"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

- Educação e saúde...o resto vem depois

Estou passando por um momento delicado de minha vida, quanto à questão de saúde. Serei submetido a uma avaliação .
Fui examinado por mais dois médicos Neurocirurgiões, dia 17/02/2012, - mais medicações. Até essa data já passei por 12 médicos.
A incerteza, angustia continua, nesta  quarta feira dia 22/02/12, e depois com os resultados, as avaliações e o tratamento, podendo ser Cirurgia (confirmado), Radioterapia, Quimioterapia (se necessário). 
Fui atendido (22/02/12) pelo Otorrinolaringologista Dr. Juliano Colonetti: que fará a intervenção cirúrgica através do nariz acompanhado do Neurocirurgião Dr. Antônio Mussi. Fato este que já me deixou bem mais animado, pois se cogitou pelo pescoço e crânio no Rio de Janeiro com Neurocirurgião Paulo Niemeyer .
A cirurgia ficou marcada para quarta feira dia 29 de fevereiro 2012.
Enquanto em fase de recuperação os filhos e esposa estarão assessorando nosso trabalho.
Pelo menos até o início de março/2012, deixarei de postar.
Peço a todos muita compreensão e principalmente orações, uma fé gigante para que DEUS possa me proteger e retornar as atividades.

Depois como disse meu amigo José Geraldo Reis Pfau – Publicitário, meu irmão de coração – “Zé Pfau”, estaremos dando muitas gargalhadas de comemoração.
Abraços a todos

Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.
E toda família DAY


EM RECUPERAÇÃO:
* A cirurgia para remover o tumor localizado na rinofaringe,  aconteceu no dia 29/02, como previsto, no Imperial Hospital de Caridade, em Florianópolis/SC. Já recebi alta e agora estou me recuperando e em breve estarei postando novidades no Blog. Também estou aguardando o resultado da biópsia que até início da próxima semana terei o resultado em mãos. Peço que continuem torcendo e rezando por mim, assim tudo fica mais fácil para que minha saúde possa ser restabelecida. Aproveito para agradecer todas as mensagens afetuosas que recebi via e-mail, através do twitter e do blog. Abraços, e até breve! Adalberto Day

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

- Conspiração em Blumenau?






Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos mais uma colaboração de Flavio Monteiro de Mattos.
"Flavio.... Blumenauense por opção , pelo traço do caricaturista chileno Jimmi Scotty, em 1971".
texto sobre suas andanças por Blumenau e região.

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UMA CONSPIRAÇÃO DOS DEUSES NO CAMINHO DE BLUMENAU

No início da década de 70 - o ano exato não recordo – um dos primos blumenauenses veio estudar engenharia no Rio e não passou na cabeça de ninguém que não ficasse lá em casa.
E o Rio dessa época era, sem falsa modéstia, o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa.
Ipanema, onde morávamos era o centro do Rio. Lá vivia gente de todo o Brasil, até mesmo cariocas, muito embora nem todos lá morassem.
Andava-se a pé pelas suas ruas e era muito comum esbarrar com “gente da pesada” como o maestro Antônio Carlos Jobim e seu parceiro Vinícius de Moraes, que estavam sempre nos bares Veloso ou Jangadeiros.

O bar Zepellin era o local de encontro do Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e muito raramente o poeta Carlos Drummond de Andrade, vinha de Copacabana, onde morava, encontrar amigos “ipanemenses”.
Na sua praia famosa batiam ponto regularmente o gaúcho João Saldanha, a baiana Gal e sua trupe, a dupla “Vapor Barato” Jards Macalé & Wally Salomão, Paulo Coelho e até o Fernando Gabeira, outro mineiro que aparentemente ganhou mais notoriedade pelas sunginhas de crochê que usava do que com suas militâncias.
Mulheres bonitas estavam todas estavam por lá e foi em Ipanema que a deslumbrante blumenauense Vera Fischer “validou” seu passaporte de musa.
Como a vida se restringia ao bairro, Ipanema não dependia de ninguém.

No carnaval botava na rua o seu próprio bloco carnavalesco, A Banda de Ipanema tendo à frente Leila Diniz, sua eterna musa. E as novidades do bairro eram divulgadas no seu próprio jornal, O Pasquim, feitos por craques como o Henfil, Paulo Francis, Millor Fernandes, Paulo de Tarso, Ivan Lessa, Jaguar, Ziraldo e tantos outros que contribuíram para que o veículo obtivesse sucesso quase instantâneo.
Em cada esquina de Ipanema se produziam estórias, umas verdadeiras, outras puras folclore. Entre tantas destaco uma pouco conhecida do Tom Jobim, acontecida entre 67 ou 68, que foi contada pelo garçom que sempre o atendia no bar Veloso, agora Garota de Ipanema.
Dizia esse garçom que nosso maestro era procurado diária e constantemente por anônimos ou conhecidos. Mostravam-lhe músicas, textos, pediam orientações, autógrafos e todos eram atendidos com cordialidade e atenção.

Certa vez adentrou no bar uma figura “habitué” no bairro em busca do maestro, que tomava seu chopp de fim de tarde, na sua mesa habitual. Quando o viu, o sujeito dirigiu-se até ele sem a menor cerimônia, foi logo espalhando sobre a mesa as partituras de carregava debaixo do braço. Com a maior boa vontade o maestro o recebeu, o ouviu, fez alguns comentários e sugestões. Ao término da “consulta” o camarada foi embora com um ar esfuziante, cheio de esperanças e desse dia em diante passou a voltar sempre, dia sim, dia também em busca pelo mestre, sempre carregado das partituras.

Eis que um belo dia o maestro sumiu da área sem aviso prévio, como era do seu costume. E o tal camarada, que já se achava íntimo, desesperou-se. Ia ao bar em busca de seu mestre de manhã, à tarde, à noite, nas madrugas. Depois de várias tentativas frustradas, virou-se para o garçom e disse:
- Cadê o Tom, que não o acho por toda Ipanema? – perguntou, irritado.
- Foi encontrar o Frank – respondeu-lhe o garçom.
Rio  - Praia Arpoador/Ipanema - Foto Flavio

- Frank... Frank? Não conheço nenhum Frank em Ipanema... Quando o Tom aparecer diga que quero falar muito com ele – disse, em tom imperativo e foi embora, sempre com suas partituras debaixo do braço.
O tal Frank, embora nunca dantes visto em Ipanema, era o SINATRA, que convidara o maestro para ir à América para que gravassem juntos um disco de música brasileira e que se tornou sucesso mundial!

Esse relato confirma o que se dizia na época: mesmo sendo você uma personalidade reconhecida em todo mundo, exceto em Ipanema, corria-se o risco de ser considerado eternamente um ilustre desconhecido!
E foi nessa Ipanema que o primo blumenauense se instalou nos cinco longos anos que ficou por aqui. Entretanto, sendo de boa cepa não se deixou seduzir pela efervescência ipanemense e jamais perdeu o foco. Afinal, veio para estudar e não decepcionou.
Nas férias escolares e feriados longos, lá ia o primo para sua terrinha, como o próprio a chamava. E eu, fã de carteirinha de Blumenau de longa data, quase sempre o acompanhava.
Íamos de ônibus e “quase” Íamos e “quase” voltávamos pela Viação Nossa Senhora da Penha, cujo slogan era “Vá e Venha pela Penha”. O “quase” se justifica porque a empresa não disponibilizava – e acho que atualmente ainda não - ligação direta Rio/Blumenau, que nos obrigava a fazer baldeações nem sempre tranqüilas em Curitiba ou Itajaí. Mal desembarcávamos nas rodoviárias dessas cidades, corríamos para os guichês da Catarinense ou Viação Garcia para comprar passagens no primeiro ônibus que saísse para Blumenau. Quando não conseguíamos, e isso acontecia com mais freqüência nas baldeações em Curitiba, o tempo total da nossa viagem que era de 17, 18 horas esticava mais um pouquinho.

Nos vários anos viajamos no auge do verão e o calor quase nos fazia desmanchar já que o ar refrigerado era mesmo a janela aberta, quando conseguíamos abri-la. No inverno a situação se invertia e por mais que tentássemos vedar as frestas por onde ar gelado entrava logo descobríamos outros e assim, íamos.
Travesseiros, cobertores, esqueça...! Tais mimos somente eram disponibilizados pela Penha nos ônibus leito da linha São Paulo/Blumenau.
Na linha Rio haviam somente ônibus normais e neles os espaços para os passageiros eram tão exíguos que somente se acomodavam confortavelmente crianças pequenas ou anões. As poltronas ofereciam somente as posições “sentado” e “inclinado”, mas quando o cansaço batia “desligávamos”... O que? O ônibus vai para logo agora? Que azzzar...

Mas na verdade, eram os passageiros que emprestavam um “colorido” todo especial às viagens e pela constância de ir e vir aprendemos identificar os bons, médios e maus companheiros de viagem.
Os “bons” eram aqueles que depois de alguns balanços do ônibus, logo dormiam nas paradas quase sempre desciam, se alimentavam moderadamente e para a sorte de todos nós, utilizavam os banheiros desses restaurantes.
Já os “médios” se dividiam em grupos distintos.
Tinha a turma que ficava a noite inteira acordados com aquela luzinha irritantemente acesa. Eram seguidos de perto pela turma dos fumantes. Fumantes, espantou-se? Sim, fumava-se a bordo desde que observadas as condições determinadas na plaquinha afixada no painel que dividia a cabine dos motoristas dos passageiros, que dizia “É PROIBIDO FUMAR OU CONDUZIR ACESSO CACHIMBO, CHARUTO E CIGARROS DE PALHA NO INTERIOR DESTE VEÍCULO”.
E antes que alguém pergunte o que fazer com os asmáticos, alérgicos ou crianças, a resposta também ali estava, em outra plaquinha quase colada à anterior e que dizia: “RECLAMAÇÕES DEVEM SER DIRIGIDAS À SEDE DA EMPRESA SITO EM...”. E não se fala mais no assunto, ok?
Fechavam o grupo os “passageiros de primeira viagem”. Excitadíssimos pela novidade falavam alto quase sem parar. Eram sempre os primeiros a desembarcar nas paradas e “esqueciam” de satisfazer as necessidades fisiológicas e somente se lembravam delas quando acalmavam.
Minha “teoria” era que seus organismos aproveitavam tais momentos de relaxamento e funcionavam desesperadamente. Quando sentiam os primeiros – E ÀS VÊZES, O ÚNICO! - sinais que seus APARELHOS DIGESTIVOS funcionavam à plena carga, se iniciavam seus dramas.
Se ocorresse à noite logo acendiam a luzinha irritante e tratavam de recolocar suas poltronas na posição “quase em pé”, na esperança que a nova postura os aliviasse de um possível mal estar passageiro (com trocadilhos, por favor). Se acontecesse, beleza, se não, quase sempre uma ida urgente ao banheiro do ônibus era inevitável e não havia nada ou ninguém que os segurasse no trajeto. Se por acaso o banheiro estivesse ocupado, batiam na porta com tanta insistência que usuário tratava logo de “abandonava a moita” temendo o pior. Quando “tomavam posse” do espaço concentravam-se apenas na “tarefa” e dispensavam distrações como fechar a janela o banheiro, no que todo o ônibus agradecia.
Mas o mau companheiro de viagem era o que realmente punha nossas vidas em perigo! Viajavam desacompanhados, silenciosos e soturnos em todo o trajeto, mas também solícitos quando necessário. Sentava-se geralmente nas poltronas do corredor que lhes permita agir com discrição. “Atacava” nas madrugadas, principalmente as de inverno e o local onde preparavam a “arma letal” era também o banheiro da “nave”. Entrava, fechava a janela para não correr o risco de falhas e não demorava em “detoná-la”, também sem alarde.
No momento que o “serial killer” abria aporta do banheiro... - bah! - o ônibus inteiro ia despertando como um rastilho queimando e logo se ouvia um “juro que não fui eu!”, “mas o que está acontecendo?”, “tem um morto no bagageiro?”, “acho que vou morrer”, “ahhhhhh, mas o que é isso?” e outras exclamações nessa ordem.

Passageiros mais desesperados recorriam aos motoristas e o que abrisse a porta da cabine que os separava do resto do ônibus, ao perceber a “encrenca que pairava no ar” limitava-se a apontar para outra plaqueta afixada na divisória que dizia “É PROIBIDO FALAR COM O MOTORISTA” e sumia para dentro da sua gaiola.
Em algumas vezes tivemos o azar de viajar nas poltronas que ficavam ao lado do banheiro e nestas situações estávamos colados à “detonação“! Você não pode imaginar como era...

 Imagem Blumenau - Foto Flavio
Mas tudo ficava para trás no momento em que o ônibus estacionava na velha rodoviária no Centro de Blumenau!
Num dia conversava com os parentes e amigos, no outro revia algum filme no cine Blumenau com direito a uma passada obrigatória na Confeitaria Tonjes e traçar o inigualável apfelstrudel com chantilly.

Às noites se animavam com uma ida aos restaurantes como o Cavalinho Branco, Moinho do Vale ou Fhrosinn e depois balançar o esqueleto (e ver as meninas, é claro) no Caça e Tiro ou em Gaspar – até lá eu fui! – ou pegar mais pesado na boate Foca´s, do Carlinhos Müller e terminar a noite em umas das carrocinhas que ficavam pela Beira Rio até de madrugada onde eram servidos “EggCheeseTudo” ao som da Blumenau FM.
Quando haviam corridas na pista de kart do Paraíso dos Pôneis “todo mundo” estava lá. Almoçar na Gruta Azul, ver as novidades na Blu Discos. Azarar as amigas das primas nas festas ou no Carlos Gomes e é claro, quase todas as tardes e noites dar infindáveis “rolés” de carro pela XV no trecho compreendido entre o Fórum / Chefatura de Polícia até a pracinha que ficava logo depois da Casa Willy Sievert.

Era essa a Blumenau que me motivava sempre visitá-la e a cada nova ida tudo isso e mais alguma coisa me esperava.
Portanto era difícil, mas difícil mesmo que deixasse de ir para Blumenau seja a época que fosse. No entanto, houve uma vez e somente uma, que aconteceram tantos fatos esquisitos que quase minha ida não se realiza.
Rodoviária de Blumenau - antiga
De cara, por conta de alguns contratempos não pude viajar junto com o primo blumenauense, como sempre fazia e quando me liberei restavam uns poucos dias de folga. Teria que viajar sozinho, que era muito chato, mas ir à Blumenau valia qualquer sacrifício.
E lá fui eu para a Rodoviária para comprar passagem - isso mesmo, só se comprava passagem na Rodoviária, no guichê da empresa! – e somente havia lugar vago na ligação para Florianópolis e a data mais próxima era naquele mesmo dia, dali a quatro horas aproximadamente. Sem acreditar, lembro ter perguntado ao funcionário da empresa em que posição do ônibus se localizava o lugar vago, pois se ficasse no fim do ônibus junto ao banheiro, desistiria.
- Terceira fileira, corredor – respondeu-me, meio mal humorado. Mesmo com a passagem no bolso, minha animação era cada vez menor. Descer em Itajaí? O que seria desta vez?
Cheguei para o embarque “aos 45 do segundo tempo” e fui um dos últimos, senão o último a embarcar. Minha companheira de viagem era uma simpática senhora que me recebeu com um tímido sorriso. No horário e lotado, o ônibus deixou para trás a Rodoviária Novo Rio e logo estávamos na Via Dutra. Era uma tarde ensolarada e agradável, sem o calorão que sempre caracterizou o Rio.
Quilômetros depois a senhora, minha companheira de viagem, fez comentários sobre alguma coisa que chamara sua atenção, mas logo se calou. Curiosamente, percebi que no ônibus ninguém falava alto, crianças não choravam, nada.
Macaco velho e com várias viagens no lombo lembrei-me de um antigo ditado que dizia que “o silêncio nunca anda sozinho”. Quase que instantaneamente a porta da cabine dos motoristas se abriu e um deles surgiu para informar que faríamos uma rápida parada não programada, acrescentando que quem quisesse poderia descer para comprar biscoitos, beber alguma coisa...
Parada não programada na Serra das Araras! Essa viagem promete, pensei.
Olhei para a senhora, minha companheira de viagem, perguntei se queria descer, que recusou. Vários passageiros desceram e logo retornaram, já que fora mesmo uma rápida parada e o ônibus seguiu viagem. Acho que este fato fora do “script” foi o gerador para que começassem a ser ouvidas risadas pelo interior da “nave”, mas nada que incomodasse.
Após subirmos a tal Serra acomodei-me para tentar tirar um cochilo. Fechei os olhos na esperança de “desligar” e quando eventualmente os abria flagrava a senhora, minha companheira de viagem, me vigiando com um olhar sorrateiro. Instantaneamente, veio a lembrança daquele “serial killer” que descrevi e logo tratei de afastar do pensamento.
Mas a tentativa da soneca foi por terra quando um passageiro desastrado esbarrou no encosto de minha poltrona ao passar pelo corredor. Abri os olhos, mas não dirigi o olhar na direção do sem jeito, que se desculpou tocando meu ombro. Restou somente apreciar o que se oferecia pela janela da senhora, minha companheira de viagem.
Não sei por quanto tempo permaneci observando a monotonia da estrada até que novamente alguém se apoiou no encosto de minha poltrona e logo pensei no retorno do passageiro desastrado ao seu lugar, mas desta vez tive interesse de ver sua face.
O desastrado, aliás, a desastrada se apresentou e era de tirar o fôlego! Sem dirigir-me o olhar, ela tomou o lugar imediatamente à frente do meu e se ajoelhou sobre o assento de sua poltrona que era a única forma de se comunicar com pessoas conhecidas que ocupavam lugares mais atrás. E aquele belo rosto flutuava no meu canal “PAY PER VIEW” e seu narizinho arrebitado, em “FULL HD”, era de arrasar!

Não sei por quanto tempo permaneci em estado catatônico e quando “retornei à vida” minha primeira preocupação foi verificar se não havia esganado a senhora, minha companheira de viagem ou tido outras atitudes tão comuns quando se “sai do ar”. Como ela parecia cochilar, me tranqüilizei.
Se comigo tudo parecia em ordem, os marmanjos que estavam sentados na mesma fileira que a minha, do outro lado do corredor, necessitavam de “cuidados urgentes”.
O mais próximo parecia estar em estado catatônico. Olhava sem piscar para a dona do belo rosto, tinha a boca inteiramente aberta e deixava escorrer pelos cantos um líquido transparente, que se costuma chamar de BABA! O que se sentava ao lado deste dirigia para a dona do belo rosto um olhar aparvalhado e somente conseguia manter sua boca fechada porque apoiara o queixo sobre o encosto da poltrona da frente. Entretanto, os solavancos do ônibus jogavam sua cabeça de encontro ao vidro da janela, mas o sujeito não se importava nem um pouco.
Em face do estado dessas “vítimas” próximas conclui que até me saíra muito bem e aparentemente sem “seqüelas”. O diabo é que não havia como evitar olhar a dona do belo rosto. Lembro ter tido a idéia de tirar os óculos que na época era obrigado a usar, na esperança que sem eles a imagem se desfigurasse. Pura ilusão...
A dona do belo rosto, do alto de sua privilegiada posição tudo percebia e parecia se divertir com as reações que sua bonita estampa provocava. Indefesos, eu e os demais esperávamos alguma providência para que saíssemos – ou não retornássemos – do estado que fomos submetidos até que por fim, aconteceu.
Cansada, a dona do belo rosto resolveu se sentar e quando o fez ecoou um sentido “ohhhhhhh” pelo ônibus.

Inconformados, alguns marmanjos logo iniciaram romarias à frente do ônibus para dar mais uma olhadinha na dona do belo rosto, mas o segundo motorista os percebeu e mandou que todos voltassem para seus lugares, já que era proibido viajar em pé. Pensa que se conformaram? Logo estavam de volta e desta vez a “desculpa” era um súbito interesse em saber quanto tempo ainda levaria para a próxima parada. Os “totalmente dominados” nem isso faziam. Vinha mudos e mudos retornavam para seus lugares.
Ao chegarmos à parada a dona do belo rosto se levantou e o coro no ônibus desta vez foi um animado “ahhhhhhh!”. Ela se preparou para descer e pensei em segui-la, mas como instantaneamente se formou uma fila de fãs junto a sua poltrona, desisti. A senhora, minha companheira de viagem desembarcou meio contrariada e somente fiz o mesmo quando o movimento no corredor cessou.
No restaurante da parada, apesar de todas as tentativas não consegui contemplar o “conjunto da obra”, pois o séquito da dona do belo rosto não dava uma folga e quando consegui foi de forma inesperada. Aguardava na fila do caixa a vez para pagar minha despesa e quando me virei a dona do belo rosto estava exatamente atrás de mim. Não era uma boa posição de contemplação, mas se não foi possível avaliar como pretendia o “conjunto”, a proximidade permitiu comprovar a excelência de seu “acabamento”. De primeiríssima, posso garantir...
Pressentindo que poderia novamente entrar em “alfa” apressei o passo para retornar ao ônibus e quando lá cheguei vi que a senhora, minha companheira de viagem já estava acomodada. Instalei-me em minha poltrona e permaneci imóvel até que os demais passageiros retomaram o embarque e entre eles a dona do belo rosto, que passou direto pelo lugar que ocupava à minha frente e foi se instalar novamente ao fundo da “nave”. Desta vez houve um único “ohhhhh” foi o meu e no lugar que ela ocupara se sentou outra pessoa que até hoje não sei se era homem, mulher ou até mesmo um ser humano.
O ônibus se pôs em marcha novamente e logo a noite começava a chegar. Com ela vieram também os faróis o que levou primeiramente os motoristas a fecharem as cortinas da cabine e logo a seguir a senhora, minha companheira de viagem também cerrou as da sua janela.
Quilômetros adiante o ônibus estacionou da nova parada, a dona do belo rosto desceu para um lanche rápido e novamente embarcou, ocupando desta vez o lugar à frente do meu. Novamente seguimos viagem e naquela escuridão a única coisa a fazer era tentar dormir. Acomodei-me do jeito que pude e novamente percebi que a senhora, minha companheira de viagem continuava a me espionar como antes.
Mas sono que é bom, nada. Numa das vezes que mudei de posição percebi que a dona do belo rosto abraçara o encosto de sua poltrona provavelmente em busca de uma posição mais confortável e com isso seu braço ficou a poucos centímetros do meu joelho, que o apoiara também no encosto de sua poltrona. Se adormecesse naquela posição, certamente seu braço escorregaria e acabaria apoiado no meu joelho. Achei conveniente mover o joelho para baixo e logo depois o braço da dona do belo rosto começou a escorregar até que ela o fez subir novamente. A situação se repetiu algumas vezes e percebi que se ela colocasse essa mão por dentro de uma espécie de fronha que envolvia a parte superior das poltronas onde os passageiros apoiavam a cabeça, o “problema” estava resolvido.
Mas como fazê-la tentar era outro problema. Tomar sua mão e colocá-la no local, nem pensar. Como era provável que ainda estivesse acordada tive a idéia de bater com meus dedos por entre os dedos que mantinha sobre o encosto e assim chamar sua atenção. A tática deu tão certo que depois do terceiro “batuque”, o belo rosto surgiu junto ao meu joelho perguntando se estaria me incomodando e respondi que de maneira nenhuma. Apresentei-lhe minha sugestão e ela agradeceu, sem demonstrar entusiasmo. Acho que como também não estava a fim de dormir optou por puxar conversa, me salvando de fazê-lo e dizer alguma bobagem.
Até a nova parada em Registro, divisa dos estados de São Paulo e Paraná eu já sabia além do seu nome, que morava em Criciúma e para lá voltaria depois de passar mais alguns dias em Florianópolis. Sabia também que esta fora a sua primeira estada no Rio e que achara a cidade maravilhosa. O mais engraçado é que para conversarmos éramos obrigados a curvar o corpo, eu para frente e ela, para trás e assim ficávamos até que a coluna de um ou outro reclamasse primeiro.
E foi a partir da aproximação com a dona do belo rosto que confirmei minhas suspeitas iniciais sobre a senhora, minha companheira de viagem e a incluí definitivamente na categoria dos “maus companheiros de viagem” em companhia do tal “serial killer”. Isto porque a dita senhora, ao perceber minha aproximação com a dona do belo rosto, além de acender peremptoriamente aquela luzinha irritante não teve um gesto de grandeza, naquele momento importante, de propor uma troca de lugares, que não lhe traria nenhum prejuízo. Se assim tivesse procedido não teria somente minha eterna gratidão como a estaria citando seu nome nestas minhas lembranças. Como não o fez só posso intuir que sua pobre alma percorreu sua derradeira viagem totalmente na escuridão, sem uma mísera luzinha a iluminar seu caminho...
Na parada de Registro pude, enfim, aprovar com louvor o “conjunto da obra” além de aferir outros detalhes do “acabamento” da dona do belo rosto. E ver de pertinho seu nariz arrebitado, perfeito! Estavam de parabéns o Criador, pelo arranjo e seus pais, pela concepção. Essa também foi a única conversa que mantivemos durante a viagem em condições normais, sem contorcionismos. Foi nesse mesmo local que sugeri à dona do belo rosto que trilhasse caminhos onde a beleza se constituía como predicado fundamental e ela me revelou, bem baixinho, que tinha sido a Miss Criciúma e concorrido à Miss Santa Catarina, de alguns concursos atrás.
- Mas não ganhei – ela disse, sem demonstrar tristeza ou mágoa.
- Ainda bem – respondi-lhe.
- Como assim, ainda bem? – indagou.
- Pois se tivesse ganhado certamente eu não a teria conhecido em uma viagem de ônibus – expliquei e ela teve que concordar comigo.

Seguimos viagem e ainda conversamos um pouco, naquela posição desconfortável que nossos lugares obrigavam. Não consegui pregar o olho em momento algum. Horas e muitos quilômetros adiante, com o dia nascendo o ônibus fez nova parada e desta vez em Garuva. Desci sem a companhia da dona do belo rosto, que dormia. O café da manhã foi horrível como também foi horrível aceitar que na próxima parada eu desembarcaria e certamente nunca mais a veria de novo.
Blumenau Beira Rio - foto Flavio
O ônibus chegou à Itajaí muito mais rápido do que gostaria e logo que deixou a estrada, um dos motoristas abriu a porta da cabine para informar que a parada seria de apenas dez minutos. Com isso a dona do belo rosto acordou, aproveitamos para trocar endereços, telefones, nos despedimos e quando desembarquei já não lembrava deles.
Parado na calçada da rodoviária de Itajaí vi o ônibus manobrar, se por novamente à caminho e logo desaparecer. Lembro que naquele momento já não sabia mais se seguia para Blumenau, Criciúma, Florianópolis ou simplesmente voltava para o Rio. Sentia-me mais idiota do que o Forrest Gump, personagem vivido por Tom Hanks, para dar ao momento uma dimensão atualizada.

Acabei seguindo para Blumenau (foto) e quando lá cheguei queria uma cama e dormir tão profundamente para que meus neurônios já enlouquecidos desligassem, pois tinha medo que fundissem.
Nos dias que se seguiram os ares de Blumenau me trouxeram de novo à vida e a única coisa que consegui concluir que os deuses jogaram muito pesado comigo, quase uma covardia. O tempo passou rápido demais e regressamos para o Rio, o primo e eu. Lembro que embarcava nos ônibus desconfiado, mas desta feita tudo transcorreu sem qualquer novidade a bordo.
Quando tudo parecia se acomodar chegou lá em casa uma correspondência de Criciúma e nem preciso dizer quem remetia. Lembro que minha surpresa foi tanta que passei um bom tempo para abri-la e outro tanto para responder, já que para ser bem visto nessa época era quase obrigatório ter uma letra bonita e ser capaz de “produzir” um texto com, no mínimo, duas ou três páginas.
Hoje em dia, admito, tudo ficou mais fácil. O “carteiro” demora apenas o tempo de um click. A linguagem concisa não obriga mais do que um “e ai, bleza? axei vc. maneira. to na parada. valeu!”. E tudo está dito!
Depois de algumas cartas combinamos que iria até Criciúma durante um feriado longo. Pedi o carro emprestado aos meus pais e a condição que impuseram é que somente liberariam se levasse junto algum amigo. Disseram que era melhor ter companhia em uma viagem tão longa, mas hoje percebo que o temor era que eu ficasse por lá. No fundo, foi até bom não ter ido sozinho. Sabe-se lá o que os deuses poderiam aprontar novamente?
Convenci o amigo mais fiel e no dia marcado, partimos. Nossa intenção era ir direto à Criciúma, mas ninguém passa direto pela entrada de Blumenau sem dar uma chegadinha à cidade. Era fim da tarde e o meu amigo ficou tão encantando com o cenário que na mesma hora propôs que eu fosse sozinho à Criciúma.
Sem acordo, na manhã do dia seguinte deixamos o Hotel Glória e à tarde chegamos ao nosso destino. Ocorre que chegar à Criciúma não era como chegar à Blumenau, dadas as características de cada cidade. Instalamo-nos em um hotel e dali seguimos para encontrar a dona do belo rosto, que nos aguardava.
À noite, no hotel, meu amigo comentou que não havia na cidade nada e ninguém mais bonita que a dona do belo rosto e como ela já tinha companhia, retornaria no dia seguinte para Blumenau.
Fiquei em Criciúma por mais dois dias e a dona do belo rosto me mostrou, nesse curto espaço de tempo que seu encanto não residia somente na “forma”, mas também no “conteúdo”. Inteligente, não demorou perceber que um capricho do destino cruzara nossos caminhos e somente nos restava descruzá-los.
Deixei Criciúma no começo de uma noite fria e chuvosa. Tinha tanto receio de mudar de idéia que dirigi um bom tempo sem olhar os retrovisores. Em Blumenau, reencontrei o amigo e no dia seguinte, antes de partirmos de volta para o Rio assistimos uma exibição da equipe do Euclides Pinheiro, que na Alameda fazia os carros fazia os carros rodarem apenas sobre duas rodas apenas.
Naquele momento eu sabia que demoraria bastante para novamente andar com confiança sobre minhas duas pernas.

Flavio Monteiro de Mattos
Arquivo: Flavio Monteiro de Mattos /Adalberto Day

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

- A Loja Maçônica de 1870 em Blumenau

A LOJA MAÇÔNICA “ZUR FRIEDENSPALME”
K.PROBER
(M.V.St. “ Concordia et Humanitas”)
Pouca gente sabe que, em 1870, quando Blumenau era ainda uma pequena povoação, foi aí fundada uma loja maçônica e que o seu fundador foi o Dr. Blumenau.
A imagem (AHIJFS) retrata o atual local entre a rua XV de Novembro e a rua Ceará. No entremeio deste espaço está o atual prédio da Celesc, Depois, antes do campo do Palmeiras, vinha a ferraria d Kielwagen e, logo após o campo do Brasil/Palmeiras/BEC. Nos fundos pode-se ver os matos que vão desde o Tabajara até a secção sul do Morro do Aipim.

Tentaremos apresentar, aos nossos leitores, alguns dados históricos sobre essa fundação e, assim, ventilar um capítulo da história blumenauense que, lamentavelmente, ficou esquecido nas comemorações do centenário de 1950.
No “Livro do centenário de Blumenau” foi, também, esquecido o fato do nascimento, aqui, de um filho do Dr. Blumenau – Otto G.H. Blumenau, que veio à luz em 3 de março de 1874 e que morreu pouco depois e foi sepultado no nosso cemitério evangélico e cujo túmulo está completamente esquecido.
O dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, nascido a 26 de dezembro de 1819 em Hasselfeld, no Harz, quando chegara em Santa Catarina, em 1847, onde ele, já nos anos próximos , associado a Fernando Hackradt, montou um engenho de serrar, na barra do Velha, já pertencia a maçonaria, inscrito na célebre loja “APSALON ZU DEN 3 NESSELN”, de Hamburgo.

O dr. Blumenau mesmo deve ter fundado em 1870 a loja “ZUR FRIEDENSLAME”, de Blumenau, podendo-se estabelecer a data da sua fundação em 24 de junho de 1870, embora o Calendário Maçônico Alemão consigne a data de 24 de junho de 1885.
Parece-me que esse ano de 1870 é, realmente, o da fundação, porque, primeiramente o dr. Blumenau não poderia ter fundado essa loja após sua volta definitiva à Alemanha e depois porque foi encontrado, entre os papeis do irmão Stutzer um recibo referente a contribuições no montante de 16$000, datado de 31 de dezembro de 1883, de onde se infere, indubitavelmente, que em meados de 1883 já a loja estava em atividade.
Em todo caso, sabemos com certeza que, em 1883, quando da instalação do município, a “FRIEDENSPALME” tinha a seguinte direção: Mestre, dr. Hermann Blumenau; 1º e 2º vigilantes: Wilhelm Scheeffer e Friederich van Ockel e secretário: F. Bockelmann. E os irmãos: Luiz Altemburg sênior, Gustavo Salinger e Pedro Feddersen.
Pouco depois da partida do dr. Blumenau, que seguiu a família que já se transferira em 1882, foi feita uma nova eleição, em 1886, sendo eleita a seguinte direção: Mestre: Wilhelm Scheeffer; 1º e 2º vigilantes, Friederich v. Ockel e Luiz Altemburg sênior; secretário, Gustavo Salinger e tesoureiro Abraham Meliola. Outros irmãos: F. Bockkermann, Franz Lungershausen, Levy Blumberg.
Sobre as atividades da loja, muito pouco se conhece, pois, naquele tempo, os trabalhos eram sigilosos, embora isso não fosse usual no Brasil, pois a maçonaria nada tem que esconder, e que hoje é até tido como uma falha e um entrave na difusão do pensamento maçônico.
Posso, entretanto, selecionar alguns dados interessantes: A loja funcionava numa antiga casa de colono, que ainda hoje existe, e é a cada da rua Itajaí nº 516, depois adaptada a um asilo de velhos e que ainda hoje serve de moradia. A contribuição mensal do irmão era de $800 e oficiava-se de acordo com o ritual de Schroeder.
Plaquete mandada gravar e fundir na Alemanha, pelos “irmãos” da FRIEDENSPALME, comemorativa da morte do dr. Blumenau, seu fundador. Vê-se, na lapela, o distintivo da loja blumenauense, também cunhado na Alemanha.
A autoria da plaquete é de Max Von Kawaczynski. A seguinte inscrição: “Herm. Bruno Otto Blumenau D. Phil 26-12-1819 – 31 Okt. 1899, datas do nascimento e morte do fundador de Blumenau”.
Apesar do grande Oriente do Brasil a isso ter direito, a loja a ele não foi filiado, e sim á Grande Loja de Hamburgo que fornecia também os necessários certificados.
Destes, conhecemos um único exemplar, passado em 13 de março de 1886 ao irmão Otto Stutzer, já pelo mestre W. Scheeffer e que tem o número 1066.
Otto Stutzer, nascido a 13 de fevereiro de 1836 em Seesen, no Harz, era filho de um pastor evangélico e veio para o Brasil em 10 de agosto de 1856; trabalhou alguns anos na serraria do dr. Blumenau e já em 1870 exercia as funções de juiz de paz da colônia Blumenau. De 1875 a 1881 trabalhou na construção da estrada para Curitibanos e em 1882 foi eleito vereador. Foi superintendente municipal de 1895 a 1898 e faleceu a 28 de fevereiro de 1927, na idade de 91 anos.

Também o pastor Oswaldo Hasse era irmão da “ Friedenspalme”. O dr. Frederico Zimmermann possui o único exemplar existente do distintivo da loja, cunhado na Alemanha e também uma das pouco conhecidas plaquetes que os irmãos da “ Friedenspalme”, por ocasião do falecimento do irmão Blumenau, a 31 de outubro de 1899, mandaram fundir em bronze e que foi gravado por Max v. Kawaczynski.
Pouco depois, por volta da entrada do século, a loja cujo mentor fora, até a sua morte, o dr, Blumenau, paralisou-se, embora figure até o ano de 1901 nos Calendários Maçons.
Esperamos que os irmãos da “FRATERNIDADE BLUMENAUENSE”, especialmente e os da “JUSTIÇA E TRABALHO” orientem dignamente a herança do fundador de Blumenau.
Revista Blumenau em Cadernos – TOMO IV - Fevereiro de 1961 – nº 2
Fundada em novembro de 1957 por José Ferreira da Silva
Arquivo : Sávio Abi-Zaid/Adalberto Day

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

- Dr. Blumenau e os Hering

HISTÓRIA ROMANCEADA DE BLUMENAU E DO SEU FUNDADOR
Nemésio Heusi

A situação calamitosa dos vienenses, em 1875, atingiu Hartha, prejudicando comerciantes e industriais, direta e indiretamente.
A firma dos “Irmãos Hering”, em Hartha, Saxônia, lutou muito para que a sua casa de varejo e atacado (“Engros & Detail”) não fosse levada à ruína.
Firmas menores faliram. E, por não poderem cumprir os seus compromissos, arrastaram muitas outras maiores à perda total.


Foi exatamente nesta época difícil que Weise chegou a Hartha, e, em conversa com uns e outros, acabou por encontrar Hermann Hering, que se interessou pela conversa de Weise sobre a Colônia do Dr. Blumenau e indagou, curioso:

- Mas, Sr. Weise, e o clima da Colônia?
- Clima tropical. Quente no verão, muito frio no inverno, bastante chuvoso e por vezes úmido. Um rio maravilhoso ligando a Colônia ao Oceano Atlântico. Florestas com muita madeira, riachos e ribeirões ricos em quedas d’água. Terra fértil, enfim, um lugar ideal para se viver, trabalhar e progredir.
- Sr. Hering, os senhores são descendentes de tecelões, não é?
- Desde os nossos antepassados até nós, sempre trabalhamos como tecelões. Mas, Sr. Weise, o Sr. Acha possível, no interior do Brasil. Como disse há pouco, em plena mata virgem como é esta sua Colônia, se implantar uma indústria Têxtil?
No Brasil já existe indústria têxtil nos grandes centros, como na Corte e em São Paulo.
- Bem, Sr. Weise, em principio é um caso a ser estudado. Tudo vai depender de uma reunião em família, para que possamos resolver.
Feita essa reunião em família, ficou resolvido que Hermann Hering, viajaria para o Brasil, a fim de estudar as possibilidades da Colônia do Dr. Blumenau.
Deixando a sua família com o seu irmão Bruno, seu ex-sócio, embarcou para o Brasil, em 1878.
O Dr. Blumenau (Foto) recebeu Hermann Hering com muita satisfação e tudo fez para que ele começasse a sua vida na Colônia como tecelão.
- D. Blumenau, não será fácil tecer sem tear e sem matéria prima!
- Eu sei muito bem, Sr. Hermann, mas vamos procurar onde encontrar esses elementos básicos. O que desejo é que o Sr. comece já a pensar em implantar, embora modestamente, uma indústria de tecelagem
- E não se desvie deste princípio, que é de suma importância para a nossa Colônia.
- Muito bem Dr. Blumenau, eu preciso, porém, sobreviver até que encontremos os nossos teares e a matéria prima, que são os fios. Até lá, para não se consumirem as minhas economias, vou trabalhar como guarda-livros para alguns comerciantes.
- Muito bem, Sr. Hering. Eu vou me corresponder com várias colônias, até encontrar o que necessitamos para tecer. Estamos entendidos, Sr. Hermann?
- Se encontrar tear e fios, já é um bom começo, Dr. Blumenau!
- Vou acabar encontrando, Sr. Hermann!
- O Sr., Dr. Blumenau, é persistente, heim?
- Foi assim teimando, querendo, lutando, que eu consegui realizar o que realizei até aqui em nossa Colônia.
- O que estou vendo e sentindo já é, Dr. Blumenau, uma esplêndida realidade: a sua magnífica Colônia!
- Quer dizer que não está pensando em voltar para a Saxônia, Sr. Hering?
- Não, Dr. Blumenau. Espero aqui ficar definitivamente!
- Já é um bom começo, Sr. Hering.
Mas as coisas demoraram e Hermann Hering teve que expandir os seus negócios, já que só de escritas não dava para conservar as suas economias. Acabou comprando um botequim e foi lá que o Dr. Blumenau o encontrou, mostrando-lhe radiante uma carta que recebera da Colônia Dona Francisca.
- Veja, Sr. Hermann – disse-lhe Blumenau, contente com a carta na mão - leia, Sr. Hering. É a oferta de um tear e uma caixa de fios!
Curioso, Hermann Hering leu a carta enquanto o Dr. Blumenau nervoso, o aconselhava:
- Vá, vá logo, Sr. Hering, a Joinville. Eu financio a viagem e até mesmo a compra.
- Calma Dr. Blumenau. Farei a viagem e vou primeiro examinar o que lhe oferecem. Irei o mais breve possível.
Alguns dias depois, voltava Hermann Hering de Joinville.
- Pronto, Dr. Blumenau, aqui estão o tear e a caixa de fios!
- Ótimo! Ótimo, Sr. Hering!
- Mas, Dr. Blumenau, um tear circular é bem diferente de um simples tear de tecelagem. Há muito ainda a se fazer para chegarmos até lá, Dr. Blumenau.
- Mas, é o começo, Sr. Hering, e como todo começo é difícil.
- É claro, Dr. Blumenau, que não vim para a sua Colônia a fim de ficar atrás deste balcão e de braços cruzados assistir ao esgotamento de minhas economias, pouco a pouco, sem reposições. Agora, porém, surgem novos horizontes, novos rumos.
O fato é que aquele tear e aquela caixa de fios, trazidas por Hermann Hering de Joinville, despertaram nele o sangue de seus antepassados, os quais foram, desde o ano de 1688, sem exceções, tecelões e mestres de tecelagem.

Renascia no ânimo do Dr. Blumenau a vontade de transformar Hermann Hering no primeiro tecelão de sua Colônia, já que a sua primeira tentativa, alguns anos atrás, fracassara completamente. Agora revivia no colonizador a forte esperança de ver implantada em sua nascente Colônia, a indústria têxtil, tão necessária ao desenvolvimento industrial diversificado do seu empreendimento.
O Dr. Blumenau, melhor do que ninguém sabia que em Hermann Hering estava bem viva a velha tradição de seus ancestrais. Todos, sem distinção, foram tecelões ou mestres de tecelagem e malharia, que agora acordava para novos rumos realizadores em terras brasileiras.

E foi assim que, auxiliado por um colono um tanto curioso e experimentado na construção de máquinas, conseguiu, Hermann Hering, montar o tear circular e realizar, sob grande expectativa, as primeiras experiências, com as quais tanto sonhara o colonizador que assistia nervoso, todo o trabalho.
- Como é, Hermann, vai funcionar?
- Tenho muita esperança, Dr. Blumenau!
Sob sorrisos e muita alegria, o tear funcionou satisfatoriamente!
- Pronto, Dr. Blumenau, aí está o começo de tudo. Podemos tomar uma cerveja para comemorar - disse Hermann Hering, exultando de alegria e satisfação.
- Agora, Sr. Hermann cabe multiplicar este tear por muitos e muitos outros.
- Sem dúvida, Dr. Blumenau, é o que faremos se a Providência nos ajudar!
Tudo começou a caminhar bem enquanto surgiu a possibilidade de se produzir artigos melhores, Hermann Hering escreveu à esposa, pedindo-lhe para mandar Paul e Elise, seus filhos mais velhos para ajudá-lo.

Triste, a mãe relutava quanto ao embarque dos filhos. Mas...”este era o sinal de boas notícias”, ponderava Bruno Hering, procurando convencer a sua cunhada em consentir no embarque...”Se Hermann, Minna, está pedindo para mandar seus dois filhos mais velhos, é porque ele confia no seu futuro, lá no Brasil, minha querida cunhada”.
Depois de muito argumentar, Bruno conseguiu convencer finalmente a sua cunhada.
- Nota bem o que vou te dizer Minna. Daqui a pouco, somos todos nós que estaremos sendo chamados por Hermann!

As saudades do marido eram muitas. E as proféticas e otimistas palavras de seu bom cunhado, reanimaram-na e ela, pesarosa mais feliz, consentiu em que seus filhos embarcassem.
- Eu sei Bruno, que se Hermann está pedindo para mandar nossos filhos, é porque confia no seu futuro lá no Brasil! Mas....não sei se eles, tão jovens, vão se adaptar a esta completa mudança de vida e de clima.
- Veja bem, minha cunhada - Dizia-lhe Bruno, animando-a - Paul está com 18 anos e Elise com 14. Ambos com muita saúde. Portanto se adaptarão logo. Hermann não se adaptou? Então o mesmo acontecerá com eles e com maior facilidade.
- Dizem Bruno, que o custo de vida lá no Brasil é muito alto e o trabalho é muito difícil e penoso.
- Olha Minna, vou te confessar uma coisa: Eu, até hoje, não pensei em casar por causa dessas ladainhas das mulheres nos ouvidos de seus maridos. E isso desde os tempos de mamãe e papai: “Meu Deus, como tudo está tão caro! Tudo sobe cada vez mais! Não sei como se pode viver com este custo de vida subindo, subindo, sempre e cada vez mais!”. Por ouvir sempre esta mesma ladainha de mamãe, acabei me complexando e tendo pavor do casamento, Minna! E agora você volta a me assustar. Eu acabo mesmo sem nunca me casar!
- É porque você, Bruno, não lida com comidas nem roupas para as crianças. Só vives com os teus livros na mão, lendo o teu Goethe e recitando Fausto. Esta beleza que tu sabes quase todo de cor!
- Obrigado, minha querida. Mas, confessa que está com pena de mandar os teus filhos. Eu bem posso compreender a tua relutância.
- É, sim - disse ela quase chorando. - Já estou morrendo de saudades de Hermann e agora, quando eles partirem, como vou agüentar tamanha saudade, Bruno?
- Minna, analisemos o caso por outro ângulo, sem sentimentalismo, mas sim, de maneira prática, real e verdadeira:
Se Hermann chamou os seus dois filhos mais velhos, é porque as coisas, para ele, lá no Brasil, começam a melhorar.
Hermann sempre foi muito prudente, responsável e, sobretudo humano. Não iria se aventurar a chamar seus filhos se não tivesse certeza de lhes dar vida igual ou melhor do que a que eles têm aqui.
Se negares, Minna, atender ao seu pedido, provas que não confias em teu marido!
- Não é nada disto, Bruno! Eu tenho absoluta confiança em Hermann, mas como mãe vou sentir muito a ausência deles, como já o sinto com relação a Hermann.
Bruno insistia e argumentava:
- Tenho absoluta certeza Minna, que logo, logo mesmo, quase em seguida a partida de teus filhos, iremos também, nós, minha queria!
Ela sorriu, Bruno, comovido, viu então que acabara definitivamente de convencê-la. Notou em seus olhos tristes duas lágrimas que desciam pelo rosto. Bruno, ligeiro, tirou o seu lenço enxugando-as. E abraçando-a, disse-lhe, carinhosamente:
- Chora minha querida; chora à vontade - Desabafa e alivia o teu coração de mãe extraordinária. Minna! Isto te fará bem!
Cia.Hering nos primórdios de 1890
Alguns dias depois, Paul e Elise embarcaram rumo ao Brasil.
Com a chegada dos filhos, Hermann Hering criou alma nova. Tão logo chegaram à Colônia, levou-os para apresentá-los ao Dr. Blumenau.
- Aqui estão, Dr. Blumenau, meus queridos filhos, Elise e Paul!
- Muito prazer em conhecê-los, jovens fortes e bonitos. Então vieram para ajudar o papai, não é?
- É, sim senhor. Viemos para trabalhar com o papai - apressou-se em responder Paul.
Elise, curiosa e pronta para mostrar os seus dotes, disse:
- Eu vou costurar as camisetas que o papai está fabricando!
- Então já é costureira? Muito bem, jovem. Além de bonita, é prendada. Que idade tem Elise?
- Fiz 14 nos no dia 1º de julho passado, Dr. Blumenau. Mas eu já sei costurar desde os 12 anos. Aprendi com mamãe não só costurar, como também bordar.
- E o jovem, o que estudava?
- Eu estava na escola de artífices.
- Ótimo, então será um excelente tecelão como todos os seus antepassados, não é, Paul?
- É, sim senhor. Dr. Blumenau. Eu quero ser o que o meu pai vai ser aqui na sua Colônia.
Hermann Hering, silencioso e feliz, assistia ao diálogo animado de seus filhos com o Dr. Blumenau.
- Bem, Sr. Hermann Hering, já tem o Sr. Braços hábeis para o trabalho.
- Hábeis e baratos. Por ora, trabalharão apenas pela comida. E, sorrindo, disse para Paul: ou será que vão exigir salários?
Paul olhou para o pai e com um sorriso brejeiro, lhe disse:
- Por enquanto, não! Mas, quando os negócios prosperarem, quero um bom salário, pai!
Elise, ligeira entrou na conversa e olhando carinhosamente par ao pai, falou:
- Pois eu vou trabalhar toda a vida sempre de graça para o papai! Hermann Hering abraçou seus filhos, feliz e carinhosamente.
- Muito bem, Hermann, meus parabéns! E para comemorar este feliz encontro, hoje mesmo estão convidados para o jantar; lá em minha casa. Aceitam?
- Eu aceito! - disse Elise, rapidamente.
- Muito obrigado, Dr. Blumenau. É um prazer que aceitamos o seu gentil convite.
- E sua senhora, como está?
- Muito bem! Saudosa e preocupada com o alto custo de vida aqui no Brasil!
- Cus...to de vi...da, alto? Na Alemanha a vida é muitas vezes mais cara do que aqui, Hermann!
- Eu sei Dr. Blumenau. Mas, sabe como são as mulheres e o fantasma do custo de vida, que as persegue por toda a vida.
Não é bem, Dr. Blumenau, o custo de vida. É mais o medo da longa travessia que a preocupa.
- Tem toda razão, Hermann. Aliás, sejamos justos. Pois, para uma senhora com filhos menores, é, sem dúvida, algo assustador a longa travessia oceânica de muitos e muitos dias.
Algum tempo depois da chegada dos filhos, Hermann Hering, auxiliado por eles nos trabalhos caseiros, sentiu-se encorajado e resolveu chamar toda a família.
Em Hartha, a vida corria normal. Sempre com os olhos atentos ao carteiro do bairro, Minna, disfarçadamente, na hora da sua passagem corria para a janela à espera de que ele batesse à porta. E ficava triste quando ele passava direto, dando-lhe apenas um aceno.
Um dia, porém, de longe, o carteiro lhe deu um aceno mais alegre e gesticulava feliz, com uma carta na mão.
Ela levou a mão ao peito para conter as batidas do seu coração que parecia querer disparar e sorrindo e chorando, abriu a porta para receber o carteiro mais simpático deste mundo!
- Dona Minna! Dona Minna! - Dizia o carteiro quase gritando de tanta satisfação - é do Brasil! Do Sr. Hermann, Dona Minna!
- Obrigado! Muito obrigado, meu jovem!
Com a chegada da carta, um novo raio de sol e de esperança iluminou o lar dos Hering, na longínqua Hertha.
*****************************
Blumenau em Cadernos – TOMO XXIII – Nº 3 Marçode 1982
Arquivo – AHJFS/ Sávio Abi-Zaid/Adalberto Day

Para saber mais acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2010/05/ciahering-130-anos-de-historia.html

http://adalbertoday.blogspot.com/2011/12/museu-hering-e-malha.html

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

- Dia do publicitário

Apresentamos hoje no dia do publicitário (1º de fevereiro) um texto enviado por José Geraldo Reis Pfau – relatando sua participação e seus amigos no curso de Publicidade da FURB , que completou 20 anos em 2011.

O primeiro curso universitário de propaganda de Santa Catarina teve início dentro da agência Scriba de Blumenau no início de 1990. 
Por José Geraldo Reis Pfau
Deve ter sido no inicio do ano de 1990, talvez no dia do publicitário, quando a equipe criação da SCRIBA Comunicação elaborou um anuncio no Santa que solicitava o curso de Propaganda e Publicidade para nossos vizinhos a FURB (Fundação Universidade Regional de Blumenau) implantar. Havia um clima de lançamento de novos cursos e a criação foi feita em cima de texto com pichação de muro, no anuncio publicado no nosso principal jornal. O recado deve ter atingido em cheio os professores da área de ciências sociais. Dia 31 de julho a comissão de estudos que presidimos composta dos professores Antonio Moacir Pereira, Sr. Aniceto Mund, Prof. Bráulio Maria Schloegel, Sr. Carlos Alberto Ross, Sr. Carlos Tonet, Sr. Júlio Cesar Vieira e Prof. José Endoença Martins encaminharam ao Magnífico Reitor Professor José Tafner da Fundação Universidade Regional de Blumenau o estudo de viabilização de implantação do Curso de Comunicação Social.
Formandos dia 23 de Setembro de 1995, formava-se pela FURB a primeira turma do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda.
http://noirstudio.com.br/blognoir/wp-content/uploads/2011/08/primeira-turma.jpg
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Obs; "consta essa foto, nos arquivos, como sendo da primeira turma, mas obtivemos informações de que, na verdade, é da segunda!"
Colaboração: Kiko Koch, que é o terceiro da esquerda para a direita, ali na foto e Bethania Guenther
Spry Video Studio
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A primeira turma seria essa
Acervo Fabrícia Durieux Zucco
Este estudo desenvolvido estava fundamentado em diversos aspectos importantes. A SCRIBA fez, para contribuir com os estudos, uma pesquisa de mercado com clientes anunciantes e profissionais das áreas afins no mercado. Nos baseamos num aspecto de pioneirismo dos blumenauenses na área como rádios, TV, Jornais e também de serviços e produtos publicitários. Mostramos o mercado de trabalho que em Blumenau permanecia desequilibrado com a grande maioria de oportunidades com atividades nos clientes, todos anunciantes e em crescimento, umas poucas agencias de propaganda e os veículos de comunicação. Mostramos das condições físicas, técnicas e as experiências do mercado áudio visual. Listamos sugestões para o corpo docente, concluindo com uma estrutura e conclusões.
Com nossa proposta aprovada na FURB, encaminhamos em setembro de 1990 o projeto de autorização em comunicação social habilitação em publicidade e propaganda. O presidente daquela comissão foi Prof. Diderot Carli, composta do Prof. Bernard Hugo, Prof. Orlando Ferreira de Melo, Sr. José Geraldo Reis Pfau e Sra. Viviane Moreira. Novamente foi a SCRIBA que auxiliou na pesquisa das ementas dos cursos existentes no Brasil para informação e criação da nossa proposta. Eram duas as matérias e assuntos que adicionamos as demais comuns neste tipo de curso, uma de uma matéria que tratasse da comunicação regional, que apenas uma escola de ensino superior em Minas Gerais havia incluído e a segunda a matéria que trataria de computação gráfica ainda inexistente e em implantação na área de propaganda nacional. Esse projeto que tivemos o orgulho de participar teve aprovação no Ministério de Educação e promoveu e promoverá para sempre mudanças no nosso mercado publicitário.

Como curiosidade o curso de Comunicação Social permitia você escolher o encaminhamento da proposta para Publicidade e Propaganda, ou Jornalismo, ou cinema ou.... (?) naquela época. Pela pesquisa o jornalismo aparecia junto com o publicidade e propaganda. Nossa sugestão foi também jornalismo, mas numa situação de boa vizinhança ficou o jornalismo para Itajaí.
Acesse:
Texto José Geraldo Reis Pfau/publicitário em Blumenau

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