"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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terça-feira, 29 de maio de 2012

Educação e saúde...o resto vem depois- dois !!

Blog de Celso Rosa: É isto aí, Blumenau

Venho pedir aos meus estimados e queridos amigos que acessam nosso trabalho, e de modo geral, para que continuem com as orações e muita fé. Como disse outro dia um amigo, "Até DEUS acompanha meu Blog", e ele vai querer continuar lendo.
Estarei por mais uns dias ausente sem postagens, pois necessito me recuperar. Estou em fase de tratamento muito rigoroso. Já conclui em torno de ¼ da medicação.
 Espero em breve me restabelecer, e poder contar com o apoio e carinho de vocês

Cartão que recebi da Darius Turismo e seus turistas "De Blumenau para Blumenau", Entregue pelo meu amigo Wieland Lickfeld.
Minha Gratidão
Mais detalhes:
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história

sexta-feira, 25 de maio de 2012

- Dirigível Zeppelin

Bartolomeu de Gusmão - O Padre Voador


            Ainda hoje, são impressionantes as belas imagens fotográficas dos dirigíveis alemães, sobrevoando os céus brasileiros e de nosso Estado. Principalmente, pelo grande tamanho dos popularmente chamados Zeppelins (o Hindenburg media 245 metros) e pelo formato exterior da enorme aeronave desprovida de asas, que parecia uma gigantesca baleia voadora, deslizando no ar sobre terras, mares e oceanos.
O que muita gente não sabe é que o padre Bartolomeu de Gusmão, brasileiro nascido em Santos, em 1685, bem que deveria ser considerado o “Pai dos Dirigíveis”. Reconheço que, assim como ocorre com Santos Dumont - quando queremos que seja ele o “progenitor” do avião – pode parecer um pouco de exagero. Mas, a verdade é que a história reconhece Bartolomeu de Gusmão como um “precursor da aeronáutica”. Foi um dos primeiros a provar a possibilidade de se criar engenhos com capacidade para voar. Daí seu cognome de “Padre Voador”.
Depois de sua ordenação em terras brasileiras, foi estudar em Coimbra. Estudioso da Física estava convencido de que era possível construir um aparelho ou um veículo que se elevasse do chão e se deslocasse no espaço aéreo. Seguro de sua experiência, não se furtou em mandar petição ao rei D. João V, dizendo que tinha descoberto "um instrumento para se andar pelo ar da mesma sorte que pela terra e pelo mar".

A primeira experiência foi um fracasso. O balão incendiou-se sem sair do chão. Nosso Padre Voador, no entanto, não desistiu. No dia 8 de Agosto de 1709, na sala dos embaixadores da Casa da Índia, Bartolomeu de Gusmão fez sua “passarola” elevar-se a uns 4 metros de altura. Era um pequeno balão de papel pardo grosso, cheio de ar quente, produzido pelo "fogo material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada". O balão foi logo destruído para evitar um possível incêndio da majestosa sala e a experiência foi considerado um enorme sucesso.
Depois do singelo, mas heróico feito, vieram as lendas. Uma delas conta que Bartolomeu de Gusmão teria realizado um vôo entre o Castelo de S. Jorge e o Terreiro do Paço. Esta estória contada pelos lisboetas foi recolhida por José Saramago e inserida em sua obra Memorial do Convento. Ali, na pena brilhante da narrativa histórica e, ao mesmo tempo, fantástica do grande escritor português, nosso Padre Voador conta com o trabalho amigo, desinteressado e sigiloso de Baltasar Sete-Sóis e de Blimunda Sete-Luas – personagens principais do romance - para construir sua Passarola. Terminada a obra, saem os três num vôo fantástico, embevecidos com a paisagem das terras e cidades portuguesas, como nunca até então, vistas das alturas dos céus lusitanos.
Eram os tempos ainda de Inquisição em Portugal. E, de cientista, nosso Padre Voador foi transformado em impostor, acusado de bruxaria e perseguido pela intolerância de uma Igreja contrária às novas verdades da ciência. Certamente, Bartolomeu de Gusmão não conseguiu voar em sua Passarola, quando de sua fuga para Toledo, cidade espanhola em que se refugiou para morrer, em 1824. Mas, seu nome está definitivamente inserido na história mundial da aeronáutica.
Zeppelin em Brusque
Gosto de contemplar fotos antigas de Brusque e de nossa gente.  Aquela do dirigível Hindenburg, sobrevoando casarão do cônsul Carlos Renaux - hoje praça Barão de Schnéeburg – é uma das que mais me impressiona, pela feliz oportunidade do flagrante. O episódio ficou gravado na memória brusquense como “a passagem do Zeppelin”, nome do primeiro dirigível e que popularizou esse tipo de aeronave.
O flagrante fotográfico da “majestosa aeronave” foi colhido por volta das cinco horas, do dia 1º de dezembro de 1936. Conforme registro do jornal O Rebate, aquela histórica manhã começava cheia de luz, quando do quadrante norte surgiu um ponto luminoso e, “suavemente, como que deslizando no ar, soberbo, magnífico, o Hindenburg voava sobre nossa cidade.”
Em seu entusiástico editorial do dia cinco, o semanário traduz toda a emoção que tomou conta dos brusquenses: “Braços se erguem numa saudação, lenços se agitam, vozes se erguem, numa homenagem à vitória do gênio criador da mais bela concepção aeronáutica de nossa época”.
1936 - em Blumenau

O periódico concorrente - O Progresso - também se revelou entusiasmado com o prodígio tecnológico germânico. Não devemos esquecer que Hitler havia chegado ao poder em 1933 e, em nossa região, havia muitos simpatizantes do regime nazista e de suas idéias expansionistas. Ideologias à parte, a verdade é que o jornal começou seu editorial dizendo que “Brusque assistiu, na manhã de 1º de dezembro o (sic) deslumbrante espetáculo da visita do soberbo dirigível Hindenburg”.
O texto não difere muito daquele publicado pelo O Rebate, na descrição do grande acontecimento, que emocionou a população brusquense, desde a véspera, avisada sobre a passagem do “Zeppelin”. Confirmando o horário das cinco horas da manhã, O Progresso assim registrou o histórico sobrevôo: “Sereno, como que deslizando suavemente, aparece logo depois, a todos os olhares, o gigantesco dirigível, que honra o gênio inventivo do povo alemão. Lenços se agitam, palmas reboam, frases de entusiasmo se ouvem sobre a cidade”.  
Com seus 248 metros de comprimento, 41 de largura e capacidade para 97 pessoas, entre tripulantes e passageiros, o Hindenburg era considerado um colosso da indústria aeronáutica alemã. Por isso, era utilizado como um instrumento da propaganda nazista para demonstrar o avanço tecnológico do III Reich e a superioridade da raça ariana. Assim, não foi por mera coincidência que O Progresso tenha anotado que, quando o imenso dirigível sobrevoou o centro da cidade, ostentando a cruz suástica em sua parte traseira, centenas de braços se ergueram “numa saudação expressiva”.
O editorial não é explícito, mas é fácil deduzir que a “saudação expressiva”, significava braços direitos levantados numa inclinação de 45°, mãos abertas e possíveis gritos fanáticos de “Heil Hitler”.
Apesar de toda a propaganda nazista, o dirigível Hindenburg foi tomado pelo fogo, no ano seguinte. Naquele momento, talvez poucos tenham percebido. Mas, o fantástico incêndio do Hindenburg, em Nova Iorque, com passageiros e tripulantes lançando-se ao solo como se fossem tochas humanas, já deveria ser visto como o prenúncio da maior tragédia sofrida pela Humanidade. Ao final da II Guerra Mundial, a Alemanha nazista terminava seus dias completamente arrasada e com suas principais cidades em chamas.
Zeppelin em Tijucas- Lendas e Mitos
Dois anos antes do Hindenburg, o Graf Zeppelin sobrevoou algumas cidades do litoral e do Vale do Itajaí, inclusive Brusque. Em sua passagem, em primeiro de julho de 1934, deixou milhares de pessoas emocionadas e um rastro de lendas e anedotas. Pois, o Zeppelin também fez um emocionante vôo sobre minha terra natal. Àquela época, por sua importância econômica e política, Tijucas não poderia ficar fora da rota do fantástico dirigível, prodígio da engenharia alemã.
Quando guri, ouvi algumas anedotas sobre a passagem do enorme dirigível nos céus tijucanos. Diziam que o prefeito, logo que soube do possível vôo sobre a cidade, teria mandado um telegrama ao comandante Ernst Lehmann, com um pedido: que não passasse nas primeiras horas da manhã, muito menos de madrugada. Da forma mais diplomática possível, explicava ao piloto alemão que os tijucanos não estavam acostumados a levantar cedo. Aconselhava o alcaide, que as primeiras horas da manhã fossem aproveitadas para o voo sobre Brusque, Blumenau ou Joinville. Os alemães é que gostavam de acordar cedo para trabalhar que nem escravos.
O telegrama continha, ainda, um P. S., pedindo encarecidamente ao comandante que, depois do meio dia, evitasse o horário das quatro. Era a hora sagrada do café da tarde, durante a qual, dificilmente, os tijucanos deixariam a costumeira refeição vespertina, sempre reforçada com banana frita e bolinhos de frigideira.
Até hoje, ninguém sabe se o lendário telegrama chegou ao seu destinatário. Mas, o fato é que, quando o Lindenburg cruzou os céus tijucanos, o sol já ia alto naquela manhã invernal. O sobrevôo teria começado pelo bairro da Joaia, onde residiam os caçadores mais inveterados, de uma cidade onde a caça era praticada pela grande maioria da população - masculina é claro! - porque as mulheres eram educadas para cumprirem a missão de serem eternas prendas domésticas.
Blumenau - 1936
Um verdadeiro exército se formou em poucos minutos. Armados de espingardas, fundas e bodoques, os improvisados soldados da Joaia tentaram derrubar o grande pássaro que voava - na verdade parecia deslizar - sobre a planície tijucana. Mas, por cautela, o experiente comandante pilotava a majestosa nave fora do alcance da artilharia joiaense. Em seguida, o que se viu foi uma chuva de pelotas e chumbos dos cartuchos detonados, retornando à terra e caindo sobre a cabeça daquela aguerrida e curiosa comunidade.
Também contavam que, quando o Lindenburg passou sobre o bairro da praça, a comunidade de pescadores ali residente lançou suas redes - numa cena de explícito realismo fantástico – a fim de pescar a gigantesca baleia dos ares. Outros teriam pensado em chamar os melhores cavaleiros da farra do boi para laçar a enorme fera sem aspas. Num ou noutro caso, seria um feito que botaria Tijucas no noticiário mundial daquela época. Mas tudo em vão. O Zeppelin continuou deslizando e sumiu do olhar dos extasiados tijucanos.
No domingo seguinte, o Padre Jacó Slater - holandês com título de doutor - aproveitou a missa das 9,30h para repreender seus fieis paroquianos pelo “papelão”, diante da extraordinária máquina voadora, glória da indústria aeronáutica germânica. Das alturas do púlpito da igreja matriz, num sermão futurístico e já se antecipando à causa ambiental dos nossos tempos, bradou o padre Jacó: “vocês não se conduziram como bons cristãos. Pois, fiquem sabendo que o tempo virá em que a caça às aves e às baleias será considerada uma prática criminosa contra a natureza e os seus autores lançados na profundeza das prisões”.
Para saber mais acesse:
João José Leal – jjoseleal@gmail.com
Arquivo Adalberto Day
         

terça-feira, 22 de maio de 2012

- Perda de Território de Blumenau


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PERDA DE TERRITÓRIO DE BLUMENAU PARA INDAIAL

Foto do Rib. Kellerman, onde a esquerda vemos o território que antigamente pertencia a Blumenau, embora na pratica isto nunca tenha ocorrido. À direita, território sempre pertencente à Indaial.

Estudando há alguns anos os mapas de Blumenau, seus limites, seu relevo e suas características gerais, me deparei com uma reportagem muito interessante do Sr. Niels Deeke, publicada no blog de Adalberto Day -,
que procurava explicar o que levou Blumenau a perder uma considerável área (aproximadamente 4,2 km2) para o município de Indaial.

Esta área situa-se na região do ribeirão Kellerman, divisa com Indaial na BR 470, onde está localizado o “Posto Galo” ou o antigo “Vale das Bonecas”. Ali no ano de 1995 Blumenau cedeu oficialmente para Indaial uma extensa faixa de terra de aproximadamente 5 km de comprimento por 500 a 1000 metros de largura.

A notícia me intrigou e procurei pesquisar a fundo o que teria levado a isso, buscando um melhor entendimento e enriquecendo o texto do Sr. Niels Deeke.

Sendo o ribeirão Kellerman desde sua nascente até a foz no Rio Itajaí-Açu a antiga divisa, e o mesmo tendo porte razoável, como teria ocorrido tamanho engano? Como os moradores e as prefeituras não perceberam o erro?

Durante um ano e meio, conversei com diversos moradores, ex-prefeitos, geógrafos, IBGE e com as Secretarias de Planejamento dos dois municípios. Recebi algumas explicações, mas me pareceu faltar algo mais conclusivo.

O Sr. Niels Deeke comenta em seu artigo de um certo descaso da Prefeitura de Blumenau, o que teria levado os moradores a buscar amparo em Indaial. Mas é sabido que um município não pode ingerir em território alheio o que implica em grave penalidade. Qual o “ele perdido” do ribeirão Kellerman ?

A partir dos depoimentos de diversos moradores antigos da região, e da falta de uma explicação mais fundamentada de ambas as prefeituras parece-me que a causa mais provável do “mistério” do Kellerman foi de um “EQUÍVOCO NA COLOCAÇÃO DA PLACA IDENTIFICADORA DE DIVISA ENTRE OS DOIS MUNICÍPÍOS”.

Considerando que a emancipação de Indaial ocorreu em março de 1934 e que alguns moradores entrevistados já são septuagenários, ou seja, nascidos pouco após o evento, os mesmos declararam que a divisa sempre foi no local onde exatamente hoje estão as placas, recordando sua época de infância.
 Vemos acima outra imagem do Rib. Kellerman. A direita do mesmo está o território que pertencia originalmente a Blumenau. Observa-se no fundo os morros cuja cumeeira agora servem como nova divisa.

A questão remete a um possível erro de interpretação cartográfica, onde se confundiu um afluente do ribeirão Kellerman (que hoje serve de divisa) com o próprio Kellerman. Segunda uma geógrafa entrevistada, com os recursos cartográficos mais limitados na época, é possível ter havido uma leitura errônea do terreno. Também o fato de que a antiga estrada que ligava Blumenau a Indaial cruzar o Kellerman (hoje rua Bagé) e não margear boa parte dele como ocorre com a atual BR 470, pode te contribuído para isto.
  
Com o crescimento da região, a construção da BR 470 e o aprimoramento da cartografia, o erro do Kellerman tornou-se mais visível. Segundo um dos moradores em pelo uma ocasião, teriam realizado um plebiscito para deliberarem à qual cidade a população gostaria de pertencer. Com o atendimento já sendo feito por Indaial a tantos anos e suas propriedades já registradas neste município, a preferência recaiu sobre Indaial.

No mapa acima podemos observar com exatidão a área que Blumenau perdeu/cedeu para Indaial, que está destacada em amarelo. No lado esquerdo da faixa amarela passa o Rib. Kellermann (antiga divisa). No lado direito estão os morros que hoje servem como nova divisa. Na base desta faixa amarela está o pequeno ribeirão (inominado), que cruza a BR 470 na altura do antigo Arthur Hotel (hoje Hotel Vapt Vupt)  que provavelmente foi confundido com o Kellermann quando da demarcação da divisa.

O IBGE também teria comunicado a Prefeitura de Blumenau sobre o problema, mas a correção tornar-se-ia complexa, o que levou os prefeitos Vitor Sasse e Renato Viana a julgarem mais prático cederem o território ao município vizinho.

A questão parece não ter gerado maiores constrangimentos entre prefeituras e população, tendo sida negociada amigavelmente, também segundo jornais da época.

Conversando com os técnicos da Secretaria de Planejamento de Indaial, os mesmos ponderaram que tendo o ribeirão como divisa, conforme originalmente definido, e serpeando o vale, como ocorre com o traçado do Kellerman, seria difícil para ambas as prefeituras administrarem a região, concomitantemente, pois alguns terrenos pertenceriam a uma cidade e outros a outra, na mesma rua.

Minha curiosidade também foi especialmente em saber do posicionamento de Blumenau, como cidade em tese prejudicada, pois 4 milhões e 200 mil metros quadrados representam área significativa. Segundo a Secretaria de Planejamento o assunto é considerado “página virada” na prefeitura. Apesar de transparecer um sentimento pela perda, a questão foi absorvida e não se fala mais no assunto.


Não sei se poderíamos considerar o assunto como encerrado, mas espero poder ter contribuído para o esclarecimento deste importante fato ocorrido na geopolítica do município de Blumenau.

Ficaria grato se outros pudessem somaran-se à minha pesquisa, acrescentando fatos ou mesmo questionando nossa conclusão, já que a mesma carece de fontes mais científicas, as quais  parecem inexistir.
Que o texto seja de algum proveito para o leitor.

Cordialmente,

Theodor Alexandre Darius.
Para saber mais acesse:
Arquivo: Theodor Alexandre Darius


sexta-feira, 18 de maio de 2012

- O Céu de “Brigadeiro”

Nostalgia:
O Céu de Brigadeiro*
Por volta dos anos de 1962/63, na minha infância, tão linda e de pés descalços ao chão, uma das maravilhas que presenciamos nos céus de toda Santa Catarina, e em especial em Blumenau, foram os aviões a Jato riscando “O céu de Brigadeiro”.
Creio que na época foram novos aviões adquiridos pela “Varig” - Viação Aérea Rio-Grandense.
Lembro-me do ceticismo na ocasião: “Vai acabar o mundo”, invasão de extraterrestres – chegada de Marcianos. Os comentários eram os mais extravagantes e variados.
No entanto aquela quantidade de aeronaves em um só momento, que imagino tenha sido próxima a dez, nunca mais foi vista a não ser em vôos individuais, solitários.
Decorrido meio século ainda lembramos do episódio, único na época  - notável, épico  -  pois tão  sensacional foi o espetáculo que jamais foi esquecido, quando  em nossa memória ficou indelevelmente gravada a recordação daquele dia em que a nossa Blumenau foi brindada com  primorosa maquiagem adornando o seu firmamento, presenteando-nos com verdadeiro  “Céu de Brigadeiro”.
Bem, a historieta esta terminando, anoitece e outras visões, nos remetem a mesma época.  A via Láctea, nossa galáxia, as estrelas, as constelações, os satélites naturais, a nossa estrela o Sol, os planetas, os temíveis asteroides ou meteoritos, que – riscando o céu - pareciam cair atrás dos morros ali perto. A estrela Dalva (é o nome da minha esposa) em especial minha amada, que na realidade é o planeta Vênus ou Vésper, o qual por tanto invulgar e refulgente brilho é prontamente reconhecido pela sua exuberância.
Contudo, além disso, havia os satélites artificiais, que rondavam nosso planeta, foguetes e naves espaciais tripuladas em busca de uma melhor vida, bem como a aventura da conquista da Lua em 20/julho/1969.
* Seria o tal de “Céu de Brigadeiro”  aquilo que todos costumam imaginar?
Para saber mais acesse:
http://www.brasilescola.com/curiosidades/ceu-brigadeiro.htm

Adendo de Carlos Braga Mueller Jornalista e escritor.
O ESPAÇO AÉREO SEMPRE FASCINOU O SER HUMANO
por Carlos Braga Mueller
Adalberto Day retrata muito bem em sua narrativa o impacto que ele, ainda criança,  teve ao olhar para o céu, límpido e cristalino, e ver o rastro de fumaça  que deixaram pelo menos 10 aviões que passaram por Blumenau nos anos 60. Era certamente um reforço à frota da VARIG, toda ela baseada em Porto Alegre.

O céu e os objetos voadores não identificados (os famosos OVNIs) sempre exerceram uma fascinante atração  sobre os humanos.

O céu sem nuvens recebeu o apelido de "céu de brigadeiro" porque, segundo um velho ditado popular,  era nestes dias que os velhos militares da Aeronáutica, os brigadeiros do ar,  sem a mesma acuidade visual que marcava suas juventudes, arriscavam-se a sair voando como nos "bons tempos" ! Hoje, com a tecnologia dos radares, não é mais preciso voar às cegas.

A  idéia de se explorar o espaço surgiu em 1865, quando o escritor francês Jules Verne escreveu o conto "Da Terra a Lua", uma ficção que relatava a aventura de integrantes de um clube de armas conhecido como "Clube do Canhão". Para chegar a Lua eles construiram um enorme canhão e uma bala descomunal. Depois,  dispararam a bala com três homens no seu interior. E não é que eles chegaram lá ?
A história foi levada às telas pelo cineasta George Meliès em 1902 e passou a ser o primeiro  filme de "ficção científica" do cinema mudo, e ainda com aqueles passos rapidinhos que caracterizavam os espetáculos pioneiros, filmados com manivela manual. Mas foi um grande sucesso de público no mundo inteiro.

Santos Dumont tornou-se o "Pai da Aviação", embora contestado pelos norte americanos, que cultuam os Irmãos Wright como os precursores da conquista do espaço.  
Nas primeiras décadas do século passado os alemães transformaram os céus em território dos zepelins: Blumenau viu passar o "Graf Zepellin" em 1934, e em 1936 foi a vez do "Hindenburg" sobrevoar a cidade. Porém o incêndio que logo em seguida destruiu este dirigível, quando preparava-se para  pousar em Nova Iorque, acabou com o sonho de Hitler, de espalhar seus dirigiveis pelo mundo inteiro, inclusive ostentando a suástica do nazismo em seus lemes.
Os norte  americanos "conquistaram a Lua em 1969, antecipando-se aos russos, que já haviam colocado no espaço o Sputnik, o primeiro satélite artificial do planeta.
Hoje a comunicação ao redor da Terra é feita através de centenas de satélites. Satélite deixou de ser novidade. Em compensação, cuidado, porque podem cair em nossas cabeças a qualquer momento pedaços de satélites que já estão em desuso e fora de órbita.

Recentemente um grande estrondo, e alguns tremores de terra, assustaram os moradores do Distrito joinvilense de Pirabeiraba. Na manhã seguinte aos primeiros estrondos, alguém registrou em foto um estranho rastro de fumaça que, vindo do céu, adentrava a floresta.  Até agora, ninguém conseguiu explicar de forma convincente o que aconteceu naquela área. Por isto persiste a afirmação de alguns "ufólogos", de que os tremores  e o estrondo partiram de um objeto voador não identificado. Ao pousar, teria provocadoo abalos,  e ao partir deixou no céu o rastro de fumaça. Acredite quem quiser !

Blumenau convive hoje com rastros diários,  deixados pelos jatos que cortam nossos céus. E se ele, o céu, está "de brigadeiro", pode-se até enxergar as aeronaves. Sabe-se, conforme reportagem publicada pelo JSC, que os vôos de Porto Alegre para Florianópolis, devem vir até o espaço aéreo de Blumenau, e daqui embicar em direção ao Aeroporto da nossa capital. 

Como se vê, o espaço e o que voa por ele, continuam a exercer fascínio; do contrário, não teriamos escrito esta matéria, induzidos pela excelente lembrança do Adalberto Day.
Arquivo: Dalva e Adalberto Day
Colaboração Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor

terça-feira, 15 de maio de 2012

- O Cinema em Blumenau – Parte XXI

Mais uma bela colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor, continuação a série Cinema.

O CINEMA EM BLUMENAU - PARTE XXI
PROGRAMAS DE PALCO E TELA

Nesta série de artigos já tivemos oportunidade de nos referir a programas de auditório, principalmente os da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau, que eram feitos no espaçoso palco do Cine Busch, que tinha uma plateia de 700 lugares e um balcão de mais 300 poltronas.

Hoje, temos mais um pouco para contar, reminiscências de 50 anos atrás ...


Carlos Braga Mueller (Foto)

Desde muitos anos antes eram comuns em Blumenau os programas conhecidos como de "palco e tela", quer dizer: antes ou depois do filme acontecia uma apresentação artística de um cantor famoso em excursão pelo sul do país; ou de uma orquestra; às vezes um concerto (nos anos 30, antes que o Cine Busch tivesse a nova sala de exibição, inaugurada em 1941, ficaram famosas as apresentações em Blumenau, no Teatro Frohsinn,  da cantora lírica alemã Erna Sack).

Nos anos 40, 50 e 60 do século 20 o Cine Busch viu passar pelo seu palco centenas de apresentações. Eram os programas de "Palco e Tela": na tela um excelente filme; no palco um show a parte, ao vivo. Aliás, não eram exclusividade de Blumenau estes eventos. Eles aconteciam em cinemas do Brasil afora, principalmente nas grandes capitais.
Cine Busch
                                           Beto Nieheus
No Cine Busch estiveram cantores de expressão nacional, como Silvio Caldas, Peri Ribeiro (filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins), Toni Campello (que na época estourava as paradas com o recém lançado rock brasileiro, juntamente com sua irmã Cely Campello), Orquestra Espanhola de Espetáculos Cassino de Sevilha, de renome internacional. E até houve um programa de palco, este no Cine Blumenau, que trouxe Carlos Ramirez, um cantor latino que brilhava nos filmes musicais da Metro-Goldwyn- Mayer.
Cine Blumenau - Foto autor desconhecido
Foi no Cine Blumenau (foto da inauguração em 28/07/1951), também, que os blumenauenses puderam ver ao vivo Eliana, seu marido  o radialista Renato Murce, Adelaide Chiozzo e o marido, o violonista  Carlos Matos, todos conhecidíssimos do público pelas suas atuações nas famosas "chanchadas" do cinema brasileiro.

Uma apresentação no palco do Cine Busch, no final dos anos cinquenta, que lotou o cinema e aguçou a curiosidade dos blumenauenses, foi a do cômico Mazaroppi, que vinha fazendo muito sucesso nos filmes da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, um estúdio de cinema instalado em São Paulo, fundado por ricos empresários paulistas para rivalizar com Hollywood (infelizmente o sonho durou pouco!).
Pesquisando sobre a vida de Mazaroppi, encontramos referências ao seu  desejo de fundar uma empresa cinematográfica dele mesmo, projeto que enfrentava altos custos no investimento. Para arrecadar dinheiro resolveu excursionar fazendo shows humorísticos pelo país. “Foi certamente o que o trouxe a Blumenau, porque logo depois ele fundou a PAM Filmes - 

Produções Amácio Mazaroppi, de onde saíram filmes que lotavam os cinemas do Brasil inteiro, como "Jeca Tatu", Casinha Pequenina", As Aventuras de Pedro Malazartes" e tantos outros. Curioso é salientar que os filmes de Mazzaropi, passados mais de 30 anos desde que o ator morreu, continuam a ser sucesso e são apresentados em canais de televisão, locados nas vídeo locadoras e comprados onde quer que sejam expostos.

Tenho algumas lembranças dos shows da época. Lembro que Toni Campelo (Foto) esteve no estúdio da PRC-4 e acabamos saindo juntos para ir tomar um cafezinho no Pinguim, que ficava na esquina da Rua 15 de Novembro com a Travessa 4 de Fevereiro (hoje Rua Ângelo Dias).
Outro fato que me marcou bastante foi durante a apresentação de Silvio Caldas no Cine Busch. O "Seresteiro do Brasil" como era conhecido, lotou o cinema. Seu empresário permaneceu no estúdio da rádio conosco e depois de uma longa conversa fiquei sabendo que ele era irmão do Silvio, e nada mais nada menos que um antigo e também famoso cantor: Murilo Caldas, que fez muito sucesso nas décadas de 30 e 40.

Todas estas lembranças podem ajudar a reescrever a história da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau (Foto Lojas  A Capital onde ficava a Rádio Clube) , que no dia 19 de março deste ano (2012) festejou seus bem vividos 80 anos

Arquivo/Carlos Braga Mueller/John Pereira e Adalberto Day

quinta-feira, 10 de maio de 2012

- Orquestra de Câmara de Blumenau


ORQUESTRA DE CÂMARA DE BLUMENAU

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos mais um texto e crônica deFlavio Monteiro de Mattos, contando um pouco de suas lembranças quando vinha do Rio de Janeiro visitar Blumenau, com sua família.
Carioca de nascimento e BLUMENAUENSE POR OPÇÃO".
Diz o antigo ditado que “TODOS OS CAMINHOS LEVAM À ROMA”. No meu caso, a grafia correta seria “TODOS OS CAMINHOS LEVAM À ROMA E OS MELHORES, À BLUMENAU”.

Não bastassem as inúmeras vezes que visitei a cidade e sua gente hospitaleira, quis o destino que essa ligação também se fizesse presente através da minha relação profissional.
E o Movimento Cultural Internacional de Seguros é uma boa prova.

Por mais de sete anos, trabalhei na Cia. Internacional de Seguros, cujo principal acionista, na época, foi o Dr. Celso da Rocha Miranda.

A CIS, como era conhecida na época, operava com grande destaque nos ramos Incêndio, Riscos de Engenharia e Lucros Cessantes, entre outros. Seu foco eram as petroquímicas, indústrias e fábricas. Para tanto, possuía filiais em quase todas as capitais brasileiras e, claro, Blumenau, cujo gerente era o Gílson Luiz Zanini, um grande amigo.

Minha área era o Marketing e acompanhei de perto o nascimento do Movimento Cultural Internacional de Seguros, e a CIS foi a primeira empresa nacional a acreditar no marketing cultural para divulgação de sua imagem institucional, nos anos iniciais da década de 80.
                                                                                                                                       
          Seu “début” aconteceu com o lançamento da “A Era da Incerteza”, do economista inglês John Kenneth Galbraith, cujas teorias foram expressas em livro e em uma série televisiva levada ao ar pela extinta TV Manchete.

  A seguir, o Movimento Cultural Internacional de Seguros patrocinou a série “Os Brasileiros, Retrato Falado de um Povo”, um estudo sócio-antropológico do nosso povo, também pioneiro, de autoria do Professor Roberto da Matta, levado ao ar pela TV Manchete, em 10 capítulos.

O último ato do Movimento Cultural Internacional de Seguros foi o apoio à Orquestra de Câmara de Blumenau que culminou com a produção de um disco, no qual a Orquestra se apresenta sob a condução do maestro Norton Morozowicz, interpretando grandes mestres da música clássica e expoentes nacionais.

Flavio Monteiro de Mattos
 Capa:
Movimento Cultural Internacional de Seguros apresenta ORQUESTRA DE CAMARA DE BLUMENAU
Regência do Maestro NORTON MOROZOWICZ
  
Contra Capa:
 













LADO A
TELEMANN    SUITE D. QUIXOTE (14´15´´)
. Abertura . O despertar de Quixote . Ataque às montanhas de vento
. Suspiros amorosos pela princesa Dulcinéia . Sancho Pança ludibriado
. O galope de Rocinante . O galope do asno de Sancho Pança . O repouso do Quixote
 VIVALDI         CONCERTO PARA 2 VIOLONCELOS
. Allegro (3´57´´) . Largo (3´50´´) . Allegro (3´21´´) . Solistas: Zygmunt Kubala . Maria Alice Brandão

LADO B
ALBERTO NEPOMUCENO               SERENATA 94´08´´)
                                                           ADÁGIO (2´40´´)
HENRIQUE OSWALD                       SERENATA (1´35´´)
BENTO MOSSURUNGA                   MINUETO (4´15´´)
HENRIQUE DE CURITIBA                POEMA SONORO (Evocação das Montanhas) (5´40´´)  
COMPONENTES DA ORQUESTRA DE CAMARA DE BLUMENAU 
VIOLINOS:
Paulo Bosisio (Spala)                         Leopoldo Kohlbach
Walter Hoemer                                   Simone Ritzmann Sawtzky
Lolita Ritzmann de Mello                    Ruth Klassen Jucksch
Roberto Hubner                                 Roseli Weingertner
Rogerio Krieger                                  Ingo Padaratz
Marcos Vinicius Damm                      Gilson Padaratz

VIOLAS:                                          VIOLONCELOS:
George Kiszeli                                    Adriane Ritzmann Sawtzky
Hubert Geier                                      Péricles Gomes
Edna Ritzmann Sawtzky                    Maurício Kowalsky
Marcelo Brandão Mello

CRAVO:                                             CONTRABAIXO:
Helena Jank
Helio Moreira Brandão  
FICHA TÉCNICA 
PRODUÇÃO:
Companhia Internacional de Seguros
DIREÇÃO ARTÍSTICA E SUPERVISÃO:
Norton Morozowick
DIRETOR DE GRAVAÇÃO:
Frank Justo Acker
CORTE:
Ivan Lisnik
LOCAL DA GRAVAÇÃO:
Teatro Carlos Gomes de Blumenau

CAPA:
J. Ferrari Jr.

LAYOUT:
Armando Tavares da Silva

FOTO:
Milton Montenegro 
Fabricado pela Polygram do Brasil Ltda.
Ano 1983

 Encarte / Frente
   
Não existe desenvolvimento sem cultura.
O apoio, o estímulo e a promoção da cultura em todas as suas formas de expressão são fundamentais para que um país possa crescer e se desenvolver.
Porque é através dela que um país amadurece e encontra a sua identidade.
A Companhia Internacional de Seguros não poderia cruzar os braços a isso. Com esse objetivo, criou o Movimento Cultural Internacional de Seguros. Para participar e contribuir para que todas as manifestações culturais tenham espaço que necessitam para enriquecer um país que tem pressa em crescer em todos os sentidos.
E a Orquestra de Câmara de Blumenau é um bom exemplo do que a cultura deste país pode nos dar. Isto poderá ser comprovado através deste disco. Ouça. Voçê vai concordar conosco.

MOVIMENTO CULTURAL INTERNACIONAL DE SEGUROS 
Ilustração da antiga residência do Barão de Mesquita, restaurada pela Cia. Internacional de Seguros para tornar-se sua sede administrativa.
  
Encarte / Verso
 
 A orquestra de Câmara de Blumenau, criada em março de 1981, é integrada exclusivamente por músicos profissionais. Estes, na maioria, residem em Blumenau, constituindo-se de alunos e professores da Escola Superior de Música de Blumenau do Teatro Carlos Gomes, além de convidados de cidades próximas. Mantendo ensaios constantes, a Orquestra de Câmara de Blumenau, nascida numa cidade de médio porte, vem produzindo espetáculos de alto nível artístico, comumente, só encontráveis em grandes centros. Para a viabilização deste projeto, toda a comunidade uniu-se. Indústrias, comércio, órgãos públicos e governamentais, além de pessoas físicas, deram o apoio material necessário para atingir-se os objetivos desejados.

Proporcionando aos alunos da Escola Superior de Música um campo de trabalho até então escasso em cidades como Blumenau, vem por outro lado, atuando como vigoroso elemento galvanizador, animando a vida cultural da cidade e proporcionando aperfeiçoamento integral do corpo da Escola com os artistas convidados. 
Tendo se apresentado pela primeira vez em 13 de dezembro de 1981, quando das atividades do 10º Ano das atividades da Escola, vem desde aquela data, recebendo elogiosas críticas da imprensa especializada pela seriedade do trabalho desenvolvido.

As apresentações sucessivas levadas a efeito em Curitiba e mais recentemente em São Paulo, ao lado do flautista Jean Pierre Rampal, assim como a performance demonstrada durante o 1º Festival de Música de Câmara de Blumenau – fevereiro de 1983 – colocaram este conjunto camerístico no dizer do crítico Enio Squeff, in Folha de São Paulo, “como uma das melhores orquestras de câmara do país.” (junho de 1983).

Aplaudida em Curitiba no Teatro Guaíra, exaltada pela crítica paulistana, admirada pela comunidade catarinense, é a única Orquestra Profissional do país que vive em função de uma comunidade. Uma cidade do interior do Brasil, repleta de fábricas, de indústrias, mas que não esqueceu nem esquece jamais, de que, ao lado do progresso material, o bem estar espiritual é vital para a vida de todos.
Em síntese, esta é a Orquestra de Câmara de Blumenau.
  
AUTORES E OBRAS 
GEORG PHILIP TELEMANN (1681 – 1767). Alemão de nascimento. Telemann foi ao seu tempo, tão ou mais conceituado até, que seus contemporâneos Bach e Haendel. Autodidata, tornou-se em 1721, diretor geral de música em Hamburgo. Sua obra é imensa: 44 paixões, 10 cantatas, óperas e cerca de 600 suítes! DON QUIXOTE foi composto em 1761, quando Telemann contava já 80 anos de idade, e revela em seu singelo descritivismo, um inusitado vigor, aliado a uma contagiante alegria que percorre toda a partitura.

ANTONIO VIVALDI (1678 – 1741). Quase nada se conhece dos primeiros anos do famoso “Padre Ruivo”, o maior mestre barroco italiano. DE 1704 até pouco antes da sua morte, trabalhou no Conservatório “Del Ospedale della Pietá” em Veneza, na qualidade de “maestro di concerti”. Sua produção é de aproximadamente 800 ópus para as mais diversas formações instrumentais. O CONCERTO para dois violoncelos, segue o estilo fugato da “bicinia”, forma musical em moda no século XVI. Vivaldi renova o concerto grosso, ao fazer tocar os dois instrumentos graves, a parte do concertino em estilo igualmente concertante, sem a supremacia nem de um nem de outro instrumento.

ALBERTO NEPOMUCENO (!864 – 1920). Compositor, regente, pianista, organista e pedagogo, este patriarca mor do nosso movimento nacionalista tem, na música brasileira, importância tão relevante quanto Grieg, Pedrell ou Smetana em suas respectivas pátrias. Estudou longos anos na Itália, França e Alemanha sobretudo. A SERENATA para cordas, data de 1902 e foi escrita para o aniversário de seu amigo e poeta, Olavo Bilac. Pertence à fase universalista de Nepomuceno, embora haja nela um certo caráter modinheiro. A expontaneidade da linha melódica é digna de nota: um “achado” a repetição na coda, do tema inicial, exposto em “pp”, com surdina. Já o ADÁGIO, que leva o subtítulo “Erinnerung” (Lembrança), foi escrito em Berlim em 1893, possuindo um cunho acentuadamente romântico filiado à estética brahmsiana.

HENRIQUE OSWALD (1852 – 1931). De origem suíça, Oswald pertence àquele grupo de compositores, Miguez, Braga, Levy e Nepomuceno, que no fim do século passado deram um cunho de maior seriedade à música de nosso país, que só houvera tido dois mestres de escol em sua evolução histórica: Pe. José Maurício e Carlos Gomes. Nascido no Rio de Janeiro, viveu muito na Itália. Artista aristocrático, foi exímio autor camarista e de obras de piano. A SERENATA, retrata bem a tendência estética do compositor. Finura, elegância, métier, envoltos numa harmonização sutil e de extremo bom gosto.

BENTO MOSSORUNGA (1879 – 1970). Paranaense, estudou em seu estado natal e mais tarde no Instituto Nacional de Música do RJ, onde foi aluno de Francisco Braga entre outros. Violonista, pianista, regente e arranjador, era autor de peças ligeiras como a opereta “Florzinha”. Faleceu aos 91 anos em Curitiba. Seu MINUETO em estilo propositadamente arcaico, muito bem escrito para cordas, patenteia um músico de boa formação, dotado de deliciosa inspiração.

HENRIQUE DE CURITIBA (n. 1934). Formou-se na Escola de Música e Belas Artes. De 1954 a 56 aperfeiçoou-se com H. J. Koellreuther na Escola Livre de Música de São Paulo. Em 1960, estudou com Marguerita Kazuro na Escola Superior de Música de Varsóvia, tendo realizado recentemente curso de mestrado em composição na Cornell University e no Ithaca College nos EEUU. É um dos mais promissores talentos da nova geração de músicos brasileiros. O POEMA SONORO (1978) foi inspirado na audição de “Yravi” do equatoriano Gerardo Guevara, aquém é dedicado. Descreve em grandes e harmoniosos blocos de acordes, a beleza das montanhas, daí o seu subtítulo EVOCAÇÃO DAS MONTANHAS. Usando uma linguagem hindemitheana, dentro de uma concepção própria, o compositor consegue efeitos de bela consistência nas várias seções, em divis, nos arcos.

LINKS PARA OUVIR AS MÚSICAS DA ORQUESTRA DE CÂMARA DE BLUMENAU

. SUITE DON QUIXOTE  www.baixa.la/arquivo/5262457

. CONCERTO PARA DOIS VIOLONCELOS  
ALLEGRO                   www.baixa.la/arquivo/5587137
 LARGO                       www.baixa.la/arquivo/2828264
 ALLEGRO                  www.baixa.la/arquivo/8442041

. ALBERTO NEPOMUCENO
  SERENATA                www.baixa.la/arquivo/7955394
  ADÁGIO                     www.baixa.la/arquivo/4667416

. HENRIQUE OSWALD
  SERENATA                www.baixa.la/arquivo/5258205

. BENTO MOSSURUNGA
  MINUETO                   www.baixa.la/arquivo/1795566

. HENRIQUE DE CURITIBA
  POEMA SONORO     www.baixa.la/arquivo/4160502
                       
 Sérgio Alvim Corrêa  

quinta-feira, 3 de maio de 2012

- O empreendedor dr. Blumenau

Imagem Sônia Baier Gauche
O empreendedor dr. Blumenau
Sumário das precessões locais motivadoras à Colonização
do território no médio Vale do Itajaí pelo dr. Blumenau
Sucinta exposição responsiva de Niels Deeke

Visão do dr. Blumenau ao chegar à região da futura colônia ao longo do Itajaí Açu que, na época  colonial,  estendia-se por território com de 10.610 Km² dos quais, atualmente, o município de Blumenau ocupa 519.8 Km² .

O dr. Blumenau partiu de Desterro, atual Florianópolis, até a Freguesia do Santíssimo Sacramento, hoje cidade de Itajaí. Em Itajaí informou-se sobre a região com Agostinho Alves Ramos, o qual  recomendou-lhe contratasse como guia, para a expedição exploratória,  Ângelo Dias de Arzão que era então capataz do Coronel Henrique Flores,  proprietário de 05 léguas à margem direita  do rio  Itajaí, entre o ribeirão das Canas e a  foz do ribeirão Luis Alves,  onde, desde 1835, dedicava-se à plantação de cana de açúcar e a  produção de açúcar para exportação à metrópole.

Como era o Vale do Itajaí na chegada de dr. Blumenau   em 1848?
Ao longo do rio Itajaí Açu já havia colonos transmigrados da colônia alemã de São Pedro de Alcântara, que se assentaram, espontânea e espaçadamente, a partir da atual Ilhota até o Capim Volta. Além desses, havia na Região de Carijós e do Rio Morto (Indaial) um insípido assentamento, aliás, muito precário - faltava-lhes tudo, até panos de roupa e anzóis -  de luso-brasileiros, vindos da região de Barra Velha pelo rio Itapocu e que foram chamados de ¨Cabeças de Bagre ¨ – uma pungente história de sofrimentos que ainda não foi divulgada.
Nos terrenos adjacentes à atual Casa Flamingo, na Rua XV de Novembro, Valentin Theiss, a mando de Peter Wagner, este estabelecido na Praia Grande do Capim Volta , estava fazendo uma derrubada florestal.

O que dr. Blumenau viu nas margens do Rio Itajaí-Açu?
A montante da foz do ribeirão Luis Alves, onde residia o reinol português Dom Luis Alves, e após observar a ruína da malograda tentativa da colonização Belga, em 1845/46, tentame levado a efeito por Charles van Lede em Ilhota, avistou contínua e exuberante floresta, com madeiras que possibilitariam recursos financeiros e as terras, após desnudadas, ofereceriam ótimas condições para a implantação  de uma colônia agrícola, que era seu objetivo inicial.
Qual foi a impressão que ficou para ele sobre região?
A impressão retida pelo fundador foi a melhor possível: contudo a primordial foi a da existência do rio Itajaí Açu, favorecendo o acesso por navegação até a região atual de Itoupava - Seca. O dr. Blumenau, observador sagaz e consciente, logo percebeu o inestimável valor que teria, para a colonização, a catadupa do Salto como geradora de força motriz, tanto que ao transacionar, com o Império, em 1860, a sua colônia particular, reteve, como sua propriedade exclusiva, aquela aprestada queda d’água  do Itajaí Açu, somente alienando-a aos Srs. Schmidt e Röder, em 1896, por telegrama recepcionado no Rio de Janeiro. A título informativo, consigna-se  aqui um evento que permaneceu à margem da historiografia local , qual seja o de que os supracitados senhores, tentaram instalar uma portentosa indústria de beneficiamento de ráfia. Schmidt e Röder, apesar de haverem construído o dique de barragem do rio empregando cimento importado em barricas e, também, praticamente concluído a construção do prédio da “casa de força” (atual Usina do Salto)  quando faltava somente instalarem as turbinas, faliram fragorosamente. A empresa constituída tratava-se de uma Companhia ( S.A.)  e para obter recursos financeiros,  procederam o lançamento público para subscrição de ações no Rio de Janeiro, onde, ainda em 1965, vários herdeiros daqueles investidores reivindicavam o ressarcimento dos capitais alocados. 

Além do mais, em 1848, as terras da futura colônia ainda estavam disponíveis  para aquisição  mediante negociação com a presidência da Província de Santa Catarina, transação que realizou-se.
Para saber mais acesse:

Colaboração de Niels Deeke memorialista em Blumenau e Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.





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