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quinta-feira, 21 de maio de 2015

- BEC campeão estadual!

A trapaça!
Faço este  relato, pois poucas pessoas têm o conhecimento deste episódio e que fique registrado nos anais do Futebol de Blumenau e catarinense.

O que me motivou, foi a entrevista publicada no Jornal de Santa Catarina dia 25/04/15 concedida ao amigo Jornalista Everton Siemann . Na oportunidade Siemann fez um relato sobre as duas conquistas do futebol blumenauense nos estaduais, o bicampeonato do Grêmio Esportivo Olímpico nos anos de 1949 e 1964. Também relata os vices campeonatos já conquistados por agremiações de Blumenau.

Além do Bicampeonato Estadual de Futebol do Olímpico, chegamos ao vice-campeonato em 7 oportunidades:
- 1927 Brasil FC (antecessor do Palmeiras)
- 1928 Brasil
- 1932 Brasil
- 1947 Palmeiras (antecessor do BEC)
- 1955 Palmeiras
- 1970 Olímpico
- 1988 Blumenau E.C.
Os campeonatos catarinenses de futebol inicialmente as partidas finais eram sempre disputadas em Florianópolis, independente se participasse clubes da capital ou não. Então sempre ficava mais fácil aos clubes da capital de vencer com apoio da torcida e também de péssimas arbitragens. Quando ganhamos no campo, deram um jeito de anular o jogo. 

No campeonato estadual de futebol de 1932, entra em cena o tapetão catarinense.

Brasil de Blumenau campeão!
          Em 1932 o Brasil F.C. de Blumenau chegou a sua terceira final. Novamente contra um time da capital E, mais uma vez, Acabou em confusão. Após empatar em 1x1 com o Figueirense no tempo normal, a equipe de Blumenau venceu a prorrogação com um gol de Mário. Dias depois a FCD Federação Catarinense de Desportos, cassou o titulo do Alviverde, alegando que o centro médio José trocara o Caxias pelo Brasil por 1500 Réis, ferindo o amadorismo vigente.
Decisão extra:
O campeonato seria decidido em um jogo extra, em 22 de janeiro de 1933  - com José escalado . O Pau correu solto , ao ponto dos visitantes pedirem  que  o juiz fosse  substituído no intervalo.
Não foram atendidos e ainda ficaram com um jogador a menos, já que Ferraz fraturou a perna em uma dividida e foi para o hospital.
Resultado perderam de 7x3 para o time do Figueirense.
Para provar que o resultado foi atípico, duas semanas mais tarde os blumenauenses do Brasil, convidaram o Figueirense para um amistoso em seus domínios em Blumenau. De nada adiantou, porém, meteram  6x1 no Figueirense - O titulo já era dos manezinhos.
Acervo Adalberto Day/ Almanaque do Futebol Catarinense.

terça-feira, 12 de maio de 2015

- Jornalista Moacir Werneck de Castro

BLUMENAU E .... MOACIR WERNECK DE CASTRO

Por Carlos Braga Mueller 
Muitas pessoas visitam Blumenau. Algumas vêm e ficam. Outras ficam pouco tempo, mas deixam gratas lembranças.
Nesta reportagem histórica vamos falar de um dos mais reconhecidos jornalistas brasileiros, que viveu sua infância em Blumenau:

MOACIR WERNECK DE CASTRO
Werneck, além de jornalista foi também escritor e tradutor de importantes obras literárias.
Nasceu em Barra Mansa, no Rio, em 1915, e morreu em 25 de novembro de 2010.
Neto do Visconde de Arcozelo e bisneto do Barão de Pati de Alferes, sua família viveu  a experiência da decadência da lavoura do café, o que ele conta no livro “Europa 1935, uma aventura de juventude”, publicado no ano 2000 pela Editora Record.

Na página 152 do livro ele relata:
“A esta altura cabe um intermezzo sobre a minha infância em Blumenau, Santa Catarina.”

E mais adiante:
“Para lá nos levou, a meus pais, e duas irmãs e a mim, a decadência sem remédio da lavoura de café no estado do Rio de Janeiro. Meu pai, Luis Werneck Teixeira de Castro, chegou a usufruir na juventude de um resto de fortuna dos seus ascendentes, o pai visconde e o avô barão, senhores de escravos e donos de muita terra. Os escravos um dia se libertaram e a terra se tornou improdutiva, Acabou-se a festa.”
     Quando a família de Moacir Werneck de Castro veio para Blumenau, ele era muito criança ainda, tinha pouco mais de dois anos de idade. Isto foi em 1917.
Como aconteceu ?  Deixemos que ele mesmo conte:
“Mas, por sorte, graças à ajuda de amigos, como o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Sebastião Lacerda, meu pai  conseguiu o emprego de coletor federal em Blumenau, onde o seu conhecimento de alemão vinha ao encontro da necessidade do governo de cortar as asas ao pangermanismo, aguçado pela guerra de 1914-18.
Meu pai era um humanista, de ideias avançadas. Vivia às voltas com livros, alguns deles em alemão, entre os quais uma bela edição ilustrada do Fausto de Goethe. “Era respeitado pela comunidade alemã de Blumenau, apesar de sua posição crítica diante do arraigado germanismo da maioria.”
Moacir relata ter tido infância muito feliz em Blumenau, onde estudou com os padres franciscanos do Colégio Santo Antônio. Foi aqui que aprendeu um pouco de alemão com crianças vizinhas, cujos pais nem falavam o português, ensinamentos que lhe serviram, e muito, nas várias viagens que fez à Alemanha. Lembra as visitas que um padre franciscano fazia à sua família e que mantinha agradável conversa com seu pai: era o seu professor do colégio, Frei Estanilau Schaette.
A família viveu em Blumenau até por volta de 1925.
Foto da família Werneck 
Toda esta convivência o levou a escrever, nos anos 90,o livro “O Sábio e a Floresta”, biografia do sábio e naturalista Fritz Müller, editado em 1992.
Outro livro seu com temática local, “Missão na Selva”, de 1994, conta a história de Emil Odebrecht, um desbravador da selva brasileira.

Moacyr Werneck de Castro atuou de 1945 a 1953 nos jornais Tribuna Popular e Imprensa Popular, ambos do Partido Comunista Brasileiro, ao qual se filiou em 1947 e se afastou em 1956. Fundou em 1955, com Jorge Amado e Oscar Niemeyer, a revista “Paratodos – Quinzenário de Cultura Brasileira”.
De1957 a 1971  foi redator-chefe do jornal “Ultima Hora”.
Traduziu para o português livros de Gabriel Garcia Marquez, Dostoievsk, Aldous Huxley e Émile Zola.

No livro Europa 1935 , ele conta também,  entre as aventuras vividas no velho continente, a agressão que sofreu de um grupo de militantes da juventude nazista. E só escapou porque possuía passaporte brasileiro e porque falava um pouco de alemão, que aprendera na infância, em Blumenau.   
Colaboração e fotos Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor. 

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