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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

- As Palmeiras da Alameda Duque de Caxias

MEMÓRIAS DE NIELS DEEKE
DESDE OS ANTIGOS JERIVÁS ATÉ AS ATUAIS PALMEIRAS IMPERIAIS DA NOSSA ALAMEDA DUQUE DE CAXIAS - ACONTECIMENTOS CUJOS SUCESSOS FORAM BEM OUTROS DE AQUELES QUE COSTUMEIRAMENTE CONSTAM DIVULGADOS..

Ao apreciar as diversas consignações constantes dos jornais locais, além de fantasiosas afirmações populares e até por vezes manifestas por historiadores consagrados, acerca das ¨Palmeiras¨ plantadas na Alameda Duque de Caxias – em Blumenau SC - percebi que todas mostravam-se eivadas de impropriedades, se não até de inverdades, razões pelas quais, malgrado desanimado e caracterizadamente desmotivado ao perceber serem recorrentes tamanhas sandices, resolvi explanar sucinta, ligeira e superficialmente, as verdadeiras ocorrências havidas.

O largo espaço viário surgiu, planificadamente, em 1852. Somente após 1872/73 quando Hermann Wendeburg – certamente a mando dr. Blumenau que não pretenderia ficar à sombra de Joinville, quando lá plantaram, em 1873, Palmeiras Imperiais, em número de 52 unidades, em Alameda - providenciou o plantio, no intervalo central, com dupla fileira contendo 50 coqueiros Jerivá em cada ala, observado o espaçamento linear longitudinal de 04 metros – portanto totalizando 100 árvores – foi que aquele terreno sito entre o Barracão dos Imigrados e o ribeirão Fresco ( Ponte do Pastor) passou a configurar uma Alameda e era mencionada como Palmenalle, denominação idêntica a que havia em Joinville..

Em 03/02/1883 a anterior Palmenalle foi renomeada como Boulevard Wendeburg, uma homenagem ao diligente vice-diretor colonial falecido em 13/01/1881. Apesar de oficialmente ter sido designada como Boulevard Wendeburg, era , porém, popularmente referida ¨Alameda dr. Blumenau¨, cuja denominação foi referendada em 08/4/1939. Com a aplicação coercitiva da nacionalização aos nomes de logradouros públicos, foi em 18/8/1942 denominada Alameda Duque de Caxias, homenageando o patrono do exército nacional Luis Alves de Lima e Silva. (Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto 1942, da administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais.)

Certamente, o Sr. Wendeburg, lá introduziu plantas já bem desenvolvidas – com estipe ( tronco, ripa) em altura de 02 metros, extraídas da mata nativa próxima, porquanto tais espécimes são muito comuns na região. A condição de haverem sido transplantadas pode ser comprovada observando-se a foto abaixo, na qual é, bem visível, o estreitamento da circunferência dos troncos, cujas seqüelas foram provocadas pela extração das céspedes com as mudas, visando o transplante e, após, durante a adaptação ao novo hábitat.
 2011 - Alameda Duque de Caxias - Foto Adalberto Day

Foto: Willy Sievert.
Foto 1949 – Retrata os Jerivás e o prédio de 02 pavimentos da antiga ¨Nova Escola Alemã 1889¨.( Neue Deutsche Schule) No primeiro prédio – mais recuado - em 1953, no térreo, situava-se e consultório do dentista Otto Vogel.
O Coqueiro Jerivá ( Gerivá) , assim popularmente denominado – e não Palmeira Jerivá - é nativo da mata atlântica, portanto autóctone, também, em todo o Vale do Itajaí.
O Jerivá, que na língua tupi castiça deveria ser pronunciado ¨jeribá ¨ onde ¨jeri” significa ¨cacho¨ ( penca) e ¨ Ibá ¨ = árvore, ( interpretação de Niels Deeke) refere, assim, Árvore de Cacho.
É classificado na dendrologia ( fitologia ) como ¨Siagrus Romanzoffiana - gênero Arecaceae, também dito¨Arecastrum Romanzoffianum¨, e vulgarmente denominado Coqueiro de Graxaim ou por Coquinho.
É grande o grupo da espécie das ¨Arecaceas¨, entre as quais insere-se a comum ARECA, mais conhecida como ¨Palma Família¨ ( familienpalm) que orna nossos jardins). .A germinação da semente é algo demorada - cerca de 120 dias. O seu palmito ( pseudo caule superior -colmo) presta-se sobremodo para rechear pastéis e principalmente preparar pastelões. Do seu estipe ( tronco lenhoso em ripa) medianamente rígido, quando fracionado serviu para fazerem ¨ Estuque ¨- uma forração de teto revestido com reboco cuja aplicação técnica encontra-se em desuso, e além produzem grande quantidade de objetos artesanais, como hastes de canetas, lapiseiras, cumbucas e cinzeiros, e se plantado em florestamento homogêneo, então a sua biomassa processada poderá suscitar aplicações compensadoras. Atingem cerca de 20 metros de altura e o tronco até 50 cm de diâmetro. Os indígenas após deitarem-no ao chão, escavavam o seu tronco, para formar um cocho apropriado à fermentação da bebida ¨Ky-Ky¨, um mix de pasta aquosa de mandioca ( dita cauim qdo. fermentada) e de milho verde, além de mastigação de pinhões crus que regurgitavam no dito cocho.)
A polpa externa dos frutos, cujos cachos chegam a pesar 120 kg, é amarela e dela alimentam-se aves, morcegos frugivoros, bugios, micos-prego,quatis, esquilos, ouriços e, quando dispersos ao chão, por gambás, pacas, e notadamente por cotias que estocam os coquinhos.

Enfim trata-se daquele coqueiro, dos quais no passado as crianças recolhiam a ¨Espata” que após envolver os cachos já maduros, despencava ao chão e serviam de ¨prancha¨ ( dita como canoa) para com ela escorregarem nas barrancas lamacentas dos rios e riachos – era o nosso surfe de outrora, uma alegre diversão caso não houvesse um traiçoeiro estrepe no curso do deslize.

No presente podemos apreciá-los plantados, muito jovens, em longa fileira no canteiro central da rua Antônio da Veiga – defronte à Furb - a qual, assim arborizada, transformou-se em avenida. Sofre, o Jerivá, porém, com o ataque de predadores, tanto no tronco quanto nos frutos. O mais contumaz é um pequeno coleóptero ( besourinho do coqueiro) o ¨Revena rubiginosa ¨ que ataca os frutos e após metamorfosear-se em pupa, se transforma em larva ( uma lagarta avermelhada ) quando os frutos já estão no solo. Também sofre predação pela ¨Broca¨ ( espécies scolytidae ou platipodidae ) outro besourinho que perfura o Estipe, causando grande dano. Variedades de brocas do coqueiros são muitas, entre as quais o dita como Rhina ou seja o Rhinostomus Barbirotris, cuja infestação é geralmente fatal. Não confundir Broca com Cupim.
Enfim o tempo de vida do Jerivá é cerca de 80 anos e, os da nossa Alameda, estavam em 1952/53, com seus dias contados. Alguns já haviam morrido, tanto estavam seus troncos carcomidos pelas Brocas.
Urgia substituí-los, ademais devido ao tamanho dos duros coquinhos, acontecera em algumas ocasiões que pedestres, usuários do passeio central, neles escorregassem e sofressem quedas graves com fraturas, nisso responsabilizando a Prefeitura de Blumenau. Recordo-me de uma ocorrência surrealista por volta de 1952/53, quando o pneu de um automóvel ao trafegar pela Duque de Caxias, comprimindo um coquinho, o expeliu com tamanha força que, acertando um transeunte da têmpora, provocou seu desmaio e internação hospitalar. Sintetizando, eram constantes as reclamações, e impossível manter varrido o passeio todas as noites.
Consultados os jardineiros da Prefeitura, dos quais era superior o Decano dos Topiários- o Sr. Gustavo Krueger - funcionário contratado - e considerando o estado lastimável dos Jerivás, resolveu o Prefeito Hercílio Deeke, enviar o Sr.Krueger ao Rio de Janeiro, para, junto ao Horto do Jardim Botânico, preparar 200 mudas da PALMEIRA IMPERIAL ( Não da Palmeira Real que é essência arbórea muito diversa da Imperial e de elementar reprodução), com as quais substituiria os já decadentes coqueiros Jerivá. Certo que havia outro jardineiro eventualmente contratado pela PM para ajardinamento , que era Rudolf Luebcke - de religião adventista e, então, residente no Jarakenbach – porém apesar do Sr. Krueger ser pessoa muito reservada e circunspecta, foi o escolhido para a missão. Gustavo Krueger e família residiam , naquele época <1953> no final da rua Timbó, quando, nos fundos, ainda não havia a rua Max Hering, e lá mantinha imensa floricultura, com muitas roseiras e ciprestes. Ah.... meu horror era quando, altas horas da noite minha mãe me chamava, dizendo : te prepara, vás ao Krueger buscar uma coroa e levar à casa fulano que está sendo velado. E lá seguia eu de moto à casa do sisudo sr. Krueger, que, não poucas vezes nem tinha começado a fazer a coroa por falta de ramagem dos ciprestes que precisam ser buscadas muito do alto das árvores, pois as baixas já haviam, sido utilizadas. Em um dia chuvoso, enquanto a sra. Krueger, no porão casa preparava as flores da coroa, ele Krueger lanterna a mão, iluminava o alto de um cipreste que eu precisaria, levando facão, alcançar, e quando eu ameaçava cortar um galho mais baixo ele gritava : não, esse não serve, mais para cima. E eu, infeliz, tinha que subir, rente ao tronco, aquela nojeira de sarapilheira que agarrava-se em meu pescoço e, entrando pela camisa, coçava barbaridades, sem contar com a morcegada que ali habitava e também lá, descomia, enporcalhando as galhadas que eu galgava. . Mas enfim, no centro de Blumenau, outro não havia que preparasse coroas fúnebres. Saudosos, bons e ingratos tempos.....

Apesar de, em Blumenau, haverem tentado obter a germinação das sementes colhidas das 52 Palmeiras Imperiais que, em 1873, haviam plantado em Joinville e decoravam a Alameda Brüstlein, não lograram sucesso algum, porquanto desconheciam a especial técnica imprescindível à reprodução. Observe-se que as Palmeiras Imperiais supracitadas de Joinville, foram igualmente plantadas a partir de mudas provindas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e não de sementes.
Hercílio Deeke, nesse mister, em 1953, manteve contato com seu conhecido, o blumenauense Professor João Geraldo Kuhlmann (1882-1958) antigo Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o qual apesar de já aposentado, prometera interferir, junto à instituição, na obtenção de mudas, já bem desenvolvidas, de Palmeiras Imperiais.
Observação : Houve quem historiando as Palmeiras Imperiais da nossa Alameda, afirmasse terem sido obtidas mediante a intermediação do Padre Raulino Reitz , o que, em absoluto, não corresponde, vez que o Padre Reitz ( 1919-1990) – prestimoso e louvável botânico, historiador e fundador, em 1942/43 do Herbário Barbosa Rodrigues em Itajaí e Itapema, assumiu somente em 1971 uma diretoria do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, portanto 18 anos após o fato.
Consta do acervo particular de Niels Deeke - in arquivos Hercílio Deeke- o que se segue :
Uma carta dirigida em 25/11/1953 pelo Pref. Municipal Hercílio Deeke ao Prof. João Geraldo Kuhlmann- agradecendo a acolhida que este dispensou ao jardineiro Gustavo Krueger- da Prefeitura de Blumenau, o qual seguiu aquele Jardim Botânico para especialmente preparar e trazer Mudas e recolher Sementes das Palmeiras Imperiais, além de mudas de árvores decorativas destinadas à arborização das ruas e praças de Blumenau e, ao mesmo tempo, remetia, como oferta para João Geraldo Kuhlmann, diversas roseiras –Pasta H.D. - ano 1953- Diversos Ministérios e Repartições) # Em 23 de abril de 1951- O Prefeito Hercílio Deeke escrevia longa carta ao Dr. João Geraldo Kuhlmann, solicitando mudas de “PAU-BRASIL” ( Ibirapitanga, os tupis chamam árvore de Araboutan, e com lavadura da sua cinza sabem dar uma cor vermelha mui durável - (Robert Southey, História do Brazil, Garnier, Rio,1862, t.1, p.44, extraído de A. Franco, A IDADE DAS LUZES, p. 310).
Em outra carta Hercílio Deeke autorizava o despacho das ditas mudas por intermédio da firma “Sysack & filhos” - Rio GB, rua D. Pedro Gerardo nº 60 – telefone 23-6217- que eram agentes do navio “Urânia” de propriedade da empresa “Navita”, de Itajaí - SC. – cujo proprietário era Rodolpho Renaux Bauer.
Vide, também, cópias in Arquivo –HD Pasta Expedidas Diversos. Ministérios ano 1951 e ano 1953- acervo Niels Deeke.

Em 1953 na gestão do prefeito Hercílio Deeke, este, estipendiando de seu próprio bolso, ordenou ao jardineiro Gustavo Krueger (Gustavo Krueger falecido entre os dias 1º e 7 de outubro de 1965), que seguisse, embarcado no vapor ¨Carl Hoepcke¨, ao Horto do Jardim Botânico no Rio da Janeiro, para especialmente preparar as céspedes com as mudas das “Palmas” (1) ¨Palmeiras Imperiais¨.
Palmeira Imperial : Roystonea oleracea (Palmae) - essência arbórea que de uma ilha no Oceano Índico (Ilhas Maurício -Colônia Francesa – a leste de Madagascar – na qual fora criado o jardim governamental francês La Pamplemousse) foram trazidas para o Jardim La Gabrielle, nas Guianas e após proliferaram na Guatemala. Entretanto a muda da ¨Palma Máter Imperial¨ que ingressou no Horto do Jardim do Botânico do Rio de Janeiro, veio diretamente das Ilhas Maurício, contrabandeada, em 1809, do Jardim La Pamplemousse, por Luiz de Abreu Vieira e Silva, que dela fez presente ao príncipe regente D. João VI. Foi esta a Palma Máter, muda no Brasil plantada em 1809 a mando de D.João VI que, frutificando pela primeira vez em 1829, deu origem a todas as demais Palmeiras Imperiais no Brasil. Consta haver, a Palma Máter Imperial plantada em 1909, resistido até 1972 – quando foi fulminada por um raio - portanto perdurou cerca de 160 anos, ou seja mais do dobro da existência vital de nosso nativo Jerivá, e alcançou quase 40 metros de altura, igualmente o dobro de Jerivá que limita-se a 20 metros. Contudo a idade de 160 anos alcançada pela Palma Máter do Jardim Botânico R.J. , deve ser caso raro, pois muitas destas ¨Imperiais¨ plantadas na Alameda Brüstlein em Joinville, precisaram, já antes do ano 2.000,. ser , em número de 36, substituídas por novas plantas, em razão de haverem morrido. Assim sendo sua existência vital média, deverá ser entre 100 e 120 anos, quando, naturalmente, as suas folhagens definham pelo insuficiente suprimento de nitrogênio através da seiva até o alto colmo das folhas.
Foi assim que provindas do Horto Florestal anexo ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro e de lá, mediante especial pedido de Hercílio Deeke, trazidas para Blumenau - em outubro de 1953 - vindas com o navio Urânia até Itajaí, finalmente chegaram as 200 mudas ao antigo e precário viveiro de árvores decorativas que existia nos fundos da PMB, quase junto à barranca do ribeirão Garcia. Foram necessárias duas viagens do caminhão caçamba da PMB ao porto em Itajaí para trazer aquelas preciosas mudas envoltas em sacaria de aniagem, disso recordo-me por ter assistido a primeira descarga, se bem que, naquele lote, havia mudas de outras essências, como de ¨Salseiros¨ - Salix Humboldtina, e ¨chorões ¨ também do gênero salix, que foram indicados pelo dr. Kuhlmann como apropriados para plantio ao longo das barrancas do rio Itajaí Açu. Porém, naquela época, houve quem crédulo em fetiches, afirmasse serem , os ¨Chorões¨, catalisadores grandes azares às cercanias de onde estivessem........

Ainda em 1953 os velhos e carcomidos Jerivás, em fase terminal de existência - algumas mortas outras apodrecidas, com mais de 80 anos de idade, que é o seu tempo vital - foram derrubadas a machado pela laboriosa turma de operários do Sr. Reinoldo Barfeld e logo, sob a supervisão da jardineiro Gustavo Krueger, foram plantadas as legítimas ¨ Imperiais ¨ sem escora ¨ ( bengala de Santo Antônio) , pois seus estipes já estavam com cerca de 1,80m de altura.
Seguindo-se a derrubada dos Jerivás, que iniciou-se do final da Alameda em direção à rua XV de novembro, foram os cepos, então ainda enraizados, destocados pela lâmina do trator modelo ¨Traxcavator¨ da PMB ( único que por aqui havia na cor vermelha sangue ) e após, laçados com cabo de aço, arrancados. Os cepos serviram como parte do aterro nos fundos da PMB em local onde posteriormente edificaram o Mausoléu dr. Blumenau. Nas covas deixadas pela extração, aplicaram, primeiro, aquele pó azul – o sulfato de cobre - um potente tóxico ( Fitotóxico) para erradicarem germes e bactérias ( saporemas) e após completaram com terra de mato misturada a salitre do Chile e pó de osso fornecido pela empresa Von der Heide, de Testo Central. ( adubos químicos prontos, do tipo NPK, cá não existiam disponíveis) Eu assistia a tudo aquilo montado na minha motocicleta Dürkopp- 7,5 HP, pois que todas as tardes, daquele 2º semestre de 1953, freqüentava o dentista Otto Vogel, cujo consultório situava-se na Alameda, no térreo do prédio precedente ao que serviu à Nova Escola Alemã de 1889, sito a cerca de dez metros de onde atualmente encontra-se a edificação do Arquivo Histórico. Aquele ano de 1953 foi o último no qual cursei escola em Blumenau, e desde meados do ano, haviam, meus pais, decidido que em 1954 eu cursaria o ¨ Científico ¨ no Rio de Janeiro, sendo um dos requisitos necessários que meus mastigadores (dentes) estivessem em perfeitas condições, razão porque foi intenso o meu tratamento dentário o que possibilitou- me apreciar os serviços quem executavam na Alameda Duque de Caxias. Contudo só assisti a extração dos velhos coqueiros na secção da Alameda que situa-se defronte o antigo estádio do Palmeiras clube de futebol. Suponho que após o transplante algumas Imperiais possam ter morrido e, nos anos que seguiram, as substituíram pelas demais mudas, já bem desenvolvidas, que permaneciam no viveiro dos fundos da PMB.
Enfim na Alameda foram plantadas cem árvores, e teriam sobrado cem mudas, cujos destinos de algumas foram, entre outros, o plantio próximo às igrejas em Blumenau e distrito de Rio do Testo (Atual Pomerode). Também algumas mudas foram levadas por Hercílio Deeke ao Cemitério Evangélico –Centro, a fim de que o seu zelador – o sr. Christ - lá as plantasse. No meu velho refúgio florestal, onde resido em cenobismo, tenho somente 04 Palmeiras Imperiais, que plantei faz mais de 35 anos, e agora estão com cerca de 15 metros de altura, frutificando em abundância.
Tanto o Coqueiro Jerivá como a Palmeira Imperial caracterizam-se, ambas, na aparência, pela folhagem crespa, enquanto a Palmeira Real possui folhas lisas. Evidentemente os cachos de sementes das três espécies têm aparências inteiramente diversas. As Imperiais produzem frutos (bagas) de cor bege – de pequeno tamanho - bem menor que as duas outras espécies citadas e são de dificílima germinação espontânea – somente germinam, após desbaste da casca, através choques térmicos. ( Criogenia e aquecimento temporizados - técnica confidencial ) e , após ( cerca de 80 horas) , os caroços são introduzidos em areia a 01 cm de profundidade, estes são os procedimentos que eram e continuam sendo parcialmente secretos). A mesma técnica é utilizada para a germinação, em grande escala, das sementes de Coqueiros Dendê, contudo obtive bom sucesso fazendo germinar, através processo diverso, cerca de 50 coquinhos Dendê extraídos de uma das três plantas adultas da minha Fazenda. Como, na Alameda Duque de Caxias, diversas destas Imperiais morreram, atualmente (estamos em 1998) completaram os vazios com Palmeiras Reais o “Arcontophoenix Cunninghamiana”( origem Austrália) , que apresenta folhas lisas e frutos de coloração vermelha ou lilás que são de germinação fácil e geralmente espontânea, e das quais possuo plantadas, para futura extração, mais de cem mil unidades. A substituição, na Alameda Duque de Caxias, por espécie diversa é gritantemente horrível, atestando o pouco caso que demonstram nossos burgomestres com a conservação original daquela Alameda, e agora lá estão as intrusas Palmeiras Reais – bem menos grandiosas - introduzidas aleatoriamente para desqualificar a soberbia e majestade das altaneiras Palmeiras Imperiais. Possuiria a municipalidade de Blumenau algum órgão responsável pelo ajardinamento público ? Penso que não possui .... ou talvez houvesse terminado a chopp com o qual tencionavam regar as Palmas........ou ainda o consumo excessivo do dito lhes tenha embaçado a visão e confundiram Palmas Imperiais com Reais, pois sim.....
1) PALMAS : PALMEIRAS. Nativa da Mata Atlântica - mais acertadamente “Palmiteiro” ( Língua Tupi : palmiteiro=Pindotiba) , ou seja a euterpe edulis e euterpe linicaulea ( Içaras ou Juçaras – são as suas sementes) nativa na região subtropical do Brasil. ( A Euterpe Oleracea é nativa no nordeste e norte do Brasil – conhecida popularmente como Açaí ). O conjunto da árvore, tronco ou ripa, folhagens, içaras e ou açaís, em tupi é denominado “Pindó”. As Palmas existentes são do gênero Orzignia, Cocos, Attaléa, Trithrinax etc. Existem no Brasil cerca de 140 espécies de palmas. O Coqueiro, “Arecastrum Romanzoffianum”, comumente chamado de “Jerivá ” ou coqueiro de graxaim , cujo colmo (palmito), em substituição ao do palmito verdadeiro( dito Palmito Juçara) , serve muito bem para o preparo de “pastelões” de forno. Foi este o gênero arbóreo nativo mandado plantar pelo Dr. Blumenau, na atualmente denominada Alameda Duque de Caxias. A “palmeira dita legítima”, comumente encontrada nos jardins, não é brasileira, e sim originária da Austrália, trata-se da Archontophoenix cunninghamii
São duas as espécies mais plantadas : o Roystonea oleracea (Palmae)) ou seja a Palmeira Imperial – originária do Oceano Índico, com folhagem crespa e sementes ( bagas de cor bege e bem pequenas) e a outra : o Archontophoenix Alexandrae com a variedade Arcontophoenix Cunninghamiana, ambas quase idênticas e caracterizam-se pela folhagem lisa e frutos (bagas) de cor avermelha ou lilás Todas se prestam, muito bem, ao consumo humano e certamente dia virá em que o plantio destas espécies será desenvolvido em grande escala, para suprir a carência da Euterpe Edulis ou Euterpe Linicaulea, nativa de nossas matas no sudeste brasileiro. O botânico Spix em sua excursão ao Brasil, estudou detalhadamente os palmiteiros e palmas, ao ponto de tornaram-se sua verdadeira obsessão. A designação taxonômica para Jerivá é Arecastrum romanzoffianum var.geniunum ou Syagrus romanzoffiana (Chamm).

São as seguintes as atuais classificações das variedades e únicas arbóreas da família Palmae que ocorriam naturalmente no sul do Brasil:
- juçara - Euterpe edulis (Mart.)
- butiá - Butia eriospatha (Mart. ex Drude)
- jerivá - Syagrus romanzoffiana (Chamm.)
- indaiá - Attalea dubia (Mart.)
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Palmeira Real : Nome Científico: Archontophoenix cunninghamii
Sinonímia: Loroma amethystina, Ptychosperma cunninghamiana, Seaforthia elegans, Archontophoenix cunninghamiana
Nome Popular: Palmeira-real, Palmeira-real-australiana, Palmeira-seafórtia, Seafórtia, Palmeira-australiana, Palmeira-real-da-austrália
Família: Arecaceae
Divisão: Angiospermae
Origem :Austrália
Ciclo de Vida: cerca de 80 anos.
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Fontes :
1) Anotações procedidas por Hercílio Deeke nas suas agendas de serviço – ano 1953 – In arquivo particular de Niels Deeke.
2) Registros copiados de antigos manuscritos da municipalidade nos quais fundamentava-se Hercílio Deeke para elaborar os seus Relatórios Administrativos anuais, editados à população de Blumenau. Idem, ibidem.
Alinhavos de Niels Deeke, em Bl’au –SC

Alinhavos de Niels Deeke, em Bl’au –SC
Arquivo Niels Deeke e Adalberto Day

4 comentários:

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Prezado Adalberto, que preciosidade, mais esta generosa contribuição do amigo Dr. Niels Deeke para a historiografia blumenauense. Como bônus, uma interessantíssima 'aula' de botânica, esclarecedora, entre outras coisas, quanto à diferenciação de 'palmeira' e 'coqueiro'. A confusão etimológica de décadas recentes deve ter origem, de um lado, na tradição oral quando, no âmbito informal, de forma inocente foram transferidas informações para a geração seguinte sem o conhecimento de detalhes importantes. Convenhamos que, para o observador leigo de antanho, pode facilmente ter passado desapercebido o fato das antigas 'palmeiras' terem sido, de fato, 'coqueiros'. De outro lado, deve ter mesmo havido falta de aprofundamento científico quanto às espécies plantadas por parte de pessoas que se dedicaram ao tema no contexto da história de Blumenau. Seja como for, todos talvez tenham sido, em parte, influenciados por aqueles que nos antecederam, ainda no século XIX. Ao dar o nome 'Palmenallee' àquela via pública, o equivalente a 'Alameda das Palmeiras', é possível que, sem querer, tenham plantado a semente para os equívocos que surgiram posteriormente, pelos quais, todavia, somos os únicos responsáveis. Com base nisso, no vernáculo nós a eternizamos como sendo a 'Rua das Palmeiras' quando, como vemos, deveríamos ter escolhido 'Rua dos Coqueiros'. Quer me parecer que a partir disso todos passaram a julgar que haviam sido plantadas 'palmeiras'. Não me ative a pesquisar isso no contexto deste comentário, mas não poderia até o saudoso 'Palmeiras Esporte Clube', domiciliado junto à 'Rua das Palmeiras', sido levado pela onda? Este nome para o clube foi adotado em 1944, ao que tudo indica ainda no embalo da Campanha de Nacionalização. Antes, portanto, da substituição dos 'coqueiros' originais pelas novas 'palmeiras'. Nossos colonizadores pioneiros, então, erraram ao chamar os 'coqueiros' de 'palmeiras'? Não creio. É bem verdade que em alguns relatos antigos encontramos referências a tigres, quando aqui existiam onças e outros felinos, mas devem ter sido feitos por imigrantes provavelmente pouco letrados ou ainda não familiarizados com a vida animal da nova pátria. Todavia, não podemos incluir neste grupo o Dr. Blumenau, personagem ligado ao plantio dos 'coqueiros' originais. Em 1850 publicou a obra 'Südbrasilien in seinen Beziehungen zu deutscher Auswanderung und Kolonisation', traduzido sob o título 'Sul do Brasil em suas referências à Emigração e Colonização Alemã' e publicado em 1999 na obra 'Um alemão nos trópicos: Dr. Blumenau e a política colonizadora do Sul do Brasil'. Por ser longo, completo meu comentário a seguir...

Prof. Wieland Lickfeld disse...

(Concluo aqui o meu comentário, Adalberto.) Faz o Dr. Blumenau ali uma minuciosa descrição da nossa fauna e flora citando, inclusive, seus nomes científicos, e menciona corretamente as onças em suas diversas espécies. Obviamente fundamenta a obra em relatos de naturalistas que viajaram pelo Brasil anteriormente, mas seguramente também a partir de sua experiência pessoal, vivida no início de 1848, quando visitou o Vale do Itajaí pela primeira vez e ficou maravilhado pela natureza exuberante que viu. Fala, também, das diversas 'Palmen' - 'palmeiras', cf. a tradução da obra - e sua utilidade na construção de casas e para a alimentação do homem. Ao traduzir 'Palmenallee' como 'Rua das Palmeiras', deixamos de considerar um pequeno detalhe, mas que faz toda a diferença na presente discussão: o fato do vocábulo 'coqueiro', em alemão, equivaler a 'Kokospalme', ou seja, 'Palmeira de Coco'. Em outras palavras, no idioma alemão parece ser aceitável chamar um 'coqueiro', como a espécie Jerivá, que produz 'coquinhos', genericamente de 'palmeira'. A nós é que cabe o dever de observar isso na tradução dos termos. Tivessem sido plantados, ao invés dos 'coqueiros Jerivá', aqueles que fornecem o famoso 'côco da Bahia', o nome que teriam dado à via talvez teria sido mais específico quanto à espécie - 'Kokospalmenallee' -, ainda que isso não fosse necessário, pois seria, ainda assim, uma espécie de 'Palme'. Esta espécie, exótica, todavia não devia fazer parte da flora da Blumenau de então. Complicou para nós, que acabamos traduzindo as coisas equivocadamente desde o início, mas o tempo tratou de resolver isso, inicialmente 'na prática' e depois na 'teoria': na 'prática' há quase 60 anos, quando foram substituídos os 'coqueiros' por 'palmeiras', corrigindo, por assim dizer, a anomalia do ponto de vista etimológico. Deste então, passou a ser aceitável chamar a avenida de 'Rua das Palmeiras', ainda que o nome oficial fosse outro. Na teoria somente agora, com a preciosa contribuição do Dr. Niels Deeke pela via do seu blog. Muito obrigado aos dois! Um grande abraço!

Lauro E. Bacca disse...

Importantes esclarecimentos sobre nossa eterna "rua das Palmeiras"!
Realmente desconhecia os problemas causados pelos seus frutos na via pública, exceto por um comentário feito pela Sra. Renate Odebrecht. Quando criança, voltando a pé da escola (Sagrada Família) via rua XV e rua das Palmeiras (não havia a rua 7 até a Fonte, no Garcia), lembro que deliciava-me saboreando juntando os coquinhos juntados do chão, alheio aos aspectos da higiene, mas, felizmente, nada de mal aconteceu à minha saúde. Na realidade o gerivá ou coqueiro não deixa de ser também uma palmeira, atualmente classificado dentro da família das Arecáceas, como quase todas as nossas palmeiras e palmitos nativos, e não mais Palmáceas como consta na Flora Ilustrada Catarinense do saudoso Pe. Raulino Reitz. Tenho defendido a volta dos coqueiros, ou gerivás, à rua das palmeiras. O fato dos seus frutos poderem causar problemas ao transeunte, como descreve Niehls Deeke, deve ser levado em consideração, mas não deve constituir um óbice à volta de nossa Alameda plantada com gerivás nativos, concepção original do Dr. Blumenau, e/ou Hermann Wendemburg, na medida em que as exóticas palmeiras imperiais forem morrendo. Para tudo há solução. Em tempo, se for possível corrigir no texto: o nome científico das espécies inicia com minúscula, no caso o gerivá grafa-se como Syagrus romanzoffianum, sua família (e não gênero, como consta no texto) é Arecaceae.
Parabéns pela interessante e oportuna matéria, Adalberto.
Baitabraço,
L. E. Bacca

Santos disse...

O artigo sobre as palmeiras foi uma verdadeira aula de botânica. Incrível o conhecimento do Dr Niels. Aqueles nomes complicados derivados do latim demonstram bem o conhecimento profundo do Niels. Ele mencionou inclusive o Jerivá, um dos coqueiros arrolados por ele. Ao dar os frutos, esse coqueiro solta uma capa do cacho e a respeito dessa casca, lembrei-me de uma historia folclórica que meu pai contava. No interior (sertão) é muito comum as festas com musicas de violão e violas e, não, raro, aparecem os cantadores que se desafiam, como ocorreu na festa, até que um deles, havendo esgotado seu repertorio que não raro se estende por muito tempo, deu-se por vencido. Nisso, passando da meia-noite, aparece na festa assim sem ser convidado, um elemento todo vestido de preto, olhos faiscando, linda viola sob o braço, e grita pra plateia: ha algum cantador aqui para ser desafiado? Apresenta-se o vencedor do ultimo desafio. Iniciam a cantoria e a coisa vai por horas e o vencedor do último, viu que não podia com o cantador de preto. Pegou a viola e largou: "meu senhor dono da casa, fecha a porta e apaga a luz. Temos o demônio encasa rezemos o credo em cruz". Ato continuo, o cantador recém - chegado transformou-se numa grande chama, explodiu e surgiu uma fumaçada cheirando a enxofre e ele desapareceu, deixando cair uma casca de Jerivá, que era sua viola" Folclore, amigo Beto. Abraços.
E.A.Santos

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