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terça-feira, 28 de maio de 2013

- Nossa Casa em Blumenau

Nossa Casa em Blumenau por:
Cristina Blumenau
 Casa de Dr. Blumenau, destruída na enchente de 1880
Pequena e bem modesta era a casa para onde nosso pai trouxe mamãe, em novembro de 1869. Muitos aborrecimentos custaram-lhe o não poder oferecer-lhe uma casa mais bonita. Mamãe estava acostumada a muitas comodidades na grande residência de seu pai, em Hamburgo.
Mais de quatro anos papai esteve ausente de Blumenau, pelo que muita coisa ficou ao abandono em sua casa e foram necessários muitos esforços a principio, para torna-la novamente habitável.
Papai sempre alimentou a ideia de fazer uma nova e bonita casa no alto do Morro do Aipim, que lhe pertencia. Ainda há plantas a respeito e teria sido, realmente, lindo e agradável se tudo tivesse dado certo. Mas o tempo foi passando e a construção ficou em projeto, pois, os meios para concretizá-la tomaram destino mais urgente e necessário.
          Mamãe compreendeu isso. Sentia-se bem, apesar da simplicidade de tudo.
          Que vida feliz levávamos em nossa casa! Ela era um paraíso para nós, crianças. E não só a casa, mas também tudo ao redor dela.
          Construída ao rês do chão, sem porão, tinha apenas assoalho de  madeira nos quartos. Como é costume nos trópicos e também em Blumenau, por causa do grande calor, os dormitórios são separados da cozinha por um corredor largo e aberto aos lados. Na casa da frente havia duas peças, um que servia de sala de estar e a outra de quarto de dormir. Mais tarde, com o aumento da família, foi construído mais um cômodo. Este ficava um pouco mais alto, alguns degraus acima da sala de estar. Assim pode-se  construir, por baixo dele, um pequeno porão.
          A casa era coberta de taboinhas, o que lhe dava uma bonita aparência. Largas grades de madeira, pintadas de verde, protegiam as janelas, e os quartos do lado do sol, e do calor. Atrás da casa ficava a grande cozinha e, ao lado, a enorme e bonita sala de jantar, onde também, nós, as crianças, tínhamos os nossos brinquedos e onde permanecíamos a maior parte do tempo. Atrás disso tudo, ainda havia dois quartos. O cômodo de trás ficava um degrau acima do anterior para que o ar pudesse circular livremente por baixo, o que por causa do calor, parecia bem mais prático.
          Interessados e, ao mesmo tempo, sentindo arrepios, nós observávamos os grandes lagartos, de metro de comprimento, que entravam e saiam de baixo desse cômodo. Tão modesto, como os compartimentos de casa, era o mobiliário que, entretanto, tinha em si algo de alegre. Lembro-me, ainda, da bonita “chaise lóngue”, estufada em couro que havia no quarto de dormir e na qual papai costumava descansar á noitinha, lendo jornais e livros, enquanto mamãe, sentada a uma mesa ao lado, em uma poltrona de couro, sempre ocupada, à luz do lampião, completava um quadro de verdadeira ternura e felicidade. Comumente, ela nos encantava com lindos hinos tocados ao harmônio.
          Das paredes pendiam fotografias dos parentes mais chegados.  Pouco mais, além da mesinha de costura, pequenos armários e cadeiras, havia na sala.
           A casa ficava afastada da rua, no fundo do jardim, onde nosso pai encontrava alivio dos trabalhos e incômodos de seus dias inteiros de constantes preocupações.
          Muitas vezes, e isso era muito comum mesmo, tínhamos, nós, as crianças que ir busca-lo da cada da Direção, para o almoço, porque ele não via jeito de abandonar o trabalho que tinha pela frente, antes de termina-lo completamente, esquecendo-se do tempo e de tudo.
          O maior prazer de papai era o seu jardim e, neste, ele punha o seu grande interesse. Ainda me lembro bem com que alegria ao domingos, pela manhã, ele saia para o jardim para cortar flores que mamãe arranjava em vasos ou em artísticas corbelhas. A ninguém ele dava essa grande alegria. As rosas eram as suas flores prediletas, especialmente as vermelhas-escuras e as rosas-violeta de delicado perfume. O nosso jardim era mesmo uma joia, no qual a gente tinha mesmo que sentir intima alegria.
          O conhecido viajante, embaixador suíço, Barão von Tschudi, chamou-o de jardim botânico e não sem razão. Hoje o jardim não existe mais, pois a grande enchente de 1880 destruiu-o completamente. Ali eram cultivadas plantas mandadas buscar de outras partes do mundo. E não era apenas no seu jardim que papai plantava as suas preciosidades botânicas. Encontrava lugar para muitas no parque do seu sobrinho e vizinho Victor Gaertner.         
 Cristina Blumenau e Gertrud retornam a terra natal (Blumenau) e são recebidas com carinho e homenageadas durante a visita que realizaram no mês de outubro à cidade fundada pelo pai, o Dr. Blumenau.  
Eu e meus irmãos herdamos de papai o grande amor pela natureza. Se eu tivesse conhecimentos de pintura, poderia ainda desenhar perfeitamente o nosso jardim, tal a impressão que ele me deixou, apesar de seu ser, então, ainda muito criança.
          Uma cerca rodeava o jardim, quase todo plantado de lindas espécies. Rosas cor-de-rosa bordavam o caminho fronteiro, entrelaçadas em jasmineiros, cujas flores, estreladas, ao serem colhidas, soltavam uma seiva leitosa. Dracenas e outros arbustos floresciam por toda parte e ia-se através do jardim sob um verdadeiro “arco do triunfo”, formado por umas plantas de grandes flores amarelas. No inverno, floresciam, junto ao cercado, lindas fúcsias, heliotrópios, camélias simples, vermelhas, azaleias e outras. Todos os canteiros eram rodeados de uma variedade de Érica, que ali era nativa, de pequenas flores brancas.
           Majestosas palmeiras-de-leque formavam um magnifico caramanchão, servindo de fundo a uma pequena elevação formada de pedras e onde cresciam gloxínias e gesnérias, caládios e outros e, como o mais bonito, um imponente cactos, de grandes flores brancas onde os colibris vinham sugar, através dos compridos bicos, o mel delicioso.
          Quantas e quantas vezes fora-nos dado observar essas lindas criaturinhas, batendo as asas diante daquelas flores, de onde, depois se originavam frutos maravilhosos, assim como das flores encarnadas dos metrosideros, que pareciam limpadores de vidros de lampião e que, por isso mesmo nós chamávamos de “árvore de escovas”.
Também havia, no jardim, uma maravilhosa “Yuka”. Um retrato de meu pai, de 1861, mostra-o junto a essa planta em flor. Violetas, as maravilhosas violetas dobradas, de esplendido azul-claro e brancas, de que mamãe tanto gostava, saturavam o ar de doce perfume. Camélias, das melhores espécies e do mais belo colorido, eram resguardadas cuidadosamente das intempéries.
É singular que as flores mais cheirosas são as que de cor branca; é maravilhosa, igualmente, a combinação do vermelho e do amarelo em muitas flores. Tínhamos magnólias, cujas flores se assemelhavam a pequenas cabeças de repolho, gardênias dobradas, lírios com flores funiliformes que quase não faltavam em jardim algum.
Das insignificantes florinhas brancas, que, em pequenos buques, desabrocham ao longo dos ramos recobertos de folhas verdes, brilhantes, da “olea fragans”, desprende-se suave e doce olor que impregna todo o ambiente em redor. No Brasil chamam-na “flor do Imperador” porque era a preferida  por D. Pedro II ultimo monarca brasileiro.
Aqui há um canteiro com tufos de oleandros, de variadas cores, desde o rosa pálido ao vermelho escuro, simples e dobrados. Levanta-se, mais adiante, uma romanzeira, com as suas flores de encarnado brilhante e frutos também avermelhados de sabor agridoce. Mais para lá, há um canteiro de rosas muito valiosas de que ainda encontrei uma relação de sementes, colhidas com grandes dificuldades. Lembro-me de uma delas, cujas flores, enormes, despertavam a minha admiração e de uma rosa musgo que me causou verdadeiro assombro pelas suas flores de um cor-de-rosa estranho e as admiráveis folhinhas que cobriam as longas hastes. Nunca mais vi outra igual.
Vejo-me ainda em pensamento de mãos dadas com minha irmã, diante dessa roseira, admirando-a em verdadeira devoção. As mirtáceas são copadas, de folhas estreitas, com pequenas flores brancas de penetrante perfume, com frutos pequenos e saborosos. As tritonas ostentavam os belos cachos de flores vermelho-amarelados. Os Amarilis e outras encantadoras plantas bulbosas, encantadoras plantas bulbosas, enchiam-nos os olhos, assim como os hibiscos com suas cores lustrosas. Tufos de folhagens, de plantas silvestres, limitam os cantos do jardim, derramando agradável perfume de suas flores brancas, em forma de estrelas. Acácias, com flores vermelhas, haxacentros com extraordinários tufos de flores amarelo-avermelhado e buganvileas de cores flamantes, havia-as por toda parte.
Havia, também, no jardim, raridades de que agora não me lembro bem e de que também ignoro os nomes. Por toda a parte, inclusive ao redor de casa, havia plantas e flores.       
         
Diante da casa, subia, até o telhado, a “rainha da noite”, (cereus grandiflorens), carregado de botões, que meu pai colhia, pondo-as num copo, sobre a mesa, para que pudéssemos observar o seu desabrochar, pois elas só abrem á noite, enchendo o compartimento de forte odor de baunilha.
          Era com grande prazer que nós nos sentávamos á varanda, de onde se descortinava uma magnifica vista do jardim e diante da qual floresciam  as roseiras, constantemente visitas pelos colibris, esvoaçando de flor em flor. Á vezes. Éramos visitados, pelos sapos, que passavam daqui para ali pela varanda...
          O jardim era separado, por uma cerca, do pomar que descia até o ribeirão Garcia, um afluente do Itajaí. As margens do ribeirão havia majestosas touças de bambus, esbeltos, que balouçavam ao sabor dos ventos. No pomar cresciam várias espécies de laranjas que enchiam o ambiente do forte e agradável perfume de suas flores e cujos frutos colhíamos com grande facilidade e prazer. Também havia variedades de pessegueiros, pelos quais trepavam os ramos de maracujá; pitangas vermelhas, carambolas, muito sumarentas, grumixamas, ameixa do Pará, ameixas, mamões com belos frutos amarelos, bananas de várias espécies, assim como magníficos ananases que sempre tínhamos a disposição, belos e suculentos muito diferentes dos que a gente consegue aqui na Alemanha.
          Se me alonguei muito nesta descrição foi porque ainda sinto em mim, bem profunda, a recordação de nossa casa, que foi o paraíso da nossa infância, do qual passamos os mais lindos anos de nossa vida.
          Quis fazer um retrato fiel da nossa casa, em Blumenau e do seu jardim onde meu pai encontrava sempre a sua maior satisfação.

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Nota da redação:
O Artigo acima foi escrito na Alemanha pela filha mais velha do fundador de Blumenau, Cristina, que tendo se conservada solteira, foi guarda da volumosa documentação de seu pai, e que infelizmente se perdeu na segunda guerra mundial.
Revista Blumenau em Cadernos – Tomo XII – junho de 1971 – nº 6
Arquivo de Sávio Abi-Zaid/Adalberto Day

terça-feira, 21 de maio de 2013

- História de Pescador

De boné HAROLDO GONÇALVES DA LUZ (pai do José Carlos) ex. gerente das lojas Prosdócimo.
ZONI CASSIANO valorizando a foto, fazendo uma entrevista do evento.
Zoni foi um dos pioneiros na comunicação (propaganda) com serviço de auto falante - inclusive  utilizando veículos do serviço de auto falante.
"Muitos pescadores gostam de aumentar a sua história. A pesca é considerada uma das atividades mais antigas do mundo, não apenas como fonte de alimento, mas também como modo de vida, dando identidade a inúmeras comunidades".

No dia 1° de Abril de 1962, foi realizado o quinto Campeonato de Pesca de Robalo, promovido pela Empresa Prosdócimo S.A.
Parece até mentira, mas nenhum dos participantes conseguiu pescar um robalo de 2kg conforme exigido pelo regulamento.
Não havendo primeiro lugar, a premiação aconteceu apenas para o 2° e o 3° lugar.
Rua XV 1954 - Desfile passando em frente a antiga Lojas Prosdócimo 
História das Lojas Prosdócimo
Na primeira metade do século XX , o empreendedor João Prosdócimo constituiu uma empresa de varejo, denominada Lojas Prosdócimo, em Curitiba. No final dos anos 40, a Lojas Prosdócimo firmou um contrato com a fabricante sueca de bicicletas Nymanbolagen AG, para produção de bicicletas com a marca brasileira. Antes disso, a Lojas Prosdócimo montava bicicletas com componentes da marca alemã Dürkopp.
As Bicicletas Prosdócimo suecas foram produzidas até 1955, quando a produção passou a ser feita no Brasil. As Lojas Prosdócimo formavam uma rede no setor de eletromóveis. Foram vendidas para o grupo Arapuã , num período difícil para o setor, quando outras grandes empresas, como Mappin, Mesbla, Disapel e Hermes Macedo fecharam as portas.
(Fonte: Fundação Cultural de Blumenau – Arquivo Histórico José Ferreira da Silva). Colaboração  JOSE CARLOS GONCALVES DA LUZ/José Geraldo Reis Pfau/Pfau Comunição.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

- A BUGRA Ana do Convento das Freiras

A imagem de 1960 mostra a Bugra Ana. Aparecem na foto Maria da Graça Silva, Ana Bugra, Ângela Solange Chaves e Teresinha Fernandes.
Órfã de pais, assassinados pelos implacáveis "bugreiros",uma indefesa indiazinha foi entregue às freiras do Convento das Irmãs da Divina Providência em Blumenau. Era o início do Século XX. Recebeu um nome cristão, Ana, e durante toda a sua vida dedicou-se aos serviços do Convento e do Colégio Sagrada Família, retribuindo assim sua adoção.
Tornou-se uma cristã civilizada e era muito benquista na comunidade blumenauense.
Imagem arquivo Lorena Karasinski/Enviada por Adalberto Day
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 13/05/2013, dia da abolição da abolição da escravatura no Brasil (1888).
Coluna Almanaque do Vale/Jackson Fachini

Em História de nosso cotidiano apresentamos hoje à conhecida “Índia Bugra”, foto enviada por Lorena Karasinski. 
Segundo A senhora Lorena a “Índia Bugra” como era conhecida era uma pessoa calada, taciturna, e que adorava brincos e outras bijuterias.
Tinha um sorriso fácil e as poucas palavras que balbuciava nem sempre eram entendidas por nós. Ajudava as Irmãs na cozinha, varria as dependências do colégio, mas acho que o que mais gostava de fazer era trabalhar na horta.
Poder-se-ia dizer que vivia seu próprio mundo. Na época as Irmãs contavam que ela foi encontrada no mato quando os outros índios fugiam  ela então com mais ou menos - 2 anos de idade , tropeçou em uma raiz e devido ao acidente ficou para trás.
Realmente lhe faltava à parte da frente (dedos) do pé e por isso mancava. Como se vê na foto, usava um pedaço de galho como bengala. Desde então foi criada pelas freiras. Em 1960, ano desta foto, devia estar perto ou com mais de 100 anos. Por não ter possibilidade de precisar sua data de nascimento, a data de aniversário era comemorada junto o aniversário do colégio. Os estudantes a respeitavam muito e nesta data a presenteavam com bijuterias, sabonetes e outros.
Já dona Isolde W. Nascimento (esposa de Roberto P. do Nascimento o Robertão ex atleta do G.E. Olímpico), conheceu a Ana Bugra por volta de 1947, e relata que era uma pessoa de pouca fala e sua particularidade era plantar milho. Quando em fase de recolhimento do plantio, digeria o milho cru. 

A BUGRA DO CONVENTO DAS FREIRAS 
Depoimento do jornalista Carlos Braga Mueller
Quando eu era criança, lá pelos anos cinquenta, e frequentava a missa das 9 horas da  antiga igreja matriz de S. Paulo Apóstolo de Blumenau, muitas vezes encontrava uma senhora indígena, de idade já avançada, que orava de maneira fervorosa em frente ao altar.
Era a "Bugra do Colégio das Freiras", que havia sido criada no Convento das Irmãs da Divina Providência.
Ela caminhava com dificuldade e os pés se voltavam para dentro, como se ela fosse tropeçar nela mesma. Sempre andava acompanhada de uma freira ou funcionária do Convento.
Mas por que será que ela caminhava dessa forma? Era a questão que martelava na cabeça da então criança que eu era.
A resposta me foi dada pelas minhas tias, que conheciam bem a  história dessa bugra.
No final do Século XIX e início do Século XX,  no Vale do Itajaí, os índios eram dizimados pelos "bugreiros", caboclos impiedosos que atacavam as aldeias durante a noite. Degolavam os homens, aprisionavam as mulheres e as crianças, que traziam para a "civilização" como prova, para assim receber sua recompensa pela matança.
Era um trabalho sujo, patrocinado por colonos e até por prefeituras do Vale do Itajaí, pois a integridade física dos agricultores era constantemente colocada em risco pelo ataque dos bugres.
Numa destas investidas, a pequena bugra foi aprisionada e deixada no Convento das freiras de Blumenau.
Esta foto está inserida na Revista do Sul, n°202, ano 1970 - abril e maio, Diretor-Proprietário Dr. Osias Guimarães - Reportagem Comemorativa dos 75 anos do Colégio Sagrada Família, pg 39 - 47.
Acervo Ellen Ern.
 Ali recebeu um nome cristão e tornou-se fiel seguidora dos mandamentos cristãos.
E por que mancava e cruzava os pés, andando com tanta dificuldade?
A revelação, contada pelas minhas tias, até hoje me incomoda: para que as crianças indígenas não fugissem enquanto seus pais eram mortos ou aprisionados, os bugreiros retalhavam a facão a sola dos seus pés.
Não existem registros oficiais desse tipo de barbaridade cometida pelos bugreiros, mas o fato era voz corrente na comunidade blumenauense daqueles tempos.
A matança só terminou quando por volta de 1914 foi criado o SPI, Serviço de Proteção aos Índios (hoje FUNAI), sob o comando de Cândido Rondon. Foi instalado um Posto Avançado do SPI na região de Ibirama (José Boiteux) para atrair os bugres e tentar civilizá-los.
Em Blumenau, a bugra Ana dedicou-se integralmente ao Convento e ao Colégio Sagrada Família.
Era uma figura muito popular e quando morreu já idosa, deixou saudades. 

História: Colégio Sagrada Familia.
Data oficial de fundação do Colégio Sagrada Família 27 de abril de 1895.
A história do COLÉGIO SAGRADA FAMÍLIA foi iniciada em 1895, pelas Irmãs Anna, Rufina e Paula. A elas juntaram-se, já em 1896, as Irmãs Júlia e Roberta, e, em 1897, a Irmã Godeharda. Foram lutas e sacrifícios os primeiros anos, mas de entusiasmo missionário –uma das pioneiras, Irmã Anna, cuja saúde não logrou resistir aos de Chegadas a Blumenau no dia 27 de abril de 1895, após a breve passagem por Brusque, as Irmãs iniciaram imediatamente a sua atividade educacional, atraindo logo um bom número de alunas. Muito depressa se fez sentir a exiguidade de espaço na primeira casa, entravando a expansão da atividade. Após diligente busca, e vencidas grandes dificuldades, foi possível adquirir uma propriedade muito bem localizada, próxima à Igreja e ao convento dos padres franciscanos, os quais, desde que o guardião, Fr. Zeno Wallbröhl, fora buscá-las em Brusque, sempre apoiaram fraternalmente o trabalho das Irmãs.
As próprias Irmãs colaboraram na medida de suas forças, ou melhor, “acima de suas forças, de modo que uma ou outra sofreu a vida inteira as conseqüências desse esforço sobre-humano”. Em junho de 1898, com a valiosa ajuda dos frades franciscanos, foi possível iniciar a construção, e em 20 de março do ano seguinte, pronta uma parte da casa, celebrou-se aí a primeira s. Missa, inaugurando com a bênção de Deus a nova sede, então colocada sob o patrocínio da “Sagrada Família”.
“No mesmo dia celebrou-se na nova capela a vestição da primeira noviça, Irmã Clemência, diz a crônica, frisando que, durante anos, muitas candidatas, provindas não só de famílias alemãs, mas também de origem italiana, polonesa e rutena, entre elas diversas ex-alunas do colégio, aí se preparavam para ingressar na vida religiosa.

Para saber mais sobre o Colégio Sociedade Divina Providência Sagrada Família acesse:
Arquivo Lorena Karasinsky/Ursel Kilian/Colaboração Carlos Braga Mueller/Adalberto Day 

terça-feira, 7 de maio de 2013

- Memórias do Esporte

Alexandre José
 Dia 24 de abril de 2013, concedi uma entrevista ao Jornalista e apresentador de Esporte da rede RIC Record. O programa vai ao ar todas as terças feiras  no Jornal do meio dia da RIC RECORD Blumenau, apresentador Alexandre José no quadro Memórias do Esporte com Emerson Luis.
A entrevista sobre a história do Futebol e assuntos gerais, teve uma gravação de aproximadamente 1 hora, e foi ao ar ( dia 07 de
maio de 2013)  no link vídeo abaixo em 4 minutos.
O futebol de Blumenau é o destaque no quadro Memórias do Esporte do Jornal do Meio-Dia desta terça-feira. Emerson Luis foi até o bairro Progresso para conhecer o fantástico acervo esportivo e as histórias do cientista social e pesquisador Adalberto Day. 
Professor aposentado, Beto, como é chamado pelos amigos, possui um dos mais importantes acervos da história de Blumenau, principalmente da região do Grande Garcia. Mas a paixão pelo futebol é marcante em sua vida. Camisas, fotos e outros registros históricos contam um pouco da história de clubes clássicos da cidade como o Grêmio Esportivo Olímpico, o Palmeiras (depois Blumenau) e o Amazonas Esporte Clube, time que ainda divide seu coração de torcedor com o Vasco da Gama.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

- Gilberto Freyre

Honrosas Visitas
Gilberto Freyre e José Ferreira da Silva
Gilberto Freyre, em 10 de junho de 1972, esteve em visita à cidade de Blumenau, tendo nos dado a honra de vir á nossa redação, o ilustre sociólogo Professor Gilberto Freyre, intelectual de justo renome, com enorme bagagem literária, em grande parte já traduzida para os mais importantes idiomas.
O distinto Professor, acompanhado da Exma. Esposa veio em companhia do sr. General Jaldir Faustino da Silva, da Academia de Letras, ex-secretário da Educação do Estado e de sua Exma. Esposa. Recebido pelo sr. Prefeito Municipal. Evelásio Vieira, pelo acadêmico José Ferreira da Silva e pelo Dr. Max Tavares d’Amaral e exmas. esposas, o conhecido sociólogo visitou as dependências da Biblioteca Municipal, do Museu da Família Colonial e o Parque “Edite Gaertner”, manifestando o seu entusiasmo pela ordem notada em todos os setores e pelo carinho com que o diretor e funcionários dessas organizações realizam uma obra meritória e eminentemente cultural.
Restaurante "Frohsinn"
          Depois de um passeio pela cidade, em visita aos principais pontos turísticos, como a igreja matriz, a Avenida Beira-Rio e outros, Gilberto Freyre e sua esposa foram homenageados com um almoço informal no Restaurante  “Frohsinn”, ao qual compareceram dos citados amigos e admiradores do ilustre brasileiro.
Observação:
          AMARAL FONTOURA – Também veio a Blumenau, a 13 do mês de julho, outro conhecido e ilustre sociólogo, o Professor Amaral Fontoura, autor de vários compêndios de sociologia e muito estimado pela mocidade estudiosa. S.S. veio acompanhado também pelo Professor Jaldir Faustino da Silva e, em companhia do Diretor desde mensário, percorreu todas as dependências da Biblioteca Municipal, do Museu e do Parque Botânico, tendo registrado, no livro respectivo, as suas impressões dessa tão grata e honrosa visita.
 Amaral Fontoura já publicou uma série de obras de sua especialidade, muitas das quais ele teve oportunidade de encontrar nas estantes da nossa Biblioteca e não há um único estudante de sociologia que não conheça o seu nome já consagrado como um dos grandes intelectuais da nossa geração.
          Damos, a seguir, o texto das impressões deixadas por esses dois laureados sociólogos, no livro de visitas do Museu de Blumenau:
Freyre e Ferreira da Silva
          “Verdadeiramente encantado com o que acabo de ver neste Museu, nos seus anexos, na Biblioteca e no Parque – todo um conjunto de valor cultural para os brasileiros de todo o Brasil. Parabéns a Ferreira da Silva. 10 de junho de 1972. Gilberto Freyre”.
“Percorri, emocionado, este tesouro que é o Museu-Biblioteca – Jardim Botânico de Blumenau. Não conheço nada semelhante no Brasil, pelo imenso acervo, pela organização, pelo carinho com que esta grandiosa obra é conduzida por um magnífico brasileiro – Ferreira da Silva. Agradeço ao general Jaldir Faustino esta maravilhosa visita. Blumenau, 13/7/72. Amaral Fontoura”.

Biografia
Gilberto Freyre (1900-1987) foi sociólogo. Autor de “Casa Grande & Senzala”, considerada a obra mais importante sobre a formação da sociedade brasileira.
Nasceu no Recife, Pernambuco no dia 15 de março de 1900 e faleceu e no Recife em 18 de julho de 1987.
Atuou na Politica brasileira com muita ênfase.
Ganhou diversas condecorações e prêmios no Brasil e exterior.
Obras de Gilberto Freyre:
- Casa Grande e Senzala,1933
- Guia Prático, Heroico e sentimental do Recife,1934
- Sobrados e Mucambos,1936
- Nordeste: Aspectos da Infléncia da Cana,1937
- Olinda,1939
- O Mundo que o Português criou,1940
- A história de um engenho Francês no Brasil,1941
- Problemas Brasileiros de Antropologia,1943
- Sociologia, 1945
- Interpretação do Brasil,1947
- Ingleses no Brasil, 1948
- Aventura e Rotina, 1953
- Ordem e Progresso, 1957
- O Recife Sim, Recife Não,1960
- Os escravos nos anúncios de jornais brasileiros do Séc.XIX,1963
- Vida Social no Brasil nos Meados do Séc. XIX,1964
- O Brasileiro entre os Outros Hispanos, 1975
- Homens, Engenharias e Rumos Sociais,1987

Arquivo: Revista Blumenau em Cadernos – Tomo XIII – Julho de 1972 nº 7
Arquivo Adalberto Day

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