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quinta-feira, 3 de maio de 2012

- O empreendedor dr. Blumenau

Imagem Sônia Baier Gauche
O empreendedor dr. Blumenau
Sumário das precessões locais motivadoras à Colonização
do território no médio Vale do Itajaí pelo dr. Blumenau
Sucinta exposição responsiva de Niels Deeke

Visão do dr. Blumenau ao chegar à região da futura colônia ao longo do Itajaí Açu que, na época  colonial,  estendia-se por território com de 10.610 Km² dos quais, atualmente, o município de Blumenau ocupa 519.8 Km² .

O dr. Blumenau partiu de Desterro, atual Florianópolis, até a Freguesia do Santíssimo Sacramento, hoje cidade de Itajaí. Em Itajaí informou-se sobre a região com Agostinho Alves Ramos, o qual  recomendou-lhe contratasse como guia, para a expedição exploratória,  Ângelo Dias de Arzão que era então capataz do Coronel Henrique Flores,  proprietário de 05 léguas à margem direita  do rio  Itajaí, entre o ribeirão das Canas e a  foz do ribeirão Luis Alves,  onde, desde 1835, dedicava-se à plantação de cana de açúcar e a  produção de açúcar para exportação à metrópole.

Como era o Vale do Itajaí na chegada de dr. Blumenau   em 1848?
Ao longo do rio Itajaí Açu já havia colonos transmigrados da colônia alemã de São Pedro de Alcântara, que se assentaram, espontânea e espaçadamente, a partir da atual Ilhota até o Capim Volta. Além desses, havia na Região de Carijós e do Rio Morto (Indaial) um insípido assentamento, aliás, muito precário - faltava-lhes tudo, até panos de roupa e anzóis -  de luso-brasileiros, vindos da região de Barra Velha pelo rio Itapocu e que foram chamados de ¨Cabeças de Bagre ¨ – uma pungente história de sofrimentos que ainda não foi divulgada.
Nos terrenos adjacentes à atual Casa Flamingo, na Rua XV de Novembro, Valentin Theiss, a mando de Peter Wagner, este estabelecido na Praia Grande do Capim Volta , estava fazendo uma derrubada florestal.

O que dr. Blumenau viu nas margens do Rio Itajaí-Açu?
A montante da foz do ribeirão Luis Alves, onde residia o reinol português Dom Luis Alves, e após observar a ruína da malograda tentativa da colonização Belga, em 1845/46, tentame levado a efeito por Charles van Lede em Ilhota, avistou contínua e exuberante floresta, com madeiras que possibilitariam recursos financeiros e as terras, após desnudadas, ofereceriam ótimas condições para a implantação  de uma colônia agrícola, que era seu objetivo inicial.
Qual foi a impressão que ficou para ele sobre região?
A impressão retida pelo fundador foi a melhor possível: contudo a primordial foi a da existência do rio Itajaí Açu, favorecendo o acesso por navegação até a região atual de Itoupava - Seca. O dr. Blumenau, observador sagaz e consciente, logo percebeu o inestimável valor que teria, para a colonização, a catadupa do Salto como geradora de força motriz, tanto que ao transacionar, com o Império, em 1860, a sua colônia particular, reteve, como sua propriedade exclusiva, aquela aprestada queda d’água  do Itajaí Açu, somente alienando-a aos Srs. Schmidt e Röder, em 1896, por telegrama recepcionado no Rio de Janeiro. A título informativo, consigna-se  aqui um evento que permaneceu à margem da historiografia local , qual seja o de que os supracitados senhores, tentaram instalar uma portentosa indústria de beneficiamento de ráfia. Schmidt e Röder, apesar de haverem construído o dique de barragem do rio empregando cimento importado em barricas e, também, praticamente concluído a construção do prédio da “casa de força” (atual Usina do Salto)  quando faltava somente instalarem as turbinas, faliram fragorosamente. A empresa constituída tratava-se de uma Companhia ( S.A.)  e para obter recursos financeiros,  procederam o lançamento público para subscrição de ações no Rio de Janeiro, onde, ainda em 1965, vários herdeiros daqueles investidores reivindicavam o ressarcimento dos capitais alocados. 

Além do mais, em 1848, as terras da futura colônia ainda estavam disponíveis  para aquisição  mediante negociação com a presidência da Província de Santa Catarina, transação que realizou-se.
Para saber mais acesse:

Colaboração de Niels Deeke memorialista em Blumenau e Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.





4 comentários:

Angelina Wittmann disse...

Uma história interessante.
Sim, Sr. Blumenau foi negociante, para isto esqueceu até sua função, no momento que veio pela primeira vez ao Brasil.
Ele era um agente, entre outros do governo alemão para observar e investigar as denúncias de maus tratos a imigrantes alemães, que chegavam à Europa. O Brasil, era um pais jovem, independente e possui uma região sul muito fragilizada e exposta, como também um exército inexperiente. Pagavam passagens a ex soldados , que pretendiam recomeçar a vida em paz e estes recebiam a informação que receberiam terras para cultivar e passagens. Em alguns casos, eram colocados em quartéis no Rio de Janeiro e não poderiam sair , sem antes pagar a passagem que tinham recebidos. Isto é narrado muito bem no livro O Rio de Janeiro como é 0 1824 1826 por C. Schlichrhorst - um destes soldados. É um livro muito bom que apresenta a descrição do Rio de Janeiro sob a ótica de um alemão, sua população, danças, comidas, música, relações sociais e este peculiar fato. O Sr Blumenau, como agente, desembarcou no Brasil e ficou encantado, não somente com a natureza do país, mas com a possibilidade de abrir seu negócio. Conversou com autoridades, tinha estreitos traço com o imperador brasileiro. Retornou à Alemanha, contanto maravilhas e não os fatos, mediante a idéia de formar sua empresa e fundar uma colônia a partir da vinda de conterrâneos seus, negociando lotes coloniais. Recebeu apoio do governo brasieleiro e retornou a Alemanha fazendo propagando positiva, já então encaminhando seus negócios...
Oportunizou uma viagem de trabalho, que envolvia o bem estar dos imigrantes alemães, paga pelo governo alemão em detrimento de seus negócios e mudou o discurso, para o êxito do mesmo. Assim, a colônia de Blumenau surgiu a partir de um grande loteamente avalizado pelo governo brasileiro, em troca de propagando positiva que incentivasse a vinda de mais alemães, pois o sul precisava ser povoado, do contrário, os "gringos", como diziam, poderiam tomar este território que pertencia ao Brasil.
É uma parte da história de Blumenau que eu acho triste...
Abraços.

Flavio Monteiro de Mattos disse...

Prezado Adalberto,
Mais uma página da interessante colonização do país e, especialmente da fundação de Blumenau.
Ótimas também as explanações da Sra. Angelina e mesmo que, na sua opinião, considere uma página triste da história de Blumenau, o resultado do empreendimento do fundador justifica, com sobras, os meios empregados.
Parabéns,
Flavio Monteiro de Mattos

Eurides Antunes disse...

Oi amigo,
importante documento para nossa história.
abraço,
Antunes Severo

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

gostei da matéria de reconhecido valor histórico.
Em 16 de março de 1848 o Dr. Blumenau entregou ao Governo da Província de Santa Catarina em Desterro como representante da "Sociedade de Proteção aos Imigrantes Alemães no Sul do Brasil" uma proposta de iniciar no Vale do Itajaí uma colônia agro-industrial, requerendo para tanto uma área de 50.000 hectares. O empreendimento porém não se concretizou em face da dissolução daquela sociedade na Alemanha.
Assim, restou ao Dr. Blumenau formar uma sociedade com Ferdinand Hackradt, para numa iniciativa particular, colonizar o imenso Vale do Itajaí.
Para este empreendimento voltou à Alemanha em 1849 com o intúito de trazer mais imigrantes para colonizar o Vale do Itajaí.
Este foi o Dr. Blumenau, que não desistiu de seu projeto e hoje temos a cidade que está aí com projeção nacional.
Abraço

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