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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

- O pastor dos colonizadores


A presença do pastor Rudolf Oswald Hesse foi fundamental para a formação social e espiritual da colônia de Blumenau. Nas primeiras décadas da imigração, quando as grandes dificuldades geradas pela falta de dinheiro, de estrutura e pela força inclemente da natureza castigavam a alma do colono alemão, Hesse trouxe o conforto e a esperança para o núcleo de imigrantes. Afinal, seis anos após a chegada, ainda tinham um grande e árduo caminho a percorrer em sua vida pessoal e comunitária.
O pastor nasceu dia 11 de outubro de 1820, em Reinswalde, perto de Sorau, no reino da Prússia. Seu pai, Friedrich August Hesse, era professor no local. Dos anos de 1835 a 1840, Oswald frequentou o ginásio de Sorau. Depois cursou a universidade de Breslau, onde se formou em Filosofia e Teologia.
Desde a fundação da colônia em 1850 até julho de 1857 não houve pastor na colônia. Com perseverança, muito trabalho e dedicação, orientou por 22 anos as almas luteranas da cidade. Quando chegou, ainda não existiam igrejas. As humildes casas dos colonos e o barracão de recepção aos novos imigrantes serviam para a celebração dos cultos.
Através de insistentes solicitações, Doutor Blumenau finalmente conseguiu o auxilio do governo imperial na construção de um templo para os cultos. Em 23 de setembro de 1868, na cerimonia de lançamento da pedra fundamental da primeira igreja evangélica, o pastor Oswald Hesse proferiu um sermão radiante, que acabou se eternizando dentro da comunidade luterana da Colônia. Foi encerrado na pedra fundamental, como documento da história de Blumenau. A primeira Igreja evangélica da colônia e do Vale do Itajaí foi construída no Badenfurt e inaugurada no dia 07/07/1872.
A prédica do pastor elaborada para aquela ocasião tinha como base o texto bíblico de Romanos 12, 1-6.
                  
A Igreja do Espirito Santo demorou quase 10 anos para ser erigida, face á escassez de verbas provenientes do Império. Mas, ao menos, a longa espera inspirou um dos grandes momentos do orador Oswald Hesse. No dia 23 de setembro de 1877, um sermão de satisfação e júbilo inaugurou o espaço tão esperado pelos luteranos. Infelizmente, os sermões de Hesse só ecoariam no templo por pouco mais de dois anos a Igreja recebeu o Nome de  Espirito Santo. No entanto, a comunidade evangélica de Blumenau tem como data oficial de fundação o dia 09/08/1857, pelo fato  de neste dia o pastor Hesse ter realizado o primeiro culto em Blumenau em um barracão e provavelmente a comunidade reunida ouviu a prédica do Evangelho segundo Lucas 16,1-12.    
               Em 25 de novembro de 1879, o pastor acabou falecendo.
“Hesse oferecia em suas intensas pregações a esperança e o  conforto que os colonos necessitavam”.
Oswaldo podia ser lembrado pelos 910 matrimônios, 3. 794 batizados e 1.995 confirmações que celebrou em 22 anos. Mas o que ficou na memória da comunidade foi o personagem de espirito alegre e liberal , que exalava o humor e a esperança nas rodas de conversas. Também ficaram as atividades humanitárias. Era o primeiro a auxiliar os espíritos castigados e desamparados da colônia. Sua influencia foi fundamental na construção de novas igrejas e das novas comunidades evangélicas que surgiram.
Junto com a evolução espiritual, veio também o desenvolvimento da vida cultural e social do município. Hesse, por exemplo, teve papel fundamental na criação da Sociedade de Canto Germânia, uma precursora da Sociedade Dramático - Musical Carlos Gomes.
O pastor também foi personagem capital da educação, criando em 1862, a casa d’escola, habitações que eram utilizadas no ensino das crianças,  Ela se situava na colina onde atualmente está a Igreja Evangélica-Luterana do município, na Rua Amazonas. 
Reprodução Jornal de Santa Catarina, sábado 2 de setembro de 2000; 150 Anos Blumenau; Volume 3 – Personagens, lugares e construções;AHJFS

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

- VERA FISCHER apresentadora

VERA FISCHER NA HISTÓRIA DA TV COLIGADAS DE SANTA CATARINA
Mais uma contribuição do Jornalista e escritor Carlos Braga Mueller que hoje nos relata sobre algumas facetas e curiosidades sobre Vera Fischer.
Por Carlos Braga Mueller

Recentemente um amigo me perguntou se eu me lembrava de Vera Fischer como apresentadora da TV Coligadas de Santa Catarina.
Como atuei na emissora de 1969 até 1975, respondi que não me constava que ela tivesse atuado na TV pioneira do Estado. Pelo menos naquele período. 
E fiz uma ressalva: talvez tenha advindo alguma confusão em relação a outra apresentadora, Dagmar Polmann, que atuava no programa "Mulheres em Vanguarda" juntamente com Valmira Siemmann e Lane Wirth. Dagmar fora a terceira classificada no Concurso Miss Santa Catarina 1969, representando Timbó, seu município, concurso no qual Vera Fischer foi eleita a miss do nosso Estado.
Vera Fischer recebendo de Martha Vasconcellos, Miss Brasil 1968, a faixa de Missa Brasil 69. Foto reprodução.
Para todos nós foi um choque quando Dagmar faleceu prematuramente em um acidente de automóvel, deixando um inesquecível vazio no quadro de apresentadoras da TV Coligadas.  
 Vera Fischer é recepcionada em Blumenau com as honras de Miss Brasil. À esquerda, Nagel Milton de Mello, do jornal "A Nação" de Blumenau ( dos Diários Associados). Atrás dele, o prefeito de Blumenau na época, Carlos Curt Zadrozny. Foto reprodução.

Em Miami, Flórida, Vera Fischer ensaia para desfilar no Miss Universo. Ficou em 7º entre as 15 finalistas. Participaram 61 países.  Foto reprodução.
Mas Vera Fischer participou de outra forma da história da TV Coligadas, antes mesmo de iniciarem as transmissões oficiais da emissora, inaugurada em 1º de setembro de 1969.
Foi através de uma reportagem sobre sua conquista do título de Miss Brasil, feita pela equipe pioneira da emissora, que estava no ar em caráter experimental, sem programação definida, exibindo apenas slides e documentários.
Foto reprodução 
Zair Aníbal de Souza, o "Zico", durante anos atuou na Coligadas e depois na RBS-TV Blumenau, que a sucedeu.
Suas lembranças foram colocadas no livro "Imagens de Uma Conquista- Por dentro das câmeras da TV Coligadas".
Os capítulos do livro foram divididos em "tomadas", caso característico do mundo do cinema e TV.
Na Tomada 11, o título é: "A Sua, a minha, a nossa Miss", e refere-se ao grande feito de Vera Fischer, trazendo para Blumenau e Santa Catarina a conquista máxima de beleza da mulher brasileira naquele ano. 
Zico escreveu o seguinte: 
"Foi ainda na fase experimental de transmissão que a diretoria (da TV) percebeu que a visão empresarial da emissora seria a integração do povo de Santa Catarina por meio de acontecimentos que levantassem sua autoestima e resgatassem a nossa identidade cultural como Estado da Federação.
Neste sentido, o primeiro evento que mexeu com estes sentimentos foi a eleição de Vera Fischer, aos 17 anos, como Miss Brasil. Era 28 de junho de 1969.
Não houve um cidadão ou cidadã da cidade que não se orgulhasse com a notícia. A primeira mulher catarinense a se consagrar Miss Brasil era justamente de Blumenau.
Ainda posso sentir o tremor dos fogos de artifício lançados aos céus na chegada de Vera a Blumenau, quatro dias após sua eleição, numa quarta-feira, fim de tarde de uma brisa gelada que não importunava ninguém, pois o dia era de alegria e emoção.
A cidade parou, a população se fez presente e lotou a Rua XV de Novembro, no centro."
Foto reprodução
Mais adiante, Zico revela:
"A TV Coligadas estava presente, firme, filmando tudo, para registrar esse importante acontecimento e marcar o início dos grandes eventos que a TV do nosso Estado começava a realizar.
No sábado daquela semana subimos o Morro do Cachorro (onde ficava o transmissor da TV) e foi exibido o filme da chegada de Vera Fischer. Em negativo, positivado na hora e sem áudio. A solução foi encontrada com facilidade: os locutores narraram na hora da transmissão, lendo um roteiro enquanto o filme mostrava a recepção da miss Brasil, o povo nas ruas, os acenos e a alegria contagiante que ela recebeu ao chegar a sua terra natal após a grande conquista.
Claro, para não perdermos o costume, um probleminha ocorreu. Quando os locutores Alfredo Oto Flatau e Carlos Xavier narravam do lado de fora do transmissor, devido ao barulho dos equipamentos em funcionamento, um vento forte, uma brisa de surpresa, arrancou o roteiro das mãos dos locutores, que já sentiam dificuldade de concentração.
Momentos de tensão. Os locutores trocam olhares assustados, ainda sem saber o que fazer. Foi quando a liderança e a experiência do diretor Irani Macedo falaram mais alto. Em ligeiro movimento, ele saiu da sala do transmissor e fez sinais para os locutores improvisarem. Clamando com olhares e bocas silenciosas, gestos que aprendíamos todos os dias naqueles momentos históricos que antecederam a entrada no ar da TV Coligadas, valeu o slogan: "o show não pode parar".
A transmissão foi um sucesso e uma "avant première" do que viveríamos nos anos seguintes."

E foi assim que, antes mesmo de entrar no ar com sua programação definitiva, que a TV Coligadas se envolveu com Vera Fischer, quando ela dava os primeiros passos de uma carreira que a levaria em seguida ao cinema, teatro e televisão.

CURIOSIDADES 
Pavilhão A - FAMOSC
Quando desfilou como candidata de Blumenau ao título de Miss Santa Catarina, nossa representante foi chamada pelo nome de batismo: Vera Lúcia.
O concurso estadual, promovido pelos Diários Associados, foi realizado no dia 7 de junho de 1969, no Pavilhão A da PROEB (hoje já demolido).
Disputaram o título 14 municípios: Blumenau, Brusque, Canoinhas, Criciúma, Curitibanos, Florianópolis, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Lages, Laguna, São Joaquim, Timbó e Tubarão.
Em primeiro ficou Vera Lúcia Fischer, seguida de Marta Rinaldi, de Tubarão; Dagmar Polmann, de Timbó; Margot Radünz, de Jaraguá do Sul, e Sueli Maria Silva, de Itajaí.   
Os Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, formavam na época o mais poderoso conglomerado de comunicação do Brasil. Eram jornais, emissoras de rádio e TV, espalhados por todo o território brasileiro.
Em Blumenau ficava sediado o jornal diário "A Nação", do grupo associado, e coube ao jornalista Nagel Milton de Mello, responsável pelo setor social do jornal, coordenar o concurso em nosso Estado. 
Vera Fischer não foi a primeira da família a ser eleita Miss de um país,
Sua tia, Maria Luiza, irmã do pai de Vera, Emil Fischer,  já havia sido eleita, tempos antes, Miss Chile.
Ao "Jornal do Commercio", do Rio de Janeiro, Emil declarou no dia 1º de julho de 1969:
"Há algum tempo não nos correspondíamos com minha irmã. Um belo dia recebemos carta, acompanhada de recortes da eleição. Ficamos muito alegres.
A mãe de Vera, Hildegard, complementou:
Agora é a nossa vez: vamos mandar para Miss Chile os recortes da eleição de Verinha e mostrar que nossa filha é miss Brasil!". 
Texto Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor.
Para saber mais acesse:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

- Victor Felix Deeke

Em histórias de nosso cotidiano apresentamos uma pequena biografia de Victor Felix Deeke. Texto enviado gentilmente pelo Sr. Gunter.
Por Gunter Deeke
VICTOR FELIX DEEKE nasceu no município de Ibirama no dia 08 de dezembro de 1911. Concluiu seus estudos no Colégio Santo Antônio – Blumenau, onde se formou em Técnica Contábil, um curso ao qual sempre atribuiu como sendo o sucesso de sua vida. Durante algum tempo prestou serviços no Banco Nacional do Comércio, mas logo sentiu que ali não prosperaria muito.  Com 21 anos de idade, logo após o falecimento de seu pai, partiu sozinho para o então longínquo Estado do Rio de Janeiro, em busca de novos horizontes. Trabalhou durante seis (6) anos na Indústria ARP, inicialmente na cidade de Nova Friburgo onde se aprofundou com a produção de rendas e filó, e posteriormente no Rio, promovido a representante comercial da mesma. Lá, casou-se pela primeira vez (1936) com Elsa Deeke, filha de Walter e Luiza Ebérius.
Ainda estava na cidade maravilhosa, quando recebeu e um convite para retornar ao Estado de Santa Catarina, com o objetivo de assumir um posto elevado no (Banco) Caixa Agrícola de Blumenau, entidade financeira pertencente ao Grupo Hering. Quem lhe fez este convite, foi o industrial Curt Hering, líder da família Hering, num encontro havido entre ambos, em algum lugar qualquer da cidade carioca. Victor relutou em voltar, pois havia progredido muito profissional e financeiramente, vivia em excelentes condições de conforto em Copacabana, desfrutava de total confiança da família ARP, mas acabou cedendo às promessas de Curt, até porque, sentiu ser o momento certo para retornar ao estado natal.
Ao chegar a Santa Catarina, instalou-se provisoriamente em Blumenau, onde se familiarizou com as normas do Banco. Passados alguns meses, destinaram-lhe a responsabilidade da construção da sede da filial do Banco em Jaraguá do Sul – para, depois de concluída, assumir sua respectiva gerência. Residiu algum tempo em Jaraguá. Feito isso, a matriz de Blumenau confiou-lhe nova missão - na verdade, uma repetição da primeira, qual seja, a construção de outra filial do Banco em Mafra, a qual também foi erguida com rapidez e sucesso, e finalmente, foi transferido para a cidade de Joinville, para novamente construir a sede do Banco e posteriormente gerenciá-la. Nessa cidade, nasceu seu filho Gunter.
Um ano depois, o Caixa Agrícola foi vendido ao então Banco INCOVictor Deeke desligou-se do quadro de colaboradores, tendo como motivo principal de sua saída, o fato de seu irmão Hercílio também ser Gerente do Banco INCO, e as normas da época impediam a existência de parentesco em cargos de confiança, na mesma instituição financeira.
Em 1940, foi convidado novamente por Curt Hering, para assumir a direção da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, localizada na Barra do Rio, a qual se encontrava em delicadíssima situação econômico-financeira. A família Hering (não sei como) detinha um grande lote de ações, mas, além de residirem em Blumenau, nenhum deles entendia das engrenagens do fabrico do papel. Eles sempre confiavam esta missão a terceiros, e o resultado foi horrível, sendo que no ano de 1940 aquela indústria estava à beira da falência, máquinas paradas, operários em greve.
Victor aceitou a missão. Viu-se diante de um enorme obstáculo! Foi nessa empreitada, à frente dessa indústria, que ele dedicou-se de corpo e alma, enfrentando os maiores desafios de sua vida. Mudou-se de Joinville para Itajaí, e nos anos seguintes, contando com o apoio de todos os colaboradores e acionistas da empresa, reergueu a indústria numa época difícil, devido ao racionamento de gasolina, o qual impossibilitava a busca de matéria prima em fabriquetas interioranas (celulose e pasta mecânica), por conseguinte, limitando deveras a produção do papel. 
Diante de tal situação, e com o mundo em guerra, apostou no impossível e partiu em março de 1945 para os EUA, num voo que durou muitos dias, com o objetivo de encontrar, comprar, e finalmente, importar a tão importante celulose, matéria prima vital para a indústria papeleira. A viagem foi realizada com sucesso. Entretanto, ele não admitia de forma alguma a hipótese de importa-la e descarrega-la no porto de Santos, para depois trazê-la de caminhão até Itajaí, desde que, na década de 40, o nosso porto de Itajaí só recebia navios de médio porte, e com escalas esporádicas.  Mas havia outro obstáculo:  trazer apenas a celulose até Itajaí era quase inviável, porque tal frete não comportava a escala de um navio grande neste porto. Era preciso haver alguma carga de retorno para formar um volume compensador. Para tanto, antes dessa viagem, realizou uma reunião com os produtores de Fécula (Farinha de Mandioca), cujo produto poderia ser exportado aos EUA via porto de Itajaí, e já levou em mãos uma procuração dos feculeiros para garantir ao Armador, esta carga de retorno (Cia. Lorenz, Max Wirth, Cassava, e Geismar).  Antes de partir, trocou ideias com os práticos Manoel Caetano Vieira e Manoel Isidoro, obtendo dados técnicos da entrada da barra e do canal de acesso.  Desta forma, a viagem aos Estados Unidos foi coroada de pleno êxito, e no inicio de 1946, com a presença das autoridades de todo o estado, sob os aplausos de milhares de pessoas e ao som dos hinos da Banda Militar, adentrava no porto de Itajaí, o grande navio de longo curso M/V FENRIS, de bandeira sueca, com 120 metros de comprimento e capacidade para 4.000 tons, trazendo a tão esperada celulose.   O porto de Itajaí estava aberto à navegação de longo curso!!
Ainda em Nova York, ao contratar com o representante do Armador sueco “Brodin Line” para trazer a matéria prima, Victor Deeke solicitou simultaneamente a permissão para agenciar os seus navios neste porto de Itajaí, tendo então fundado em 1º de outubro de 1945, a SAMARCO – Agência Marítima e Comercial Ltda., cuja empresa tornou-se uma das expoentes no ramo de agenciamento marítimo nos portos de Imbituba, Itajaí, São Francisco e Paranaguá.
A sucessiva importação da celulose através desses navios suecos, não prosseguiu por muito tempo, porque, com o final da guerra em maio de 1945, a preciosa gasolina voltou ao mercado e os caminhões da Papel Itajaí puderam trazer da serra catarinense, a celulose produzida por pequenas fabricas no planalto catarinense.  Mas, paralelamente à testa da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, Victor Deeke continuou impulsionando muito a Samarco, e esta, prosseguiu no desenvolvimento de agenciamento marítimo, conseguindo outras cargas, tanto na exportação como importação, e mais tarde sobressaiu-se na importação dos Jeep Willys, importados em caixas e montados numa linha de montagem improvisada, nas próprias instalações da Samarco, em Itajaí. Época áurea! (1951).
Com o fim da II Grande Guerra Mundial, Victor Deeke aumentou significativamente o patrimônio da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, comprando sucessivamente as fábricas de Bacaina do Sul em 1946, Ituporanga em 1947, Perimbó em 1949, sendo que em 1951 iniciou a realização do seu grande sonho, que foi – na época, a construção da mais moderna fábrica de papel do mundo, denominada filial Canoas, hoje conhecida como Klabin – no município de Otacílio Costa.
A construção dessa fábrica que hoje lá está, desde a aquisição do maquinário na Alemanha em 1951, do transporte das máquinas ao Brasil, além do transporte rodoviário de Itajaí serra acima, até o seu funcionamento final que ocorreu em 1956, levou cinco anos de uma luta inglória, exigindo de todos aqueles que com ela colaboraram em sua construção, um esforço quase que sobre humano, tamanha as adversidades de toda sorte surgidas naqueles anos, e é uma história única, merecendo ser descrita em livro a parte. Na década de 1950, não existia no Estado de Santa Catarina, energia suficiente para gerar os enormes motores da fábrica nova. Então, além do maquinário importado da Voight na Alemanha, foi importada também, uma razoável usina hidroelétrica construída pela Siemens, a qual foi instalada embaixo do açude da filial de Perimbó (hoje Petrolândia), e essa energia gerada em Perimbó era transmitida a Canoas através de postes e fios pelo meio do mato, cruzando fazenda de jagunços, havendo 50 kms de distancia entre uma e outra, e somente este detalhe já pode dar uma ideia ao leitor, do tamanho da obra que foi a implantação desta unidade. (Estive em Otacílio Costa em julho do ano passado – 2013 – por ocasião dos 60 anos de atividade da Escola Elsa Deeke – nome dado pelo Governador Irineu Bornhausen em homenagem a minha mãe – ipso-facto- ao meu pai, por ter sido ele quem construiu a primeira escola, ainda de madeira e com 4 salas, afim de possibilitar os estudos básicos aos filhos dos operários. Os professores também eram mantidos pela fábrica, mas com licenciatura reconhecida pelo estado.  Nessa visita, fui saber que ainda hoje, apesar da existência da portentosa Celesc, a Klabin ainda se utiliza em 50% da energia provinda da filial de Petrolândia).
1 Na foto da condecoração da Ordem da Vasa, isto foi precisamente em 1962, na nossa casa em Cabeçudas, então ele estaria com 51 anos. O Embaixador Jens Malling entregou a Ordem em nome do Rei da Suécia. Na foto aparecem meu pai, a esposa Ruth Deeke e o Embaixador. (Os embaixadores em geral, por si só, não podem condecorar um cônsul sem a anuência do Rei);
Com o incremento das escalas dos navios suecos, muitos problemas surgiram, e veio a necessidade urgente de se instalar um vice-consulado na região. Para tanto, Victor Deeke foi a pessoa escolhida para exercer o honroso cargo, cujo diploma foi assinado no ano de 1951 pelo Rei Gustavo Adolfo – da Suécia, em conjunto com o então Presidente Getúlio Vargas e o Governador Irineu Bornhausen. Durante 30 anos prestou relevantes serviços à coroa, sendo por três vezes condecorado pelo Rei da Suécia, sendo que duas delas, a Ordem de Vasa e da Estrela do Oriente, as mais importantes distinguidas a um Cônsul honorário.
Em 09 de setembro de 1952, numa das suas inúmeras viagens que empreendeu à Europa, com a finalidade de assistir aos estudos da construção das maquinas da fábrica Igáras, levou junto sua esposa – Elsa -, esta já bastante enferma, na esperança de encontrar soluções mais modernas para combater o câncer, mas ela não resistiu e faleceu no dia 07 de setembro de 1953, exatamente um ano depois, em Zurique (Suíça). Suas cinzas foram trazidas uma semana depois, e seu enterro ocorreu no Cemitério Municipal de Itajaí.
Como já dissemos a Cia. Fábrica de Papel Itajaí, compunha-se da Fábrica Matriz em Itajaí, e das filiais Bocaina, Perimbó, Ituporanga, e finalmente, a filial Canoas, situada hoje em Otacílio Costa, e que era a fábrica mais moderna do mundo após a guerra, pelo fato de ser “processo contínuo”, ou seja, entrava a tora de pinho por um lado e saía o papel pronto do outro, enquanto que as demais fábricas no resto do mundo, até aquele data, só produziam o papel à partir da celulose pronta.
 Em outras palavras, as fábricas antigas precisavam de duas fábricas, uma para produzir a celulose e depois a outra, para produzir o papel.
Em 1958, uma dificuldade financeira ocorrida na época (devido a variação do dólar no custo da compra do maquinário), praticamente inviabilizou a manutenção da unidade Canoas. Seria muito difícil suportar a crise. Victor Deeke – àquela época, já era o segundo maior acionista individual da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, e ocupava o cargo de Diretor Geral – com amplos poderes e assinatura isolada, mas o Grupo Hering insistiu na venda e Victor Deeke cedeu à pressão. Havia propostas de grupos nacionais nessa aquisição da unidade Canoas/Perimbó, porém, à preço de banana, mas o nosso personagem não se conformou com isso, e realizou mais duas viagens aos EUA e concluiu a venda ao grupo americano  chamado Olin-Mathinsson, e que depois de realizada a transação, batizaram a nova filial brasileira de Olin-Kraft, e esta mesma fábrica mais tarde voltou as mãos de brasileiros, hoje pertencente ao grupo Klabin.
   Algumas fotos de Canoas (ou Igaras) sob a neve, no ano de 1955. (Essa filial da Fábrica de Papel, tocada por ele em pessoa, inicialmente foi nominada de Canoas, devido ao Rio Canoas que a banhava. Posteriormente, meu pai rebatizou-a de Igaras, um nome indígena, talvez devido sua infância em Ibirama ao lado de Eduardo (o Katangara) e os índios Botocudos (Xoklens), porém, devido as chuvas e tempestades que atrasaram a conclusão da obra por quase um ano, um prejuízo monstruosos, meu pai ficou um tanto  supersticioso e voltou a nominá-la de Canoas.) 
Não obstante a venda das unidades Canoas e Perimbó (hoje Petrolandia) aos americanos, ainda continuavam “vivas” as fábricas de Itajaí, Bocainda e Ituporanga. Entretanto, já viúvo e um tanto desgostoso com a venda daquela que fora seu ideal, ele se desfez - no ano de 1958, de todas as suas ações da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, e dela se desligou para sempre, entregando-a a seus sucessores, em excelentes condições econômico-financeiras, em virtude do produto da venda da filial da hoje Otacílio Costa, cuja negociação - na época, representou a maior soma de dólares até então estrada no Estado de Santa Catarina.
No mesmo ano de 1958, após o desligamento da Fabrica de Papel, Victor reassumiu pessoalmente o comando da SAMARCO – Agência Marítima e Comercial Ltda., empresa fundada por ele mesmo no dia 01º de outubro de 1945. 
Na politica teve curta passagem e nem essa a sua praia. Admirador do Governador Nereu Ramos, com quem sempre manteve inúmeros diálogos em Palácio, em prol do desenvolvimento da indústria papeleira, fundou - à pedido deste, o primeiro Diretório Municipal do PSD em Itajaí, e foi o seu primeiro Presidente, mas desvencilhou-se dessa missão em curto espaço de tempo.
Em 1960, Victor casou-se pela 2ª vez, com a Dna. Ruth Yvonne Renaux Deeke, com a qual teve duas filhas, Vânia (1961) e Ivana Vitória (1968), esta última, gêmea, mas a outra faleceu alguns dias após o parto.
Esse Capitão de Indústria, empreendedor por excelência, ainda realizou outras obras de vulto, como por exemplo, importação de cimento em grande escala, importação de veículos Willys e Ford, serrarias e beneficiamento de madeira, armazéns e o primeiro porto privado em Itajaí, no entanto, impossível nos detalharmos sobre sua vida e obra, num resumo como este.
Victor Felix Deeke foi uma pessoa de personalidade forte e marcante. Muito decidido, esteve sempre atrelado a obras de vulto. De índole desenvolvimentista, era deveras arrojado, no entanto, jamais se deixou envolver pelo ímpeto da aventura. Seus projetos foram sempre sólidos e sérios. Seus feitos geraram riqueza, impostos e empregos; engrandeceu nossa cidade, nosso estado, quiçá, o Brasil. As adversidades surgidas ao longo da vida, foram vencidas com muito trabalho, muita coragem e muita firmeza. Nunca com retalhos ou sonegação. Sempre soube formar excelentes equipes de colaboradores, e deles se cercou ao longo dos anos e das etapas. Eram quase todos da cidade de Itajaí, deles nunca se esqueceu e à eles sempre lhes rendeu eterna gratidão.
Morreu na madrugada do dia 07 de setembro, na cidade de Blumenau, pouco antes de completar 80 anos, e foi sepultado na mesma tarde, no cemitério da Fazenda de Itajaí.  (Faleceu na mesma data da morte da primeira esposa – 7 de setembro)
Texto e fotos Gunter Deeke

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

- O dia que neguei uma MOÇÃO

O DIA EM QUE NEGUEI UMA MOÇÃO 
DO PODER PÚBLICO
Adalberto Day*
Com muito orgulho recebi no dia 05 de outubro de 1999, uma MOÇÃO da Câmara de Vereadores de Blumenau, pelo considerado excelente trabalho desempenhado em uma Feira de MOSTRA escolar da E.E.B. Padre José Mauricio – Progresso em Blumenau. “Mostra Cientifica e Cultural de Trabalhos e Projetos”, desenvolvidos junto aos alunos e corpo docente.
Participei de várias feiras de MOSTRAS, como também exposições por todo o Grande Garcia e outros pontos de Blumenau. Ocorreu entre o período de 1993 até 2008. Depois comecei a apresentar os trabalhos no sistema Data Show.
Esta MOÇÃO foi assinada pelo então Presidente da Câmara Deusdith de Souza e pelo autor vereador Braz Roncaglio. 
Até aqui muitas alegrias e felicidades de ter recebido uma MOÇÃO tão importante.
Mas chegou o dia de negar uma segunda MOÇÃO e explico:
O dia em que neguei de receber uma MOÇÃO da câmara de vereadores de Blumenau.
Sim este dia aconteceu para desespero de alguns políticos. Apesar de ter sido aprovado por unanimidade pelos parlamentares.
Foi o ano de 2008, aquele mesmo ano da maior tragédia urbana do Brasil onde exerci uma atividade muita intensa na luta pelo resgate do projeto de construção do AGG – Ambulatório Geral do Garcia, para o qual sugeri, com aceitação unânime da comunidade, o nome de Ambulatório Geral Schwester (Irmã) Marta Elisabetha Kunzmann, (nascida na Alemanha em 11 de outubro de 1901 e falecida em 11 de abril de 1982), considerada por muitos como uma “Santa” enviada para ajudar na saúde das mulheres da comunidade do Garcia, nas décadas de trinta, quarenta, cinquenta e até sessenta do século passado.
Muito popular era carinhosamente chamada pela comunidade de “O Anjo Branco”, que além de prestar voluntariamente o atendimento como parteira e dar assistência à saúde das mulheres, assistia a todos com a prática da caridade e espiritualidade, sem distinção de classe social e confissão religiosa. Para tal, se locomovia para as diversas localidades do grande bairro, unicamente com sua exclusiva e inseparável bicicleta.
Gravação de pintura artística em parede, realizada pela artista Sônia Baier Gauche
Vale salientar que na ocasião em que informamos às autoridades sobre a vontade popular pela escolha do nome da Schwester Marta, nos deparamos com um obstáculo muito complicado e que até então desconhecíamos. A Câmara Legislativa de Blumenau já havia aprovado o nome do ex vereador Maurício Pacheco, antecipadamente, o que vinha a frustrar a nossa indicação de consenso e que representava os anseios da comunidade do Grande Garcia. Mesmo não havendo qualquer manifestação contrária ao nome do referido, grande vereador e cidadão Maurício Pacheco, a vontade da comunidade incentivou a busca de uma solução para este conflito de interesses. Para conseguirmos contornar o difícil obstáculo, a Comissão Pro Construção do AGG, sob a liderança de seu Presidente Carlos Alberto Salles de Oliveira, entrou com uma solicitação junto a Câmara de Vereadores, para alteração da decisão anterior e substituição da indicação para o nome da Schwester Marta, a qual, com a respectiva aprovação alcançou o êxito desejado.
 A decisão definitiva pela escolha do nome da querida Irmã Marta Elisabetha Kunzmann, religiosa pertencente a "ordem" das Irmãs representadas pela Comunidade Evangélica da Igreja Bom Pastor, deste mesmo Bairro do Garcia, trouxe um grande alento à “Comissão Pro Construção”, e a coragem necessária para enfrentar um desafio ainda muito maior, que viria proporcionar “uma grande batalha” pelo resgate da implementação do projeto do referido AGG, no antigo prédio da Cantina da Empresa Artex SA.) 
Na época este era mais um dos desafios que tive que enfrentar dentro da comunidade junto com meus parceiros e amigos.
Por mais que negue o então prefeito João Paulo Kleinubing,  não iria mais construir o AGG – faria apenas uma transferência para o antigo Ambulatório da empresa Artex, já desativado e pequeno para esta finalidade.
        Depois de muita luta que já se arrastava por anos, conseguimos colocar ao nosso lado muitas pessoas e personalidades importantes, entre eles podemos citar Ricardo Stodieck então presidente da ACIB, Luiz Cenzi Rebellato, presidente do Conselho Municipal de Saúde, ex prefeitos, Felix Theiss, Victor Fernando Sasse, Renato Vianna, o Secretário de Estado Paulo França e muitos vereadores, entre os quais os representantes do nosso bairro, Vanderlei Paulo de Oliveira, José Luiz Clerici e o incansável líder comunitário, e o suplente vereador  Mauricio Goll (Intendente do Garcia a partir de 13/02/14), que em conjunto com a “CPC" pressionaram o então prefeito JPK.
A obra que havia sido prometida em 1988 para ser o 1º Ambulatório Geral de Blumenau, somente foi realizada 20 anos após e, graças a imposição da Comunidade do Garcia a qual, através da sua Comissão Pro Construção do AGG exigiu de forma imperativa e inquestionável o cumprimento da antiga promessa dos Gestores Públicos daquele período e, que havia sido novamente, politicamente, prometida em 2006 e na sequência negado pelo próprio promitente, o candidato a Prefeito eleito na ocasião. Mesmo assim, reconhecendo os nossos direitos, este realizou apenas 60% da obra e também não substituiu, conforme previsto no projeto, o velho telhado de mais de 50 anos. Apenas remendou-o, deixando-o em condições inadequadas para garantir a necessária proteção ao prédio da antiga “Cantina da Artex” e, consequentemente, às caras instalações do novo Ambulatório do Distrito.   

O sonho se tornou realidade e no dia 12 de setembro de 2008As luzes se acenderam”.
Porém antes dessa inauguração acontecer, em Agosto/2008 recebi um convite para receber uma nova MOÇÃO, desta vez pelos diversos trabalhos comunitários que tive participação.
Ao receber uma ligação telefônica, em princípio fiquei feliz, mas não aceitei. O Autor da MOÇÃO tentou justificar que todos já tinham aprovado e que nunca alguém teria negado e pediu que pensasse melhor.
Concordei e expus a situação aos familiares e alguns amigos. Como era ano de eleição me senti extremamente usado. As eleições seriam em Outubro.
Dois dias após o autor liga novamente na certeza de receber um “sim”, mas disse a ele o que pensava a respeito e lhe proferi um sonoro “Não”.
Quando da realização da obra do AGG, a qual foi feita de forma acelerada devido ao pouco tempo disponível antes das eleições de 2008, esta foi utilizada intensamente e de forma deplorável na campanha política, com a vinda de verdadeiras caravanas de eleitores para visitações e assistir a realização de apresentações em data show, verdadeiros contínuos e vultosos comícios políticos, as custas do erário público, que antecipava a todos os benefícios da maravilhosa obra.
Muito me revolta e entristece em ver o poder público, constantemente, jogar fora pelo ralo, escassos recursos públicos e, em contra partida, levar 20 anos para cumprir com as obrigações assumidas com a população, como a que ocorreu com a promessa, em 1988, de construção imediata e urgente do Ambulatório Geral para o maior bairro da cidade e, quando pressionados executam apenas a metade do projeto, com várias irregularidades em prejuízo da qualidade, como a redução nas instalações hidráulicas, elétricas e de infra estrutura, remendando a velha e já inadequada cobertura, desviando parte do valor previsto do projeto para outros irrelevantes ou de interesse exclusivamente eleitoreiro. 
Hoje contamos com a vigente promessa do atual Prefeito Napoleão Bernardes, para a urgente substituição do antigo e remendado telhado por um novo tipo de cobertura, com qualidade superior as do tipo comum, onde se inclui a garantia de imensa durabilidade e resistência ao granizo. Decisão esta conquistada com a imprescindível ajuda da atual Secretária da Saúde, Sra. Maria Regina de Souza Soar, que tomou a responsabilidade para si, convencida dos riscos e de que este investimento será muito benéfico para a eficiência da assistência à saúde, como também aos cofres da prefeitura, pois que cessarão os sinistros e as reincidentes ocorrências com prejuízos ao mobiliário e ao público usuário deste que é, atualmente, o mais importante e valioso Ambulatório Geral de Blumenau. 
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Ambulatório Geral do Garcia será reformado 
Dia 27 de março 2014 o prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes oficializou as obras de melhorias no Ambulatório Geral (AG) do Garcia, no bairro Progresso, e adequação nos seus 1.532 metros quadrados de área, na própria unidade de saúde. Participaram da solenidade a secretária de Saúde, Maria Regina de Souza Soar, além da equipe de profissionais do setor administrativo da rede pública de saúde e comunidade.
Com recursos financeiros do Ministério da Saúde no valor de R$ 269 mil, as obras de reforma envolvem a retirada da cobertura de fibrocimento da unidade, instalação de manta auto aderente de asfalto especial, além da colocação de placas de compensado estruturado. A Prefeitura também vai fazer a colocação de telhas asfálticas com grânulos cerâmicos, cumeeira ventilada, beirais e calhas e ainda revisão e impermeabilização das marquises. A previsão é de concluir os trabalhos em no máximo quatro meses. 
Obs: promessa cumprida e obra concluída em Julho/2014 entregue a comunidade dia 05 de dezembro de 2014. Parabéns Comissão Pro Construção do AGG, sob a liderança de seu Presidente Carlos Alberto Salles de Oliveira,
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Quero ressaltar que me senti orgulhoso por ter sido lembrado, mas achei muito estranho ser tão próximo das eleições. Poderei ainda aceitar em receber em outras oportunidades, novas Moções e ou títulos de reconhecimento público mas, com a ressalva de que não venha a ser revestido de exclusivo cunho de interesses políticos, no que igualmente considerarei uma verdadeira afronta, uma nova ofensiva e aviltante tentativa de utilização política da minha pessoa. Também nunca aonde se localiza a nova Câmara de Vereadores, local inadequado em um gargalo da cidade e gastos desnecessários, com aluguéis acima de 47 mil. Só com o valor dos mobiliários (mais de 2,3 milhões) daria para fazer uma sede nova. Um absurdo. Dinheiro do contribuinte jogado através do ralo.
Revendo todos os detalhes de minha consciente e enérgica atitude me sinto orgulhoso de ter, à época, dito “NÂO”. 
“NÃO ME ARREPENDO E HOJE RECUSARIA, NOVAMENTE, QUALQUER PROPOSTA DO PODER PÚBLICO EM MEU BENEFÍCIO, QUE NÃO VENHA A BENEFICIAR, EM PRIMEIRO LUGAR, OS CIDADÃOS DE BLUMENAU” (ou “toda a Sociedade” ou “toda a nossa Comunidade”). 
Adendo
Osmar Hinkeldey 
Fundação Catarina de Wittenberg com a qual a Sociedade Evangélica de Senhoras de Blumenau manteve relacionamento  de 1912 até 1971, quando a última diaconisa Irmã Maria Wulfmeier deixou a direção da maternidade e retornou à Alemanha.
De 1907 a 1912 as Irmãs que aqui chegaram vinham da Irmandade de Enfermeiras de Zehlendorf em Berlim; mas esta Irmandade não tinha parteiras e a premência aqui na região era não só o trabalho social mas também de parteiras.
Portanto, a Irmã diaconisa Martha veio da Fundação Catarina de Wittenberg e foi designada para os trabalhos na região do Garcia.  
2) já havia na época a sociedade de senhoras evangélicas do Garcia, mas que na realidade pertenciam ou faziam parte da grande Sociedade Evangélica de Senhoras de Blumenau, porque a Garcia se tornou independente apenas em 1968/69 com a vinda do primeiro Pastor que ainda morou por vários anos na casa das Irmãs, formando assim uma Paróquia, que veio a se denominar de “Bom Pastor” apenas mais tarde, creio que na década de 1980 quando foi construída a Igreja hoje localizada ali em frente à Relojoaria Tomio. 
3) nós chamamos de Irmãs (Schwestern) ou diaconisas, ou seja, além de fazerem trabalho social abrangente com obras de caridade, também ensinavam o evangelho e era incentivado o seu conhecimento pelo povo. 
4) hoje ainda a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) à qual a Paróquia Bom Pastor é filiada, mantém uma Casa Matriz de Irmãs em São Leopoldo, RS, (fundada em 1939) que é a sede da Irmandade Evangélica Luterana, que mantém acionatos, ajuda social, etc, e cuja responsável é denominada de “Irmã Superiora”.
5) diria então que a Igreja Evangélica Luterana não tem uma “ordem de Irmãs”,  mas tecnicamente falando tem um “ministério diaconal” para expressar por assim dizer uma linguagem evangélica luterana.   
Clique no link para saber mais sobre o dia da inauguração do AGG:
*Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.
Colaboração: Carlos Alberto Salles de Oliveira.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

- Ponte Foz do Ribeirão Garcia

A imagem por volta de 1860 mostra a ponte sobre a foz do Ribeirão Garcia, construída em 1856. Onde está a residência, depois em 1902 Hotel Holetz, em 1962 o Grande Hotel (datas de inauguração). Acervo e colaboração: Bruno Kadletz/Gilberto Gerlach
A imagem 1883 mostra a ponte sobre a foz do Ribeirão Garcia, construída pelos colonos. Onde está a residência depois em 1902 Hotel Holetz, e em 1962 o Grande Hotel (datas de inauguração).
Acervo Carl Heinz Rothbarth
Imagem de 1904 mostra a antiga ponte de madeira sobre o Ribeirão do Garcia, -  as embarcações e aos fundos a esquerda o Hotel Holetz que foi inaugurado em 1902, demolido em 1959 e hoje desde 1962 o Grande Hotel. Acervo Carl Heinz Rothbarth
A imagem de 1906 mostra os trabalhadores da ponte sobre o Ribeirão Garcia em sua foz, trabalhos em fase de conclusão e o dia da inauguração. Sua construção teve inicio em 1903.
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Hoje, lendo o Relatório de 1906 apresentado ao Conselho Municipal de Blumenau pelo Superintendente Sr. Alwin Schrader em 15 de Abril de 1907 e impresso em junho do mesmo ano pela Typographia do "Urwaldsbote" Blumenau (Brazil) nas páginas 18 e 19 consta:
Acervo de MRoeck Röck
Acervo Carl Heinz Rothbarth - dia da inauguração - aos fundos antiga Prefeitura de Blumenau - atual fundação Cultural
A inauguração aconteceu no dia 3 de junho de 1906 com a presença de diversas autoridades e comunidade em geral. Teve a presença do governador Interino Pereira Oliveira. A obra construída com trilhos da E.F. Santa Catarina, com a supervisão do Engenheiro Henrique Krohberger. Os recursos financeiros para a aquisição da estrutura de ferro, importada da Alemanha, foram levantados através de empréstimos público, com apoio da Associação Comercial. A Ponte tinha 29 metros de comprimento e 9 metros de largura.
A imagem da década de 1920 mostra a ponte e o Hotel Holetz (1902-1959) mais aos fundos antiga Padaria e Confeitaria de S.Katz, inaugurada em 20 de julho de 1904.
A imagem da década de 1940 mostra a Ponte de Ferro sobre o Ribeirão Garcia, com visão para a prefeitura antiga, atual fundação cultural de Blumenau. Acervo da família de Wily Sievert
A imagem do inicio da década de 1950, mostra a nova Ponte denominada de  Dr. João Pedro da Silva, executada no governo do então prefeito Hercilio Deeke. Aparecem na imagem à esquerda o antigo estabelecimento -  Ponte Bar e aos fundos o majestoso Hotel Holetz.
Imagem da Ponte meados dos anos de 1950
A imagem da década de 1970 mostra a ponte Dr.  João Pedro da Silva e a esquerda já o então Grande Hotel (inaugurado em 16 de dezembro de 1962). Arquivo de Charles Schwanke.
Acervo Giovani Luebke 
A imagem de 1976 mostra o acesso a atual Ponte Dr. João Pedro da Silva e aos fundos o Grande Hotel. 
Dr  João Pedro da Silva
Na galeria dos blumenauenses ilustres, seria injustiça omitir o nome do Des. João Pedro da Silva, filho do Cel. João da Silva Ramos e de D. Maria Adolfina Sales Silva, que embora nascido em São José, neste Estado, aos 29 de junho de 1882, viveu por muitos anos nesta cidade, cuja vida judiciária presidiu com elevação e imparcialidade.
Formado pela tradicional Faculdade de Direito de São Paulo, em 1906, João Pedro da Silva iniciou a sua vida pública em seu Estado natal, como oficial de gabinete do Cel. Gustavo Richard, então governador do Estado. Alguns anos após, em 1909, ingressou na magistratura, indo ocupar o juizado de direito da comarca de São Bento, revelando logo nobres qualidades de julgar sereno, conciliador e esclarecido. Durante este tempo dedicou muito de seus esforços no sentido de acalmar os ânimos, então exaltados em face da chamada “questão do Contestado”.
Em 1915 foi nomeado Juiz de Direito desta comarca, assumindo o exercício das suas funções em 19 de setembro. Aqui permaneceu até 1919, quando foi nomeado para exercer o cargo de Juiz de Direito da 2ª Vara da Capital, sendo posteriormente, em 1920, promovido, por merecimento, a desembargador do nosso Tribunal de Justiça. Quando já desembargador, João Pedro da Silva teve ocasião de exercer com proficiência e serenidade as funções de Chefe de Polícia do Estado do governo do Cel. Pereira e Oliveira.
A inclusão de seu nome entre aqueles que amaram e engrandeceram Blumenau, justifica-se plenamente pela sua destacada atuação quando Juiz de Direito desta comuna.
Durante os anos em que aqui exerceu a judicatura, o Des. João Pedro da Silva não só cumpriu o seu dever de magistrado com brilhantismo e perfeito senso de justiça, como se tornou um verdadeiro amigo e conselheiro da gente blumenauense. Tratando a todos com aquela grandeza de coração que era bem uma característica de sua alma, João Pedro da Silva fez-se credor da estima e da consideração dos blumenauenses, que traduziam a sua afetividade pelo Juiz, chamando-o, de modo familiar, de “Dr. Pedrinho”. De fato, o Dr. Pedrinho não foi em Blumenau simplesmente o pretor, apegado no texto frio da lei, insensível e distante. Ao contrário, exerceu em Blumenau, sem quebra do cumprimento de seu dever, uma judicatura suave, paternal e amiga. Mesmo afastado de Blumenau, João Pedro da Silva, não esqueceu os seus jurisdicionados e até morrer, em 15 de junho de 1936, recordava sempre com saudade e carinho os anos que vivera entre nós.
Casado com Exma. Sra. D. Raquel Ramos da Silva, filha do venerando Cel. Vidal Ramos, uma das figuras de merecido relevo na vida pública catarinense, o Des. João Pedro da Silva legou aos seus filhos, entre os quais o Dr. Aderbal Ramos da Silva, atual governador do Estado (1950), o seu nome honrado e muito da bondade de coração que foi o traço dominante de sua personalidade.
Livro Centenário de Blumenau 1850/1950; páginas 424,425
Colaboração Niels Deeke/Memorialista em Blumenau (In Memorian). José Geraldo Reis Pfau.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história. 

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