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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

- Jubileu de Prata

25º Aniversário - Jubileu de Prata da cidade de Blumenau
“Entre as brumas matinais de 28 de agosto de 1877, a banda de música de Blumenau desce, silenciosa, a Rua das Palmeiras.
A imagem mostra a Casa que morou Dr. Blumenau. Esta casa foi completamente destruída pela enchente de 1880, na Rua das Palmeiras
Em frente à casa do Fundador da Colônia, irrompe os acordes triunfantes de marcha festiva. Abre-se a porta, e no alpendre aparece a figura veneranda do Doutor Hermann Bruno Otto Blumenau, que agradece, comovido, a homenagem. 
Depois o subdelegado e o juiz de paz apresentam felicitações, seguidos duma deputação da Sociedade de Cultura. É lida mensagem congratulatória sobre o desenvolvimento da colônia, cujo progresso vem documentado num álbum com vistas, oferecido ao Fundador. 
Á tarde desfilam as sociedades, precedidas por bandeiras e sete cavaleiros em animais brancos. Todos se dirigem à sede dos Atiradores. Tiram-se retratos. Executam-se números de canto. É servido lauto banquete. Á noite, há teatro e baile. Assim Blumenau festejou seu primeiro jubileu. O Doutor Blumenau tinha o 28 de agosto de 1852 como data da fundação da colônia, porque foi neste dia que vendeu, em leilão público, os primeiros dez lotes de terra situados na margem direita do Garcia” (Dados publicados no Livro pela passagem do Centenário de Blumenau em 1950). 
Dr. Blumenau nasceu em 26/12/1819 e faleceu em 30/10/1899.Morou na Avenida Duque de Caxias, mais conhecida como Rua das Palmeiras, que já foi o centro da cidade, que também já se chamou Av. Dr. Blumenau. 
A imagem de Blumenau de 1869 mostra a STADTPLATZ que significa CENTRO URBANO. Literalmente ¨LUGAR ( PLATZ ) da CIDADE ( STADT).
A foto retrata o atual local entre a rua XV de Novembro e a rua Ceará. No entremeio deste espaço está o atual prédio da Celesc, Depois, antes do campo do Palmeiras, vinha a ferraria d Kielwagen e, logo após o campo do Brasil/Palmeiras/BEC. Nos fundos pode-se ver os matos que vão desde o Tabajara até a secção sul do Morro do Aipim. 

História:
- Inicialmente o centro da cidade era onde hoje se localiza a Avenida Duque de Caxias (Rua das Palmeiras), arquivo histórico José Ferreira da Silva, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Mueller e o museu da Família Colonial.
- A primeira Rua em Blumenau surgiu em 1852, com o nome de Palmenalle , onde foi construído o primeiro hotel, de alvenaria. Num dos quartos o Dr. Blumenau instalou a direção da Colônia. - A Rua Palmenalle mudou seu nome para Boulevard Wendeburg em 3 de fevereiro de 1883, depois para alameda Dr. Blumenau e em 8 de abril de 1939, para alameda Duque de Caxias através do Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto 1942, na administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais. A povoação compreendia o início do Garcia, e parte da rua XV de Novembro. 
- Muitos outros imigrantes atravessavam o Oceano Atlântico em veleiros de companhias particulares. E assim foi crescendo o número de agricultores, povoadores e cultivadores dos lotes, medidos e demarcados ao longo dos rios e ribeirões que banhavam o território da concessão. No princípio, a Colônia era de propriedade do fundador, Dr. Blumenau.
- Em 1860 o Governo Imperial encampou o empreendimento e Dr. Blumenau foi mantido na direção até a elevação da colônia. E a Lei nº 860, de 04 de fevereiro de 1880, à categoria de Município. Em poucos anos, Dr. Blumenau, dotado de grande energia e tenacidade, fez da colônia um dos maiores empreendimentos colonizadores da América do Sul, criando um importante centro agrícola e industrial influente na economia do país. Entretanto, em outubro de 1880, uma grande enchente causou sérios prejuízos à população e à administração pública, com a destruição de pontes e estradas. Com isso, a instalação do Município só foi possível em 10 de janeiro de 1883, quando assumiu o exercício a Câmara Municipal eleita no ano anterior. Depois disso o município recebeu o título de Comarca (1886) e finalmente, em 1928, passou à categoria de Cidade.
Quando Dr. Blumenau, esteve aqui pela primeira vez em janeiro de 1848, associou-se a um comerciante de nome Ferdinand Hackradt , e rumou ao Itajaí , onde Agostinho Alves Ramos emprestou embarcações , alimentos e um guia para explorações .Quando chegaram, encontraram famílias, com residências fixas, como os Haendchen, os Klocher os Deschamps, Klock, Schneider , Theiss, Kerbach, Peter Wagner, Peter Lukas, que vieram a partir de 1837 provenientes de São Pedro de Alcântara e outros que foram os percussores da colonização de Gaspar (Belchior e Pocinho) . Os dois últimos tinham grandes culturas e engenhos de açúcar no local “Capim Volta”, um conhecido bairro de Blumenau, hoje City Figueiras. Essas famílias deram suporte e sustentação a Dr. Blumenau, em seu tão sonhado empreendimento. Todas as famílias citadas deixaram descendentes por toda região do Vale do Itajaí, alguns deles casaram com imigrantes alemães que vieram após 1850. Quem os trouxe foi um caboclo forte e prudente, que foi recomendado como de inteira confiança, chamado Ângelo Dias, que prestou grandes trabalhos aos dois empreendedores. Todos esses nomes mencionados não vieram com Dr. Blumenau, que veio no intuito de organizar uma colônia, até então eram apenas famílias isoladas. Mas não devemos esquecê-las, pois tiveram sua importância dentro de um contexto histórico para o desenvolvimento de nossa cidade. O próprio Ferdinand Hackradt ficou na região próximo ao centro da cidade, enquanto Dr. Blumenau retorna à Alemanha e após conseguir convencer 17 imigrantes através de seu sobrinho Reinhold Gaertner a vir ao novo continente, chegam à foz do Ribeirão da Velha em 02 de setembro de 1850. Dr. Blumenau já se encontrava em Blumenau quando os 17 primeiros imigrantes chegaram. 

Observação: Na realidade os 17 primeiros imigrantes chegaram em Desterro (Florianópolis) nessa data. Em Blumenau a primeira família a chegar foram os FRIEDENREICH no dia 09 de setembro, os outros vieram aos poucos e até a pé. Mas definiu-se em 1900 que a data seria 02 de Setembro de 1850. 

OS PRIMEIROS 17 IMIGRANTES
- REINOLDO GARTNER: com 26 anos de idade, solteiro, natural de Brunsvique, sobrinho, pelo lado materno, do Dr. Blumenau;
- FRANCISCO SALLENTHIEN, com 24 anos, solteiro, lavrador, também natural de Brunsvique;
- PAULO KELLNER; 23 anos, solteiro, lavrador,igualmente de Brunsvique;
- JÚLIO RITSCHER, 22 anos, solteiro, agrimensor, natural de Hannover;
- GUILHERME FRIEDENREICH, com 27 anos de idade, alveitar, natural da Prússia, casado com;
- MINNA FRIEDENREICH, 24 anos de idade, possuindo o casal os seguintes filhos;
- CLARA, com 2 anos de idade;
- ALMA, com 9 meses;
- DANIEL PFAFFENDORFF, 26 anos de idade, solteiro, carpinteiro, natural da Saxônia;
- FREDERICO GEIER, 27 anos de idade, solteiro, marceneiro, natural de Holstein;
- FREDERICO RIEMER, 46 anos de idade, solteiro, charuteiro, natural da Prússia;
- ERICH HOFFMANN, 22 anos de idade, ferreiro, funileiro, também da Prússia;
-ANDRÉ KOLMANN, 52 anos de idade, ferreiro, igualmente da Prússia, acompanhado da esposa;
- JOANNA KOLMANN, 44 anos de idade, e das filhas;
- MARIA, 20 anos de idade, solteira;
- CRISTINA, 17 anos, também solteira, e
-ANDRÉ BOETTSCHER, com 22 anos de idade, solteiro, ferreiro, natural da Prússia. 

Arquivo de Sergio da Silva/ Adalberto Day

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

- Tesoura Jr.

Tesoura Jr. e Sestrem em 2001
Foto: Jornal Voz da Razão. divulgação.
Uma breve história do grande radialista Tesoura Jr. falecido em 24 de janeiro de 2014.
Nascido no dia 23 de março de 1916, Tesoura Júnior faleceu  dia 24 de janeiro de 2014 aos 97 anos.
- Tesoura Júnior nasceu em Rio Bonito, hoje Caiapônia, Goiás em 23 de março de 1916. Seu nome verdadeiro é Victoriano Cândido da Silva sua trajetória de vida antes de chegar a Blumenau foi uma verdadeira odisséia, contada no livro “Memórias de um Blumenauense nascido em Goiás” , de agosto de 1991- Fundação Casa Dr. Blumenau com prefácio de José Gonçalves Jornalista e escritor. Lutou na Revolução Constitucionalista de São Paulo de 1932, em Mato Grosso com as forças do governo Contra os Revoltosos Paulistas, na época em que o presidente era Getulio Vargas.

O apelido famoso:
- O apelido foi uma brincadeira que ele mesmo criou. Ele não queria que as pessoas soubessem quem era ele, e se infiltrava mais facilmente com o anonimato. A tesoura corta, picota, fura. Dá o furo de reportagem – comentou em seu livro.
- Tesoura andou por várias cidades catarinenses, antes de aportar em Blumenau em definitivo em abril de 1944, na função de guarda sanitário. Passou a primeira vez por Blumenau em 1932, vindo de Florianópolis com destino a Joinville, São Francisco do Sul. Chegou a morar no antigo Hotel e Pousada da família Hinkeldey no bairro Garcia. Tesoura jogou futebol pelos aspirantes do palmeiras, vasto verde, bandeirantes e outros clubes de Blumenau. Tesoura Junior trabalhou no programa “a marcha do esporte” criado em janeiro de 1940, por Pereira Junior. Esse programa ia ao ar todos os dias das 12:30 hrs as 13:00 hrs. na PR C4 Rádio Clube de Blumenau. Trabalhou nesse programa com José Gonçalves, Jeser Jossi Reinert, Adolfo Nolte de 1946 até 1984. 
Tesoura Jr. e Hamilton Antônio
Foto reprodução
A “Marcha de esporte” chegou a atingir 95% de audiência em todo vale do Itajaí. Tesoura comandou o esporte na Rádio Clube de 1954 até 1984. Arquivo Adalberto Day/“Memórias de um Blumenauense nascido em Goiás” , de agosto de 1991- Fundação Casa Dr. Blumenau”.
Ouça o prefixo da Marcha do Esporte:
Arquivo : Adalberto Day
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

- O Dia "D"

Transcrevo este texto em homenagem a todo desportista blumenauense em especial aos Grenás, e aqueles que de uma forma ou outra contribuíram para esta conquista maravilhosa que nos enche de orgulho. Aos ex atletas, dirigentes, e componentes do plantel campeão, nossos parabéns pela passagem  dos cinquenta anos do Bicampeonato (1949/1964) estadual de futebol catarinense conquistado pelo Grêmio Esportivo Olímpico.
O presidente do G.E Olímpico  era Curt Metzger. Metzger. Foi presidente do G.E. Olímpico em duas gestões 1963/1965 e 1965/1967. No último período o substituíram Irineu Theiss e Germano Buerger.

Dia 25 de abril de 1965
O campeonato foi decidido neste dia, mas referente ano de 1964
Contam jornais da época, em palavras confirmadas pelos que viveram mais uma grande glória: “A tarde estava fria e inquietante”. O céu nublado deixava transparecer que não demoraria a chover. Nas ruas, as pessoas andavam nas mesmas direções, murmúrio de vozes faziam-se ouvir até distante.
À tarde o céu, a chuva à vista e as ruas eram blumenauenses. As pessoas vinham das diversas cidades, mas no entanto, todas elas estavam prevendo algo de extraordinário.Os portões de entrada da grande praça de esportes mal serviam para a passagem da grande multidão. Todos queriam presenciar o grande  espetáculo. O espetáculo que nenhum brasileiro deixa de ser fã ardoroso e que em várias vezes chega a derramar lágrimas.
A grande praça de esportes era o Estádio da Baixada, e o grande espetáculo era Grêmio Esportivo Olímpico e Internacional de Lages, na luta final por mais um título histórico.
Bandeiras de todos os clubes de Blumenau e cidades vizinhas estavam desfraldadas dentro do coração de cada um. A cidade torcia tão somente para um clube: O Olímpico
Todos estavam ansiosos por ver as duas equipes entrarem em campo e não suportaram a emoção em ver o esquadrão grená entrar pisando no tapete verde da Baixada. Corações pulsavam aceleradamente. Ante a grande expectativa, mãos esfregavam-se, demonstrando perfeito nervosismo. Ninguém ficava parado; pés trocavam de lado, como se movidos pelo sobrenatural; mãos molhadas de suor, entravam e saiam dos bolsos; gargantas secas viam-se privadas de salivas, tão escassas nesse momento de ansiedade. “A grande massa humana estava vivendo um perfeito drama, de quem esperava apenas um momento; o de gritar gol, o grito da vitória”.
(Mário Bagattoli e Victor I. dos Santos)
O Grêmio Esportivo Olímpico já havia sido  campeão em 1949 com o seu carneiro mascote “Pirata” Em pé da (e) para (d): Arthur, Onório, Pachequinho, Jaeger, Oscar e Jalmo. Agachados : Testinha, Nicolau, Juarez,  Aducci Vidal, René. Este time foi o primeiro Clube a ser campeão do Estado por Blumenau ao derrotar o Avaí em Florianópolis por 4x1. Mais tarde “Pirata” foi morto pelos arquirrivais do Palmeiras.
Uma das escalações do grupo que foi campeão estadual de 1964. Foto gentilmente doada por Roberto Pereira Nascimento (Robertão
Olímpico 1964
Gremio Esportivo Olímpico, Bi campeão estadual de 1964. Em pé: Estanislau Storlaczek - (diretor), Irineu Theiss - (diretor), Rui Rota - (diretor), João Sequinel Neto (Joca) - (meia ponta de lança), Roberto P Nascimento - (Robertão)- (zagueiro), José Gonçalves - (lateral direito), Marcos Oerding - (goleiro), Romeu Paulo Fischer - (zagueiro), Carlos Heinz Faber (Paraná) (meia cancha), Nilson Greual - (zagueiro), Walmor Belz - (medico), Orlando Silva - (lateral) Zani Rebelo - (diretor), Osni Kisten - (diretor), Antonio Rodrigues da Costa (diretor), Curt Metzer - (presidente).
Agachados: Osmar (ropeiro), Alfredo Cornetet (quatorze) (centro avante), Adilton Rodrigues Martins (centro avante), Max Preisig (Maqui) (ponteiro), João Carlos Bedusschi (lila) (centro avante), Biramar José de Souza (Bira) (meia cancha), Orlando José Costa (Paraguaio) (lateral), Hamilton Curi preparador físico), Jurandir Marques (lateral esquerdo), Aducci Vidal ( técnico).
Acervo: Suelita Beiler
Era o dia 25 de abril de 1965, Estádio da Baixada lotado completamente. Alguns torcedores já haviam chegado mais cedo, almoçando lá mesmo, na sede do Olímpico.
Hora do jogo. Entra em campo a arbitragem, formada pelo árbitro Gerson Demaria e bandeiras, Nilo Eliseu da Silva e Silvano Alves Dias, logo após as duas equipes, ambas bastante festejadas com aplausos e foguetes.
Começa o jogo. Um silêncio de segundos logo é interrompido pela vibração dos lageanos, que viam sua equipe investir perigosamente contra o arco defendido por Barreira. O ponteiro colorado Puskas consegue um bom tiro, mas torto, para a sorte dos grenás.
Jogo nervoso. As duas equipes nos primeiros minutos pareciam descoordenadas, mas logo, a partir dos 15 minutos duas boas cabeçadas de Ronald e Joca quase abriram o marcador.
Apesar de dominado, literalmente em todos os setores do campo, através de Roberto o Inter quase marca em um chute de longa distância, mas lá estava Barreira, muito bem posicionado.
O sonho começava a se tornar mais uma vez realidade, aos 26 minutos da primeira etapa. A arbitragem marcou falta em Rodrigues pouco além da risca divisória, cometida pelo lateral De Paula. Paraguaio cobra a infração, com endereço certo. O centroavante paranaense salta de costas para o gol, desviando do alcance do goleiro lageano, que teve que buscar a bola no fundo das redes. O Olímpico e sua torcida comemorava o primeiro gol, o único da primeira etapa.
E a chuva, que também fez questão de presenciar o grande espetáculo apareceu na segunda fase. O Inter correu logo atrás do prejuízo sofrido na primeira etapa empatando aos 10 minutos, através de Jóia, dando um grande susto na torcida local. Desta vez a presença importante de Barreira não salvou o sonho grená, o jogo estava empatado em 1 a 1.
Não apenas a sorte, mas a predominância nas ações dava ao Olímpico uma maior tranquilidade, pois na maior parte do tempo estava no campo contrário, tentando ampliar o marcador. O técnico Aducci Vidal processará uma alteração na equipe, tirando o ponteiro Lila, colocando Quatorze, deixando assim o ataque mais ofensivo, com a presença de dois centroavantes. A tentativa deu bom resultado, logo aos 13 minutos, na combinação de Quatorze e Mauro pela direita.
A jogada começou com um cruzamento de Mauro até Joca, que cabeceou violentamente à meta. Lá estava novamente Rodrigues, para mais uma vez derrubar a meta do goleiro do Inter, João Batista , 2 a 1, outra vez reanimava-se o torcedor blumenauense.
O terceiro gol foi duvidoso, para os jogadores do Inter. Lances que ensaiavam a violência começaram a suceder-se, no final do jogo. O Inter ainda tentava o empate para levar a decisão a uma prorrogação.
Os jogadores do Olímpico já haviam corrido muito, e um período extra poderia determinar um desgaste irreparável para as pretensões da equipe de Aducci Vidal. As investidas eram constantes, até que Joca, que passou para Rodrigues, na opinião adversária em completo impedimento. Para o goleador foi muito fácil avançar passos e marcar o terceiro e último gol.
Atletas e dirigentes do Inter partiram para cima do árbitro, mas nada disso pode ser evitado. Eram decorridos 38 minutos do segundo tempo, quando Gerson Demaria expulsa Nininho. Logo em seguida, o jogador Roberto agrediu covardemente o juiz, também sendo expulso, restando ao clube lageano, com apenas nove jogadores, contentar-se em ficar com o vice-campeonato, dividido com o Hercílio Luz.
Blumenau mais uma vez, comemoraria em passeata, festa e bailes, o título de campeão catarinense.
Para chegar ao título o Olímpico realizou uma campanha de 46 jogos. Foram 30 vitórias, 10 empates e apenas 6 derrotas, e um ano, um mês e uma semana, com 63 gols marcados a favor e 32 contra, com 70 pontos a favor e apenas 12 contra.
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Uma das escalações do grupo que foi campeão estadual de 1964. Foto gentilmente doada por Roberto Pereira Nascimento (Robertão).  Em pé da (E) para (D): Massagista Capela,  Robertão, Nilson,  Mauro, Orlando, Barreira e Jurandir; Agachados: Lila, Rodrigues, Paraná, Joca e Paraguaio. 
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Ficha técnica do jogo:
OLÍMPICO 3
Barreira, Paraguaio, Orlando, Nilson e Jurandir; Mauro e Paraná; Lila (Quatorze), Rodrigues, Joca e Ronald. Técnico: Aducci Vidal. 
INTERNACIONAL 1
João Batista, Nicodemus, Airton, De Paula e Carlinhos; Roberto e Dair, Puskas, Jóia, Sérgio (Nininho) e Anacleto.
ARBITRAGEM: Gerson Demaria, auxiliado por Nilo Eliseo da Silva e Silvano Alves Dias.
GOLS:  Rodrigues, aos 26 minutos da primeira etapa, aos 13 e 38 do segundo tempo. Jóia descontou aos 10 da etapa complementar.
EXPULSÕES: Nininho e Roberto do Internacional.
RENDA: Cr$ 3.216,500
Todos os campeões de 1964
Lourival BARREIRA (goleiro); Adilton RODRIGUES Martins (Centroavante) ORLANDO Silva (lateral); João Sequinel Neto (JOCA) (meia cancha); Orlando José Costa (PARAGUAIO) (lateral); João Carlos Beduschi (LILA) (meia cancha); ROMEU Paulo Fischer (zagueiro), Alfredo Cornetet (QUARTOZE) (centroavante); ROBERTO P. Nacimento (zagueiro); NILSON Greuel (zagueiro); MAURO Longo (meia cancha); Carlos Heinz Faber (PARANA) (meia cancha); José GONÇALVES (atacante); MARCOS Oerding (goleiro); MAX Preisig (MAQUI) (ponteiro); Biramar José de Souza (BIRA) (meia cancha); EUDES Ribas Guimarães (lateral), ÉZIO Fernandes de Oliveira (Goleiro); JURANDIR Marques (Lateral); RONALD Olegário Dias (ponteiro). Técnico: ADUCCI VIDAL, Médico Walmor Belz, Massagista Frederico Capela, preparador físico Hamilton Curi e roupeiro Osmar.
Também fizeram jus às faixas de campeão, além do presidente Curtz Metzger, os diretores do departamento de futebol, rui otta, Antônio Rodrigues da Costa, Zani Rebelo, Stanislau Storlaczek, João Gregório Pereira Gomes, Werner Eberhardt, João Silva, José Marcolino Netto.
Para saber mais acesse:
Revista História do Grêmio Esportivo Olímpico 70 anos; lançado em 1989/Otacílio Peron/Colaboração Adalberto Day

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

- Alda Niemeyer

Sra. Alda Niemeyer - em dezembro de 2013
aos 93 anos de idade.
Hoje vamos conhecer um pouco da biografia de uma ilustre personalidade, mulher forte e doce, que muitas vezes apesar dos desafios materiais, sua palavra é superação. Falamos da Sra. Alda Schlemm Niemeyer. 
Por Angelina Wittmann.
A Sra. Alda nasceu em Joinville, em 18 de maio de 1920, depois foi residir em Curitiba, com sua família, onde passou sua infância e juventude. 
Sua mãe chamava-se Wanda (Família Müller - Curitiba - PR) e seu pai - primeiro casamento da Sra. Wanda - chamava-se Sr. Frederico Alexandre Schlemm - família de Joinville - SC.
Sra. Alda tinha como pai, o segundo esposo da Sra. Wanda - Sr. Max Alfred Bayer, pois o conhecia desde tenra idade.
A Sra. Wanda Müller casou-se em junho de 1918 com o Sr. Frederico A. Schlemm e a família residiam na cidade de Joinville. Sr. Schlemm faleceu logo após o nascimento da irmãzinha da Sra. Alda -Marthali.
Após o falecimento do marido, Sra. Wanda mudou-se com suas filhas, para a casa paterna, situada na capital do Paraná. De acordo com registros de família, a casa dos Müller, em Curitiba era grande, com um grande jardim com muitas árvores, canteiros de flores, quadra de tênis, garagem, viveiro de pássaros, galinheiro, etc. Dona Alda se lembra do jardim, onde floriam rosas e dálias.
As meninas, de acordo com relato de Dona Alda, viviam no paraíso, na casa de seus avós Müller.  A propriedade da família estava localizada onde hoje está o Shopping Müller - Curitiba. Dona Alda disse-nos, em nosso último encontro, que a casa dos avós ainda existe. Dona Alda continuou contando que ela e sua irmã - Marthali recebiam, com muita frequência, vestidos e sapatos novos.
Só não apreciavam muito, pois eram sempre idênticos. Seus vestidos e de sua irmã eram confeccionados por sua mãe - Sra. Wanda e por sua Vó  Muschel.
Dona Alda, sua irmã Marthali e sua mãe - Sra. Wanda
Foto acervo da Sr.a Alda.
"Eu vivia confiante no meu ambiente e acreditava em tudo. infelizmente sou assim até hoje. Minha crença infantil daquela época não conhecia limites. assim pude ser encontrada, certo dia, sentada numa cadeirinha no quintal. Não arredava os olhos da porta da cozinha. Alguém havia dito que aquele dia era o da Ascensão de Maria. E eu não poderia perder o voo de nossa cozinheira Maria em direção ao céu." Conta a Sra. Alda.
Em 1925, a Sra. Wanda casa-se pela segunda vez com o Sr. Bayer. Dona Alda tinha 5 anos de idade. Sr. Bayer era funcionário do Banco alemão Transatlântico, que tinha uma agência em Curitiba, mais tarde foi incorporado a Caixa Econômica Federal - durante a II Guerra Mundial, onde se aposentou.
Sra. Alda em 1939 quando embarcou para a Alemanha
Foto acervo da Sra. Alda 
Com o auxílio do Consulado Alemão, muitos jovens  viajaram, em 1939, para a Alemanha. Dona Alda e sua irmã Marthali conseguiram se engajar neste intercâmbio. Sua mãe Wanda viajou algumas semanas mais tarde.
O navio da Sra. Wanda, foi o último que atracou no porto de Hamburgo, antes da II Guerra Mundial. As três passagens, já pagas pelo Sr. Beyer, de nada adiantaram, para que as três pudessem retornar para o Brasil - Dona Alda, sua irmã Marthali e sua mãe Sra. Wanda ficaram impedidas de retornar ao Brasil, em função da guerra, que iniciou neste mesmo ano de 1939. Permaneceram, forçosamente, na Alemanha por nove anos.
Durante a II Guerra Mundial, trabalharam na Alemanha, muitas vezes pelo alimento. Dona Alda trabalhou como enfermeira com um cirurgião-dentista e na Cruz Vermelha - trabalho voluntário feminino, com idade entre 20 e 30 anos.

"As aventura de mamãe Wanda, Alda e Marthali durante a II Guerra Mundial encheriam um livro a parte e os leitores tanto poderiam rir, como chorar. Mas, este é um texto que eu não quero escrever. Há lembranças que até hoje me assolam e enquanto não as superei...Marthali"
Dona Alda escreveu na forma de versos, sobre sua mãe - Sra. Wanda - contando um pouco dos tempos na Alemanha, durante o período de guerra
Alguns versos:
Papai sozinho em casa ficou,
reclamando da solidão, pois
suas estrelas - lá se foram!

Dortmund foi o primeiro destino,
onde muito aconteceu.
Neve e gelo - e geada dói!

Alda corre, sempre afobada,
No consultório pra lá e cá...
Cheira forte a antissépticos!

Wanda para alimentar a família,
das quatro as sete da matina,
esperando em filas -  paciente!

Wanda perambula pelas florestas,
e logo acha o que procura.
Encontra cogumelos - colhe amoras!

Bela Dortmund, polvilhada de negro,
frequentemente importunada pelos ingleses.
As bombas retumbam - sempre durante a noite!

Era intenção deste textinho
retratar alegrias deste nosso globo.
Mas ao lado de momentos felizes,
muita tristeza pôde ser observada.

Wanda presenciou esta realidade,
viu bombas, viu a terra  estremecer.
Mas Ulrich recebe o máximo de cuidados
Enquanto a Alemanha está sendo ocupada.

Dresden então foi destruída,
mas só depois de longos dias,
Veio a notícia: - Estamos vivos!
Iremos nos juntar a vocês em breve!

Para o desespero e pavor das moças e mulheres
eis que surgem os russos no lugarejo.
Sob muito medo o tempo passa,
e após semanas a feliz notícia:
- o remanejamento dos estrangeiros.
Aprendemos  odiar os campos de refugiados
ruínas de fábricas, depósitos abandonados.
Nos sentíamos como dentro de ratoeiras,
sempre mordidos por percevejos, 
que coabitavam como fazendo parte
daquela massa de gente estranha.

Vagões de gado nos levaram por final,
ao que parecia uma Babel, até Bamberg,
onde americanos nos recepcionaram,
ao ocuparmos um caminhão carvoeiro,
e até carrinho de nenê foi carregado!
Desta maneira alcançamos
o quartel general da UNRRA.
Deste campo de refugiados
muitos sul-americanos encontramos.
"De volta ao lar" era nosso lema 
e para i inferno o CIC.
A Sra. Wanda foia última, das três a retornar ao Brasil - em 1948

Em 1947, Dona Alda retornou ao Brasil com os dois filhos -Ulli e Aldo - Rudi nasceu em Curitiba em, 1950. Seu marido - Günter, chegou ao Brasil no ano de 1949, e tinha como profissão, desenhista gráfico e pintor. Ficou conhecido no cenário cultural e das artes plásticas - em Curitiba.
Dona Alda se casou com o Sr. Günter Hermann Schierz na Alemanha com o qual teve três filhos: Ulrich, Aldo Mathias e Rudolfo Frederico Germano.
Em 1950 Dona Alda se separou do Sr. Günter Hermann Schierz. Em 1956, viúva do Sr. Schierz, Dona Alda casou-se com o médico - Sr. Érico R. Niemeyer e teve mais três filhos: Ronald Alexander (Ronny), Maria Beatriz e Sylvia. O casal Niemeyer mudou para Blumenau no final da década de 60 do século passado. Dona Alda completou 55 anos de matrimônio com o Dr. Niemeyer, quando ele veio a falecer em 4 de outubro de 2003, com 77 anos.
Em Blumenau, a Sra. Alda desenvolveu trabalhos, junto à comunidade, na área social e cultural. Seu marido atuou como médico e ela o acompanhava nas atividades.
Inicialmente como enfermeira, posteriormente, em obras assistenciais. A Sra. Alda foi professora de yoga

Nos anos 70 do século passado, ingressou no radioamadorismo. Pertence ao Clube de Radioamadores de Blumenau, desde 1976, como membro ativo, exercendo vários cargos. Sra. Alda participou da primeira expedição feminina, realizada no Brasil - Ilha Comprida-SP, em 1998.
Como radioamadora, se destacou na divulgação da vida e obra do Padre-cientista Roberto Landell de Moura, a nível nacional e na Europa.
Traduziu, para o idioma alemão, o livro - O outro lado das telecomunicações - A saga do Padre Landell de B. Hamilton Almeida. O livro foi lançado em Dortmund, na Alemanha, em maio de 1995. Pelos trabalhos feitos em torno da obra sobre a vida do Padre Moura, recebeu a comenda da Ordem de Radioamadores Padre Roberto Landell de Moura.

Dona Alda foi igualmente incansável durante as grandes enchentes de 1983 e 1984, época em que sequer se imaginava a existência de câmeras digitais, celulares e computadores. Mal e mal funcionavam os telefones fixos. Ela considera seu trabalho mais relevante, no período em que, atuou como radioamadora e auxiliou nas enchentes da década de 80.  
eu trabalho foi publicado, em 1995, na obra, a qual é coautora: S.O.S. Enchente - Um Vale Pede Socorro (Edição esgotada). O livro é um relato documental e fotográfico das atividades radioamadorísticas durante as enchentes de 1983 e 1984.
A Sra. Alda participou, igualmente, do grupo de teatro amador do C.C. 25 de Julho de Blumenau. Auxiliou na montagem de inúmeras peças de teatro, no idioma alemão. A Sra. Alda aprecia, defende as artes e a cultura de seus antepassados. Neste ano de 2014, completou 40 anos - participando diretamente da organização e participação do Programa dos encerramentos das atividades dos grupos culturais do C.C. 25 de Julho de Blumenau.
Foto batida por Dona Alda durante a reunião Nacional do Partido Nacional-Socialista em Nuremberg, setembro de 1936 - antes de iniciar a II Guerra Mundial. 
Tendo viajado para a Alemanha, naquele verão para ver as Olimpíadas, ela permaneceu no país por mais alguns meses, e esteve presente em Nürnberg. 
Na ocasião, ela conseguiu espremeu-se entre as pessoas que se aglomeravam pelo caminho, percorrido pelos automóveis oficiais, conseguindo tirar esta foto com sua câmera Agfa Box 44. A foto mostra Hitler em seu Mercedes, acompanhado de Hermann Goering (Luftwaffe) e Erich Raeder (Kriegsmarine), saudando a multidão.
Em 1976, segundo ela “tarde, mas não tarde demais”, ingressou no radioamadorismo, hobby que a transformou em referência nacional e internacional no mundo das comunicações.
A enchente de 1983 veio comprovar seu empenho na Defesa Civil: tendo a própria casa inundada, vovó Alda (como é conhecida no rádio) instalou suas antenas sobre o prédio da então EMBRATEL. De lá conseguiu mobilizar ações de apoio vitais para a cidade de Blumenau: trazer vacinas através da Força Aérea, conquistar a doação de milhares de litros de água potável, conseguir remédios, roupas e alimentos, inclusive muitas toneladas em donativos de radioamadores amigos da Alemanha. Ajudou a estabelecer a comunicação entre órgãos oficiais, mas também possibilitou ajuda a particulares.
Para saber mais acesse clicando em:
Direto a todas as informações sobre a Senhora Alda Niemeyer clique no link abaixo com belo texto produzido por Angelina Wittmann, fotos, vídeos de impressionar. Um conteúdo perfeito, uma biografia invejável da Senhora Alda:
Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

- O destemido Vapor "PROGRESSO".

Mais uma bela crônica do renomado jornalista e escritor Carlos Braga Mueller que nos relata sobre o Vapor “Progresso” em Blumenau. 
Por Carlos Braga Mueller (foto)

 O DESTEMIDO VAPOR "PROGRESSO" 


Ao completar 25 anos, em 9/12/1904, o Vapor Progresso "desfilou" pelo Rio Itajaí Açu com banda de música a bordo. 
1864. Blumenau tem apenas 14 anos de existência e precisa desenvolver sua atividade econômica.
 A produção dos colonos, embora pouca tinha que ser transportada para o litoral.
O Governo da Província de Santa Catharina prometera abrir duas estradas: uma de Blumenau ao Porto de Itajahy; outra de Blumenau aos contrafortes da Serra Geral, subindo em direção ao planalto.
Enquanto as estradas ficavam só na promessa, Dr. Blumenau adquiriu de Frederico Bruestlein, de Joinville, um vaporzinho que passou a navegar no Rio Itajaí Açú rebocando chatas, levando ao Porto de Itajahy a produção da Colônia. 
Em 1874 foi fundada em Desterro, capital da Província, a Companhia Catarinense de Navegação que adquiriu o vapor São Lourenço para fazer uma linha regular de cargas e passageiros entre a capital e Gaspar. O vapor não conseguia chegar a Blumenau devido a corredeiras e pouca profundidade do rio na localidade de Belchior. Com ele vinham as encomendas, mala postal, passageiros. De Gaspar a Blumenau utilizavam canoas ou carroças.
O comandante do São Lourenço era João Várzea, pai daquele que foi um grande poeta catarinense: Virgílio Várzea.
O grito de independência foi dado  no dia 20 de maio de 1878, quando foi fundada em Blumenau a Companhia de Navegação Fluvial a Vapor Itajahy-Blumenau.
Encomendaram um vapor destinado ao transporte de passageiros e pequenas cargas. Construído na cidade alemã de Dresden, o vapor foi batizado de "Progresso" e atravessou o Atlântico, a reboque, no ano de 1879, como conta a historiadora Edith Kormann na sua obra "Blumenau, arte, cultura e as histórias de sua gente".
De Itajahy a Blumenau o vapor já veio com propulsão própria, as pás laterais girando e impulsionando a embarcação. Ao apitar na curva do rio, no Capim Volta, foi saudado pelos blumenauenses com fogos de artifício.

O Progresso era um vapor de tonelagem pequena, provido de rodas laterais e máquina de 30 cavalos. Media 22,80 metros de comprimento, 3,34 m de largura e 1,80 de altura, com calado de setenta centímetros. Seu primeiro comandante foi Carl Hansen.
Esta valente embarcação completou 25 anos de viagens entre Blumenau e Itajahy no dia 9 de dezembro de 1904, data que foi festejada com o vapor chegando ao porto todo enfeitado com palmitos, flores e bandeiras, e com a banda musical Werner tocando marchas militares.
Quando o Progresso se tornou insuficiente para o escoamento da nossa produção, a Cia. de Navegação encomendou um novo vapor. Ele chegou da Europa desmontado e foi remontado em Itajaí. Batizado de Blumenau, sua viagem inaugural aconteceu no dia 30 de maio de 1895 e a bordo vinha o Governador Hercílio Luz.
O Progresso estava cansado...e quando suas máquinas sofreram uma pane geral, os proprietários fizeram as contas e resolveram aposentá-lo em janeiro de 1912, depois de 32 anos de serviços. As máquinas foram desmontadas e o casco foi transformado em lancha de carga para ser rebocada, tendo sido atrelado ao rebocador "Catarina".
Na despedida, muitas lágrimas rolaram nos rostos dos blumenauenses.
Era o fim de uma missão que foi de grande importância para o progresso de Blumenau em suas primeiras décadas de existência.

HEROISMO DURANTE A GRANDE ENCHENTE DE 1880
Na madrugada de 22 para 23 de setembro de 1880 Blumenau recebeu um verdadeiro dilúvio. A água desabou com tanta intensidade que em apenas poucas horas o Rio Itajaí-Açu atingiu uma altura de 14,6 metros acima do nível normal. Muita gente conseguiu salvar apenas a vida. 
O jornal "Kolonie Zeitung", editado em Joinville, na sua edição de 9 de outubro de 1880, contou como foi a tragédia dos blumenauenses, destacando inclusive a participação heroica do vapor Progresso, resgatando e salvando vidas:

"De madrugada, por volta de uma e meia, começou repentinamente o perigo na cidade de Blumenau, quando no início da noite só se esperava uma cheia, enchente moderada, como já acontecera diversas vezes em outras ocasiões, sem risco de alcançar casas. Mas a partir daquela hora as águas não só subiam, mas rolavam em fantásticas avalanches. Os gritos de pedidos de socorro de pessoas em perigo e dos animais sendo arrastados vivos pelo turbilhão das águas, ecoavam pela noite. E a escuridão tornava a tragédia ainda mais horrível. Com ansiedade era esperado o amanhecer por todos quantos conseguiam manter-se a salvo.
O novo dia traria um enorme trabalho de resgate, exigindo de todos tudo quanto a força humana pudesse alcançar. Queremos aqui fazer uma referência especial, manifestando o reconhecimento de todos quantos foram auxiliados, ao capitão e à tripulação do pequeno Vapor  "Progresso" que, incansáveis e destemidos, socorreram aos que solicitavam socorro, tanto na cidade como no distante Garcia, onde iam buscar pessoas ilhadas, socorrendo-as e levando-as sãs e salvas até a igreja protestante. A eles, principalmente, se deve o fato de não se haverem perdido vidas humanas no centro da cidade ou nas proximidades. Em direção das duas igrejas, que foram erigidas em morros, dirigia-se, de toda parte, o cortejo dos que eram salvos e dos que conseguiam escapar da tragédia.
O Vapor Progresso transportava para estes locais as pessoas resgatadas e com o clarear do dia todas as canoas, embarcações diversas e inimagináveis, como cochos, tinas, etc., improvisados em embarcações, convergiam para aqueles locais de abrigo, onde encontravam proteção e asilo.
(publicado pelo jornal "Kolonie Zeitung" de 9/10/1880, transcrito por José Deeke em seu livro "O Município de Blumenau e a História de seu Desenvolvimento"). 
134 (2014) anos depois, fazendo este registro, consignamos aqui a eterna gratidão àquelas pessoas que agiram com tanto destemor e heroísmo, e se pudéssemos, lhes entregaríamos com muito respeito um diploma de"Honra ao Mérito", o que fazemos de forma simbólica através desta crônica (Carlos Braga Mueller).
Texto Carlos Braga Mueller/jornalista e escritor.
Arquivo Carlos Braga Mueller e Adalberto Day

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