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terça-feira, 28 de agosto de 2012

- Nossa Senhora Visitadora

Nossa Senhora Visitadora
Participação da colunista/Escritora, historiadora Urda – relando sobre Nossa Senhora visitadora.
Me chamou muito atenção pois era assim mesmo que crescemos vendo essas visitas, altares, cantorias, orações e procissões.






Por Urda Alice. Klueger.

 Quem tem 50 (Em 1996) anos se lembra; quem não tem 50 anos, provavelmente nunca ouviu falar. Vou contar, hoje, de uma tradição que existia lá no começo dos anos sessenta: a de Nossa Senhora Visitadora.
A rua Antonio Zendron, em Blumenau (Bairro Valparaíso), onde cresci, na época já era uma rua muito extensa, com muitos moradores. Não tinha as feições de hoje, com loteamentos e condomínios se emendando – era uma rua calma, com pequenos grupos de casas separadas por grandes pastos onde pastavam mansas vacas holandesas, rua habitada por católicos e luteranos mais ou menos em mesmo número, mas  onde, com toda a força, a exemplo da maioria das ruas daquela época, Nossa Senhora Visitadora fazia o maior sucesso.
Considerando o tamanho da rua, faço as contas e tento imaginar quanto tempo levava Nossa Senhora para visitar todos os moradores; com certeza, a volta inteira demorava anos. Esses cálculos, porém, não importam. O que importa era a emoção de beleza que vinha com as visitas de Nossa Senhora.
Ela ficava uma semana em cada casa. Creio que era nas noites de sábado que Nossa Senhora migrava para a casa seguinte; como havia os grandes pastos entre as casas, às vezes a procissão que transportava a imagem de Nossa Senhora de uma casa para a outra era extensa, e sempre linda, com todos com velas acesas nas mãos a cantar canções marianas, as crianças na maior expectativa a espiar como a cera das velas formava estranhas esculturas acima das suas mãos.
Aí se chegava à nova casa que Nossa Senhora ia visitar, e, ah! Sempre havia uma surpresa! Dependendo da situação econômica de cada família, criavam-se todo o tipo de altares onde Nossa Senhora iria permanecer uma semana, e que altares maravilhosos que se faziam! Paredes inteiras da sala principal de cada casa eram cobertas de seda azul e tule branco, e Nossa Senhora era entronizada com todas as honras em altares fantásticos, que esgotavam toda a criatividade dos moradores e encantavam a vizinhança! Apesar de ser uma atitude totalmente católica, não era incomum as senhoras luteranas mandarem flores do seu jardim para o altar do vizinho, ou mesmo de comparecerem às cerimônias, que viravam quase acontecimentos sociais.
Eu era fascinada pelas procissões e pelos maravilhosos altares azuis e brancos, pejados de velas acesas e flores (as flores, naquela época de antes do surgimento das floriculturas, eram cultivadas por cada dona-de-casa). O chato era, depois, ter que rezar o terço. Eu até que gostava do terço quando era a Dona Nilda que o puxava, de uma forma natural e sem afetação, mas havia dias em que quem o fazia era o “seu” Moreira, um outro vizinho, que embarcava na recitação do terço como se estivesse num palco, levando o dobro do tempo, o que preocupava enormemente a nós, crianças, que queríamos que aquilo acabasse logo para poder conversar. Eram bonitas as ladainhas, e delas, eu gostava. A ladainha de Nossa Senhora me fazia viajar na sua poesia e no seu encanto, e enquanto todo mundo ficava repetindo: “Rogai por nós”, eu me amarrava, mesmo, era nos lindos títulos de mãe de Deus:
Rosa Mística!
Torre de marfim!
Eram palavras que estavam fora do nosso vocabulário do dia-a-dia, e que botavam a minha imaginação a funcionar pra valer.
Depois da procissão, do terço, das ladainhas e dos cantos, era hora de voltar para casa. Por toda aquela semana se ia rezar o terço naquela casa; no sábado seguinte, tudo se repetia, e havia a ansiedade para se conhecer o novo altar. Poderia ser um altar mais pobre, dessa vez, mas estaria pejado das melhores flores da redondeza, e haveria as velas da procissão noturna, e os cantos, e as expressões como “Rosa Mística” para mexer com a minha cabeça. Eu era muito pequena para saber das coisas, mas, com certeza, muitos namoros devem ter iniciado nessas visitas de Nossa Senhora pela minha rua à fora, muitas receitas eram trocadas pelas donas-de-casa, muita gente que não se conhecia acabava se conhecendo. Momento de integração de uma comunidade, momento de magia para as crianças, um dia Nossa Senhora deixou de fazer as visitas. E a magia das procissões com velas nas noites de sábado se acabou.

Blumenau, 12 de maio de 1996.
Urda Alice Klueger
Arquivo Adalberto Day

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

- 20ª Gincana Cidade de Blumenau

Parabéns a todos os amigos Gincaneiros e seus autores, administradores e organizadores.
Ano especial da Gincana Cidade de Blumenau, por ser a vigésima edição de muito sucesso (24/25Agosto/2012) encerramento 26/08/2012. A cada ano que passa, tanto gincaneiros como a comunidade se interessam mais e com mais qualidade. A aceitação e credibilidade pela comunidade, a cada ano aumenta, sendo este uma conquista para a manutenção de nossa cultura, tradição e história.
Fotos: Jaime Batista da Silva
Equipe Campeã 2012 Safari .
Vídeo da vitoria
Vice equipe Coringa

RESULTADO FINAL DA 20ª GINCANA CIDADE DE BLUMENAU 2012:
1º Lugar: Equipe Safari  (326 pontos)
2º Lugar: Equipe Coringa (296 pontos)
3º Lugar: Equipe Capitão Caverna
4º Lugar: Equipe Arromba
5º Lugar: Equipe Amigos do Barney
6º Lugar: Equipe Amigos da Onça
7º Lugar: Equipe The Neanderthais
8º Lugar: Equipe Ecossistema
9º Lugar: Equipe Elite
10º Lugar: Equipe Mik Dundee
11º Lugar: Equipe Kamikase
12º Lugar: Equipe Tribo dos Anjos
13º Lugar: Equipe Spy
14º Lugar: Equipe Senha
15º Lugar: Equipe Lambda Lambda
Fotos Jaime Batista da Silva
Foi emocionante ser chamado ao palco, pelo André e Gilson, e dizer algumas palavras de coração a todos meus amigos #Gincaneiros cidade de Blumenau.
Fui as lagrimas quando mais de 2mil pessoas gritavam meu nome num coro só : “Adalberto!!! Adalberto!!! Adalberto!!! “Beto!!! Beto!!! Beto!!!...Depois um garotinho de uns 8 anos, com sua mãe veio pedir permissão para bater uma foto comigo, dizendo ser meu fã. Obrigado a todos.
 Foto Dalva Day

Foto Josie Cenci
Vídeos por equipes, cujo tema é "Ruas de Blumenau". Cada equipe selecionou uma rua da cidade para contar sobre sua história ou sobre algum fato atual que
lá acontece. Assisti a todos e achei todos maravilhosos, e de importância para nossa cultura e história. 
Amigos da Onça
Amigos do Barney
Arromba
Capitão Caverna
Coringas
Ecossistema
Elite
kamikaze
Lambda Lambda
Mik Dundee
Safari
Senha
Spy
The Neandertais
Tribo dos Anjos
História:
No ano de 1993, A Gincana foi organizada pela Assessoria para  assuntos da  Juventude da Prefeitura de Blumenau  (em comemoração ao aniversário do município), pois naquela época ainda não existia a Liga de Gincaneiros. Na ocasião os irmãos Nico e  Fabrício Wolff  que era o Assessor, que coordenou o evento com a ajuda do Cláudio  (Caco) Peixer  e o Vinícios
Todos eles participaram da primeira edição.
No primeiro ano, foram 366, em seis equipes participantes. Hoje, chega a sua 20ª edição ininterrupta, com a participação de mais de 950 inscritos em 15 equipes, além de colabores, que totalizam cerca de 2000 pessoas participando no evento. É importante salientar que boa parte das equipes se mantêm estruturadas o ano inteiro, participando de diversas outras atividades beneficentes.
Apesar de o evento ainda ser apoiado pela Assessoria da Juventude, hoje em dia é organizado pela Liga Blumenauense dos Gincaneiros, composta por 1 integrante de cada equipe, presidida pelo Gincaneiro Gilson da Motta Soares. A criação da LIGA foi um importante passo na consolidação da gincana, que passou a contar com administração independente para garantir estabilidade e continuidade da gincana.
Precedem a gincana às provas com objetivos filantrópicos. Toneladas de alimentos já foram arrecadadas ao decorrer da gincana, além de brinquedos, livros, produtos de higiene, agasalhos e cobertores. Todo ano os gincaneiros participam maciçamente do Pedágio da APAE, cobrindo diversos pontos de arrecadação e contribuem com o hemocentro através da prova de doação de sangue.
Já no final de semana do evento, acontecem as mais esperadas provas, compostas por charadas inteligentes que envolvem variedades, conhecimentos gerais, cultura e principalmente a história da cidade.
Do outro lado das equipes está a Comissão de Provas, coordenada desde 1997 (salvo em 2 edições) por André Mrozkowski, responsável pela elaboração e execução das tarefas. A CP vem cumprindo com êxito sua tarefa de fazer desta uma gincana diferenciada, com aspecto distinto das convencionais. As provas que acontecem neste evento se diferem da concepção tradicional de gincana. São provas muito mais complexas, em que as equipes têm que desvendar enredos, geralmente policiais ou de terror, através de interpretação de pistas distribuídas por toda a cidade.
Dentre estas provas, se destaca a prova da madrugada (a mais esperada), que tem duração até as 05 da manhã. Criptografia e sustos rolam a noite toda, inclusive em cenários que são preparados especificamente para esta prova, como sítios ou casas abandonadas, aumentando o suspense. E, por incrível que pareça, muita gente gosta destes sustos.
 Por suas peculiaridades, a gincana de Blumenau acabou virando referencial e modelo para diversas gincanas do Brasil, que buscam suporte em nosso evento.
Primeira Diretoria - Presidente - Humberto José de Paiva / Vice - Rodrigo Cirino / Primeira Secretária - Dominique Pires Ibbotson / Primeiro Tesoureiro - Rafael Coutinho dos Santos 
Diretoria atual - Presidente - Gilson Soares / Vice - Fernando Reinert / Primeira Secretária - Janete Valéria Jensen / Primeira Tesoureira - Danielly Gomes 
Meus agradecimentos a todos os gincaneiros, pelo carinho. A minha esposa Dalva pelo seu empenho. Também agradeço em nome do André e Gilson, pela confiança em nosso trabalho e a toda equipe #GCBlu2012
Arquivo: Liga Gincaneiros de Blumenau/Adalberto Day

terça-feira, 21 de agosto de 2012

- Getúlio Vargas visita Blumenau

Turma da Alameda
Imagem : Darlan Jevaer Schmitt
Antigamente em Blumenau

Os dizeres do Cartaz:
HOMENAGEM DO MUNICIPIO DE BLUMENAU AO EXMO. PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS.
POR OCASIÃO DE SUA VISITA A ESTA CIDADE
O BRASIL DEPOSITA A SUA FÉ  E A SUA ESPERANÇA NO CHEFE DE SUA NAÇÃO.
O QUE FEZ O GOVERNO MUNICIPAL DE BLUMENAU DURANTE O ESTADO NOVO.
- O presidente Getúlio Vargas, acompanhado do interventor Nereu Ramos (Catarinense nascido em Lages, que depois foi presidente do Brasil) e grande comitiva, visita Blumenau a 10 de março de 1940, sendo alvo de calorosa recepção organizada pelo prefeito José Ferreira da Silva.
No Teatro Carlos Gomes realiza-se um almoço com 600 convidados, quando Getúlio é homenageado com uma apresentação da Orquestra do Teatro, regidos pelo maestro Heinz Geyer, que executa o Hino Nacional cantado a oito vozes.
História: - Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja (RS) a 19 de abril de 1883. Foi chefe do governo provisório depois da Revolução de 30, presidente eleito pela constituinte em 17 de julho de 1934, até a implantação da ditadura do Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Foi deposto em 29 de outubro de 1945, voltou à presidência em 31 de janeiro de 1951, através do voto popular. Em 1954, pressionado por interesses políticos é levado ao suicídio a 24 de agosto de 1954. Com uma bala no peito ele atrasa o golpe militar em 10 anos e“sai da vida para entrar na história”. É até hoje considerado por muitos O MELHOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE EM TODA A HISTÓRIA.
Fonte -   Darlan Jevaer Schmitt/ ACIB – 90 anos de história /Arquivo Adalberto Day
Colaboração José Geraldo Reis Pfau

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

- O cemitério onde Dr. Blumenau foi enterrado

Cemitério Hauptfriedhof Braunschweig (em português Cemitério principal de Braunschweig) na Alemanha onde  Dr. Blumenau foi enterrado
Fotos e parte dos textos, enviado pelo amigo Gustavo Loos, em sua viagem a Alemanha, onde visitou seu irmão e além dos pontos turísticos, o cemitério onde originalmente foi sepultado dr. Blumenau, fundador de nossa cidade.
A foto da igreja que situa-se  na entrada do cemitério.
Tem um (local) com uma árvore diferente, que fica na lateral do caminho que leva ao túmulo do Dr. Blumenau.
O cemitério fica nesta rua: Helmstedter Straße Braunschweig
Você sabia que Dr. Blumenau naturalizou-se brasileiro em 1856
Desde 1974 os restos mortais da família de Dr. Blumenau, estão no mausoléu próximo ao prédio atual da fundação cultural.

Links do cemitério: Hauptfriedhof Braunschweig (em português Cemitério principal de Braunschweig)

Imagem  direto do Google Earth, com a localização do túmulo da família de Dr. Blumenau 
Arquivo: Gustavo Loos/Adalberto Day

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

- Pousando nas águas do Itajaí Açú

Mais uma bela colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor, onde relata sobre a antiga A TABA começou em 1945 como Transportes Aéreos da Bacia Amazônica. 

O Brasil é um verdadeiro "continente" oceânico. Mesmo assim, não aproveitamos nossas águas  como devíamos para o pouso e decolagem de aviões, atividades que ficam praticamente restritas às regiões das florestas da Amazônia.
Mas houve um tempo em  se podia viajar de Itajaí para o Rio, e vice versa, de hidroavião... decolando e pousando nas águas dos rios ou do Oceano Atlântico, ao longo da costa brasileira ! Os passageiros da nossa região começavam suas viagens embarcando nas águas calmas da foz do Itajaí Açu, na cidade de Itajaí. E ali desembarcavam também !
 UMA EMPRESA CHAMADA TABA
 Em 1948 foi aberta uma linha aérea com hidroavião do Rio de Janeiro para Laguna, em Santa Catarina, linha que depois foi estendida até Porto Alegre, ligando a então capital federal a Paraty, Santos, Iguape, Cananéa, Paranaguá, São Francisco do Sul, Itajaí, Florianópolis, Laguna, Araranguá e Porto Alegre.
A empresa era a TABA, fundada por um veterano ex-piloto da FAB, que na Segunda Guerra Mundial havia executado, na Itália,  o maior número de missões em aeronaves Republic P47D Thunderbolt. Seu nome: Alberto Martins Torres. 

A TABA começou em 1945 como Transportes Aéreos da Bacia Amazônica, para transportar borracha ao porto de Belém. Porém, o mercado da borracha sofreu uma queda após a guerra e Torres pediu então ao Ministério da Aeronáutica  uma concessão para transportar passageiros e cargas entre o Rio e Porto Alegre.
  
IR DE SANTA CATARINA AO RIO ERA COMPLICADO 
Naquela época, os blumenauenses costumavam viajar para o Rio no "paquete" Carl Hoepcke, um navio que saía regularmente do Porto de Itajaí em direção ao norte, levando carga e passageiros. A viagem durava de 2 a 3 dias. 
Com a novidade do hidroavião, muitos mudaram para o transporte aéreo.
Minha tia, Nahyd Braga, tinha loja  de artigos para noivas em Blumenau, mas morava em Copacabana, no Rio. Embora a viagem no Carl Hoepcke fosse confortável, e até sala de estar com piano ele possuísse, feitas as contas do tempo gasto pelo navio e pela aeronave,  ela resolveu voar pelo hidroavião da TABA que, com a mudança para a rota do sul também mudou de nome. Passou a chamar-se TABA Transportes  Aéreos Bandeirantes Ltda.
Tia Nahyd contava que era uma verdadeira aventura voar pela TABA. A cada amerissagem, e como tinham,  lá entravam novos passageiros e muita carga, cachos de banana, tambores de óleo e por aí afora. Ela se divertia muito com isso e nos contava, rindo, o que enfrentava a bordo.

A frota da TABA era pequena: 2 aviões Catalina do tipo PBY-5, que voaram nos anos de 1948 e 1949, e um Douglas DC-3 que esteve no ar durante o ano de 1949.
 A TRAGÉDIA 
No dia 30 de setembro de 1949 o Catalina  prefixo PP-BLB deixou as águas da Baía da Guanabara e levantou voo em direção a Porto Alegre.
Ao amerrissar no porto de Iguape, em São Paulo, bateu em uma tora de madeira submersa e capotou,  afundando em seguida nas águas do rio que ali desemboca. O memorialista Niels Deeke conta que, por relatos do piloto Karl Heinz Eberius a Gunter Deeke (ver ADENDO II abaixo), o acidente ocorreu devido ao avião ter amerrissado sobre um banco  de areia submerso, ocorrendo o capotamento,e não por ter batido em uma tora".
Segundo os registros, no acidente morreram dois mecânicos do hidroavião e dois passageiros. 
Seria o início do fim da TABA do comandante Torres. Sem peças de reposição, com uma frota muito pequena e enfrentando a aviação comercial que já usava aeroportos terrestres e começava a se estruturar, a TABA acabou sendo vendida em 1950 a um outro piloto veterano da segunda guerra: Coronel Marcilio Jacques Gibson, proprietário do Lóide Aéreo Nacional, que rebatizou a empresa com o nome original: TABA - Transportes Aéreos da Bacia Amazônica.    
Os blumenauenses perdiam, temporariamente, mais um meio de locomoção para viajar ao Rio de Janeiro ou Porto Alegre, o que acabou sendo suprido por empresas como a TAC - Transportes Aéreos Catarinense, que viria logo em seguida.

Adendo 
Respostas e comentários aos que leram e comentaram:
Referente ao Djalma de Anápolis: 
Estou preparando um trabalho sobre a TAC - Transportes Aéreos Catarinense (anos 50), e ali relato sobre o Aeroporto antigo de Itajaí, até com depoimentos de pessoas que acompanharam o seu fechamento e a transferência para Navegantes.
Rubens Heusi: interessante o depoimento de que o cunhado dele, Dr. Telmo Duarte Pereira (foi meu médico quando eu era criança), estava no acidente do avião da TABA.  E assim podemos resgatar um ato de heroismo de um blumenauense que mesmo estando  entre os acidentados,  prestou socorro aos feridos no desastre aéreo. Honra ao mérito !
Osmar Hinkeldey: tempo de viagem Itajaí/Rio: não posso precisar, mas  era coisa de sair e chegar no mesmo dia, isto se os pousos e decolagens não tivessem problemas...problema, sim, era de Itajaí a Blumenau e vice versa, em estrada de barro, o ônibus aos solavancos.
Cao Zone: super interessante o histórico que ele passa do  paquete Carl Hoepcke e o fim melancólico e trágico que o navio teve. 
Flávio Monteiro de Mattos
Que bom poder constatar que provocamos belas lembranças,  que nos transportam aos tempos dos "Catalinas".

Se o tio de Flávio tinha emoções ao voar, conduzindo estes "senhores do ar", nós é que temos agora emoções ao resgatar momentos como estes. Valeu !

Obrigado a todos pela leitura. Carlos Braga Mueller
Texto Carlos Braga Mueller
Adendo II
Adendo à postagem “ Pousando nas Águas do Itajaí Açu ¨- TABA
Maravilhado com as sempre oportunas menções  histórias divulgados pelo abnegado jornalista Carlos Braga Müller e, quando agora vem brindar-nos com o episódio da hidro-aeronavegação comercial , pela Taba, tendo o rio Itajaí Açu como pouso para amerrissagem, externo-lhe meus efusivos aplausos pela feliz recordação.
Naquela época eu estava com cerca de 12 anos de idade e assisti, em Itajaí, uma decolagem do Catalina no qual meus pais seguiam ao Rio de Janeiro. Na oportunidade eu permaneci na casa de meus tios -  Elsa e Victor Deeke, na Barra do Rio, em Itajaí ( Cia. Fábrica de Papel Itajaí) , vez que o comandante do hidroavião era  irmão de minha tia Elsa (Eberius) Deeke. Sabedor, desde sempre, de que a empresa Taba era propriedade dos sócios Torres e Karl Heinz Eberius, em idênticas proporções de capital e, estranhando a omissão do nome de Eberius no texto, recorri  ao meu primo Gunter Deeke, em Itajaí- sobrinho de Eberius-  para indagar mais detalhes acerca da  empresa Taba e dos acontecimentos coevos, não sem antes pesquisar na própria Web. 
Na Web observei que o nome de Karl Heinz Eberius é, da mesma forma, geralmente obliterado, ou dito simplesmente como piloto dos aviões Catalina, além de grafarem o nome como EBERIOUS ( sic) . Contudo Karl Heinz Eberius era sócio da Taba em partes idênticas com o já Tenente Torres, e ambos pilotavam, alternadamente,  cada vôo de seus aviões. Quiçá nas reportagens postadas, deram relevância ao comandante Torres, em razão de, na qualificação de filho de diplomatas brasileiros, ter nascido nos EEUU, ou por ter participado da  FAB/ FEB na Itália durante a  2ª Grande Guerra, ou ainda em virtude de haverem se agastado, ambos os sócios, durante a liquidação da empresa, e como Torres houvesse, logo após,  constituído a Brinks – Transportes de Valores, concedeu entrevistas publicitárias enaltecendo o feito como ¨pessoal  seu ¨. Deixo, também, de tecer comentário à possíveis questões de vaidade pessoal do tenente Torres. Outra omissão histórica, consoante sítios no Google,  é a de que no afundamento, em 31/7/1943,  do submarino alemão U-199 – do qual era  capitão Hans Werner Kraus – comandava  de fato o Catalina –modelo PBY-5 que, após,  recebeu a denominação de ARARÁ,  o piloto Karl Heinz Eberius, sentado no comando à esquerda quando o aspirante Alberto Martins Torres estava no co-pilotagem à direita, pois como próprio Torres afirma , foi ele incluído na função de ¨tripulante extra¨ naquela missão.Vide in Google : “O Afundamento do U-199” –cel. aviador José de Carvalho. Portanto no episódio o piloto ¨máster¨ foi  Karl Eberius e não Torres, como ele próprio Torres declarou em entrevista muitos anos após, simplesmente suprimindo do episódio a  qualificação ocasional do Barão Eberius no comando e piloto máster naquela oportunidade. Conforme afirma Gunter Deeke,  chamavam-no de ¨Barão¨ , Barão Heinz, e não imagino qual fosse o real motivo. Há uma sugestiva e curiosa menção no texto supracitado “ O afundamento do U-199”, quando refere a  escalação da tripulação daquele vôo, onde consta : "... Aí ocorreu o imprevisto. O comandante do grupo, major Kahl ao rever a escala de vôo, resolveu incluí-lo numa tripulação já completa escalada para efetuar u"a missão."
Ora, não seria o dito major KAHL  na verdade major  KARL  , ou seja  KARL Heinz Eberius ? – Evidente que sim!

No acidente ocorrido em 30 de setembro de 1949, em Iguape –SP, quem pilotava era o Comandante Eberius, que absolutamente não morreu  na  tragédia como consta em diversos sítios do Google, porém conseguindo desvencilhar-se dos cintos de segurança, conseguiu  retirar da cabine já afundada uma passageira sua cunhada  - de Florianópolis - da qual, porém faleceu-lhe a filha de dois anos de idade, afogada.
A Taba, naquela ocasião da tragédia, possuía três aviões, dois Catalina – dos quais um estava em manutenção, e um Douglas DC-3 que imediatamente após o sinistro partiu  - em socorro - do Rio de Janeiro à Iguape, todavia também sinistrou-se ao aterrissar em precário campo de pouso naquela localidade, sendo posteriormente recuperado e vendido.
O acidente em Iguape, segundo o relato do comandante piloto Karl Heinz Eberius, deu-se não por ter trombado com uma tora de madeira semi submersa, mas sim por haver amerrissado sobre águas pouco profundas que encobriam, ilusoriamente, um banco de areia, Baixios e bancos de areia, naquele foz de rio, mudavam constantemente de posição.
Enfim para complementar, esclarece Gunter Deeke, que o berço de atracação dos Catalinas da Taba, situava-se na margem esquerda do Itajai Açu, em um remanso apropriado, em local próximo de  onde, na atualidade construíram o terminal portuário PORTONAVE. Lá havia uma bóia de flutuação fixa,  firmemente ancorada, à qual  era engatado o cabo de ancoragem que do saía do  ¨focinho¨ do hidroavião. Os passageiros e carga eram tranportados de uma margem à outra, em grandes batelões de madeira  movimentados a braço. O interessante do relato de Gunter Deeke é a sua afirmação das peculiaridades no afretamento. São suas palavras : .... “ A entrada no avião era por uma porta muito grande, que levantava, tipo tampa de porta mala veicular. Primeiro entravam os passageiros, depois saiam os que aqui desciam. Um detalhe interessante. Entre a fuselagem e a asa do avião, havia um "pescoço" que unia as duas partes. O mecânico sentava ali no meio para dar partida nos motores, uma manobra inusitada”.   
Sem mais, era  o quanto supus oportuno aditar.
Niels Deeke, em Blumenau, SC
ADENDO III
Carlos Braga Mueller
Nos consulta o internauta Luciano Faustino sobre algumas particularidades do acidente do avião Catalina da TABA, ocorrido em 30 de setembro de 1949 em Iguape, SP, cidade onde ele reside.
E nos envia um link reproduzindo  página do Diário Oficial da União de 24 de fevereiro de 1950 - Seção II, que faz alusão à tragédia,
Link do Diario Oficial da União enviado por Luciano Faustino:

http://my.opera.com/perfeito/albums/showpic.dml?album=3397492&picture=84329892


conforme segue:
Reprodução:
"No lamentável acidente ocorrido em Iguape, Estado de São Paulo, no dia 30 de setembro último, em que o avião PP-BLB, comandado pelo piloto Carol Heinz Eberius*, chocou-se violentamente com uma tora de madeira submersa**, do que resultou a capotagem da aeronave, causando ferimentos graves e mortes entre passageiros e tripulantes, o Diretor de Aeronáutica Civil julgou de justiça "realçar" o corajoso procedimento da tripulação da aeronave mencionada, constituída pelo Comandante Carol Heinz Eberius, co-piloto Eduardo Augusto Drolhe da Costa, co-piloto extra Adolfo Silveira Pouman, e o rádio operador José Dias Couto, que apesar de feridos todos, portaram-se à altura da situação, socorrendo, na medida de suas forças, os passageiros". Destacou ainda o engenheiro César Grilo "a ação resoluta, destemerosa e abnegada do radiotelegrafista José Dias  Couto que, embora também seriamente ferido, conseguiu, com esforço individual, salvar muitos companheiros de viagem, alguns dos quais foram por ele libertados dos destroços do avião".
Ao louvar os tripulantes do avião PP-BLB pela coragem e perfeita noção de dever que demonstraram, especialmente o radiotelegrafista José Dias Couto, recomendou que na baixa das cartas dos mecânicos Paulo César de Niemeyer e Paulo Neusefman, que pereceram no desastre, se declare: "Vitimado no cumprimento do dever"."
Notas
*  O nome correto é Carl Heinz Eberius
** Segundo Niels Deeke, ligado por parentesco ao comandante Eberius (vide Adendo II), o avião acidentou-se porque amerrissou sobre águas pouco profundas que encobriam, ilusoriamente, um banco de areia.
Pelas informações do nosso artigo "Pousando nas Águas do Itajaí Açú", e com as complementações fornecidas por Niels Deeke no Adendo II e, agora, por Luciano Faustino, de Iguape, chega-se aos nomes da tripulação, citada no Diário Oficial, com louvor, pelo Diretor de Aeronáutica Civil, César Grilo, e constata-se que houve "mortes entre passageiros e tripulantes".
Da tripulação pereceram os mecânicos César de Niemeyer e Paulo Neusefman.
Entre os passageiros duas pessoas pereceram.
Uma adulta (não temos maiores informações), enquanto que a outra vítima foi uma criança, como conta Niels Deeke:
"No acidente ocorrido em 30 de setembro de 1949, em Iguape, quem pilotava era o Comandante Eberius, que absolutamente não morreu na tragédia, como consta em diversos sítios do Google, porém conseguindo desvencilhar-se dos cintos de segurança conseguiu retirar da cabine já afundada uma passageira sua cunhada - de Florianópolis - da qual, porém, faleceu-lhe a filha de dois anos de idade, afogada."
Muitos demonstraram bravura em socorrer as vítimas, como conta o internauta Rubens Heusi:
"Lembro-me bem do acidente, pois meu cunhado Dr. Telmo Duarte Pereira, pediatra, estava neste vôo e, mesmo ferido, atendeu a várias pessoas e posteriormente recebeu um agradecimento da TABA que, naquele dia, estava selando seu fim, o que ocorreu em seguida."

Observação de Adalberto Day
Conforme minhas pesquisas
Carl Heinz  Eberius faleceu em 1988  e não em 1949.
Para saber mais acesse: 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

- General alemão visita 23 BI

  Foto e edição : Luiz Ricardo Dalmarco

General alemão visitando batalhão do Exército em Blumenau
  Recentemente deparei-me com esta interessante fotografia (não datada) da visita de um general alemão ao quartel-general do então 32º Batalhão de Caçadores (hoje 23º Batalhão de Infantaria) em Blumenau, Santa Catarina.
Realmente, a presença de um general alemão entre oficiais brasileiros numa fotografia foi algo que me deixou extremamente curioso, e imediatamente pus-me a analisar a foto para descobrir mais detalhes.
Tendo em vista que o batalhão de Blumenau foi fundado por decreto ministerial de 31 de dezembro de 1938, e o rompimento de relações com o Eixo se deu em janeiro de 1942, estabeleci uma janela temporal bem rapidamente. Restava agora dar uma olhada melhor naqueles oficiais...
E olha só que grande surpresa!
A celebridade que se encontra à direita do general alemão é justamente o então Tenente-Coronel Floriano de Lima Brayner – que em 1944 se tornaria o Chefe de Estado-Maior da Força Expedicionária Brasileira – e que comandou o 32º BC em Blumenau de janeiro de 1940 até janeiro de 1941.
Pronto! Eu tinha agora uma janela ainda menor de tempo para datar a fotografia. Mas ainda restava a questão maior: quem era aquele misterioso general alemão? Talvez um adido militar?
Após alguma pesquisa e consulta a alguns amigos, a resposta finalmente apareceu!
Trata-se do Generalmajor Günther Niedenführ.
Tendo sido assessor especial do Comandante do Exército Alemão entre 1934 e 1935, ele passou para a reserva como Oberst em 31 de janeiro daquele ano. Contudo, em outubro de 1935, embarcou para a Argentina como chefe de uma missão militar de cinco oficiais alemães junto ao Estado-Maior do Exército Argentino, onde tornou-se conselheiro militar.
Nesta posição, Niedenführ recebeu a patente de Generalmajor em 1 de maio de 1939, e encerrou sua missão como conselheiro na Argentina em 30 de junho de 1940. Imediatamente, recebeu do OKW a nova missão de ser adido aéreo junto ao governo brasileiro no Rio de Janeiro, função que exerceu até 30 de junho de 1942, quando retornou à Europa. Lá, tornou-se inspetor de uma comissão econômica (Wirtschaftsinspektion Süd) junto ao Grupo de Exércitos Sul na União Soviética.
Generalmajor Günther Niedenführ (centro) e Ten. Cel. Lima Brayner (direita).
Günther Niedenführ aposentou-se definitivamente em 31 de dezembro de 1942, mas em 1 de julho de 1943 ainda recebeu a promoção a Generalleutnant.
Após a guerra, ele emigrou para a Argentina, vindo a falecer em Vicente López, na região metropolitana de Buenos Aires, em 6 de setembro de 1961, aos 73 anos de idade.
Bom, disso tudo o que podemos concluir?
A foto provavelmente foi tirada no mês de julho de 1940, durante o deslocamento de Niedenführ de Buenos Aires para o Rio de Janeiro. Neste percurso, passou por Blumenau e foi recebido por Lima Brayner na sede do 32º BC.
Vale notar que naquele momento – mais precisamente no fim do mês anterior – os alemães haviam acabado de conquistar a França, e a presença de um oficial-general do Exército Alemão era extremamente prestigiosa. Além do mais, eram altos os indicativos de que a guerra acabaria dentro de pouco tempo, com a invasão da Inglaterra ou assinatura de tratado de paz entre os dois beligerantes.
Ufa, que história interessante existe nesta fotografia!

Texto enviado por LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA BARREIRA

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