"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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terça-feira, 27 de março de 2012

- Dr. Nelson Salles de Oliveira

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje um pequeno Histórico das atividades sociais e Profissionais do Dr. Nelson Salles de Oliveira

Na foto (batida no Salão do Amazonas E.C.) a esquerda Dr. Nelson, centro Sr. Oswaldo Malheiros e a direita Victor Fernando Sasse.

- Nascido em Blumenau em 19 de janeiro de 1926, onde viveu sua infância e maior parte de sua vida no início da Rua da Glória e bairro do Garcia até seu falecimento em 18 de outubro de 2004 .
- Filho de Francisco Salles de Oliveira e Teresa Woersdoerfer de Oliveira.
- Casado com "Dalvina Salles de Oliveira por mais de 55 anos.  - Dr. Nelson tinha 6 filhos que juntamente com sua esposa Dalvina, que se dedicou ativamente na educação e vida escolar dos filhos deixou também 14 netos e 3 bisnetos.

Atividades acadêmicas
Na década de 1960, cursou com muito zelo e dedicação, o curso de Direito na Universidade Pontifícia Católica do Paraná. (não existia até então universidade em Blumenau). Com abnegação e persistência, se deslocava de ônibus até Curitiba, cinco dias por mês, para estudar e prestar seus exames, pois continuava a exercer suas funções na Empresa Industrial Garcia. Recebia uma ajuda de cinco dias por mês para realizar seu sonho acadêmico, e viu seu esforço não só particular, mas de sua família recompensado, pois atingiu com sucesso seu objetivo de se formar em direito.
Atividade Profissional
Iniciou suas atividades profissionais já bem cedo, morava próximo a Empresa Industrial Garcia, e com 12 anos ajudava em serviços gerais junto à portaria da Empresa.
Aos 14 anos ingressa como funcionário da Empresa Garcia, período compreendido entre 8 de fevereiro de 1940 até 19 de fevereiro de 1974, quando da incorporação da Garcia á Artex – Exerceu inicialmente a função de Auxiliar na Seção Trabalhista, chegando mais tarde a exercer o cargo de Gerente de Relações Industriais.
Com a incorporação da Garcia a Artex, Dr. Nelson trabalhou até 31 de maio de 1981, sempre exercendo funções de destaque na área Jurídica daquela empresa.
- De 1981 até 1992, assessorou os Sindicatos de Blumenau das mais variadas categorias, os quais ajudou, voluntariamente, a fundar, durante o período em que atuava na indústria.
- Ainda em 1992 ingressou na Justiça do Trabalho onde trabalhou até a idade limite de 70 anos, exatamente, em 1996.
-Também exerceu trabalhos voluntários durante muitos anos na justiça Eleitoral de Blumenau, entidades beneficentes, Cooperativa dos empregados, Amazonas Esporte Clube, Clubes Sociais e Igrejas.

Atividades Sociais/Esportivas
Empenhou-se com destaque, no crescimento da Igreja Nossa Senhora da Glória, como também do Grupo Escolar São José hoje Colégio Celso Ramos.
Dr. Nelson o primeiro a esquerda de chapéu, e ao lado do esquadrão do Amazonas de 1972 campeões da cidade e bicampeões em 1973.
Foi um dos maiores incentivadores das práticas esportivas do bairro, sendo presidente do seu querido Amazonas Esporte clube durante 5 anos.
Assistia aos jogos com seu potente rádio a pilha, para poder ouvir os jogos do seu Vasco e Santos.
Alunos homenageiam empresário do Garcia

A imagem de 1965 mostra alunos do antigo Grupo Escolar São José - atual Celso Ramos -, no Bairro da Glória, em Blumenau, na passagem dos 25 anos de serviços prestados à Empresa Garcia pelo então diretor Ernesto Stodiek Jr. A homenagem foi feita no Estádio do Amazonas. Era comum esse tipo de apoio e respeito aos empresários de Blumenau. Na faixa os dizeres típicos da época: "As crianças desse bairro apresentam parabéns ao chefe de seus pais".
Participou na elaboração e coordenação de dois eventos de suma importância para o bairro pioneiro a se organizar em Blumenau.
Em 1965 coordenou juntamente com seu irmão Francisco, toda a festa dos 25 anos do Sr. Ernesto Stodieck Jr. presidente da Garcia.
Em 1968 juntamente com José Pera e outros abnegados, prepararam uma festa que jamais será esquecida, pelos Garcienses, quando do Centenário da Empresa Industrial Garcia, foi um evento com diversas atrações com apresentações Indígenas, apresentações artísticas de todo cenário nacional, como Golias, Ivon Curi, Grande Hotelo e tantos outros.
Em sua passagem como dirigente pelo Amazonas, o clube foi bi campeão em 1972 e 1973 da liga blumenauense de Futebol.

Dr. Nelson Salles de Oliveira, apesar de ter trabalhado em uma função espinhosa, muitas vezes difícil de compreensão, deixa um legado de honradez de obstinação pelo trabalho e lazer, que devem servir de exemplos a todos nós.

Atenciosamente
Adalberto Day Cientista Social e pesquisador da história.

segunda-feira, 19 de março de 2012

- PRC4 Rádio Clube de Blumenau

Hoje dia 19 de março a Rádio Clube de Blumenau, a nossa “PRC4, completa 80 anos de histórias e bons serviços à comunidade”.
Parabéns a todos e a família Vieira que soube preservar este importante patrimônio da cidade. A primeira Rádio Fundada em Santa Catarina e quarta do Brasil.
O Primeiro apresentador de TV em SC - Carlos Braga Mueller
Observação Importante
A Rádio Clube pertenceu ao sistema Coligadas de rádios, (Wilson Melro e Flávio Rosa) e depois criaram a TV Coligadas e Jornal de Santa Catarina - certamente a maior rede de comunicação já existente no Estado . Um importante conjunto de comunicação, Rádio, TV, Jornal.

História:
A história da Radiodifusão em Santa Catarina, começou em Blumenau.
A Radio Clube de Blumenau, foi fundada em 19 de março de 1932, onde iniciou seus preparativos.
-Em 1933 adquiri um transmissor Collins de 150 Wats.
-Em 1934 começa um período experimental.
-Em 1935 em 18 de março entra no ar com um transmissor Philips com 500 wats de potência.
Foi feito um plebiscito e o primeiro nome da Rádio Clube, foi Rádio Cultura de Blumenau, por poucos meses. Como a data oficial de concessão foi somente em 1936, a Rádio Clube de Blumenau é a primeira de Santa Catarina e quarta do Brasil.
O fundador da Rádio foi o Radio Amador Sr. João Medeiros Jr. (Nascido em 1893 em Florianópolis) que também era diretor da Empresa Industrial Garcia . foi também o pioneirista no Rádio Amadorismo de Santa Catarina. Em 1929, com um alto-falante instalado na Empresa Industrial Garcia, onde foi diretor até 1940, muito querido entre os empregados, tocava música durante algumas horas do dia. Com isso houve um aprimoramento nos equipamentos, tornando-os mais potente.
A programação era de anúncios e músicas, o programa mais conhecido era “Peça sua Música”. O horário por quase 50 anos, era das 7:00 horas até 23:00 horas, as vezes os equipamentos esquentavam muito, onde havia algumas interrupções. E foi na Empresa Industrial Garcia que foi feito a primeira transmissão, Medeiros também foi o primeiro a transmitir um jogo de futebol, em Santa Catarina, no estádio do Amazonas E.C.Mas oficialmente o primeiro narrador esportivo foi Manoel Pereira da Silva Jr.(falecido em 22/julho/1981), como também oficialmente o primeiro “speaker” foi José Ferreira da Silva. Também existia uma locutora, que prestava serviço á Medeiros, de nome Atalá Branco.

As primeiras Rádios oficialmente em Blumenau:
-1936 - Rádio Clube de Blumenau (Com o nome de PR C 4)
-1957 – Rádio Difusora
-1958 – Rádio Nereu Ramos (Com o nome inicial de Rádio Tabajara) depois da morte de Nereu Ramos muda o nome.
-1962 – Rádio Alvorada
-1967 – Rádio Blumenau.
Acesse sobre Rádio em Blumenau : http://adalbertoday.blogspot.com.br/2008/09/rdio-nereu-ramos-de-blumenau-50-anos-no.html

http://adalbertoday.blogspot.com.br/2009/06/o-primeiro-narrador-esportivo-de-santa.html

http://adalbertoday.blogspot.com.br/2009/09/o-dia-do-radio.html

Arquivo : Adalberto Day /Colaboração José Geraldo Reis Pfau.

- Entrevista sobre "Filme Férias no Sul"

“FÉRIAS NO SUL”

A redação do Mensageiro, com intuito de ampliar o campo de suas atividades, aproveitou na ocasião da produção do filme “Férias no Sul”, fazer uma reportagem a respeito. A maioria dos leitores assistem cinema diariamente, porém não sabem o que é necessário para a realização de um filme.
Com esta reportagem queremos fazer ver ao expectador o que vê e ouve e o que não.
Tivemos certa dificuldade para encontrarmos os diretores desocupados, porque durante a filmagem de cenas que nós presenciamos não nos puderam atender. Enfim, conseguimos fazer o que vamos reproduzir.

O Produtor e Diretor, Sr. Reynaldo Paes de Barros e o Diretor de Produção, Sr. Geraldo Mohr (Foto) , foram entrevistados.
De inicio foi perguntado ao produtor qual o motivo que os levou a realizar a filmagem de “Férias no Sul” em Blumenau, ao que ele nos respondeu: Eu queria fazer um documentário aqui em Blumenau, porque é uma área característica dentro do Brasil, isto é, uma área diferente. Aqui a influência germânica é muito grande, é bem marcada. Então eu queria explorar isto em documentário. Mas um documentário não tem, possibilidade comercial no Brasil. Cheguei à conclusão de que devia estender este documentário em longa metragem para poder lucrar alguma coisa com isto. Esta foi a razão. A mim me interessava a área que queria conhecer e inclusive explorar e isso no cinema, o que não tinha sido feito antes.
A seqüência da entrevista tem o seguinte teor:
- O senhor já conhecia Blumenau antes?
Não, até 1964 não conhecia. Eu tinha lido bastante e também me interessava bastante.

- Aproveitou-se do próprio povo local para a filmagem?
Para cenas, sim. O principal da historia se passa aqui, então o pessoal tinha que ser daqui. Pessoal da terra. Em filme de locação se deixa os papeis palpitantes para o povo da cidade, ou do local. E, além disso, sabia também que tinha um grupo de teatro aqui e que havia muita gente com experiência de cena, e sabia que não ia ter problemas, em arranjar gente em Itajaí e outros lugares.
- Teve que pedir ajuda a alguém nessa filmagem? Ajuda financeira?
Ajuda propriamente financeira, não, eu tive colaboração de muita gente da cidade.
- O senhor teve que se desprover de alguma coisa para filmagem?
Bom, é claro. Praticamente desprovi-me de tudo. Quando se faz o primeiro filme não se tem ajuda oficial de ninguém, nem banco, nem alguma corporação de indústrias, nada. É particular totalmente. Então os fundos são meus e de minha família. Então me desprovi praticamente de quase tudo.

É o primeiro filme que faz?
Como diretor, sim.
- Desde quando trabalha no cinema?
No cinema do Brasil desde 1963/64. Antes estive cinco anos fora. Praticamente comecei a minha carreira aqui no Brasil em 1964.
- E a equipe que o senhor traz consigo, já são conhecidos de outras filmagens ou são pessoas que lhe foram recomendados?
Quando se está no cinema conhece-se uma porção de pessoas. Já trabalhei com vários deles. Os atores eu não conhecia. Entrevistei por cima os que davam para fazer estas partes e as convidei para que viessem participar do filme.
- Não precisaram de testes para poder selecioná-las?
Não, a gente já sabe o personagem que se precisa. Você tem uma idéia dos personagens que quer. Você vê pelo rosto, então acha se pode servir para você, vê o rendimento que pode dar e se realmente tem qualidades.
- E os atores de Blumenau o senhor teve que procurá-los ou alguém lhos apresentou?

Fui ao ensaio no Carlos Gomes e vi alguns deles em cena, e vi que tinha alguns aptos para fazer parte importante no filme. Há gente aqui que não tem experiência nenhuma, inclusive a Dagmar (Foto), que faz parte essencial do filme.
- Começou a filmagem aqui em Blumenau?
Não, comecei em Itajaí. É a chegada de um rapaz que vem passar as férias no sul, então o dia em que chega a Itajaí. De Itajaí vem para cá.
Então tem trechos filmados em Florianópolis, na estrada. Blumenau, Camboriú, várias sequencia em Rio Grande do Sul etc. Quer dizer que foram focalizados muitas coisas, inclusive regiões turísticas, atrações etc.
- E no Rio Grande do Sul também será filmado alguma coisa?
Claro, o cenário gaucho por sinal é muito bonito. Também, que eu saiba é uma área que nunca foi filmada em longa metragem. No planalto gaucho lá em cima da Serra, há também uma influencia européia. Depois no Sul, a terra muito grande que ainda não foi localizada, pelo menos que eu saiba.
- E o senhor tem tido apoio aqui em Blumenau?
Bastante. Nós tivemos realmente a colaboração e apoio de muitas pessoas. Cheguei praticamente ao fim do filme, mas em geral estou muito contente. Alguns problemas me deram trabalho, de sorte que uma coisa compensa a outra. O importante é que nós estamos fazendo um filme, o mais importante de tudo!
- E ainda vai haver algum prolongamento da filmagem ou vai terminar?
Não, primeiro vamos terminar em Santa Catarina, Blumenau. Em seguida seguiremos para Rio Grande do Sul, onde ficaremos mais uma semana e terminaremos o filme. De Porto Alegre seguiremos diretos para o Rio de Janeiro, cada qual para o seu lar.
- A Avant-Primiére será passado em Blumenau?
Sim. Isso foi combinado inclusive tive os primeiros contatos para vir filmar aqui em Santa Catarina, falei com o Dr. Laércio , então me deu uma carta de recomendação ao Prefeito e outras pessoas daqui, tinha certeza que iria ter a colaboração do Prefeito com relação a hospedagem e disse a ele que a sugestão seria feito ao Dr. Laércio, de sorte que agora está acertado. O Avant-Primiére será aqui em Blumenau, com a presença do Prefeito e autoridades locais.
- O senhor não sabe a época quando será feito a Avan-Premiére?
Eu espero que tenha terminado em fevereiro e em princípios de março. A Avant-Premiére seria logo depois.
E o senhor vai ter renda?
Não, geralmente a Avant-Premiére é feito para convidados, não tem fim comercial.
- Qual é o lucro do Produtor, então?
Será a distribuição e edição do filme no Brasil e se ele for bom também irá para fora do país.
- Quantas cópias costumam ser feito do filme?
Isso vária muito. Dez copias, ás vezes seis. Isso depende do produtor.
- Essas copias são vendidas ou alugadas?
Bem, você arrenda ao distribuidor, e esse arrenda novamente ao exibidor e teoricamente você tem 50%, o distribuidor 30% e o exibidor 20%. Mas na pratica nunca funciona desta maneira. Você arrenda seu produto. O filme é a matéria prima que por sua vez é arrendado ao distribuidor que vai exibi-lo.
- O senhor acha que o fato de o Avant Premiere ser em Blumenau também será uma atração para pessoas de outros lugares, que virão para cá para esse fim, ou acha que isso é mais uma atração local?
Acho que é mais importante para o povo local.
- E o senhor explorou todos os pontos da cidade?
Acho que sim. Fiz uma boa cobertura, procurei mostrar o melhor e o máximo de Blumenau.

David Cardoso (Foto) Focalizei saídas de fábricas, que é negócio bastante típico e as bicicletas que dão ar característica da região.
A esta altura da palestra lembramo-nos de uma observação que fizemos quando presenciamos a filmagem de algumas cenas.
Ficamos surpreendidos com a quantidade de material usado, câmeras, tripés, inúmeros refletores.
Cada cena era ensaiada várias vezes, e nas repetições eram corrigidos, a iluminação, maquilagem, etc. enfim a exigência do pessoal técnico era grande. Por isso achamos estranho que para a gravação do som, existir apenas um simples gravador portátil com somente um microfone instalado de qualquer maneira. Indagado a respeito, o Sr. Reynaldo nos explicou o seguinte: O som que gravamos, é somente um som guia, quer dizer o filme nacional usa dublagem, isto é, o som virá posterior. A gente grava no local um som guia, para se saber o que estão dizendo, exatamente como o disseram. E o som depois é gravado e sincronizado com a imagem. Isto na pratica nacional. No estrangeiro pode-se muito bem fazer a gravação direta, então o gravador trabalha em sincronia com a câmera. Isso causa muitos problemas . Tem que ter uma aparelhagem toda especial e caríssima. Tem que ter uma equipe especial, só para fazer tudo isso. Então no cinema nacional a praxe é essa. Você roda sem som. Mas anota todo o som e todo o dialogo.
- Esse pessoal de Blumenau que trabalhou, terá a voz no filme ou será dublado?
Será dublado, isso também é praxe, inclusive a dublagem é uma coisa difícil, que a pessoa tem que dar um rendimento quase tão grande quanto ele deu para a roda cena. Então temos valores profissionais muito mais experimentados que podem dar um rendimento maior. Os principais geralmente não são dublados, aqui teremos três pessoas no filme que falarão com a própria voz. A maioria dos participantes será dublada.
- E esses nossos artistas que estão trabalhando no filme receberão alguma coisa pelo trabalho?
Alguns receberão, mas a maioria trabalhou na base da cooperação.
- Queríamos então saber se um bom ator de teatro pode ser também um bom ator de cinema e vice-versa. A resposta do produtor de “Férias no Sul” para este assunto foi bem interessante.
Bem tudo é possível. O problema do teatro é que você tem que exagerar as coisas no palco, num teatro grande como no Carlos Gomes por exemplo, tem o gesto, a voz, para você ser ouvido, e sempre exagerar o que você faz para ser percebido por toda a platéia. No cinema o negócio é diferente. Se você quiser mostrar uma reação, uma expressão qualquer, você aproxima a câmera dele, então a interpretação difere no teatro nesse sentido ela é mais natural, espontânea, quer dizer se você usar todas as mímicas que usa no teatro seria exagerado no cinema. A vantagem é a seguinte: o ator do teatro está em contato com a platéia e ele tem desembaraço muito grande, e isso ajuda o interesse da câmera, porque a câmera é um expectador, é uma máquina que está vendo aquilo tudo, gravando praticamente mímicas, ações parciais, então a realidade é esta: Temos bons atores que não dão rendimento no cinema e tem bons atores de cinema que não se saem bem no teatro. No teatro você tem a bossa, a aparência, que geralmente torna-se importante, no cinema, não!
- As vezes acontece durante a filmagem de uma fita como neste caso quando a maioria dos atores são desconhecidos que são as vezes revelados talentos desconhecidos que ninguém sabia e que com isso poderão iniciar sua carreira artística.
O Sr. Acha que neste caso aqui em Blumenau tinha alguém com estas possibilidades?
Tem várias pessoas. Tem muita gente que trabalha no filme que tem tarimba para o negócio. Agora não sei se alguém faz questão de seguir sua carreira artística. Tem várias pessoas que se saíram muito bem, e se quiserem seguir o caminho teriam futuro.
- Este filme que estão produzindo em Blumenau é criação sua ou é um livro que estão reproduzindo?
Não, é criação minha. Mas não temos livro. Tem um roteiro que é um negócio específico do cinema. É uma história concebida para ser filmada. Não é uma peça de teatro e não é um romance. É tempo literário concebido em termos de cinema. Você toma o texto e vê que tudo está bolado, em relação à expressão pela imagem para o cinema, é uma história que pode ser vista e que tem enredo. Você pode notar que há muitos termos técnicos. E uma descrição visual do que vai ser o filme.
- Essa mesma equipe que trabalha com o senhor é aquela que vai fazer o trabalho de gravação, de som, etc?
Não, o trabalho deles termina com a filmagem. O restante é com outros técnicos, compositores, etc.
- Essa mesma equipe que trabalha com o senhor é aquela que vai fazer o trabalho de gravação, de som, etc?
Não, o trabalho deles termina com a filmagem. O restante é com outros técnicos, compositores, etc.
- E eles continuam consigo?
Não. Terminando o filme estão livres para assumirem outros compromissos.
- Eles têm oportunidades fáceis para serem empregados em outros filmes?
Sim. Eles são bem relacionados no rio de Janeiro e São Paulo, onde trabalham e vivem disso.
- No Brasil, temos companhias cinematográficas?
Temos sim. Se você chega ao Rio, você entra em contato com uma destas firmas e faz ver a eles que está livre, que quer trabalhar, é claro, que tem que ser antes do filme ser começado. Mas o problema é esse, nós não temos indústria cinematográfica regular, com o seu sindicato. Se fosse em outros países por exemplo, diria que estava livre, e a primeira coisa que fariam, seriam encaixá-lo num sindicato, mas aqui no Brasil não. Você tem que se fazer visto para ser, você tem que mostrar vontade de querer trabalhar.
- O senhor tem firma própria?
Eu fundei uma firma própria para rodagem deste filme.
-  E no final desta filmagem está firma vai ser dissolvida?
Não, agora que comecei posso continuar com a mesma porque é mais fácil.
- O senhor já publicou como Ator?
Trabalhei. Não aqui, mas nos Estados Unidos, onde fiz o curso de cinema, onde o aluno tem que se apresentar e fazer praticamente tudo o que se relaciona com o cinema. Interpretar, fotografar, dirigir, tem que montar, etc. Já trabalhei em teatro também, na escola. Sempre estive em contacto com essas coisas. Em vários filme trabalhei em papéis secundários e em vários deles ao lado do Diretor, que acompanha o ator, e o ajuda a fazer a interpretação, e assim facilita o trabalho dele.
- Pedimos em seguida ao produtor que nos explicasse o processo de fabricação desde a filmagem até a cópia final que é exibida nas salas de cinema. Disse-nos, que é um processo fotográfico normal. O negativo é exposto durante a filmagem, revelado e depois copiado. Esta por sua vez serve para que o diretor possa examinar a qualidade da filmagem. Esta cópia é uma espécie de prova que tem o nome técnico de copião. Terminada a filmagem, todos os copiões são montados para obter a versão final do filme. Depois então é montado outra vez o negativo de acordo com esse copião que vem então ser a matriz para todas as cópias para as casa exibidoras. Quanto à gravação do som explicou-nos desta forma:
Eu chegando ao rio de Janeiro, vou trabalhar diretamente com o negativo. Antes de tudo vou montar o copião em seguida vou dublar as vozes. Após isso vem à inclusão da música, ruído e efeito de som. Isso é feito só depois de a imagem em tempo de ritmo, o tempo certo de cada imagem, as cores de cada cenas. Inclusive muitas cenas que rodei aqui ainda podem ser anuladas. Eu posso diminuir um pouco o tempo, posso cortar um pouco antes, só depois de ser feita a montagem do filme é que se vê.

Ensaio na Biblioteca
- Quantas vezes o senhor costuma filmar cada cena para escolher a melhor versão depois?
Bom, isso depende. Normalmente em cinema se usa o processo que se chama de máster-shot. Isso quer dizer, você roda uma cena em plano mais distante cobrindo toda a ação. Depois se aproxima para quebrar esta ação em vários pedaços, se tem dois personagens em ação por exemplo você vai filmar em plano geral primeiro, depois cada um em separado. Se houver mais de um personagem numa cena você pode cobrir a cena mais vezes ainda. Isso depende dos meios que você dispõe. Se realmente pode gastar tanta fita, e ser tão perfeccionista ao ponto de fazer uma cobertura total. Isso depende de estudo, e depende também da interpretação dada, por um ator que tem poucos movimentos. Então tem que se fazer uma cobertura muito grande, para se ver realmente. Quanto se trabalha com profissionais bons a cobertura é menor.
- Qual é a relação entre filme negativo e a metragem da cópia final?
O cinema nacional é na base de 3:1. Eu tenho filmes para mais de 4:1. Isso está um pouquinho acima da média do cinema nacional. Normalmente é 3:1. Tem firmas estrangeiras que fazem 10:1.
- O tempo que o Sr. Precisa para a filmagem como é escolhido?
O tempo para o cinema é sol, o sol dá tela, o sol dá beleza, o sol é a luz, e luz é fotografia. Então tudo que se vê com o sol é mais bonito. Tem mais beleza e tem mais modelagem, mais separação. Há seqüências inclusive que devem ser rodadas com tempo nublado, que também dá outro sentido à filmagem. O tempo aqui é problema sério para mim, inclusive é uma área de terra permanentemente, nublada, chove muito. O tempo não foi colaborador e nem muito amigo. Mas nós temos possibilidade de com tempo de chuva rodar no interior, se você começa uma seqüência com sol tem que terminar com sol e se fizer uma com céu nublado tem que terminar com céu nublado, e enquanto não houver a seqüência você tem que esperar e é tempo perdido.
- Ouvimos dizer que muitas cenas noturnas poderão ser rodadas de dia mediante o uso do filtro, é verdade?
Sim, isso é uma praxe comum em cinema, é possível filmar escuro em céu limpo de dia, porque se houver nuvens escurece demais as imagens. O que dá sensação de noite é o céu. Quer dizer que o filtro também escurece um pouco. Há uma combinação de cores. O laranja vai escurecer o céu, e o verde vai escurecer a tonalidade da pele. È uma combinação sanduíche. É um filtro especial para a filmagem com noite. Você tem que ter céu azul, tem que ter luz. O céu azul fica escuro e a tonalidade da pele fica escura também. Mas é possível fazer perfeitamente o efeito de noite com a colaboração do laboratório. Você inclusive falseia outras coisas. Por exemplo, você quer tomar um carro, liga a luz do carro. Se for uma janela, numa cada nos fundos, você acende a luz da janela e dá a impressão de luminosidade muito maior que a luz do sol, então você tem impressão que a noite está sendo iluminada. Você falseia dessa maneira.
- Para filme preto e branco, os artistas devem ser maquilados?
Sim. O filme não vê como o olho humano vê. Tanto é que todos devem ser maquilados de amarelo de preferência porque o filme comumente é muito acentuado para o azul, então a gente veria tudo para claro. A preferência é maquilar as pessoas que sejam muito claras. Usa maquilagem que as escurece, porque os filtros já ajudam a dar uma cor branca. Porque se não fizer a maquilagem os artistas aparecem com uma cor de defunto. No colorido você não pode exagerar muito isso, porque o próprio filme já tem contraste e a arte da maquilagem pode realçar isso.
- O senhor precisou pedir colaboração ao público para a filmagem? Ou aproveitaram as cenas naturais?
Procuramos filmar ao natural, exceto cenas de interiores que contam com a colaboração dos que tem que executar o seu papel de artista. De público em geral não foi pedido colaboração, porque seria difícil controlá-lo.
- Haveria tido dificuldade em conseguir que o pessoal que aparece na fita realmente, mesmo sendo transeunte que se porte normal sem olhar para as câmeras?
Esse problemas, sempre existiu e sempre existirá, Se a pessoa que está passando sabe que está sendo fotografada quebra a naturalidade, a não ser que sejam pessoas experimentadas. Mas acredito que é questão de curiosidade com relação ao cinema, o sujeito vendo a câmera num lugar quer ver o que está se passando. Esse problema existe, não é uma questão de má vontade, é uma característica do individuo.
- O senhor precisa filmar diversas vezes para depois escolher a cena?
De preferencia a gente limpa o fundo, para evitar a repetição.
- O material de filmagem é seu ou é alugado?
O material de iluminação é todo alugado. O que é meu são as câmeras e os filmes.
- Existem certas companhias especializadas em manter esses aparelhos para o filme de alugar?
Existe. Em São Paulo e Rio de Janeiro têm várias.
- Na passagem de um carro, de um veiculo qualquer o som é gravado posteriormente?
É gravado posteriormente. Inclusive tem uma coisa em cinema, que enquanto a ação transcorre você tem ação principal em primeiro plano.
Você vê isso em qualquer filme, mesmo no estrangeiro. O som não é sempre gravado no alto, é gravado geralmente em interiores. Em exteriores você não pode controlar. O som é gravado posterior. Você pode ter um leve ruído de fundo, para dizer que é a rua. Mas você tem que ouvir o que estão dizendo, pois é uma história que está sendo contado. A ação do fundo não importa tanto, poderia ser música, podia ser ruído.
- O barulho e ruídos de carros passando é gravado na hora ou já tem isso em reservas?
A gente pode ter esses sons gravados, ou pode gravar.
- Essas cenas de baile que fizeram, que o conjunto tocou, vai para o filme ou é dublado?
Não. Aquilo é dublado. O importante é o ritmo. Sabendo o ritmo coloca-se qualquer música com aquele ritmo; uma valsa por exemplo, o pessoal que está dançando naquele ritmo.
Finalizadas estas observações ficamos satisfeitos e pedimos para que nos fizesse umas observações finais, que foram as seguintes:
Vocês fizeram uma boa cobertura. Tenho que agradecer a vocês por esta entrevista. O filme chegou praticamente ao fim. Eu acho que em março estaremos aqui novamente para fazer a estréia. Agradecemos a todos os que colaboraram conosco e acho que seremos recompensados por esse trabalho. Espero que seja do agrado de todos. Eu acho que em si é um filme importante para o pessoal de Blumenau. E uma reprodução do clima alemão e que vai agradar a todos.
Muito obrigado

Agradecemos ao Sr. Reynaldo Paes de Barros, a boa vontade em nos atender e nos dar estes sábios esclarecimentos. Despediu-se de nós pois tinha que seguir para a filmagem e ficamos conversando com o Sr. Geraldo Mohr, Diretor de Produção. Ficamos então sabendo que ele já trabalhou como câmera junto com o Sr. Reynaldo em filmes norte-americanos. Fizeram 7 filmes de Tarzan, 2 de longa metragem e 5 capítulos para televisão.
Depois passou para assistente de produção, foi ao rio de Janeiro e trabalhou na companhia Atlântica e na cinegrafia São Luiz. Tomou parte na filmagem de duas fitas estrangeiras no Brasil: Stefanie no Rio com Sabine Sinjen e Estrada de amor com o célebre cantor alemão Freddy Quinn que foi rodado em Salvador, Brasília e São Paulo.
Atualmente está trabalhando no Filme “Férias no Sul” como diretor de produção, isto quer dizer ser supervisor de tudo, organização, requisitos, administração financeira etc.
Para nossa surpresa ficamos sabendo que o Sr. Geraldo Mohr é catarinense, natural de Rio do Sul. Porém passou muito tempo fora do País, inclusive dez anos na Alemanha.
Assim foi esta reportagem, um esforço da Redação do Mensageiro em esclarecer e deixar a par dos leitores, dos acontecimentos que empolgam não só nossa cidade, e nosso estado, mas o nosso país. Será através desta filmagem que nossa cidade se projetará ainda mais, realçando as belas paisagens e o espírito laborioso de nosso povo.
Blumenau, palco do Filme.

Para saber mais sobre o Filme Férias no Sul acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em_07.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2010/12/ferias-no-sul.html
MENSAGEIRO ARTEX – Redator responsável : Honésio Girardi

Publicação Mensal de circulação interna dos empregados da “Artex S/A” Fabrica de Artefatos Têxteis.

Ano IV – Blumenau SC – Janeiro de 1967 nº 1
Arquivo de Dalva Adalberto Day

quinta-feira, 15 de março de 2012

- Meu Primo Charles

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje mais uma crônica da escritora Urda, relatando sua dor com o primo Charles que faleceu precocemente aos 50 anos em 10/março/2012.


Por Urda Alice Klueger
(Para Mário Charles Lindner, meu primo)



No nosso pequeno mundo de crianças, Charles foi uma vidinha que aconteceu sem que percebêssemos, pois ainda era o tempo em que acreditávamos na Cegonha, e quando ele chegou, como era lindo, com seus grandes olhos azuis de longos cílios, copiados da mãe dele, a minha prima Synova!
Eu já estava no segundo ano da escola, naquela altura, e quantas vezes, na volta para casa, fugi do meu itinerário para ir lá espiar o neném da Synova, aquele menino de faces rosadas, bonito como um principezinho, envolto nas mantas brancas como o lembro, e que a Synova tratava com o desvelo de leoa. Diversas vezes levei bronca em casa por chegar atrasada, pois vivia indo lá espiar o Charles, que crescia como um querubim! Conforme ele passou a comer algo mais que leite, dentre as demais coisas que fazem um bebê crescer bem, Synova passou a lhe dar, todos os dias, uma maçã raspadinha a colher, e naquele tempo maçã era coisa cara, importada da Argentina, o que fazia com que certa ala mais velha da família achasse que aquilo era um desperdício – minha mãe era da turma do contra, da turma que achava que a mãe de Charles fazia muito bem em lhe dar todo o dia a maçã.
- O que entra por aqui, ó – e minha mãe apontava a boca – aparece aqui e aqui – concluía ela dando tapinhas alternados nas faces. E Charles crescia saudável e lindo, bem como um menino que come maçã importada todos os dias.
Quando eu tinha 17 anos e Charles, portanto, tinha 8, fiquei morando um longo tempo na casa dos seus pais. Foi bem na época em que a televisão chegou a Blumenau, quando vivíamos os Festivais Internacionais da Canção e o Movimento Hippie, e aquele menino pequeno ainda era muito pequeno para nossas aventuras “adultas”, como falar de política escondidas, eu e sua irmã Rosiani, por exemplo, já que atravessávamos o tempo brabo de uma ditadura. Mas havia aquele menino ali junto com a gente, e ele era encantado pelos desenhos animados que passavam na televisão, e ficava andando pela casa em câmara lenta, imitando seus heróis preferidos, o que fazia com que todos prestássemos atenção às suas graças de ator!

O tempo foi passando, e um dia, na antiga Rua Hermann Huscher, ainda virgem de prédios e de asfalto, Charles parou sua Brasília ao meu lado para me apresentar Cléia, a linda namorada. Ele continuava muito bonito, com seus longos cílios em torno dos olhos azuis, e Cléia era uma simpatia, bem como a fada que chega na vida do príncipe! Eles se casaram um pouco depois, e fizeram a sua casa, e muito Charles trabalhou na profissão da sua escolha, que era de consertar motores de barcos de luxo, sempre indo e vindo para as praias onde as pessoas granfinas ancoravam os mesmos, sem contar da quantidade de barcos que eram rebocados até sua oficina.

Há 16 anos atrás nasceu Ricardo, o único filho de Charles, o menino Lindner que é tão parecido com a Cléia.
Faz poucas semanas que estive na propriedade do Charles, e vi muitos abacates verdes caídos no chão.

- Posso apanhá-los? – perguntei.
Claro que acima de mim havia uma enorme abacateiro carregadinho.

- Colhe do pé – me disse Charles. – Pode levar quanto quiser! – e eu colhi diversos deles. Não poderia jamais fazer idéia que nunca mais falaria com ele.
Charles morreu ontem à tarde. Daqui a pouco volto ao seu velório. Ontem à noite, no seu terno azul marinho, dormindo seu sono tranquilo, ele continuava tão bonito como sempre o conheci – só seus olhos azuis se tinham fechado para sempre, embora os grandes cílios fossem tão evidentes, por mais algumas horas. A fada Cléia permanecia a seu lado, fazendo aquele tipo de carinho que só sabem fazer as pessoas que amam muito.

Como pode acontecer tal coisa, Charles? Tu eras o mais novinho de toda a nossa turminha de primos – por que tinhas que ir tão cedo?

Choro muito, claro.
Blumenau, 11 de março de 2012.

Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

segunda-feira, 12 de março de 2012

- Faltava um jogador


Em histórias de nosso cotidiano apresentamos hoje, a história de como o Senhor Osmênio Pfau  conseguiu vir jogar no Brasil (Palmeiras-BEC), entrevista concedida a um jornal da cidade, (texto conforme cópia de publicação, sem identificação do repórter e do Jornal – acreditamos que seja A Nação ou A Cidade).

O atleta PFAU

“Pfau foi ao campo do Brasil assistir uma disputa de futebol Ali encontrou o seu ex-companheiro Generoso, deste partiu o convite para que participasse da disputa, pois havia somente 21 atletas e o companheiro sabia das qualidades do jovem Pfau”.

Blumenau quinta feira dia 04 de janeiro de 1973
No dia 09 de novembro nascia na cidade litorânea de São Francisco do Sul, um robusto menino que na pia batismal recebia o nome de Osmênio Pfau. Seus primeiros passos foram dados nesta cidade. Anos mais tarde a família transferiu-se de localidade, índio residir em Mafra. Ali o jovem Osmênio começou a dar os seus primeiros chutes na redonda como ponteiro direito, sua posição de origem, o clube se chamava Peri Ferroviário. Generoso com seu companheiro de equipe era uma das principais figuras do elenco este mais tarde transferiu-se para Blumenau, vindo a atuar no Brasil F.C., o atual Palmeiras E.C. Vindo um dia passear na capital econômica, o jovem Pfau foi ao campo do Brasil assistir uma disputa de futebol. Ali encontrou o seu ex-companheiro Generoso, deste partiu o convite para que participasse da disputa, pois havia somente 21 atletas e o companheiro sabia das qualidades do jovem Pfau.
A vaga era de zagueiro, Pfau não teve dúvidas, entrou na posição e abafou. Dirigentes do Brasil F.C. entusiasmados com a atuação do jovem futebolista trataram logo de conversar com ele a fim do mesmo se transferisse para Blumenau e passasse a defender as cores do então Brasil F.C.. Isto aconteceu em julho de 1939. Naquela época todo o futebolista exercia uma profissão e Pfau havia se formado em “mecânica de locomotiva”. Dr. Ávila não encontrou dificuldade de coloca-lo na Estrada de Ferro, mas não permaneceu muito tempo, sua queda para o comércio falava mais alto, foi então trabalhar no Prosdócimo S/A e logo depois na extinta Casa Volles. Os seus afazeres não o afastaram dos campos de futebol, continuou na carreira sempre com o mesmo espírito.
Os campeonatos organizados pela L.B.F. tinham seguimento, os clubes cada ano que passava, procuravam armar-se melhor para as futuras competições. Disputavam o campeonato da Liga os seguintes Clubes; Vitória – atual Vasto Verde; 21 de Abril da cidade de Gaspar; América F.C. atual Guarani da Itoupava Norte; Amazonas E.C. do bairro Garcia; Brasil E.C. atual Palmeiras e Blumenauense atual G.E. Olímpico. Entre os títulos conquistados lembra o nosso entrevistado os seguintes – Campeão da Cidade – LBF – 1941; 42; 44; 45; 46; 47; 48. Pfau nunca conseguiu sagrar-se campeão do Estado. Mas recorda com muito carinho a disputa do torneio “Taça Sudam” que foi posta em jogo uma finíssima taça e onze medalhas de bronze; a medalha guarda até hoje, como recordação a taça acabou indo parar na sede do Brasil E.C. que dias mais tarde passou a chamar-se Palmeiras E.C. nome que permanece.

A mudança do nome foi motivada por decreto lei que saiu naquele ano de 1943. Dos craques que conheceu na época em que atuava, cita de Adalberto Carstens, mais conhecido pelo apelido de “Cara de Bicho”, Adalberto veio a falecer dias mais tarde de uma triste enfermidade, foi ele um dos craques mais completos que Pfau conheceu. Dos jogos interestaduais recorda aquele, realizado em Curitiba, frente ao Água Verde, uma das boas equipes do Paraná, o jogo foi no campo do Britânia. Saiu de Blumenau uma espécie de seleção, formada com atletas de outras agremiações que foram cedidos na ocasião entre eles estavam; Hélio Linger; Janga Rocha; Augusto; Amorim; Meirelles; Arécio; Abreu da Silva; (Boca Larga) Arno Correia; Pedrinho; Machado; Schramm; Doquinha; Tiurra; Pfau; Miguel e Juca. Resultado Palmeiras E.C. 1 x 1 Água Verde. Pfau se lembra da meninada daquele tempo que para ingressar no estádio, carregavam as sacolas dos jogadores, chuteiras, enfim qualquer material de jogo. Entre os meninos furões lembra-se do atual prefeito de Blumenau, Sr. Evelásio Vieira (Lazinho) que tempos depois veio tornar-se um grande futebolista, sagrando-se ano mais tarde “Campeão do Centenário” desta cidade a qual administra nos seus últimos dias.

Osmênio Pfau (foto) que chegou a capital econômica pelos idos de 1939 para defender o Brasil E.C. permaneceu jogando até 1948, quando resolveu pendurar as chuteiras, ainda tinha condições atléticas, mas com a implantação do profissionalismo, achou por bem suspender suas atividades futebolísticas. Ai está o homem que chegou a Blumenau com um objetivo principal – o futebol. Acompanhou o Brasil E.C. na sua trajetória e transformação para Palmeiras E.C., viveu momentos de glória dentro do esporte, graças ao esporte permaneceu no nosso convívio nesta comunidade que o recebeu de braços abertos. Quanto ao futebol moderno, Pfau acha-o simplesmente maravilhoso no rendimento técnico, alcançando em função do bom preparo físico o que são submetidos estes verdadeiros profissionais. Comparando ao antigo, Pfau acha que o jogador que não tivesse um índice muito grande de habilidade individual não conseguia destaque pois as defesas jogavam pesado e os atacantes tinham que ser lépidos e velozes para conseguir alguma coisa; não podia ter medo, senão a vaca ia pro brejo, a pauleira cantava solta e quem podia mais chorava menos. Pfau foi zagueiro respeitável na época, não dava vida mansa ao adversário, era duro, mas leal, disputava o jogo palmo a palmo vendendo caro a derrota. Este Pfau aqui conheceu Dona. Maria de Lurdes Pfau com quem se casou. Deste matrimonio nasceram cinco filhos, aqui se criaram receberam suas primeiras instruções escolares. A maioria formou-se. O mais velho é engenheiro formado, Dr. Luiz Henrique, a segunda é formada em magistério, casada e reside atualmente em Curitiba, Sra. Maria Bernadete Roveri, terceiro é José Geraldo que irá se formar em Administração de Empresas, a quarta Sra. Maria Helena, também professora formada, por último a caçula Regina Lúcia ainda completando os estudos. Sr. Osmênio Pfau, que chegou a Blumenau acidentalmente, aqui permanece até os dias atuais. Ocupa o cargo de grande responsabilidade em uma das mais conceituadas firmas de Blumenau. Quem chega a Hermes Macedo S/A e pede para falar com o GERENTE, imediatamente é recebido por aquela figura simpática do Sr. Osmênio Pfau.
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Osmênio Pfau, natural de São Francisco do Sul, nascido em 09 de novembro de 1918 e falecido em 15 de agosto de 1999 - chegou a Blumenau em 1938 como profissional de futebol do Brasil E.C.

Colaboração especial de José Geraldo reis Pfau/Publicitário em Blumenau
Arquivo: Familia Pfau

http://adalbertoday.blogspot.com/2011/12/osmenio-pfau.html

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