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quarta-feira, 30 de abril de 2014

- A Casa do Tio Alberto

Em Histórias de nosso cotidiano, apresento hoje a história de um cidadão exemplar, respeitoso, dócil, educado, criativo, inteligente, ótimo pai e esposo. “Era durão quando necessário, mas sem perder a ternura” – cidadão  da comunidade do Garcia.
Tio Alberto Day (foto) querido pela família e para quem o conhecia.
Nascido em Brusque em 30 de abril de 1919 veio para Blumenau servir no 23º RI (Regimento de Infantaria) atual 23º Batalhão de Infantaria.
Residiu por alguns anos em uma transversal da Rua Belo Horizonte e depois Rua 12 de Outubro, nº10 uma transversal da Rua da Glória no bairro Glória. Mais tarde residiu na Rua Rudolfo Hollenweger, transversal da Rua Amazonas e posteriormente na praia de Navegantes localidade Gravatá.
Casado com Iris tinham três filhos: Osmar, Eliane e Shirley. Faleceu em 08 de novembro de 2006.
Tio Alberto estava cursando o antigo contador em 1952, quando sofre um terrível acidente de moto. Ficou tempos no hospital correndo risco de falecer. Sobreviveu e meu pai (Nicolao Day) ao lado de sua cama no hospital prometeu que se ele sobrevivesse, os dois iriam visitar Nossa Senhora de Fátima. E foram no início dos anos de 1970.
Seu primeiro automóvel foi uma Vemaguet que adquiriu do Sr. Alfredo Item diretor da E.I. Garcia, pessoa quem ele admirava muito. O segundo veiculo foi um Volkswagen que comprou “Zerinho” em 1972 de cor verde e que permaneceu com ele até seu falecimento.

Em 1948 meu pai Nicolao Day (1930-1995) também nascido em Brusque, veio procurar emprego na Empresa Industrial Garcia (1948-1980) e neste período foi acolhido pelo seu irmão Alberto.  Fato este e outros meu pai nutria um carinho especial pelo irmão e em sua homenagem colocou meu nome de AdAlberto Day
Quantas recordações desta casa, da rua “12 de Outubro”, das pessoas dos meus tios e primos. Morávamos próximo na Rua Almirante Saldanha da Gama.
Ao lado da casa existia uma cobertura, ali havia um poço público, era ponto de parada das carroças para darem água aos animais cavalos e outros. Também onde meu tio fazia o altar no dia de procissão de Corpus Christi.
Parada quase obrigatória dos alunos que vinham da Escola São José saciar a sede. Depois de uma vitória no campinho do “12”, era o local favorito para tomar a garrafa com capilé ganho na partida.
As casas neste estilo tinham paredes com taboas na horizontal e dupla. Eram muito bem conservadas, constantemente pintadas e reformadas. O telhado neste estilo Técnica alemã era para uma possível neve que viesse a acontecer, facilitando seu deslizamento e escoamento.
EIG - Aos fundos Vila Operária
Ruas  Glória, Almirante Saldanha da Gama e 12 de Outubro 

As casas eram produzidas pelos marceneiros da Empresa Industrial Garcia. Foram feitas mais de 240 residências quase todas idênticas, espalhadas por várias Ruas do Bairro como Rua da Glória, Almirante Saldanha da Gama, 12 de outubro, Cambará, Emilio Tallmann, Tibají , Beco do Luca, - E na Vila Operária João Anastácio da Silva e transversais, Ruas Riachuelo, Caeté, Taío, João Simas, João Deschamps, Botucatu, Tangará, logo após a igreja Nossa Senhora da Glória. Os moradores eram empregados da empresa Garcia, com boa infraestrutura de saneamento básico, como água encanada e recolhimento (coleta) do lixo.
Tio Alberto trabalhou na antiga Cooperativa de Consumo  dos Empregados da Empresa Industrial Garcia S/A  e depois no Departamento de Pessoal no setor Técnico em folha de pagamento. Era autodidata, seu conhecimento e sabedoria impressionavam os que o rodeavam.  Era uma fonte importante de pesquisa para todos.
Quando estava para aposentar-se eu  (Adalberto) fui trabalhar no mesmo setor dando continuidade ao seu trabalho.
Nas horas vagas vendia joias, relógios de marcas importantes como Mondaine, este da imagem adquirido pelo meu pai em 1963 que está em nosso acervo. Vendeu para um diretor da EIG, um relógio da marca Patek Philippe , que na época tinha alto valor.
Costumava passar filmes para crianças da Rua 12 e próximas. A pistola que ele passava os filmes está com meu primo Osmar Day. Cobrava entrada, R$ 1,00 (cruzeiro), comparando, na época R$ 0,50 se comprava um picolé. Cobrava para poder adquirir mais filmes, não gostava de ficar repetindo os mesmos. Os filmes eram passados no nosso rancho e em frente da casa.
Foi fotógrafo amador. Qualquer evento que houvesse na região era chamado para fotografar, o mais procurado para festas de 1ª comunhão,  “ por seu preço ser mais em conta”.  Além de bater as fotos, fazia as revelações em casa. Possuía um quarto especial e escuro preparado para o procedimento das revelações.

Colaborava nos eventos festivos da E.I. Garcia e clube Amazonas, festa junina, dia do trabalhador, natal. Também seu trabalho se estendia às igrejas como Nossa Senhora da Glória e Santo Antônio, chegando ao posto de Diácono e realizou o casamento de uma das filhas.
Era muito criativo, na década de 1960 com o auxilio de um antigo toca-discos fazia girar o pinheiro nos Natais. Soltava suas pipas ou (pandorgas como era conhecida), no morro ou campinho do 12.
Cuidadoso o tio Alberto deixava tudo desde os moveis, eletrodomésticos, fechaduras, prateleiras, gavetas, portas e janelas funcionando adequadamente como novos.
Produzia vários bonecos de madeira para a alegria da gurizada, um deles o Pinóquio. 
“Fez uma chocadeira elétrica, mas foi uma decepção, caiu à energia e perdeu todos os ovos, em seguida criou uma movida a querosene, com serpentina de cobre que eram aquecidas pela chama de querosene que nunca apagava consequentemente os ovos descascavam”.
Começou a fabricar para vender. Seus clientes eram os colonos da redondeza, pois a chocadeira que ele criou cabia 100 ovos, lembro que havia um sistema que os ovos eram virados de tempos em tempos.
Lembro também, que um dos pintinhos nasceu com alguma deficiência, o pai não matou, deixou para mim, mas por pouco tempo, em seguida deu para o Sr. José Kargel, para cozinhar para o cachorro. Para me consolar me deu um galinho de vidro, que guardo até hoje.
Lembro que achei uma moeda de R$ 0,50 centavos de cruzeiro no poço, fiquei feliz, poderia comprar guloseimas na venda do Maneca padeiro, mas meu pai, sabiamente me fez guardar, “a pessoa que a perdeu poderia vir procurar”, concluindo que o fato de eu ter achado não significava que não tinha dono”. Conta Eliane Day filha do Tio Alberto. 
Em sua oficina confeccionava com muita habilidade, cabos para enxadas, pá, facões, até armários e mesas.

Colaboração Eliane Day e Osmar Day.
Acervo de Adalberto Day e Eliane Day

20 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Grande Adalberto
fiquei muito contente em poder reviver bons tempos de nossa infância, pessoas como seu tio
deveriam ser eternos
abraços
Edemar Faht

Carlos Jorge hiebert (Russo) disse...

Carlos Jorge Hiebert (Russo)
Eu me lembro até hoje o cuidado que ele e sua esposa tinham com o lixo organico que produziam nesta casa.Eles faziam um buraco na horta ao lado da casa e ali enterravam , para que virassem adubo.Não era uma pratica comun no bairro, mas que servia de exemplo a mais de meio seculo atraz.

Elaine disse...

Oi tio, bom dia... adorei a postagem sobre o tio Alberto. O tio como sempre com o dom das lindas palavras.
Elaine


Att,

Elaine Cristiane Seubert Janke

Osmar Hinkeldey disse...

Bom dia Adalberto

Muito legal este resgate histórico de seu tio. Eu lembro dele sim, pois a Rua R. Hollenweger é próxima do local onde era a casa de meus pais. Não conhecia muito estes detalhes colocados, mas nos mostra que era uma pessoa de bem. Podes ter orgulho deste tio e eu tenho certeza de que vc. não herdou apenas o nome dele, mas também as suas virtudes.
Abraço

Natália disse...


Linda homenagem ao seu Alberto! Tive o prazer de conhecer seu pai e também sua mãe! Que Estejam com Deus!!! Beijos!!!
Natália Maria Simas

Anônimo disse...

Parabéns amigo.
As historinhas contam maravilhas de nossos antepassados.

José Geraldo Reis Pfau
Publicitário.

Solange disse...

Lindas lembranças, obrigada Adalberto por este trabalho, ficou incrível!!!

Valter Hiebert disse...

Parabéns Adalberto, por mais uma ótima postagem.

Sou testemunha de tudo que foi relatado nessa postagem, eu era amigo do Osmar e frequentava a casa dos mesmos. Foi nessa casa da foto que o Sr. Alberto Day instalou o primeiro chuveiro elétrico da região, tudo inventado e montado por ele. O chuveiro era motivo de orgulho do Osmar. Até então todos usavam a ducha de latão com torneira ou a banheira de madeira para banhos sequênciais, onde o primeiro tinha água limpa e o último já entrava numa nata nada agradável. O Sr. Alberto Day foi meu chefe no Escritório Técnico da EIG, ele comandava o setor que fazia a folha de pagamento da tecelagem, confecção, etc, algo em torno de 1.100 empregados. O setor que fazia a folha da Fiação era comandada pelo Sr. Mauro Malheiros. Foi com o Sr. Alberto Day que aprendi a operar as máquinas Facit manual e outra bem maior, essa uma calculadora elétro mecânica. Ele foi sempre muito respeitado e admirado por todos. Em 2004 eu o visitei em Gravatá, onde residia numa bela casa num terreno enorme, onde existia um grande pomar, bem como uma bela oficina onde ainda continuava a inventar. Depois que ele se aposentou na EIG foi trabalhar por vários anos no posto de gasolina que ficava na frente da Souza Cruz, então de propriedade do Sr. João Iten. O fato de enterrar o lixo doméstico em vários buracos no terreno da casa da rua 12, conforme relatado pelo Carlos no comentário acima, fez com que algumas sementes germinassem e com o tempo a casa ficou rodeada de abacateiros e outras árvores frutíferas. Gostaria de saber o paradeiro do Osmar.

Nilton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Que linda historia, agora sei de onde vc herdou tal talento.
Rua Almirante Saldanha da Gama, quando leio ou ouço este nome lembro-me do meu finado Pai, pois falava com fervor este nome(como vc sabe, ele morou muito tempo por perto).
Vemaguet, tive a oportunidade de quando garoto andar de carona em um destes, era maravilhoso pois foi a primeira vez que andei de carro, não tem como esquecer...Parabéns inda historia.

Eliane Day disse...

Beto, meu querido primo, grande parceiro de minha juventude.

Deliciei-me lendo um pouco de nossa história.

Nossos pais nos deixaram o maior tesouro que se pode ter: exemplo de vida.

São tantas histórias que se fazem presente entre as linhas escritas por você, que daria mais outras tantas crônicas. Contava minha mãe, que meu irmão pediu a lua e o pai cortou uma madeira redonda pintou de brando e entregou para o Osmar. Imagina, que atitude poética e significativa, e ele realmente nos deu todas as “luas” possíveis.

Eu costumava brincar na “estradinha”, onde pendurava um quadro (que o pai havia feito) e ali iniciei o que seria no futuro minha vida profissional, professora.

Quando citas o acidente de moto (que o pai sofreu) no ano de 1952, te digo que minha mãe estava grávida me esperando. Olha só, que coisa interessante, me faz pensar na ligação forte que eu tinha e tenho com o pai. Sim, ainda tenho, porque seus ensinamentos, seus exemplos e suas palavras ainda ecoam em mim e as traduzo no significados atuais para os que me cercam.

Lendo os depoimentos, alguns dos nomes, me são muito presentes, o Nilton (filho da Dona Laura) o Valter e o Carlos e o Osmar Hinkeldey. Emociono-me lembrando.

O Valter me atropelou de bicicleta, quando criança, fez uma curva com muita rapidez. Rssss

Aqui em Joinville, sempre brinco que nasci na enchente, pois quando criança, vi meus pais algumas vezes lavando ao redor de casa após as águas baixarem.

Meu pai sempre foi meu parceiro, herdei dele o gosto pelas ferramentas e pelas artes. Sua inventividade e capacidade de reciclar eram memoráveis. Tenho alguns objetos feitos por ele, o mais precioso é um torno para trabalhar com argila, que ele fez com motor de máquina de lavar e parte de enceradeira.

Tem dias que ainda me pego pensando em ligar para tirar dúvidas sobre ferramentas, tintas e outras tantas coisas. E me detenho, mas ligo para o meu irmão que é tão criativo, zeloso e íntegro, tal qual nosso pai.

Obrigada Beto, por seres esta figura emblemática, este primo querido, este homem da comunidade, que és.

E obrigada por fazer parte da minha vida.

Amo muito você.

Beijos
Eliane Day

Jaci disse...

Elaine
Como lembro de teu pai, tive a felicidade de conhece-lo em parte de minha infância e juventude...uma pessoa digna.... .
Jaci Sestrem

Elisa disse...


É muito importante para nós blumenauenses, saber um pouco mais da nossa história........e do bairro da Glória.
Elisa Hoh

Eliane disse...


Pessoa incrível... excelentes lembranças tenho dele...serio, correto e amável.
Eliane Cestari

Roselaine disse...


Geeente, relembrei o joguinho! Adorava ele! Saudades do vô, especial, amo muito! Roselaine Elisa Radtke

Valmir disse...

Parabéns pelo seu trabalho....Tenho muitas saudades, e a felicidade de ter vivido um pouco de tudo isso, grande tio ALBERTO.


Shirley Day Kleine disse...

Obrigada querido Primo, pela linda homenagem... demorei para parar de chorar... só hoje consegui escrever...
Tive o privilégio de ter nascido em uma família linda, que me proporcionou uma infância muito, muito feliz! Essa casa, da Rua Doze do Outubro, eu não lembro, apesar de ter nascido lá. Assim que completei dois anos, meus pais foram morar na casa que construíram na Rua Rodolfo Hollenweger número 67.
Estava lendo as mensagens deixadas no teu blog e lembrando que minha mãe sempre fez compostagem e reciclagem de lixo. Lembro que eu dizia para ela... “pra que isso, mãe! Tanto trabalho pra quê?... Agora a gente sabe e entende a preocupação dela. O Pai sempre foi o inventor... não tinha nada que ele não desse um jeito de arrumar, quando estragava, ou criar para facilitar a vida da gente em casa. Eram desde utensílios domésticos até brinquedos. Minhas sobrinhas o chamavam de Professor Pardal, personagem da Disney, já o meu filho Rafael, outra geração, o chamava de Macgyver, do seriado Profissão Perigo.
Tenho muitas, muitas saudades deles... só eu sei o quanto, mas desde que foram “viajar” tenho me encontrado nos sonhos com eles. Esses sonhos são sempre muito cheios de amor e carinho e não podia ser diferente. Sempre foi o que vivemos, eu e meus irmãos, junto deles. Uma vida inteira de muito amor e dedicação.
Primo, obrigada mais uma vez, pelo teu carinho conosco e principalmente com meus pais! Você é um querido!
Bjos Shirley

Valdir Salvador disse...

Oi amigo beto e familia, todos bem? otimo ,Beto não podia ficar sem espressar meu comentario especialmente por esta grande figura ter morado na rua Belo Horizonte rua esta que me tras grandes lembranças rua em que nasci e morei até os meus nove anos, lembro-me muito bem deo Sr Adalberto, figura inesquesivel,assim como todos conteporanes deste bairro que são muitos e eu não conseguiria falar citando nomes são muito. abraços Valdir Salvador.

Lorena disse...

Como é bom ler estes relatos. Só tem história quem teve passado. Parabéns à família Day. Parabéns à Adalberto Day que além de grande pesquisador do nosso passado deve sentir muito orgulho de levar uma parte do seu tio no coração e no seu nome.
Lorena Karasinski

Ivonete disse...

Sr. Alberto, Sr.Nicolau, D. Augusta, a esposa do Sr. Alberto, LINDAS PESSOAS. Lembro-me bem, qdo minha filha, ainda pequena, perdeu seu gatinho de estimação. Ficou doente, até com febre. O Sr. Alberto, pediu-me para leva-la até a casa dele. Que surpresa: Tinha uma ninhada de 6 gatinhos. Ela escolheu uma toda branquinha que ficou com a gente até a enxurrada de 1983. Grande família.

sergio luiz buchmann disse...

Parabéns ao sr seu Tio Alberto.São as historias como a dele, e muitos outros anônimos que fizeram o nosso Garcia,e Blumenau crescer.e Historias de gente simples q muito trabalhou, deixaram um pouquinho de si a todos nós.Parabéns professor,e é por essa e outras q seu Blog me encanta, e a muitos outros. Obrigado Sempre.

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