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sábado, 25 de abril de 2015

- G.E. Olímpico: é Bicampeão!

Depoimento do ex goleiro Lourival Barreira (Barreira), campeão pelo Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau pelo estadual de 1964. O título foi decidido no dia 25 de abril de 1965. 
Barreira e Ézio
DE REPENTE FORMOU-SE UM GRUPO DE  CAMPEÕES

Éramos 20 (vinte) atletas que fazia parte do reduzido plantel de futebol do Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau.
Tudo começou em meados de fevereiro de 1964 quando fui procurado pelo Sr. Aducci Vidal e mais dois diretores do Olímpico em frente ao portão principal do Morumbi, oportunidade que recebi o convite para fazer parte do plantel do Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau. 
O meu contrato com o São Futebol Clube iria terminar somente em 31/05/1964 e meu passe ou atestado liberatório ao termino do contrato estava estipulado em CR$ 2.000.000,00 (dois milhões de cruzeiros).
Após meu interesse de ir para Blumenau os diretores entraram em contato com a diretoria do São Paulo na pessoa do Sr. Vicente Feola, que de imediato não se mostrou interessado na minha transferência definitiva e sim por empréstimo alegando que eu era muito jovem e tinha um futuro promissor no São Paulo.
A partir daí as coisas ficaram difíceis, pois o São Paulo para empréstimo de um ano solicitava Cr$ 800.000,00 (Oitocentos mil cruzeiros).
Mesmo assim eles não desistiram e foram em minha residência quando ficou acordado entre nós caso conseguisse junto ao São Paulo minha liberação os valores referentes à minha transferência seriam acrescidos em minhas luvas. A partir desta proposta eu fui pessoalmente até a diretoria do São Paulo e consegui o que parecia impossível minha liberação definitiva.
Assim em 14 de março de 1964 assinei meu contrato com Olímpico, passando a fazer parte daquela família.
No momento em que fui apresentado aos novos colegas percebi que se tratava de pessoas serias e que estavam dispostas a formar um grupo vitorioso.
O entrosamento da equipe foi quase que imediato, graças ao comando do Aducci Vidal um excelente técnico que soube dirigir e conduzir o time com resultados favoráveis ao longo do campeonato. 
Barreira (Goleiro} 50 anos após , em 2015 com a camisa comemorativa dos cinquenta anos da conquista do bicampeonato que recebeu de Marcelo Greul, filho de Nilson capitão grená.
Foi um campeonato muito duro e longo que se iniciou em 1964 e terminou em 1965. Todos os clubes que participaram eram de cidades distantes e as viagens além de longas se tornavam muito cansativa, pois às estradas na época não eram asfaltadas e acarretava um desgaste ainda maior.
O quadrangular final foi muito difícil às equipes se equiparavam tecnicamente e graças várias atuações individuais que conseguimos muitos resultados favoráveis. 
Salvo melhor juízo, foram 46 jogos sendo 30 vitórias 10 empates e somente 6 derrotas, 63 gols a favor e 32 contra atingindo 70 pontos ganho. Marca esta que nos tornamos campeões do Estado em 1964.
Acervo: Suelita Beiler
A equipe que jogou a última partida contra Internacional de Lages foi formada com os seguintes atletas: Barreira, Paraguaio, Orlando, Nilson (capitão), Jurandir, Mauro, Paraná, Lila (Quatorze), Rodrigues, Joca e Ronald.
Vencemos por 3x1, gols de Rodrigues (3) e Joia fez o gol do Internacional de Lages. O jogo foi realizado no dia 25 de abril de 1965.
A campanha foi excelente todos cumpriram com seus deveres e obrigações traduzindo toda nossa expectativa com a comemoração do título catarinense de futebol de 1964, somando-se ao campeonato de 1949 conquistado anteriormente pelo Olímpico.  
Ficha técnica do jogo:
OLÍMPICO 3
Barreira, Paraguaio, Orlando, Nilson e Jurandir; Mauro e Paraná; Lila (Quatorze), Rodrigues, Joca e Ronald. Técnico: Aducci Vidal. 
INTERNACIONAL 1
João Batista, Nicodemus, Airton, De Paula e Carlinhos; Roberto e Dair, Puskas, Jóia, Sérgio (Nininho) e Anacleto.
ARBITRAGEM: Gerson Demaria, auxiliado por Nilo Eliseo da Silva e Silvano Alves Dias.
GOLS:  Rodrigues, aos 26 minutos da primeira etapa, aos 13 e 38 do segundo tempo. Jóia descontou aos 10 da etapa complementar.
EXPULSÕES: Nininho e Roberto do Internacional.
RENDA: Cr$ 3.216,500
Todos os campeões de 1964
Lourival BARREIRA (goleiro); Adilton RODRIGUES Martins (Centroavante) ORLANDO Silva (lateral); João Sequinel Neto (JOCA) (meia cancha); Orlando José Costa (PARAGUAIO) (lateral); João Carlos Beduschi (LILA) (meia cancha); ROMEU Paulo Fischer (zagueiro), Alfredo Cornetet (QUARTOZE) (centroavante); ROBERTO P. Nascimento (zagueiro); NILSON Greuel (zagueiro); MAURO Longo (meia cancha); Carlos Heinz Faber (PARANA) (meia cancha); José GONÇALVES (atacante); MARCOS Oerding (goleiro); MAX Preisig (MAQUI) (ponteiro); Biramar José de Souza (BIRA) (meia cancha); EUDES Ribas Guimarães (lateral), ÉZIO Fernandes de Oliveira (Goleiro); JURANDIR Marques (Lateral); RONALD Olegário Dias (ponteiro). Técnico: ADUCCI VIDAL, Médico Walmor Belz, Massagista Frederico Capela, preparador físico Hamilton Curi e roupeiro Osmar.
Também fizeram jus às faixas de campeão, além do presidente Curt Metzger, os diretores do departamento de futebol, Rui Motta, Antônio Rodrigues da Costa, Zani Rebelo, Stanislau Storlaczek, João Gregório Pereira Gomes, Werner Eberhardt, João Silva, José Marcolino Netto.

Está aí amigos um simples resumo de alguns fatos que culminaram com a bela campanha de 1964.  Infelizmente a maioria do plantel que participou desta bela jornada já não se encontram entre nós.

Um grande abraço 
Lourival Barreira.
25 de abril de 2015
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Carta Aberta a Lourival Barreira
Jamais poderia imaginar que, nesta altura da vida, acabaria por me tornar amiga de Barreira, o goleiro do Grêmio Esportivo Olímpico, time de Blumenau que, nos idos da minha infância, tornou-se campeão catarinense de futebol. Tal aconteceu no campeonato estadual de futebol de 1964, e com meu pai, eu assisti ao jogo e lembro inúmeros detalhes dele, até de como a torcida do Internacional de Lages botou fogo na faixa do nosso time, pendurada no alambrado do campo.
O fato é que o tempo passou e o milagre da Internet me permitiu começar uma amizade com Lourival Barreira, hoje respeitado advogado no Estado de São Paulo. E no dia de hoje acabei por ler um relato do próprio Barreira no blogue do Adalberto Day, aqui da minha cidade, onde ele relembrava exatamente aquele jogo e as coisas que o precederam. Dentre elas, Barreira se referia a Feola.
Quem ainda se lembra do Feola, sabe dizer quem foi Feola? Nossa, como eu lembro de Feola, técnico da Seleção Brasileira de Futebol que, em 1958 foi campeã mundial! Parece que vejo agora as fotos de Feola nas páginas da revista O Cruzeiro – vem-me uma enxurrada de lembranças, e como eu gostaria de ter aqui, agora, o meu pai, que tanto gostava de futebol, para conversarmos sobre tudo isso! Já que o meu pai partiu tão cedo, achei que deveria conversar com alguém do futebol daquele tempo, e é por isto que estou a escrever esta carta a Lourival Barreira.
Conto a Barreira como contaria a meu pai um dos muitos momentos maravilhoso que o futebol me proporcionou na vida, e estou a lembrar do dia em que conheci Zagallo! Eu já havia visto Zagallo uma vez, quando o Flamengo jogou em Blumenau e eu estava no restaurante aonde o time veio jantar, depois do jogo, com direito a ver Zico e tudo. A mesa onde eu estava parou, petrificada, congelada, a olhar para Zico, mas Zico não me fez a cabeça: meu fascínio era olhar para a lenda viva que, para mim, era Zagallo!
Passaram-se diversos anos, no entanto, até eu conhecer Zagallo de verdade. Eu tinha ido a Brasília para ir ao Supremo Tribunal Federal ajudar a defender o boi da Farra, o pobre boi da famigerada e vergonhosa Farra do Boi que ainda grassa em certas partes deste meu Estado de Santa Catarina, embora eu tenha nos meus arquivos cópia do Acórdão do Supremo Tribunal Federal que, naquela altura, proibiu a Farra do Boi sob qualquer aspecto e terminantemente. Eu andava (ando) na luta contra a Farra do Boi e soube, naquele sábado à noite que teria que estar em Brasília na segunda de manhã. Foi uma correria. Eu ainda batia ponto e tinha que avisar ao meu gerente que faltaria na segunda feira – devia ser o ano de 1997, acho, quando até telefone ainda era coisa difícil, e mal e mal consegui deixar um recado com um colega para que me justificasse junto ao gerente. E houve problema de neblina, atraso de voos, etc., mas acabei chegando ao Supremo com algum atraso. Muita água rolou debaixo da ponte, naquele dia e no outro, coisa para outro texto, e estava toda preocupada que demoraria mais um dia a voltar – como me justificar com o meu gerente?
Naquela segunda-feira à noite alguém me levou para o hotel em que ficaria, em Brasília, e entrei nele pasma pela quantidade de repórteres e cinegrafistas que tomavam conta de toda a recepção, centenas e centenas deles, e fiquei muito curiosa: Farra do Boi despertava a atenção da imprensa, claro, mas não tanto assim. O que estava acontecendo ali? O rapaz da recepção me informou: nada mais nada menos que a Seleção Brasileira de Futebol estava hospedada ali!
Fremi! Acho que como todo o amante do futebol, pensei que acabaria por ver a Seleção, mas em vão – ela estava em ala separada do hotel, fazia as refeições em separado, etc. De qualquer forma, era uma coisa maravilhosa estar respirando o ar do mesmo hotel que a nossa Seleção!
Foram acontecendo coisas, no entanto. Havia um hall cheio de portas de elevadores, e eu estava ali a esperar quando uma das portas se abriu - e o elevador estava recheadinho de jogadores um pouco atônitos por estarem no andar errado – a porta fechou e eles sumiram, como num passe de mágica. Ou como, no final do jantar em um dos diversos restaurantes do hotel, quando uma enxurrada de repórteres adentrou onde eu estava, seguindo Romário, que ia dar uma entrevista coletiva. Não tive nenhum pejo de ficar em pé atrás do bando de repórteres, assistindo a entrevista, e no final chegar perto de Romário e lhe dizer, com a minha voz mais trêmula de tanta emoção:
- Romário... queria que você soubesse que lá no sul do Brasil você tem uma fã...
Já era emoção mais do que suficiente, mas a maior aconteceu na manhã seguinte, depois do café da manhã, de novo no tal hall de elevadores. Uma porta se abriu e saiu Zagallo, e meu coração escorregou até o pé ao me ver frente a frente com Zagallo! Para mim, aquele era o Zagallo de 58, de 62, de 70, de 94 – era algo como uma divindade, era como um anjo na minha vida, e fui diretamente a ele e segurei sua mão com as minhas, e acho que ele ficou um pouco envaidecido com toda aquela minha tietagem, pois parou e me deu a maior atenção. A emoção era tanta que não faço ideia do que falamos, mas conversamos, com certeza sobre aquelas coisa de 58, 62, 70, 94... Nem me passou pela cabeça que alguém poderia estar vendo aquilo, mas havia um repórter que viu e fotografou – e no dia seguinte, quando eu ainda não voltara para trabalhar, aquela foto saiu na capa de um jornal de circulação estadual, aqui em Santa Catarina – e eu virei a heroína do meu gerente!
Quando voltei, certa de que ia levar uma bronca, encontrei o banco onde trabalhava cheio de cópias daquela foto em todas as paredes e meu gerente tão orgulhoso de mim que só faltava me carregar no colo!
        Era isto que queria contar, Lourival Barreira! Meu pai não chegou, a saber, disso, havia partido antes, e então agora eu te tomo como confidente. Tantas alegrias o futebol me deu, tantas! Talvez tudo tenha começado lá naquele campeonato de 1964, naquele jogo em que tu foste o goleiro! E talvez não tivesse lembrado de tudo isto, hoje, se tu não tiveste falado no Feola!
Valeu, Lourival Barreira! Obrigada!
Blumenau, 27 de Abril de 2014.
Urda Alice Klueger
          Escritora, historiadora e doutora em Geografia.  
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Barreira e seu comentário: 
Prezada Urda bom dia!
Foi com grande emoção que li a Carta Aberta onde você fez questão de deixar público às emoções vidas por você através do futebol.
Nesta carta você fez relatos de muita importância para você, principalmente a imagem de seu pai como sendo o seu herói, grande amigo e companheiro e a ausência dele lhe traz muitas saudades e recordações.
Quanto ao futebol sempre lhe trouxe grande alegria e satisfação, até mesmo depois de tantos anos, quando você ainda era uma criança teve a oportunidade de assistir juntamente com seu pai a partida final, ocasião em que chegamos a conquistar o campeonato de futebol de Santa Catarina com o Olímpico de Blumenau, clube e cidade do meu coração. 
Ademais, com o advento da internet como você bem salientou, pudemos trocar alguns e-mails começar uma nova amizade.
A respeito das pessoas que citei em meu texto como o Sr. Vicente Feola, tive a oportunidade de conviver com ele durante as duas temporadas no São Paulo Futebol Clube. Ele era o Vice Presidente do São Paulo no departamento de Futebol profissional, aliás, foi com a concordância dele que consegui minha transferência definitiva para o Olímpico.    
Ficou evidente que com minha citação do Sr. Feola é que despertou sua capacidade de externar os seus sentimentos a paixão pelo futebol, como sempre elaborado de forma clara e precisa.
Mediante ao que você relatou quem agradece a você sou eu muito obrigado Urda.  
Um grande abraço.
Barreira.         
Para saber mais sobre o Olímpico acesse:

terça-feira, 14 de abril de 2015

- Blumenau: Verdades e Mitos!

Alguns mitos e verdades de nossa cidade de Blumenau. Ou também omissão de fatos e dados que sua gente precisa saber. 
01 - Antes da fundação da cidade de Blumenau já existia moradores na região.
Verdade. Existiam indígenas, conhecidos como bugres, carijós, Xokleng, Guaranis e outros, que habitavam a região de Blumenau há pelo menos 8000 anos.  Quando dr. Blumenau aportou por aqui em 1848  encontrou famílias, com residências fixas, como os Haendchen, os Klocher os Deschamps, Klock, Schneider , Theiss, Kerbach, Peter Wagner, Peter Lukas, que vieram a partir de 1837 provenientes de São Pedro de Alcântara e outros que foram os precursores da colonização de Gaspar (Belchior e Pocinho) . 
Na foto, Senhora Renate S. Jensen, hoje Sra. Rolf Odebrecht, com 15 anos, estagiária do Curso de Economia Doméstica do Hospital Santa Catarina.
Consta que os jerivazeiros foram substituídos porque os seus coquinhos caíam no chão e atraíam larvas (taturanas). De fato, me lembro de que às vezes havia “ilhas” de bichas caminhando pela alameda e as pessoas tinham que dar a volta em torno das mesmas para passar (eu ia buscar o correio para as Schwestern conta senhora Renate. 
02 - Dr. Blumenau mandou plantar as primeiras palmeiras da Avenida Duque de Caxias (Rua das Palmeiras) em 1876.
Verdade, porém eram palmeiras Jerivás, e foram substituídas a partir de 1950 por palmeiras Reais e Imperiais. Nenhuma das que ali estão foram plantadas por ele. 
03 - Dr. Blumenau teria chegado em 1850 junto com os 17 primeiros colonizadores com o Vapor Blumenau (que se encontra na prainha).
Lenda. Este vapor começou a navegar em Blumenau a partir de 1895 e nesta data dr. Blumenau já havia retornado à Alemanha (em 1884)  sem conhecer a embarcação.
04 - A primeira data oficial de fundação de Blumenau foi 28 de agosto de 1852.
Verdade. Essa foi a data que prevaleceu até o ano de 1899, quando a câmara de vereadores aprovou a mudança para 02 de setembro de 1850, data esta da suposta chegada dos 17 primeiros imigrantes.

Casa em que dr. Blumenau morou em Blumenau na Alameda Duque de Caxias - destruída pela enchente de 1880.
Em 1877 houve festejos em comemoração a passagem do 25º aniversário de fundação da cidade com a presença do dr. Blumenau por todo centro histórico. O desfile parou em frente a casa de dr. Blumenau e o “acordaram” bem cedo para participar da festa com muitas homenagens a ele e colonos.

05 - Os 17 primeiros imigrantes chegaram em Blumenau no dia 02 de setembro de 1850 a bordo do Vapor Blumenau.
Simbólico. Os 17 imigrantes quando aqui chegaram dr. Blumenau já estava na região e não vieram com o Vapor Blumenau, pois ele ainda não havia sido construído. Chegaram nessa data provavelmente em Desterro (Florianópolis),vieram em datas diferentes, alguns em embarcações pequenas e outros vieram até a pé, em datas diferentes. 
06 - A Companhia Hering foi a primeira indústria têxtil de Blumenau fundada em 1880. 
EIG em 1885
A semente, da primeira indústria têxtil de Blumenau foi fundada a partir de 1860 com a chegada de Johann Henirich Grevsmuhl a região do Garcia. Em 1868 com o nome de “Johann Henirich Grevsmuhl & Cia.” Este era o nome da pequenina tecelagem - Nascia naquela região do Garcia, a semente da indústria têxtil, solidificando-se mais tarde com o nome de Empresa Industrial Garcia. E assim foi implantada na região a semente da Indústria Têxtil em Blumenau. Em 15 de fevereiro de 1974 foi incorporada a empresa Artex atual Coteminas. A Gloriosa Cia. Hering é a indústria Têxtil que permanece por mais tempo com o mesmo nome e origem.

07 - Morro do Aipim “Frohsinn” o mais verdadeiro ponto histórico de Blumenau
Verdade. Foi um dos poucos locais que não foi repassado ao governo federal (Império) por dr. Blumenau, e que seu desejo seria para construção de um museu de colonização no local.
O local pertenceu ao fundador da cidade, dr. Blumenau, e foi doado ao município pelo seu filho Pedro em 23 de outubro de 1909, quando o visitou, segundo o Dr. Carlos Fouquet cita no Livro do Centenário, em companhia de sua irmã Christine, representando a família. A doação foi formalizada em 1911.
08 - Túneis para “Hitler” escapar? Se esconder quando viesse “morar” em Blumenau.
Mito As galerias são pluviais e fluviais, construídas desordenadamente sem planejamento e infraestrutura, juntando-se ao longo da colonização e crescimento urbano da cidade.
09 - Existem galerias (túneis) em Blumenau.
Verdade. Existem por toda cidade. No centro são conhecidas várias, uma das mais antigas (anterior a posse de “Hitler” na Alemanha) localiza-se em propriedades do Colégio Pedro II, era para conservar alimentos. A localizada no atual Castelo da Havan foi construída para as pequenas embarcações depositarem mercadorias para a antiga Casa de Comércio Altenburg. Esse processo facilitava a entrega das mercadorias, assim possibilitando melhor acesso e sem o perigo de ao subir a barranca do rio (Beira Rio), escorregarem e em consequência a perda da mercadoria junto ao rio. E tantas outras existentes, até por baixo da Antiga Empresa Industrial Garcia (onde hoje é a Coteminas) existem duas, uma delas feita em armação de tijolos.
Bandeira do Amazonas de 1920
10 - O Clube mais antigo de Blumenau registrado foi o Brasil (Palmeiras, BEC).
Verdade, porém há de se fazer uma ressalva: o Brasil (Palmeiras, BEC) foi registrado no dia 19 de julho de 1919, o Blumenauense (Olímpico) em 14 de agosto de 1919, e por último o Amazonas Esporte Clube em 19 de setembro de 1919. Isso ocorreu, pois o dono do cartório chamou para ser registrado primeiro o seu clube Brasil (Palmeiras, BEC), depois o Blumenauense (Olímpico) e o Amazonas. Notem todos no mesmo ano e em seguida. Anteriormente o futebol era praticado somente por equipes formadas pelos jovens do “Turnverein Blumenau – Sociedade de Ginástica (1873-1942)” e operários da Empresa Industrial Garcia, depois Amazonas Esporte Clube pelo menos desde 1911. Os jogos eram realizados nos finais de semana, próximo ao hotel Holetz, atual Grande Hotel. Nos fundos existia um pasto onde hoje é a Casa do Comércio. 
Medeiros
11 - A primeira rádio de Blumenau e Santa Catarina foi fundada por João Medeiros Jr. A partir de 1929 na Empresa Industrial Garcia.
Verdade. João Medeiros, diretor da EIG até 1940, começou os preparativos da primeira Rádio em Santa Catarina, a Rádio Cultura, logo depois PRC4 Rádio Clube de Blumenau em 1929 tocando músicas animando os trabalhadores e depois foi aprimorando. Inclusive ele mesmo foi o primeiro amadoristicamente a transmitir um jogo de futebol no estádio do Amazonas. A data considerada oficial de fundação da Rádio Clube, é 19 de março de 1932 já na antiga travessa Aimoré hoje rua Capitão Euclides de Castro. Medeiros também foi o fundador do radioamadorismo em Santa Catarina. A primeira locutora foi Atalá Branco desde a fundação.
12 - Fachada do Teatro Carlos Gomes, desenho do quepe de “Hitler”.
Lenda. Mas as lendas urbanas perseguem até hoje o Teatro.
Primeira delas: a fachada seria uma réplica do quepe militar de Hitler. Não há como negar. Basta olhar para se ter esta impressão. O quepe do Fuehrer, ou seja, lá de que general for, pode sim ter inspirado qualquer arquiteto, sem que tivesse havido conotação política no projeto. 
Conversando com um cidadão, cujo avô trabalhou nas obras do Teatro Carlos Gomes, ele me disse que o avô contava que de vez em quando arquitetos vinham da Alemanha acompanhar a construção. Teria isto algum significado político? Ou seria apenas um intercâmbio técnico-cultural?
As lendas diziam também que o prédio seria a Sede do 3º Reich na América Latina, se Hitler ganhasse a guerra!
Hitler perdeu. Ficou a lenda! Conta Carlos Braga Mueller.
Bell
13 - A frase “Menor que meu sonho não posso ser “Lindolf Bell, muito citada por ele cabe uma reflexão.
A frase “Menor que meu sonho não posso ser” de Lindolf Bell (1938-1998) nascido em Timbó/SC., segundo algumas pessoas originalmente de Fernando Pessoa (1888-1935) poeta e escritor português, nascido em Lisboa “O Homem é do tamanho do seu sonho”
O professor Gervásio Tessaleno Luz possui toda obra de Fernando Pessoa e não encontrou a frase. Podendo a frase apenas ser comparada a de Fernando Pessoa, mas originalmente de Lindolf Bell .
(Contribuíram também na pesquisa Maria Lígia Luz Narciso e Wieland Lickfeld.

 14 - O poeta Lindolf Bell nasceu em Blumenau.
Lenda. O poeta Lindolf Bell era blumenauense de coração e “adoção” mas natural da vizinha cidade de Timbó.
15 - A primeira emissora de Televisão de Santa Catarina foi fundada em Blumenau.
Verdade. a primeira emissora de televisão do Estado, inaugurada no dia 1º de setembro de 1969 em Blumenau com o nome de TV Coligadas canal 3. 
16 - A primeira corporação de Bombeiros em Blumenau existiu na antiga Empresa Industrial Garcia.
Verdade. desde 1929 a EIG mantinha sua valorosa corporação de bombeiros, destaque de combates a sinistros: em 1958 da antiga prefeitura de Blumenau e em 26/12/1964 do grande incêndio na empresa vizinha a Garcia, a empresa Artex. Foi anterior a implantação da corporação de bombeiros de Blumenau, que iniciou suas atividades a partir de 13 de agosto de 1958.
17 - Theóphilo Bernardo Zadrozny um dos fundadores da Artex nasceu em Brusque.
Theóphilo Bernardo Zadrozny nasceu na cidade de Lodtz (Polônia) em 24 de maio de 1890 e faleceu em Blumenau, em  08 de fevereiro 1961. 
18 - O primeiro prédio construído em Blumenau acima de 10 pavimentos foi o “Grande Hotel Blumenau”
Verdade. foi inaugurado em 16 de dezembro de 1962.
19 - Pelé e Garrincha jogaram em Blumenau.
Verdade. Pelé jogou no dia 30 de agosto de 1961, fez 5 gols na goleada contra o Olímpico por 8x0, com a camisa do Santos. Já Garrincha jogou em Blumenau com a camisa do Grêmio Esportivo Olímpico no dia 30 de agosto de 1969, contra o Caxias de Joinville, placar 0x0. Obs.: Um dos gols de Pelé teria sido anotado pelo jogador Formiga, porém na súmula foi atribuído ao Rei do Futebol.
Arquivo/Suelita Beiler/Antigamente em Blumenau
20 - O rei Roberto Carlos ainda pouco conhecido cantou na sede do Grêmio Esportivo Olímpico.
Verdade. Roberto Carlos cantou na sede do Olímpico em 1965 se apresentando no Estádio do G.E. Olímpico - Concedendo autógrafos.
No ano de 1965,  seu prestigio ainda não era tão grande, ele veio cantar no Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico– na baixada em Blumenau. No final do show, ficou em pé junto à calçada aguardando uma condução (táxi) para leva-lo ao Hotel,
“Quem conta essa história é Paulo Guilherme Pfauque na época tinha o programa jovem de maior audiência na cidade através da Rádio Alvorada (emissora de seu pai (Osmar Pfau naquele ano) O show acabou e o Paulo Guilherme ficou na calçada da Alameda Rio Branco conversando com o Roberto Carlos.
Naquele ano Roberto Carlos foi contratado pelo empresário Samuel August, blumenauense, para show comemorativo ao dia das mães. Era o dia 9 de maio 1965, e o “Rei”estava apenas com uma guitarra, sem banda. O Calhambeque era sua música mais conhecida. Esta foi a primeira vez que o “rei” ainda não tão consagrado passou pela nossa cidade.

21 - Blumenau no início da colônia possuía quase 11mil Km² (10.610Km²), fazendo divisa com Lages.
Verdade, Blumenau foi ao longo dos anos perdendo sua extensão territorial formando-se dezenas de municípios ao seu redor. Todas essas cidades ao entorno tem vínculos históricos com dr. Blumenau. Atualmente o município possui 519,8 Km².
22 - O Naturalista Fritz Müller amigo de Charles Darwin, morou no Garcia.
Verdade. quando Müller comprou os primeiros lotes na região Sul de Blumenau, margem direita do ribeirão Garcia, a partir do dia 28 de agosto de 1852 , morou por 2 anos no Garcia (1852 - 1854), depois (1854) se transferiu para a margem esquerda do Itajaí Açú, depois margem direita (1856) transferiu-se para Desterro, vindo de volta para Blumenau em 1867, aí sim, indo morar na rua Itajaí, onde permaneceu por 30 anos até cair doente e vir a falecer.
23 - Carlos Braga Mueller foi o primeiro apresentador de telejornal de Santa Catarina na TV Coligadas Canal 3 de Blumenau.
Verdade. Braga foi o primeiro apresentador do telejornal Hering na TV Coligadas Canal 3. No rádio muitas vezes Braga Mueller utilizava a alcunha de Charles Neto.
24 - A Empresa de ônibus Auto Viação Catarinense Ltda, é a mais antiga empresa de transporte de passageiros no Brasil. Um marco no transporte coletivo do Brasil.
Verdade. Fundada em Blumenau no dia 13 de abril de 1928 por Theodor Darius imigrante alemão, João Hahn, imigrante Húngaro, e Adolfo Hass brasileiro, com o nome de “Empreza Auto Viação Hahn, Hass & Darius”, embrião da atual Auto Viação Catarinense. A Viagem inaugural foi entre Blumenau/Florianópolis. A sede permaneceu até o ano de 2001 em Blumenau, quando então é transferida para Florianópolis.
25 - Existiu um cemitério atrás Fundos) da Catedral São Paulo Apóstolo de Blumenau.
Verdade. existiu durante décadas cemitério no local na parte final da catedral. Anteriormente existia outra igreja São Paulo Apóstolo na frente da Catedral, demolida em 1956. Os restos mortais foram transferidos na década de 1930 para o então cemitério São José na rua São José. A elevação onde se encontra a catedral, vinha desde a rua Sete rasgava a  rua XV quase até a metade.
26 – Os restos mortais do Naturalista Fritz Muller estão enterrados no cemitério da Paróquia Evangélica Luterana de Blumenau situada no início da Rua Amazonas.
Verdade. Johann Friedrich Theodor Müller, que  nasceu na aldeia de Windschholzhausen, na Alemanha, em 31 de março de 1822. “Fritz Müller”  . Fritz Müller Chegou a Blumenau em 22 de agosto de 1852, (SC). Em 1856 partiu para Desterro (hoje Florianópolis (SC)) por imposição do Dr. Blumenau que estava descontente com o comportamento “antirreligioso” de Fritz Müller que começava a influenciar os demais colonos. Manteve grande amizade com Charles Darwin que o chamou “Príncipe dos Observadores”. ( se dizia ateu), assim também de outras importantes personalidades da história de Blumenau. Naturalizou-se cidadão brasileiro em 09 de agosto de 1856, Fritz Müller faleceu em Blumenau em 21 de maio de 1897, aos 75 anos.
27 - A Escola Nº 1 é a escola mais antiga de Blumenau.
Lenda. A Escola Nº 1, ao contrário que muita gente pensa, não foi a primeira escola de Blumenau. As primeiras Escolas em Blumenau. Apesar de toda dificuldade dos colonizadores, Blumenau também foi berço de um grande número de educandários. Já nas primeiras levas de colonos a chegar a colônia, aparece também o primeiro professor da cidade. 
No dia 3 de junho de 1852 desembarca Fernando Ostermann,
26 anos. Além da área central, duas tardes por semana ministrava aulas também à população ribeirinha. A educação dos colonos era uma das prioridades do fundador.
Em 1862, ficou pronta a casa d’escola, a primeira escola do município. O espaço foi criado pelo pastor Oswald Hesse na colina onde atualmente está a Igreja Evangélica-Luterana. Sua primeira turma de alunos contava com 38 integrantes. Dois anos mais tarde, fez-se mais uma escola, em separado, especialmente dedicada ao aprendizado das meninas. Foi erguida no local onde mais tarde foi instalada a agência dos Correios, na Alameda Rio Branco. Então, as duas eram as únicas escolas públicas na zona de colonização.
Porém, a escola conhecida como a nº1 de Blumenau se localiza na Itoupava Central. O nome (nº1) vem do fato da região ter sido dividida em lotes, nos quais eram construídos os prédios de interesse da comunidade. O número 1 foi destinado à escola, o 2 à igreja, o 3 ao cemitério e assim por diante.
A antiga escola Santo Antônio de 1877, atual Bom Jesus é a mais antiga em atividade
28 – Dr. Blumenau era maçom e fundou uma loja maçônica de Blumenau.
VerdadeA LOJA MAÇÔNICA “ZUR FRIEDENSPALME”K.PROBER:
Em 1870, quando Blumenau era ainda uma pequena povoação, foi fundada uma loja maçônica e o seu fundador foi o Dr. Blumenau.
29 -  A Empresa de Transportes Coletivo Nossa Senhora da Glória iniciou suas atividades no bairro Garcia. 
       Foto: Everaldo Vedes
Verdade. A Empresa de transporte coletivo Nossa Senhora da Glória sito atualmente como sede na Rua 2 de Setembro 3673, no Bairro Itoupava Norte, iniciou suas atividades no Bairro Garcia em Blumenau, em 15/07/1962, quando seus fundadores Srs. Luiz Sackl, Francisco Sackl Netto , Waldemar Sackl e Luiz Sackl Junior, mediante uma transação comercial com os proprietários da Empresa Ulrich, assumiram as linhas Garcia-Blumenau.
A partir de 1962, a família Sackel inicia suas atividades na Rua Amazonas nº 1857 com um micro, cinco ônibus, tendo como primeiro trajeto do Bairro Garcia e Glória, até o centro, no antigo colégio Luiz Delfino – depois Fórum, próximo a atual prefeitura. A empresa tinha como garagem e instalações em frente à subida do antigo Goth – Colégio Comendador Arno Zadrozny na Rua Amazonas nº 1857.Os primeiros motoristas e cobradores eram os próprios donos Luiz, Waldemar, Francisco, Adolfo Sackl, mas os primeiros contratados foram Carlos Soares (Calinho) e Ivo. O nome Glória surgiu de um encontro no restaurante do Sr. José Silvino na Rua da Glória, além da família Sackl, o Frei João e outros moradores da comunidade estavam presentes, e então foi sugerido o atual nome da empresa em homenagem a Igreja Nossa Senhora da Glória  que seria também uma espécie de padroeira.
30 - Na década de 1930 existiu um programa de rádio com noticiais nazistas e desfiles em apoio ao nazismo  pela cidade de Blumenau.
Verdade. Não era proibida a transmissão do programa do partido nazista, mesmo porque Brasil e Alemanha naquele tempo tinham excelentes relações diplomáticas. Também foram feitos vários desfiles em apoio ao Nazismo.
Mas em 18 de abril de 1938, com a decretação do “Estado Novo”, o presidente Getúlio Vargas proibiu aos estrangeiros atividades politicas no país. Por isso, o governo brasileiro tomou providências em relação ao programa em língua alemã da PRC4 Rádio Clube de Blumenau.
Acervo de Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história.
Colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor. 

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