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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

- Blumenau e sua imprensa

“A TRIBUNA”
Com esse titulo, surgiu em Blumenau outro semanário sob a direção dos jornalistas Gentil Telles e Evelásio Vieira. “ A Tribuna” lançou ao público o seu primeiro número em 7 de outubro de 1957 e explicava em seu editorial de apresentação: “ Apesar de vivermos esmagados no mesmo meio, arrastando trabalho e dificuldades, queremos, sem maiores pretensões, com este jornal, emprestar a insignificância do nosso esforço a um empreendimento grande, nobre e valioso. Anima-nos, unicamente, a vontade firme e decidida de utilizar, total e completamente, a nossa capacidade de trabalho, a intenção sincera de servir de servos úteis. Pretendemos colher e semear a Verdade. Essa verdade que brota da sua própria natureza e fixa os seus valores na placa dos seus postulados. Jamais nos curvaremos a injunções políticas e interesseiras E aí por diante.
Com 12 páginas, esse primeiro número, bem impresso, trazia matéria variada, bem distribuída e através da qual já se via a verdadeira orientação do jornal: combater os governos do município e do Estado.
Seguindo o ponto de vista político do partido Trabalhista Brasileiro, desencadeou tenaz campanha contra os situacionistas da união Democrática Nacional, apontando, falhas e erros, criticando, às vezes acerbamente, a situação dos dirigentes locais.
Não desceu, porém, nunca, aos ataques pessoais e nem à linguagem desaconselhada órgãos de imprensa que se prezem, num meio avesso a tricas e fruticas da politicagem.
Formato 33 x 46,5 cm, que conserva, pois o jornal ainda continua, até os dias de hoje (1971), prestando bons serviços a coletividade.
O Dr. Gentil Telles ficou à frente da Direção do jornal até setembro de 1959, quando “A Tribuna” passou, por compra para a propriedade de Germano Beduschi, cidadão que já exercera, por mais de uma vez, o governo Municipal e era um dos próceres políticos locais. Evelásio Vieira já havia deixado, em novembro de 1958, de participar da direção, quando Egídio Volpato entrou para a gerencia da “A Tribuna”, e Péricles Prade para a sua redação , nelas se conservando até a transferência do jornal.

Dispondo de bons colaboradores “A Tribuna” atravessou todo esse período, fornecendo matéria variada, não apenas sobre a situação política e os interesses econômicos e culturais do município, mas igualmente sobre assuntos de caráter geral. O jornalista Cássio Medeiros, espírito arejado e combativo, mantinha assídua coluna sob o titulo “Três por Semana” que despertava muito interesse pela variedade dos assuntos versados e o bom senso com que eram tratados.
Antes de passar para as mãos do seu novo proprietário, Germano Beduschi, “A Tribuna” sofreu interrupção na sua publicação, em abril de 1959, tendo reaparecido em 7 de setembro, seguinte. Egídio Volpato figurava ao lado de Beduschi, como diretor.
De acordo com nota explicativa, publicada na primeira página, o jornal continuaria a mesma orientação que lhe fora dada pelos seus fundadores, ou seja “ o caminho que partilharemos será o mesmo em favor do povo”. Pouco depois, Volpato deixa de figurar como diretor, permanecendo só o Sr. Germano Beduschi. Já em fevereiro de 1960, entra para a redação Geraldo Luz que dá pouco depois, o seu posto a Waldir Wandall, entrando Nagib Barbiere para a direção. Este último, entretanto, não demora no cargo, pois, já no número seguinte ao que apareceu, seu nome não mais figura no cabeçalho.
Pelos fins de 1960, entra para a redação Onildo S. de oliveira que permanece apenas algumas semanas.
Daí por diante, passam ano cabeçalho, apenas Germano Beduschi como proprietário e como colaboradores: Diversos.
Mantendo uma linha de conduta coerente e de elevado nível, “A Tribuna” vem se mantendo dentro de uma trajetória digna de registro e de louvores.

Contando com a colaboração de elementos capacitados, como Geraldo luz, Álvaro Corrêa e outros que, embora não figurando no cabeçalho do jornal, emprestam-lhe o brilho da sua inteligência e a sua prática jornalística, “A Tribuna” vem cumprindo galhardamente o seu programa, vencendo tropeços e dificuldades sem conta sempre presentes em empreendimentos jornalísticos do interior. Germano Beduschi, nesse particular, tem se mostrado também um verdadeiro abnegado, dedicando esforços inauditos em prol do desenvolvimento do seu jornal e, conseqüentemente, da imprensa no Vale do Itajaí. Participando de quantas campanhas se têm desenvolvido em prol do progresso de Blumenau e do bem estar do seu povo, “A Tribuna” vai se impondo, cada vez mais, como um órgão orientado por elevados propósitos.


“BLUMENAU EM CADERNOS”

Esta publicação surgiu em novembro de 1957 em Curitiba. Ali residia, então, o seu fundador José Ferreira da Silva. Este blumenauense honorário, sempre dedicado ao estudo da história do Vale do Itajaí, embora temporariamente afastado do município que chegara a governar de 1938 a 1941, jamais deixou de se interessar pelo desenvolvimento cultural de Blumenau.


Em constante ligação com as principais figuras do mundo intelectual blumenauense, resolveu ele concretizar um projeto que o vinha preocupando há muito: o de dar publicidade, em pequenos cadernos mensais, ao vasto material existente no Arquivo Histórico do Município e, assim, preservá-los para a posterioridade.

Os primeiros números foram impressos nas oficinas tipográficas de Max Roessner, passando, posteriormente, os demais, a sê-lo nas da Gráfica Vicentina, ambas da capital paranaense.

Em 1962, quando “Blumenau em cadernos” já estava no quinto tomo, Ferreira da Silva retornou a Blumenau, passando a revista a ser impressa em oficinas desta cidade.

De acordo com o que se propôs no artigo de apresentação, a revista vem executando um interessante programa de estudo e divulgação dos fatos catarinenses, especialmente dos do Vale do Itajaí, publicando artigos, crônicas, relatórios, cartas e outros documentos históricos, prestando assim, assinalados serviços à coletividade.

“Blumenau em Cadernos” aparece mensalmente em 20 páginas de Texto, formato 16,5 x 23 cm., com capa ilustrada em duas cores. Está, atualmente, no XII tomo cada um deles com 12 cadernos formando já 11 volumes completos com mais de 2.650 páginas (1971). Constitui-se, por essa forma, a “Blumenau em Cadernos” o maior acervo impresso de informações histórica de Santa Catarina, tendo acolhido e continuando a ser honrado com a colaboração dos maiores expoentes das letras e da História da nossa terra.

Somos suspeitos para opinar sobre os méritos e préstimos desta publicação. Possuímos, entretanto, em nossos arquivos, centenas de opiniões de destacadas figuras do mundo social e cultural de Santa Catarina e de outros estados da Federação e até mesmo de outros países, todas salientando a valiosa atuação de “Blumenau em Cadernos” e a sua contribuição para o maior progresso intelectual barriga-verde.

“Blumenau em Cadernos” é mantido por pequena subvenção dos cofres municipais e por espontâneas contribuições de algumas indústrias e de particulares. Graças a essa cooperação, que, nos serve de estímulo, a publicação vai sendo feita com louvável regularidade.

“O MONITOR”
Dizendo-se “órgão da juventude social-progressista de Blumenau”, surgiu nesta cidade, a 15 de abril de 1958, um jornal quinzenal, sob o título “ O Monitor”. Era de distribuição gratuita e tinha como diretor Geraldo Luz, como redator Waldir Wandall e como gerente Lourival Nascimento. Os dois primeiros números (15 de abril e 16 de maio, respectivamente) apareceram com seis páginas, no formato de 25,5 x 36,5 cm.
O número 3 data de 2 de junho de 1959 e aparece em formato bem maior: 32 x 47,5 cm, tendo desaparecido do cabeçalho a indicação do órgão da Juventude Social Progressista e os nomes dos responsáveis, constando apenas como “órgão independente do Vale do Itajaí”. Já no segundo número, o nome do redator Waldir Wandall tinha sido substituído pelo de Péricles Prade. Foi uma folha de orientação política, ligada ao partido chefiado por Ademar de barros no âmbito nacional. Teve vida curta, mas foi muito combativo, bem feito e com boa colaboração.

“REVISTA AA BB”
Em janeiro de 1959 apareceu o primeiro número deu ma bem feita revista, com 20 páginas, formato 15,5 x 22 cm, órgão da Associação Atlética Banco do Brasil.
A “Revista AA BB”, Blumenau tinha como diretor Edison Müller, diversos redatores, de edição mensal e tinha por sede o Edifício do Banco do Brasil, à rua 15 de novembro. Era impresso na Tipografia e livraria Blumenauense S/A.
São do editorial de apresentação estas palavras: “Destinada, especialmente, aos associados da AABB, escudamo-nos, desde já no elevado espírito de compreensão que sempre nos tem unido, aos nos serem apontados os nossos defeitos. A feitura desta revista deve-se à colaboração imprescindível dos associados. Neste primeiro número apresentamos trabalhos dignos de figurarem nas melhores revistas do país fato que, sobremaneira, nos anima a continuar no campo da luta por muito tempo”.
Realmente, tanto esse primeiro como os demais números da Revista apareceram enriquecidos de excelente colaboração, artigos e contos bem feitos, bem escritos e de seções variadas, inclusive de palavras cruzadas, esporte, anedotas, piadas, variedades.
As primeiras nove edições saíram sob a direção de Edison Müller, as de números 10 e 21 sob a responsabilidade redatorial de Ary de S. Siqueira, a de nº 22 sob a direção de Rogério Bergonsoni e Edison Müller, figurando, este último, sozinho, como diretor-redator chefe no número 23. Deste, até o número 26, o Sr. Oswaldo Ladewig.

Com esse número, correspondente a setembro/outubro de 1966, a revista encerrou suas atividades. Lamentavelmente, porque foi um órgão de imprensa à altura do preparo intelectual, da experiência e cultura dos rapazes do Banco do Brasil, e que grandemente honrou a imprensa de Blumenau.
O nosso Arquivo Histórico possui toda a série dos números publicados.
Blumenau em Cadernos Tomo XII - * Abril de 1971 * - Nº 4
Colaboração: Sávio Abi-Zaid

2 comentários:

Curt Nees disse...

Meu caro Adalberto, tudo bem?
Preciso de um GRANDE favor: nos idos de 60/70 meu irmão Armando Werner Nees, transava alguma coisa em jornal, não consigo recordar bem, mas me parece que antecedeu (ou dividiu o espaço, substituiu em alguns momentos...) na coluna social do Nagel. E penso que ele, assina como Armando Viana. Podes ver se resgatas alguma coisa???
Um abraço, e grato pela atenção de sempre!!!
Curt - curt.nees@gmail.com - Jaraguá do Sul/SC

Paulo R. Bornhofen disse...

Adalberto,

Lí, no Santa os problemas que a revista Blumenau em Cadernos vem enfrentando, o que é lamentável. Será que mais esta publicação vai ficar apenas na memória?

Abraços,

Paulo

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