"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

domingo, 25 de dezembro de 2011

- Inri Cristo



Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos um texto do Jornalista e escritor Carlos Braga Mueller, que nos relata Sobre INRI CRISTO.



ANTIGAMENTE EM BLUMENAU, O RÁDIO ERA ASSIM.

Por Carlos Braga Mueller

A Rádio Clube de Blumenau, que ostentava antigamente um honroso prefixo PR (PRC-4) prepara-se para comemorar seus 80 anos de vida.

Dos meus tempos de PRC-4, me voltam à memória alguns momentos que valem a pena registrar:
O INRI CRISTO COMEÇOU NA RÁDIO CLUBE
Na segunda metade da década de cinquenta eu era locutor de estúdio da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. De "estúdio" eram os locutores que liam as mensagens publicitárias (os reclames) e anunciavam os nomes das músicas que eram rodadas na programação.
O locutor ficava em uma sala forrada com material que evitava eco e à sua frente, em sala separada por um vidro, ficava a técnica de som, como era chamada a aparelhagem onde se conectavam os microfones e os toca discos, os "pratos", que recebiam discos em 78 rotações ou em 33 rpm, os então recém chegados long-plays, que novidade !
Se os 78 de cera quebravam ao cair no chão e tinham agulhas descartáveis, os LPs podiam cair que não estragavam e as agulhas de diamante duravam uma eternidade.

Pois bem. Certo dia um dos nossos operadores de som teve que deixar a rádio, se não me engano para servir o Exército.
Era filho do seu Theiss, um homem boníssimo, conhecido pela cidade inteira, porque vendia bilhetes de loteria, principalmente nas lojas da Rua 15. Ia passando pelas calçadas e na frente de cada loja gritava: Olha a loteria. Vão querer?

O filho do seu Theiss procurou o seu Flávio Rosa, nosso Diretor, e disse que tinha um irmão mais novo, dos seus 15 anos, que podia aprender a ser técnico de som. E veio o jovem aprendiz.
Foi duro ensiná-lo a operar aqueles botões. Quantas e quantas vezes eu anunciava a música e tinha que sair da mesa de locução, pé ante pé, e chegar até a mesa de som para desligar o botão do microfone! Ele simplesmente esquecia-se de cortar o som da cabine de locução.

O jovem me olhava com cara de culpado ... mas fazer o que ? Um dia ele aprenderia. Logo, porém, ele jogou a toalha e foi em busca de outro emprego.
Passaram-se os anos e eis que vejo uma reportagem, não sei se na revista "Manchete" ou no "O Cruzeiro", mostrando a reencarnação do filho de Deus na terra ! E quem estava lá, estampado?
A foto está neste link: http://profetada.com.br/?p=776
O jovem Thais, que havia sido nosso operador de som na PRC-4. Ele se auto intitulava agora INRI CRISTO e, pasmem, tinha até carteira de identidade com esse nome, que fazia questão de mostrar aos que duvidavam da sua identidade divina.
Deixara crescer a barba, falava com os "erres" de pastor evangélico, e se fazia cercar de apóstolos e apóstolas. Todos trajando mantas brancas, como ele.Thais... digo INRI, tinha fincado sua sede em Curitiba.
Ainda hoje INRI CRISTO se intitula o filho de Deus. Os cabelos longos embranqueceram, a coroa que usa é de seda e não tem mais espinhos. Continua com muitos seguidores, mas é bufão quando vai a TV dar entrevistas. Os apresentadores se divertem com ele. Mas como não faz mal a ninguém, INRI CRISTO circula bem entre a moçada do rádio e da TV. Ratinho, até por ser também de Curitiba, é um que dispensa muita atenção ao profeta.
E nós, que o conhecemos adolescente, podemos dizer que um dia tivemos problemas com o Cristo em pessoa!
Aliás, quando INRI lá pelos anos 70 provocou um escândalo em uma igreja do Pará durante uma festa, açoitando os infiéis que "haviam transformado a casa de Deus em um bazar", chamaram a polícia e o delegado logo o soltou. Perguntado por que, o homem da lei foi enfático:
- E se ele for mesmo o filho de Deus?
""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""
História
Eu conheci o INRI CRISTO, quando ainda jovem no bairro da Velha, e ainda se chamava Álvaro Thais. Durante o início dos anos 1970, muitas vezes o encontrei pela Rua XV de Novembro - praças públicas, fazendo suas pregações.

INRI CRISTO nasceu em Indaial,  estado de Santa Catarina, em 22/03/1948. A parteira que testemunhou o nascimento entregou o menino de origem desconhecida a um casal de camponeses alemães católicos, Wilhelm e Magdalena Theiss. INRI CRISTO frequentou a escola Pedro II e  Adolfo Konder, em Blumenau , tão somente até o terceiro ano primário. Deixou de estudar , pois tinha que carregar água para ajudar a mulher que o criara no ofício de lavadeira, a fim de contribuir no sustento da família.
Desde a infância INRI obedece a uma voz forte e poderosa que lhe fala no interior da cabeça; obediente a esta voz abandonou o aconchego do lar aos 13 anos, passando a viver independente da família de criação.
Ainda jovem, trabalhou como verdureiro, entregador de alimentos, padeiro, mascate, garçom vendedor de rifas.

Em 1969, iniciou a vida pública como profeta, apresentando-se como Iuri; falava nas rádios anunciando o porvir e ajudava as pessoas com a solução de seus problemas. Por ser ateu, vivia como profeta de um DEUS desconhecido. Em 1971, começou a falar nas televisões, o que lhe possibilitou conhecer os mais altos escalões sociais. Este período facultou-lhe um minucioso estudo na escola da vida e lhe rendeu o conhecimento puro de ciências humanas, que não se aprende nos livros nem nas academias convencionais, necessário para o cumprimento de sua missão. Em 1976, no caminho da transcendência espiritual, INRI tornou-se vegetariano. Em 1978, saiu do Brasil e peregrinou por diversos países da América Latina. Em setembro de 1979, obediente à mesma voz que o comanda, submeteu-se ao jejum em Santiago do Chile, ocasião em que a voz se revelou como sendo seu PAI, SENHOR e DEUS, o DEUS de Abraão, de Isaac e de Jacó, revelando-lhe, igualmente, sua identidade, ou seja, que era o mesmo Cristo crucificado há quase dois mil anos.

Passou a viver como apátrida, peregrinando por vários países e cidades do mundo, especialmente Europa e América Latina, sempre proferindo sermões ao público de cada cidade. Apátrida porque, obediente à voz em sua cabeça, incinerou todos os seus documentos civis (onde constava seu nome de batismo, Álvaro Thais, por seu nome novo ser INRI CRISTO, como afirma que DEUS lhe revelou. Foi expulso de vários países, como Estados Unidos e Inglaterra, mas bem acolhido na França por nove meses. Nessas peregrinações foi preso mais de 50 vezes, por não possuir pátria. Já de volta ao Brasil (por extradição), em 28 de fevereiro de 1982 praticou o que diz ser Ato Libertário ("anulação da Igreja Católica..."), em Belém do Pará. vivendo como apátrida até 24 de outubro de 2000, data em que o egrégio Tribunal de Justiça do Paraná expediu acórdão determinando a retificação da certidão de nascimento de Inri Cristo junto ao Cartório de Registros Públicos da Comarca de Indaial-SC, e reconheceu sua nova identidade, passando a constar legalmente em todos os documentos civis (Passaporte, RG, CPF, CNH, etc...) "INRI CRISTO" como seu legítimo nome.
Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história
Para saber mais acesse :
Entrevista concedida em 1983 ao jornalista Carlos Tonet

Carlos Braga Mueller
Jornalista e escritor
Arquivo Dalva e Adalberto Day
***********
ADENDO
SERIA MESMO INRI CRISTO O JOVEM APRENDIZ DE SONOPLASTA EM BLUMENAU?

Surgiu agora uma dúvida. Seria o jovem Álvaro Thais o aprendiz de sonoplasta da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau há 50 anos ?
Sobre este assunto, recebemos correspondência do próprio INRI CRISTO, assinada por sua assessora e discípula Assinoê Oliveira, na qual ele contesta ter trabalhado na PRC-4, esclarecendo que foi um irmão seu que prestou serviços naquela emissora.
Todavia, expressa a vontade que sempre teve em sua pré-adolescência de atuar naquela rádio de Blumenau.
Reproduzimos abaixo a correspondência que recebemos de INRI CRISTO e em seguida vocês poderão ler mais algumas considerações do jornalista Carlos Braga Mueller, autor da matéria neste blog.
Correspondências (via e-mail) recebidas de INRI CRISTO.
Adendo da Assessoria de INRI CRISTO com seu conhecimento:
Olá, Adalberto!
Em seu blog você publicou um texto de Carlos Braga Junior sobre INRI CRISTO, porém, é necessário esclarecer que INRI nunca trabalhou na Rádio Clube de Blumenau e sim seu irmão de criação, já falecido, Aldolino Theiss. Como pode ver até por asposas coincidências o nome de Aldolino Theiss foi registrado corretamente Theiss, como é originário da Europa, enquanto no nome de INRI CRISTO houve um equívoco do tabelião que escreveu Thais ao invés de Theiss. Aldolino Theiss tinha o mesmo sobrenome do ex-prefeito Félix Theiss.
INRI CRISTO nasceu em 22 de março de 1948 e o sonoplasta mencionado na reportagem Aldolino Theiss, nasceu em 22 de novembro de 1946. Na época em que Aldolino trabalhava na rádio Clube, INRI CRISTO trabalhava numa verduraria de japoneses, num box que havia na Rua Nereu Ramos. Logo após o local onde estava a Rádio Clube havia a Churrascaria Palmital; antes de chegar ao prédio do INSS que ficava na esquina havia a mencionada feira permanente, em cujo primeiro box à esquerda estava a verduraria dos japoneses da família Iriê onde INRI CRISTO trabalhou como verdureiro de 1960 a 1963. INRI sente saudades dessa época.
O seu irmão de criação, Aldolino Theiss, era o sonoplasta; ele saiu da rádio para trabalhar na instaladora Blumenau, da família Cascais, enquanto INRI continuou como verdureiro até 1963. INRI lembra inclusive das coisas que o irmão de criação dizia fazer na rádio; lembra que ele falava dos locutores Nelson Rosenbrock e Nilton Simas. INRI CRISTO recorda de um momento marcante em que Aldolino Theiss lhe mostrara com júbilo uma medalha que ganhou, por ocasião da enchente que houve em Blumenau e ele tinha que andar de canoa até a rádio para fazer seu trabalho de sonoplastia. Se por ventura existem registros nos anais da rádio poderão ver o nome de Aldolino Theiss. Álvaro Thais era o nome que INRI CRISTO fora registrado ao nascer, conforme está até hoje nos documentos. Depois da decisão judicial seu nome completo é Álvaro INRI CRISTO Thais.
Confira nesse link tudo sobre a história jurídica do nome de INRI CRISTO
http://www.inricristo.org.br/index.php/pt/o-tempo .
Aldolino Theiss saiu da instaladora para servir o exército no Rio de Janeiro, o que para ele foi um transtorno, pois se apaixonara por uma moça da cidade. INRI lembra com muito carinho do seu irmão de criação, falecido num acidente de carro no Rio de Janeiro.
Para bem confirmar a condição e posição de INRI CRISTO quando era verdureiro de 1960 a 1963, ele pediu que lhe descrevesse uns lugares no qual ele entregava verduras. Ele lembra com certa nostalgia desse período que entregava verduras ao Restaurante Gruta Azul que ficava na Rua Marechal Floriano logo depois da XV; também entregava verduras ao Restaurante do russo Victor Rogouchie que ficava do lado da Beira Rio e da Praça Dr. Blumenau, onde em 1981 INRI reuniu o povo para dar um sermão e até parou o trânsito. Victor Rogouchi transferiu mais tarde o seu estabelecimento para o Restaurante Aquarius por ocasião da inauguração do Grande Hotel de Blumenau. INRI entregava verduras na Alameda Rio Branco, na casa do Dr. Lourival Saade, também para o Maestrini que se tornou diretor de televisão. Entregava verduras até na Boate Imperial, lugar mais inusitado por onde passou nesse período, que ficava na Itoupava Central depois da Ponte Salto. Ele entregava verduras para vários clientes que tinha nas transversais na Alameda Rio Branco, no Bom Retiro, para o Dr. Moussi, advogado. Nesse mesmo tempo o Aldolino trabalhava na Rádio Clube de Blumenau. Inclusive INRI lembra que houve um período por conta das enchentes que ele não podia trabalhar, a Rua XV ficava toda debaixo d'água. As mercearias tinham que retirar todo depósito e colocar no andar superior. A mercearia Blumenau que ficava em frente do Bola Sete ao lado do Restaurante Petisqueira, por exemplo, INRI até ajudou a evacuar as caixas de pepinos e outras conservas. INRI entregava verduras na Rua Nereu Ramos para a viúva do tabelião Nóbrega.

Nesse mesmo tempo, além da Rádio Clube e da Rádio Nereu Ramos de Blumenau tinha também o Zone Cassiano e ele tinha uma espécie de rádio improvisada num carro com alto falante e andava pelas ruas de Blumenau fazendo concorrência com as emissoras de rádio. Ele era filho do Cassiano das Neves dono do Ninho da Sorte, única casa lotérica que tinha no centro da cidade na época.
INRI diz ter boas recordações da Rádio Clube, naquele tempo a rádio mais respeitada e ouvida de Blumenau; já a rádio Nereu Ramos não tinha a mesma audiência, cujo diretor na época era o Lazinho (Evelásio Vieira) tornou-se Senador da República. A Rádio Clube era tradição em Blumenau nos tempos em que INRI era ouvinte, no período de sua adolescência. INRI até gostaria de ter trabalhado na rádio se o tivessem convidado, mas quis o destino que INRI passasse a conviver em ambiente de rádios somente quando iniciou sua vida pública em março de 1969, aos 21 anos. Começou pela Rádio Princesa de Francisco Beltrão - PR, dirigida por Domingos Bertanholi, que era o proprietário, e a partir de então falou em centenas de rádios em todo o Brasil. Inclusive falou durante horas na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e na Super Rádio Tupi convidado pela Cidinha Campos em 1981.
INRI tem muitas recordações de Blumenau onde passara sua infância e pré-adolescência.
Ele iniciou sua alfabetização no D. Pedro II e depois o 3° e último ano por motivo de transferência de residência no Adolph Konder.
INRI apreciou ver o prédio da Rádio Clube publicado em seu blog e ficou feliz em constatar que o jornalista Carlos Braga está fazendo um excelente trabalho de história.
INRI CRISTO percebeu que você é uma pessoa de lisura e se você achar de bom alvitre para preservar a verdade genuína você pode proceder com a correção.
Fizemos questão de fazer essas correções no intuito de contribuir com seu trabalho e no afã que a verdade prevaleça.
Seja bem-vindo aqui na sede da SOUST, em Brasília, se tiver interesse de coletar outras informações.
Cordialmente,

Assinoê Oliveira - Discípula
Assessora do MÉPIC
Movimento Eclético Pró INRI CRISTO
Telefone da assessoria: 61 3404 0134
Site oficial de INRI CRISTO: www.inricristo.org.br
Twitter oficial de INRI CRISTO - http://twitter.com/_INRICRISTO
*************

CONSIDERAÇÕES DE CARLOS BRAGA MUELLER
Lembro-me de um Theiss, que INRI CRISTO em seu e-mail classifica como seu irmão de criação Aldolino, como sendo o técnico de som (sonoplasta) da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau de 50 anos atrás, ao tempo em que eu era locutor da emissora e usava um pseudônimo, como era moda: Charles Neto !
Recordo também que quando este técnico de som teve que deixar a rádio, disse que tinha um irmão menor de idade que poderia ficar no lugar dele. É bom salientar que naquela época aos 14 anos já se podia trabalhar com carteira assinada, recebendo meio salário. O jovem esteve na rádio e como aprendiz fez testes durante alguns dias, não sendo admitido. É a imagem deste jovem que ficou na minha lembrança como sendo aquele que se tornaria depois o INRI CRISTO. Claro, posso ter me enganado em minhas lembranças pois tudo aconteceu há 50 anos !
Mas o importante neste resgate histórico é o depoimento de INRI CRISTO, que acabamos provocando e no qual ele faz um relato muito interessante sobre a Blumenau daqueles tempos.
Depois de ler a matéria no blog do Adalberto Day ele fez colocações de uma forma cordial e educada e lendo suas recordações pode-se ver que sua vivência em Blumenau foi bastante intensa, deixando-lhe marcas profundas, principalmente dos trabalhos que desenvolveu como ajudante de uma verdureira. Tempos que lhe trazem saudades, como salienta no seu depoimento.
INRI CRISTO também confirma que a grafia do sobrenome de sua família é Theiss. Mas ele foi registrado como Thais por uma falha do registro civil de Indaial, onde nasceu.
E referenda que sua carteira de identidade traz agora o nome de Álvaro Inri Cristo Thais.
Talvez pelo envolvimento do seu irmão com a PRC-4, e por acompanhar a programação da emissôra, Álvaro confessa que era um sonho seu atuar também na PRC-4 naqueles tempos de juventude e lembra-se de radialistas como Nelson Rosenbrock e Nilton Simas (hoje já falecidos).
Como se vê, rebuscando lembranças, sempre se acaba revivendo momentos interessantes da nossa história.
Se no caso de INRI CRISTO fui traído pela memória, paciência.
Acabamos resgatando uma parte da biografia desse líder religioso, adorado por alguns, combatido por outros, mas conhecido nacionalmente graças ao apoio que recebe da mídia.
Carlos Braga Mueller
Jornalista e escritor
****************
Adendo:
De: Luciana Horne [mailto:hornbragalucian@yahoo.com]
Enviada em: segunda-feira, 7 de novembro de 2016 00:53
Para: familiaday@terra.com.br
Assunto: ALDOLINO THEISS

Olá,

me chamo Luciana Braga Horne.
Só hoje tive a ideia de procurar na internet por "Aldolino Theiss"
(nascido em Indaial, SC em 22 de Novembro de 1948 e que mudou-se com a família para Blumenau ainda muito jovem). Então,  para minha surpresa, entre os resultados de pesquisa do Google, eu acho este artigo no Blog do ADALBERTO DAY situado em http://adalbertoday.blogspot.com.br/2011_12_01_archive.html.

Como a data do artigo, no qual a menção a Aldolino Theiss, é de Dezembro de 2011, não sei se ainda receberei alguma resposta. No entanto, decidi enviar essa mensagem assim mesmo.

Eu sou do Rio de Janeiro e conheci o Aldolino Theiss em na noite do dia 23 para 24 de Setembro de 1988, por intermédio de um colega de faculdade que o conhecera perto de sua residência. Eu e esta colega havíamos assistido um filme no cimena de um Shopping Center no bairro onde em morei, na Gávea. Ele morava no bairro vizinho, o famoso bairro do Leblon, na zona Sul do Rio.

Depois de comermos uma pizza, após a sessão de cinema, fomos dar uma volta a pé. Foi então que, em pouco tempo, o meu colega exclamou "Lá está ele!", pois vinha me contando que tinha conhecido uma pessoa bastante singular, e lá estava ele, o Aldolino, encostado no balcão de uma lanchonete e bar no Baixo Gávea.

Ficamos conversando, eu, o meu colega e o Aldolino até a manhã do dia 24. A partir daí, eu e o Aldolino começamos uma relação afetiva e emocional muito intensa que durou 1 ano e 8 meses, terminando com o seu falecimento por causa de um atropelamento que eu e ele sofremos em cima de uma calçada no bairro de Copacabana, na noite de 16 de Junho de 1990.
Seis dias depois, em 22 de Junho de 1990, ele falceceu devido a hemorragia interna que não pôde ser contida, e eu tive como dano físico mais grave a perda dos meus dentes superiores frontais com suas raízes, fora algumas escoriações e traumatismos sem muita gravidade. Mas, fiquei com visão dupla durante umas duas semanas.

Ele me contou que serviu o Exército no Rio de Janeiro, porque rapazes de Santa Catarina eram convocados pela sua estatura e  boa constituição física. Ele foi Polícia do Exército naqueles tempos de ditadura. Depois conheceu Loreci, uma moça do Paraná que era da família Vargas de Oliveira com quem ele se casou e tiveram um filho chamado Damien Pablo Oliveira Theiss que nasceu, pelo que sei, nasceu no Rio de Janeiro e hoje em Pato Branco, no Paraná, e se tornou advogado. Tive a oportunidade de conhecê-lo depois do atropelamento e do falecimento do seu pai Aldolino, pois ele teve a gentileza de ir me visitar na casa da minha mãe (já falecida há 17 anos), quando ainda era um rapazinho de 15 anos de idade. Quando eu conheci o Aldolino, ele já tinha se divorciado da Loreci.

Eu chamava o Aldolino pelo seu sobrenome Theiss, apenas mudando para a pronúncia do "ei" em Português. Eu tinha completado 22 anos de idade em 30 de Junho de 1988, um pouco antes do encontro com o Aldolino que se encontrava em situação precária e tinha a ajuda de um primo Frei Franciscano chamado José Schwartz Pereira por parte materna. Ele também havia sofrido a amputação da perna esquerda (abaixo do joelho) devido a um acidente de carro e depois de 4 anos de tentativa de salvação da sua perna.

Primeiro começamos a namorar e eu ainda morava com minha mãe e estudava na PUC-RJ. Depois de uns seis meses, fomos morar em um hotel no bairro da Glória com um amigo do Aldolino. Este rapaz se chama Luiz Augusto Richa, gaúcho e descendente de Libaneses que não queria morar com os pais, havia se convalescido de uma Pneumonia e era funcionário do Ministério do Trabalho. Depois disso, moramos em uns 3 ou 4 apartamentos de quarto e sala em Copacabana.

Por fim, quanto ao INRI CRISTO, eu posso dizer que o Aldolino me falou sobre ele, mas, por incrível que pareça, eu já o tinha visto através da TV há alguns anos atrás, quando ele já estava vestido de túnica. Porém, apenas em Outubro de 2004, eu fui até Curitiba, na sede anterior da SOUST, no Alto do Boqueirão em Curitiba, para estar pessoalmente com o INRI, depois que ele começou a aparecer em programas como o extinto Super Pop da Luciana Gimenez na REDE TV.

Eu não sabia sobre o trabalho do Aldolino (ou não lembrava-me) na Rádio Clube de Blumenau e fiquei muito feliz por achar este artigo.

Um abraço,
Luciana.


Arquivo Dalva e Adalberto Day

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

- Natal 2011 em Blumenau


Este ano novamente podemos apreciar uma bela decoração nas principais ruas de Blumenau. A secretaria de Turismo de Blumenau, através do Secretário José Bhals de Almeida e equipe, vêm se esforçando, para que a cada ano possamos evoluir e quem sabe em um futuro breve, chegarmos retomar a supremacia no sul do país no tocante as festividades natalinas. A cidade de Gramado - RS, que se inspirou em nossa cidade a partir de 1986, também mantém uma tradição forte, nessa época do ano.
________________________
O Projeto Magia de Natal da decoração natalina, - a decoração a cargo da CDL - Câmara de Dirigentes Lojistas de Blumenau, coordenada pela Sra. Sara Neves Fogaça.
Assim como o Desfile que foi coordenado pelas senhoras Marion Bubeck e Lilian Ribeiro e o Auto de Natal, pelos Maestros Cunico e Oecksler
São muitas as pessoas envolvidas. Só na Pró-Família temos mais de 500 pessoas entre professoras, alunos e grupos da melhor idade que participam como figurantes. (Rodrigo Ramos - Produtor Cultural)
Todos os órgãos gestores de nossa cidade nos últimos anos se envolveram em um esforço grandioso de recuperação para que a economia possa girar.

Eu já tenho a certeza que Blumenau faz um Natal tão bom ou melhor que a cidade de Gramado. Pude constatar  visitando Gramado, e comparando com nossa Blumenau, que desde 2005 deu uma arrancada espetacular em busca de melhorar a cada ano.
Com o nome de "A magia do Natal" a programação começou já em 15/novembro. Uma união de transformar as pessoas em um clima de fraternidade e do renascimento.
Parabéns a todos os organizadores - Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Prefeitura de Blumenau com apoio das entidades de classe.

A Magia de Natal, deste ano de 2011 ganha proporções na decoração de locais públicos, desfiles temáticos e apresentações artísticas, culturais e religiosas envolvendo os blumenauenses e turistas no clima do espírito de Natal.
Confira a programação completa no site oficial:
FonteAssessora de Comunicação: Adriana Schimila

O Natal na minha Infância.
Meus avós, pais todos cultivam essa tradição que representa o nascimento de Jesus. A cidade se enfeitava, os presépios eram sempre as atrações principais, acompanhada do “bom velhinho”.
- Mas as festas natalinas começavam mais cedo, no dia 6 de dezembro, onde a figura de Bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, no século quatro. São Nicolau era rico, mas costumava ajudar pessoas pobres, que estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos de moedas, nas chaminés das casas. Uma vez ao atirar pela chaminé, essas moedas teriam entrando em uma meia, daí o termo “pé de Meia”. E foi assim que aprendi com minha avó Ana e meus pais, que a figura do Papai Noel teria se inspirado no Bispo Nicolau.
- No dia 24 de dezembro véspera de Natal, já cedo íamos ao mato cortar uma arvore (ou na casa do Senhor Djalma e Ingeborg (Inha) Fontanella da Silva, ou ainda na Frau Bachmann, mãe do meu amigo Walfrido – da antiga Rua 12 de outubro) para depois durante a tarde enfeitá-la com bolas coloridas e como não havia luzes “piscas-piscas” eram colocados velinhas também coloridas para iluminar o pinheiro. Muita alegria e confraternização entre os moradores das Ruas próximas onde morávamos: Almirante Saldanha da Gama, da Glória, 12 de outubro, Belo Horizonte, Progresso, e Vila. Mas um natal desses não foi tão bonito, pois uma velinha de cera ao cair nas vestes de nossa vizinha e colega Sandra, pegou fogo em suas vestes e lhe causou graves queimaduras em seu pequeno corpo, já que era uma garotinha de uns 10 anos. Era um dia especial, se colocava a arvore somente no dia 24, devido ao calor sempre predominante, a ramas murchavam facilmente.
- Em nossas ruas do bairro Garcia e Glória, eram colocados enfeites coloridos em toda extensão das vias públicas, da Rua Amazonas e Rua da Glória. Também havia sempre um presépio em forma de personagens de tamanho natural, colocado na antiga Praça Getulio Vargas, no início do Progresso, Glória e final do Garcia. E as músicas natalinas que ouvíamos bem cedo provenientes dos auto-falantes da casa Nº. 111 da Rua 12 de Outubro, residência do Senhor David Hiebert, mais conhecido como Russo, (hoje praça Getulio Vargas).

- Essa era a década principalmente dos anos de 1960, esperávamos ansiosos os presentes, que naquela época era raro, era costume os pais dar o mesmo presente, durante alguns dias, e depois os guardava para o ano seguinte. Da mesma forma as bonecas eram recolhidos alguns dias antes do Natal, e as mães as vestiam com roupinhas novas, para dar novamente as filhas na noite véspera do Natal. Os carrinhos eram todos de madeira, mas a bola para jogar o ano inteiro no clube doze (no Morro) há essa não podia faltar, e não era recolhida, ganhava todos os anos.
- E o presépio lindo que data de 1950, era da minha avó Ana, guardo em nossa residência desde 1976 quando nos casamos e “tomei posse desta tão linda ornamentação”. A confraternização era linda entre os moradores, em nossa aldeia social, morávamos nas casas pertencentes a E.I.Garcia. Não Faltavam os lindos cantos natalinos, pura nostalgia e que cultivamos nos dias de hoje mantendo a tradição.

História:
Há 16 séculos na Turquia, havia um menino rico que não suportava ver a miséria existente. Então decidiu distribuir brinquedos, alimentos, roupas.

O Papai Noel foi inspirado no Bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, no século 4. São Nicolau era rico, mas costumava a ajudar pessoas pobres, que estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos de moedas, nas chaminés das casas. Uma vez ao atirar pela chaminé, essas moedas teriam entrando em uma meia, daí o termo “pé de Meia”.
Quando cresceu se tornou bispo “São Nicolau” (dia de São Nicolau comemorado em 06 de dezembro) e continuou com sua generosidade.
Foi através dele que surgiu a lenda do Papai Noel na Finlândia, já com trenó, renas, descendo as montanhas geladas.
Mas foi na França que surge o termo “Papai Noel” depois imitado pelos Italianos que antes chamavam o bom velhinho de “Babbo Natale”.
O Cartão de Natal surgiu na Inglaterra em 1843. Mas foi em 1849 que começam a serem comercializados, tornando-se populares.
A figura do Papai Noel, foi elaborado pelo cartunista Thomas Nast, da revista Harper”s Weekly em 1881.
A tradição de árvores de Natal foi a partir do século XVI em 1525 na Alemanha, pelo pastor protestante Martinho Lutero.. Já o presépio acredita-se é desde o século 8 em Roma, e mais tarde em 1223 São Francisco de Assis fez o primeiro presépio vivo que se tem noticia.
O dia 25 de dezembro começou a se comemorar o nascimento de Jesus a partir do ano 353, até então eram em diversas datas.

Noite feliz
A canção mais popular da noite de Natal nasceu na Áustria, em 1818. Na cidade de Arnsdorf, ratos entravam no órgão da igreja e roeram os foles. Preocupado com a possibilidade de uma noite de Natal sem música, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o antigo. Em suas peregrinações, começou a imaginar como teria sido a noite em Belém. Fez anotações e procurou o músico Franz Gruber para que as transformasse em melodia.

A versão brasileira da canção também foi feita por um religioso: o Frei Pedro Sinzig. Também nascido na Áustria, em 1876, estudou música em sua terra natal e veio morar na cidade de Salvador, na Bahia, em 1893. O frei naturalizou-se brasileiro em 1898 e se destacou como um grande incentivador da música religiosa no país. Em 1941, criou a revista Música Sacra e fundou a Escola de Música Sacra, na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro. Frei Pedro é autor de várias músicas do mesmo estilo e livros sobre o assunto e também atuou como consultor e conselheiro de muitos compositores, inclusive de Villa-Lobos, que dedicou a ele a canção "Missa S. Sebastião". Frei Pedro morreu na Alemanha em 1952.

Mensagem:
Dentro de alguns dias, um ano novo vai chegar a esta estação.
Se não puder ser seu maquinista, seja o seu mais divertido passageiro.
Procure um lugar próximo a janela e desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.
Procure curtir a viagem da vida observando cada arbusto, cada riacho, beiras de estrada e tons mutantes da paisagem.
Descobre o mapa e planeje roteiros. Preste atenção em cada ponto de parada e fique atento ao apito de partida.
E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou, não hesite.
Desembarque nela os seus sonhos.

Feliz Natal e feliz ano de 2011
Colaboração: José Geraldo Reis Pfau –Zé Pfau Publicitário.
Arquivo de Adalberto Day

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

- Osmênio Pfau



Em histórias de nosso cotidiano apresentamos hoje, a história do Senhor Osmênio Pfau (Foto).
Publicado no dia 21/11/2011 Edição N° 12419


ALMANAQUE DO VALE
Jackson Fachini
• Osmênio Pfau
A imagem mostra um ilustre cidadão, conhecido por toda comunidade blumenauense, Osmênio Pfau, natural de São Francisco do Sul. Chegou a Blumenau em 1938 como profissional de futebol do Brasil E.C. - Palmeiras. Em 30 de outubro de 1952, ingressava no quadro de funcionários das lojas Hermes Macedo S.A., chegando.
A trajetória de um vencedor
O texto enviado por José Geraldo Reis Pfau “Zé Pfau”, por mim solicitado, descreve parte da interessante história nos anos 19(80) das Lojas HM em Santa Catarina e de seu gerente Sr. Osmênio Pfau. A HM – Hermes Macedo S/A, foi uma empresa especializada de departamentos, utilidades domésticas e vendedora de pneus paranaense fundada em 1932. Iniciou vendendo peças novas e usadas para caminhões e automóveis. Na década de 70, chegou a possuir 285 lojas em 80 cidades espalhadas por seis Estados brasileiros: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Tinha um slogan: Lojas HM “Do Rio Grande ao Grande Rio!” E para vender pneus, usava outro muito bom: “Pneu carecou HM trocou !” Da pequena loja de 1932, culminou no ano de 1976 como uma das 100 maiores empresas do Brasil e a 1ª no ramo de departamentos com utilidades domésticas.

Revista “O Hermaciano” , em 1980 na passagem de comemoração dos 130 anos de Fundação de Blumenau.
A revista O Hermaciano edição nº 155 em 1980 com o titulo de “130 anos de grandeza” mostrava Blumenau. Dizia que comemorando 130 anos da chegada do filosofo Hermann Bruno Otto Blumenau ao Ribeirão da Velha, onde desembarcou de uma canoa em companhia de outros 17 pioneiros alemães, Blumenau mostra hoje aos visitantes as tradições legadas pelos seus pioneiros, conservadas nas festas, pratos típicos, arquitetura, trajes e outras manifestações folclóricas.
A Imagem de 1941 - mostra o Brasil de Blumenau fundado em 19 de Julho de 1919 campeão citadino de Futebol. Em 1943 por determinação governamental, devido a segunda grande guerra mundial, os clubes com nome de estados, países, e outros tiveram que alterar seus nomes. O Brasil mudou para Palmeiras Esporte Clube - Foto cedida gentilmente por José Geraldo Reis Pfau que por sua vez recebeu do amigo do filho do Cardoso lá de Rio do Sul. Osmênio Pfau pai do Zé Pfau está na foto, é o primeiro pela ordem.
Inserida neste cenário, desde maio de 1952, está a nossa empresa que abriu sua primeira loja em modestos 120 metros quadrados para servir a cidade e a região. Localizava-se onde atualmente é o shopping Beira Rio. Era apenas um começo.
Decoração natalina
A imagem do início da década de 1970 mostra a decoração natalina feita anualmente pelas antigas Lojas HM- Hermes Macedo. A loja localizava-se nos altos da Rua XV de Novembro, uma das mais tradicionais de Blumenau. (Imagem: Arquivo de José Geraldo Reis Pfau e Adalberto Day)
Publicada na coluna ALMANAQUE DO VALE - Jackson Fachini
• Natal em Blumenau
Esta época do ano, quando dias mais longos e noites calorentas empurram os blumenauenses para fora de casa, invoca prazerosas memórias de Natais que vivi por aqui. As ruas dos bairros recebem o barulho das crianças em férias e as calçadas, cadeiras de praia onde sentam vizinhos a compartilhar o fim de tarde. No Centro, o comércio e os bares enchem até bem tarde, e não faltam ciclistas e corredores ocasionais a disputar espaço com os carros. É gostoso esse raro clima diário de confraternização, hoje potencializado pelo Parque Ramiro Ruediger.
Sempre que o calendário marca o início de dezembro e as luzes coloridas do Natal acendem na Ponte de Ferro, recordações da infância surgem sem aviso, não é verdade? Aconteceu comigo no domingo, durante passeio pela programação natalina montada na Vila Germânica.
Lembrei imediatamente da loja Hermes Macedo, a HM, que ficava na XV, ali no prédio onde está o Bremen Zenter. Não eram os desejos infantis de consumo que me despertavam encanto, mas um presépio gigante (assim ele parecia, ao menos), com bonecos em movimento e cenários detalhistas. Era hipnótico. Ainda é.

Tenho viva na memória a expectativa de subir por escadinhas e rampas intermináveis daquele lojão para chegar ao presépio. No caminho, outro motivo de encanto (ok, aqui admito a sede consumista): os pianos em miniatura da Brinquedos Hering ficavam expostos e qualquer um podia sentar e tocar. Imagino os pobres vendedores, pacientes ouvintes de pirralhos pianistas dando lambadas dissonantes nas teclas, iguaizinhas às de instrumentos de verdade. Ainda posso ouvir o som.

A HM fechou nos anos 1990, levada pelo dominó de falências que varreu grandes redes varejistas brasileiras. As sensações despertadas por ela em milhares de crianças com aquele presépio, porém, vivem até hoje.
Só por proporcionar essa duradoura fantasia aos pequenos, o esforço de alguns abnegados para fazer um Natal bacana em Blumenau já vale a pena. Tem defeitos? Tem. Compara-se ao de Gramado? Não. Mas fico imaginando... se um presépio e pianinhos em miniatura marcaram minha infância, que memórias fantásticas os pequenos de hoje guardarão da neve artificial, de bonecos gigantes iluminados e de um verdadeiro presépio humano, formado pelos desfiles?
Na infância o Natal é mais bonito.
Publicada no Jornal de Santa Catarina dia 07/12/2011 - N° 12433
- Colunista EVANDRO DE ASSIS

Cont. José Geraldo reis Pfau
A primeira loja HM fora do Estado do Paraná, conhecida como F-5. Seu desenvolvimento está intimamente ligado à pessoa do Sr. Osmênio Pfau, natural de São Francisco do Sul, nascido em 09 de novembro de 1918 e falecido em 15 de agosto de 1999 - chegou a Blumenau em 1938 como profissional de futebol do Brasil E.C. – hoje (1938) Palmeiras – ganhando 200 mil réis por mês.
Em 30 de outubro de 1952 ingressava no quadro de funcionários de Hermes Macedo S.A., tendo sido admitido pelo Sr. Willian Castelain para exercer as funções de chefe de escritório, passando rapidamente ao cargo de Gerente.
Enquanto crescia, expandindo seu fabuloso parque industrial. Seu florescente comércio e crescente movimento turístico, nossa empresa sentia que estava chegada a hora de transferir-se para um local mais amplo, onde pudesse atender seu grande número de clientes com todas as linhas que tradicionalmente comercializa.

Foto/Vicente Bittencourt  enviada por Miguel Wisintainer –HM em construção
Assim em 1962, foi inaugurada a loja na rua 15 de Novembro, com 3.400 metros quadrados, em prédio próprio. Na época a maior loja de todo Estado de Santa Catarina.

É até hoje motivo de orgulho para os blumenauenses. Paralelamente surgia a primeira agencia da F-5 – Itajaí, cujo pessoal foi todo treinado durante estagio em Blumenau. Aliás, uma característica que muito orgulha aquela filial é o fato de praticamente todos os Gerentes e principais funcionários das lojas de Santa Catarina, serem oriundos da F-5, muito deles tendo a iniciado suas carreiras de hermacianos em posições modestas, galgando posições de destaque balizando-se por seus superiores.
As boas festas de todos os anos da HM


Destaque-se também, que o quadro de colaboradores da Hermes Macedo S;A. em Blumenau, já contou em seu departamento jurídico com os concursos do Dr. Jorge Bornhausen ¹, hoje governador do Estado de Santa Catarina e do Dr. Renato de Mello Vianna², atual prefeito Municipal de Blumenau.
Carros alegóricos 
Brinquedorama
Uma das marcas registradas de Blumenau é a comemoração natalina com feérica iluminação as margens do Rio Itajaí Açu, fachadas decoradas, presença de milhares de turistas e alegres festividades com bandas típicas alemãs. 
As Lojas HM participam desse calendário turístico com o seu Desfile de Chegada do Papai Noel. Carros alegóricos especialmente preparados pela seção de decorações, centenas de participantes, banda de música, fanfarras, alegorias, cenas cômicas e outras atrações levam as ruas de Blumenau praticamente toda a população, incluindo as das cidades próximas, explodindo de entusiasmo crianças e adultos. É um dos pontos altos do Natal blumenauense. Comandando a equipe hermaciana, atualmente com 180 funcionários e acumulando a Gerencia Regional de Santa Catarina, com jurisdição sobre Blumenau, Itajaí, Lages, Florianópolis, Joinville, Jaraguá do Sul, Rio do Sul, Tubarão, Criciúma, Araranguá e Brusque está a figura simpática do Sr. Osmênio Pfau – filho de alemães e portugueses, grande colecionador de samambaias – seu “hobby” nas horas vagas – orgulhoso de seus 5 filhos, todos formados e seus 7 netos. Um homem tranquilo, satisfeito consigo mesmo e com os hermacianos que criou e encaminhou na empresa. Que começou, participou e viu crescer e participa ativamente para que as lojas HM sejam, cada vez mais, integradas a comunidade, gozando de excelente conceito, perfeitamente identificada com Blumenau e sua boa gente. Nossa reportagem agradece as atenções recebidas dos companheiros hermacianos de Blumenau, especialmente seu Gerente Comercial Sr. Rui Jorge Fernandes. Cumprimentando a todos pela magnífica presença das Lojas HM nesta cidade-cenário onde impera a beleza, a alegria de viver, de trabalhar, de participar e promover seu progresso.

Coral Hermes Macedo (Curitiba)
Para saber mais sobre as Lojas HM – Acesse:
Dr. Jorge Bornhausen¹, hoje governador do Estado de Santa Catarina e do Dr. Renato de Mello Vianna² 1980 ano do texto
Texto e reprodução Revista Hermaciano de 1980 - José Geraldo Reis Pfau/publicitário em Blumenau. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

- "Camisa confeccionada pela Cia. Hering em 1955, vai para o museu”

Museu Hering
Minha contribuição ao Museu Hering, uma camisa do Antigo Amazonas Esporte Clube do Bairro Garcia em Blumenau. A raridade é de 1955, e nunca foi utilizada por ser de numeração pequena. A camisa foi entregue no dia 14 de dezembro de 2011.
Sua importância se acentua por ter sido confeccionada na Cia. Hering.
Camisa do Amazonas
Ato da entrega Mariana Girardi e Adalberto

Mariana Luiza de Oliveira, Mariana Girardi Barbosa Silva, Adalberto, Hanelore Sandner Campregher

O Amazonas EC, foi do bairro do Garcia, fundado em 19 de setembro de 1919, mas que de fato era mais antigo - existia desde 1911, muito conhecido pelo nome de "Jogadores do Garcia".
O clube Alvi – Celeste - ou anilado como era conhecido o Amazonas, fundado por empregados da Empresa Industrial Garcia ,já praticavam o futebol desde o inicio do século XX, era o time proletário do bairro Garcia, teve como primeiro estádio por alguns meses, onde hoje é o batalhão do exercito. Depois se transferiu para as proximidades da Rua Ipiranga (conhecida como Rua Mirador), por quase cinco anos, posteriormente por alguns meses, na rua Progresso próximo a Artex, onde existia um bar conhecido como Bar do Iko, e, finalmente, em 1926, mudou-se para o definitivo local, próximo a Empresa Garcia, até ser aterrado pela Artex, em 1974.
Para saber mais acesse:

Para marcar as comemorações da passagem dos 130 anos da Cia. Hering, muitas ações serão realizadas. A principal delas foi a criação do Museu Hering (inaugurado em 22/novembro/2010), que resgatará história da companhia, cuja história está ligada ao desenvolvimento industrial do país. O espaço criado em um imóvel tombado como patrimônio histórico do estado de SC. A casa, construída em enxaimel, tradicional técnica arquitetônica de influência alemã, tem 435m2 e fica na entrada da sede da empresa em Blumenau.
O museu foi aberto ao público no dia 30 de novembro de 2010.

Mapa do Circuito
O Museu Hering destina-se a preservação e comunicação do acervo constituído por maquinaria, documentos, fotografias, amostras, peças publicitárias, indumentárias, edificações e outros objetos musicológicos originários da Cia. Hering. Tem como objetivos construir a idéia de patrimônio industrial, conhecer e analisar a história da indústria, conhecer e analisar a história da indústria têxtil no Vale do Itajaí e Blumenau e refletir sobre moda, hábitos e costumes e empreendedorismo.
O Museu Hering propõe como linhas de pesquisa o Empreendedorismo, memória do Operário e História Social do Trabalho, História da Industrialização. Fabricação da malha no Brasil, História e uso da Camiseta, Desing e moda, Publicidade e Propaganda. Dessa forma, permite abordagens de diversas áreas como Economia e Administração, Engenharia, Arquitetura, História, Antropologia, Sociologia e outras.

Tempo ao tempo
“De tempo ao tempo” era a resposta dada por Hermann Hering às adversidades encontradas para a constituição da empresa criada por ele e seu irmão Bruno Hering em Blumenau em 1880. Tempo ao tempo é a exposição de longa duração que inaugura o museu Hering no 130º ano de existência da empresa.
O objetivo da exposição é informar sobre o potencial museológico do patrimônio industrial preservado.

Sala 1
Blumenau na segunda metade do século XIX até a década de 1920: o contexto de surgimento das primeiras indústrias Historia e trajetória da Cia. Hering.
Multimídia sobre Blumenau, fotografias, objetos e sonorização com trechos de cartas e depoimentos compõem este setor da exposição que apresenta, em linhas gerais, aspectos da trajetória da Cia. Hering desde sua fundação em 1880.

Sala 2
A contribuição dos funcionários: protagonistas de uma grande cena.
Multimídia com depoimentos de funcionários e ex-funcionários, como forma de demonstrar a participação dos mesmos no processo industrial no contexto assinalado.
A Preservação do patrimônio Cultural: o acervo do museu Hering – bens móveis, imóveis e natural.
Objetos museológicos que compõem o acervo do Museu, tais como máquinas de costura, estampas, amostras de malhas e cartelas de cores, peças publicitárias, etiquetas, itens da coleção Câncer de Mama no alvo da moda, edificações históricas e o Vale do Bom Retiro, patrimônio ambiental preservado.

Sala 3
• As coleções, tendências e costumes.
• Multimídia com projeção de fotografias de catálogos de coleções de vestuário. Imagens da década de 1970 até a atualidade para traçar uma evolução do modo de vestir.
• Criatividade na moda: estamparias
A criatividade por meio da criação de estampas é o tema deste multimídia. Projeções em grande escala com diversos padrões das estampas de diferentes épocas.
• A produção da moda
Multimídia com as diversas etapas da cadeia produtiva de moda, desde o desenvolvimento das coleções, sua produção até a comercialização nas lojas.
• Intimidade
Interatividade para apresentação da transformação da roupa intima de crianças e adultos. Fotografias de diversas coleções de moda intima, desde a década de 1970, destacando que a moda alcança a intimidade de qualquer pessoa de qualquer idade.

Sala 4
Espaço lúdico para crianças, jovens e adultos exercitarem a criatividade com a moda. Jogos interativos, programas de criação de estampas, mesa para customização de peças são algumas das possibilidades de lazer criativo.
A cultura das campanhas publicitárias: vídeo com campanhas publicitárias de lazer criativo.
De brinde recebi uma camiseta Hering, pelas mãos de Hanelore - oferecida pela gerente Amélia Malheiros
A cultura das campanhas publicitárias: vídeo com campanhas publicitárias veiculadas a partir da década de 1970.

Horário de Funcionamento:
De terça a Sexta 9 às 18 horas
Sábados, Domingos e Feriados, das 10 às 16 horas.
Visitas para grupos (escolares e outros) devem ser agendadas com antecedência.
Serviços:
• Exposição de longa duração Tempo ao Tempo;
• * Visitas orientadas por educadores;
• Atendimento a grupos de estudantes e outros (com prévio agendamento);
• Atendimento a pesquisadores.

Museu Hering
Rua: Hermann Hering 1790 – Bom Retiro
CEP 89010-900 – Blumenau – Santa Catarina
Fone: (47) 3321-3340

Acesse:
Museu Hering
Hering
- Cia.Hering: 130 anos de história
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

- O Brasão de Blumenau

O Escudo d’Armas do Munícipio de Blumenau

Em dezembro de 1936, a Câmara Municipal de Blumenau aprovou e mandou adotar um brasão para o Município de Blumenau.
Que é um brasão?
Sem pretender entrar em pormenores que alongariam de muito este artigo, diremos que os brasões simbólicos se originam dos escudos dos soldados das eras primitivas, que costumavam neles desenhar figuras que os distinguissem.
Passaram, depois, a fazer parte do patrimônio das famílias nobres, dos feudos, dos bispos, das vilas, cidades e países.
No Velho Mundo, rara a vila ou cidade de alguma importância que não tenha seu brasão.
No Brasil, também, muitos municípios os possuem, alguns bem vistosos e expressivos.
A heráldica municipal, entretanto, deveria ser cuidada com mais interesse e carinho, pois os escudos d”armas dos municípios têm uma alta finalidade educativa”. Longe de parecerem frutos de regionalismo condenável, eles condensam lições de historia do desenvolvimento do município a que se referem.
Basta saber decifrá-los.Tendo, por exemplo, diante de nós, o escudo de armas de Blumenau, poderemos conhecer, em suas mais importantes passagens, a historia da fundação e do progresso dessa importante parcela da terra barriga-verde.
Como?
É o que diremos. Antes, porém, esclareceremos que o escudo de Blumenau foi ideado pelo ilustre historiador conterrâneo, Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay (¹), membro proeminente da Academia Brasileira de Letras, do instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor do Museu Paulista, atual diretor da Biblioteca do Itamarati, escritor fecundo e grande amigo de Blumenau.

A pedido do autor destas linhas, o Dr. Taunay prontificou-se a organizar o escudo de armas, presidindo, também, os trabalhos do artista que o concretizou numa magnífica aquarela, que figura no gabinete do Prefeito Municipal.
O nosso co-municipe Curt Hering, antigo e benemérito prefeito de Blumenau, auxiliou com parte da quantia necessária ao pagamento dos desenhos e fotografias necessários, sendo a outra parte paga pela Prefeitura.
As várias figuras representativas do escudo foram combinadas entre o Dr. Taunay e o autor deste artigo, então presidente da Câmara Municipal.

O Dr. Taunay, que, além dos escudos de Joinville, S. Francisco e Laguna em Santa Catarina, ideou muitos outros para municipalidades brasileiras, foi felicíssimo com o de Blumenau. É, no gênero, um trabalho que se pode dizer perfeito (²). Resume a história de Blumenauense em seus lances marcantes, numa magnífica homenagem á memória dos pioneiros do nosso engrandecimento.
As armas de Blumenau constam de um escudo redondo português, encimado pela coroa mural, privativa das municipalidades, esquartelada em seis, com o escudete sobreposto a 3 e 4.
O escudo é dividido em seis quartéis, também com um escudete sobreposto ao todo.
Nesse escudete, que constitui propriamente as “armas falantes”, vêem-se um rio e um campo de flores à sua margem, sob o Cruzeiro do Sul.
O rio é o Itajaí-açu, o maior do litoral catarinense e que, nascendo nos contrafortes da Serra Geral, vai desaguar no Oceano Atlântico, fecundando uma zona riquíssima, sem dúvida a mais produtiva e progressista de Santa Catarina.
A margem direita desse importante curso d’água ergue-se Blumenau, que quer dizer “campo de flores”, célula magnífica de trabalho, de atividade febril em prol do engrandecimento do Brasil, representado pelo Cruzeiro do Sul, a cuja claridade inspiradora os blumenauenses constroem a própria grandeza para a grandeza da Pátria.
É muito feliz a combinação. Quanta lição de civismo se poderá daí deduzir!
Blumenau é, de fato, um “campo de flores” com as suas construções modernas e alegres, os seus jardins esplendentes na beleza e variedade das plantas e, sobretudo, no bom gosto dos seus habitantes que amam sua terra e, instintivamente, colaboram com os poderes públicos no cuidado que dispensam á cidade, a espelhar-se, lindas, nas azuladas águas do Itajaí.
Nos quartéis superiores e inferiores estão representadas as armas dos Estados alemães que maiores contingentes de imigrantes enviaram para povoar Blumenau.
Assim, no ângulo de destra do chefe em campo de goles, está o leão leopardado de Brunswick, de onde procederam muitos colonos que auxiliaram a fundação e a colonização do município.
Brunswick foi também a terra natal do Dr. Blumenau.

Hermann Blumenau ali nasceu a 26 de dezembro de 1819; ali cursou a escola primária, encaminhando-se sob as vistas do pai, enérgico, profundamente religioso e honesto, para a missão gloriosa de civilizador, que lhe haveria de imortalizar o nome.
Brunswilk lembra o Dr. Blumenau; lembra os sofrimentos, as angustias, o suplicio inenarrável que ele teve de suportar para que o arrojado empreendimento não fracassasse.
A história dos primeiros anos da colônia de Blumenau é um romance amargo de desilusões e de martírios. Só os que conhecem a documentação deixada pó Blumenau, dos primeiros dez anos do seu estabelecimento, poderão fazer uma ideia do que, foi aquele período de atribulações para o animoso doutor em filosofia.
Brunswilk lembra ainda uma plêiade de abnegados e simples agricultores que, ao lado do fundador, serviram-lhe de conforto e de estimulo e, com trabalho, porfiado, foram vencendo o próprio desanimo e a natureza agreste, os perigos das feras e dos índios.
No ângulo de senestra do chefe, em campo de prata, está a águia estendida de preto, bicada, sancada e coroada de ouro, com as asas ligadas do mesmo, tendo à destra um cetro e á senestra um gládio. È a águia da Prússia e do Tirol, de onde vieram muitos imigrantes.
Nos ângulos de ponta, a destra, em campo burelado de ouro e sabre, um trancelim de sinople, da Saxonia, e, á senestra, em campo de prata, um leão de blau, o leão da Baviera.
As armas desses Estados que nos enviaram colonos, com os quais se foi fazendo a grandeza de Blumenau, de Santa Catarina, cercam os quartéis centrais, num dos quais se vêem as armas do Brasil e, no outro, as principais peças das armas o estado, a âncora, a chave e a roda dentada, simbólica de Santa Catarina.
Essa combinação, bem ideada, recorda a fusão teuto-brasileira, pela conjugação das peças heráldicas germânicas; são grupos de prussianos, saxões, bávaros, tiroleses, vurtemburgueses, arrostando os azares de uma longa e perigosa travessia, do Atlântico, em barcos a vela, para virem fundar um núcleo de cultura e progresso nas florestas de Santa Catarina, longe dos centros civilizados, elegendo esse rincão, abençoado com suor e canseiras, para sua segunda pátria, protegidos pela hospitalidade tradicional do povo brasileiro.
Como “tenentes” aos lados do brasão, estão um sábio e um colono, este empunhando um machado. Ao sábio, deram-se as feições do Dr. Hermann Blumenau, segundo uma fotografia da qual se copiou a figura do machadeiro, à senestra.
Esses “tenentes” significam que Blumenau é um município criado e engrandecido por sábios e colonos.

Por sábios como o próprio fundador, que era laureado em Filosofia, naturalista e astrônomo, e, sobretudo, um grande, inteligente e culto colonizador; por sábios como Fritz Muller, universalmente conhecido por “príncipe dos observadores”, como o alcunhou Darwin, e autor de valiosos trabalhos sobre a fauna e flora catarinenses, e de uma das teorias do mimetismo; por sábios como Friedenreich, como Augusto Muller, como dezenas de outros que permanecem na obscuridade, mas cujas obras não foram menos proveitosas á coletividade blumenauense.

Pelos colonos, esses ativos e ordeiros elementos que, de outras terras, nos trouxeram exemplos de tenacidade, de sacrifícios, de patriotismo também; colonos que, deixando a enxada, depois do mourejar diário nas clareiras abertas na mataria bruta, estudavam à claridade de lâmpadas de azeite de peixe, para não se embrutecerem no relaxamento, não esquecerem o que da mãe – pátria haviam trazido, não desesperarem sob o peso enorme do trabalho e da saudade.

E tudo isso, “pro Sancta Catharina et Brasília”, por Santa Catarina e pelo Brasil, como se vê no listel em campo de blau, do escudo.
Sim, foi por Santa Catarina e pelo Brasil que Hermann Blumenau e seus abnegados companheiros arrostaram tanto sofrimento; foi por eles que, em 1865, marcharam garbosos, para os campos do Paraguai; foi por eles que, em 1894, empunharam a bandeira da legalidade, rebelando-se contra a prepotência de governadores descontrolados; foi por eles que fundaram as suas escolas, as suas igrejas, as suas sociedades culturais e recreativas e, finalmente, foi por eles, pela honra e glória de Santa Catarina, que criaram o grande empório industrial e agrícola, em que transformaram todo o vale do Itajaí. Essas indústrias vêm representadas no escudo pela roda dentada de engrenagem de ferro subposta ao listel da divisa.

Por Santa Catarina e pelo Brasil, Blumenau continuará, pelos séculos afora, com o mesmo animo que orientou os seus fundadores, com a mesma fé, a mesma persistência e honestidade que lhe conquistaram o grande nome dos dias presentes e lhe assegurarão a glória dum futuro majestoso, dentro da grandeza da Pátria Brasileira.

1) Encomenda da feitura do Brasão foi procedida pelo prefeito Alberto Stein ao senhor heraldista Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay
2) O desenho original em aquarela foi feito pelo heraldista Dr. Afonso d´Escragnolle Taunay. Foi emoldurado em vidro e colocado no salão nobre da prefeitura municipal de Blumenau. Seu tamanho era de aproximadamente de 40 cm x 40 cm. Em 1965 Niels Deeke observando a aquarela retirou-a da parede e solicitou a Dona Annemarie Techentin que mandasse datilografar a descrição heráldica do brasão colocando-a em um envelope e o colasse no verso do quadro.
Obs. de ND . o quadro sumiu após Hercílio Deeke deixar Paço municipal.

Livro Centenário de Blumenau – 1850 – 2 de Setembro – 1950
Edição da comissão de festejos
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...