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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

- O Velho DEBA

Texto :Gervásio Tessaleno Luz – Escritor, jornalista, professor.
Natural de Rio do Sul (1942), veio para Blumenau aos 11 anos de idade.


Arquivo de Charles Schwanke
Publicado no Jornal de Santa Catarina 11/01/2013 | N° 12776 - Coluna Almanaque do Vale Anderson Silva. Estádio Aderbal Ramos da Silva, também conhecido como Velho Deba, na década de 1950. O nome do estádio foi uma homenagem a Aderbal, que foi governador de Santa Catarina entre 1947 e 1951. A estrutura foi inaugurada em 3 de junho de 1927 e demolida a partir de 2007. (Imagem: Arquivo de Charles Schwanke, enviado por José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day)


Estou lendo Aderbal Ramos da Silva (foto), de Moacir Pereira (2011, 160 páginas) e relendo Doutor Deba, poder e generosidade, de Luiz Henrique Tancredo (1998, 428 páginas), obras editadas em Florianópolis pela Insular. Ambas, com dedicatórias, enviadas pelos autores, focalizam a figura de Aderbal Ramos da Silva (1911-1985) que governou Santa Catarina no período de 1947 a 1951. Em janeiro do ano passado, comemorou-se o centenário de seu nascimento.
Sempre admirei a figura do apelidado Deba, sem saber exatamente o porquê. Era nome de um estádio de futebol (Palmeiras, depois BEC), doado por ele ao nosso município, na Alameda Duque de Caxias. Hoje,.o clube não mais existe. Só lembranças de saudosistas irrecuperáveis. A área merecia um parque, semelhante ao Ramiro Ruediger, mas vai lá que tem. Virou área comercial (um adendo à selva de pedra que está caracterizando Blumenau), com direito, único, de uma ruela que une a Rua das Palmeiras à Alwin Schrader, sede do conservador Tabajara.
Catarina de peito firme custou-me admitir que nosso estado não possuísse no seu currículo o orgulho de ter um presidente da República. Esqueci de que Nereu Ramos, ex-governador, ocupara o cargo interinamente. Com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, uma série de incidentes impediram a sucessão natural nos nomes de Café Filho e Carlos Luz. Como 1º. vice-presidente do Senado, o nosso Nereu dirigiu o país e passou a faixa presidencial a Juscelino Kubitschek.
Charuto na boca, sua marca tradicional, Getúlio Vargas percorreu o Palácio Cruz e Sousa com Aderbal. Diante do retrato de Lauro Muller, grande estadista da República, o presidente comentou: - “Ele era Ministro do Exterior, foi Ministro da Viação. Só não foi presidente da República porque estávamos em guerra com a Alemanha e ele tinha um sobrenome alemão”.
No livro de Moacir, além de depoimentos de amigos e adversários, o carro-chefe é a entrevista que Aderbal concedeu ao autor em 1982. Foi publicada em  O Estado, o mais antigo diário catarinense, de sua propriedade.
Aderbal foi governador e sua família também ocupou o poder com Vidal, Nereu, Celso e Aristiliano, todos Ramos.
Tratava muito bem as pessoas simples. Prova? Esta afirmação: “Com os humildes procuro sempre ter um pouco mais de paciência. O cidadão quando vai pedir já se humilha.”.
A inauguração do campo (estádio) ocorreu no dia 3 de junho de 1927 A demolição  do estádio Aderbal Ramos da Silva começou no dia 23 de setembro de 2007- um domingo triste.


Arquivo Adalberto Day 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

- Zangão

Publicado no Jornal de Santa Catarina :
08/01/2013 | N° 12773

ALMANAQUE DO VALE | Da editoria de Geral

Anderson Silva
Zangão
O adesivo criado pelo publicitário José Geraldo Reis Pfau é alusivo ao grupo Zangão, turma organizada em Blumenau na década de 1960. O adereço era colado na traseira dos veículos para lembrar a Escuderia Zangão. (Imagem: Arquivo de José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day)
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Texto na integra José Geraldo Reis Pfau
Nós, amigos e adolescentes, residentes na região da Rua Amadeu da Luz, São José e Getúlio Vargas fazíamos parte de um grupo de amigos com carros (alguns com o carro do pai) que formamos uma escuderia. Escuderia na época era moda e se colocava um adesivo redondo (30 cm de diâmetro) no vidro traseiro dos carros para dizer que essa era uma turma organizada e eram da mesma equipe. Nós criamos a Escuderia Zangão. Aproximamo-nos do Lig Lig e ele estava viabilizando sua condição de competir e nós nos propomos a "pintar" o patrocínio, nº, etc., no carro dele e com isso ele competiu com "Equipe Zangão". (Veja no capô do SIMCA)
Desenho criado por volta do ano de 1963/64 por José Geraldo Reis Pfau
Carlos Federico Mertens, também conhecido como Ligueli ou Ligueligue para a maioria  Lig Lig (faleceu em 2004)  -  e outros participantes.
De Blumenau o profissional do volante “Ligueligue” (Simca) liderava o grito da torcida, e nos DKWs pilotos como Fritz Reimer, Julio Reichow, Sergio Buerger, Arminio Klotz e outros personagens da rápida história naquela época do nosso automobilismo.
Quem nos enviou a foto foi seu Neto Felipe Mertens Brancher.

Para saber mais acesse:
Arquivo de José Geraldo reis Pfau/Adalberto Day
Família  Mertens/Brancher

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

- A rua Amazonas

 Rua Amazonas próximo ao final por volta do ano 1900
A rua Amazonas recebeu esta denominação através da lei n° 124 de 16 de abril de 1919. Para os moradores de antanho era o local da ¨Gente do Garcia¨ e conhecida como o portal de entrada do Bairro Garcia ( Antes identificado como ¨Die Kolonie” – A Colônia ) e como via de acesso à toda região do Vale do Garcia, banhado pelo ribeirão do mesmo nome.
Foto: Charles Schwanke Antigamente em Blumenau
 A casa retratada na rua Amazonas era a de Rodolfo Goemann e esposa Vilma, que a vendeu ao Luiz Medeiros- farmacêutico, este marido da Grete Baumgarten. Frente ao EEB. Santos Dumont.
Com pouco mais de 05 km de extensão, detém variado, vasto e dinâmico comércio e indústrias. 
Foi primeiro conhecida como estrada geral do Garcia até 1919 e, depois, como rua Amazonas em nossos dias correntes. A denominação  rua Amazonas foi atribuída em razão de  ser usual, na época, homenagearem os então Estados da União ( posteriores unidades federativas) com seus nomes.
Sua pavimentação foi iniciada em 1954, durante o governo do prefeito Hercílio Deeke, De 1956 a 1960, no governo do prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior, outras etapas foram realizadas, quando o asfalto empregado foi recebido provindo dos Estados Unidos da América do Norte, importação que havia sido encomendada em 1954, porquanto asfalto nacional ainda não existia.
Trecho executado com paralelepípedos como referência a antiga  "Tecelagem União" de Christiano Theiss 
Em alguns trechos, em virtude de divergências com os confrontantes, foram colocados paralelepípedos, como referência na seção defronte à antiga Tecelagem União – de Christiano Theiss e, outro, em frente à empresa Souza Cruz.
A conclusão definitiva – em toda sua extensão – ocorreu em 1962, novamente no governo de Hercílio Deeke. 
Consta do Relatório Público Administrativo do ex prefeito Hercílio Deeke, referente ao ano de 1954, página70. :
¨ PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA  - Além do serviço de conserva mantido em caráter permanente e que no ano alcançou 51.192,00 m2, foram pavimentados com PINTURA ASFÁLTICA  2.139,00 m2  a rua Amazonas. Como serviço de conserva devem ser computados a SEGUNDA PINTURA  DE UM TRECHO DA  RUA AMAZONAS, de um trecho da rua Hermann Hering, da rua 4 de Fevereiro e da rua Maranhão. Foi consumido um total de 20.400 kg de asfalto – 132 tamboretes “ .
Trecho em frente ao antigo 23 RI atual 23 BI - execução da camada asfáltica  
O Sr. Niels Deeke ao recordar-se, vagamente, dos serviços, aponta que considerou exagerado o embasamento do asfalto, que foi procedido mediante o assentamento maciço de fragmentos ciclópicos de granito – talvez na espessura de 70 centímetros ou mais – para só então , após a  aplicação de camada de pedra britada, a recobrirem com a conveniente camada asfáltica. Portanto foi obra muito bem assentada  e supostamente perene, necessitando, por evidente, ao decorrer seu intenso e opressivo uso, nada mais que elementar recapeamento da superfície de  rolamento. Certamente uma escavação daquela via, visando dotar o bairro com rede de água e esgoto, tornar-se-ia ( ou tornou-se) algo significativamente oneroso, devido a compacta e densa camada de fragmentos graníticos colocados no seu leito que foi, em parte, rebaixado para acomodar tal suporte basilar.
Trecho em frente ao estádio do Amazonas e aos fundos E.I. Garcia. A Obra teve início do final da rua Amazonas sentido centro
Foi, sem dúvida, obra de vulto e de custo elevado, na qual houve, nos anos 1956/60, considerável  participação financeira do governo do Estado, época na qual Hercílio Deeke era Secretário da Fazenda de Santa Catarina e  Niels Deeke o seu Oficial de Gabinete em Florianópolis, razão justificativa das lembranças.
 CLIC - RBS
Em o ano de 2007, no governo de João  Paulo Kleinübing, após exatos  45 anos de uso ininterrupto, teve início a sua reurbanização com o saneamento básico, sem que lograsse a sua conclusão até 2012, ao termino do seu mandato.
Colaboração: Niels Deeke memorialista em Blumenau
Arquivo: Adalberto Day/Arquivo Histórico/Charles Schwanke/José Geraldo Reis Pfau/Facebook Antigamente em Blumenau. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

- 100 anos de Escotismo em Blumenau

Baden Powel
Eu Adalberto Day digo com muito orgulho que fui escoteiro nos anos de 1965/1966, nas dependências do estádio do Amazonas no Garcia - Grupo Escoteiro Leões.
Texto: Marcos Schroeder Vice-presidente do IHB - Instituto Histórico de  Blumenau.
Dia 13 de Janeiro de 2013 - é comemorado o centenário do movimento escoteiro de Blumenau, cidade onde foi criado o primeiro grupo escoteiro do Sul do Brasil.
Grupo Blumenau -  19 escoteiros que foram a pé até Florianópolis em 1916 
Apenas 6 anos depois de Baden Powel ter iniciado o movimento escoteiro e após três 3 anos de existência do primeiro grupo no País, o professor da Escola Nova (Neue Schule) de Blumenau Curt Böttner, fundou o primeiro grupo na cidade em 13 de janeiro de 1913, composto principalmente por alunos daquela escola. Foi professor de Matemática, Biologia e Ginástica e mais tarde foi promovido a diretor, período no qual a escola construiu sua nova sede, na Rua Nereu Ramos, o atual Pedro II. Böttner nasceu em 25 de setembro de 1887 em Glauchau – Saxônia e faleceu em data ignorada logo após o término da II Guerra Mundial. Casou-se em 1916 com Gertrud Hering, nascida em 01.08.1898 em Blumenau,  filha de Paul Hering. Em 10.08.1917 nasceu seu único filho Harald. Em 1929 a família voltou para a Alemanha fixando-se em Zittau.  
Desenvolveu  inúmeras atividades com os jovens blumenauenses, como os Jogos de Guerra nos morros que circundam a Cia Hering e Altona, exercícios de artilharia (com fogos de artifício)  e cavalaria. Organizou  também  jornadas e expedições, como para o Bairro da Velha pela Rua Mal Deodoro, numa época em que não existia nenhuma  picada nem ponte sobre o ribeirão. Em 18 de julho de 1914  o grupo fez sua primeira apresentação cultural do Teatro Frohsinn composto de canto coral, declamação, piano e ginástica. O evento foi noticiado da seguinte forma pelo Jornal Der Urwaldsbote em 22 de Julho de 1914: O Teatro Frohsinn mal comportava o numeroso público que veio de longe e de perto para assistir a apresentação. Foi realmente um programa muito bonito. Em todo o espetáculo transparecia o espírito escoteiro que logo entusiasmou o público. Após as apresentações de canto dirigidas pelo senhor E. Zimmermann, seguiram-se as declamações, apresentações ao piano e ginástica. Destacaram-se os dois duetos com as canções de ninar apresentadas pelas alunas C. Feddersen, E. Altenburg, R. Müller e pelos alunos A. Lindholm e F. Kilian, todos com muita simpatia. Fortes e merecidos aplausos aos exercícios com bastões das meninas e aos números no trapézio, que apesar da grande dificuldade, foram executados com suavidade e precisão. O ponto culminante do espetáculo no entanto, foram os quadros-vivos, todos referentes à vida escoteira, a alegria no acampamento, o amor ao próximo, etc. Nós nos congratulamos com os jovens e desejamos ao seu chefe, o senhor P. C. Boettner muito sucesso e alegria no futuro.”
Família Böttner - família de Kurt Böttner
Outras ações relevantes daquele período foram a descida pelo Rio Itajaí feito na Páscoa de 1915, quando oito escoteiros em cada canoa desceram até a barra do rio Itajaí, pernoitando na fábrica de papelão. Também fizeram  uma expedição entre os dias 13 e 16 de Novembro de 1915 até as proximidades do Morro do Baú onde escavaram  sambaquis e acharam  peças indígenas. Em 19 de Abril de 1916, dezenove escoteiros foram a pé até Florianópolis e retornaram com o vapor Max até Itajaí após nove dias de jornada. A jornada foi noticiada pelo Jornal Der Urwaldsbote de 02 de Maio de 1916, de cuja reportagem extraímos alguns trechos: Nossa primeira grande viagem iria levar-nos a Florianópolis, uma "terra incógnita" para a maioria dos nossos rapazes. Os preparativos necessários para grandes caminhadas foram feitos, foi concluído com sucesso um exercício final de 40 km com bagagem e definiram-se os requisitos essenciais para caminhadas. Assim a viagem pode começar!
Na manhã de quarta-feira antes da Páscoa a animada tropa de 19 escoteiros e seu chefe se encontraram na estrada para Gaspar. A maioria caminhava apenas levemente inclinada, pela carga incomum das mochilas, cheias de todo o tipo de coisas que o prudente chefe havia colocado. Mas logo eles se esqueceram da carga, atraídos pelo caminho e pelo belo sol que espreitava por cima dos montes. Em pouco menos de três horas chegaram em Gaspar onde fizeram uma longa pausa. Motoristas que passavam com carro vazio pela estrada levaram-nos de bom grado por um bom trecho, o que nos permitiu chegar as 12 horas em Barracão. Rapidamente deitamos as mochilas, tiramos os utensílios de cozinha e logo fervia a sopa verde sobre um intenso fogo. Após encher os cantis com café novo, fomos adiante. Como o sol pode ser tão bom, enquanto subíamos o longo morro do Barracão! Muitos litros de suor foram derramados ali.
Adiante o artigo continua assim: Os últimos 12 km de uma excelente estrada até o Estreito foram concluídos na manhã seguinte. E desta forma, após quase 2 horas de marcha, chegamos no porto do Estreito e admiramos a bela vista diante de nós. Nos arrumamos rapidamente para melhorar a aparência para que pudéssemos causar uma boa impressão na nossa entrada na capital do estado. A travessia transcorreu sem problemas e do cais do porto marchamos unidos e firmes até o Hotel Metropol, onde fomos recebidos com muita hospitalidade pelos cordiais proprietários.  Através da intermediação do Sr. E. Fragoso, pai de um dos nossos companheiros, tivemos a honra de ser recebidos pela Excelência, o Senhor Governador (Nota: o governador na época era Felipe Schmidt). Ele nos recebeu com cordialidade e garantiu-nos todo o apoio para passeios, etc. Após o chefe ter feito um breve relato da viagem, fomos liberados. Depois disso, visitamos os editores de vários jornais, como "O Dia", "Estado" e "A Opinião". No domingo de Páscoa atendemos a um convite do Sr. Karl Hoepcke e de sua amável esposa, visitando-os em sua residência para participar de um Festival da Cruz Vermelha promovido pelo Clube de Caça e Tiro alemão. “
Segundo documento e foto existente no Arquivo Histórico de Blumenau, os integrantes do grupo eram: Lorenz Bonnemassou, Henrique Sachtleben,  Guilherme Jensen, Heinz Schrader, Henrique Schroeder, Vitor Breithaupt, Herbert Böhm, Ninias Cunha, Bläse, Vitor Hering, Waldemar Barreto, Willy Kästner, Richard Paul, Hellmuth Hackländer, Renè Deeke, Elpídio Fragoso, Odebrecht, Harry Schäffer e Ottokar Gruber.
No jornal publicado na Alemanha, “Der Feldmeister”, de maio de 1915, consta que “O grupo escoteiro local é formado por 1 Chefe e 52 escoteiros com idade entre 12 e 17 anos. As 6 patrulhas são guiadas por 6 monitores, todos alunos da Escola Nova (Neue Schule). As reuniões se realizam no inverno, uma vez por semana e no verão, duas vezes por semana. Durante as férias de páscoa e natal realizaram-se viagens de 14 dias de duração, com canoas, até o mar e jornadas a pé ao longo da costa.”
No dia 15 de janeiro de 1916, chegou em Blumenau um grupo composto de 15 escoteiros, sob a chefia de George Black. O grupo partiu de Porto Alegre em 26 de Dezembro e foi de trem até Taquara, de lá seguindo a pé por São Francisco de Paula, Torres e Laguna, de onde vieram de navio até nossa cidade. O grupo George Black, fundado em 13/10/1913, é o grupo em funcionamento mais antigo do Brasil.
Para arrecadar fundos para a Cruz Vermelha, o grupo escoteiro organizou mais uma apresentação em 24 de setembro  de 1916 no Teatro Frohsinn, com  um programa que incluía Canções, Poemas, Poesia, Dança e Jogos de Sombra. O Jornal Urwaldsbote assim descreveu  o evento: “O festival apresentado no último domingo pelo grupo escoteiros da Escola Nova em benefício da mobilização da guerra foi um sucesso completo. Raramente a sala do teatro estava tão cheia, com cerca de 800 pessoas, incluindo os escoteiros. A primeira parte, composta de canções e poemas demonstra o valor e importância que a Escola Nova dá para desenvolvimento do canto e do discurso, que podem ser obtidos com jovens através de muitos anos de trabalho determinado e dirigido. Na primeira parte, uma peça variada e cômica foi a apresentação das alunas com a dança "Jovens e Velhos". O destaque da noite foi a segunda parte. A cena representava uma paisagem da Floresta Negra, em primeiro plano o campo de jogos para os jovens da aldeia, ao lado de uma estalagem, enquanto no fundo, o ranger de um moinho. Era domingo, jovens e idosos celebravam o início da primavera. A juventude cantava e dançava saudando o frescor natural. Logo em seguida, o diretor do circo liberou seus artistas internacionais para acompanhá-los. Imagens coloridas em movimento se mostravam aos espectadores. Danças de várias nações foram apresentados, os ciganos foram seguidos pelos dançarinos japoneses, os filhos do deserto em trajes de beduínos, os ceifadores da Floresta Negra e culminando com um grupo de negros. Uma multidão animada de gnomos na sombra da noite encerrou a apresentação. Fortes aplausos recompensaram as performances graciosas e os divertidos jogos de sombra também agradaram ao público. As receitas da noite somaram 662 mil réis.“ Devido ao sucesso, o mesmo espetáculo foi apresentado em Itajaí em 2 de dezembro do mesmo ano.
Sede dos Escoteiros - local da primeira sede - Rua Duque de Caxias
Como a escola foi fechada em Novembro de 1917, por conta da entrada do Brasil na I Guerra Mundial, o grupo escoteiro também foi dissolvido, possivelmente no final daquele ano.
Neste ano de 1917, porém, havia sido criado o Grupo Escoteiro de Indaial pelo jovem professor Frederico Kilian, o qual funcionou junto à Sociedade Recreativa Indaial. 
O grupo, formado entre outros, por Jorge Hiendlmayer, Richard Hiendlmayer, Carl Blaese, Erich Schönfelder, Henrique Schroeder, Heinrich Wanke e Edgar Haertel existiu até o ano de 1922.    
Após um intervalo de mais de dez anos, foi criado um novo grupo na região, desta vez em Gaspar, conforme noticia o Jornal A CIDADE, que destaca o juramento dos primeiros escoteiros de Gaspar na edição de 06.07.1929: Sabbado ultimo tivemos a oportunidade de assistir a uma formatura de pequenos escoteiros do Grupo n. 1 dos Escoteiros de Gaspar, sob o commando do seu fundador e instructor Sr. Pharmaceutico Amphiloquio Nunes Pires.”
O mesmo jornal destaca na edição de 14.09.1929 o Jamboree de Itajahy: “Com um brilho excepcional, apesar do tempo, tiveram lugar na encantadora Itajahy, as festas do “Jamboree” pelas escolas de escoteiros de Florianópolis, Brusque, Gaspar e a do Itajahy.”
 O segundo grupo de Blumenau foi fundado em 7 de setembro de 1930 pelo Prof Amir de Brito, cuja cerimônia foi assim descrita pelo jornal A CIDADE na edição do dia 13 do mesmo mês: “Revestiu-se de grande imponência a acto do compromisso dos escoteiros do Collegio Santo Antonio, no domingo passado. Puxados pela banda de Musica Garcia, os escoteiros, acompanhados da Escola de Instrucção Militar 232, do tiro 475 e dos alumnos do Collegio Santo Antonio, foram marchando até ao campo do Brasil F.B.C. O garbo com que toda esta rapaziada vinha marchando dava a impressão de uma tropa optimamente disciplinada. No local do acto havia uma mesa ricamente ornamentada de flores, onde se depositou a Bandeira nacional. Em frente da mesa formavam os escoteiros, atraz della ficavam a madrinha, a exma snra D. Frieda Balsini, o padrinho, o snr Emilio Sada, o director e os professores do Collegio Santo Antonio e o chefe do grupo dos escoteiros, o snr Amir de Brito. Os outros rapazes formavam em grande quadrado e, redor da mesa.
Com a palavra, o paranympho pronunciou bella peça oratória, inspirada por altos sentimentos patrióticos, realçando a importância do compromisso que os escoteiros estavam prestes a assumir.
Escoteiros SA - grupo fundado em 1930 no Colégio Santo Antonio 
Grupo de Escoteiros Leões fundado em 13 de Agosto de 1958
Na imagem de 1969 Henry Georg Spring - Grupo  escoteiro Leões , casa na Rua Acre n.39 em frente onde hoje é Kibaguetti  padaria, antiga casa da Schwester Martha.
Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul, fundado em 29 de Novembro de 1980
Grupo Escoteiro Curt Hering fundado em  13 de Maio de 1983
Grupo Escoteiro Teófilo B. Zadrozny, fundado em 10 de Junho de 1986
Grupo Escoteiro Blumenau fundado em 04 de Agosto de 2012.
A impressão das vibrantes palavras do snr. Emilio Sada estampa-se no rosto dos rapazes, que, um por um, com a mão extendida sobre o pavilhão nacional, com voz firme, proferiram as palavras do compromisso, recebendo em seguida da mão dos padrinhos o lenço de escoteiros. Depois deste acto foi tocado o hymno nacional pela banda. Era agora a vez do chefe do grupo dos escoteiros de dirigir aos “irmãos” palavras de animação, o que fez em eloqüente allocução que terminou com palavras de agradecimento aos padrinhos e à assistência. Em seguida os escoteiros fizeram evoluções, exercícios de sinaleiros e pyramides, sendo muito applaudidos pela assistência.
Falou ainda o Director do Collegio, congratulando-se com a fundação do Grupo de Escoteiros. Considera o escoteirismo uma associação não exclusivamente para o treinamento physico, mas para uma educação integral, conforme o lemma: “Ut sit mens sana in corpore sano”:que exista um espírito são em corpo sadio”. As ideias que o Ver. P. Ernesto soube interpretar com enthusiasmo, mereceram-lhe espontâneos e prolongados aplausos.
O jogo de foot-ball que se realisou em homenagem aos escoteiros entre o “Tamandaré F.B.C.” e o “Blumenauense F.B.C.” correu muto animado e correcto, devido Á boa actuação do juiz, o snr. Tenente Cabral. Coube a victoria ao “Blumenauense” pelo score de 4x3.”
No entanto, se desconhece por quantos anos existiu este grupo escoteiro na nossa cidade.
O terceiro grupo, denominado Associação dos Escoteiros Brasileiros de Blumenau, foi fundado em 06 de Junho de 1938, cuja diretoria era composta por: Presidente: José Ferreira da Silva, Vice-Pres: Rodolfo Gerlach, 1. Secret: Celso Rilla, 2. Secret: Ricardo Schwanke, 1. Tesoureiro: Paulo Clementino Lopes, 2. Tesoureiro: Walter Puetter e Chefe Geral: Diomedes Subtil de Oliveira.
O Jornal A CIDADE do dia 25 de Junho de 1938 informa que: “Perto de 400 escoteiros estão reunidos nesta cidade. Chegaram hontem  nesta cidade os escoteiros do Paraná e de diversos municípios do nosso estado que realizam um grande concentração em Blumenau.
De Curityba, Lapa e Porto União chegaram 200 escoteiros sob a chefia suprema do Sr. Capitão Emmanuel Moraes brilhante figura do Estado Maior da 5ª. Região Militar. De Lapa veio chefiando os escoteiros o Sr. Milton Guimarães, Director do grupo escolar daquella localidade.
De Rio do Sul, Hammonia, Rodeio, Timbó, Indayal e Gaspar vieram cerca de 120 escoteiros commandados, respectivamente, pelos srs  Pedro Cunha, Prof. Atario Petrelli,  Sargento Pinheiro, Prof. Nestor Margarida, Prof. José Vieira Corte e Prof. Edmundo Santos. De Blumenau tomam parte da concentração 78 escoteiros.”

Entre 17 e 25 de Junho de 1939, aconteceu o Ajuri Inter-Estadual na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro. Ajuri é um termo utilizado na época por Escoteiros no Brasil que significa encontro ou reunião, evento que atualmente é chamado de Jamboree. O retorno dos jovens é noticiado pelo Jornal A CIDADE de 01 de Julho de 1939: “ Na quinta-feira, um pouco antes do meio-dia, chegaram a esta cidade os escoteiros blumenauenses que foram ao Rio tomar parte no grande “AJURI” da Quinta da Boa Vista. Viajaram os escoteiros do Rio até S. Francisco no navio Pará do Lloyd Brasileiro, depois de trem até Jaraguá e finalmente de ônibus até Blumenau onde por parte das autoridades e povo, lhes foi feita carinhosa e significativa recepção.”
Voltaram todos imensamente satisfeitos com a linda excursão que fizeram e não escondem sua admiração e alegria pela esplêndida oportunidade que tiveram em visitar e conhecer as maiores cidades do Brasil.
Por sua parte a população Blumenauense está também possuída de grande satisfação pois seus filhos souberam, com garbo, disciplina e distinção representar o nosso município na grande concentração da Capital Federal.”
O quarto grupo fundado em Blumenau e o mais antigo ainda em atividade na cidade é o Grupo Escoteiro Leões, fundado em 13 de Agosto de 1958, patrocinado pelo Lyons Clube de Blumenau e sob a chefia do antigo escoteiro,  Engenheiro Gerd G. Leyen.
Além dele existem ainda os grupos:
Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul, fundado em 29 de Novembro de 1980
Grupo Escoteiro Curt Hering fundado em  13 de Maio de 1983
Grupo Escoteiro Teófilo B. Zadrozny, fundado em 10 de Junho de 1986
Grupo Escoteiro Blumenau fundado em 04 de Agosto de 2012.
O Escotismo catarinense esteve em festa no último sábado, 08/062013, com a fundação de mais um Grupo Escoteiro, desta vez pertencente a Modalidade do Ar. Fizeram a promessa no Grupo Escoteiro do Ar Pelicano 11 adultos voluntários como escotistas ou dirigentes, 10 escoteiros e 15 lobinhos.
No Escotismo, a Modalidade do Ar procura desenvolver nos jovens, além dos valores comuns ao Movimento Escoteiro como um todo, o gosto pelo aeromodelismo, aeroplanos, pelos esportes aéreos, pelo estudo da meteorologia e da cosmografia, além do mundo aeroespacial e pela cosmonáutica, incentivando o culto das tradições da aeronáutica do país.
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Para marcar o centenário do escotismo em Blumenau e, por conseguinte, de Santa Catarina, serão desenvolvidas diversas atividades ao longo de 2013 em todo o estado, como por exemplo, o lançamento de um livro sobre a história do centenário do escotismo em SC, a publicação (em português) de um livro escrito em alemão sobre as aventuras do primeiro grupo de Blumenau, a instalação de um monumento pela passagem do jubileu, acampamentos, jornadas, exposições etc...
Ao longo destes anos, muitos voluntários se dedicaram e mantiveram  viva e ativa esta formidável organização para educação não formal de centenas de jovens, buscando torná-los melhores cidadãos. Utilizando o significado da palavra escoteiro em alemão “PFADFINDER” que pode ser traduzido por explorador de caminho ou trilha, podemos dizer que o escotismo está auxiliando os jovens a encontrar o melhor caminho para sua vida.
Registramos nosso profundo agradecimento a todos que ajudaram o movimento escoteiro ao longo destes 100 anos, sejam pais, chefes, diretores e especialmente expressamos nossos parabéns a todos os jovens que tiveram a oportunidade de vivenciar e participar desta extraordinária experiência que é o escotismo.
Fonte:
- Arquivo Histórico de Blumenau/ Arquivo da cidade de Zittau/ Jornal A CIDADE/ Jornal DER URWALDSBOTE/ Jornal BLUMENAUER ZEITUNG/Jornal DER FELDMEISTER/STANGE, ERICH,  Memoraízes: instantâneos históricos de Indaial., compilado por Fundação Indaialense de Cultura. -Blumenau : Odorizzi, 2000. - 207 p. :il./ KORMANN, EDITH. Blumenau arte, cultura e as histórias de sua gente (1850 – 1985). Vol. 2. Florianópolis: Paralelo 27, 1994. p. 78./ SILVA, HENRIQUE JORGE, Grupo LEÕES DE BLUMENAU 1958-1988 – 30 anos, Baumgarten Ind. Gráfica, 1988. 
Arquivo: Marcos Schroeder/Adalberto Day
A grafia original -  em alguns casos não foram alterados, dos jornais da época. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

- Paróquia Santa Isabel

COMUNIDADE CATÓLICA DE SANTA ISABEL - GARCIA - NOTAS

Padre Antônio Francisco Bohn
O Clichê acima mostra, nas laterais as duas capelas primitivas e, e ao centro a atual Paróquia Santa Isabel (Janeiro/1989).
Em 1854 chegavam a Blumenau os primeiros católicos num total de oito austríacos. Bem se compreende, porque, de início, os imigrantes vinham quase todos de religiões luteranas na Alemanha. Porém, desde 1839, mas de sessenta famílias católicas, procedentes de São Pedro de Alcântara, haviam fixado residência em Gaspar. A 29 de junho de 1850, celebrava-se a primeira festa de São Pedro Apóstolo, sendo celebrante o vigário de Itajaí.
Em 1858, a capela construída em Gaspar tornou-se privilegiada, recebendo o padre Alberto Francisco Gattone como residente. O registro de 1861 indica famílias católicas no Garcia, na vizinhança da encruzilhada onde um caminho se dirigia para Guabiruba e outro para encano Alto. Registre-se os nomes de Augusto Sutter, André Zoz, Damião Meier, Augusto Bader, Bugmann, Beiler e Vogel. Beiler tinha construído uma casa maior, que depois de sua morte serviu de capela provisória, onde se faziam piedosas reuniões aos domingos. Assim, um grupo de adultos desse núcleo, com regularidade assistia à santa missa do Pe. Gattone, na primeira capela de Belchior Baixo.
Surgiu neles o desejo de ter missa em território próprio. Por isso, o Pe. Gattone incentiva-os a construir uma capela. Com a gente do Garcia, puseram mãos à obra e a 25 de janeiro de 1865 celebrou-se a primeira festa do padroeiro São Paulo Apóstolo, com missa e procissão.
No ano de 1870, o número de católicos de toda a região Garcia não passava de 95. Seis anos depois, chega a Blumenau o padre José Maria Jacobs, primeiro vigário de Blumenau e responsável religioso da nova paróquia, a ser criada em 8 de fevereiro de 1878 por Dom Pedro Maria de Lacerda, bispo de São Sebastião do Rio de Janeiro ¹.
A imagem de 1944 mostra a construção em fase final de acabamento da torre da Igreja Santa Isabel, localizada na Rua Progresso, 3.875, Bairro Progresso, em Blumenau. (Imagem: Arquivo de Valdemar Rulenski
Observação : Quem está na ponta da torre é o Sr. Bernardo Rulenski
Em 22 de maio de 1892, o padre Jacobs entrega a paróquia aos franciscanos: frei Amando Bahlmann, Frei Zeno Mallbroehl e Frei Lucinio Korte. Eram então treze as capelas existentes.
No dia 21 de março de 1904, o Exmo. E Revmo. Don José de Camargo Barros, bispo de Curitiba, deu licença para a benção solene da pedra fundamental da capela Santa Isabel, no Garcia, primeira Igreja a ser construída no Garcia. No 1º livro do Tombo d Paróquia de São Paulo Apóstolo, pág. 75, nº 280, encontra-se o termo de bênção da capela:
“Em virtude da faculdade que foi concedida aos 26 de julho do corrente ano, aos 30 de julho de mil novecentos e cinco, às nove horas da manhã, o Revmo. Pe. Lucinio Korte, O.F.M. , provincial dos franciscanos, benzeu a capela de Santa Isabel de Hungária de Garcia, usando neste ato da formula prescrita no Ritual Romano. E para constar lavrou-se este termo que assinei.
Blumenau, 1 de agosto de 1905 Frei Chrysologo Kampmann, O.F.M.”.
Aos 26 de julho de 1905, o bispo de Curitiba, através do Pe. Desiderio Deschand, envia uma provisão qüinqüenal de celebração de missas para a capela de Santa Isabel licença para benzer a imagem da padroeira (1. Livro do Tombo, pg. 75 nº 260). No dia 19 de novembro de 1905, o Revmo. (Frei Dionysio Mebus benze a imagem de Santa Isabel (1) livro do Tombo, pg. 79, nº 280).
A capela era visitada uma vez por mês. Celebrava duas festas principais, no segundo e terceiro domingo de setembro: festa e Nossa Senhora das Dores padroeira da Associação das Mães Cristãs e 19 de setembro: festa de Santa Isabel que sempre era transferida para o domingo posterior ao dia 19 (3º livro do Tombo, pg. 3).
Em 1924, o chamado “Conselho da Fábrica que era composto dos seguintes senhores: Augusto Faht, presidente: José Gorch, tesoureiro; Francisco de Oliveira, José Pfiffer, Gosvino Beades e Pedro Pamplona, conselheiros (3º livro do Tombo, pg. 3).
A capela era visitada sempre no segundo domingo de cada mês pelos padres franciscano para a celebração da missa e demais ofícios religiosos, bem como o atendimento através dos sacramentos (3º livro do Tombo, pg. 8).
No dia 31 de janeiro de 1926, o bispo de Florianópolis renovou as provisões dos “Conselhos de Fábrica” d capela Santa Isabel: Augusto Faht, José Gorch, Francisco de Oliveira, José Pfiffer, Gosvino Beades e Pedro Pamplona.
Em 1942, dá-se a benção da pedra fundamental da nova Igreja de Santa Isabel e de N. Senhora da Glória, ambas no Garcia.
No dia 11 de fevereiro de 1957, Dom Inácio Krause C.M., administrador apostólico da diocese de Joinville concedeu nova provisão de funcionamento da capela Santa Isabel: “Fazemos saber que, tomando na devida consideração o que em sua petição nos requereu o Revmo. Sr. Padre Vigário de Blumenau, relativamente à capela santa Isabel , filial da matriz de Blumenau, Freguesia deste Bispado, preenchendo a dita capela, as disposições da pastoral Coletiva dos Srs. Arcebispos e Bispos do Brasil, tendo em vista, além disto, as vantagens espirituais dos habitantes do dito lugar, havemos por bem provisionar, como de fato provisionamos pela presente, a sobredita capela, pelo tempo de um ano, para que possa servir ao Culto Público, nela se celebrar o Santo Sacrifício da Missa e, Servatis Servandis, administrarem-se os demais Sacramentos da Igreja. Cumprir-se-á como nela se contém e declara, devendo ser registrada em a nossa Câmara Eclesiástica e no Livro do Tombo, a freguesia acima dita”.

No dia 27 de dezembro de 1958, Dom Gregório Warmeling, bispo de Joinville, assina nova Provisão para a Capela Santa Isabel, a pedido de Frei Braz Reuter, O.F.M. A Capela Santa Isabel continuou sendo atendida regularmente pelos padres franciscanos, até a criação da paróquia Nossa Senhora da Glória, posteriormente passou sob a jurisdição da paróquia Santo Antônio, ambas no bairro Garcia.
Em 15 de dezembro de 1981, o Revmo. Pe. Miguel Rosseto, vigário da Paróquia Santo Antônio, em entendimentos pessoais e por escrito encaminhou o pedido de criação da paróquia Santa Isabel, desmembrando-se pelas seguintes razões:
1. Paróquia Santo Antônio era por demais extensa: mais de 35.000 habitantes e 7.000 famílias.
2. No território da nova paróquia, estavam sendo constituídos novos loteamentos, que previa um crescimento muito rápido da população.
3. A mentalidade das comunidades da nova paróquia Santa Isabel era diferente da matriz.
4. Para conseguir a implantação dos grupos de pastoral era necessário uma presença mais constante e próxima do animador pastoral.
5. A nova paróquia dispunha de condições humano-financeiras para sua manutenção.
6. Um número aproximado de 2.100 famílias passariam para a nova paróquia.
Como resposta a este pedido, Dom Gregório Warmeling, em data de 16 de dezembro de 1981, erige o Decreto de criação da Paróquia Santa Isabel, cujo teor segue: “Face à exposição feita e em atenção a vários pedidos explícitos da Comunidade de Santa Isabel de se constituir em sede paroquial resolvemos constituir oficial e canonicamente a Paróquia de Santa Isabel, no bairro Garcia, na cidade de Blumenau, com limites provisórios até um redimensionamento geral de todas as paróquias da cidade. Os limites da paróquia são: As comunidades de Santa Isabel, São Cristovão, nova Rússia e as futuras comunidades do Sestrem e do Sagrado Coração de Jesus na entrada do Encano e Alto Encano, tendo os limites demarcados pelo mato na direção de Indaial e Gaspar e em direção ao centro de Blumenau com a atual Paróquia de santo Antônio na ponte Rulenski e final da Júlio Heiden. Peço a todos os diocesanos compreendidos nos mencionados limites recebam com amor e solicitude o seu primeiro titular Pe. Gustavo Bertea, hipotecando a ele o indispensável apoio e solidariedade, em todas as suas atividades espirituais e materiais. Cristo e a sua Igreja há de ser sempre o ponto de referência de todos os trabalhos numa afirmação positiva de um cristianismo adulto”.
A nomeação do primeiro pároco, Pe. Gustavo acontece por provisão de Dom Gregório em data de 17 de dezembro de 1981, nomeando-o por tempo indeterminado, assumindo sua função aos 10 de janeiro de 1982.
Aos 22 de abril de 1982, é nomeada e empossada a primeira diretoria, depois da criação da paróquia santa Isabel, assim constituída: para um triênio: presidente: Alcides Raul; Vice-presidente: Antenor Nicoletti; primeiro secretário: Silvestre Schlindwein; segundo-secretário: Moacir Bonanoni; primeiro tesoureiro: João líder; segundo-tesoureiro: Manoel Tillmann; conselheiros: José Vicente, Daniel Bissini, João Nilton Gonçalves, João Inácio da Silva, Genésio Nicoletti e Dionísio de Oliveira.
No 1º livro de batizados, encontramos o primeiro registro de MÀRCIA JOCELENE MARCHI, nascida em 19.12.81, batizada em 17.01.82, filha legitima de José Carlos Marchi e Maria de Lurdes Marchi. Foram padrinhos: Jair Francisco Zanela e Angelita de Souza. Até a presente data, foram feitos 1.300 registros de batismos.
No 1º livro de casamentos, encontramos o primeiro registro do casal Télvio José Klock e Maria Lucia Seberina Lucinda. Ele nascido em 11.10.1956 em Gaspar, filho de Bonifácio Henrique Klock e Clara Catarina Klock, ela, nascida em 13.09.1956 em Governador Celso Ramos, filha de Sebastião Nicolau Lucinda e Siberina Alves Lucinda. Até a presente data, foram realizados na paróquia 342 casamentos. Pe. Gustavo Bértea, atendeu a paróquia até 26 de dezembro de 1982, quando então assumiram os padres Alberto Gritti e Alcido Kunzler o atendimento pastoral aos domingos. A nomeação é feita aos 21 de abril de 1983.
Aos 24 de fevereiro de 1985, Pe. Ireneu Lückmann, é nomeado Administrador Paroquial de Santa Isabel aos 4 de abril de 1986, Pe. Elói Dorvalino Kock é nomeado Vigário Paroquial, dado os inúmeros trabalhos pastorais.

Aos 14 de fevereiro de 1988, Pe. Antônio Francisco Bohn é nomeado segundo Pároco de santa Isabel.
O atendimento pastoral da Paróquia Santa Isabel compreende as seguintes capelas e comunidades:
1. Capela São João Batista, Nova Rússia.
2. Capela São Cristovão, Rua Rui Barbosa.
3. Capela São José, Encano.
4. Capela Senhor Bom Jesus, Faxinal do Bepe.
5. Escola Pe. José Mauricio, Rua Progresso.
A atual paróquia Santa Isabel conta com aproximadamente 20.000 habitantes e mais de 4.000 famílias. Basicamente constitui-se de trabalhadores de indústrias têxteis e comércio. Pertence, juntamente com as demais 12 paróquias à Comarca de Pastoral de Blumenau.
O lançamento da pedra fundamental da terceira capela e, hoje, Matriz de santa Isabel deu-se aos 13 de agosto de 1967.
(¹) Blumenau pertenceu ao bispado de São Sebastião do rio de Janeiro, até que foi criada a diocese de Curitiba (26.05.1892), passando depois para o de Florianópolis (1908) e finalmente ao de Joinville (17.01.1927).

Revista Blumenau em cadernos – TOMO XXX Janeiro de 1989 – nº 1
Páginas. 23,24,25,26,27.
Colaboração e arquivo: Sávio Abi-Zaid/Dalva
Arquivo/Valdemar Rulenski/Colaboração:Osni Wilson Melin/Adalberto Day
-------------------
Destaque para esta postagem o comentário da Bisneta de dr. Blumenau:
Prezado Sr. Adalberto Day
muito obrigada pela fotografia e pelas informações sobre os imigrantes católicos de 1854.
Cordialmente
Jutta Blumenau-Niesel
bisneta do Dr. Hermann Blumenau

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

- Jornal informativo do Pedro II

BLUMENAU, CIDADE QUE EU AMO

"NOSSO JORNAL", INFORMATIVO DOS ALUNOS DO PEDRO II  DE BLUMENAU (HÁ MAIS DE 60 ANOS)

Introdução
Mais uma bela colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor, nos relata sobre O “Jornal Informativo dos Alunos do Pedro II” atual E.E.B. Pedro II. Lendo o texto, percebi o quanto Braga Mueller se orgulha de ter passado por este tão importante educandário, sua dedicação ao jornal, às disciplinas, professores, diretora. E o nível intelectual dos professores citados é de uma grandeza fenomenal, como também de ex-colegas como Dr. Mauricí Nascimento, que com sua dedicação conquistou a simpatia dos blumenauenses até os dias correntes.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história

Por Carlos Braga Mueller
  
Blumenau sempre destacou-se  pelo seu elevado nível cultural. E um exemplo dessa incessante trajetória pode ser aferida por um interessante periódico: "NOSSO JORNAL", órgão dos alunos do Curso Primário e Complementar do Grupo Escolar Modelo Pedro II de Blumenau, que começou a ser editado na década de 40 do século passado e cuja direção, reportagens e gerenciamento eram exercidos exclusivamente pelos alunos.
Claro que por trás desse aparato lá estava à diretora da escola, além dos professores e auxiliares.
Como ex-estudante do Pedro II, tenho vários exemplares publicados em 1949 e 1950.
Estampamos nesta matéria  parte da primeira página do NOSSO JORNAL de outubro de 1950, ano VII, nº 9.
No cabeçalho lá estão os nomes dos alunos responsáveis:
Diretor:Jan Rabe; Repórteres: Rui T. da Silva e Ingrid Hausmann; Gerente: Orlaf Otte.
Mal haviam passado os festejos do Centenário de Blumenau e por isso a página 3 foi reservada para alguns artigos sobre as festividades.
Mas para nós o principal assunto era a despedida da nossa diretora, e a edição deu ênfase ao adeus à Professora Iris Fádel, que estava se licenciando por um período de um ano.
Na capa, o aluno da 4a. série primária, Mauricí Nascimento, que depois seria um respeitado médico e inclusive Secretário de Educação do Município, escreveu  a principal matéria: "Mauricí à D. Iris".  No centro da página estava estampada a foto da Dona Íris e logo abaixo: "Minha Professora", primeira matéria que eu escrevi para um jornal, quando tinha 11 anos e frequentava o 1º PC (PC, pelo que me lembro,  era o Curso Primário Complementar, um ano de preparação que se fazia entre o término do primário e o início do ginásio).
Sim, porque se as notas da quarta série não atingissem um grau de excelência, o aluno era obrigado a fazer um ano de PC !
Afinal, quando se abriam as portas do ginásio,  todos recebiam uma carga extraordinária de ensinamentos. Eram quatro línguas: português, inglês, francês e latim (4 anos de latim, sem ser seminarista !), e mais Geografia, História, Ciências, Canto Orfeônico, Desenho, Trabalhos Manuais, Física, Química, e a temida (pelo menos para mim) Matemática.... 
Quadro de formatura tem como paraninfo o professor Orlando Ferreira de Merlo . 1945
alunas brincando de roda no pátio dos fundos do Pedro II. (ao fundo se vê a antiga Mafisa - prédio já demolido. No seu lugar está o IBES. Também se vê parte do telhado do antigo Ginásio da Sociedade Gynastica de Blumenau, que foi incorporado ao Pedro II quando esta sociedade foi desativada).
Em 1954,55/56/57/ usávamos estes aparelhos durante as aulas de ginastica. Prof. Arruda Salomé & Prof. Tico . 
O interior do Ginásio com os aparelhos de ginástica, herança da Sociedade Turnverein para o Pedro II. Os aparelhos de ginastica impressionavam a nós, alunos.

Ao lembrar destas matérias nos vem  à lembrança os nomes de alguns dos inesquecíveis professores:
Geografia tinha uma sala especial e a matéria era ministrada pelo Diretor do colégio, Rodolfo Gerlach; o Inglês era ensinado pela Misses Clemens, uma inglesa de verdade;
Desenho, em outra sala especial,  nos chegava pelas aulas do professor e pintor Emerich; Canto Orfeônico era dividido em duas partes: a teoria, as notas musicais (dó-ré-mi-fá-sol-lá-si) quem ensinava era o professor Orlando Ferreira de Merlo;  já o canto,  ao redor do piano de cauda no palco do Salão Nobre,  era com o professor Heinz Geyer ao teclado; os trabalhos manuais vinham dos ensinamentos do Wilson Alves Pessoa; Heriberto Mueller ensinava Latim  e as aulas de matemática eram fruto do temido professor Joaquim Floriani ! E quem descesse para o campinho, fazia física sob as ordens do Edgar Arruda Salomé. Mas o maior orgulho de todos nós, alunos, era a logomarca ostentada pelo Pedro II: Grupo Escolar Modelo Pedro II  !
Este rol de professores era aquele que atuava no início da década de 50, ou seja, há 60 anos !
Foto: MRoeck RöckAntigamente em Blumenau
Futebol de alunos no campo que ficava na parte baixa do Pedro II (Rua Pandiá Calógeras). Ao fundo está o Ginásio coberto da antiga Sociedade Gynastica. Era ali que eram dadas as aulas de educação física quando chovia.

Não se quer dizer que o ensino de hoje não é bom, mas que naquele tempo o Pedro II nos preparava para enfrentar o mundo, ah, isso ninguém pode contestar.
Quando o diploma do ginásio finalmente chegava às nossas mãos, nos sentíamos verdadeiros "doutores”! A formatura revestia-se de um cerimonial de alta classe: acontecia no Grande Auditório do Teatro Carlos Gomes, hoje batizado de Auditório Heinz Geyer, homenagem mais que justa ao nosso querido professor de música!

O PEDRO II E SUA HISTÓRIA - BREVE RESUMO
Foto: Paulo PorcherAntigamente em Blumenau
Fundos do Colégio (pátio) mostrando o prédio onde ficava (no térreo) o Salão Nobre. Na parte superior, com acesso pelo pátio central, ficava a Sala do Diretor e a Biblioteca (no início dos anos 50).

No dia 17 de fevereiro de 1889, os moradores luteranos de Blumenau inconformados com a intransigência religiosa do Padre Jacobs, que dirigia o colégio católico São Paulo (depois Santo Antônio, hoje Bom Jesus), resolveram fundar um colégio que não discriminasse os ensinamentos de Martinho Lutero, e assim surgiu o colégio que ficou conhecido como "Neue Deutsche Schule", ou ESCOLA NOVA ALEMÃ, berço do Pedro II de Blumenau.
Em novembro de 1938, com a campanha de nacionalização promovida pela ditadura Vargas, todas as entidades que carregavam nomes alemães tiveram que mudá-los, abrasileirando-os. No caso da Neu Deutsche Schule, em 05/11/1938 ela passou a chamar-se Sociedade Escolar Pedro II.
Continuou a ser, através dos tempos, um modelo de ensino.
Somente em 12 de agosto de 1942 a Sociedade Escolar Pedro II foi integrada à Rede Pública do Estado de Santa Catarina, com o nome de GRUPO ESCOLAR MODELO PEDRO II.
Em 25/05/1976 foi transformado em Conjunto Educacional Pedro II.
Foto: Dieter Altenburg Antigamente em Blumenau
O prédio visto de quem subia o morro vindo do campo de futebol e do ginásio coberto.
O tratamento carinhoso que lhe é dedicado, e até site existe com esta vinheta, é PEDRO II. Só.  E precisa mais ? 
_____________________________________
Adendo de Urda A. Kluger
Fui aluna do Pedro II durante sete anos - lá fiz o Ginásio e o Científico. Era um grande colégio, com laboratórios, prédios novos (na região da Alameda (isto foi de 1966 a 1972), maravilhosos professores catedráticos, e tudo o mais que se possa imaginar de um grande colégio. Devo ao Pedro II grande parte da minha formação. Naquele tempo em que eu estudava lá, também lá estudava uma mocinha que se elegeu miss Blumenau, chamada Vera Fischer. A diferença é que eu estudava no Ginásio e ela fazia o Clássico. De miss Blumenau ela passou a miss Brasil, e foi um imenso acontecimento em Blumenau a chegada dela à nossa cidade depois da eleição para miss Brasil. Foi recebida triunfalmente no centro da cidade, e no dia seguinte foi recebida no nosso colégio. Lembro como ela chegou em carro aberto, acompanhada pelo nosso diretor, o professor Joaquim Floriani, e de como ela era bonita! Usava um vestidinho mini de veludo vermelho, uma longa echarpe de lã branca em torno do pescoço e, nos lábios, uma coisa que nunca víramos, e que mais tarde se tornaria popular, o "brilho". Nosso diretor impava de orgulho, de braço dado com uma miss Brasil de verdade, coisa que naquele tempo tinha muita importância. Foi feriado no colégio, e todos nós nos aglomerávamos na Rua Pandiá Calógeras para ver aquela coisa magnífica!
O professor Joaquim Floriani era alguém muito especial, duro na manutenção da disciplina daqueles mais ou menos 5.000 alunos, orgulhoso da nossa fanfarra que era a melhor da cidade a desfilar no 7 de setembro, cioso do que o colégio apresentaria em tal desfile, mas muitas vezes tendo atos de brandura nos quais a gente nem acreditava muito, como um dia em que faltou um professor na nossa sala, e ele levou para lá um toca discos com discos de iê-iê-iê e disse para que nos aproveitássemos a folga dançando. Muitos anos depois, na altura da virada do século, uma noite, na FURB, soube do falecimento dele. Sem titubear, fui ao velório, imaginando onde caberiam os 5.000 ex-alunos do Pedro II que imaginei que apareceriam lá - e, pasma, dei-me conta de que a única ex-aluna que fora até lá tinha sido eu. Não sei como as pessoas esquecem o passado tão facilmente.
Como gostaria, agora, de lembrar, um por um, dos maravilhosos professores que tínhamos então! Sei que minha memória me trairá, mas vou tentar lembrar ao menos de alguns:
- prof. João Joaquim Fronza, de História, que além de ensinar História, ficava fazendo sugestões sobre leituras de Literatura, e eu não perdi nenhuma sugestão daquelas. Lembro como li, aos 15 anos, "Os sertões", de Euclides da Cunha, por sugestão dele. Era uma grande professor, que infelizmente tinha as mãos atadas naqueles anos de ditadura, e pouco podia expressar do seu íntimo;
- professora Tereza Paiva Ribeiro, também de História, que alavancou de vez este gosto que tomou conta da minha vida;
- professor Onésio Girardi, de Geografia, que não via por que não ^pôr em prática, já naquela altura, a interdisciplinaridade, e estava sempre nos enchendo de novidades;
- professor Alfredo Petters, de Matemática, com quem eu aprendia Matemática com o prazer de quem faz um piquenique;
- professora Lori Petersen, de Ciências, que nos levava para o laboratório, nos fazia aprender sobre células com o olho nos microscópios , espiando células de cebola, além de um dia ter levado todo um grupo de formandos, de ônibus, até Foz do Iguaçu, pelas ínvias estradas sem asfalto daqueles tempos. Tal viagem, na altura, tinha mais ou menos as dificuldades de se ir a Marte hoje. E ela era uma mocinha, pouquinho mais velha que nós. Não dá para esquecer, também, como a professora Lori Pettersen, um dia, dissecou um sapo com a nossa turma;
- professor Alceu Natal Longo,  de Biologia, que nos introduziu no mundo da Ecologia, e que tanto saber deixou na minha vida;
- professor Evaldo Trierweiler, de português, que era como que um guru para mim, e sem o qual eu não teria aprendido gramática.
Que me perdoem os que não estou citando aqui e que muito ajudaram na formação da minha personalidade e da minha vida.
Estudávamos para valer, e eu tinha dois amigos inseparáveis: o Piá (Osvaldino Quirino Filho) e o Jairo Rosa, ambos um pouco mais jovens do que eu - e, incrivelmente, com pouco mais de 50 anos, os dois morreram. É coisa que quase não dá para acreditar.
Eu era boa aluna, dessas que estava sempre em primeiro lugar na sala (normalmente, no terceiro trimestre eu já tinha 30 pontos na maioria das matérias, quando se precisava de somente 28 pontos para passar - mas nunca deixei de ir uma aulinha que fosse, até o final do ano), mas havia um outro aluno, que sempre estava em outra sala, que era como eu. Seu nome era Arleto Alves, e nós dois éramos os dois melhores alunos do colégio. Escrevo tais coisas, agora, tentando saber o que aconteceu com aquele menino, que rumo ele tomou na vida, pois depois que acabou nosso tempo de Pedro II, nunca mais soube dele. Deve ter tido uma vida brilhante - seu apego à escola já dizia tal coisa. Certa vez, creio que já no terceiro Científico, o Arleto Alves e eu acabamos sendo colocados na mesma sala. Foi a maior competição que se possa imaginar, cada um de nós querendo ser melhor que o outro - no finalzinho do ano somamos todas as nossas notas, pontinho por pontinho, e eu tinha conseguido um pontinho a mais que o Arleto. Grandes vitórias da adolescência!
Já me estendi muito - penso que algum dia devo escrever um livro contando as venturas dos tempos de Pedro II. Encerro contando que, muitos anos depois, quando eu já era historiadora e me aposentara como bancária, fui pedir emprego no Colégio Pedro II, e trabalhei lá por dois anos e meio. Fui uma das experiências mais maravilhosas da minha vida - chegava, estacionava meu carro no lugar onde meus antigos professores estacionavam as suas lambretas, e convivia com minhas turminhas inesquecíveis, cumprindo o meu papel de professora de História, que era o papel de inquietar. Até hoje encontro tais aluninhos por todos os lados, muitos já formados, já casados, já pais - e então penso na maravilha que foi e é ter um Pedro II na vida!
 Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

Texto Carlos Braga Mueller/jornalista/escritor em Blumenau.
Arquivo Carlos Braga Mueller/Colaboração e envio das fotos do Antigamente em Blumenau Facebook, José Geraldo reis Pfau, publicitário em Blumenau    

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