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quarta-feira, 26 de junho de 2013

- Augusto Sievert

Casal Ema e Augusto
Um veterano Depõe: Augusto Sievert

Um depoimento emocionante de alguém que em abril de 1960, ainda pode contribuir com nossa história, pois conheceu personagens importantes de nossas origens, como o fundador da colônia Blumenau, Dr. Blumenau, Dr. Fritz Müller e Hermann Wendeburg. Augusto Sievert, então na época com 94 anos nos deixou um fantástico relato, que repassamos em parte aos nossos leitores.

[...] E, graças ao auxilio que nos prestou Sr. Willy Sievert, sempre pronto a atender a tudo quanto se relacione com a historia do nosso município, ao seu progresso material e cultural, conseguimos obter de seu pai, informações preciosíssimas. Um depoimento valioso que, pela autenticidade, facilmente comprovável, das afirmações, pode, sem receio, ser aproveitado pelos estudiosos do nosso passado.
Respondendo às perguntas que lhe formulando, prestando-se, paciente e prazerosamente, ao sacrifício, que a nossa sempre crescente curiosidade o submeteu, por várias horas, o sr. Augusto Sievert assim contou-nos a sua vida:
“Nasci a 23 de março de 1866 em Kolberg, na Pomerânia , Alemanha, filho de um capataz de pastores de ovelhas numa fazenda da região.
Com meus pais, e quando já contava 9 anos de idade, cheguei em junho de  de 1875 a Blumenau. Embarcáramos num navio inglês, via Autuerpia, demorando, a travessia do Atlântico, cinco longas semanas em virtude, de fortes temporais e avarias nas máquinas. Éramos, ao todo, uns seiscentos passageiros, todos emigrantes.
[...] Era um belo dia de sol, quando nos aproximamos da sede da colônia Blumenau. Ao chegarmos ao começo da atual rua 15 de novembro, na esquina com a Alvim Schrader, e vendo algumas casas, perguntamos na de um casal idoso, sr. Hartmann, se a povoação ainda ficava muito longe. Ao nos responder, o sr. Hatmann, que já nos achávamos dentro dela, ficamos todos surpreendidos e decepcionados, pois esperávamos encontrar uma cidade, mais ou menos grande e importante, e vínhamos encontrar uma meia dúzia de casas, agrupadas á margem do Garcia. Quando, na Alemanha, se referiam a Blumenau, davam á entender que este já era um grande centro de população.
[...] A lembrança dessas palavras e do  alvoroço que me enchia o espirito em chegar , quando antes, á “grande cidade”, quase que me desanimaram à vista do pequeno povoado.
Mas a natureza deslumbrante, a beleza do rio e do lugar em que o dr. Blumenau assentara a sede da sua colônia, as matas e morros sempre verdes, como o Alpinberg e o da igreja protestante, me deslumbraram e, em breve, se desfez, na minha mente, a ideia  que eu vinha fazendo, para dar lugar a um grande entusiasmo pela realidade que me empolgou.
Somente à noite, chegou a lancha com as mulheres e crianças. Jantamos todos em casa do sr. Hartmann. Como eu, minha mãe partilhava desse entusiasmos e não podia conter palavras de alegria ante a perspectiva da enorme extensão de terra, que se poderia aproveitar para cultura, em comparação com o pequenino eito que lavravam na Alemanha, assim mesmo propriedade de senhores feudais. Meu pai é que não se mostrava muito eufórico ante a perspectiva de dar duro, preferindo, talvez servir de feitor, como o era na sua terra natal. Depois de uma permanência de quatro dias no barracão dos imigrantes, localizado, mais ou menos. Onde está hoje a sede do Clube “América”, partimos com destino aos lotes que nos foram destinados. Até o local do atual campo de aviação fomos de carroça. Mas, a estrada era tão ruim que, por vezes, foi preciso usar juntas de bois para arrancar o carro da lama.
[...] Acabei por ficar só em casa, com meus pais. Meus irmãos mais velhos, ou se casaram e foram residir noutras partes da colônia, ou foram trabalhar noutro ramo, com outros patrões. A minha principal distração, naquelas profundezas, era ir até à mata virgem, que se estendia ao fundo do nosso lote, para observar os bandos de centenas de monos, de pelo russo e de cavanhaque comprido, que faziam grande ruído, pulando de galho em galho. Certo dia, brincando com rapaz de um colono vizinho, os vizinhos eram, então muito distantes uns dos outros, vimos uns cinquenta metros além do local em que nos encontrávamos, um bugre baixote e corpulento, que andava pela roça que se estendia pela encosta do morro. Corremos a avistar nossos pais que, incrédulos a principio, resolveram, afinal, diante da nossa insistência, reunir-se com outros colonos, em número de umas 10 pessoas, armados de espingarda e dar uma busca pelo mato. Não encontraram mais do que muitas pegadas dos índios, tendo, entretanto, chegado ao local, em que os mesmos estiveram acampados, pois viram ainda restos do fogo, que haviam feito. Desde então, não me aproximei mais do mato virgem, embora nunca mais se tivesse falado em outros aparecimentos de Bugres por ali.
Augusto Sievert e sua esposa, Ema, nata Benhardt, em uma fotografia (bem no início da postagem ) de poucos anos atrás. Augusto Sievert, neste artigo, conta a sua vida cheia de lances interessantes, entremeando a narração com a citação de fatos de grande valor histórico. Dona Ema faleceu no ano passado (1959), depois de 87 anos de vida, grande parte da qual dedicada ao esposo e filhos, dando, sempre, exemplos de dona de casa modelar, pelo seu amor ao lar e sua dedicação a família.
[...] Minha mãe, infelizmente faleceu no ano seguinte (1876) ao da nossa chegada. Contava aproximadamente, 50 anos. Tinha ido, comigo à cidade fazer compras; voltou carregada de gêneros, inclusive de batatas para sementes. Eu levava parte da carga, mas, ao atravessar um mato mais espesso, enchi-me de medo, de sorte que minha mãe ainda tomou sobre si os volumes que eu trazia. É possível que o esforço tivesse sido demasiado, pois, ao chegar em casa, sentia grandes dores e não conseguia dormir. Depois de duas semanas de sofrimentos, transportaram-na para Blumenau, em cujo hospital faleceu um mês depois. A direção da colônia encarregou-se das despesas do enterro. Atravessei, então, uma época tristíssima. Fiquei só, com meu pai e, diante deste, disfarçava o meu grande pesar. Mas, mal ele se afastava, eu punha-me a chorar amargamente. Contava, então, 10 anos de idade. A vida sem mamãe, tornara-se insuportável, vazia e só senti algum alivio quando um dos meus irmãos mais velhos, casando-se, foi morar conosco.
[...] Por esse tempo, festejou-se o 25º aniversário (1877) da fundação de Blumenau e lembro-me que, já então, se discutia sobre a verdadeira data dessa fundação que uns queriam fosse a da chegada dos primeiros imigrantes, em 2 de setembro de 1850, e outros a de 28 de agosto de 1852, da distribuição dos primeiros onze lotes de terras. Não vi o Dr. Blumenau entre as pessoas que compareceram às festas.
[...] A minha vida, pois, voltou a ser trabalhar na roça, ordenhar e tratar as vacas e, ainda por cima, cuidar dos sobrinhos pequenos.
Quando chegou a época de ser confirmado, voltei para casa de meu tio Gaulke, em Blumenau, para frequentar a doutrina. Isso foi pela época da grande enchente de 1880. {...} Como se dizia, em alguma casa da vila. Meu irmão me informou que o sábio Fritz Müller precisava de um. Não perdi tempo em lá ir, embora muita gente me tivesse avisado de que, na casa de Fritz Müller, não aguentava empregado nem empregada, porque ali eram econômicos demais, no tocante a alimentação. Aliás, foi exatamente por esse motivo que os meus primeiros tempos , como empregado da família do sábio, não foram lá muito agradáveis, embora eu já estivesse acostumado ao trabalho árduo, penoso, grosseiro mesmo.
[...] Com o passar dos dias e apesar dos pesares, fui gostando do emprego. Especialmente porque o Dr. Fritz Müller tinha, em casa , os seus dois netos, Hans e Fritz, filhos de uma das suas filhas, que era separada do marido porque este dera-se a bebida. Fritz tinha dois anos e meio e Hans Lorenz quatro anos de idade. Afeiçoaram-se a mim de tal forma, que não faziam questão de que a mãe e os avós fossem passear, aos domingos, e os deixassem comigo em casa.
[...] Fritz Müller era homem muito comedido e eu nunca lhe ouvi levantar demais a voz para ninguém; não me lembro de o ter visto metido em discussões. Não ligava para os afazeres domésticos, vivendo, apenas, para os seus estudos, para as suas plantas. Destas, ele rodeara a casa, havendo-as de centenas de variedades. Andava, quase sempre, descalço e em mangas de camisa. Em virtude da minha condição de empregado do sábio, entrei várias vezes em contato com o dr. Blumenau, aquém ou levava livros e plantas da parte de Fritz, trazendo, a este, outros objetos em troca. Pelo menos naquele tempo, o Dr. Blumenau era bem mais magro do que se pode imaginar, observando-lhe a estátua, que foi levantada na praça do seu nome. Por aquele tempo, a senhora do Dr. Blumenau já havia regressado à Alemanha.
 O fundador da colônia era de temperamento áspero, severo e quase sempre estava de mau humor, gritando com todos. Os colonos, apesar de respeita-lo e de estima-lo mesmo, não queria muito contato com ele, procurando, sempre que possível, entender-se a respeito dos negócios com Hermann Wendeburg, que era o guarda livros e pessoa muito boa e delicada. Certo dia, vieram três colonos contando que tinham visto nas suas colônias alguns bugres e que ele mandassem o sr. Deeke, chefe da guarda de batedores de mato, para persegui-los . Eu estava presente nesta ocasião e lembro-me bem quando o Dr. Blumenau, com aspereza na voz, disse aos colonos: “Besser aufpassen, besser aufpassen, aber nicht schiessen” e sem mais conversa, virou-lhe as costas e foi para dentro. Interveio, então o sr. Wendeburg, e, animando os colonos, disse-lhes que poderiam ir para casa; ele conversaria com o sr. Deeke para dar uma batida nos arredores  do lugar do aparecimento dos bugres.Tive mais de um encontro com o dr. Blumenau e nunca vi sorridente; sempre de feições carregadas me perguntava: “Então, rapaz, que é que queres de novo?” Dado o recado, respondia-me no mesmo tom seco: “es ist schon gut”, sem mais conversa. No tempo em que eu frequentava a escola, como já contei, deu-se a inauguração da igreja  protestante, solenidade a que assisti. Eu estava bem perto do Dr. Blumenau, dos senhores Wendeburg e Krohberger e me lembro de ainda de partes do discurso pronunciado pelo Dr. Blumenau, antes de entregar as chaves do templo ao pastor Hess. Elogiou os esforços do sr. Wendeburg na administração das obras, a dedicação de Krohberger na fiscalização dos trabalhos de construção, fazendo especial referencia ás belas janelas de cimento. Fiquei apenas um ano e quatro meses a serviço de Fritz Müller. Quando pus os meus patrões ao corrente da resolução, que eu havia tomado, de deixar o emprego, fizeram tudo para reter-me, chegando até mesmo a ameaçar-me com a intervenção da polícia. Conheci bem os homens daquele tempo. Friedenreich era o médico, mas o povo dizia que ele só tinha estudado veterinária. Morava na casa em que, mais tarde, residiu Elesbão Pinto da Luz e depois o Sr. August Zittlow. Emílio Odebrecht e Teodoro Kleine eram os engenheiros da colônia. Odebrecht andava, quase sempre, longe de casa, a serviço no interior da colônia, e o povo já comentavam que ele só vinha em casa, de ano em ano, preparar um novo filho e só voltava quando o filho já estivesse nascido.
Também dei-me bem com o pastor Hess. Com 10 anos, já frequentava eu a pequena Igreja, instalada numa casa de madeira. Conheci as suas duas filhas. O filho já tinha ido para o Rio de Janeiro onde, segundo soube mais tarde, lá faleceu.  
Revista Blumenau em cadernos - Tomo III – N.] 4 Abril de 1960
Arquivo: Arquivo/Sávio Abi-Zaid/Adalberto Day
Para saber mais acesse:

terça-feira, 18 de junho de 2013

- Antigamente em Blumenau

Uma das melhores histórias do Face book ANTIGAMENTE EM BLUMENAU
“A História de Blumenau sendo contada através de fotos, documentos, relatos e tudo mais que faça parte da história e cultura da nossa querida Blumenau” assim se define o Grupo criado em 20 de maio de 2012 por Patrícia Schwanke. O grupo Antigamente em Blumenau com quase 7 mil participantes nos mostra com alegria o quanto é importante este resgate histórico de nossa cidade.
Muitas fotos foram perdidas durante esses anos todos pós-fundação da nossa querida Blumenau, por vários motivos: ou pela não valorização dos filhos com fotos de seus pais, avós, parentes e amigos ou principalmente destruídas pelas enchentes que sempre nos assolaram.
Adalberto Day em uma das exposições
Como cientista social e pesquisador da história, percebo em meu trabalho que o jovem de hoje ou de uns anos para cá, vem valorizando muito nossa história. Mérito aos pais, aos professores e o aprendizado de nossa gente em saber que ninguém constitui uma Nação, Estado, Cidade ou Comunidade, sem saber de seu passado, para entender o presente e projetar um futuro ainda melhor.
As mais belas fotos e que lá do fundo do Baú começa a aparecer, mostra o valor deste trabalho espetacular pela preservação de nossa memória.
Apresento a seguir apenas um exemplo e com comentários contundentes, autênticos, de quem vivenciou ou não, parte dessa história que precisa ser valorizada.
Parabéns a todos os participantes. Avante queridos blumenauenses.
Rua XV de novembro em dois momentos - mesmo local
aos fundos a antiga Igreja São Paulo Apóstolo.
Veja as publicações no face book e nos comentários de José Geraldo Reis Pfau sobre as postagens: O participante MRoeck Röck publicou, chamando a atenção, para duas fotos editadas lado a lado da "RUA XV DE NOVEMBRO "  onde rotula a postagem como “Coincidências”. Dezenas de participantes curtiram, pois fica evidente nas fotos a diferença de anos e nos comentários vemos algumas evoluções desta diferença. Praticamente as duas fotos são no mesmo lugar próximo a esquina da Rua XV com Rua Floriano Peixoto no sentido para o alto da XV. O primeiro participante no grupo Ubirajá Píndaro Tasso Jatahy chama a atenção no face book que se trata de “Anos diferentes!” O autor da publicação MRoeck Röck justifica que “A foto a esquerda foi postada hoje por Abelardo Luiz Dos Santos. E embora as fotos sejam de anos diferentes, existem coincidências: 1ª - Na Janela a esquerda nas duas fotos, no imóvel onde por muitos anos funcionou a Casa das Louças, tem um homem observando o desfile.  Este é o local de onde foi feita a foto (sacada). 2ª - Pela estatura do 2º músico na primeira fila, seria a mesma pessoa”. Comentamos (Pfau) que “...a diferença de tamanho da árvore a direita nas fotos denuncia uma certa diferença de anos.” Confirma Giovani Mrozkowski “Sim, as árvores.” Justifica MRoeck Röck “O que ocorreu ali José Geraldo Reis Pfau e Giovani Mrozkowski é o melhor de toda a história, que vamos relatar a seguir”.  Entra na conversa Lorena Karasinski e solicita “Manda a história MRoeck Röck. Curiosa. Em ambas as fotos já está a casa de 3 andares na qual morei mas ainda não se vê a Companhia de Seguros Livonius. Bota coincidência nisso. Mais que olhos de lince. Autentica foto dos 7 erros”. Responde MRoeck Röck “Na edificação encoberta pelas árvores na primeira foto, foi instalada em 1° de novembro de 1881 um negócio de livros e outros artigos de importação, por Eugen Currlin. Vemos que na segunda foto, já com as árvores cortadas, a edificação havia sofrido alteração de sua fachada, ou seja, foi ampliada em alguns metros em direção à Rua XV. Então o Casarão de Eugen Currlin ainda existe na Rua XV de Novembro ao lado o Edifício Schadrack”. Responde Lorena Karasinski – “MRoeck Röck Parece aula de mágicas. Então esta casa logo depois da árvore é aquela casa que tinha um hall mais avançado. Este foi tirado e depois toda a parede da parte da frente veio até a calçada. A partir de agora descobristes a mais antiga edificação de Blumenau ?” Bruno Kadletz postou no face book -  “MRoeck Röck. Parabéns e aplausos”. Mariane Hofmann “Hoje nesse prédio existe um bar e a Livraria Catarinense (?)... hoje!” MRoeck Röck confirma “O Café Pinguim e a Papelaria Catarinense Mariane Hofmann”. MRoeck Röck “Da rua XV talvez seja um dos mais antigos ainda existente Lorena Karasinski”. Wieland Lickfeld afirma “Já falei, MRoeck Röck é o cara, hehehe...” Lorena Karasinski “E a data ??? Posso ajudar um pouco vendo estas fotos. O Salão da minha mãe era na 3ª edificação da direita. Em 1937, 38, o 2º prédio que se vê ainda não havia sido construído. Não tenho, porém a data. Mas deve ser após 1937, 38. Até mais, pois um prédio de três andares não era construído tão rápido”. Conclui Freya Willerding “Então analisando os comentários, a foto da esquerda é um pouco mais antiga q a da direita...” Ivalci Laun “Aliás, se vocês entrarem nessa livraria, tem a loja (pequena) na altura da calçada e, indo para os fundos, nota-se uma diferença de altura do piso. Certamente é a diferença entre a fachada antiga e a feita posteriormente”. Ivalci Laun “Existe um outro prédio hiper antigo que ainda existe na XV, tenho a imagem dele. Vou Localizar isso com calma”. Mariane Hofmann – “Wieland Lickfeld, quando o MRoeck Röck está quietinho, ele é que nem um "Pesquisador analisando a foto, história, detalhes!" MRoeck Röck “Sim” Freya Willerding, “pode ser de até 3 anos a diferença de data. Quanto aos níveis existentes citados pela Ivalci Laun, são realmente bem diferentes”. Jane Sell “Demais essa constatação!!!” Wieland Lickfeld “Sim, Mariane Hofmann, o MRoeck Röck é, indubitavelmente, "Drurys, o bebe quieto", hehehe...” Lorena Karasinski “Endosso os comentários de vocês, Mariane Hofmann e Wieland Lickfeld”. Juliana Schadrack “Maravilha!!!!” Val K Marques “muito curioso isso...” e a publicação no Grupo ANTIGAMENTE EM BLUMENAU vai estar lá no face book postada como uma coincidência incrível que motivou a interferência de conhecedores e observadores da nossa história. Não é fantástico ?. José Geraldo Reis Pfau.
 Arquivo Antigamente em Blumenau/Adalberto Day
Colaboração José Geraldo Reis Pfau 

domingo, 16 de junho de 2013

- O dia em que o Estado de SC chorou

O dia em que o estado inteiro de Santa Catarina chorou
Texto: CAO ZONE
Naquele começo de noite do dia 16 de junho de 1958, pelas ondas da Rádio Nacional AM Rio de Janeiro, 1.130 kHz, as tradicionais trombetas ecoaram e entrou a voz de barítono do inconfundível Heron Domingues, até então, sem dúvidas alguma, o mais carismático locutor do jornalismo brasileiro.
- Alô alô Repórter Esso alô... 
- Aqui fala o seu Repórter Esso... Um serviço público da Esso brasileira de petróleo e seus Revendedores... Para todo o Brasil... Repórter Esso... A testemunha ocular da história.

- No final da tarde de hoje, a torre de comando do aeroporto AFONSO PENA , localizado na cidade paranaense de São José dos Pinhais , nas cercanias da capital Curitiba perdeu contato com o voo 412 da Cruzeiro do Sul, procedente de Florianópolis, com destino à São Paulo e escala nesse aeroporto.

- Numa listagem preliminar embarcara em Florianópolis, o senador e ex-presidente da República, Nereu Ramos; o governador do Estado de Santa Catarina, Jorge Lacerda; o deputado Federal, Leoberto Leal, mais 23 passageiros e cinco tripulantes.
- Alô alô Repórter Esso alô... 
- Aqui falou o seu Repórter Esso... Um serviço público da Esso brasileira de petróleo e seus Revendedores... Para todo o Brasil... Repórter Esso... A testemunha ocular da história.
No correr da semana ficou-se sabendo que aquele voo feito num Convair 400, prefixo PP-CEP ALCION, com apenas 4 meses de uso sofrera um fenômeno meteorológico, naquela época ainda desconhecido, mas que hoje se sabe, tratar-se da chamada “Tesoura de Vento” (Vind Shear), no final da curva de aproximação fez com que a aeronave fosse arremessada ao solo.
Nereu de Oliveira Ramos, 1888-1958, advogado e político catarinense do PSD, deputado Estadual, Federal, vice-presidente do Brasil, governador do Estado de Santa Catarina, interventor, senador, vice-presidente do Senado e presidente da República.
- Nereu Ramos em Blumenau
O presidente Getúlio Vargas, acompanhado do interventor Nereu Ramos (Catarinense nascido em Lages, que depois foi presidente do Brasil) e grande comitiva, visita Blumenau a 10 de março de 1940, sendo alvo de calorosa recepção organizada pelo prefeito José Ferreira da Silva. No Teatro Carlos Gomes.
Com o suicídio de Getúlio Vargas em 24/08/1954; Em 11 de novembro de 1955, quando o então presidente Carlos Luz  foi deposto por um movimento militar denominado Movimento de 11 de Novembro, liderado pelo general  Henrique Lott. Com o apoio do PSD, foi declarado o impeachment  de Carlos Luz no Congresso Nacional , sob acusação de conspiração para não entregar o poder ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek de Oliveira


Sendo o único catarinense a chegar nesse posto até então. Depois o conterrâneo, Márcio de Sousa Melo fez parte da junta militar que governou o país de 31 de agosto a 30 de outubro de 1969.
Nesse acidente aéreo morreram todos os cinco tripulantes e 18 dos passageiros, sobrevivendo apenas sete, mas, nenhum dos políticos.
E assim, feito o samba “Madureira Chorou”, 1958, Cavalinho & amp; Júlio Monteiro: Catarina chorou... Catarina chorou de dor... Quando a voz do destino... Obedecendo ao divino... A sua estrela chamou... Catarina chorou.
Arquivo: Adalberto Day
Texto CAO ZONE
Contribuição  Marcelo Nogara
Para saber mais sobre Nereu Ramos acesse:

terça-feira, 11 de junho de 2013

- Tragédia enlutou Blumenau

Mais uma participação exclusiva do renomado escritor e jornalista Carlos Braga Mueller.


HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA CONTA
Por Carlos Braga Mueller


TRAGÉDIA NA BAÍA DA GUANABARA  ENLUTOU BLUMENAU  
Três de dezembro de 1928. O Rio de Janeiro estava em festa para recepcionar Alberto Santos Dumont, que retornava ao Brasil, aclamado mundialmente como o "Pai da Aviação".
Dumont viajava no navio SS Cap Arcona, inaugurado no ano anterior e um dos mais modernos transatlânticos de luxo da Alemanha, pertencente à  companhia de navegação Hamburg Süd. 
Entre as diversas homenagens programadas estava o sobrevoo de dois hidroaviões sobre o navio, os quais decolaram da Baía da Guanabara para lançar flores e mensagens de boas vindas ao ilustre brasileiro.
Eram as aeronaves Guanabara e Santos Dumont, esta última batizada em homenagem ao "pai da aviação".
Jornais da época registram que "por conta de erro de um dos pilotos, as duas aeronaves entraram em rota de colisão, obrigando os pilotos a efetuarem manobras evasivas. O Guanabara escapou ileso da quase colisão, mas o Santos Dumont fez uma manobra que lhe custou a perda de sustentação, ocasionando a queda do aparelho na Baía da Guanabara diante dos olhos atônitos dos tripulantes e passageiros do SS Cap Arcona, incluindo Alberto Santos Dumont."  
A comissão selecionada para a recepção  estava composta de Tobias Moscoso, Amoroso Costa e Fernando Laboriau, professores da Escola Politécnica do Rio de janeiro, Deputado Amauri de Medeiros, Jornalista Paulo de Castro Maia, cartógrafo Eduardo Vallo, jornalista Abel de Araújo e sua esposa Cândida, Frederico de Oliveira Coutinho, também jornalista e Guilherme Auth, representando a empresa aérea Kondor Syndikat, proprietária do hidroavião.
A tripulação era composta pelo comandante A.W.Paschen, alemão, 26 anos; Rodolfo Enet, 2º piloto, brasileiro, gaúcho; Walter Haslof, mecânico de bordo, alemão, 25 anos, e Gustavo Butzke, mecânico de bordo, brasileiro, catarinense, 23 anos.
Ao receber a notícia, as autoridades de Blumenau e seus habitantes lamentaram profundamente o acidente, muito particularmente porque o mecânico BUTZKE era blumenauense !
Os serviços de salvamento foram ativados rapidamente.
O primeiro a ser resgatado foi Gustavo Butzke, ainda com vida mas em estado de coma. Uma lancha a motor o conduziu ao Hospital da Marinha onde foi internado, mas não resistiu aos ferimentos. Os médicos constataram fraturas na base do crânio e nas duas pernas, além da ingestão de muita água.
Quatro escafandristas foram destacados para resgatar as vítimas. Um deles morreu quando teve o tubo de oxigênio cortado pelas ferragens do avião.
O  número de mortos chegou a 15: no avião todos pereceram: 10 passageiros e 4 tripulantes, além do escafandrista.
Doze vítimas foram sepultadas no Rio; o segundo piloto Rodolfo Enet, e o mecânico Gustavo Butzke foram embalsamados e embarcados respectivamente para Porto Alegre e Blumenau, suas terras natais.
Seu corpo chegou a bordo do rebocador Santa Catarina, da Estrada de Ferro Santa Catarina, que o trouxe de Itajaí a Blumenau.
As fábricas tocavam seus apitos e sirenes em homenagem ao herói blumenauense, morto no cumprimento do dever.
Foto: Wily Sievert
GUSTAVO BUTZKE, O BUBI. 
Bubi Butzke era filho de pais humildes. 
Ao terminar os estudos escolares aprendeu mecânica de automóvel. Passou a exercer esta profissão até a época em que serviu o exército.
S.C.Wahle escreveu, em artigo publicado na revista "Blumenau em Cadernos",  que Bubi  "sentou praça na 9a. Companhia de Metralhadoras Pesadas, aquartelada na esquina da Rua Bom Retiro (hoje Floriano Peixoto) com a Rua 15 de Novembro. Este quartel, com a transferência da unidade militar , passou a servir de hotel e denominava-se Hotel Pauli.
Como soldado, Bubi Butzke teve oportunidade de desenvolver os seus conhecimentos de mecânico, passando a desmontar, consertar e montar metralhadoras e outros armamentos.
Dadas suas habilidades, simpatia e gênio aberto, o capitão Thomé passou a confiar-lhe o carro do comandante, bem como a sua motocicleta. Nesta, Bubi Butzke mostrava suas verdadeiras habilidades.
Ao dar baixa do serviço militar, procurou horizontes mais largos para suas habilidades, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar no Kondor Syndikat (depois Cruzeiro do Sul). Ali, após treinamento na oficina, foi transferido como mecânico de bordo. Realizara-se seu grande sonho !
Este, entretanto não durou muito."
O acidente com o hidroavião Santos Dumont ceifaria sua vida de maneira trágica quando tinha apenas 23 anos. 

A DEPRESSÃO DE SANTOS DUMONT 
Santos Dumont fez questão de acompanhar por vários dias as buscas pelos corpos. Depois, recolheu-se, primeiro ao seu quarto no Hotel Copacabana Palace, depois a sua casa em Petrópolis, onde entrou em profunda depressão.
Após algum tempo voltou a Paris, internando-se em um sanatório nos Pirineus, indo a seguir para Biarritz.
Santos Dumont continuou na Europa as suas pesquisas e invenções, únicas distrações que ainda conseguiam desviar-lhe  a preocupação com os desastres aéreos.
Em 1931, Antônio Prado Júnior, exilado em Paris,  foi visitar o amigo Santos Dumont em Biarritz e constatou seu total abatimento. Imediatamente telegrafou à família do inventor para que esta tomasse alguma providência.
Jorge Henrique Dumont Villares foi buscar o tio na Europa, trazendo-o definitivamente para o Brasil. Passou a ser seu inseparável companheiro, acompanhando-o nos últimos anos de vida.  
Referências bibliográficas:
Curiosidades de Uma Época VIII - Bubi Butzke - S.C. Wahle - Blumenau em Cadernos Tomo XXII, 1981.
Curiosidades de Uma Época LI - Tragédia Santos Dumont - S.C. Wahle - Blumenau em Cadernos Tomo XXXVIII, 1997.
Arquivo Carlos Braga Mueller/Adalberto Day  

terça-feira, 4 de junho de 2013

- Estrada de Ferro Santa Catarina

Dados relacionados com a construção da Estrada de Ferro Santa Catarina.
1898 – A lei nº 392, de 20 de setembro deste ano autoriza a concessão da construção de uma estrada de ferro ao engenheiro Frederico van Ockel. Vem a Blumenau o engenheiro alemão Solioz para estudar o assunto.
1899 – A lei nº 430 de 11 de outubro, prorroga até 31 de dezembro de 1900 o prazo para a assinatura do contrato de construção da estrada de ferro acima. Asseguradas as devidas garantias pelo Estado e pelo Município, o engenheiro van Ockel lança em solenidade de que participaram o representante do Governador do Estado, as autoridades municipais e grande número de populares, a primeira estaca da construção a 18 de dezembro. No discurso inaugural, o citado engenheiro esclareceu que: “Depois de ter sido assegurado todo o apoio possível, por parte do Estado e da Câmara Municipal, do Cônsul Geral da Alemanha von Zimmer e da Companhia Colonizadora Hanseática e depois de muitos esforços, conseguiu-se a fundação, em Berlim, de um Sindicato, a cuja frente estavam os bancos de Bleichroeder e Warschauer que puseram à disposição um capital de 9 milhões de francos para a construção do “tram-way” a vapor Blumenau-Aquidabam e da Estrada de Ferro Saguaçu-Joinville-Jaraguá. A confecção dos trabalhos técnicos foi confiada à firma Arthur Koppel, de Berlin. Como representante do Sindicato deverá chegar, nos próximos dias, o senhor Conselheiro von Hagen, que já embarcou em Hamburgo, a 30 de novembro, no vapor “Paranaguá”. A construção, entretanto, não passou dessa estaca inicial.
1904 – A ideia da construção entretanto não morrera. Novo consorcio alemão, organizado em Berlim, manda a Blumenau o engenheiro Harry H.von Skinner para estudar as possibilidades e a rentabilidade do empreendimento. Esse engenheiro, achando boas as perspectivas para a construção, consegue, do governo do Estado, então ocupado pelo Coronel Vidal Ramos, o decreto nº 226, de 26 de setembro, que: “concede ao engenheiro, ou à empresa que organizar, privilégio para a construção de uma estrada de ferro que, partindo da cidade de Blumenau, se dirija à povoação de Hammonia, daí à margem esquerda do rio Negro, em frente à Vila do mesmo nome e de um ramal que, partindo do ponto mais conveniente da estrada concedida, vá encontrar o caminho que de Curitibanos se dirige ao Rio Negro” tudo de conformidade com o contrato que fora lavrado no contencioso do tesouro do Estado”. A câmara municipal autoriza a emissão de um empréstimo de 100 contos de reis para comprar os terrenos que se destinariam às estações  de Blumenau, Indaial e Aquidaban e para outras desapropriações .O ENGENHEIRO VON Skinner, em nome do consórcio, se encarregaria de colocar as respectivas ações. A estrada seria movida a eletricidade. Pela resolução nº 29, de 24 de novembro, a Câmara obrigou-se a pagar a metade das despesas das desapropriações necessárias.
1905 - A concessão de uma estrada de ferro, que havia sido feita em nome do engenheiro von Skinner, foi transferida à Sociedade Colonizadora Hanseática, principal interessada na construção, pois, sem essa ferrovia, dificilmente a colonização do Rio do Norte prosperaria.
     1906 – A Sociedade Colonizadora Hasseática consegue a fundação, em Berlin, da “Eisenbahn Santa Catharina A.G.” (S.A. Estrada de Ferro Santa Catarina), com o concurso do Banco Alemão, de outras casas bancarias, de companhias de navegação e de particulares. Neste mesmo ano começaram os estudos preliminares para a implantação da ferrovia. Num retrospecto, incluído no Relatório do Superintendente Municipal, relativo a este ano, diz o sr. Alvin Schrader: “As esperanças de restabelecimento da situação financeira continuavam assentadas na construção da  estrada de ferro projetada. Mas ainda não iniciada, e que ligasse Blumenau, atravessando todo o Município, com a região serrana. Esse projeto tinha uma longa historia: Em 1904, chegará aqui um perito representando um grupo de interessados, o engenheiro von Skinner, para sondar o ambiente e proceder aos estudos. Foi bem sucedido e conseguiu do governo do Estado uma concessão em seu nome, que ele ofereceu á venda aos seus comitentes. Viu-se a Sociedade Colonizadora Hanseática obrigada a comprar a concessão, de posse da qual   mandou concluir os estudos. Novamente foram mandados dois técnicos, o assessor  dr. Ortwein e o arquiteto do governo , Paul, para examinarem os trabalhos de Skinner. De acordo  om o parecer dos mesmos, organizou-se a Companhia Estrada de Ferro Santa Catarina da qual, mais tarde, se veio a saber ser a mesma uma sociedade de estudos de pequeno capital. A Companhia pagou, em 26 de fevereiro de 1906, 15:000$000 de selos para o contrato no tesouro do Estado em Florianópolis. Então pensou-se que o empreendimento estava seguro e que se poderia contar, certamente, com o inicio dos trabalhos, tanto mais que a concessão Schueller fora declarada caduca pelo governo. Entretanto, surgiram novas dificuldades. A Companhia exigiu do governo federal garantia de juros, que lhe foi negada. Entretanto, completados os estudos, extingue-se o escritório respectivo. Depois, veio como procurador do Loide Bremen, o sr. Föhr para aqui inteirar-se da situação e verificar as possibilidades econômicas da região, especialmente da Colônia Hansa. Daqui ele seguiu para o Rio e lá pediu ao governo federal garantias de que a colonização seria subvencionada. Com isso, estariam também protegidos os interesses da Estrada de Ferro, pois a respectiva Companhia havia recebido concessão para a colonização das terras do Braço Oeste. O governo do Estado prontificou-se a prorrogar a concessão até 27 de janeiro de 1907 e o governo federal concretizou a sua promessa, depois que o Congresso votou uma verba de 6.000 contos para colonização, incluída no orçamento para 1907. A 19 de janeiro deste ano de 1906, aqui chegou a noticia de que a construção da estrada de ferro estava definitivamente resolvida. A noticia veio por intermédio da Consulado Alemão em Desterro . (N.da R. ainda se usava o antigo nome da capital catarinense).  A câmara, a 11 de outubro de 1904 autorizou um empréstimo para a compra de terrenos para duas estações e para desapropriações. Isso não foi concretizado, visto como a 14 de novembro de 1905, a Câmara se obrigou a pagar a metade das despesas com as desapropriações dentro do território do Município. Ambas as resoluções foram feitas para, também, provar aos capitalistas acionistas da Companhia que aqui também havia interesse pela construção da ferrovia, assim como que a Câmara estava disposta a auxiliar o empreendimento dentro das suas possibilidades”.
      1907 – De grande significado para o engrandecimento do município  foi o inicio em dezembro, dos trabalhos da construção da Estrada de Ferro. Em maio, aqui chegou o Dr. Goes, diretor da Sociedade, com sede em Berlin, o qual solicitou novo auxilio da Superintendência Municipal para a construção. “As condições outorgadas aos concessionários anteriores foram julgadas insuficientes. Ele exigia: 1º) um auxilio fixo de 100:000$000 para desaprovações; 2º) isenção de impostos municipais; 3º) construção e conservação, pela Câmara, das vias de acesso aos pontos de paradas dos trens; 4º) uma garantia de juros para um capital de dois mil contos. Sobre as três primeiras exigências não houve dúvidas na aprovação. Quanto á quarta, houve discussões e negociações que chegaram á conclusão de que a Câmara daria a garantia de 1% de juros anuais sobre um capital de 1400 contos durante 25 anos e enquanto os dividendos distribuídos não fossem maiores de 5%. Essa conclusão foi tomada pelo dr. Goes como insuficiente para atrair os capitais dos bancos participantes do acordo para a construção.  A Câmara  se viu na alternativa, ou de concordar com as exigências da Sociedade, ou protelar, mais uma vez, a construção da Estrada. Assim, pensando maduramente, resolveu a Câmara atender a concessionária nas suas exigências. Depois que o governo federal isentou a Sociedade dos direitos alfandegários sobre o material a importar, deu-se o começo, finalmente, aos trabalhos de construção. Estes estão nas mãos da firma Hermann Bachstein & Arthur Koppel. Os trabalhos prosseguem ativos e é de se esperar que no próximo ano, pelo menos um trecho da estrada esteja em funcionamento”.
      1908 – A vida econômica do Município criou novo  alento com os trabalhos de construção. As previsões feitas de que, pelo menos um trecho da Estrada de Ferro, estivesse em funcionamento, não se concretizaram. Entretanto, os trabalhos prosseguiam em ritmo acelerado, fazendo prever que, no próximo ano, todo o trecho, entre Blumenau e Hansa, poderia ser inaugurado, se motivos de força maior não interferissem. O Superintendente mandou construir os caminhos de acesso às estações de Blumenau e de Itoupava Seca. Foram pagos 4 contos de juros à Sociedade Construtora, relativos ao empréstimo de 100 contos. Os serviços de amortização dos juros do capital só entrariam  em vigor em 1910. Previa-se a possibilidade da Companhia desistir desses favores caso se concretizasse o auxilio do governo federal, de 15 contos de reis por quilometro construído, que haviam sido prometidos.
Foto enviada por Nilton Sérgio Zuqui/Arquivo Willy Sievert
Arquivo de comunidade Indaialense
Fernando Pasold
      1909 – Afinal, depois de tantos esforços e dificuldades, terminou-se a construção do trecho previsto. A 3 de maio foi inaugurado o trafego entre Blumenau e Warnow (31 quilômetros). Em 1º de julho foi inaugurado o trecho até Aquidaban (51 km) e em 1º de outubro foi entregue ao trafego o restante do trecho, até a estação de Hansa, (70 km). Nesse ano, o movimento de passageiros foi satisfatório, não assim o de cargas que deixou algo a desejar. 
Idealizadores e construtores da Estrada de Ferro de Santa Catarina, no início do século 20. Sentados da esquerda para direita: Dr. Castilho, o engenheiro Musika, o alemão Werner, inspetor e auxiliar técnico Roepcke.
De pé, os técnicos Ludwig Muzika, Pfau, Gelbert, os engenheiro Hanz Meyer e Schwingt, Mike, Goldner, Schroeder, Otto Rohkohl, Wehlert e Otto Baumeier. 
(Imagem: livro A Ferrovia no Vale do Itajaí, de Angelina Wittman

 “As locomotivas da Estada de Ferro Santa Catarina”
J.O. Berner 
“Tivessem os antigos romanos bebido chá, muito antes a locomotiva teria sido inventada.”
Dentre as invenções da humanidade poucas máquinas impressionaram tanto quanto as resfolegantes locomotivas a vapor. Constituíram ídolos para muitas gerações de meninos, em todo o globo terrestre. Sobre elas muitos tem sido escrito: assuntos técnicos, até artigos saudosistas, recentemente. Um correspondente meu, residente nos Estados Unidos, escreveu há anos: “...felizes os que podem ver um trem a vapor diariamente”. Em muitas partes da terra são coisas do passado. Aqui, por força das circunstancias elas continuam andando, soltando sua fumaça, fagulhas, apitos, mensagem de sua despedida, de seu adeus e da promessa de breve voltar.
A Estrada de Ferro Santa Catarina, desde os tempos de sua construção até hoje, teve 25 locomotivas a vapor e, durante algum tempo, usou duas locomotiva diesel elétricas emprestadas pela Administração do Porto de Itajaí. Houve ainda uma pequena locomotiva diesel mecânica, Whitcomb, usada em serviços de construção e conservação.
A atual locomotiva numero 1,0-6-OT -  construída por Orenstein & Koppel – Alemanha, exposta na praça Victor Konder, auxiliou na construção do trecho de Blumenau a Hansa. Foi, por muitos anos, usada como manobreira entre Itoupava Seca e Blumenau.
Até por volta de 1935 era a número 3, pois assim consta em todos os relatórios do Dr. Breves. Por esta época, foi renumerada, como todas as outras locomotivas. Houve, porem, outra numero 1 e uma 2, ambas construídas por Borsig, Berlim, do tipo C-6-4T. Uma destas máquinas puxou o trem inaugural até Warnow em 3 de Maio de 1909. Estas duas maquinas foram desmanteladas e vendidas , a caldeira e o restante, como sucata entre 1932 e 1934.
A estrada teve cinco locomotivas Mogul, 2-6-0. As duas primeiras construídas pela Firma Baldwin, USA, em 1919, receberam os números 4 e 5, mais tarde 11 e 12 e na última renumeração 101 e 102. A 101 sofreu uma explosão de caldeira em 1947, enquanto trabalhava na construção da linha entre Itajaí e ilhota. Nunca mais foi consertada. A 102 foi baixada dos registros da estrada, em Abril de 1963. As três Moguls restantes vieram da Rede Ferroviária do Nordeste em 1955, produtos da North Bristish Locomotive Co. de Glsgow, construídas em 1904 e 1908. Foram a 218 que aqui veio a ser a 151, a 250,152 e a 220 recebeu o numero de 153. As duas primeiras foram desmanteladas em fevereiro de 1963.
Existem duas Americanas, 4-4-0, as números 6 e 7, mais tarde 21 e 22 e agora 201 e 202. Também produtos da Balwin Locomotive Works de Filadélfia, de 1919. Serviram nos últimos anos no extinto ramal de Ibirama.
Em 1925 a Baldwin construiu três Consolidação, 2-8-0, para a EFSC, as números 8,9 e 10, depois 31,32 e 33 e agora 301,302,303. Estas máquinas podem ser visitas trabalhando com o trem de lastro, atualmente.
Em 1936 a ferrovia recebeu duas Pacíficas, 4-6-2, construídas pela Baldwin. São, a meu ver, as locomotivas mais vistosas da estrada. Foram fornecidas com os números 101 e 102 e mais tarde renumeradas vieram a serem 401 e 402. Outras quatro Pacificas, Baldwin de 1925, vieram da Rede Mineira de Viação por volta de 1960. Não foram renumeradas e permaneceram com os números originais 331,333,334 e 336.
A ultima locomotiva construída para a Estrada de Ferro Santa Catarina pela Baldwin Lima Hamilton, resultante da fusão das três fabricas de locomotivas americanas, foi a 501, uma Mikade, 2-8-2, em 1952. Consta ter sido a ultima locomotiva a vapor construída nos Estados Unidos.
Além desta, a estrada recebeu emprestada, em 1958, da Estrada de Ferro Sorocabana, outra Mikado, a 235, que não foi renumerada, produto da Haine Sante Pierre-Bélgica.
Em 1964 vieram duas locomotivas tipo Tem Wheel da Estrada de Ferro de Goiás que aqui permaneceram com os números originais , a 108 e 109. As 4-6-0 são Baldwin de 1940 e 1948.
Durante muitos anos estiveram encostadas nas oficinas de ferrovia, em Itoupava Seca, duas Garrats, 4-6-2 e 2-6-4, construídas pela Krauss-Maffei, Alemanha, sob licença da Beyer Peacock, para a Viação Férrea do rio Grande do Sul. Nunca chegaram a trafegar na estrada e mais tarde foram trocadas pelas três Moguls da RFN. Eram os números 901 e 903. Por alguns anos a EFSC usou na construção de sua linha para Itajaí uma pequena locomotiva de bitola de 600 mm, sem número, para puxar os vagões entre o pátio da estação de Itoupava Seca e o guindaste no porto. Nunca consegui ver em arquivos qualquer referencia a essa locomotiva. Provavelmente confundiram-na com a atual numero 1, conservada na praça Victor Konder.
Para saber mais acesse:

Revista Blumenau em Cadernos - Tomo X – Maio de 1969 nº5; páginas87/92
Arquivo/Sávio Abi-Zaid/Adalberto Day

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