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terça-feira, 22 de maio de 2012

- Perda de Território de Blumenau


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PERDA DE TERRITÓRIO DE BLUMENAU PARA INDAIAL

Foto do Rib. Kellerman, onde a esquerda vemos o território que antigamente pertencia a Blumenau, embora na pratica isto nunca tenha ocorrido. À direita, território sempre pertencente à Indaial.

Estudando há alguns anos os mapas de Blumenau, seus limites, seu relevo e suas características gerais, me deparei com uma reportagem muito interessante do Sr. Niels Deeke, publicada no blog de Adalberto Day -,
que procurava explicar o que levou Blumenau a perder uma considerável área (aproximadamente 4,2 km2) para o município de Indaial.

Esta área situa-se na região do ribeirão Kellerman, divisa com Indaial na BR 470, onde está localizado o “Posto Galo” ou o antigo “Vale das Bonecas”. Ali no ano de 1995 Blumenau cedeu oficialmente para Indaial uma extensa faixa de terra de aproximadamente 5 km de comprimento por 500 a 1000 metros de largura.

A notícia me intrigou e procurei pesquisar a fundo o que teria levado a isso, buscando um melhor entendimento e enriquecendo o texto do Sr. Niels Deeke.

Sendo o ribeirão Kellerman desde sua nascente até a foz no Rio Itajaí-Açu a antiga divisa, e o mesmo tendo porte razoável, como teria ocorrido tamanho engano? Como os moradores e as prefeituras não perceberam o erro?

Durante um ano e meio, conversei com diversos moradores, ex-prefeitos, geógrafos, IBGE e com as Secretarias de Planejamento dos dois municípios. Recebi algumas explicações, mas me pareceu faltar algo mais conclusivo.

O Sr. Niels Deeke comenta em seu artigo de um certo descaso da Prefeitura de Blumenau, o que teria levado os moradores a buscar amparo em Indaial. Mas é sabido que um município não pode ingerir em território alheio o que implica em grave penalidade. Qual o “ele perdido” do ribeirão Kellerman ?

A partir dos depoimentos de diversos moradores antigos da região, e da falta de uma explicação mais fundamentada de ambas as prefeituras parece-me que a causa mais provável do “mistério” do Kellerman foi de um “EQUÍVOCO NA COLOCAÇÃO DA PLACA IDENTIFICADORA DE DIVISA ENTRE OS DOIS MUNICÍPÍOS”.

Considerando que a emancipação de Indaial ocorreu em março de 1934 e que alguns moradores entrevistados já são septuagenários, ou seja, nascidos pouco após o evento, os mesmos declararam que a divisa sempre foi no local onde exatamente hoje estão as placas, recordando sua época de infância.
 Vemos acima outra imagem do Rib. Kellerman. A direita do mesmo está o território que pertencia originalmente a Blumenau. Observa-se no fundo os morros cuja cumeeira agora servem como nova divisa.

A questão remete a um possível erro de interpretação cartográfica, onde se confundiu um afluente do ribeirão Kellerman (que hoje serve de divisa) com o próprio Kellerman. Segunda uma geógrafa entrevistada, com os recursos cartográficos mais limitados na época, é possível ter havido uma leitura errônea do terreno. Também o fato de que a antiga estrada que ligava Blumenau a Indaial cruzar o Kellerman (hoje rua Bagé) e não margear boa parte dele como ocorre com a atual BR 470, pode te contribuído para isto.
  
Com o crescimento da região, a construção da BR 470 e o aprimoramento da cartografia, o erro do Kellerman tornou-se mais visível. Segundo um dos moradores em pelo uma ocasião, teriam realizado um plebiscito para deliberarem à qual cidade a população gostaria de pertencer. Com o atendimento já sendo feito por Indaial a tantos anos e suas propriedades já registradas neste município, a preferência recaiu sobre Indaial.

No mapa acima podemos observar com exatidão a área que Blumenau perdeu/cedeu para Indaial, que está destacada em amarelo. No lado esquerdo da faixa amarela passa o Rib. Kellermann (antiga divisa). No lado direito estão os morros que hoje servem como nova divisa. Na base desta faixa amarela está o pequeno ribeirão (inominado), que cruza a BR 470 na altura do antigo Arthur Hotel (hoje Hotel Vapt Vupt)  que provavelmente foi confundido com o Kellermann quando da demarcação da divisa.

O IBGE também teria comunicado a Prefeitura de Blumenau sobre o problema, mas a correção tornar-se-ia complexa, o que levou os prefeitos Vitor Sasse e Renato Viana a julgarem mais prático cederem o território ao município vizinho.

A questão parece não ter gerado maiores constrangimentos entre prefeituras e população, tendo sida negociada amigavelmente, também segundo jornais da época.

Conversando com os técnicos da Secretaria de Planejamento de Indaial, os mesmos ponderaram que tendo o ribeirão como divisa, conforme originalmente definido, e serpeando o vale, como ocorre com o traçado do Kellerman, seria difícil para ambas as prefeituras administrarem a região, concomitantemente, pois alguns terrenos pertenceriam a uma cidade e outros a outra, na mesma rua.

Minha curiosidade também foi especialmente em saber do posicionamento de Blumenau, como cidade em tese prejudicada, pois 4 milhões e 200 mil metros quadrados representam área significativa. Segundo a Secretaria de Planejamento o assunto é considerado “página virada” na prefeitura. Apesar de transparecer um sentimento pela perda, a questão foi absorvida e não se fala mais no assunto.


Não sei se poderíamos considerar o assunto como encerrado, mas espero poder ter contribuído para o esclarecimento deste importante fato ocorrido na geopolítica do município de Blumenau.

Ficaria grato se outros pudessem somaran-se à minha pesquisa, acrescentando fatos ou mesmo questionando nossa conclusão, já que a mesma carece de fontes mais científicas, as quais  parecem inexistir.
Que o texto seja de algum proveito para o leitor.

Cordialmente,

Theodor Alexandre Darius.
Para saber mais acesse:
Arquivo: Theodor Alexandre Darius


4 comentários:

Adrian Marchi disse...

Grande amigo Adalberto!

Graças a sua explicação é que podemos ficar sabendo dos fatos verídicos que marcam nossa cidade.

Quanto mais conheço o passado de Blumenau, mais posso prever o seu futuro.

Muito obrigado amigo.

Abraços
Adrian Marchi

Flavio Monteiro disse...

Prezado Adalberto,
Excelente postagem.
Demonstra, mais uma vez, o interesse dos catarinenses por assuntos da região.
Parabéns ao Theodor Alexandre Darius pela clareza do texto e informações.
Abraços,
Flavio Monteiro

Nilton Zuqui disse...

Adalberto,
Lendo o texto chego a conclusão de politicos levando vantagens sem ter conhecimento de Geografia,pois de que maneira se dedermina uma divisa de municipio,a olho nu? ou do jeito que queriam, dequalquer forma muito bom saber destas novidades,sim para mim isso é novidade.
Abraço.
Nilton

Valda disse...

Adalberto,

Que imagem linda, parece uma pintura da Rose Darius! Só que permeada de Historia!
Obrigada pele envio.

Abraço,

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