estava – literalmente - na mão e não era lá muito exigente. Comenta-se que este capítulo tem sido um tanto racalcado para o fundo da consciência coletiva blumenauense pois as damas do Frauenschiff acabaram por se tornar pilares de famílias respeitáveis.

(Artigo publicado no Jornal de Santa Catarina em 30 de outubro de 2006)

OBS. Este episódio estaria relatado num livro chamado  "O VALE DO ITAJAI" de Zeda Perfeito da Silva publicado por volta de 1950. Tem no acervo do Arquivo Histórico.

7 comentários:

Rubens disse...

Adalberto e Zillig
Uma espécie de "zona flutuante"...
Rubens Heusi

Marilene disse...

Interessante histórico. Narrativa suave e de muito bom gosto!

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Note,naqueles tempos se importava tais damas para suprir uma suposta carência feminina,certamente muitas damas que tiverem acesso a este relato,hoje gostariam de realizar justamente o contrário, (trazer mais homens) não que por aqui falta,mas de uma forma geral as mulheres estão sempre em maior número. Que relato interessante!!! Parabéns.

Marília disse...

Adalberto e dr. Zillig
Gostei imensamente. Peço autorização para fazer um PPs . guardando os créditos.
Marília Carqueja

sergio luiz buchmann disse...

Bom dia! Nada mais justo providenciar a vinda das Mulheres a colonização o dito “das Frauenschiff” (Navio das mulheres)Penso eu q foi também impensado por nossos colonizadores, pois vinham pra uma terra desconhecida,e desde do inicio dos tempos sabemos que ao lado de um grande Homem sempre tem uma maravilhosa Mulher.Acredito sim no texto mencionado, e parabenizo essas Mulheres corajosas q vieram ajudar na colonização e progresso de nossa cidade, estado, e porque não País.Eu quando garoto ouvi certas historias q não sei se verídicas ou não que muitas Bugras inclusive meninas índias eram estrupadas por muitos desses colonizadores. Volta a frisar que não sei se é verdade ou não!Obrigado pelo texto e é sempre um aprendizado a mais em nossas vidas. Abraço e obrigado sempre!!!

Marcos S. Leyendecker disse...

Isto é estória. Folclore. As mulheres que para vieram, o fizeram para trabalhar no pesado. Se quisessem vida fácil, teriam ficado em Hamburgo ou outras capitais. Com o devido respeito ao Cézar e Adalberto, é no mínimo trrespobsavel está publicação.

Anônimo disse...

Belo texto. Imagino de que bairro de Hamburgo elas tenham vindo... :)

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