"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

terça-feira, 31 de julho de 2012

- Heinz Geyer : A musicalidade de um Gênio


Novamente a participação exclusiva do renomado Jornalista e escritor Carlos Braga Mueller, hoje com mais um tema : "O Maestro HEINZ GEYER".



HEINZ GEYER: A MUSICALIDADE DE UM GÊNIO QUE DEIXOU SAUDADES

Por Carlos Braga Mueller 
Nunca mais alguém compôs  uma ópera em Blumenau! Quem fez isto chamava-se Heinz Geyer ! A ópera ? Anita Garibaldi!

Para as novas gerações é preciso lembrar: Geyer foi um maestro que deixou uma herança musical que até hoje persiste nos corações blumenauenses.
Nascido na Alemanha no dia 27 de junho de 1897, o então jovem músico chegou a Blumenau em 1921 e aqui fincou suas raizes familiares e culturais.
Logo teve o reconhecimento da comunidade pela sua esmerada produção artística, ingressando nos vários movimentos artístico-musicais da então pacata Blumenau.
Foi na antiga Sociedade Teatral Frohsinn, depois Sociedade Dramático-Musical Carlos Gomes, que ele regeu os mais destacados concertos da sua carreira.
Embora o prédio onde hoje está o Teatro Carlos Gomes tenha sido inaugurado no dia 1º de julho de 1939, só no dia 5 de dezembro de 1942 o auditório recebeu sua primeira apresentação: um grande concerto dirigido pelo maestro Heinz Geyer.
Os anos 40 e 50 marcaram o sucesso e a ascensão de Geyer e de Blumenau no cenário cultural brasileiro. 

BLUMENAU CANTA NO RIO E SÃO PAULO
Maestro Heinz Geyer no Concerto do seu Jubileu de Ouro, em 08 de maio de 1971 (Fonte: Centro de Memória do Teatro Carlos Gomes)
Divulgação da ópera ANITA GARIBALDI em São Paulo (25/11/1957). Fonte: Livro  "O Maestro Geyer",  de Edith Kormann.

No ano de 1941 o então governador do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros,  convidou Geyer e sua equipe para se apresentarem na capital paulista, patrocinando a viagem da orquestra e do coral do Carlos Gomes. Na ocasião os blumenauenses cantaram no programa radiofônico "A Hora do Brasil" vários números musicais, terminando com o "Hino Nacional para 8 vozes", um arranjo do maestro Geyer. No Rio de Janeiro se apresentaram  em um Sarau Musical no Tijuca Tenis Clube.
Esta excursão teve o incentivo de Assis Chateaubriand, dono dos Diários e Emissoras Associados, que veio a Blumenau conhecer de perto as atividades do maestro e do Carlos Gomes (pouco depois, Chatô, como era conhecido, iria comprar o jornal diário "A Nação" de Blumenau, incluindo nossa cidade no rol das cidades que possuíam jornais da cadeia dos Diários Associados).
Enquanto dirigia o Coral e a Orquestra da SDM Carlos Gomes,  Heinz Geyer ainda ministrava aulas de música e canto no Colégio Pedro II e, quando sobrava um tempo, aproveitava para dar os retoques finais na sua grande obra-prima: a ópera ANITA GARIBALDI !

A ÓPERA ANITA GARIBALDI ESTRÉIA NO CENTENÁRIO DE BLUMENAU
Opera Anita Garibaldi 
A imagem de 1950, mostra componentes  da Opera Anita Garibaldi. O Evento foi realizado no Teatro Carlos Gomes alusivo ao centenário de Blumenau. O Maestro foi o talentoso Heinz Geyer O primeiro e segundo da (E) para a (D) não identificado, o terceiro é Sr. Ramers, o quarto Sr. Rubens Heusi e o quinto  Sr. Karbeck, . Arquivo Rubens Heusi
Publicada no Jornal de Santa Catarina coluna Almanaque do Vale dia 06/07/2012. Jornalista Jackson Fachini
Fruto de uma ideia de José Ferreira da Silva , que escreveu o libreto, Geyer criou sua grande obra-prima: a ópera Anita Garibaldi, homenagem à catarinense que ficou conhecida como a "heroína de dois mundos".
A estréia aconteceu  no dia 02 de setembro de 1950, dia do Centenário de Blumenau, no palco do Teatro Carlos Gomes. Houve mais duas apresentações, nos dias 04 e 06 de setembro.
Nos dias 07 e 09 de dezembro de 1956 os blumenauenses puderam aplaudir uma nova e curtíssima temporada da ópera. 
"Anita", como Geyer a tratava carinhosamente, foi encenada em São Paulo ! A apresentação deu-se no dia 25 de novembro de 1957 para um público que a aplaudiu de pé.
Logo em seguida, em 31 de dezembro de 1957, Geyer vendeu para Fred Hering os direitos da ópera.
A derradeira apresentação de Anita Garibaldi aconteceu no palco do Teatro Carlos Gomes nos dias 1º, 3 e 6 de junho de 1963.  
OS ELENCOS
Na estreia (1950), Anita foi vivida por Norma Cresto e coube a Lubo Maciuk interpretar Garibaldi. O elenco contou com muitos blumenauenses, como Leonor Lydia Fuchs, Vitor Bona, Mario Kielwagen e Caetano Deeke Figueiredo, entre outros.
A segunda temporada (1956 Blumenau/1957 São Paulo) teve no elenco Maria Sá Earp como Anita, Manrico Patassini como Garibaldi, José Perrota como o Coronel Albuquerque, Diva Allegrucci como Maria da Glória, Vitor Bona como João.
Já em 1963 os papéis principais foram vividos por Hercília Block (Anita), Felippo Baroni (Garibaldi), José Perrota (Cel. Albuquerque) e a blumenauense Rita Schwabe (Maria da Glória).

A OPERETA "VIVA O MINISTRO"
Além da sua ópera "Anita", Geyer compôs uma opereta: "Viva o Ministro".
A estreia deu-se no Teatro Carlos Gomes, no dia 14 de julho de 1965, seguida de mais duas apresentações, nos dias 15 e 17 de julho.
O tema da opereta é baseado em um texto alemão, traduzido e adaptado por José Ferreira da Silva (texto) e Erika Martins Flesch (versos).
O elenco contou com o tenor paulista Benito Maresca e a soprano blumenauense Rita Schwabe, além da participação de Luiz Adão Quintanilha, Herbert Berndt, Heitor Mueller, Alfonso Maria Flesch. E à frente da Orquestra Sinfônica e do Coro Orfeônico do Carlos Gomes, lá estava o autor, Heinz Geyer !

O ÚLTIMO CONCERTO NO CARLOS GOMES
No dia 8 de maio de 1971 o maestro regeu seu último concerto no palco do Teatro Carlos Gomes, ao qual emprestara 5 décadas de sua vida.
Depois de uma viagem a Alemanha, Heinz Geyer foi convidado para dirigir o coral e a orquestra do Centro Cultural 25 de Julho. Aceitou e ali se reencontrou com muitos dos seus ex-alunos.

 HOMENAGEM  EM  2012
Relembrando a vida e morte do maestro, que nasceu em um mês de junho (27/6/1897) e morreu também em junho (13/6/1982) ,foi realizada no dia 28 de junho passado, no Teatro Carlos Gomes, uma apresentação especial em sua homenagem. Participaram os Coros misto e masculino do Centro Cultural 25 de Julho, a Orquestra Prelúdio (do Teatro), e a Orquestra da FURB. Obras do maestro foram executadas e muitos dos ex-alunos de Geyer estavam com seus instrumentos no palco, mostrando a arte que aprenderam com o mestre.

UM ALEMÃO BRASILEIRÍSSIMO
Nos programas dos seus concertos, Geyer sempre incluia músicas brasileiras. Foi o autor de "Rio de Janeiro", uma homenagem à "cidade maravilhosa".
No seu último concerto no Carlos Gomes a primeira parte priorizou uma sequência de músicas-exaltação ao país que o adotou, inclusive "Aquarela do Brasil" de Ari Barroso, e trechos da ópera "O Guarani" de Carlos Gomes. E era com orgulho que regia para as plateias o seu arranjo do Hino Nacional Brasileiro para 8 vozes. 


Adendo:
CIDADÃO BLUMENAUENSE 
É importante incluir nesta "memória" a observação feita por Osmar Hinkeldey em comentário a esta postagem:
O Maestro Heinz Geyer tornou-se cidadão blumenauense pela lei 1175, de 08 de agosto de 1963, votada e aprovada pela Câmara Municipal de Blumenau.
Foi uma reconhecida homenagem a quem tanto fez pela cultura musical da nossa terra.
Osmar também lembra que, para a historiadora Edith Kormann, "Anita Garibaldi"
Foi a obra-prima do maestro, com o que concordamos plenamente.

LEMBRANÇAS 
Faço ainda um depoimento pessoal.
Nos anos 50 eu estudava no curso ginasial do Colégio Pedro II e as aulas de música eram divididas em "Teoria" e "Canto".
A teoria era ministrada em classe  pelo saudoso professor Orlando Ferreira de Mello.
Já o canto fazia parte da aula comandada, ao piano, pelo maestro  Geyer.
O piano estava situado no Salão Nobre/Auditório do Pedro II e para chegar lá descíamos uma ampla escadaria. Na época só existiam as antigas instalações do colégio, no alto do morro.
Geyer executava as músicas ao piano e nós, ao seu redor,  cantávamos em coro.
Geralmente músicas do folclore brasileiro (Carlos Braga Mueller)

Para saber mais acesse :
Fonte: Livro "O Maestro Geyer" de Edith Kormann.
Texto Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista
Arquivo Carlos Braga Mueller/Rubens Heusi  e Adalberto Day

terça-feira, 24 de julho de 2012

- Edículas

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje mais uma crônica da Urda, relatando em sua crônica sobre  os ranchos e puxadinhos .... E exatamente como a Urda narra, lembro também de minha infância idêntica, e morava em uma casa com o puxadinho e o rancho, na Rua Almirante Saldanha da Gama – casas populares da Empresa Industrial Garcia.

                              Fui uma leitora voraz desde quando entrei na escola e recebi meu primeiro livro de leitura, que devorei inteirinho no primeiro dia – considerando que fazia algo como uma semana  que a minha mãe me alfabetizara, fazer aquilo era uma coisa que estava além das expectativas dos adultos.
                                   Portanto, fui uma leitora voraz desde a alfabetização, e seria difícil, hoje, fazer a conta de quantos milhares de livros li, o que me deixou ciente de um bastante bom vocabulário de português. Surpreendi-me, faz poucos anos, ao descobrir que havia pessoas que não sabiam o que significavam palavras como “brumas”, ou “rés do chão”, ou “chávena”, por exemplo. Não sei bem o que senti ao fazer tais descobertas: se eu era uma felizarda por haver lido tanto, ou se tinha pena das pessoas que não tinham lido. Acho que senti mais ou menos uma média das duas coisas. Mas houve uma palavra que me escapou, e vou contar a respeito.
                                   Nos anos da minha infância, as pessoas moravam em casas, e lá no fundo das casas normalmente havia um rancho, que era onde se guardava a lenha cortada, se pendurava cachos de banana para amadurecer, onde as crianças brincavam em dias de chuva e que tinha centenas de outras utilidades. Dependendo da casa, era lá que ficava o banheiro e o tanque de lavar roupas. O rancho se chamava rancho se era construído separado da casa – quando tal construção polivalente era anexa a casa, o nome mudava para puxado. Mais tarde veio a televisão e a popularização da palavra “puxadinho”.
                                   Faz poucos dias que andei olhando um lugar na Internet onde se anunciavam casas para vender e/ou alugar. Era um lugar muito bem feito, onde apareciam muitas fotografias das citadas casas, além de descrições da mesma, mais ou menos assim: casa com tantos metros quadrados, com três quartos, dois banheiros, sala em dois ambientes, cozinha com despensa e... edícula! Puxa vida, deveria ser uma coisa muito fascinante uma edícula! Por algum motivo veio-me à cabeça essas mais ou menos sobrelojas que casas chiques têm, e que são conhecidas por mezanino. Bem que gostaria de ter uma casa com uma edícula iluminada por uma janelinha, como certas mansardas que a gente encontra em romances. Colocaria lá meu computador e poderia trabalhar enquanto espionava o funcionamento do fogão, da máquina de lavar roupa... Se fosse perto do mar, então, dominaria o mundo da minha edícula: veria a chegada e a saída dos navios, o vento nordeste das tardes, as marés baixas e as lestadas, a lua cheia prateando tudo... Céus, passei a sonhar que teria uma edícula, até que comecei a me dar conta de que quase todas as casas anunciadas tinham edículas – será que aquilo era mesmo o que estava a imaginar? Havia tanta gente assim, atualmente, fazendo sobrelojas nas suas casas?
                                   Fui a São Google, claro! Era tempo de ver se estava certa no que pensava, já que as enciclopédias e os dicionários, hoje, já não tem mais a mesma importância que tiveram um dia.
                                   Fiquei com a maior cara de tacho! Edícula não era, absolutamente, um mezanino – em português do Brasil, edícula não é nada mais nada menos que o que antes chamávamos de rancho, quiçá de puxado ou puxadinho!
                                   Passei a prestar mais atenção às fotos das casas, então. Nas edículas, hoje, normalmente existem churrasqueiras, o que não muda nada. Era bem num vazio do nosso rancho que o meu pai costumava fazer um braseiro e colocar sua grelha de assar churrasco, quando era dia de festa! “Ora, direis, ouvir estrelas![1]”. Nossos inocentes ranchos, hoje, foram promovidos e tem um nome sofisticado como edícula! Quem diria! O que será que foi que eu não li para não saber tal coisa?

Blumenau, 02 de junho de 2012.
Urda Alice Klueger Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR
Arquivo de Adalberto Day e Urda Alice Klueger


[1] Verso de Olavo Bilac, poeta brasileiro.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

- A Casa do Comércio

A História da Casa do Comércio


Por "Zé Pfau" José Geraldo Reis Pfau
O menino da foto hoje grande publicitário em Blumenau, José Geraldo Reis Pfau.

Cronologia
1907 – Em 02 de setembro era fundada a Sociedade Evangélica de Senhoras de Blumenau.
1922 – Iniciada a construção de uma maternidade, sendo que o projeto desenvolvido tinha como objetivo evitar o caráter de um hospital e sim de uma confortável residência na qual as parturientes podiam receber cuidados antes do parto.
                    Imagem - Comerciante e Cineasta Willy Sievert
1923 – Inaugurada em 30 de setembro, a maternidade recebeu o nome de “Johannastift” em homenagem à senhora Johanna Hering que havia doado o terreno.
1931 – Uma ampliação agregou mais uma dependência (torre) à construção, seguindo as características do projeto anterior.
1951 – A maternidade é transferida para um novo prédio no dia 16 de setembro, construído na Rua Pastor Stutzer, quando recebeu o novo nome de “Elsbeth Koehler”. Surge o Hotel Alameda (“Harry Züge”).
1968 – O Sr. Antônio Pedro Nunes, diretor da Turismo Holzmann, adquire o "ponto" do então Hotel Alameda.
1969 – O mesmo inaugura o estabelecimento que marcou o início dos restaurantes típicos de Blumenau, o "Zum Weissem Röessel" – mais conhecido como Cavalinho Branco. Com música ao vivo e pratos típicos, encanta os turistas que visitam Blumenau.
1970 – Instala-se no primeiro andar do prédio a empresa Turismo Holzmann.
1983 / 1984 – Após as grandes enchentes que atingiram Blumenau, o prédio sem condições de habitação permanece fechado durante muitos anos.
1996 – Um grande incêndio atinge o Edifício Catarinense, sede das entidades do comércio CDL e Sindilojas, que procuram identificar um novo local para se instalarem.
1998 – As diretorias das entidades resolvem recuperar com recursos, através da Lei Rouanet (nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991), a “Johannastift”. Neste mesmo ano já inicia o projeto da obra de restauração da Casa do Comércio.
2003 – No dia 09 de maio é realizada a tradicional “Festa da Cumeeira”, que marca a conclusão das obras do telhado da construção.
2006 – Com um aporte de recursos, através do Fundo Estadual de Incentivo ao Turismo (FUNTURISMO), a obra finalmente pôde ser concluída.
Imagem: José Geraldo Reis Pfau
2007 – A Casa do Comércio é inaugurada com um grande evento realizado nos dias 13 e 14 de junho.

                                   Cavalinho Branco


Cavalinho Branco "ZUM WEISSEN ROESSEL", restaurante Sua inauguração é 1969.  No início e por longo tempo, o seu ponto alto, foi o ótimo prato húngaro - o GOULASH autêntico, regado com molho picante de páprica, uma delícia. Também o HACKEPETER era bem preparado, além dos marrecos recheados ao forno, acompanhados de repolho roxo especial, naquela época quando ainda não havia supermercados e  nem a oferta dos marrecos recheados congelados industrializados. Havia outro prato que sumiu dos cardápios atuais, era o MAETJES - legítimo “Hering" com nata salgada e cebolas, ou seja ARENQUES CRUS ( Não sardinhas, pois  Hering não é Sardinha e sim Arenque, peixes diferentes e de sabores muito distintos) tratados em vinagre e gelados  -  um manjar dos deuses, era produto importado ´, em barricas, da Dinamarca e que lá é servido acompanhando o  famoso ¨SMOEGASBORD¨, E como relevante a bandinha de música (Rigo) que, com o passar do tempo, tomou o nome de Banda Cavalinho Branco.
 A Imagem mostra o antigo restaurante Cavalinho Branco em Blumenau. Foto Carlos Damião
 Muito poderia ser dito como generalidades daquele restaurante, tal como a fileira de mesas com bancos dotados e encosto que as separavam.
Sei que, o restaurante, iniciou com dois sócios, um dos quais ainda vive, mas que agora me foge o seu nome, porém vez por outra o vejo na rua XV. Talvez seu nome seja " Bittelbrunn,"  contudo não tenho certeza
Os turistas ficavam deslumbrados  e em muitas oportunidades os percebi de queixo caído, com o ambiente, a música, a comida e o serviço e  garçons com roupagem típica.
O Sérgio Murad - Beto Carreiro - era seu freguês de caderno nos anos 1975/1976, e certa vez com ele estavam todos os primeiros componentes dos "Trapalhões", com exceção do Muçum.
Arquivo de  Dalva e Adalberto Day
  O Cavalinho Branco foi idealizado  pelo Antonio Nunes. Depois foi vendido,  algumas vezes. O período de enchentes de 1983/84 devem ter colocado uma pá de cal no sucesso,  - finalizou as atividades mesmo em 1995 .
O período de maior sucesso do estabelecimento foi na participação da função de divulgar junto com: o Moinho + Barril de Ouro + Frohsin - nossos restaurantes típicos + Chopp + marreco + musica ao vivo.... numa época em que Blumenau se posicionou como líder absoluto  no mercado turístico catarinense e referencia no turismo rodoviário nacional.
O prédio se localiza  na esquina da Rua 7 de Setembro e Alameda Rio Branco, 165.
Colaboração José Geraldo Reis Pfau/publicitário em Blumenau /Niels Deeke Memorialista em Blumenau
E mais:
Moinho do Vale

sábado, 14 de julho de 2012

- Empresa Transporte Coletivo Glória

Mais de meio século
Parabéns A Empresa de Transporte Coletivo Nossa Senhora da Glória pelos serviços prestados  em prol de nossa coletividade.
A Empresa de transporte coletivo Nossa Senhora da Glória, sito atualmente como sede na Rua 2 de Setembro 3673, no Bairro Itoupava Norte, iniciou suas atividades no Bairro Garcia em Blumenau. 
- O Papa Fila -
História
A Empresa Nossa Senhora da Glória Ltda, iniciou suas atividades em 15/07/1962, quando seus fundadores Srs. Luiz Sackl (falecido), Francisco Sackl Netto (falecido), Waldemar Sackl (falecido) e Luiz Sackl Junior, mediante uma transação comercial com os proprietários da Empresa Ulrich, assumiram as linhas Garcia-Blumenau. Três anos mais tarde, associavam-se à empresa os Srs. Francisco Sackl (falecido) e Adolfo Sackl (falecido). As estradas eram esburacadas, empoeiradas e lamacentas, principalmente as Ruas Amazonas e Glória, por esse motivo à empresa de ônibus “Empresa Coletivo Ultich Ltda.” (antes existiam outros particulares que faziam transporte urbano), negava-se a realizar esse trajeto.
- A imagem da Rua Amazonas na Entrada da Rua Antonio Zendron, mostra o ônibus que era carinhosamente chamado de o "Gostosão" na década 50 do séc 20.
Monobloco 1968
- A partir de 1962, a família Sackel inicia suas atividades na Rua Amazonas nº 1857 com um micro, cinco ônibus e implantam a Empresa Nossa Senhora da Glória, tendo como primeiro trajeto do Bairro Garcia e Glória, até o centro, no antigo colégio Luiz Delfino – depois Fórum, próximo a atual prefeitura. A empresa tinha como garagem e instalações em frente à subida do antigo Goth – Colégio Comendador Arno Zadrozny na Rua Amazonas nº 1857.
Os primeiros motoristas e cobradores eram os próprios donos Luiz, Waldemar, Francisco, Adolfo Sackl, mas os primeiros contratados foram Carlos Soares (Calinho) e Ivo. O nome Glória surgiu de um encontro no restaurante do Sr. José Silvino na Rua da Glória, além da família Sackl, o Frei João Maria e outros moradores da comunidade estavam presentes, e então foi sugerido o atual nome da empresa em homenagem a Igreja Nossa Senhora da Glória – que seria também uma espécie de padroeira.
A empresa de ônibus Nossa Senhora da Glória foi vendida para uma holding chamada Urca – Urbano de Campinas Ltda, cujo proprietário reside em Minas Gerais, onde teria outras empresas de transporte coletivos.
Fundada em 1962 pela família Sackl foi vendida  dia 1º de agosto de 2013.
A E.S. da Glória, foi um tipo de porteira com o comprador assumindo integralmente o ativo e passivo contábeis.  A Glória transporta 2,1 milhões de passageiros mensais.
Dia 24 janeiro de 2016 encerra as atividades da Glória e outras empresas do consórcio SIGA. Decreto do Prefeito Napoleão Bernardes um dia anterior. Entra a Piracicabana com contratos emergências até 30 de Junho de 2017. 
A partir do dia 1º de Julho de 2017, a Piracicabana ganha a concessão (licitação) por 20 anos, e muda o nome em Blumenau para BLUMOB.
Arquivo Dalva /Adalberto Day

segunda-feira, 9 de julho de 2012

- Último Tango em Blumenau

 TODO O DIA É DAY!

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos mais uma crônica de Flavio Monteiro de Mattos, contando um pouco de suas lembranças quando vinha do Rio de Janeiro visitar Blumenau, com sua família.
Carioca de nascimento e BLUMENAUENSE POR OPÇÃO".
E Hoje no dia de seu aniversário 09/07 – em nome de todos os blumenauenses, queremos te desejar um “FELIZ ANIVERSÁRIO”. saúde, paz e sucesso.
______________________________

ÚLTIMO TANGO... EM BLUMENAU
Das muitas linhas sobre as lembranças das minhas andanças em Blumenau, foram poucas, ínfimas, insignificantes, as que exaltei a da beleza das blumenauses. E olha que eu não vinha lá de Santo Antonio do Mato Dentro, mas do afamado Rio de Janeiro, a cidade onde se exibiam belezas locais, nacionais, internacionais, de outro planeta ou galáxia.
 Nos idos da década de 70, “elas” estavam por toda parte - na Rua XV, nos bailes, festas, na missa de domingo na Igreja Matriz e até onde menos se poderia esperar - e sempre que me deparava com uma delas, agradecia ao Criador por obras tão inspiradas.

Sabedoras que seus encantos mexiam com o imaginário dos “estrangeiros”, elas, as blumenauenses, de bobas não tinham nada. Jogavam charme para todo lado, entretanto, quando o caldo esquentava sabiam o momento certo de pular fora. Pensaram em leviandade? Longe disso. Olhares “estrangeiros” não somente acariciavam-lhes os egos, mas também despertavam um sentido de urgência para com os namorados acomodados, pretendentes indecisos ou tímidos.

Sem entender como a coisa funcionava não foram poucas as vezes que acreditei estar abafando – ou matando a pau, como hoje se usa – e invariável e miseravelmente, acabava em uma baita “canoa furada”.

Quando levava os amigos do Rio para conhecer a cidade e as blumenauenses, claro que os alertava. Dizia-lhes o quanto era importante ter a mão um espelho para não perder a referência. Falava também sobre a importância em não dar ouvidos às conversas moles do tipo “não sei o que você viu em mim...” Porém quando uma delas nos olhava, sorria, e até mesmo dissesse um simples “olá”, era o que bastava para que nos achássemos os novos Apolos e, claro, embarcar na mais furada das canoas.

Mesmo com toda essa “experiência” (ou expertise, para ser mais atual), recém-chegado e sem programação de festas ou bailes, decidi começar a noite pelo Cavalinho Branco, um restaurante acolhedor e bastante família. Peguei carona com um dos primos, que ia para a casa da namorada e combinei que lá o aguardaria para, quem sabe, fazermos alguma coisa depois.

Como era meio cedo, o restaurante estava meio vazio quando cheguei, mas logo depois foi enchendo. Fui enrolando com Cocas Colas e tira-gostos até que lá pelas tantas, adentrou um grupo com umas quatro ou cinco moças, desacompanhadas, todas bem vestidas, Para minha sorte escolheram uma mesa próxima a minha. Até então, nunca havia visto qualquer uma delas na cidade e cheguei a pensar que fossem “estrangeiras” como eu, mas como se mostravam tão à vontade tudo indicava que eram mesmo da terra. A mais bonita, entretanto, se sentou de costas para mim. Se não tivesse quebrado a cara tantas vezes antes, já estaria pensando em alguma forma de aproximação, mas como diz o velho ditado que “pau que bate em Chico, bate também em Francisco”, fiquei quieto no meu canto porque era lógico que os respectivos namorados logo chegariam. Errei. Quando partiram direto para os pedidos, tudo indicava que não haveriam “valetes” na parada.

Pouco antes de irem embora, a que tinha achado mais bonita se levantou para ir ao toalete e pude ver finalmente o seu rosto. A “Galega” (terminologia local que se dá as louras) era muito bonita, elegante e quando passou ao lado da minha mesa fez questão de demonstrar que sabia de ambos os predicados. Quando retornou, pagaram a despesa e foram embora.

O primo ainda demorou a chegar e quando indaguei sobre as novidades ele comentou que havia inaugurado uma boate chamada Foca´s, na XV, perto da rua da igreja Matriz.
         
- Então é para lá que vamos – sugeri, animado.
- Tá louco? Quer acabar com meu namoro? Me deixa em casa e vai com o carro – interpôs e disse-lhe que se não fosse também não iria.

A boate ficava no subsolo de uma galeria da Rua XV, a principal da cidade e estava lotada. O primo encontrou amigos próximos da entrada e ficou por ali mesmo. Eu me aventurei por entre as mesas e em uma delas, lá estavam duas das moças que vira no Cavalinho Branco. A mais bonita, entretanto, não estava. Já estava querendo demais. Encostei-me ao balcão do bar e fiquei por ali. Tempos depois o primo se aproximou, contei-lhe sobre as moças do restaurante e ele adiantou que as conhecia e tinham namorados, como eu suspeitava. Lembrou-me novamente que estava pondo em risco o seu namoro e tentei tranqüilizá-lo dizendo que não demoraríamos, mas acho que não acreditou. Como muitas moças bonitas por perto, prudentemente o primo retornou para junto dos amigos.

O discotecário - como era chamado o atual DJ - tocava os hits do momento como Johnny Rivers / It´s too Late , Morris Albert / Feelings, The Shocking Blues / Vênus, Christie / Yellow River, George Harrison / My Sweet Lord, The Mama´s & The Papa´s / California Dreamin e a minúscula pista de dança ficava cada vez mais cheia.

Com tanta gente se mexendo não percebi a chegada das duas outras moças que vira no restaurante e levei um susto quando a “Galega”, a que achara mais bonita, passou na minha frente e perguntou em tom de brincadeira, alguma coisa como quem estava seguindo quem. Trocamos um sorriso e as duas foram se juntar às amigas.

Com poucos garçons para servir, a maneira mais rápida para se obter bebidas era pedi-las diretamente no bar e foi exatamente o que uma delas fez. Enquanto aguardava o pedido, eu me aproximei e disse-lhe que aquela rodada seria por minha conta e ela, com senso de humor, respondeu que se soubesse antes, teria pedido algo que valesse a pena. Simpática, quis saber se era a minha primeira visita à Blumenau e eu lhe disse que vinha à cidade desde pequeno visitar parentes. Agradeceu a “cortesia” e retornou para junto das amigas.

Pouco depois as quatro foram para a pista de dança e lá ficaram até quando o discotecário pôs para rodar o repertório romântico e elas optaram em retornar para a mesa. Nessa hora a minha nova “amiga” convidou para que eu me aproximasse. Como as paredes da boate eram espelhadas e minha imagem nelas refletida, veio à lembrança a primeira normal do “manual de sobrevivência”. Mas, cá entre nós, quem está na chuva quer se molhar, não é mesmo? E lá fui eu. A mesa era mínima e o sofá, menor ainda. Elas foram se sentando e quando percebi que acabaria ao lado da “Galega”, prudentemente, me coloquei depois da minha nova “amiga”. Apresentações feitas agradeceram a “cortesia” e logo o discotecário retomou para o repertório animado. Minha nova “amiga” perguntou se eu dançava e fiz valer minha péssima condição de bailarino, para recusar. Elas se levantaram e foram dançar. Mantive minha posição até que em uma determinada música a “Galega” estendeu a mão em minha direção e seria deselegante recusar.

Com a sequência de músicas, as outras retornaram para a mesa e continuamos dançando. Por várias vezes ficamos muito próximos um do outro e posso assegurar que tínhamos quase da minha altura – na época eu media exatos 1,80 cm. Dona de um par de olhos azuis que oscilavam entre intensos, sob a luz negra da boate, ora tão suaves e transparentes que se olhasse como se olha para dentro de um buraco, acho que poderia ver até sua sola do pé. Situação complicada, acreditem. Isto porque, era uma época que homem ainda dançava com mulher. E as mulheres daqueles tempos, especialmente a Galega, nada tinham de troncos trabalhados e membros torneados. Eram o oposto dos homens. Graciosas, harmônicas, delicadas e que cabiam sob nosso abraço.
 Continuávamos dançando naquele ambiente esfumaçado e de repente, não vi mais a Galega. Sumiu, como em um conto de fadas! E lá estava eu, no meio da pista de dança, sem saber o que fazer. Quando estava quase convencido que tudo era fruto da minha imaginação, eis que ela ressurge usando uma blusa de um tecido que brilhava, até então escondida pelo suéter que usava. Quando se aproximou, com aquele par de olhos faiscantes e sua blusa reluzente, disse-lhe que parecia uma sereia.

- Uma sereia? – repetiu – Não temos mar, se esquece?
- Detalhe – respondi – Pelo visto, se nos tornamos focas, por que não haveria uma sereia? O rio está bem ao lado...  – conclui, mas antes que continuasse nessa linha de “profunda inspiração” percebi meu primo gesticulando e a levei de volta para mesa.

Com toda razão, estava muito aflito com sua permanência e comunicou que iria embora. Como eu já estava quase embarcando em mais uma “canoa furada”, achei melhor acompanhá-lo. Retornei à mesa das moças, agradeci pela companhia e fomos embora.

No dia seguinte, não havia ainda acordado direito quando vieram avisar que estavam procurando por mim. Na hora achei que era alguma gozação, mas como insistiram cheguei à janela e reconheci o time da noite anterior.

- Viemos te convidar para dar um passeio – disse a minha “amiga”, aquela com quem puxei conversa na boate – Quer ir?
- Estou descendo – respondi.
 Quem dirigia o carro era a “Galega” ou “Sereia”, se preferirem e desta vez havia um rapaz no grupo, que não lembro o nome. Circulamos por vários lugares até pararmos próximo ao restaurante Moinho do Vale onde haviam posto o  Vapor Blumenau navegava pelo rio Itajaí, na época   a partir de 1895..

          - Já tinhas vindo até aqui? – perguntou-me a “amiga”.
- Não, mas certamente é um local adequado para sereias – respondi e todos, exceto a “Galega”, não entenderam nada.

Acho que almoçamos por ali mesmo e depois fomos até a casa da “Galega” que ficava na Rua Getúlio Vargas – e ainda está lá, se querem saber -. Ouvimos música, conversamos e jogamos cartas até anoitecer. Mais tarde, rumamos para um restaurante fincado sobre o mar, em Itajaí que servia um delicioso camarão frito. Por precaução, sentei-me o mais distante possível da “Galega”, mas era quase impossível deixar de olhar para os seus belos olhos azuis, que estavam mais intensos que nunca. Não sei quanto tempo ficamos ali e quando fomos embora, ela reclamou do frio e tirei o meu casaco colocando-o sobre seus ombros.
 De volta à Blumenau tive que entrar na casa dos primos pela janela que um deles gentilmente abriu.

Na manhã do dia seguinte ninguém foi me procurar e até o almoço fui o alvo das gozações dos parentes. Nessa hora o telefone tocou e era a “Galega” convidando para que fossemos visitar uma Feira das Indústrias de Joinville.

Desta vez ela não veio no seu o carro e sim em um Fusca do namorado de uma das moças, que o dirigia. Estava também o rapaz que conhecera no dia anterior, cujo nome não lembro. Sentamo-nos os três no apertado banco traseiro com a “Galega” no meio.

Vimos o que tinha para ver na exposição e na volta mantivemos a mesma “arrumação” da ida, com a “Galega” ladeando o rapaz e eu. Quando escureceu, ela apoiou a cabeça sobre o braço que eu mantinha sobre o encosto do banco, adormeceu e somente acordou quando deixamos o rapaz, que não lembro o nome, na porta de sua casa.

- Apaguei – disse ela, sorrindo enquanto eu mexia o braço que estava totalmente dormente – Por que não vamos para minha casa? – indagou-nos.

Ficamos lá até quase a meia noite e quando o casal resolveu ir embora, resolvi acompanhá-los. Mas a “Galega” estava com fome e perguntou se não a acompanharia para comer um Cheesesburger em uma das carrocinhas que ficavam a noite inteira na Beira Rio e nem preciso dizer qual foi a minha resposta.

Novamente entrei na casa dos primos pela janela e desta o mesmo que a abrira anteriormente, se mostrou um tanto irritado em acordar no meio da noite, com toda a razão.

Durante todos os dias da semana que se seguiu, encontrei com a “Galega” e é claro que estávamos “quase” íntimos. Fomos a diversos lugares e invariavelmente a última etapa da noite era em sua casa, acompanhados com amigos ou sozinhos. Resistia bravamente aos seus encantos e quando percebia que ia fraquejar, disfarçava e corria em busca de um espelho, providencia que já não funcionava tão bem quanto antes.

Resisti o quanto pude até que o inevitável aconteceu e daí para frente, o tempo voou. Próximo de retornar ao Rio, revelei um desejo antigo de morar em Blumenau e a “Galega”, muito sem jeito, disse que estava fazendo um curso em outra cidade e somente vinha para casa nas férias.

- Não faz mal – respondi-lhe – O tempo para terminar o seu curso é o mesmo que preciso para me mudar.
- Mas é que não sei se vou querer voltar – revelou e nessa hora, a “canoa”, subitamente, começou a fazer água.

Quando nos despedimos, dei-lhe meu telefone para quando fosse ao Rio e se quisesse, poderia ligar.

Achava que nunca mais iria vê-la, entretanto, em setembro, a “Galega” telefonou e achei que fosse um trote.

- Sou eu mesmo, a “Sereia” – disse e somente depois de revelar a “senha” é que acreditei ser mesmo ela – Quero te dizer que no fim de semana que vem estarei em São Paulo e pensei que poderíamos nos encontrar – completou.

Nos dias que estivemos juntos em São Paulo, fomos uma noite à boate Ton-Ton, “point” mais badalado da noite paulistana na época e quando terminou o fim de semana, combinamos “esticar a agonia” para Blumenau, no mês seguinte, onde a irmã mais nova de uma amiga iria debutar, no Teatro Carlos Gomes.

          - O último tango em Blumenau – brinquei, quando nos despedimos.
 Na noite do Baile de Debutantes o Teatro Carlos Gomes estava lotado e procurei a “Galega” por todas as mesas e cantos, mas nada de encontrá-la. Por sorte, a amiga cuja irmã debutava era uma das que conhecera anteriormente e ao perguntar por ela, a amiga respondeu que também a aguardava. Fiquei de vigia por toda a cerimônia, e nada.

Sai do teatro direto para a boate Foca´s e lá também ninguém a vira. Como era perto da sua casa, voei até lá na esperança de encontrá-la, mas para minha decepção, não havia ninguém e nenhuma luz sequer acesa.

O Cavalinho Branco foi outra decepção e somente faltava procurá-la em um último lugar.

Estacionei o carro nas imediações do Moinho do Vale e desci até o local onde ficava o barco do Dr. Blumenau, que foi o primeiro local que estivemos. Era uma noite clara de lua cheia. Com o coração aos pulos vasculhei árvore por árvore, moita por moita e nada.
 Sem mais esperanças de encontrá-la, acendi um cigarro e contemplei a cidade que se debruçava sobre o rio Itajaí. Não lembro quanto tempo permaneci ali e quando ia embora, tive a impressão de ter visto um vulto a poucos metros de onde estava. Ao me aproximar, deparei-me com um homem idoso, com uma vasta barba e usando sobre a cabeça algo parecido com uma touca. Sua fisionomia era bastante familiar e contemplava a cidade como se fosse obra sua. Ele me cumprimentou com um gesto de cabeça e momentos depois, quebrou o silêncio ao me perguntar, num português carregado, o que fazia ali, tão tarde da noite.

          - Procuro uma moça, por acaso viu uma “Galega”, bonita?
- “Ja”, “ja”, foi “emborra” – respondeu-me, balançando a cabeça.
- E para onde? – quis saber.
- “Pulou no água e desapareceu!” – repetiu o velho, fazendo gestos como se estivesse nadando.
- Mergulhou no rio? – indaguei aflito – Então, morreu! Morreu? – e juntei as mãos como se fazem com os mortos.
- “Moreu”? – e repetiu meu gesto com as mãos juntas – “Nein”, “nein”...! – retrucou, com um sorriso nos lábios.
- Mas como não morreu? – novamente repeti o gesto das mãos e balancei a cabeça como se negasse.
- “Nein, ela “erra” eine Nixe!” – bradou.
- Como?
- “Eine Nixe! Eine Nixe...” – repetiu, mexendo a mão como se representar um peixe nadando – “Eine Nixe! Eine Nixe...” – repetiu, novamente.
- Peixe? – perguntei.
- “Nein! Eine Nixe...”
- Uma sereia?
- Ja, ja! Uma “serreia”! Foi “emborra”...

Não posso afirmar que a “Galega” era uma sereia, como também se o velho era o Dr. Blumenau. De concreto sei somente que em Blumenau não se dança o tango.

Arquivo de Adalberto Day/Cientista social e pesquisador da história.

terça-feira, 3 de julho de 2012

- Clube do Spitzkopf

Foto: João Carlos Day
 
CLUBE DO SPITZKOPF, OU  SPITZKOPFCLUB,  UM EXEMPLO TURISMO NO INÍCIO DO SÉCULO XX


Hoje o colunista, escritor e jornalista Carlos Braga Mueller, nos relata o envolvimento do professor Rudolf Hollenweger no Clube Spitzkopf formado em 1927.


------------------------------

Rudolf Hollenweger (foto) foi uma personalidade na área da educação em Blumenau. 
Nascido na Suíça em 1880, veio para Blumenau em 1904,  estabelecendo-se no Garcia Alto. Lecionava em uma pequena escola da região, que ficou conhecida como a "escola do professor Hollenweger", como conta o pesquisador e cientista social Adalberto Day em seu blog na internet.

PAIXÃO PELA MATA ATLÂNTICA

Rudolf Hollenweger era um amante da natureza e concordava com o médico, deputado estadual e ex-Superintendente de Blumenau, José Bonifácio da Cunha, de que era preciso preservar o manancial das cabeceiras do Ribeirão Garcia, de onde Blumenau inteira poderia receber um dia a sua água encanada. Já era um sonho na primeira década do século passado !
Hollenweger, visionário, foi mais longe. Para ver de perto as maravilhas que a Mata Atlântica oferecia, foi o incentivador e um dos fundadores do Spitzkopfclub, clube que surgiu em 1927 e reunia as pessoas que queriam conhecer de perto o cume do Morro do Spitzkopf, de onde se descortinava uma vista maravilhosa: em dias de sol aberto,  via-se até o litoral.

DESCREVENDO A AVENTURA DE ESCALAR O MORRO

Em um relato publicado em 1933 no anuário "Blumenauer Volkskalender" e reproduzido em 1992 pela  revista Blumenau em Cadernos (Tomo XXXIII, nº4, com tradução de Edith Sophia Eimer), o professor relata que o Spitzkopf teria sido escalado  nos dias 19  e 20 de julho de 1892  pelo professor Fritz Alfarth, e mais Hermann Gauche Senior, Otto Wehmuth, fiscal durante muitos anos, e pelo velho caçador de bugres, Christhian Imroth.
Hollenweger teve acesso a um manuscrito que Alfarth deixou, que revelava que a rota da escalada, por falta de conhecimento, fora feita pelo lado rochoso. Mais tarde outros alpinistas tentaram a façanha, só que pelo "Goldbachtal", ou Vale do Riacho do Ouro.  Mas ainda era difícil o acesso e pessoas de mais idade não tinham condições de chegar ao topo do Spitzkopf.

ABRINDO O CAMINHO PARA O TOPO

Em 17 de julho de 1927 Hollenweger, Johann Iten, Otto Huber, Alfred Gossweiler e Paul Scheidemantel fundaram o "Clube do Spitzkopf" (Spitzkopfclub). O grupo abriu um "picadão" até o alto e durante muitos anos ele serviu para se chegar ao cume do morro.
400 metros abaixo do topo foi construído um abrigo que tinha acomodação para cerca de 50 pessoas. Ali os visitantes encontravam mesas, bancos, fogão e beliches e podiam permanecer tranquilamente no local  por alguns dias. Perto, corria uma água cristalina e pura, que jorrava de uma rocha.
E então, depois deste "descanso", os mais corajosos enfrentavam a escalada dos quatrocentos metros finais.

PROTEÇÃO DA NATUREZA

A caça já era proibida e falava-se em preservar aquela mata,  como uma futura reserva florestal.
Premonição, ou não, o professor já profetizava:
"Pois é alegria para todos ver uma vez ou outra um dos poucos animais da floresta que dentro em pouco permanecerão no passado".
Hollenweger relata também, no artigo para o " Blumenauer Volkskalender",  que "a vista é maravilhosa em todas as direções e principalmente depois das trovoadas. A olho nu se reconhece o mar, a Serra Geral, a Serra do Mar com todos os seus terminais, até o Morro do Funil."
No relatório, ele conta que de janeiro a julho de 1932, a cabana havia sido visitada por mais de 300 pessoas e que na assembléia então realizada foi decidida uma ampliação das instalações para atender melhor,  principalmente as senhoras.
Os sócios do clube estavam livres de taxas, inclusive os professores que visitassem a montanha com seus alunos. Não sócios pagavam uma taxa mínima, para manutenção da cabana.

VISITA AO SPITZKOPF SIGNIFICAVA DIAS  DE ALEGRIA
 O Clube Spitzkopf
Passeio morro do Spitzkopf 1935. Descanso para lanche

A historiadora Edith Kormann, na sua obra  "Blumenau, Arte, Cultura e as Histórias da sua Gente", descreve que era muito gratificante pertencer a este clube, tanto que à noite, os que chegavam lá em cima faziam sinais com fogos de artifício para avisar que tinham chegado bem.  
E do centro de Blumenau, outros fogos eram atirados, respondendo que a mensagem havia sido bem recebida !
As crônicas daquela época dão conta da alegria que reinava nos dias que antecediam a jornada para subir o morro.
Cada senhora preparava os lanches com carinho e dedicação. Aos homens cabia levar o material mais pesado, colchas e cobertores principalmente.
No trajeto, a bordo de carroças e carros de mola, os turistas entoavam alegres canções alemãs, interrompidas de vez em quando por um brasileiro mais afoito, que cantava "Luar do Sertão", inspirado pelas noites de lua cheia que enfeitavam o céu.

Mas com o tempo o clube acabou desaparecendo, talvez até por falta do professor Rudolf Hollenweger, que faleceu em 2 de fevereiro de 1949. 
Cabana 17.07.1927 -Devorada pelo incêndio em 1995
Certamente a iniciativa dos passeios ao Morro do Spitzkopf foi a precursora do turismo interno em nossa região. Até hoje, Blumenau e seus arredores continuam a ser explorados turisticamente de uma forma muito tímida. A Mata Atlântica que nos cerca por quase todos os lados; a sinuosidade do Rio Itajaí Açu; os parques florestais do Garcia, a região colonial da Vila Itoupava, os clubes de Caça e Tiro, enfim, temos tudo para mostrar. Só falta trazer mais pessoas para ver !  
 23ºBI em 24/05/2010 em marcha ao topo do morro.
 Foto :Luiz Ricardo Dalmarco

ADENDO

Tendo em vista que foi levantada pelo internauta José Vitor Iten uma dúvida sobre a proibição da caça no idos de 1933,  cabem aqui alguns esclarecimentos.

No seu relato publicado no "Blumenauer Volkskalender, 1933", a páginas 66, traduzido e reproduzido na revista Blumenau em Cadernos TOMO 33, nº 4, é o próprio Professor Hollenweger que escreve:

"Toda a região (Spitzkopf) está prevista para se tornar uma "reserva florestal", e ali a caça é proibida"."

A história registra que em 1932, aos 22 anos de idade, Udo Schadrack herdou do pai, Ferdinand Schadrack  uma imensa área de terras ao sul do município de Blumenau. Ali,  estavam situadas as matas da quase totalidade da vertente norte do Morro do Spitzkopf.
A partir daquele ano, cessou toda a exploração de madeira no local.
Tendo participado de caçadas quando jovem, prática comum na época, Udo Schadrack impressionou-se ao perceber, ano após ano, a rápida diminuição da fauna. Lauro Bacca, reportando-se a Udo Schadrack neste blog (1º/10/2010), conta que a situação fez Udo tornar-se um dos mais ferrenhos defensores da preservação da fauna, tarefa que executou com extrema dedicação e sem esmorecer,  até sua morte, apesar de ter sofrido inúmeras decepções e dissabores de toda ordem.
Chamava os caçadores de "exterminadores da nossa fauna, os quais escolhem o meio mais fácil de matar a caça que estou criando e protegendo no meu Parque de Criação, com sacrifícios que poucos conhecem."
Sómente em 1952 Udo Schadrack conseguiu transformar a área em Parque de Criação e Refúgio de Animais Silvestres, com registro no Ministério da Agricultura.

Esta obsessão de proibir a caça em suas terras deve ter começado tão logo herdou as terras, porque um ano depois, em 1933, Hollenweger já confirmava esta proibição.
No Brasil inteiro se caçava sem limites; no Spitzkofk, seu proprietário já proibia a atividade !
No final dos anos 50, para melhorar a fiscalização à caça, Udo encabeçou um abaixo assinado, endereçado ao Governo do Estado.

Ainda em relação ao nosso internauta, cabe esclarecer também que o nome correto do professor era Rudolf Hollenweger, que no português ficou sendo Rodolfo. O sobrenome é exatamente assim: HOLLENWEGER. Se em alguma placa indicativa consta diferente, cabe ser corrigido. (Carlos Braga Mueller)
 ____________

Para saber mais acesse :

 Texto Carlos Braga Mueller/jornalista e escritor.
Arquivo de Adalberto Day  

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...