"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

- Laércio Cunha e Silva


Em histórias de nosso cotidiano, vamos apresentar uma reportagem sobre a passagem acadêmica do Sr. Laércio Cunha 92 anos (2013) no antigo e magnifico educandário Luiz Delfino e dos arredores da cidade.
Introdução:
Maria Salete Lobe - O texto publicado tem um conteúdo histórico de grande valor, que dedico aos meus amigos do Antigamente em Blumenau. Guardei esta matéria escrita por meu primo Dr Laércio Silva de Itajaí, no qual ele relata os primeiros anos de sua infância, quando morou em Blumenau. Quem estudou como eu, no Grupo Escolar Luiz Delfino vai se deliciar com esse texto.
Laércio é formado em Ciências Jurídicas e Sociais, é um grande historiador e dotado de uma extensa cultura. É meu primo irmão, está com 92 anos e agraciado por uma lucidez incrível....
Foi este local um dos primeiros a ser "encampado" pela Prefeitura de Blumenau, que ali construiu o fórum da cidade onde era o antigo colégio Luiz Delfino (foto fundos),e onde era a estação a atual prefeitura nova de Blumenau em 1982.
  
O Luiz Delfino dos anos 20 (século 20)
Início do ano letivo de 1927. Grande era a minha ansiedade por adentrar aquele belo prédio. Apesar de alfabetizado desde os cinco anos, só foi possível começar o curso fundamental aos sete. Levado por meu pai, às 7h da manhã, lá estava eu, de olhos bem abertos, maravilhado, ao desvendar os meandros daquele imponente e belo casarão. Acessava-se às salas de aula ao som do piano da professora Antonieta Braga, a dona Nitinha. Minha sala de aula era a primeira da ala masculina. Ocupava a primeira carteira junto à porta de entrada. A visão externa não podia ser mais bela. As palmeiras, as árvores e as flores dos jardins do casarão da família Baier compunham este saudoso cenário. Dona Marianinha Strauch e depois a jovem Eulália Baier Mueller (mãe da saudosa Elke Hering) foram as minhas primeiras professoras. Já nas séries seguintes os professores Nestor Margarida, na segunda, e o senhor Binger e jovem Flávio Ferrari ministraram a terceira série. Dirigia o Grupo Escolar Luiz Delfino o competente e austero professor Adriano Mosimann. Os valores cívicos de amor ao Brasil me foram passados basicamente naquele educandário. O Luiz Delfino situava-se num espaço estratégico e central Praça Victor Konder, destacando-se nela o belo prédio  que abrigava a administração e a estação de passageiros da Estrada de Ferro Santa Catarina e, muito próximo, cercado de belos jardins e amplo pomar, o palacete da família Baier. Fronteiriça ao Luiz Delfino, já no final da Rua XV de novembro, a loja Hoschl (mais tarde Willy Sievert); na lateral direita do início da Rua São Paulo, o imponente casarão da família Ruediger, com seu amplo varandão e as colunas clássicas que lhe davam tanto destaque. Foi deste varandão que Victor Konder saudou o então presidente eleito, Washinton Luís, quando este visitou Blumenau em 1926. Aos fundos do nosso Luiz Delfino, uma grande e alta muralha o separava de uma pastagem que margeava o Ribeirão da Velha, que corria suave, cristalino e piscoso até a sua foz junto ao Itajaí-Açu. Este querido educandário é um marco da história educacional, particularmente no ensino público.
Enternecido, reconstituo através do meu “Baú de memórias” , parte daqueles doces e serenos anos da minha infância, recordando os companheiros de folguedos infantis e os grandes amigos da minha família, como o Doutor Amadeu da Luz José Ferreira da Silva, Victorino Braga, Alfredo Campos, João Kersanack, Ricardo Peiter, as irmãs Betinha e Nemésia Margarida e tantos outros que encontraram e alegravam aqueles belos anos vividos na amada cidade de Blumenau.

Arquivo: Maria Salete Lobe/Adalberto Day
Colaboração José Geraldo Reis Pfau
Publicado no Jornal de Santa Catarina (data não identificada)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

- O Empreendedorismo de BUSCH

HISTÓRIAS QUE BLUMENAU CONTA


Mais uma contribuição exclusiva do escritor e jornalista Carlos Braga Mueller – que nos relata a trajetória do empreendedorismo  de Frederico Guilherme  Busch Sênior.
Por Carlos Braga Mueller  




O EMPREENDEDORISMO DE FREDERICO BUSCH, O PAI.  
Blumenau tem orgulho, e com razão, de ter sediado a primeira associação de empresários das microempresas no país.
Em março de 1984, foi fundada a ACIMPEVI, hoje AMPE Blumenau.
Rememorando a história dos empreendedores de nosso Município, nos vem à lembrança, por leituras e recordações que parentes nos contavam, a figura carismática de um empreendedor nato do início do Século 20, Frederico Guilherme Busch Sênior.

QUEM FOI BUSCH
Os mais velhos ainda lembram-se do Cine Busch, cujo prédio continua firme na Alameda Rio Branco, hoje tombado pelo município e servindo como Centro de Convenções.  Frederico Busch foi pioneiro de uma sala fixa para sessões de cinema em nosso Estado, fundando no Salão Holetz, em 1904, aquele que seria conhecido como Cine Busch.
Catarinense, natural de Santo Amaro da Imperatriz, onde nasceu em 29 de dezembro de 1865, Frederico Guilherme Busch veio para Blumenau em 1888 e de tal forma atuou na vida social e econômica do município que logo se tornou uma das suas figuras mais destacadas.

Blumenau lhe ficou devendo iniciativas pioneiras; não só o cinema, mas também a exportação de laticínios, a construção da primeira usina de energia elétrica no Vale do Itajaí,  o transporte de cargas e passageiros entre Blumenau e Itajaí pelo vapor "Gustavo", diretor e sócio proprietário da Empresa Industrial Garcia 1900/1906, a fabricação de fósforos, que ficaram famosos pela  criatividade das embalagens. Também trouxe para Blumenau o primeiro automóvel, em 1903, e a primeira companhia lírica da Europa a apresentar-se no Teatro Frohsinn.
Faleceu em 1943. Seu filho, Frederico Busch Júnior sucedeu-lhe na administração do cinema e foi prefeito de Blumenau duas vezes na década de 50.

OS "PHOSPHOROS CATHARINENSES" 
Antigamente fósforo escrevia-se com dois "ph" ! 
Busch instalou sua fábrica de "phosphoros" em Blumenau por volta de 1906. Ocupava cerca de 15 operários. A produção era de 1.800 a 2.000 caixotes mensais, cada um com 120 pacotes de 10 caixinhas de fósforos.
No início os palitos eram feitos de pinho de Riga, importado da Rússia, que chegavam ao Porto de Blumenau em grandes caixotes.
Como o Brasil era rico em florestas, Busch mandou amostras das madeiras daqui para a Alemanha e na análise os técnicos indicaram o uso da nossa imbaúba, que passou então a ser usada na fabricação dos fósforos blumenauenses.
Eram três as marcas comercializadas por Busch: Dominó, Meia Lua e 10.000.

JOGANDO DOMINÓ COM AS CAIXINHAS DE FÓSFORO

Os fósforos "Dominó" logo acabaram sendo os mais populares e eram vendidos com dois rótulos.
O primeiro, em papel branco, trazia no  centro, em tinta azul escuro, os sinais característicos das pedras do dominó.  No segundo rótulo, os pontos eram pretos e cercados de vermelho.
O jogo completo compunha-se  de 28 rótulos e Busch, já demonstrando sua versatilidade naquilo que hoje chamamos "merchandising", desenvolveu intensa propaganda do produto.
Em cada pacote de 10 maços de fósforos era colocado um "aviso" no canto superior, onde podia ser visto um velho jogador de dominó, pensativo, com a mão à testa, tendo a sua frente as pedras do jogo. O aviso dizia:
"A pessoa  que apresentar um "double" ao fabricante ou aos vendedores destes phosphoros, receberá como prêmio um pacote dos mesmos phosphoros. A pessoa que colecionar o jogo de dominó completo e apresentar  as 28 caixinhas ao fabricante ou aos vendedores, receberá como prêmio uma lata contendo 120 pacotes de phosphoros."
Os "doubles" naturalmente eram distribuidos com parcimônia, sendo muito difícil a pessoa conseguir reunir o jogo completo.
A fábrica blumenauense obteve uma popularidade enorme, tanto assim que Busch recebeu uma oferta para vendê-la. Em março de 1906 um jornal local publicou a notícia de que um poderoso grupo que comandava o "trust" de fósforos no país havia oferecido a Busch vinte contos de réis pela sua fábrica. Busch não aceitou.

CURIOSIDADES
Busch estranhou quando um vendedor do norte do Estado lhe enviou quatro doubles 5-5. Pagou o prêmio, mas no mês seguinte o fato se repetiu. Houve, então, um acaso providencial. Os rótulos estavam sobre a mesa do empresário. Com a janela aberta, uma forte trovoada acabou molhando as caixinhas e então se constatou que os rótulos haviam sido adulterados. Com a água alguns pontos do jogo de dominó descolaram... estava descoberta a "mutreta", que já existia naqueles tempos ! A partir de então só se pagavam prêmios depois de colocar os rótulos em um recipiente com água...  
Apesar dos fósforos e caixinhas serem de boa qualidade, isto não impediu que alguém escrevesse na parede da fábrica estes versos:
"Ó que saudades que eu tenho
Dos fósforos Dominó
Riscavam mal dos dois lados
E pior dum lado só !"
Quando em 1903, orgulhoso, recebeu seu Ford "T" importado dos Estados Unidos, Frederico Busch foi retirá-lo na Alfândega de Florianópolis. O funcionário da aduana não sabia como qualificar o produto. Consultou os superiores no Rio de Janeiro pelo telégrafo e foi autorizado a declarar o carro como importação de uma "máquina a vapor". Quando o automóvel finalmente chegou ao Porto de Blumenau, Busch apressou-se em convidar os amigos para dar uma voltinha naquela engenhoca, que mais parecia uma charrete sem cavalos. Meu tio Victorino Braga, ainda menino, foi um dos rapazes que, como o também menino Frederico Júnior, sentiu uma estranha sensação: a de andar pela primeira vez em uma máquina que se locomovia sem qualquer tração animal....
Foi grande o susto de quem estava na Stadtplatz, perto da Prefeitura, quando estourou um pneu do carro de Busch; afinal era a primeira vez que isto acontecia na pacata Blumenau.
Cine Busch - e Hotel Holetz
Quando adquiriu sua primeira máquina para projetar filmes, Busch não tinha a menor ideia de que o cinema seria, no futuro, uma ótima fonte de renda. Como era novidade e quase ninguém  tinha "cinematógrafo" no Brasil, em 1902 Busch comprou um grande lote de filmes (mudos) diretamente da empresa francesa Pathé Frères e os exibiu durante algum tempo de graça, para uma plateia que acabou se acostumando com esta diversão. Nos anos seguintes foram chegando filmes com enredo, principalmente norte americanos, os quais eram locados e não mais tinham que ser comprados pelo exibidor, e assim surgiu, em 1904,  o Cinema do Salão Holetz, depois Cine Busch. A partir daí, quem quisesse ver um filme tinha que pagar ingresso.
  
Em 1905 Busch instalou duas turbinas hidráulicas na localidade de Gasparinho. Blumenau saiu na frente e passou a ter luz elétrica, inclusive nos postes das vias públicas.
(O presente artigo foi escrito com informações obtidas em livros dos historiadores José Ferreira da Silva e Edith Kormann e baseado, também, em lembranças contadas por pessoas que vivenciaram a história de Blumenau naqueles tempos.)
Arquivo Carlos Braga Mueller/Adalberto Day   

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

- Gincana com Lambretas

Histórias de nosso cotidiano
Gincana de Lambretas-Blumenau anos 1950 —  Alameda Rio Branco
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 07/fevereiro/2013 - Coluna Almanaque do Vale de Jackson Fachini.
 

Texto José Geraldo Reis Pfau
Publicitário em Blumenau.
Gincana - Bela lembrança




Pura Nostalgia de nossa querida cidade de Blumenau.

O condutor da lambreta é Vicente Ladewig - LD (luxo) e a D (stander).
As Lambretas e as Vespas foram representadas notadamente nesta região pelas Lojas HM (Hermes Macedo) e Prosdócimo respectivamente
Este tipo de veiculo superou a tradicional motocicleta pela sua quantidade e uso como transporte e lazer. 
As Lojas HM (Lojas Hermes Macedo) durante algum período nos anos 1950/60 trouxe para os proprietários de Lambretas e para o público a realização de Gincanas. Estas atividades eram realizadas nos finais de semana, notadamente em vias mais largas e com piso regular, como foi o caso em Blumenau na Alameda Rio Branco. Não só como meio de transportes, mas muito também para o lazer. Era hábito o passeio nos finais de semana ensolarados os apaixonados de lambretas irem para a praia de Camboriú, sempre em casais. Com a gincana ficou ainda mais evidente a participação das moças e senhoras nas atividades de lazer.
O condutor da lambreta é Vicente Ladewig - LD (luxo) e a D (stander). Nesta foto mais ao fundo  de terno preto o Sr. Osmenio Pfau gerente das Lojas HM, primeiro da (D) para a (E).
Eram meia dúzia de obstáculos (conforme fotos) que a dupla deveria percorrer em determinado tempo. A alegria e o entusiasmo fazia parte da atração das gincanas. Os jovens com suas lambretas equipadas, com acessórios da época, se preparavam para a realização das provas. Milhares de famílias com crianças se divertiam assistindo a promoção. 
Publicado no face book por Ellen Crista da Silva
O vencedor era a dupla que completava as provas em menor tempo. Na foto com o balão o condutor estourava com um espeto na boca.
 Na foto a carona bebia um refrigerante com a lambreta em movimento. Também havia uma prova do ovo na colher na boca do carona e a lambreta em movimento numa rampa. A prova que mais atraia o público era um pote de barro pendurado, com farinha.
O carona com um sarrafo tinha que quebrar o pote, ao aviso do piloto, com a lambreta em movimento. Geralmente acertava com o sarrafo na cabeça do piloto.
História da Lambreta

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

- Neue Deutsche Schule

Introdução
Por Renate Odebrecht

Comentários sobre a Neue Deutsche Schule, precursora do Colégio D. Pedro II, constantes do Livro “Cartas de Família – Biografia de Emil Odebrecht”, capítulo 11: “Filhos – Ensino Escolar, Língua Nacional e Profissionalização”, páginas 207/9. O longo capítulo é um apanhado da história do ensino na Colônia de Blumenau, desde o tempo da Colônia Particular e depois Colônia Imperial. O livro todo é um passeio pelo cotidiano da colônia desde o início da mesma, até a época do começo da República, baseado na pesquisa e em cerca de cem cartas de família, devidamente traduzidas.

Pensionato da Escola Nova de Blumenau em 1912 - Rua XV de Novembro, atual Lojas Sulamericanas

Neue Deutsche Schule zu Blumenau

Escola Nova Alemã de Blumenau, diretor Pastor Hermann Faulhaber

Voltamos à terceira década da existência da Colônia Blumenau, quando os filhos do engenheiro Odebrecht ainda iam à aula. Ele escreve em 1881, de Azambuja, sul da Província, aos parentes na Alemanha: “O padre católico de Blumenau abriu uma escola, e conforme me escrevera, muito boa”. No entanto, escreve no ano seguinte, de Morretes/PR, aos parentes, sobre o filho mais velho: “Por enquanto Edmund ainda fica em casa (acabara os estudos que o colégio oferecia) para instruir-se por meio de aulas particulares. (...) Há muito tempo venho querendo mandar as crianças estudarem Joinville, onde existem escolas excelentes (grifo nosso). (...), além disso, esta decisão nos sobrecarregaria financeiramente. August, Oswald e Rudolf estão frequentando uma escola fundada por padres católicos novos, que não parece ser ruim.(...)”.
Em certa ocasião, o vigário Jacobs, diretor da St.Paul Schule (Escola São Paulo), num sermão dominical, fez ataques insultuosos  aos protestantes e suas famílias, sendo que em conseqüência a maioria deles tirou os filhos da escola, segundo Deeke,1917 (Deeke, edição em português, 1995,p.115). O número de alunos que em 1884 havia chegado a 144 caiu para 88 no ano de 1889, pelo que escreve Emmendoerfer, 1950, p.299. A situação financeira da Escola São Paulo, que já não era boa, piorou no ano de 1890, devido à perda dos muitos alunos e porque, em fins do ano anterior, o Governo Republicano cortara a subvenção que era de Rs.1:200$000 anuais.
Devido a atitudes extremadas e portando-se com teimosia, segundo Deeke, 1917 (Deeke,edição em português, 1995, p.127)e principalmente devido à sua intolerância religiosa, o Padre José Maria Jacobs fez nascer na sociedade blumenauense, em 1885, o desejo de fundar uma escola interconfessional.
A ideia levou alguns anos a concretizar-se. Em 1888 e início de 89, após algumas reuniões de cidadãos das classes representativas de Blumenau – evangélicos e católicos –, aconteceu no dia 10 de março, no Salão Gross, a reunião de fundação oficial da escola. Na reunião foi apresentado um esboço de estatutos e foi eleita a primeira diretoria para um mandato de três anos. Para o início das aulas foi fixado o dia 1º de maio. A Diretoria contratou os professores Wetzele Ruseler. Ofereceram-separa lecionar gratuitamente: o Dr. Fritz Müller para Ciências Naturais, o Dr. Paula Ramos para Física, Química e Agricultura, e como Turnwart (professor de Educação Física) o professor da Sociedade de Ginástica local, Phillip Doerk ( jornal Immigrant de 17 de março de 1889, Deeke, 1995, p.115 e “Blumenau em Cadernos” de fevereiro de 1989).
Neue Deutsche Schule- Escola Nova Alemã de Blumenau Acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva
A escola passou a chamar-se Neue (nova) Deutsche Schule, porque resultou da fusão de duas escolas – a do professor Ruseler e a do professor Wetzel – as quais já tinham a denominação de Die Schule (A Escola) ou também Deutsche Schule (Escola Alemã), conforme o Urwaldsbote Kalender, 1900.p. 72/77. Começou a funcionar numa grande casa de madeira como aspecto de um galpão fechado com janelas de tábuas (Luken), na Palmenallee (Rua das Palmeiras) e mais tarde num prédio especialmente construído para a finalidade, na mesma rua, em terreno doado pelo Dr. Blumenau, através de seu procurador 55. Em 1890 o Governador do Estado, Lauro S. Müller, concedeu uma subvenção anual de Rs.600$000 (seiscentos mil réis) à Escola Nova.
Na década de 30 ou de 40, na época da avalanche “nacionalizadora” e repressora, a Palmenalle e recebeu o nome oficial de Alameda Duque de Caxias, mas na voz do povo continua sendo a Rua das Palmeiras e muitas pessoas idosas continuam chamando-a de Palmenallee. No tempo em que lá moravam Dr.Blumenau, Viktor Gärtner e Hermann Wendeburg, a rua era o centro do povoado, o Stadtplatz.
Depois do falecimento do vice-diretor da Colônia, Dr. Blumenau  deu à alameda o nome de Boulevard Wendeburg. Posteriormente passou a denominar-se Rua Dr. Blumenau, até que lhe foi dada a atual designação.

Os espécimes plantados no século XIX eram jerivazeiros nativos, próprios da região do Vale do Itajaí, do gênero Arecastrumsp., que produzem cachos grandes com coquinhos comestíveis, tanto a polpa quanto a amêndoa, muito gostosos para humanos, pássaros, roedores (caxinguelês, pacas e cutias), graxains e outras espécies. Suas folhas são forrageiras: antigamente usadas para tratar bovinos e equinos no inverno, tem pode pasto seco em decorrência das geadas. Na década de 1950 os jerivazeiros foram substituídos por palmeiras-imperiais, originárias, quer nos parecer, do arquipélago das Canárias, noroeste da África, e algumas “falsas reais”(de estipe mais fino e anelado) e,paradoxalmente, duas do tipo jerivá. A alegação para a substituição de nativas por exóticas, um tanto simplória, a nosso ver, foi a de que as folhas dos jerivazeiros vinham sendo atacadas por determinada espécie de lagarta e que os coquinhos caídos no chão atraíam moscas.

Não se soube de infestação de lagartas, nos últimos decênios, nos jerivazeiros hoje centenários plantados por Odebrech tem seu arboreto, no começo do bairro Garcia, em torno de 1870/80. Anos atrás ainda eram visitados por caxinguelês, que vinham saborear as amêndoas, enquanto que ultimamente só algumas espécies de pássaros e morcegos vêm refestelar-se da polpa dos coquinhos e recentemente (outubro de 2005) um casal de cutias.
Em Pomerode existe uma bela aléia de altas palmeiras do tipo jerivá; e por onde se viaje pelo Vale do Itajaí vêem-se lindos espécimes desta palmeira nativa, sem ataques de insetos ou de suas larvas.

O Pastor Hermann Faulhaber dirigiu a Neue Deutsche Schule zu Blumenau desde janeiro de 1890 até janeiro de 1907,quando foi substituído pelo reitor,Dr. Friedrich Strohtmann, especialmente contratado para a finalidade. O Pastor Faulhaber, pessoa de destaque no meio intelectual da cidade, editou em 1893 o primeiro número do jornal Der Urwaldsbote (“O Mensageiro da Selva”), fundado pela Conferência Pastoral Evangélica para Santa Catarina e foi diretor responsável pelo mesmo até 1898, ano em que foi vendido; Faulhaber 56 foi também o fundador do Christenbote – “Mensageiro do Evangelho” –, jornal evangélico que circulou, com interrupções, até a década de 1970 (Weingärtner, 2000, p.26) e viera substituir o Sonntagsblatt, que fora criado em 1896 também pela mesma Conferência Pastoral.

A Neue Deutsche Schule cresceu rapidamente em todo o sentido da palavra, tanto que a partir de 1906 “os alunos saíam aptos a se matricularem nas universidades alemãs e, a partir de 1910, também na de São Paulo - SP”, segundo Kormann, 1994, Vol. II,p. 135 e 139, e segundo  Weingärtner, 2000, p. 26. Os netos do engenheiro Odebrecht, filhos de Gustave Mathilde Baumgart, são prova disso: eles foram alguns dos alunos que ingressaram em universidades alemãs sem quaisquer restrições: Oswald Baumgart formou-se em engenharia elétrica na faculdade de Mittweida, na Saxônia, Otto Baumgart em mecânica e química, Hermann em química e Richard chegou a iniciar um curso superior, deixando de concluí-lo por motivo de saúde. Segundo Baumgarten, 2001, p.17, Emílio, primogênito do referido casal Baumgart, coma base que recebeu na escola em Blumenau, obteve as melhores notas no Ginásio de São Leopoldo/RS, depois no Ginásio Catarinense, em Florianópolis, e o primeiro lugar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (foi o introdutor do concreto armado no Brasil).
O quadro de professores da escola era seleto, a grande maioria tinha formação em escolas especializadas. O professor de música foi, durante alguns anos, Hermann Gutsch, nascido em Lörrach, Baden, que em 1905 casou com Anny, filha de Emil Odebrecht. 
Sobre Gutschlê-se no Blumenauer Zeitung de 10.01.1907: KonzertTheater
Frohsinn – Musiklehrer H. Gutsch.1.Teil: sechsverschiedene Vorträgeder Schüler.
2.Teil: Herr Gutschmitdem Violinund Frau Zittlowam Klavier. (Concerto no Theater Frohsinn –Professor de Música H. Gutsch. 1a. Parte: seis apresentações de alunos. 2ª Parte: Sr. Gutschno violino e Sra. Zittlowao piano). O mesmo jornal escreve em 29.06.07 sobre outra apresentação musical do professor.
Assim como Blumenau sempre foi destaque na área da saúde (médicos, enfermeiras, hospitais), também foi vanguarda na área da educação e do ensino até fins da década de 1930, quando aconteceu a avalanche repressora da “nacionalização”, ocasionando uma lacuna de verdadeira estagnação na área.
Arquivo/Texto Renate e Rolf Odebrecht 
Para saber mais acesse:

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

- Sambaquis

SAMBAQUI/TAMBAQUI  ( Tamba =concha + Ki = depósito)
MALACOLOGIA

MEMÓRIAS DE NIELS DEEKE
Adiante faço constar uma digressão, relatando, em sinopse, de minhas observações, muito superficiais, acerca dos sambaquis. Dirão que é conversa “prá boi dormir”, contudo foi realidade à época e imagino ainda seja. ¨¨
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 Foto: Revista Ciência Hoje On Line
Faz mais de 45 anos que, muito rapidamente, passei por aquela região do Baú, e nem me recordo da aparência daqueles sambaquis. As terras que tenho florestadas próximas ao Baú situam-se em região diametralmente oposta a que contém os casqueiros, distando estes mais de 30 km de minhas terras. Não me é familiar qualquer nome dos moradores referidos no texto do Comunicado da Associação Escolar de Santa Catarina - Nr. 6 Junho 1916.
Os Sambaquis, objeto daquela expedição em 1915, situam-se à margem do ribeirão Baú, que é um afluente do ribeirão Luis Alves. Consta haver não distante daqueles  Sambaquis, um ¨amolador de pedras” além de petróglifos. Eu se pudesse visitaria o sítio, contudo minha exígua mobilidade não permite.
Grato pela remessa do texto sobre a expedição, em 1915, dos estudantes de Blumenau ao Baú – já o colecionei no arquivo respectivo.
É notável distanciar-se, Vale adentro, aquele sambaqui, do que se infere haver o mar recuado (recuo do mar: eustasia - movimento eustático, ou seja na variação global relativa do nível do mar. )  ou então durante, algum período, ter- se elevado a ponto de atingir aquele sítio. Todavia suponho que acaso recuássemos 7 a 9 mil anos  - talvez pouco mais – pouco menos -  encontraríamos a região ainda submersa pelo mar em cerca de dois a três metros na grande planura. Acresce que justamente aquela região sempre foi muito assoreada pela descarga dos sedimentos trazidos, do Morro do Baú e periferia, pelo ribeirão Luis Alves o que desfigurou o aspecto e vestígios do nível alcançado pelas marés naquele local, onde percebe-se um talvegue escavado em cerca de 3,00 metros na planura circundante que antes foi toda mar por milhares de anos.
Ainda sobre os SAMBAQUIS, rebuscando minhas lembranças do quanto longamente conversei, nos muitos telefonemas, lá por volta de 1979/80,  com o padre João Alfredo ( Rohr) em Florianópolis, versando sobre as ¨habitações líticas” da Serra do Mirador – das quais eu na ocasião escavava os depósitos do material que seus construtores extraíram na  rocha estratificada para seu aprofundamento na montanha,  recordo-me de que acordamos, na primeira conversa,  em admitir a formação natural dos casqueiros, se bem que sob condições especiais. Questões pontuais foram definidas como a circunstância das conchas berbigonas ( espécie cuja origem remonta ao triássico) encontrarem-se, na grande maioria,  fechadas e as de vieiras igualmente ainda unidas, prova de que o molusco não foi retirado da casca-concha,  portanto não foi cozido nem serviu de alimento cru. 
Cascas de Mariscos verdadeiros – mexilhões ( sururus) extraídos das pedras à beira mar  - não foram encontradas nos sambaquis, entretanto é sabido que nossos indígenas litorâneos, os apreciavam e  aproveitavam a baixa-mar para extraí-los.Geralmente os comiam crus  ou por vezes assados diretamente no fogo como se fossem pinhões. Depósitos casqueiros de mariscos- sururus  com cerca de 2 metros de diâmetro na base por 1,00 metro de altura,  há ao longo de toda a nossa costa marítima. Então qual a razão de não haver cascas  de mariscos nos sambaquis, se ali bem próximo estavam os mariscos (sururus), bem mais saborosos e muito mais fáceis de serem coletados, quando ostras e berbigões jaziam enterrados na profunda lama ? Já retirei as grandes ostras da lama por mergulho em lagamares e sei o trabalhão que dá catá-las. Tentem e desistirão da empreitada.
Propositalmente não assinalei no texto supra, incongruências capitais quanto às medidas dos níveis alcançados pelas águas nos sítios em que se formaram os casqueiros e  suponho que tal particularidade tenha passado despercebida a quem leu o enunciado até este ponto.
Pois bem, em telefonema subseqüente com padre Rohr, este, dizendo-se doente e fraco, pedia-me, se fosse possível, seguir ao planalto serrano, pois ele não tinha condições, para observar uma habitação supostamente indígena, escavada em um morro de barro – uma toca – na qual haveria uma chaminé ou talvez um  canal para ventilação, ocorrência que lhe tinham comunicado fazia pouco tempo. Dizia-me que muito antes já havia encontrado tais ocas ( tocas) e que no planalto eram historicamente executadas para melhor suportarem a friagem do inverno, quando as usuais choupanas não serviam para tal. Desculpei-me por não poder satisfazê-lo, eu precisava então administrar a minha antiga Fábrica de Chocolate Saturno e tentar, adoçando a vida alheia, trazer-lhes felicidade.........enquanto eu amargava financeiramente........... Na continuidade disse haver pensado sobre nossa conversa anterior sobre a formação dos sambaquis, e concluído que se  naturais fossem, então as datações  e níveis alcançados pelo mar,  deveriam ser drasticamente alterados. Dizendo-se antropólogo e arqueólogo  e não geólogo, salientou o seguinte :
Os moluscos certamente  eram marinhos, com habitat  submerso, portanto se naturais então na ocasião de sua ¨aglomeração¨ o nível de mar os cobriria por inteiro – exegese tida como ponto pacífico. Ora os monturos de casqueiro observados alcançavam geralmente  entre 7 e 15 metros sobre o terreno contíguo, acrescido do desnível atual do mar em cerca de 4 a 6 metros comparativamente ao presente nível . Consequentemente o nível do mar deveria ser, à época da formação dos monturos, necessariamente  superior ao atual em pelo menos 20 metros, se não mais. Teria a nossa costa Atlântica se elevado em 20 metros nos últimos 10 mil  anos ? Ele duvidava, supondo que dera-se justamente contrário, o mar , naquele período, recuara devido a formação das geleiras do pequeno período glacial ocorrido 13/14 mil anos atrás e agora retornava, muito lentamente, às condições existentes há 60 mil anos. Não emitiu conclusão, porém ficou implícito que se, como afirmavam os geólogos houve a glaciação, então os moluscos aglomeraram-se, para morrer, há mais de 20 mil anos..........
Falou-se ainda da circunstância inusitada de aglomerarem-se e o que poderia tê-los levado a tal. Duas possibilidades foram aventadas : 1) uma longa carência de luminosidade  solar  necessária para a fixação do cálcio em suas carcaças e corpos, quando amontoaram-se para alcançar a superfície menos escura na flor d’água. Se tal falta de luminosidade ocorreu por encobrimento dos raios solares mediante espessas nuvens de origem vulcânica ou se as águas foram toldadas pela precipitação de cinzas ( água de lixívia) , isto permaneceu em aberto.
2) a aglomeração teria como justificativa um direcionamento por simbiose hormonal dos moluscos, direcionamento para associação sexuada  - pois tanto berbigões, como mexilhões (sururu) e vieiras, têm cada espécie, machos e fêmeas, quando  então estimulados por algum fenômeno químico atmosférico ou mesmo hídrico ( v.g. excesso de sulfetos/itos ou de amônia NH3/NH4 ) teriam se dirigido, compulsivamente e em nímias quantidades, a locais específicos. Interessante observar que a mobilidade dos berbigões é razoável  - não tão lenta como se possa imaginar -deslocando-se através a flexão continuada das duas partes da concha. Mas isto já pertence ao ramo da Malacologia.
Assunto SAMBAQUIS .
Havia, em 1951, junto à estrada que ligava GARUVA À GUARATUBA e BREJATUBA, margem esquerda no sentido oeste-leste, contidos na grande planura da  região, alguns enormes sambaquis com, estimo, mais de 15 metros de altura e cobrindo áreas imensas - cerca de 10.000m2 cada um dos quatro que tive a oportunidade de observar. Suponho mais existissem cobertos de espessa vegetação.
Naquela ocasião já encontravam-se vastamente explorados e continuavam sendo, porquanto grande número de carroções atrelados cada qual com duas parelhas de cavalos, permaneciam abastecendo-se do ¨cascalho¨ para ser utilizado, como se fosse ¨macadame¨, no  revestimento do longo e inteiro trecho da rodovia supracitada  - era, como disseram, uma obra executada pelo governo do Paraná.
A estrada, sem dúvida,  era uma maravilha, permitindo alcançar-se velocidades dignas de Grandes Prêmios que então os velocímetros indicadores em ¨milhas¨ ( sistema USA) registravam,. quando ainda maior sensação era percebida pelo ruído característico do embate do cascalho esfarelado das conchas no interior dos para-lamas dos veículos, barulho crepitante que aumentava quando maior fosse a aceleração - uma delícia para desfrutar-se não fosse a criminosa origem.
Na periferia daqueles sítios com depósitos de conchas, permaneci, em 1951, acampado na mata, por 12 dias, caçando porcos de mato (Tatetos) sem cachorro algum, jaguaçus e, à noite, macucos nos poleiros. Também lá vi pela primeira vez, o raro URU de penacho, de porte pouco maior que o comum. Os tucanos de bico preto eram tantos que eu espera juntarem-se dois nas bagueiras para derrubá-los com tiro único da  chumbeira calibre 16.
Foi meu guia um senhor Rauchmann, já bastante idoso e pessoa muito modesta que nem atirar sabia e jamais vira uma arma mocha -desprovida do cão - residia no vilarejo de Garuva, e cujo patronímico na região, suponho, não seja estranho  aos atuais moradores lá residentes.
Se naquela época lamentei a depredação dos sambaquis, deixei, infelizmente,  de senti-la quanto à minha deletéria ação que, naquele verdadeiro paraíso pré-cabralino dotado com densa e contínua floresta quase intocada estendendo-se desde o litoral até ao pé da serra,  procedi com a matança indistinta de aves e animais, os quais foram primeiro assados e após cozidos em muitas latas de 20 litros e fartamente recobertos com a banha derretida extraída  dos tatetos e mesmo com a banha de suínos que adrede levei em uma daquelas latas de 20 litros, que então denominávamos por  latas de querosene.
Na atualidade, penitenciando-me das minhas abomináveis práticas venatórias, dedico-me de corpo e alma, e em tempo integral, a preservar a natureza, animais e pássaros, aprimorando ambientes propícios a sua reprodução.
Dizem que o melhor Preservador da Natureza seria aquele que antes a foi um Predador, porém seria justificar o Fim através dos Meios - máxima utilitarista jesuítica muito discutível.
Só mais uma ocorrência inusitada  :  Estariam as aves desenvolvendo maior capacidade instintiva ?
Observei, nas semanas anteriores, por 3 vezes seguidas, as aracuãs e após as saracuras, virem até próximo a porta do escritorinho da minha fazendola de onde digito estas linhas, aos gritos como que pedindo-me socorro. Sai e fui verificar que acontecia, quando, distante cerca de 40 metros, dei com um lagarto  atocaiando   um filhote de aracuã. Espantei-o  e a  aracuã mãe serenou. Com a saracura deu-se o mesmo, somente não vi o filhote.
Conclusão : ou as aves acreditam-me, agora,  um São Francisco,  ou desenvolveram compreensão inusitada.
Desculpem minhas digressões, contudo são verdadeiras.
Saudações
Niels Deeke, em Bl'au – SC, novembro de 2009
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A observação de uma ocorrência singular : Há, pelo menos havia, nas minhas represas da Fazenda que mantenho há mais de 50 anos, grande quantidade de um molusco de água doce, a que chamam de ¨Unha de Velho¨, idêntico aos mexilhões ( mariscos sururu), que são de bom tamanho e mesmo maiores que os do mar.  Seu habitat é o fundo das águas – lama -  e não as pedras como os marítimos. Faz tempo, talvez 40 anos, observei que grande quantidade deles estava morta reunida em só local  - não amontoados, porém muito pouco dispersos. Procurei-os em outras partes do açude e não encontrei único. Durante anos não vi mais os ditos, até que há cerca de 2 anos o fenômeno repetiu-se e mandei recolher alguns baldes das cascas para preencher tachos decorativos pendurados na casa. Aqui defronte de onde digito, à distância de menos de 3 metros tenho um dos tachos  repleto das conchas – é  só conferir.
Ainda a razão de 10 anos, um empregado, da Fazenda chamou-me para ver o que ocorria e decidir o destino de boa quantidade de caramujos  da água doce  – caracóis idênticos aos que são os vetores (hospedeiros intermediários) do parasito da esquistossomose ( barriga d’água), enfim ¨búzios de água doce¨ que na maioria estavam mortos – estes sim amontoados em um remanso da lagoa. Como a fedentina já era perceptível, mandei enterrar os ditos caramujos  ( escargots da água).  Só para constar, revelo que já comi ditos caramujos cozidos, não são apetitosos, mas sobrevivi.
Também há os grandes caramujos das florestas  (Schnecke) # ( não são Lesmas pois estas não possuem concha ) dotados de bela concha externa espiralada – um super escargot, de concha branca e maiores que os caramujos africanos, estes atualmente postos na lista negra dos transmissores de doenças . Minha floresta da Fazendola tem boa quantidade destes caramujos – nacionais-  que mediante especial preparo e cocção lenta por mais de 5 horas, tornam-se iguaria saborosa. Dá algum trabalho prepará-las, mas vale  a pena . Já provei delas diversas vezes,  e mantenho 2 aquários sem água, cheias de suas conchas – podem conferir.
Comer Lesmas?  Dirijam-se a verdadeiro restaurante chinês, são iguarias!
E voltemos aos sambaquis.
Contrariando a hipótese de sua formação natural, aqueles que abraçam a teoria de que são resíduos de moluscos ingeridos pelo homem (kjokkenmoddings: restos de cozinha para os nórdicos), defendem sua concepção, alegando conterem os sítios dos sambaquis, enterrados artefatos produzidos pelo homem, crânios sepultados, e vestígios significativos de que suas superfícies serviram de habitação.
Ora nada mais conspícuo que tais constatações absolutamente não explicam  a enormidade de conchas lá aglomeradas. Supomos que nem mesmo uma população de um milhão  de pessoas, alimentando-se somente de moluscos durante 500 anos possa produzir tais montanhas de casqueiro. Crânios sepultados somente provam que havia antropófagos naquele ambiente que canibalizaram o corpo e enterraram a  cabeça. Algum corpo inteiro lá sepultado igualmente não comprova tenham se alimentado dos moluscos. E se há  houve vestígios de que sobre os sambaquis assentaram moradia, deveremos considerar que nosso indígena não era tão estúpido a ponto de fixar moradia na periferia alagadiça, pantanosa e coberta de densa floresta, quando junto aos sambaquis encontrava terreno seco e relativamente limpo, além de iluminado e parcialmente seguro com melhor visão circundante. E se alguma espinha de peixe foi escavada, sua origem pode ter sido por sua morte do natural naquele local durante a formação dos monturos, ou mesmo expurgo alimentar de indígenas ali assentados. Não, nada prova a feitura artificial dos sambaquis.

NIELS DEEKE – Memorialista em  Blumenau SC .
Blumenau, 12 de Janeiro de 2013 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

- O ônibus do Correio

Mais uma bela colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor, nos relata sobre O Transporte dos correios através dos ônibus da Auto Viação Catarinense.


Por Carlos Braga Mueller
- O Correio já passou?
Esta era uma pergunta comum que as pessoas faziam lá pelos anos 60 nos bares, armazéns, etc., que ficavam às margens das rodovias que ligavam as cidades de Florianópolis e Jaraguá do Sul, principalmente tarde da noite, quando não havia mais linha de ônibus regular,  e a última solução era pegar o "Correio"... 
Mas afinal, como é que funcionava esta linha de ônibus conhecida por todos como o "Correio”?

Voltemos cinquenta anos no tempo...  
1960, 61, 62, 63, o asfalto ainda não pavimentava as antigas estradas em nosso Estado. Eram todas de barro...
Foi então que a Auto Viação Catarinense, empresa de passageiros pioneira no sul do País, fez um convênio com o Correio para transportar as malas de correspondência da região do litoral e do norte do Estado, para agilizar a entrega do que se postava em Florianópolis, Itajaí e Blumenau com destino às demais regiões do Brasil, pelo sistema "via terrestre", garantindo inclusive uma entrega mais segura.
É interessante lembrar que naqueles tempos você podia escolher: sua carta poderia seguir por via aérea ou via terrestre.  Se fosse por avião custava mais caro e o envelope era diferenciado, em papel mais fino e especial, com tarja verde amarela. O texto também tinha que ser escrito em papel de carta especial, que era finíssimo e transparente, ou seja, o envelope devia pesar o mínimo possível, porque você pagava pelo peso.
Ao despachar via aérea o remetente ficava tranquilo, com a certeza de que o destinatário receberia a correspondência o mais rápido possível.
Já as cartas e encomendas por via terrestre custavam bem menos, em compensação demoravam mais para chegar ao destino. 

A LINHA DO CORREIO
 O Grupo JCA, que em 1995 assumiu o controle acionário da Auto Viação Catarinense, no histórico da empresa registra o seguinte:
 "O transporte de encomendas também era feito pela Catarinense desde os primeiros tempos. Como não houvesse serviço oficial de correio, nem qualquer forma de prestação regular desse tipo de serviço, a empresa logo se destacou por entregar as encomendas sem danos, já que, até então, era muito comum que fossem extraviadas ou danificadas pelo caminho. Elas eram transportadas em carros exclusivos, e quando nasceu a empresa de Correios, a Catarinense foi sua parceira, em carros que transportavam encomendas na parte traseira e passageiros, na frente."  

Por falta de informações, não se sabe ao certo o horário em que partia de Florianópolis (devia ser pelas 20 h), mas era comum que o ônibus do "Correio" passasse por Itajaí lá pelas 21,30 horas; em Ilhota era pelas 22,00 horas que ele passava, depois seguia por Gaspar, Blumenau, Pomerode, até chegar , de madrugada, em Jaraguá do Sul, importante polo de redistribuição, via férrea, do norte catarinense. 
De manhã o trem misto (carga e passageiros), que ligava São Francisco a Porto União, com conexões para Curitiba ao leste, São Paulo ao norte e Porto Alegre ao sul, se incumbia de levar as cartas  do "Correio" para seus destinos.
A característica do ônibus da Auto Viação Catarinense que fazia esta linha era "sui generis": chamava a atenção a carroceria especial, metade para passageiros, com 12 lugares, e  metade (a de traz) fechada, para abrigar as malas postais.

A Rodoviária de Blumenau ainda se situava na Rua  7 de Setembro, esquina com a Rua Padre Jacobs, mas o "Correio" tinha como destino  a agência do Correio no início da Alameda Rio Branco, em frente ao Cine Busch, onde descarregava as cartas e encomendas destinadas a Blumenau, e carregava as malas postais daqui para outros destinos. Depois seguia em frente, noite afora, levantando poeira...rumo à sinuosa Serra de Jaraguá.

Estas informações são baseadas em lembranças; por isto, e para ajudar na reconstituição da história, se alguém que também viveu estes fatos, e sabe de mais detalhes, por favor colabore, enviando suas memórias para este blog. Elas serão incorporadas ao texto na forma de adendos.

CURIOSIDADES
O motorista do ônibus do Correio pisava fundo... Se você, noite fechada, precisasse aquela condução (foi algumas vezes o meu caso), a recomendação dos ribeirinhos das estradas era firme:
- Te joga na frente do ônibus, senão ele não para!
E era verdade. Não sei se a instrução era para não parar no meio do trajeto, e somente nas agências do Correio, ou se era "pirraça" do motorista; mas ele fazia de tudo para não parar.
Algumas vezes eu estava em Ilhota, lá por volta de 1964, onde tínhamos arrendado o Cine São Luiz, e quando a sessão de cinema acabava, pouco antes das dez da noite, tínhamos que nos "jogar" em frente ao ônibus para que o motorista nos visse e parasse (50 metros a frente, tamanha era a velocidade com que ele vinha).

Segundo dados históricos da Auto Viação Catarinense, a linha do Correio Florianópolis-Jaraguá teve sua origem exclusivamente por causa da parceria da transportadora com o Correio, e não através de concessão do Estado, como seria normal.
Mas deu tão certo, que depois, mesmo com a extinção da linha do Correio, o trajeto continuou sendo atendido pela Catarinense, dando origem também à linha Florianópolis/Mafra, a qual persiste até hoje com vários horários  e demanda satisfatória.
Muitas destas informações, assim como as fotos do ônibus,  nos chegaram por intermédio do senhor Theodor Darius, que tem o mesmo nome de seu avô, um dos fundadores da Auto Viação Catarinense, ao qual agradecemos pela colaboração (Carlos Braga Mueller).    
Texto Carlos Braga Mueller. Arquivo Theodor Darius  

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