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terça-feira, 26 de novembro de 2013

- O pé de limão da vizinha

Em histórias de nosso cotidiano apresentamos hoje a história de Nilton Sérgio Zuqui. (nascido em Blumenau  14/08/1964 na Maternidade Elsbeth Koehler),
de sua infância humilde, simples como todos os moradores das casas populares da Empresa Industrial Garcia, porém com muita dignidade.
Foto comemorativa aos 25 anos de matrimonio maio  de 2011. Nilton e Roseli Zuqui
Um cidadão do bem
Um menino que vendia picolés e também cestinhas de páscoa pelas ruas dos Bairros Progresso, Glória e Garcia para ajudar no orçamento familiar.
Seu maior desejo desde seus 9, 10 anos, ser um dia um grande vendedor.
Também jogou futebol no Amazonas, no 12, Associação Artex. Era “Goleiro”, banhava-se no “Tapume” uma rua transversal da Emilio Tallmann, e foi coroinha.
Torcedor apaixonada pelo Corinthians e Vasco da Gama
Tudo começou em certo dia quando acompanhava seu pai Argeu Zuqui que trabalhava na Empresa Industrial Garcia e jogador do Amazonas. Por volta de 1970, em um final de semana foram ao Açougue conhecido como “Capitãode Walter Haupt - na Rua da Glória, bem em frente à entrada da Rua Belo Horizonte na época conhecida como Rua do Pfiffer (Fifa).
Seu Pai solicitou carne temperada para final de semana (o que era raro), mas era isso que desejavam comprar, Churrasco temperado com limão e o Sr. Walter o “Capitão” do açougue não possuía. 
Então logo o menino Nilton percebeu uma oportunidade de vendas, pois era sabedor que a vizinha possuía três pés de limão em seu enorme “galinheiro” em sua propriedade.
Já com a mente imbuída de bons pensamentos, o menino via deslumbrar a sua frente a grande oportunidade que lhe faltava.
Na quarta-feira próxima, colheu duas sacolas (aquelas de náilon) com limão e foi com todo entusiasmo oferecer ao dono do Açougue “Capitão” que de imediato já o desmotivou, dizendo que "não precisava de limão".
O menino Nilton persistente insistiu “Precisa sim” pois ouvi quando meu pai  (foto de seus pais) solicitou churrasco temperado e o Sr. não possuía e que não tinha tempo para procurar limão.
Ilse Maria Zuqui e Argeu Zuqui seus pais e meus amigos.
Foi neste instante que o menino compreendeu como funcionavam vendas, atender as necessidades dos clientes, “sim clientes”.
Dali em diante o Sr. “Capitão” também deslumbrou uma nova etapa em sua venda com carne temperada.
Então todas as quartas-feiras levava duas sacolas com limão para vender, ao dono do Açougue.
Também no início dos anos 1980 vendia livros de porta em porta, (em toda a região do vale e litoral) em especial BÍBLIAS E DICIONÁRIOS, era uma época em que se preenchia um carnê com as parcelas normalmente 10 ou 12, e o cliente ia ao banco efetuar o pagamento.
Roseli,Nilton
Irene Martins, Mariane e Felipe.
Amizade muito sólida há mais de 25 anos 
Clésio Comandolli, Zuleica Hort Comandolli, Norton , Lara Dominiqui Comandoli.
Depois o jovem ingressou na Cooperativa da Artex, e em seguida na  própria Artex, só para não contrariar os costumes da família e do bairro. 
Porém vendas sempre foi sua grande paixão.
Hoje o então já experiente menino de outrora, realizou um sonho de estar fazendo gestão de vendas (gerenciando uma equipe de 22 representantes no país), e tendo a oportunidade de conhecer um pouco de nosso imenso Brasil varonil.
Sua experiência que começou com a venda de picolés, até chegar ao limão, passou também como vendedor de docinhos caseiros e principalmente dos gostosos doces de Natal. 
Trabalhos comunitários
Nilton também foi atuante na comunidade através da Associação de Moradores da “Metajuha”,  http://metajuha.blogspot.com.br/ onde pôde junto com diversos colegas, inclusive eu “Adalberto Day”, Nivaldo M. Vieira, Hilário Boos (In memorian), Armando Boos, Ademir M. Gonçalves, Vanderlei Mateus, Nicodemos Martins, Pedro Albino, Mário Colombi, Luiz Boos, Erica Boos, Dona Generosa da Costa Teixeira (In memorian) Terezinha  e outros.
Entre tantas conquistas, a abertura, pavimentação das Ruas Emilio Tallmann e Júlio Heiden, como também corredor de ônibus, nos idos anos de 1996.
Também atua como conselheiro matrimonial dando palestras aos jovens casais nas igrejas. 
Arquivo de Nilton Sérgio Zuqui/Adalberto Day 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

- Jorge Dória

Apresentamos mais um texto de Flavio Monteiro de Mattos
Carioca de nascimento e BLUMENAUENSE POR OPÇÃO". Nos relatando sobre Jorge Dória.

O Último Ato de Um Grande Ator
Com a morte de Jorge Dória (12/12/1920 - 06/11/2013), o plantel de comediantes e humoristas brasileiros torna-se cada vez mais árido e suscetível que se descubram “talentos” tão risíveis que, comparados ao quilate da turma a qual o Jorge fez parte, não encontrariam oportunidades sequer para uma réles figuração.
Foto 1959: Anthero Frota de Mattos e Nagel Mello
Meu pai foi amigo do Jorge desde a época em que usava Pires Ferreira, seu sobrenome de batismo. Conheceram-se no Colégio Militar do Rio e por conta respectivos dotes artísticos, precoces e incomuns, se tornaram amigos de várias estrepolias e a mais “espetacular” protagonizada pela dupla foi a fuga do serviço, em pleno carnaval, dentro do caminhão que fornecia carnes e outros víveres. Segundo meu pai, esgueiraram-se para dentro do veículo, que rodou por algumas horas e quando finamente parou, e as portas da “liberdade” se abriram... Estavam no pátio do quartel do Exército, em Deodoro, que culminou com o convite para que se retirassem da instituição.
Quis a vida que os dois novamente e já adultos se reencontrassem e novamente sob os auspícios de um órgão federal chamado, na época, de Caixa de Amortização, que veio a ser o precursor do Banco Central. Além do Jorge (ainda Pires Ferreira), a Caixa era o porto seguro onde ancoravam projetos de futuros astros como meu próprio pai (primeiro seresteiro do Oswaldo Sargentelli do programa “Viva Meu Samba”, na rádio Mundial AM), Miltinho, (cantor, que ainda está vivo), Pato Preto (comediante, trabalhou na antiga TV Tupi, no programa Clube do Guri - http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_do_Guri).
Foto divulgação.
Nessa época, o Jorge Dória já caminhava rumos aos palcos, tendo feito alguns papéis em peças teatrais. Relatava meu pai que quando o Jorge colocava o paletó no encosto da cadeira e dizia que ia comprar cigarro, era a senha que estava ensaiando e não tinha hora para voltar.
Lá por volta de 1961 ou 62, não tenho certeza, o Jorge já Dória apareceu lá em casa, por volta da hora do jantar, animadíssimo porque fora confirmado no filme O Assalto ao Trem Pagador
Foto divulgação.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Assalto_ao_Trem_Pagador), no qual faria o delegado encarregado de prender o bandido Tião Medonho. Além de querer partilhar a boa notícia, queria a ajuda do meu pai para compor a caracterização do personagem que fugisse ao estereótipo do delegado de polícia da época que, segundo ele, era obrigatoriamente magro, de cabelos pretos e bigodinhos finos. Meu pai, frequentador e fã de Blumenau, sugeriu-lhe que incorporasse um delegado da cidade, que conheceu através do cronista Nagel Mello e o Jorge Dória gostou tanto da sugestão que levou para as telas um delegado alto, louro e sem os bigodes que tanto execrava.
Ainda sobre o filme, durante a gravação foram inúmeras as vezes que o Jorge Dória surgiu lá em casa e nestas ocasiões trazia debaixo do braço os diálogos, distribuindo-os para meu pai, minha mãe e às vezes para mim, para que os ajudasse a decorar suas falas.
O sucesso do filme foi estrondoso e o Jorge Dória chegou a programar uma ida à Blumenau conosco, mas nunca aconteceu, já que se tornou merecidamente famoso.
Foto divulgação: Jorge Dória
Em 1974, estrelou a primeira versão tupiniquim da Gaiola das Loucas, talvez o seu maior sucesso no teatro. Perto do fim da temporada fui assisti-lo e meu pai sugeriu que o procurasse. Cheguei ao teatro mais cedo e pedi que o chamassem, mas temia que não se lembrasse de mim, como de fato aconteceu. Somente quando foi informado que o filho do Anthero o procurava é que apareceu e do hall do teatro, vestindo camiseta regata, cuecas samba canção, meias e sapatos sociais, perguntou, com seu jeito gaiato: - Por que não disse que é o Antherinho?
Engrenando na TV tornou-se o primeiro Lineu da Grande Família. Passamos a vê-lo nos programas de televisão, mas volta e meia meu pai comentava que tinham se encontrado.
Ainda nos encontramos por algumas vezes. Uma delas foi na fila do caixa de um supermercado, em Ipanema, e ao lhe apresentar minha filha Patrícia, achou-a muito parecida com minha mãe. A última foi no aeroporto Santos Dumont. Eu embarcava para São Paulo o dono da empresa para qual trabalhava e o Jorge Dória aguardava alguém vindo da mesma cidade. Quando me aproximei dele, foi logo dizendo que eu estava a cara do Antherinho (!) e meu deu dois beijos.
Tenho certeza que a partir de hoje, as noites celestiais serão muito mais animadas e divertidas.
Obrigado, Jorge Dória. Vamos sentir sua falta!
 Arquivo divulgação.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

- Histórias que o Rádio conta

HISTÓRIAS QUE O RÁDIO CONTA
Mais uma participação do renomado escritor e jornalista Carlos Braga Mueller que hoje nos relata sobre os “Shows” dos cantores de Rádio. 
Por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista.

OS “SHOWS” DOS CANTORES DO RÁDIO 
Nos anos 50 e 60 do século passado era comum  que os cantores que faziam sucesso nas grandes emissoras nacionais fizessem excursões, apresentando-se aos fãs espalhados pelo imenso Brasil.

Era o tempo em que existiam no Rio, SP e em outras cidades os fã-clubes de Emilinha Borba e de Marlene, arqui-inimigos, que se enfrentavam, e se engalfinhavam, na frente dos prédios das emissoras de rádio, cada qual querendo que seu ídolo fosse o melhor! Outros artistas também possuíam seus fã-clubes: Roberto Carlos (que até hoje tem o recorde de possuir ativo o fã-clube “Um Milhão de Amigos); Cauby Peixoto, Ângela Maria, nomes que não estão mais nas manchetes. 
As manifestações eram um desespero de corações emocionados, de adolescentes desmaiando, entre tapas e beijos do público aglomerado nas calçadas, quando um artista famoso desembarcava do carro e se dirigia ao auditório da rádio, geralmente a Nacional do Rio, campeã absoluta dos programas de auditório, como os comandados por César de Alencar e Paulo Gracindo.

Era um tempo em que os cantores do rádio também eram vistos nos filmes carnavalescos feitos a cada ano, as famosas chanchadas, principalmente da Atlântida do Rio de Janeiro, que criaram verdadeiros mitos, como Eliana, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Adelaide Chiozzo, Oscarito, Grande Otelo, Ankito...
Eliana - Foto divulgação
Adelaide - Foto divulgação
Quando Eliana e Adelaide Chiozzo vieram a Blumenau nos anos 50, uma multidão de fãs aglomerou-se em frente ao Hotel Rex, para  ver de perto seus ídolos da tela e pedir-lhes um autógrafo.  
Foto divulgação
PERI RIBEIRO EM BLUMENAU
Naqueles anos de ouro do rádio eu era locutor da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau, pioneira em Santa Catarina.
Quando um artista chegava a Blumenau, geralmente se apresentava no palco do Cine Busch, com transmissão pela PRC-4.
A proximidade do estúdio da rádio (Rua 15 de Novembro esquina com Nereu Ramos) com o Cine Busch (na Alameda Rio Branco), não era mais do que 100 metros em linha reta e existia uma “extensão” permanente (fio) entre os dois pontos para garantir as transmissões dos artistas “ao vivo”.
Rádio Clube PRC4 no antigo Lojas A Capital
Foi assim que no início dos anos 60, Peri Ribeiro, começando sua carreira, veio a Blumenau para apresentar-se em um espetáculo à noite.
Durante o dia, Peri visitou o estúdio da rádio, onde deu entrevista. Depois descemos (a rádio ficava no segundo andar) e fomos tomar cafezinho no Pingüim, que ficava na Rua 15, esquina com a Travessa 4 de Fevereiro, hoje Rua Ângelo Dias.

Estas lembranças me vieram a propósito de um filme de apenas 3 minutos, acessado no Youtube, onde se confirma que Peri Ribeiro foi o primeiro cantor a gravar “Garota de Ipanema”, considerada hoje uma das músicas mais gravadas ao redor do planeta. 
Peri chamava-se Peri Oliveira Martins, mas nos anos 50 adotou o nome artístico de Peri Ribeiro, por sugestão do radialista César de Alencar.
Nascido em 27 de outubro de 1937, era filho de famosos: seu pai, o cantor e compositor Herivelto Martins, e sua mãe, Dalva de Oliveira fazem parte da história da música popular brasileira. Os dois, juntamente com o “colored” Nilo Chagas, constituíram o conjunto vocal “Trio de Ouro”, que depois teve vários outros componentes.
Peri morreu no dia 24 de fevereiro de 2012, aos 74 anos, de infarto do miocárdio. 
Escreveu um livro contando a vida atribulada dos pais: “Minhas Duas Estrelas”. 
CURIOSIDADE: A GAROTA DE IPANEMA NA VIDA DE PERI RIBEIRO 
Por que Peri foi o primeiro a gravar a famosa canção “Garota de Ipanema”?
Pode ser lenda, mas lá pelo início dos anos sessenta, Peri  freqüentava a mesa de bar em Ipanema onde se reuniam os “papas” da bossa nova, entre eles Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Vinicius e Tom não se decidiam sobre a letra definitiva da canção.
A primeira versão fora batizada de “Menina que Passa”, era batucada no tampo da mesa, na caixa de fósforos, cantarolada pelos autores, e tinha a seguinte letra: 
“Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar
Quando na tarde vazia
Tão linda no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheia de balanço
Caminho do mar.”
A letra, porém, não agradava a Tom Jobim e nem mesmo a Vinicius, que a refez, mudando o nome para “Garota de Ipanema”. A inspiração foi uma jovem, Helô Pinheiro, que de vez em quando passava pela frente do bar, em direção a praia.
Os versos da nova versão, mais inspirada, começavam com a estrofe que imortalizou a canção no Brasil e pelo mundo afora:

“Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar.”

De tanta discussão em torno da música, e prevendo que em alguma nova rodada de uísque, naquela mesa de bar, a letra pudesse mudar de novo, Peri Ribeiro, calado e sem avisar os autores, a gravou mais que depressa na sua privilegiada voz, não deixando de dar os créditos, no disco, a Tom e Vinicius.
Começava assim, pelo ímpeto do então jovem cantor, a gloriosa carreira da “Garota de Ipanema”.
Texto Carlos Braga Mueller/Arquivo de Adalberto Day  

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