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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

- O Brasão de Blumenau

O Escudo d’Armas do Munícipio de Blumenau

Em dezembro de 1936, a Câmara Municipal de Blumenau aprovou e mandou adotar um brasão para o Município de Blumenau.
Que é um brasão?
Sem pretender entrar em pormenores que alongariam de muito este artigo, diremos que os brasões simbólicos se originam dos escudos dos soldados das eras primitivas, que costumavam neles desenhar figuras que os distinguissem.
Passaram, depois, a fazer parte do patrimônio das famílias nobres, dos feudos, dos bispos, das vilas, cidades e países.
No Velho Mundo, rara a vila ou cidade de alguma importância que não tenha seu brasão.
No Brasil, também, muitos municípios os possuem, alguns bem vistosos e expressivos.
A heráldica municipal, entretanto, deveria ser cuidada com mais interesse e carinho, pois os escudos d”armas dos municípios têm uma alta finalidade educativa”. Longe de parecerem frutos de regionalismo condenável, eles condensam lições de historia do desenvolvimento do município a que se referem.
Basta saber decifrá-los.Tendo, por exemplo, diante de nós, o escudo de armas de Blumenau, poderemos conhecer, em suas mais importantes passagens, a historia da fundação e do progresso dessa importante parcela da terra barriga-verde.
Como?
É o que diremos. Antes, porém, esclareceremos que o escudo de Blumenau foi ideado pelo ilustre historiador conterrâneo, Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay (¹), membro proeminente da Academia Brasileira de Letras, do instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor do Museu Paulista, atual diretor da Biblioteca do Itamarati, escritor fecundo e grande amigo de Blumenau.

A pedido do autor destas linhas, o Dr. Taunay prontificou-se a organizar o escudo de armas, presidindo, também, os trabalhos do artista que o concretizou numa magnífica aquarela, que figura no gabinete do Prefeito Municipal.
O nosso co-municipe Curt Hering, antigo e benemérito prefeito de Blumenau, auxiliou com parte da quantia necessária ao pagamento dos desenhos e fotografias necessários, sendo a outra parte paga pela Prefeitura.
As várias figuras representativas do escudo foram combinadas entre o Dr. Taunay e o autor deste artigo, então presidente da Câmara Municipal.

O Dr. Taunay, que, além dos escudos de Joinville, S. Francisco e Laguna em Santa Catarina, ideou muitos outros para municipalidades brasileiras, foi felicíssimo com o de Blumenau. É, no gênero, um trabalho que se pode dizer perfeito (²). Resume a história de Blumenauense em seus lances marcantes, numa magnífica homenagem á memória dos pioneiros do nosso engrandecimento.
As armas de Blumenau constam de um escudo redondo português, encimado pela coroa mural, privativa das municipalidades, esquartelada em seis, com o escudete sobreposto a 3 e 4.
O escudo é dividido em seis quartéis, também com um escudete sobreposto ao todo.
Nesse escudete, que constitui propriamente as “armas falantes”, vêem-se um rio e um campo de flores à sua margem, sob o Cruzeiro do Sul.
O rio é o Itajaí-açu, o maior do litoral catarinense e que, nascendo nos contrafortes da Serra Geral, vai desaguar no Oceano Atlântico, fecundando uma zona riquíssima, sem dúvida a mais produtiva e progressista de Santa Catarina.
A margem direita desse importante curso d’água ergue-se Blumenau, que quer dizer “campo de flores”, célula magnífica de trabalho, de atividade febril em prol do engrandecimento do Brasil, representado pelo Cruzeiro do Sul, a cuja claridade inspiradora os blumenauenses constroem a própria grandeza para a grandeza da Pátria.
É muito feliz a combinação. Quanta lição de civismo se poderá daí deduzir!
Blumenau é, de fato, um “campo de flores” com as suas construções modernas e alegres, os seus jardins esplendentes na beleza e variedade das plantas e, sobretudo, no bom gosto dos seus habitantes que amam sua terra e, instintivamente, colaboram com os poderes públicos no cuidado que dispensam á cidade, a espelhar-se, lindas, nas azuladas águas do Itajaí.
Nos quartéis superiores e inferiores estão representadas as armas dos Estados alemães que maiores contingentes de imigrantes enviaram para povoar Blumenau.
Assim, no ângulo de destra do chefe em campo de goles, está o leão leopardado de Brunswick, de onde procederam muitos colonos que auxiliaram a fundação e a colonização do município.
Brunswick foi também a terra natal do Dr. Blumenau.

Hermann Blumenau ali nasceu a 26 de dezembro de 1819; ali cursou a escola primária, encaminhando-se sob as vistas do pai, enérgico, profundamente religioso e honesto, para a missão gloriosa de civilizador, que lhe haveria de imortalizar o nome.
Brunswilk lembra o Dr. Blumenau; lembra os sofrimentos, as angustias, o suplicio inenarrável que ele teve de suportar para que o arrojado empreendimento não fracassasse.
A história dos primeiros anos da colônia de Blumenau é um romance amargo de desilusões e de martírios. Só os que conhecem a documentação deixada pó Blumenau, dos primeiros dez anos do seu estabelecimento, poderão fazer uma ideia do que, foi aquele período de atribulações para o animoso doutor em filosofia.
Brunswilk lembra ainda uma plêiade de abnegados e simples agricultores que, ao lado do fundador, serviram-lhe de conforto e de estimulo e, com trabalho, porfiado, foram vencendo o próprio desanimo e a natureza agreste, os perigos das feras e dos índios.
No ângulo de senestra do chefe, em campo de prata, está a águia estendida de preto, bicada, sancada e coroada de ouro, com as asas ligadas do mesmo, tendo à destra um cetro e á senestra um gládio. È a águia da Prússia e do Tirol, de onde vieram muitos imigrantes.
Nos ângulos de ponta, a destra, em campo burelado de ouro e sabre, um trancelim de sinople, da Saxonia, e, á senestra, em campo de prata, um leão de blau, o leão da Baviera.
As armas desses Estados que nos enviaram colonos, com os quais se foi fazendo a grandeza de Blumenau, de Santa Catarina, cercam os quartéis centrais, num dos quais se vêem as armas do Brasil e, no outro, as principais peças das armas o estado, a âncora, a chave e a roda dentada, simbólica de Santa Catarina.
Essa combinação, bem ideada, recorda a fusão teuto-brasileira, pela conjugação das peças heráldicas germânicas; são grupos de prussianos, saxões, bávaros, tiroleses, vurtemburgueses, arrostando os azares de uma longa e perigosa travessia, do Atlântico, em barcos a vela, para virem fundar um núcleo de cultura e progresso nas florestas de Santa Catarina, longe dos centros civilizados, elegendo esse rincão, abençoado com suor e canseiras, para sua segunda pátria, protegidos pela hospitalidade tradicional do povo brasileiro.
Como “tenentes” aos lados do brasão, estão um sábio e um colono, este empunhando um machado. Ao sábio, deram-se as feições do Dr. Hermann Blumenau, segundo uma fotografia da qual se copiou a figura do machadeiro, à senestra.
Esses “tenentes” significam que Blumenau é um município criado e engrandecido por sábios e colonos.

Por sábios como o próprio fundador, que era laureado em Filosofia, naturalista e astrônomo, e, sobretudo, um grande, inteligente e culto colonizador; por sábios como Fritz Muller, universalmente conhecido por “príncipe dos observadores”, como o alcunhou Darwin, e autor de valiosos trabalhos sobre a fauna e flora catarinenses, e de uma das teorias do mimetismo; por sábios como Friedenreich, como Augusto Muller, como dezenas de outros que permanecem na obscuridade, mas cujas obras não foram menos proveitosas á coletividade blumenauense.

Pelos colonos, esses ativos e ordeiros elementos que, de outras terras, nos trouxeram exemplos de tenacidade, de sacrifícios, de patriotismo também; colonos que, deixando a enxada, depois do mourejar diário nas clareiras abertas na mataria bruta, estudavam à claridade de lâmpadas de azeite de peixe, para não se embrutecerem no relaxamento, não esquecerem o que da mãe – pátria haviam trazido, não desesperarem sob o peso enorme do trabalho e da saudade.

E tudo isso, “pro Sancta Catharina et Brasília”, por Santa Catarina e pelo Brasil, como se vê no listel em campo de blau, do escudo.
Sim, foi por Santa Catarina e pelo Brasil que Hermann Blumenau e seus abnegados companheiros arrostaram tanto sofrimento; foi por eles que, em 1865, marcharam garbosos, para os campos do Paraguai; foi por eles que, em 1894, empunharam a bandeira da legalidade, rebelando-se contra a prepotência de governadores descontrolados; foi por eles que fundaram as suas escolas, as suas igrejas, as suas sociedades culturais e recreativas e, finalmente, foi por eles, pela honra e glória de Santa Catarina, que criaram o grande empório industrial e agrícola, em que transformaram todo o vale do Itajaí. Essas indústrias vêm representadas no escudo pela roda dentada de engrenagem de ferro subposta ao listel da divisa.

Por Santa Catarina e pelo Brasil, Blumenau continuará, pelos séculos afora, com o mesmo animo que orientou os seus fundadores, com a mesma fé, a mesma persistência e honestidade que lhe conquistaram o grande nome dos dias presentes e lhe assegurarão a glória dum futuro majestoso, dentro da grandeza da Pátria Brasileira.

1) Encomenda da feitura do Brasão foi procedida pelo prefeito Alberto Stein ao senhor heraldista Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay
2) O desenho original em aquarela foi feito pelo heraldista Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay. Foi emoldurado em vidro e colocado no salão nobre da prefeitura municipal de Blumenau. Seu tamanho era de aproximadamente de 40 cm x 40 cm. Em 1965 Niels Deeke observando a aquarela retirou-a da parede e solicitou a Dona Annemarie Techentin que mandasse datilografar a descrição heráldica do brasão colocando-a em um envelope e o colasse no verso do quadro.
Obs. de ND . o quadro sumiu após Hercílio Deeke deixar Paço municipal.

Livro Centenário de Blumenau – 1850 – 2 de Setembro – 1950
Edição da comissão de festejos
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

5 comentários:

José Meyer disse...

Guten Tag Adalberto.
O fim do ano está se aproximando e desejo aqui enviar meus agradecimentos pela remessa das inúmeras reportagens históricas
sôbre a já famosa cidade de Blumenau. Nao é minha terra natal, mas pelo menos vivi quase 10 anos aí. É muito bacana, atravéz
seu trabalho, ficar sabendo cada vez mais sôbre Blumenau. Aqui meus profundos reconhecimentos. Respeito !!!
Desejo à você, sua família e tb equipe de trabalho, um Natal muito feliz e um Ano Nôvo muito próspero.
Abracos ... José Meyer.
Alemanha

Antunes Severo disse...

Ah, se mais municípios se inspirassem no exemplo de Blumenau!
Seríamos todos mais saudáveis, tranquilos e felizes agindo pró Santa Catarina e o Brasil.
Cumprimentos pela matéria oportuna.
Abraço,
Antunes Severo

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

muita boa esta matéria sobre o escudo de Blumenau.
Desconhecia o fato de que foi ideado pelo historiador Dr. Taunay.
Bom, com esta informação o meu conhecimento sobre a cidade ficou melhor.
Obrigado por enviar estas matérias no decorrer do ano que muito esclareceram sobre os mais variados assuntos em nossa cidade.
Abraço

Santos disse...

Oi Beto. Mais uma historia empolgante, não só dos brasões mas, também do "MENGO'. Muito interessante e, mais ainda, a do Flamengo. Merece ser escrito em maiúscula. Pena que neste campeonato não teve grande destaque, a pesar do Ronaldinho, que, parece, não estava muito inspirado nas competições. Um grande abraço e, se Deus quiser, até amanhã.
E.A.Santos

Anônimo disse...

olá caro adalberto!

ví que você comento sobre ANNEMARIE TECHENTIN. O senhor tem mais informações sobre ela? Há uma escola aqui no Passo Manso com o nome dela.
O que sei, ela é filha de CARLOS TECHENTIN, onde também há uma escola com este nome no mesmo bairro.

Se tiveres mais informações sobre estas duas pessoas, seria interessante um post em seu blog.

Fico no aguardo.

Gionei
gionei_@hotmail.com

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