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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

- Caminha, Gonçalves e os STAMMTISCH

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos um texto do Jornalista e escritor Carlos Braga Mueller, que nos relata sua participação nos STAMMTISCH , observando a entrevista realizada pelo Dr. Luiz Eduardo Caminha com José Gonçalves.

Por Carlos Braga Mueller.

Lendo a entrevista que Luiz Eduardo Caminha fez com José Gonçalves para buscar informações sobre os antigos "Stammtisch" de Blumenau, me veio a lembrança algumas imagens vividas por mim quando era jovem e que me remetem a muitas e famosas mesas de "stammtisch".
José Gonçalves recorda muito bem, na sua entrevista, alguns dos mais famosos grupos de amigos que se reuniam nos finais da tarde dos anos 50 e 60 para beber e jogar conversa fora.
Cita, por exemplo, alguns jornalistas que confraternizavam no "Gato Preto", um pequeno bar e restaurante que funcionava no porão do casarão onde morava a família do advogado Thomé Braga, espaço hoje ocupado pelo Edifício Mauá. Neste mesmo prédio funcionava, em uma sala, a ACIB.

Gonçalves também lembra os stammtisch que eram a marca registrada do Bar e Restaurante Palmital, cujo proprietário, Adolfo Ern, recebia os amigos todas as noites em mesas reservadas, seguindo a velha tradição alemã. A Palmital ficava na Rua Nereu Ramos, bem no começo, a esquerda, logo depois do prédio da esquina com a Rua 15. Quando fechou sua churrascaria naquele local, Ern logo abriu outra por perto, na Rua 7 de Setembro, a "Churrascaria da 7", pertinho do Hotel Rex. Nestes pontos bebericavam e devoravam seus galetos pessoas tradicionais da nossa sociedade: lá estavam o Augustinho Schramm (Casa Flamingo), Flávio Rosa (Rádios Clube e Difusora), Nicolau Elói dos Santos (Tipografia Centenário) e muitos mais, que iam chegando e se acomodando, desde que fossem da confraria.
Mas os stammtisch não paravam por aí: eles aconteciam também na Confeitaria Polar, no Bar Avenida do Serpa, (porão do Hotel Holetz), no Benthien, no Ali Babá.
Nestas mesas discutia-se de tudo, tanto que foi numa destas ocasiões, como lembrou Gonçalves, que surgiu a idéia de se fundar um clube. E assim nasceu o Bela Vista, fundado pelos integrantes de um stammtisch.
Mais recentemente, um dos mais famosos pontos de stammtisch, o último a resistir ao avanço das invasões imobiliárias, foi o Ponto Azul na Vila Nova. Horácio e sua exuberante alegria, estavam sempre por lá.
Na atualidade, os vários clubes de Blumenau hospedam seus stammtisch em ambientes onde não pode faltar uma cancha de bocha.
Também rola em alguns destes ambientes o truco, jogo que exige de seus contendores voz forte, para soltar urros e berros.

Enfim, reviver estas tradições e colocá-las numa vitrine, como a Rua 15 de Novembro, foi idéia do Caminha, do Norberto Mette, do Periquito e de tantos outros.
É bem verdade que nos stammtisch da rua 15, em Blumenau, o transeunte passa fome se não conhecer alguém de alguma barraca.
Outros, comem até demais. De bicada em bicada, de chope em chope, abraçam os amigos e seguem em frente, buscando mais iguarias.
A iniciativa de se utilizar a Rua 15 de Novembro para fazer a festa ainda provoca discussões. Muitos, especialmente comerciantes, reclamam da fumaça que invade suas lojas. E as vitrines, ah, as vitrines ! Ficam engorduradas ...
Já se tentou fazer na Rua Alberto Stein, mas voltaram para a 15.
Mesmo assim, hoje Blumenau sedia stammtisch de rua em alguns bairros, promovidos por associações de moradores, e até cidades vizinhas já instituiram os seus.
Então, não há como fazer diferente:
"Um prosit ao STAMMTISCH!"

Para saber sobre a entrevista do Caminha com o José Gonçalves, em 20.03.2010, acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2011/09/homenagem-jose-goncalves.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/07/stammtisch-em-blumenau.html
Arquivo Adalberto Day e Jaime Batista da Silva

terça-feira, 25 de outubro de 2011

- Enchente de 1911

UM SÉCULO DEPOIS
(Histórias da minha avó VI)

Por Urda Alice Klueger /Colunista
Naqueles anos em que eu tinha oito, nove, dez anos, minha avó Emma Katzwinkel Klueger morou na nossa casa, à rua Antônio Zendron 668 – Garcia – Blumenau. Aquela foi a única avó que eu conheci e outras vezes já escrevi sobre ela, uma grande contadora de histórias, um grande achado para uma criança curiosa e ávida de novidades como eu era. Passava horas infindas ouvindo o que ela tinha para contar, e assim acabei aprendendo uma porção de coisas. É claro que naquela época e lugar usar a palavra “avó” ficaria uma coisa muito estranha – avós de origem alemã eram chamadas de Oma (os avôs era Opa) (apesar de a minha avó ser imigrante lituana) – já as avós e avôs de ascendência italiana eram nona e nono.
Pois bem, foi com a minha Oma Klueger que eu muito convivi naquele período em que estava aprendendo a minha própria vida, e agora que é o ano de 2011 e, portanto, já se passou um século desde a grande enchente de 1911, fico a me lembrar das coisas que ela contava a respeito.
Vapor Progresso que prestou relevantes serviços nesta enchente
como também o Vapor Blumenau.
Em 1911 minha Oma já era casada e tinha uma criança, tia Wanda. Tio Erich, seu segundo filho, nasceu durante a enchente, coisa tão marcante que acho que todo o mundo sabia – eu, pelo menos, nunca esqueci tal fato – se vivo, tio Erich Klueger estaria fazendo 100 anos neste mês de outubro.
 Lojas Husadel - Relojoaria
 Com tanta chuva e umidade minha Oma tinha dificuldade de manter secas as fraldas do seu bebezinho e as punha a secar sobre o fogão de lenha. Não podemos esquecer que na casa já havia uma menininha que estava muito enciumada com a chegada daquela concorrência, e que já era esperta o suficiente para tentar fazer valer seus sentimentos: em pleno frio da enchente, pegou o irmãozinho recém nascido, desembrulhou-o e deixou-o abandonado sem as fraldas secadas com tanto trabalho! Coisas inolvidáveis que uma avó pode contar para uma criança!
Mas minha Oma tinha muitas outras coisas para contar sobre aquela enchente.
Confeitaria, pousada, salão de Hermann Hinkeldey
Depois Cine Garcia e por último Igreja Santo Antônio

Blumenau rua XV de Novembro
Foi através dela que eu soube que o rio da cidade represara até a baixada da Rua Antônio Zendron, onde eu morava, chegando aos pés do Salão Hinkeldey , que pertencera a um tio do meu pai, casado com uma das moças Klueger irmãs do meu avô. É claro que desde 1911 as coisas tinham mudado – quando eu era criança, o antigo Salão Hinkeldey se chamava Cine Garcia, onde vi muitos filmes de Tarzan e Elvis Presley – hoje, naquele lugar há a Igreja de Santo Antônio, que pertencera a um tio do meu pai, casado com uma das moças Klueger irmãs do meu avô.

Havia mais curiosidades a aprender sobre aquela enchente, no entanto. Se o rio da cidade viera até ali na baixada da minha rua, tal significava que ele cobrira as terras de muitos moradores que eu conhecia, como as do seu Leo Deschamps. Bem no pasto do seu Leo Deschamps minha avó me mostrava uma pequena depressão no meio da grama onde, quando as águas refluíram, ficaram presas ali muitas traíras, peixe muito conhecido e apreciado lá nos tempos em que eu era criança.
- As pessoas mataram as traíras a facão – contava minha avó, e dava detalhes, sobre como as traíras estavam furiosas, tentando desesperadamente salvar suas vidas aprisionadas naquele pouco de água que o sol estava evaporando, e de como elas esbravejavam e tentavam escapar dos facões e, criança sensível que eu era, morria de pena das pobres traíras e como que via sua luta que fazia a pouca água espumejar e a morte sem piedade de todas elas.
Eu nunca esqueci daquele exato lugar no pasto do seu Leo Deschamps onde houvera aquela matança de traíras em 1911, nem nunca consegui passar lá sem me lembrar.
Recentemente, passei por lá de novo, e a baixada da rua Antônio Zendron já não tem mais nenhum pasto, e fica complicado se lembrar como era lá nos anos da minha infância. Foi-me fácil, no entanto, identificar o lugar onde aquelas traíras lá do passado morreram sob tanta selvageria: naquele lugar, exatamente naquele lugar, hoje, há uma pequena praça de esportes, toda de concreto, próxima da Associação Kolping. Talvez ninguém mais vivo, hoje, se lembre daquilo. Achei que era minha obrigação escrever a respeito.
Blumenau, 15 de outubro de 2011.

Urda Alice Klueger/Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR
Para saber mais acesse: http://adalbertoday.blogspot.com/2011/10/ano-2011-centenario-da-grande-enchente.html
Arquivo de Adalberto Day/AHJFS - Arquivo Histórico  José Ferreira da Silva
Colaboração José Carlos de Oliveira

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

- Ingo Penz

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje nosso amigo Ingo Penz. Já conhecido não só como fotógrafo jornalista, mas pela sua irreverência, principalmente nos desfiles da nossa Oktoberfest. Era amigo e participava em desfiles com nosso inesquecível Horácio Braun.
O Fotógrafo

No dia 27/julho de 2011, tivemos a honra de receber em nossa residência o fotógrafo e jornalista Ingo Penz.
Na visita, Ingo nos presenteou com o livro Presença da Imigração Alemã em Santa Catarina , lançado no dia 28 de junho/2011, em Pomerode, SC, "a cidade mais alemã do Brasil".
O livro é “um registro fotográfico do contexto humano regional, em especial, das manifestações culturais germânicas ao longo de quatro décadas
Também recebemos de Ingo Penz, um belíssimo DVD de músicas - Choppmotorrad Freundemusikanten, com 14 belas composições.
Nascido em Jaraguá do Sul SC, conheceu sua primeira máquina fotográfica em 1967 - uma Rolleiflex - 6x6; em Pomerode, através de seu tio Germano Grützmacher, também fotógrafo.
Nos anos 70 foi Chefe do Departamento fotográfico do Jornal de Santa Catarina. Foi cinegrafista da antiga TV Coligadas (Hoje RBS TV. Blumenau-SC),com imagens vinculadas na Rede Globo e BBC de Londres!Teve imagens publicadas nos jornais O Estado de São Paulo, Zero Hora,além das revistas Ícaro, Latinidad (ConeSul) OKM, Mannesmsnn Ilustriert (Alemanha), Revista Geográfica Universal, Guia Turístico de Santa Catarina, entre outros.
Em 1975 foi convidado pela RN -Studio a executar 480 imagens para o "Audiovisual Poema Lírico Fotográfico de Blumenau" com textos poemas, de Lindolf Bell.
Trabalhou como Free-Lance nos Diários Associados em 1979.
Em 1996 fez sua primeira exposição internacional, no Uruguai, "Flagrantes da Vida Campeira". No ano seguinte também no Uruguai , realizou sua segunda exposição " Saga dos Tropeiros". Tem uma exposição fotográfica permanente no museu Willy Zumblick, em Tubarão SC -, com acervo produzido durante a enchente de 1974. Nesta trajetória de mais de três décadas, Ingo Penz dedicou-se com grande interesse pela Germanidade , sob vários aspectos humano, cultural,arquitetônico, com destaques para as festas típicas.
 Na OKTOBERFEST de Blumenau SC-, criou a Bierfahrrad e a Choomotorrad, os primeiros veículos de irreverência nos desfiles das festas.
Ingo Penz Oktober/2011. Foto Jaime Batista da Silva
Em 2008, os costumes dos Imigrantes Pomeranos que vivem em Santa Catarina e no Espírito Santo foram o tema da terceira Exposição Internacional de Penz "Os Land os Lüür" - Nossa Terra Nossa Gente; apresentada em Córdoba , na Argentina.
fotógrafo Ingo Penz com sua Jawa e side car é um dos destaques da Oktoberfest em Blumenau. Choppmotorrad, moto equipada com um barril de 30 litros que distribui chope pelas ruas.
Imagem : http://newagecom.com.br/blog/2010/08/18/641/
Em 2010, realizou sua quarta Exposição Internacional em Villa General Belgrano n Argentina com o título, "Presencia de Los Gauchos em SC - Brasil.
História da Choppmotorrad:
A CHOPPMOTORRAD, veículo da marca JAWA, ano 1951importado da República Tcheca,  é o segundo veículo de irreverência dos desfiles da OKTOBERFEST de Blumenau, sucedendo a Bierfahrrad, criação do fotógrafo e produtor cultural Ingo Penz e do saudoso Horácio Braun (falecido em 24/03/2007).
O veículo foi inspirado na motocicleta presente no filme "Fugindo do Inferno" de 1963. No ano de 1986 foi adaptado um side-car, onde se acomodam o barril de chopp de 30 litros;chopeira/serpentina/C° e o co-piloto. Já percorreu o Brasil divulgando a maior festa alemã das Américas, e em 2010, apresentou-se na Argentina na 47ª Oktoberfest em Villa General Belgramo. _____
Ingo Penz se dedica exclusivamente à fotografia, à música, e projetos culturais. Vem historicamente se dedicando ao registro fotográfico do instantâneo contexto humano regional, o que resultou em 18 exposições e 6 livros publicados.
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Câmara de Blumenau entrega moções a personalidades e entidades
A tarde desta quarta-feira (19) Outubro/2011 foi marcada pela entrega de moções a instituições e personalidades blumenauenses pela Câmara de Vereadores. Ao todo, dez homenagens foram feitas por sete parlamentares.
Um dos Homenageados :
•Ingo Penz e Choppmotorrad
A valorização da cultura e das tradições alemãs de Blumenau motivou o vereador Fabio Fiedler a homenagear o fotógrafo Ingo Penz, um dos idealizadores da Choppmotorrad – a conhecida motocicleta que distribui chope nos desfiles da Oktoberfest. Ele mostrou uma foto estampada publicada pelo Jornal de Santa Catarina na década de 1990, mostrando Ingo ao lado do inseparável amigo Horácio Braun (já falecido). Ingo lembrou que nos últimos 25 anos tem levado alegria não só a Oktoberfest, mas a inúmeros estados brasileiros e até outros países, sempre divulgando o nome de Blumenau e de Santa Catarina. “Com muito orgulho sou parte deste universo mágico”, disse.
http://www.camarablu.sc.gov.br/imprensa/?p=8002
Texto livro Presença da Imigração Alemã em Santa Catarina/Ingo Penz - arquivo Ingo Penz/Adalberto Day.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

- Lojas Sound Center

Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje a famosa Loja Sound Center em Blumenau. Inaugurada em 1973 e desativada em meados de 1984.
Cartão convite; A melhor Loja de Som. Heusi Comércio e Indústria Ltda.- Blumenau SC. Coquetel de inauguração da das Lojas Sound Center em Blumenau, Rua Paul Hering, 90 -, no dia 27 de outubro de 1973.

Fotos históricas
Por Rubens Heusi

Interior da Loja -  ao lado esquerdo onde tem as escotilhas era a sala de som.
Naquela década a dificuldade de se obter equipamento sonoro de alta qualidade era imensa e somente nos grandes centros é que se conseguia.

Então tive a ideia de montar uma Loja de Som igual ou melhor que as de São Paulo, onde eu frequentava. Já conhecia de Feiras Internacionais e conversei com Diretor da Gradiente sobre a ideia.

Ele me ouviu atentamente e de imediato me deu todo o apoio necessário a implantação em Blumenau de uma loja de Som “Sound Center”.

Adquiri uma sala na esquina da rua Curt Hering com a Paul Hering no primeiro andar e lá pude dar vazão à minha criatividade e paixão que era o som.
1- Frei Odorico, funcionário (não identificado), Prefeito Felix Theiss e Rubens Heusi.
2- Frei Odorico, funcionário (não identificado), Felix Theiss, Rubens Heusi, Nestor Seara Heusi
3- Carlos Waldrich, Osny Jacobsen, Laerte Venturini, Rui Wilecke, Rubens Heusi, Flavio Rosa, Paulo Affonso Schmitt.

Desenvolvi uma decoração arrojada para a ocasião com uma sala de testes com preparação acústica de alta qualidade, novidade na época, uma mesa de som central interligada a todos os aparelhos e acessórios o que permitia ao cliente testar o equipamento com as mais diversas caixas de som, pik ups, gravadores de rolo e mini cassete. Tudo desenvolvido por nós aqui em Blumenau. Foi uma arraso! Tudo o que poderia um cliente desejar tínhamos ou conseguíamos, inclusive o "must" na época: a quadrifonia e tive o orgulho de ser o primeiro no Brasil a vender um equipamento Tecnich completo para um cliente meu de Blumenau que teve a preocupação de montar uma sala em seu apartamento só para instalar a fera-também assessorado por nós. A instalação do primeiro circuito interno de monitoramento em Boite , na Casa Noturna do Carlinhos Muller então o cronista social mais solicitado.
4- Rubens Heusi, Osny Jacobsen, Paulo Affonso Schimitt
5- Rubens Heusi (Repórter da Rádio Blumenau).
6- Representante Canadense, Joerg Mertens da Orwo do Brasil, Frank Fleichfresser, e esposa, Nagel Milton de Mello.

Vendíamos para outros estados e durante muitos anos fomos pioneiros em muitos lançamentos e fizemos inúmeras instalações.
Tenho antigos clientes que ainda hoje me dizem que possuem aparelhos fornecidos por mim, principalmente da marca Gradiente da qual era distribuidor para o Estado. Foram mais de 10 anos abastecendo, depois também com discos importados e fitas de rolo, os mais exigentes clientes.
Faz parte desta época a filial "Sound Center Car" instalada abaixo da loja principal à Rua Curt Hering onde instalávamos equipamentos de alta qualidade em automóveis. É sempre com muita saudade que lembro ter o Horácio Braun como meu Relações Públicas e posteriormente o encarregado da nossa equipe de Kart, o Sound Center Kart dos quais faziam parte como pilotos Luiz Buch, Maninho, Júlio Probst e Reuter que aprimorava os carros. Época de ouro em uma Blumenau menor e culturalmente grande.
7- Nestor Seara Heusi, Rubens Heusi, Prefeito Felix Theiss
8- Diretor da Gradiente Som- Nestor Seara Heusi, Rubens Heusi e Darci G.Heusi (Esposa).
Tudo isto fazia parte do Grupo Heusi Comercio e Indústria Ltda., cujo carro chefe sempre foi a Óptica Heusi fundada em outubro de 1954 e ainda hoje a frente das melhores ópticas da cidade!
Texto e fotos enviadas por Rubens Heusi

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

- Tevelândia

Pessoas em frente à Tevelândia (loja que vendia aparelhos televisores), na Rua Namy Deeke, assistindo à primeira transmissão de TV em cores no Brasil e na América do Sul, que aconteceu em 19 de fevereiro de 1972, quando foi televisionada a Festa da Uva. (Imagem: Arquivo/Santa).
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 20/09/2011 - N° 12367
Coluna ALMANAQUE DO VALE
Jackson Fachini
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Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos hoje a antiga Loja Tevelândia de Blumenau.
Por José Geraldo Reis Pfau

Criação Beto Fausel

A competente TV Coligadas conseguiu uma façanha espetacular. Fazer a cobertura do Estado de Santa Catarina a partir de Blumenau. Fato elogiado muito pela Rede Globo acho que até inédito para a época. O que se fazia. Tinha um setor de expansão que era responsável desde o transmissor no Morro do Cachorro até as demais antenas retransmissoras. A Tevelândia (cujo diretor se chamava Vascelay) com sua equipe de técnicos "fabricavam" as repetidoras. Como a linha de transmissão básica teve que ser montada com investimento pela emissora se achou uma oportunidade de ganhar mais dinheiro. Como funcionava. O setor comercial mandava seus vendedores nas cidades vender uma retransmissora (repetidoras de sinal) Esse custo geralmente era bancado pela Prefeitura, demais entidades e até comércio ou empresas. Veja só a novidade era muito grande, de ter sinal Globo de televisão na cidade. Como não tinham lojas com venda de televisores nestas pequenas cidades se colocou no pacote a compra do retransmissor e das Teve's. Neste embalo cresceu muito a Tevelândia, que era uma loja que revendia televisores principalmente no pacote das retransmissoras. ou seja o prefeito instalava a repetidora, e ajudava a vender os televisores para os moradores mais ricos na cidade. De bonificação a TV filmava o Prefeito e suas obras num programa chamado "Municípios em revista" - domingo pela manhã - feito pelo apresentador Télvio Maestrini. A Tevelândia era da Coligadas então a propaganda da loja era muito intensa. Como estava ligada a emissora só ela tinha todos os conhecimentos técnicos de transmissão, daí a exclusividade e a novidade (foto no jornal) de ter na vitrine um televisor com imagens colorida no lançamento do sinal de televisão colorida.
O aparelho de TV mais famoso se chamava "Colorado RQ" .
José Geraldo Reis Pfau publicitário em Blumenau

A TV em Blumenau e seu pioneirismo.
A primeira transmissora de televisão de Santa Catarina, foi a TV coligadas, Canal 3, de Blumenau inaugurada no dia 1º/setembro/1969 ( oficialmente em 31 de agosto de 1969) Eram transmissões experimentais com imagens somente do prefixo e sinal, com início três meses antes. A TV Coligadas Canal 3 iniciou sua programação em caráter experimental no dia 6 de maio de 1969 - exibindo o filme: “Os Esquimós” , as 20 horas. Um clássico do cinema americano, produzido em 1933 em preto e branco. Em 1º de setembro de 1969 a TV Coligadas Canal 3 com slogan de “A emissora da integração catarinense”- entra no ar, por iniciativa de Wilson de Freitas Melro, Flávio Rosa e Caetano Deeke de Figueiredo. Os dois primeiros empresários da radiodifusão (Rede Coligadas de rádios – com seis emissoras na região) e o Figueiredo empresário com origem no cinema como herdeiro de casa de espetáculo e, portanto com experiência na distribuição de filmes. Com uma programação variada, com produção ao vivo e local, mas na sequencia em boa parte da programação como filiada a Rede Globo. A TV Coligadas chegou a possuir mais de 200 repetidoras pelo estado de Santa Catarina, e suas imagens podiam ser vistas até em estados e países vizinhos. Com os transmissores instalados no Morro do Cachorro. Tudo que é novo logo passou a ser uma realidade entre os catarinenses contribuindo decisivamente para a integração e desenvolvimento em todo Estado. A programação inicialmente era trazida diariamente em fitas de vídeo produzidas pela Rede Globo. Quando da chegada da EMBRATEL em Blumenau, as transmissões começaram a serem gravadas antecipadamente ao horário da programação e feitas ao vivo. Uma maravilha na época, o telespectador iniciava a conhecer as noticias pelo Jornal Nacional e assistir transmissões de futebol. O início da TV Globo como uma rede de emissoras afiliadas por todo o país se dá a partir de primeiro de setembro de 1969 quando entrou no ar o "Jornal Nacional", primeiro telejornal em rede nacional. A TV Coligadas foi um sucesso, e criou um novo hábito e afastou um pouco o público dos cinemas locais, Cine Busch, Cine Blumenau, Cine Garcia, Cine Mogk, Cine Atlas, notoriamente houve uma queda nas bilheterias. Na época os cinemas da maioria das cidades brasileiras já estavam muito atrasados em termos de lançamentos e com pouco investimento na qualidade. Grandes Empresas como Garcia e Hering, prestigiaram o empreendimento e investiram patrocinando telejornais. E assim se aproximar ainda mais da comunidade e suas marcas Essa parceria perdurou até o 1º de maio de 1979 quando encerrou o contrato, a TV Coligadas perdeu a programação da Rede Globo, com a inauguração da TV Catarinense/RBS em Florianópolis, na capital do Estado e passou a retransmitir a programação da Rede Tupi, de São Paulo. Depois com a crise da Rede Tupi, a nossa TV Coligadas Canal 3, foi vendida para o Grupo Petrelli para no ano de 1980 para o Grupo RBS para se tornar uma emissora da rede do grupo nesta região do Estado.

Para saber mais acesse:

Arquivo Adalberto Day – Colaboração José Geraldo Reis Pfau – publicitário em Blumenau

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

- As Palmeiras da Alameda Duque de Caxias

MEMÓRIAS DE NIELS DEEKE
DESDE OS ANTIGOS JERIVÁS ATÉ AS ATUAIS PALMEIRAS IMPERIAIS DA NOSSA ALAMEDA DUQUE DE CAXIAS - ACONTECIMENTOS CUJOS SUCESSOS FORAM BEM OUTROS DE AQUELES QUE COSTUMEIRAMENTE CONSTAM DIVULGADOS..

Ao apreciar as diversas consignações constantes dos jornais locais, além de fantasiosas afirmações populares e até por vezes manifestas por historiadores consagrados, acerca das ¨Palmeiras¨ plantadas na Alameda Duque de Caxias – em Blumenau SC - percebi que todas mostravam-se eivadas de impropriedades, se não até de inverdades, razões pelas quais, malgrado desanimado e caracterizadamente desmotivado ao perceber serem recorrentes tamanhas sandices, resolvi explanar sucinta, ligeira e superficialmente, as verdadeiras ocorrências havidas.

O largo espaço viário surgiu, planificadamente, em 1852. Somente após 1872/73 quando Hermann Wendeburg – certamente a mando dr. Blumenau que não pretenderia ficar à sombra de Joinville, quando lá plantaram, em 1873, Palmeiras Imperiais, em número de 52 unidades, em Alameda - providenciou o plantio, no intervalo central, com dupla fileira contendo 50 coqueiros Jerivá em cada ala, observado o espaçamento linear longitudinal de 04 metros – portanto totalizando 100 árvores – foi que aquele terreno sito entre o Barracão dos Imigrados e o ribeirão Fresco ( Ponte do Pastor) passou a configurar uma Alameda e era mencionada como Palmenalle, denominação idêntica a que havia em Joinville..

Em 03/02/1883 a anterior Palmenalle foi renomeada como Boulevard Wendeburg, uma homenagem ao diligente vice-diretor colonial falecido em 13/01/1881. Apesar de oficialmente ter sido designada como Boulevard Wendeburg, era , porém, popularmente referida ¨Alameda dr. Blumenau¨, cuja denominação foi referendada em 08/4/1939. Com a aplicação coercitiva da nacionalização aos nomes de logradouros públicos, foi em 18/8/1942 denominada Alameda Duque de Caxias, homenageando o patrono do exército nacional Luis Alves de Lima e Silva. (Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto 1942, da administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais.)

Certamente, o Sr. Wendeburg, lá introduziu plantas já bem desenvolvidas – com estipe ( tronco, ripa) em altura de 02 metros, extraídas da mata nativa próxima, porquanto tais espécimes são muito comuns na região. A condição de haverem sido transplantadas pode ser comprovada observando-se a foto abaixo, na qual é, bem visível, o estreitamento da circunferência dos troncos, cujas seqüelas foram provocadas pela extração das céspedes com as mudas, visando o transplante e, após, durante a adaptação ao novo hábitat.
 2011 - Alameda Duque de Caxias - Foto Adalberto Day

Foto: Willy Sievert.
Foto 1949 – Retrata os Jerivás e o prédio de 02 pavimentos da antiga ¨Nova Escola Alemã 1889¨.( Neue Deutsche Schule) No primeiro prédio – mais recuado - em 1953, no térreo, situava-se e consultório do dentista Otto Vogel.
O Coqueiro Jerivá ( Gerivá) , assim popularmente denominado – e não Palmeira Jerivá - é nativo da mata atlântica, portanto autóctone, também, em todo o Vale do Itajaí.
O Jerivá, que na língua tupi castiça deveria ser pronunciado ¨jeribá ¨ onde ¨jeri” significa ¨cacho¨ ( penca) e ¨ Ibá ¨ = árvore, ( interpretação de Niels Deeke) refere, assim, Árvore de Cacho.
É classificado na dendrologia ( fitologia ) como ¨Siagrus Romanzoffiana - gênero Arecaceae, também dito¨Arecastrum Romanzoffianum¨, e vulgarmente denominado Coqueiro de Graxaim ou por Coquinho.
É grande o grupo da espécie das ¨Arecaceas¨, entre as quais insere-se a comum ARECA, mais conhecida como ¨Palma Família¨ ( familienpalm) que orna nossos jardins). .A germinação da semente é algo demorada - cerca de 120 dias. O seu palmito ( pseudo caule superior -colmo) presta-se sobremodo para rechear pastéis e principalmente preparar pastelões. Do seu estipe ( tronco lenhoso em ripa) medianamente rígido, quando fracionado serviu para fazerem ¨ Estuque ¨- uma forração de teto revestido com reboco cuja aplicação técnica encontra-se em desuso, e além produzem grande quantidade de objetos artesanais, como hastes de canetas, lapiseiras, cumbucas e cinzeiros, e se plantado em florestamento homogêneo, então a sua biomassa processada poderá suscitar aplicações compensadoras. Atingem cerca de 20 metros de altura e o tronco até 50 cm de diâmetro. Os indígenas após deitarem-no ao chão, escavavam o seu tronco, para formar um cocho apropriado à fermentação da bebida ¨Ky-Ky¨, um mix de pasta aquosa de mandioca ( dita cauim qdo. fermentada) e de milho verde, além de mastigação de pinhões crus que regurgitavam no dito cocho.)
A polpa externa dos frutos, cujos cachos chegam a pesar 120 kg, é amarela e dela alimentam-se aves, morcegos frugivoros, bugios, micos-prego,quatis, esquilos, ouriços e, quando dispersos ao chão, por gambás, pacas, e notadamente por cotias que estocam os coquinhos.

Enfim trata-se daquele coqueiro, dos quais no passado as crianças recolhiam a ¨Espata” que após envolver os cachos já maduros, despencava ao chão e serviam de ¨prancha¨ ( dita como canoa) para com ela escorregarem nas barrancas lamacentas dos rios e riachos – era o nosso surfe de outrora, uma alegre diversão caso não houvesse um traiçoeiro estrepe no curso do deslize.

No presente podemos apreciá-los plantados, muito jovens, em longa fileira no canteiro central da rua Antônio da Veiga – defronte à Furb - a qual, assim arborizada, transformou-se em avenida. Sofre, o Jerivá, porém, com o ataque de predadores, tanto no tronco quanto nos frutos. O mais contumaz é um pequeno coleóptero ( besourinho do coqueiro) o ¨Revena rubiginosa ¨ que ataca os frutos e após metamorfosear-se em pupa, se transforma em larva ( uma lagarta avermelhada ) quando os frutos já estão no solo. Também sofre predação pela ¨Broca¨ ( espécies scolytidae ou platipodidae ) outro besourinho que perfura o Estipe, causando grande dano. Variedades de brocas do coqueiros são muitas, entre as quais o dita como Rhina ou seja o Rhinostomus Barbirotris, cuja infestação é geralmente fatal. Não confundir Broca com Cupim.
Enfim o tempo de vida do Jerivá é cerca de 80 anos e, os da nossa Alameda, estavam em 1952/53, com seus dias contados. Alguns já haviam morrido, tanto estavam seus troncos carcomidos pelas Brocas.
Urgia substituí-los, ademais devido ao tamanho dos duros coquinhos, acontecera em algumas ocasiões que pedestres, usuários do passeio central, neles escorregassem e sofressem quedas graves com fraturas, nisso responsabilizando a Prefeitura de Blumenau. Recordo-me de uma ocorrência surrealista por volta de 1952/53, quando o pneu de um automóvel ao trafegar pela Duque de Caxias, comprimindo um coquinho, o expeliu com tamanha força que, acertando um transeunte da têmpora, provocou seu desmaio e internação hospitalar. Sintetizando, eram constantes as reclamações, e impossível manter varrido o passeio todas as noites.
Consultados os jardineiros da Prefeitura, dos quais era superior o Decano dos Topiários- o Sr. Gustavo Krueger - funcionário contratado - e considerando o estado lastimável dos Jerivás, resolveu o Prefeito Hercílio Deeke, enviar o Sr.Krueger ao Rio de Janeiro, para, junto ao Horto do Jardim Botânico, preparar 200 mudas da PALMEIRA IMPERIAL ( Não da Palmeira Real que é essência arbórea muito diversa da Imperial e de elementar reprodução), com as quais substituiria os já decadentes coqueiros Jerivá. Certo que havia outro jardineiro eventualmente contratado pela PM para ajardinamento , que era Rudolf Luebcke - de religião adventista e, então, residente no Jarakenbach – porém apesar do Sr. Krueger ser pessoa muito reservada e circunspecta, foi o escolhido para a missão. Gustavo Krueger e família residiam , naquele época <1953> no final da rua Timbó, quando, nos fundos, ainda não havia a rua Max Hering, e lá mantinha imensa floricultura, com muitas roseiras e ciprestes. Ah.... meu horror era quando, altas horas da noite minha mãe me chamava, dizendo : te prepara, vás ao Krueger buscar uma coroa e levar à casa fulano que está sendo velado. E lá seguia eu de moto à casa do sisudo sr. Krueger, que, não poucas vezes nem tinha começado a fazer a coroa por falta de ramagem dos ciprestes que precisam ser buscadas muito do alto das árvores, pois as baixas já haviam, sido utilizadas. Em um dia chuvoso, enquanto a sra. Krueger, no porão casa preparava as flores da coroa, ele Krueger lanterna a mão, iluminava o alto de um cipreste que eu precisaria, levando facão, alcançar, e quando eu ameaçava cortar um galho mais baixo ele gritava : não, esse não serve, mais para cima. E eu, infeliz, tinha que subir, rente ao tronco, aquela nojeira de sarapilheira que agarrava-se em meu pescoço e, entrando pela camisa, coçava barbaridades, sem contar com a morcegada que ali habitava e também lá, descomia, enporcalhando as galhadas que eu galgava. . Mas enfim, no centro de Blumenau, outro não havia que preparasse coroas fúnebres. Saudosos, bons e ingratos tempos.....

Apesar de, em Blumenau, haverem tentado obter a germinação das sementes colhidas das 52 Palmeiras Imperiais que, em 1873, haviam plantado em Joinville e decoravam a Alameda Brüstlein, não lograram sucesso algum, porquanto desconheciam a especial técnica imprescindível à reprodução. Observe-se que as Palmeiras Imperiais supracitadas de Joinville, foram igualmente plantadas a partir de mudas provindas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e não de sementes.
Hercílio Deeke, nesse mister, em 1953, manteve contato com seu conhecido, o blumenauense Professor João Geraldo Kuhlmann (1882-1958) antigo Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o qual apesar de já aposentado, prometera interferir, junto à instituição, na obtenção de mudas, já bem desenvolvidas, de Palmeiras Imperiais.
Observação : Houve quem historiando as Palmeiras Imperiais da nossa Alameda, afirmasse terem sido obtidas mediante a intermediação do Padre Raulino Reitz , o que, em absoluto, não corresponde, vez que o Padre Reitz ( 1919-1990) – prestimoso e louvável botânico, historiador e fundador, em 1942/43 do Herbário Barbosa Rodrigues em Itajaí e Itapema, assumiu somente em 1971 uma diretoria do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, portanto 18 anos após o fato.
Consta do acervo particular de Niels Deeke - in arquivos Hercílio Deeke- o que se segue :
Uma carta dirigida em 25/11/1953 pelo Pref. Municipal Hercílio Deeke ao Prof. João Geraldo Kuhlmann- agradecendo a acolhida que este dispensou ao jardineiro Gustavo Krueger- da Prefeitura de Blumenau, o qual seguiu aquele Jardim Botânico para especialmente preparar e trazer Mudas e recolher Sementes das Palmeiras Imperiais, além de mudas de árvores decorativas destinadas à arborização das ruas e praças de Blumenau e, ao mesmo tempo, remetia, como oferta para João Geraldo Kuhlmann, diversas roseiras –Pasta H.D. - ano 1953- Diversos Ministérios e Repartições) # Em 23 de abril de 1951- O Prefeito Hercílio Deeke escrevia longa carta ao Dr. João Geraldo Kuhlmann, solicitando mudas de “PAU-BRASIL” ( Ibirapitanga, os tupis chamam árvore de Araboutan, e com lavadura da sua cinza sabem dar uma cor vermelha mui durável - (Robert Southey, História do Brazil, Garnier, Rio,1862, t.1, p.44, extraído de A. Franco, A IDADE DAS LUZES, p. 310).
Em outra carta Hercílio Deeke autorizava o despacho das ditas mudas por intermédio da firma “Sysack & filhos” - Rio GB, rua D. Pedro Gerardo nº 60 – telefone 23-6217- que eram agentes do navio “Urânia” de propriedade da empresa “Navita”, de Itajaí - SC. – cujo proprietário era Rodolpho Renaux Bauer.
Vide, também, cópias in Arquivo –HD Pasta Expedidas Diversos. Ministérios ano 1951 e ano 1953- acervo Niels Deeke.

Em 1953 na gestão do prefeito Hercílio Deeke, este, estipendiando de seu próprio bolso, ordenou ao jardineiro Gustavo Krueger (Gustavo Krueger falecido entre os dias 1º e 7 de outubro de 1965), que seguisse, embarcado no vapor ¨Carl Hoepcke¨, ao Horto do Jardim Botânico no Rio da Janeiro, para especialmente preparar as céspedes com as mudas das “Palmas” (1) ¨Palmeiras Imperiais¨.
Palmeira Imperial : Roystonea oleracea (Palmae) - essência arbórea que de uma ilha no Oceano Índico (Ilhas Maurício -Colônia Francesa – a leste de Madagascar – na qual fora criado o jardim governamental francês La Pamplemousse) foram trazidas para o Jardim La Gabrielle, nas Guianas e após proliferaram na Guatemala. Entretanto a muda da ¨Palma Máter Imperial¨ que ingressou no Horto do Jardim do Botânico do Rio de Janeiro, veio diretamente das Ilhas Maurício, contrabandeada, em 1809, do Jardim La Pamplemousse, por Luiz de Abreu Vieira e Silva, que dela fez presente ao príncipe regente D. João VI. Foi esta a Palma Máter, muda no Brasil plantada em 1809 a mando de D.João VI que, frutificando pela primeira vez em 1829, deu origem a todas as demais Palmeiras Imperiais no Brasil. Consta haver, a Palma Máter Imperial plantada em 1909, resistido até 1972 – quando foi fulminada por um raio - portanto perdurou cerca de 160 anos, ou seja mais do dobro da existência vital de nosso nativo Jerivá, e alcançou quase 40 metros de altura, igualmente o dobro de Jerivá que limita-se a 20 metros. Contudo a idade de 160 anos alcançada pela Palma Máter do Jardim Botânico R.J. , deve ser caso raro, pois muitas destas ¨Imperiais¨ plantadas na Alameda Brüstlein em Joinville, precisaram, já antes do ano 2.000,. ser , em número de 36, substituídas por novas plantas, em razão de haverem morrido. Assim sendo sua existência vital média, deverá ser entre 100 e 120 anos, quando, naturalmente, as suas folhagens definham pelo insuficiente suprimento de nitrogênio através da seiva até o alto colmo das folhas.
Foi assim que provindas do Horto Florestal anexo ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro e de lá, mediante especial pedido de Hercílio Deeke, trazidas para Blumenau - em outubro de 1953 - vindas com o navio Urânia até Itajaí, finalmente chegaram as 200 mudas ao antigo e precário viveiro de árvores decorativas que existia nos fundos da PMB, quase junto à barranca do ribeirão Garcia. Foram necessárias duas viagens do caminhão caçamba da PMB ao porto em Itajaí para trazer aquelas preciosas mudas envoltas em sacaria de aniagem, disso recordo-me por ter assistido a primeira descarga, se bem que, naquele lote, havia mudas de outras essências, como de ¨Salseiros¨ - Salix Humboldtina, e ¨chorões ¨ também do gênero salix, que foram indicados pelo dr. Kuhlmann como apropriados para plantio ao longo das barrancas do rio Itajaí Açu. Porém, naquela época, houve quem crédulo em fetiches, afirmasse serem , os ¨Chorões¨, catalisadores grandes azares às cercanias de onde estivessem........

Ainda em 1953 os velhos e carcomidos Jerivás, em fase terminal de existência - algumas mortas outras apodrecidas, com mais de 80 anos de idade, que é o seu tempo vital - foram derrubadas a machado pela laboriosa turma de operários do Sr. Reinoldo Barfeld e logo, sob a supervisão da jardineiro Gustavo Krueger, foram plantadas as legítimas ¨ Imperiais ¨ sem escora ¨ ( bengala de Santo Antônio) , pois seus estipes já estavam com cerca de 1,80m de altura.
Seguindo-se a derrubada dos Jerivás, que iniciou-se do final da Alameda em direção à rua XV de novembro, foram os cepos, então ainda enraizados, destocados pela lâmina do trator modelo ¨Traxcavator¨ da PMB ( único que por aqui havia na cor vermelha sangue ) e após, laçados com cabo de aço, arrancados. Os cepos serviram como parte do aterro nos fundos da PMB em local onde posteriormente edificaram o Mausoléu dr. Blumenau. Nas covas deixadas pela extração, aplicaram, primeiro, aquele pó azul – o sulfato de cobre - um potente tóxico ( Fitotóxico) para erradicarem germes e bactérias ( saporemas) e após completaram com terra de mato misturada a salitre do Chile e pó de osso fornecido pela empresa Von der Heide, de Testo Central. ( adubos químicos prontos, do tipo NPK, cá não existiam disponíveis) Eu assistia a tudo aquilo montado na minha motocicleta Dürkopp- 7,5 HP, pois que todas as tardes, daquele 2º semestre de 1953, freqüentava o dentista Otto Vogel, cujo consultório situava-se na Alameda, no térreo do prédio precedente ao que serviu à Nova Escola Alemã de 1889, sito a cerca de dez metros de onde atualmente encontra-se a edificação do Arquivo Histórico. Aquele ano de 1953 foi o último no qual cursei escola em Blumenau, e desde meados do ano, haviam, meus pais, decidido que em 1954 eu cursaria o ¨ Científico ¨ no Rio de Janeiro, sendo um dos requisitos necessários que meus mastigadores (dentes) estivessem em perfeitas condições, razão porque foi intenso o meu tratamento dentário o que possibilitou- me apreciar os serviços quem executavam na Alameda Duque de Caxias. Contudo só assisti a extração dos velhos coqueiros na secção da Alameda que situa-se defronte o antigo estádio do Palmeiras clube de futebol. Suponho que após o transplante algumas Imperiais possam ter morrido e, nos anos que seguiram, as substituíram pelas demais mudas, já bem desenvolvidas, que permaneciam no viveiro dos fundos da PMB.
Enfim na Alameda foram plantadas cem árvores, e teriam sobrado cem mudas, cujos destinos de algumas foram, entre outros, o plantio próximo às igrejas em Blumenau e distrito de Rio do Testo (Atual Pomerode). Também algumas mudas foram levadas por Hercílio Deeke ao Cemitério Evangélico –Centro, a fim de que o seu zelador – o sr. Christ - lá as plantasse. No meu velho refúgio florestal, onde resido em cenobismo, tenho somente 04 Palmeiras Imperiais, que plantei faz mais de 35 anos, e agora estão com cerca de 15 metros de altura, frutificando em abundância.
Tanto o Coqueiro Jerivá como a Palmeira Imperial caracterizam-se, ambas, na aparência, pela folhagem crespa, enquanto a Palmeira Real possui folhas lisas. Evidentemente os cachos de sementes das três espécies têm aparências inteiramente diversas. As Imperiais produzem frutos (bagas) de cor bege – de pequeno tamanho - bem menor que as duas outras espécies citadas e são de dificílima germinação espontânea – somente germinam, após desbaste da casca, através choques térmicos. ( Criogenia e aquecimento temporizados - técnica confidencial ) e , após ( cerca de 80 horas) , os caroços são introduzidos em areia a 01 cm de profundidade, estes são os procedimentos que eram e continuam sendo parcialmente secretos). A mesma técnica é utilizada para a germinação, em grande escala, das sementes de Coqueiros Dendê, contudo obtive bom sucesso fazendo germinar, através processo diverso, cerca de 50 coquinhos Dendê extraídos de uma das três plantas adultas da minha Fazenda. Como, na Alameda Duque de Caxias, diversas destas Imperiais morreram, atualmente (estamos em 1998) completaram os vazios com Palmeiras Reais o “Arcontophoenix Cunninghamiana”( origem Austrália) , que apresenta folhas lisas e frutos de coloração vermelha ou lilás que são de germinação fácil e geralmente espontânea, e das quais possuo plantadas, para futura extração, mais de cem mil unidades. A substituição, na Alameda Duque de Caxias, por espécie diversa é gritantemente horrível, atestando o pouco caso que demonstram nossos burgomestres com a conservação original daquela Alameda, e agora lá estão as intrusas Palmeiras Reais – bem menos grandiosas - introduzidas aleatoriamente para desqualificar a soberbia e majestade das altaneiras Palmeiras Imperiais. Possuiria a municipalidade de Blumenau algum órgão responsável pelo ajardinamento público ? Penso que não possui .... ou talvez houvesse terminado a chopp com o qual tencionavam regar as Palmas........ou ainda o consumo excessivo do dito lhes tenha embaçado a visão e confundiram Palmas Imperiais com Reais, pois sim.....
1) PALMAS : PALMEIRAS. Nativa da Mata Atlântica - mais acertadamente “Palmiteiro” ( Língua Tupi : palmiteiro=Pindotiba) , ou seja a euterpe edulis e euterpe linicaulea ( Içaras ou Juçaras – são as suas sementes) nativa na região subtropical do Brasil. ( A Euterpe Oleracea é nativa no nordeste e norte do Brasil – conhecida popularmente como Açaí ). O conjunto da árvore, tronco ou ripa, folhagens, içaras e ou açaís, em tupi é denominado “Pindó”. As Palmas existentes são do gênero Orzignia, Cocos, Attaléa, Trithrinax etc. Existem no Brasil cerca de 140 espécies de palmas. O Coqueiro, “Arecastrum Romanzoffianum”, comumente chamado de “Jerivá ” ou coqueiro de graxaim , cujo colmo (palmito), em substituição ao do palmito verdadeiro( dito Palmito Juçara) , serve muito bem para o preparo de “pastelões” de forno. Foi este o gênero arbóreo nativo mandado plantar pelo Dr. Blumenau, na atualmente denominada Alameda Duque de Caxias. A “palmeira dita legítima”, comumente encontrada nos jardins, não é brasileira, e sim originária da Austrália, trata-se da Archontophoenix cunninghamii
São duas as espécies mais plantadas : o Roystonea oleracea (Palmae)) ou seja a Palmeira Imperial – originária do Oceano Índico, com folhagem crespa e sementes ( bagas de cor bege e bem pequenas) e a outra : o Archontophoenix Alexandrae com a variedade Arcontophoenix Cunninghamiana, ambas quase idênticas e caracterizam-se pela folhagem lisa e frutos (bagas) de cor avermelha ou lilás Todas se prestam, muito bem, ao consumo humano e certamente dia virá em que o plantio destas espécies será desenvolvido em grande escala, para suprir a carência da Euterpe Edulis ou Euterpe Linicaulea, nativa de nossas matas no sudeste brasileiro. O botânico Spix em sua excursão ao Brasil, estudou detalhadamente os palmiteiros e palmas, ao ponto de tornaram-se sua verdadeira obsessão. A designação taxonômica para Jerivá é Arecastrum romanzoffianum var.geniunum ou Syagrus romanzoffiana (Chamm).

São as seguintes as atuais classificações das variedades e únicas arbóreas da família Palmae que ocorriam naturalmente no sul do Brasil:
- juçara - Euterpe edulis (Mart.)
- butiá - Butia eriospatha (Mart. ex Drude)
- jerivá - Syagrus romanzoffiana (Chamm.)
- indaiá - Attalea dubia (Mart.)
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Palmeira Real : Nome Científico: Archontophoenix cunninghamii
Sinonímia: Loroma amethystina, Ptychosperma cunninghamiana, Seaforthia elegans, Archontophoenix cunninghamiana
Nome Popular: Palmeira-real, Palmeira-real-australiana, Palmeira-seafórtia, Seafórtia, Palmeira-australiana, Palmeira-real-da-austrália
Família: Arecaceae
Divisão: Angiospermae
Origem :Austrália
Ciclo de Vida: cerca de 80 anos.
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Fontes :
1) Anotações procedidas por Hercílio Deeke nas suas agendas de serviço – ano 1953 – In arquivo particular de Niels Deeke.
2) Registros copiados de antigos manuscritos da municipalidade nos quais fundamentava-se Hercílio Deeke para elaborar os seus Relatórios Administrativos anuais, editados à população de Blumenau. Idem, ibidem.
Alinhavos de Niels Deeke, em Bl’au –SC

Alinhavos de Niels Deeke, em Bl’au –SC
Arquivo Niels Deeke e Adalberto Day

terça-feira, 4 de outubro de 2011

- 28ª Oktoberfest 2011 em Blumenau

O cartaz oficial da 28ª Oktoberfest
A Rainha da Oktoberfest/2011 Cristina Kruger e Princesas Sabrina Beck e Ana Paula Tolardo
 Este ano o evento será realizado de 06 a 23 de /outubro/2011.
Uma excelente festa aos nossos visitantes de todo o Brasil e do exterior, em especial ao povo catarinense. Viva a Vida!!!.
Hallo Blumenau .....Bom dia Brasil....17 dias de folia.... música cerveja e alegria.... Hallo Blumenau....
Quer ouvir a música? Clique no link abaixo.

Foto: Marcelo Martins - Fonte: Cristina Miranda, diretora de Promoções do Parque Vila Germânica - Assessoria de Comunicação: Tânia Rodrigues
Ein Prosit

- No Brasil, a Oktoberfest foi realizada pela primeira vez em 1978 no município de Itapiranga , extremo-oeste catarinense. Na ocasião, um grupo de jovens, na maioria descendentes de alemães, reuniu-se na localidade de Linha Becker para cantar, tomar chope e tocar música. Esses encontros foram tornando-se freqüentes até que em 1989 a festa passou a ser realizada no centro da cidade.
Inspirada na Oktoberfest de Munique, a sua versão blumenauense nasceu da vontade do povo em expressar seu amor pela vida e pelas tradições germânicas.

- Em Blumenau, a Oktoberfest surgiu no ano de 1984 com a proposta de levantar o ânimo da população, abalada por duas grandes enchentes do rio Itajaí-Açu (1983/ 1984). A partir de 1987 a festa consolidou-se nacionalmente, e ganhando status de segunda maior festa da cerveja do mundo, depois de Munique, na Alemanha. Atualmente a festa é realizada no PARQUE VILA GERMÂNICA.  
Observação: criação da Oktoberfest em Blumenau .
Apesar da "Oktoberfest" já estar sendo planejada antes pelo governo do prefeito Renato de Melo Vianna em 1981, somente no governo do então Prefeito Dalto dos Reis (1983/1988) se consolidou. Na oportunidade foi passado para a população que era uma proposta de levantar o ânimo dos munícipes "festa caseira" , abalada por duas grandes enchentes do rio Itajaí-Açu (1983/ 1984). Para a história , cultura, folclore , tradição, sempre será este o motivo principal e motivador da festa.
O secretário de turismo, era o empresário Antonio Pedro Nunes.
Consagrada como a segunda maior festa alemã do mundo, a Oktoberfest é confraternização de gente de todas as partes. E ela nasceu inspirada na maior festa da cerveja do mundo, a Oktoberfest de Munique, Alemanha, que deu seus primeiros passos em 1810, no casamento do Rei Luis I da Baviera com a Princesa Tereza da Saxônia.
São 17 dias de festa, em que os blumenauenses se integram com visitantes de todo o Brasil e do exterior. E não há quem não se encante com os desfiles, com a participação dos clubes de caça e tiro ou com a apresentação dos grupos folclóricos. A Oktoberfest de Blumenau ostenta um número admirável: em suas edições anteriores, reuniu quase 16,7 milhões de pessoas no Parque Vila Germânica, antiga Proeb. Isto significa que um público superior a 700 mil pessoas, em média, por ano, participou da festa desde a sua criação.
O segredo para este sucesso é simples: a Oktoberfest de Blumenau é um produto que se mantém autêntico, preservando as tradições alemãs trazidas pelos colonizadores desde 1850. E são as belezas desses traços que conquistaram o país inteiro. À noite, é na Proeb/Parque Vila Germânica que todos se encontram e fazem da Oktoberfest um acontecimento incomparável.
Todas as tradições alemãs afloram na sua máxima expressão, através da música, da dança, dos belos trajes, da refinada culinária típica e do saboroso chope.
A cordialidade do povo, a paz e a beleza da cidade também tornam a festa inesquecível. A maior festa alemã das Américas A Oktoberfest teve sua primeira edição em 1984 e logo demonstrou que seria um evento para entrar na história. Em apenas 10 dias de festa, 102 mil pessoas foram ao, então, Pavilhão A da Proeb, número que na ocasião representava mais da metade da população da cidade. O consumo de chope foi de quase um litro por pessoa. No ano seguinte, a festa despertou o interesse de comunidades vizinhas e de outras cidades do país. O evento passou, então, a ser realizado em dois pavilhões. O sucesso da Oktoberfest consolidou-se na terceira edição e tornou-se necessário a construção de mais um pavilhão e a utilização do ginásio de esportes Sebastião da Cruz - o Galegão - para abrigar os turistas vindos de várias partes do Brasil, principalmente da região Sudeste, e também de países vizinhos. O evento acabou fazendo de Blumenau o principal destino turístico de Santa Catarina no mês de outubro. Mas, para quem não sabe, a Oktoberfest não é só cerveja. É folclore, é memória, é tradição. Durante 17 dias de festa os blumenauenses mostram para todo o Brasil a sua riqueza cultural, revelada pelo amor à música, à dança e à gastronomia típicas, que preservam os costumes dos antepassados vindos da Alemanha para formar colônias na região Sul. A cultura germânica o turista confere pela qualidade da festa, dos serviços oferecidos, através de sociedades esportivas, recreativas e culturais, dos clubes de caça e tiro e dos grupos de danças folclóricas. Todos eles dão um colorido especial ao evento, nas apresentações, nos desfiles pelo centro da cidade e nos pavilhões da festa, por onde circulam, animando os turistas e ostentando, orgulhosos, os seus trajes típicos.
É por essa característica que a festa blumenauense, versão consagrada da Oktoberfest de Munique, transformou-se, a partir de 1988, numa promoção que reúne mais de 500 mil pessoas. E foi, também, a partir dela que outras festas surgiram em Santa Catarina, tendo a promoção de Blumenau como carro-chefe, fato que acabou por tornar o território catarinense no caminho preferido dos turistas no mês de outubro.
Calendário impresso e distribuído pela Prefeitura em 1988. O Biergarten justificava o nome de jardim da cerveja.
Foto: Jaime Batista da Silva
História:
A história começou há quase 200 anos na Baviera
A Oktoberfest de Blumenau, que em apenas uma década se tornou uma das festas mais populares do Brasil, foi inspirada na festa homônima alemã, que teve origem há 199 anos em Munique. Tudo começou em 12 de outubro de 1810, quando o Rei Luis I, mais tarde Rei da Baviera, casou-se com a Princesa Tereza da Saxônia e para festejar o enlace organizou uma corrida de cavalos. O sucesso foi tanto, que a festa passou a ser realizada todos os anos com a participação do povo da região. Em homenagem à princesa, o local foi batizado com o nome de Gramado de Tereza.
A festa ganhou uma nova dimensão em 1840, quando chegou a Munique o primeiro trem transportando visitantes para o evento. Passaram a serem montadas barracas e promovidas várias atrações. Neste local apareceram também os primeiros fotógrafos alemães, que ali encontraram um excelente ambiente para fazerem suas exposições. A cerveja, proibida desde os primeiros anos, só começaria a ser servida em 1918. Logo depois, os caricaturistas já retratavam a luta pelos copos cheios de cerveja e pela primeira vez pode-se apreciar nas telas dos cinemas a festa das mil atrações.
Por conseqüência das guerras e pela epidemia de cólera, a Oktoberfest deixou de realizar-se 25 vezes. De 1945 até hoje, aconteceu ininterruptamente. Atualmente, a Oktoberfest de Munique recebe anualmente um público de quase 10 milhões de pessoas. O consumo de cerveja chega a sete milhões de litros.
Acesse: http://blogdaoktober.blogspot.com/
Arquivo: José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day

sábado, 1 de outubro de 2011

- ANO 2011 - CENTENÁRIO DA GRANDE ENCHENTE DE 1911

Quando garoto, pelos idos dos anos 1960, ouvia minha avó Ana, relatos sobre a grande enchente de 1911. Segundo ela, foi tão comentada e devastadora, porquanto as suas águas, represadas, atingiram até a antiga Confeitaria e pousada Hinkeldey de Hermannn Hinkeldey, no bairro Garcia. Mais tarde o local conteve o prédio do Cine Garcia que foi demolido em 1979 e, atualmente, abriga a Igreja Santo Antônio na Rua Amazonas.. Comentou, também, que viu as águas atingirem o local muito próximo ao segundo degrau de escadaria lateral.
Em 1911, quando, no dia 02 de outubro, o pico de cheia alcançou 16,90 metros, surgiram várias propostas para solver o problema das cheias, inclusive a transferência da cidade para pontos mais elevados e a construção de um canal de escoamento – dito como ¨Canal Extravasor¨ a partir da Itoupava norte, em Blumenau, cursando pelo bairro da Fortaleza, e então, mediante a feitura de um túnel para alcançaria localidade em Belchior onde as águas, que excedessem determinado nível., tornariam ao leito do Itajaí Açu, evitando, assim, a inundação do centro da cidade de Blumenau. Tais projetos, em defesa contra as cheias, tornariam a ser aventados nos anos trintas e oitentas do século passado.
Confeitaria e pousada Hinkeldey de Hermannn Hinkeldey, no bairro Garcia. Mais tarde o local conteve o prédio do Cine Garcia que foi demolido em 1979 e, atualmente, abriga a Igreja Santo Antônio na Rua Amazonas..
Arquivo de Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história
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REGISTROS E IDEÁRIOS ACOSTADOS À SOLUÇÃO DA PROBLEMÁTICA VISANDO MINIMIZAR CHEIAS COM NÍVEIS SUPERIORES A 11,00 METROS NA CIDADE DE BLUMENAU, anotados por Niels Deeke.
Hotel Holetz 1911 - Hoje neste local Grande Hotel
Enchente: Remeta pesquisa para obra catolgráfica “Arka” verbete Enchente.: Veja também nota 148 neste Apêndice do suplemento Vórtex 55) Enchente. Marca da mancha de enchente: Os colonos mais prevenidos, nos primórdios da colonização, observavam, mui acuradamente, os vestígios deixados pelas enchentes, para estabelecer os níveis que as águas poderiam alcançar nos diversos sítios. Em virtude dos pioneiros Wagner, Lukas (Peter Lukas, cunhado de Peter Wagner, este que faleceu em 21 de maio de 1900 com 91 anos de idade, é um dos pioneiros da colonização anterior a vinda do Dr. Blumenau, portanto o era, na sua morte, o mais antigo morador da região) e outros por terem ingressado na região, somente, após 1845, não puderam constatar, logo de início, níveis superiores a l2 metros acima do leito normal antes de 1852 (Cheia de 1852 -c/ 16 metros), sendo compreensível que não imaginassem cheias que atingissem níveis observados em l852, l880 ou 1911, pois as marcas da lama, nas arvores, há tempos fora lavada pelas muitas chuvas. Entretanto, em março de 1840 ou 1841, seguramente, deve ter ocorrido uma enchente de níveis catastróficos (Temporal de Março – como foi referido no passado) e mediante dois relatos podemos supor que as águas tenham se elevado, no mínimo, até as alturas verificadas em 1852, l880, 1911,1983 1984, suspeitando-se que foi muito além destas. (Entrevista com o Sr. Antônio da Costa Flores, nascido em 1829, publicação pelo jornal “Novidades” de Itajaí em 1907) - O relatório pormenorizado do belga Charles Van Lede (1) que chegou às proximidades do Salto (2) (Atual Usina Elétrica do Salto em Blumenau) em abril de 1842, quando foi, por terra, desde a foz do ribeirão Itoupava até bem próximo à queda do Salto, (não sendo indicada por qual das margens do Rio Itajaí Açu prosseguiu, presumindo-se que tenha tomado a margem esquerda, porém pelas dificuldades que encontrou em transpor o pequeno trecho deveria ter seguido pela margem direita) nos transmite suas observações de uma enchente cujas marcas ainda eram visíveis, quando se reporta a existência de entulhos trazidos pelas águas a níveis bastante elevados, podendo-se supor que Lede pôde verificar a condição de ter o atual centro da cidade de Blumenau ficado submerso, sob considerável lâmina d’água. Em março e início de abril de 1842, Lede calculou terem havido águas somente 08 metros acima do nível normal, (entretanto não indicou o ponto que considerou como referencial para servir como “nível normal”) apesar da estiagem que alegava dar-se durante sua expedição, o que talvez o fez desistir de eleger a região para estabelecer sua colonização, pois além de ser engenheiro, por ser belga de Bruges e vizinho dos alagados neerlandeses, deveria estar famíliarizado com o problema da invasão ocasional das águas pelas enchentes e marés. (Bruges, cidade da na Bélgica (3), da qual Lede era originário, está toda entrecortada de canais, tratando-se de uma verdadeira “Veneza ao norte”). Charles Van Lede, “De la Colonnisation au Brésil - Mémoire historique, descriptif, statistique et commerciel sur - La Province de Saint Catherine - Bruxelles -1843”. Parcialmente transcrito in : Bl’au em Cadernos vol. II p.41 Diário da viagem de reconhecimento do rio Itajaí Açu, de Van Lede - partida em 31 de março de 1842, rio acima. Charles Van Lede e a Colonização Belga em S. Catarina, subsídios para a história da Colonização de Ilhota, no Rio Itajaí Açu pela “Compagnie Belge-Brésilienne de Colonisation” tradução Carlos Ficker “Separata da Revista “Bl’au Cadernos” ano 1972. (Infelizmente Ficker não concluiu a tradução) Em Blumenau, Lede calcula a largura do rio em 150 metros. In : B’lau Cadernos vol. VIII p.181. Supõe-se, igualmente, que em 1840 ou 1841 o rio Itajaí Açu, tenha transbordado na região do “Escalvado”, na dita antiga, “Barra Morta” (Ф) e extravasado ao mar por outro local que não a atual barra da foz. No decurso do ano de 1959, Niels Deeke iniciou, em F’polis a construção de um iate de 13 metros que calava 0,90 e acrescido da quilha, em aço profundava l,55 metros, o qual, dois anos após, pronto foi inscrito na Capitania dos Portos Ф com recebeu o nome de “Diana”.
Antiga Igreja São Paulo Apóstolo
Ф BARRA MORTA : Um segundo canal extravasor do rio Itajaí Açu, com início antes da confluência com o Itajaí Mirim, portanto a partir do região do Escalvado, sita pouco a jusante do lugar denominado Pedra de Amolar, em Itajaí, teria dado vazão à enchentes catastróficas, esgotando as águas na região de Armação-Penha do Itapocorói, o que, segundo consta, se verificaria caso o nível das cheia alcançasse 15,00 metros, na região de Blumenau. Na atualidade os aterros procedidos em l959, para a implantação da Rodovia Federal Br 101, obstruíram ainda mais o canal extravasor da Barra Morta. Canal extravasor : Esgotando as águas, do Itajaí Açu, na região de Armação-Penha do Itapocorói : Vide Revista “Bl’au em Cadernos” , tomo I n.º 03, p. 60, onde consta : “Durante a enchente de outubro de 1911, o rio Itajaí Açu, saindo do seu leito um pouco acima da cidade (De Itajaí) formou um novo braço que, invadindo os terrenos em direção ao norte, foi desaguar nas imediações da Penha do Itapocorói. Ainda na época presente, ou seja em 1996, comenta-se muito o projeto japonês “JICA” que, dentre outras soluções, para minimizar os problemas decorrentes das enchentes, propõe a abertura de um segundo canal extravasor, com a largura de cerca de 60 metros a partir das imediações da grande ponte na BR 101 em Itajaí, desaguando na praia do Gravatá. Por volta dos anos 1952 ou 1953, durante a primeira gestão do Prefeito Hercílio Deeke, cremos ter sido o D.N.P.V.N. (Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis), que através engenheiros (A empresa “Cumplido & Santhiago” ainda mantinha escritório em Blumenau) instalou uma espécie de grua pouco além da atual sede fabril da Cristais Hering, na rua Bahia, em direção do rio Itajaí Açu, a fim de fazer uma prospeção no terreno onde pretendiam “projetar” uma ponte, sobre o Itajaí Açu, em substituição à ponte do Salto, já então considerada insuficiente e desgastada. Entretanto consideraram o terreno que serviria para as cabeceiras da ponte, muito baixo e assim o projeto foi abandonado, comprovando, entretanto, que, no passado, grandes enchentes vararam diretamente por aquele local. (O terreno onde está localizada a estação de tratamento d’água – “Samae”- na rua Bahia em Bl’au, foi adquirido pela PMB- governo Hercílio Deeke, Lei . 1.311 de 25/3/1965, à família Weise ( Ingo Weise); Ralf Gerold Becker- 9.331,09 m2; Heinz Wittich Becker- 4.398,75 m2; Viúva Melita Becker- 822,00 m2; e continha a área de 14.551,84 metros quadrados; pretendia, Hercílio Deeke, lá edificar as cabeceiras na nova ponte que substituiria a Ponte do Salto então já condenada pela exaustão dos materiais). A via seguiria em linha reta defronte a “Cristais Hering” que na época nem existia (Foi criada por volta de1955) e ultrapassando o rio, alcançaria, na margem oposta, os terrenos da Prefeitura de Blumenau, onde se localizava o Matadouro Municipal (y), (Atualmente, 1995, o local em que havia o Matadouro Municipal encontra-se ocupado pelas Oficinas e garagens da Prefeitura) não exigindo desapropriações vultosas. Hercílio Deeke, generalizando, contou ter sabido por seu pai José Deeke, que quando realizaram, por volta, de 1903, os primeiros estudos “in loco” para encontrar o melhor caminho para assentar os trilhos da ferrovia, cujas primeiras projeções estavam a cargo do Eng.º Heinrich Krohberger, tio de José Deeke, muita discussão armou-se, e os interesses de fazê-la passar perto das propriedades, provocou enorme pressão sobre os encarregados de estabelecer o traçado da linha, tendo prevalecido a imposição do Cel. Feddersen de fazê-la passar junto da sua propriedade na Altona e das terras onde pretendia instalar a usina de força ( Usina Salto). Entretanto já antes do acatamento dessa decisão, haviam aberto um picadão no vale do ribeirão da Velha, contornando as pequenas elevações, até desembocar na atual confluência da rua General Osório com a rua Bahia, a fim de estudar a viabilização de por ali assentarem os trilhos. Prevaleceu, porém, o outro traçado que dentre suas justificativas, levava em conta a utilização do material pedregoso que havia no trajeto, muito apropriado para colocação sob os dormentes dos trilhos. Trata-se da pedreira de rocha metamórfica, da cor rosa, de propriedade de Carl Rischbieter, no morro da Boa Vista [ Morro da Banana, Morro da Farroupilha ou Morro da caixa D’água, justo na curva da morte, material quebradiço que poderia ser facilmente fracionado com marretas e que foi sendo progressivamente levado para os finais de linha, a medida que assentavam os trilhos pelos próprios vagonetes sobre a linha recém estendida. O material também foi utilizado para compactar a rua São Paulo, no imenso brejo que havia defronte a atual funerária Haas, ( Pertencente em 1962 a Adolfo Haas) banhado que iniciava na praça Fritz Müller, no atualmente denominado bairro Victor Konder, chegando, o lamaçal, até praticamente no início da rua São Paulo, junto a ponte sobre o Velha ( Ponte Jorge Lacerda) : Sobre o Ribeirão da Velha, onde terminava, pelo menos no passado, a rua 15 de Novembro e após transporta a ponte, iniciava a rua São Paulo. Este foi por muitos anos considerado o ponto final do “Stadtplatz” em direção norte. A 08 de junho de 1852 foram iniciados os trabalhos de abertura da picada, que partia da barra do ribeirão da Velha, seguindo em direção ao Salto Weissbach, pela margem direita do Itajaí Açu.); além de terem, tais pedras, servido para o enrocamento, nos anos 1960, da Beira Rio, no centro da cidade. Relativamente ao traçado que deveria futuramente prosseguir com destino à Itajaí, aventava-se a hipótese de fazê-lo através da Itoupava Norte, edificando uma ponte na Itoupava Seca, e depois de seguir pela atual Fortaleza, e por um túnel alcançaria Belchior. Levantamentos foram efetuados e constataram a possibilidade de desviar o curso do excedente das águas das enchentes, dirigindo-as pela baixada da Fortaleza para então, através de um túnel, ou de largo corte no morro do Abacaxi ( que até 1965 era denominado Morro do Ananás) fazê-las desaguar no Belchior. José Deeke, num de seus escritos igualmente se refere à hipótese. Eram idéias da época, atestando a previsão que faziam com relação aos danos que os níveis de futuras enchentes poderiam provocar no centro da cidade de Blumenau. As explanações sobre as enchentes chegaram até a foz do rio, em Itajaí, onde os antigos moradores contavam que teria havido outra barra de vazão, um segundo canal extravasor, situado bem mais ao norte que atual, para os lados de Armação na Penha, por onde inclusive esgotou parte da enchente de 1880, cujo nível alcançou 16,80 metros, como também a 1911 com 16,70 metros, quando a pressão exercida pelas águas do Itajaí Mirim na sua foz, teria provocado verdadeira barragem àquelas que desciam pelo Itajaí Açu o qual, por isso, transbordou na região do Escalvado. Não confundir o rio “Murta”, apesar da semelhança, com “Morta”, pois o “Murta” situa-se à margem direita do Itajaí Açu. Seria esta a “Barra Morta” referida por José Deeke na sua obra ¨Am Lagerfeuer¨? Onde exatamente iniciava e saía ao mar ? Vieira da Rosa na sua obra “Chorografia de Santa Catharina” -1905- Typ.da Livraria Moderna - F’polis. SC, na p. 81, antes de declinar os afluentes do Itajaí Açu de jusante para montante, cita : “Antes de encontrarmos o ribeirão Luís Alves, existem cinco arroios sem nome, arroios que não excedem três quilômetros de curso”. Certamente algum dos cinco arroios citados deveria ser o antigo curso da “Barra Morta”. Talvez os japoneses do projeto “Jica” possam, cientificamente, esclarecer a questão. Também é preciso considerar que durante as cheias, os níveis das águas do Itajaí Açu, a partir da época de 1920, quando estenderam os espigões de pedra dos “Molhes” da Barra junto ao mar, aumentou sensivelmente os níveis à montante, tendo por causa mais que evidente o estrangulamento da foz.

Ф) CAPITANIA DOS PORTOS : A Capitania dos Portos de Santa Catarina, foi criada em 19 de maio de 1846 através Decreto Imperial.
Conversando, com seu pai, Hercílio Deeke, no gabinete da Secretaria da Fazenda do Estado, da qual o primeiro era Oficial de Gabinete e o segundo Secretário de Estado, sobre a possibilidade de subir o rio Itajaí Açu com o dito barco quando terminada sua construção, o que efetivamente procedeu em 1962 arriando a mastreação além de propelido a motor, e considerando a profundidade requerida de cerca de l,60 metros para permitir sua passagem, naquela conversa que como sempre varava noite a dentro, pois era então que procediam o despacho dos “empenhos autorizatórios” de despesas, disse então Hercílio Deeke, pedindo reserva e confidência depois de apanhar algumas pastas relativas ao famoso “Muro de Arrimo de Blumenau¨ (4), obra que vinha sendo intentada junto ao D.N.P.V.N desde 1954, (não confundir o “Murro de Arrimo de 1954/1955- projetado em complementação à construção da Ponte Adolpho Konder”, com a obra cujo projeto, muito posterior (9 anos após) foi acompanhado pelo engenheiro civil João Caropreso, falecido em Blumenau a 20/01/1998, aos 83 anos de idade, ( João Caropreso tinha por registro no CREA da 7a. Região o nº 270 D, residindo a Rua Eugen Fouquet nº 93 – Bl’au.) obra que, ainda no governo Hercílio Deeke, teve início somente em 1965, e cujo verdadeiro aterro e enrrocamento deu origem a avenida Castelo Branco- a dita Beira Rio), o que passamos a relatar, contado por meu pai Hercílio Deeke :
“Aqui temos os documentos mais recuados que possam existir acerca dos níveis alcançados pelas águas do Itajaí Açu. Estes documentos não podem, absolutamente ser divulgados, pois, acaso revelados, causariam ainda maior estrago em Blumenau do que causaram as próprias enchentes, caso revelados, e presumo que os fatos aqui relatados somente única pessoa, o Engº belga “Lede”, tivesse conhecimento parcial da sua extensão. Imagine o alarde que causaria a divulgação de que o rio Itajaí Açu poderá alcançar níveis de até vinte metros ou mesmo algo mais !”- seria um desastre. ! E continuou : “Aqui estão as provas que reuni, documentos relativos a levantamentos da região anteriores a 1850, alguns encontrados por minha irmã Christiana Elisa Deeke Barreto (Christiana Elisa Deeke Barreto- responsável pelo “Arquivo Municipal de Blumenau” antes e depois do incêndio de 1958) no Arquivo Público, outros coletados aqui em Florianópolis no Depto. Estadual de Geografia e Estatística e no Palácio do Governo, além de outros mais que o “Japy” (Japy Fernandes- decano dos representantes comerciais em F’polis com escritório a Rua Trajano nº 19) me conseguiu, cedidos por famílias de particulares aqui residentes, (disse que outros havia, principalmente sobre Itajaí, obtidos através do Sr. Norberto Silveira Júnior de Itajaí – que os garimpara nos arquivos do Rio de Janeiro- então capital da República ) material histórico que para mim representa um grande dilema ; pois veja - se os entrego ao D.N.P.V.N e D.N.O.S. para apressar o término dos projetos do “Muro”, tais fatos passariam virtualmente ao conhecimento público e talvez até provocassem o desinteresse do governo Federal por obra tão dispendiosa, pois toda a fundamentação da sua construção, na sua justificativa, está consubstanciada na proteção que a cidade requer para os danos causados pelas enchentes. No caso de ficar evidente sua inutilidade defensiva, pois certamente o “muro”, durante as enchentes, ficará submerso, toda a obra somente serviria para beneficiar os proprietários das “barrancas” que assim teriam seus terrenos grandemente valorizados, mas outra saída não há que executar o muro para desafogar o trânsito e proteger o centro da cidade dos deslizamentos de terra.” Antes de 1960 não se falava na possibilidade da construção de “barragens de contenção das águas nas cabeceiras do Rio Itajaí Açu¨ (5) ” , nem com elas se sonhava. “Por outro lado qual dano não deixaria de causar sua divulgação, pois quando cientes possíveis investidores de fora estivessem do fato, certamente desistiriam de Blumenau por lugar mais seguro. E assim falou-se das expedições de Charles Van Lede em 1842 (Colonos belgas chegados em 1846 à região de Ilhota) de franceses que aqui estiveram por volta de 1835 – aquém e além do Salto - e da sua desistência pela região de Blumenau para estabelecerem seus empreendimentos, além do abandono em que toda a região do Itajaí Açu - desde o “salto” até a “foz” - se encontrava até 1835 e mesmo depois, desinteressando, até os mais afoitos aventureiros de aqui tentaram se estabelecer. Como, até então, supuséssemos que a enchente de 1911 fosse a maior havida, ele, Hercílio Deeke, fazendo blague, riu - dizendo que não teria passado de “uma gota d’água” e esclareceu : “ Filho: para teres uma idéia, o rio, em alguma época, décadas antes do início da colonização, já atravessou em linha reta de um ponto pouco abaixo da atual ponte do Salto (logo depois do cemitério municipal da Rua Bahia, antigamente conhecido como “Cemitério Municipal de Itoupava Seca” e desembocou novamente no seu leito na altura da “Fábrica de Gaitas” e parte das águas prosseguiram pela depressão que começa no “Grupo Machado de Assis”, e saiu no ribeirão do Tigre, próximo à “Bebidas Thomsen”. Para mim a revelação era um espanto, pois meu pai expunha que toda a região em que se situava a Cia. De Fumo em Folha (Mais tarde “Deeke S/A” e depois Pudim Medeiros) e da “Boîte Golden Star” ficara submersa. Todo o morro atrás da Cia. Paul (6) ficaria ilhado, bem como insulada também estaria a região onde hoje se situa a rua Cel. Feddersen (Naquela tempo, ano de 1959, lá poucas casas havia), completamente submersa e sujeita a fortíssimas correntezas. Falou ainda comentando outras conseqüências e depois sugerindo que eu desse olhada na documentação, concluiu que o resto eu poderia imaginar. Folheei rapidamente os documentos, meia dúzia de volumosas pastas, contendo papeis amarelados, deveriam ser muito antigos (Em 1959 o Xerox nem o “Termofax” ainda não tinham sido inventados e as cópias eram extraídas por negativo fotográfico – as ditas cópias fotostáticas- de demorada execução) observando-os sem muito interesse, pois na oportunidade minhas predileções eram bem outras ; meus arquivos estavam em Blumenau, portanto distantes e, naquele época, eu não pretendia retornar, definitivamente, para cá. Entretanto recordo-me de ter visto uma infinidade de “plantas arquitetônicas”, prospecções, pareceres e uma interessante “aquarela” contendo o desenho paisagístico da projeção do “Muro de Arrimo”, sobre “pilotis” em dois níveis de concreto, com automóveis desenhados, uns seguindo na via mais elevada numa direção e outros na de baixo em sentido oposto, portanto naquela projeção a “Beira-Rio” foi projetada em concreto, como se fosse um longo “viaduto”, e só a parte inferior estava ao nível da ponte Adolpho Konder. Constavam pontes em dois níveis sobre os ribeirões Garcia e da Velha e também na parte inferior do longo viaduto, no lado da cidade, constavam, em toda a extensão da via, compridas salas que comportariam repartições públicas municipais, estaduais e federais, cartórios e escritórios de empresas de utilidade pública.
Entretanto já no início de 1965, constavam alterações radicais nos planos iniciais relativos às projetadas “Obras de Defesa da Margem do Rio Itajaí Açu”- cfe. a seguir de depreende de documento expositivo existente na Pasta Geral junto às “Pautas de Serviço” do Prefeito Hercílio Deeke- relativa ao ano de 1965- em Papel Timbrado PMB, contendo o seguinte texto :
Considerações apresentadas por Hercílio Deeke em abril 1965
“Obras de Defesa da margem do rio Itajaí Açu, ao Longo da Rua 15 de Novembro, em Blumenau”
Conforme convênio firmado com o Departamento de Portos e Vias Navegáveis, do ministério da Viação e Obras Públicas, foi a Prefeitura encarregada da execução das obras de Defesa da Margem Direita do rio Itajaí Açu, obedecendo o projeto elaborado pelo referido Departamento – D.N.P.V.N. – que prevê o enrocamento no trecho compreendido entre as embocaduras dos Ribeirões “Velha” e “Garcia”, o que proporcionará também, além da segurança das casas situadas entre o Rio Itajaí Açu e a Rua XV de Novembro, a possibilidade da construção da tão almejada “Avenida Beira-Rio”, que dará à cidade um aspecto novo, além de um logradouro público das mais aprazíveis e pitorescos.
Utilizando-se a verba de Cr$ 16.000,00, consignada no Orçamento da União para o ano de 1963 e já recebida, foram executados, de início, os serviços de limpeza e movimento de terras no trecho compreendido entre a Praça Dr. Blumenau e o Edifício Mauá ( na esquina da Rua Quinze de Novembro com a Rua Marechal Floriano Peixoto) , permitindo o aterro efetuado a construção de plataformas de trabalho, necessárias à movimentação dos caminhões e da máquina “ Drag-Line”. Retirou-se na margem 960,00 m de lixo e detritos e colocou-se 6.396,00 m3 de barro e cascalho miúdo.
Os serviços estão sendo executados sob a administração da Prefeitura, através sua Diretoria de Obras Públicas e sob a fiscalização e supervisão direta do Engº João Caropreso, funcionário do D.N.P.V.N , como representante do Ministério da Viação e Obras Públicas.
Cabe registrar que , além da verba já anteriormente recebida , de Cr$ 16.000,00, falta receber a consignada no Orçamento do ano passado ( 1964) , de Cr$ 10.000,00 , conforme aditivo ao Convênio firmado. Para o corrente exercício, acha-se consignada no Orçamento da União, a verba de Cr$ 50.000,00, para as obras em referência.
Tratando-se de obra grandiosa e de um projeto de grande vulto financeiro, pelo montante de recursos que nele deverão ser investidos, há, como é natural, necessidade da cooperação financeira do Governo Federal, para garantir a continuidade dessas obras.
Atualmente acham-se as mesmas paralisadas, por falta de liberação e pagamento das verbas nos anos de 1964 e corrente exercício (1965)., respectivamente de Cr$ 10.000,00 e Cr$ 50.000,00 , o que vem prejudicando grandemente as serviços de aterro já feito, em virtude da erosão que se verifica pelas contínuas enchentes do Rio Itajaí Açu.”. »»»»»

=========H.D.========

Ainda no decorrer do ano de 1960, na época em o Estado concluía a Ponte em Gaspar que recebeu, também em 1960 o nome de Ponte Hercílio Deeke, uma justa homenagem que lhe foi prestada em virtude de ter pugnado herculeamente pela sua construção, e quando a Empresa “ETUC”, depois “EMTUCO”, construía, já em fase de conclusão, a nova rodovia asfaltada entre Blumenau e Itajaí, (após denominada Jorge Lacerda) seu proprietário o Engenheiro Wilson Ribeiro Gonçalves, num início de noite, depois de conseguir a liberação, pelo Tesouro do Estado, de um dos vários empenhos registrados no Tribunal de Contas, autorizando transferência do numerário através do Banco Inco, antes do jantar que, ele Wilson Gonçalves, pagou no “Lux Hotel” de F’polis, presentes o Engº Otto Heinrich Entres e o deputado Francisco Evaristo Canziani, (este que era o pai de Eduardo Solon Cabral Canziani , o “Dadinho” -posteriormente Prefeito de Itajaí) e o Deputado Estadual Gerhard Carlos Francisco Neufert, e ainda Newton da Luz Macuco- diretor do Tesouro Estadual, comentava o Engº Gonçalves sobre o que faria a partir de então, pois a rodovia estava pronta e a empreitada não lhe dera o lucro algum, a inflação galopante da época consumira tudo. Sem questionarmos sobre a veracidade das suas afirmações, entretanto uma coisa era certa, o homem não arrematara empreitadas em outras obras para utilizar suas máquinas depois daquela, e brincando comentavam que deveria candidatar-se às obras de retificação do Itajaí Açu, visando o esgotamento rápido as águas. Geralmente aqueles jantares diários no Lux Hotel, prolongavam-se, na mesa do bar, até altas horas da noite e era o local onde discutia-se, em “petit comitê” os mais variados assuntos. Naquela oportunidade o assunto foi somente a retificação do rio Itajaí Açu. Contatos que o Engº Gonçalves deveria fazer no Rio de Janeiro (Brasília estava sendo construída) etc. Presentes estávamos naquele noite, e lembramo-nos do que explicavam, que sucintamente constou do que a seguir tentaremos relatar e eventualmente poderá servir de testemunho da ciência de tinham da única maneira de solver o problema das cheias. Pensavam que a solução para centro urbano de Blumenau, seria o alargamento e aprofundamento da calha do rio, desde o Salto até Belchior, explodindo as pedras de fundo e alargando a barranca da margem esquerda. Falavam que inicialmente deveriam proceder o alargamento da saída no ribeirão Itoupava, onde o Itajaí forma uma forte curva de 90º, e na eliminação de uma ilhota próxima a dita curva. Dragagem (Ф) e explosão do fundo no trecho até a Ponte Irineu Bornhausen. Retificação da curva defronte a “verdadeira “Fortaleza” (Ф) pela retirada na ponta da margem direita do rio, alargando daquele estreitamento e procedendo a eliminação da “Ilha dos Amores” (7), a antigamente denominada “Eichsinseln” (Entrementes eliminada naturalmente pela enchente de 1983/84). Aprofundamento de toda a calha desde a “Ilha dos Amores” até Belchior, com o devido alargamento pela retirada de longo trecho terra adentro da margem esquerda defronte ao centro urbano.
Ф FORTALEZA : Houve em épocas diversas três locais denominados FORTALEZA, situados a montatante de Gaspar. Uma delas, a dita Verdadeira Fortaleza está, por mim, historiada em separata; outra, a atual Fortaleza que é bairro e finalmente a Fortaleza de 1840, em Belchior.Tratava-se, esta última, da grande muralha de pedra avermelhada( metamórfica), que ainda existe na curva junto à margem esquerda do rio Itajaí Açu, justo no local de maior dificuldade para a navegação, sita pouco abaixo do atual “Bela Vista Country Clube”, e de cujo enorme calhao foi pretendia a explosão pelo dr. Blumenau, para possibilitar melhoria da navegação.
Ф DRAGAS. Garimpando antigos documentos colecionados por Hercílio Deeke, foi encontrada cópia Autentica do Ofício nº 170, dirigido à Câmara Municipal pela Prefeitura de Blumenau. O documento : Blumenau, 03 de março de 1948. Cópia – Sr. Presidente : Em meu poder o requerimento que acompanhou o ofício nº 07 dessa Câmara, tenho o prazer de, abaixo, dar as informações sobre a DRAGA de propriedade desta Prefeitura, solicitadas pelo Sr. Vereador Hercílio Deeke. 1ª - A Draga pertencente a esta Prefeitura “não” trabalha atualmente para o município. 2ª - Achando-se em péssimo estado de conservação foi entregue sem a caldeira, pela administração do Prefeito Germano Beduschi, a título de empréstimo, ao Sr. João da Matta; a draga está funcionando com motor a óleo cru, de propriedade do referido senhor, 3ª - A Caldeira da Draga, também a título de empréstimo, acha-se em poder do Sr. Fritz Zimmermann, residente na Ponta Aguda, que a recebeu em péssimo estado de conservação; 4ª - Os citados empréstimos foram feitos por tempo indeterminado e sem condições; 5ª A Draga, quando em bom estado de conservação e com embarcação para conduzir areia, tem capacidade para produzir 50 a 60 metros cúbicos diariamente. Sendo o que sobre o assunto se me oferece, aproveito a oportunidade para reiterar-lhe minhas Cordiais Saudações. Frederico G. Busch Jnr. Prefeito Municipal”- Portanto veja-se o quanto a administração Germano Beduschi fez desandar a organização da Prefeitura em Blumenau, quando casos mais de favores existiram, entretanto não tão bem documentados.
- A prainha desapareceria e seria recomposta cinqüenta metros mais para o interior de terra. Principalmente a ilha do Belchior teria que ser retirada, explodido o fundo para aumentar a vazão. Falava-se de tudo, desde a impraticável hipótese de esgotar as águas por um sangradouro mediante canal direto da Itoupava-Seca até o Belchior, como também de cortar a Ponta Aguda muito antes do seu ápice, entretanto estas soluções percebia-se não satisfazerem. (Relativamente a idéia de proceder um corte para esgotar as águas do Rio Itajaí antes do vértice da Ponta Aguda, era esta a solução de propunham até 1950, quando até mesmo o Presidente Getúlio Vargas (19/4/1883-24/8/1954) na visita que fez a Blumenau em 1940, ouviu tais reivindicações feitas e pelo prefeito José Ferreira da Silva). Toda a planura da Ponta Aguda é um imenso aluvião, bem como a parte plana da cidade e da Boa Vista, formado em antigos períodos, quando tudo ainda estava submerso, pelo arrefecimento da velocidade das águas e respectivos sólidos que transportava depois do embate com pedreira da “Fortaleza verdadeira”, que abrandando a correnteza foi paulatinamente deixando os sedimentos. Num fato insistiram muito, que foi o alargamento do rio no centro da cidade, que consideravam estivesse estrangulando a vazão pela sua estreiteza. Falou-se que a ponte Adolpho Konder, [ Obra iniciada em 1954 e inaugurada somente em 30 de novembro de 1957, num domingo com visita do Governador Jorge Lacerda ] poderia ser aumentada no comprimento para servir a nova largura do rio e que as pedras explodidas deveriam servir para o enrocamento das margens depois de devidamente aumentada a largura de todo o rio. Canziani afirmou que as enchentes médias eram uma dádiva para Itajaí, que assim tinha o canal da barra (Canal do Molhe) naturalmente livre das areais que o vento nordeste e o próprio rio ali depositavam, quando o canal passava a ter somente 16 pés de profundidade e o necessário eram, no mínimo 25 pés (Ano 1960) Conforme consta da obra de Paulo Jozé Miguel de Brito que na sua obra Memória Política sobre a Capitania de Santa Catharina - escripta no Rio de Janeiro em o anno de 1816 e impressa em Lisboa em 1829, na página 35, o “a sua entrada é entre o pontal do norte e ponta Cabeçuda do lado sul, com 6 a 7 braças de fundo - com canal estreito (uma braça 2,20 metros x 6 = 13,2 metros - profundidade que não mais havia desde 1900) Dizia Canziani que rio acima deviam extrair muito mais areia, para impedir que assoreasse a barra e os demais presentes fizeram blague acusando-o de interesses pessoais pelo aumento das construções e rebocos com a areia que dizia ser imprescindível a extração, pois Canziani possuía diversas “caieras” sendo as suas minas fornecedoras de cal para rebocar e edificar construções - e Canziani contrariado contestava a acusação dizendo que não seriam os poucos caminhões dos “Ponzoni Brandalise” de Videira (Atual firma “Perdigão”) que, levando a areia de Blumenau para Videira, iriam resolver a questão. (Naquela época e muito antes, os caminhões daquele região, principalmente de Videira, no retorno aproveitavam para transportar areia de Blumenau, pois para aquelas terras, onde areia não havia. esse material era uma preciosidade). Foi o quanto me recordo do âmago daquela conversa naquela noite e pode-se perceber o acerto com que debatiam o assunto. Em outra ocasião, deveria ser durante o ano 1959, estando o prefeito de Rio do Sul, Helmuth Baumgarten, na Secretaria da Fazenda em F’polis, para pedir adiantamento da receita oriunda da Cota prevista no artigo 20 da Constituição Federal quando pretendia construir o aeroporto em Rio do Sul, época em que muito vagamente se falava da construção das “Barragens” de contenção no alto Vale, preocupado Baumgarten indagou sobre o que de positivo havia, pois a região fora visitada por engenheiros e o povo de sua cidade comentava os maiores disparates sobre a construção de açudes, como por exemplo que seria executada uma grande “Barragem” no Salto Pilão que inundaria grande parte da cidade de Rio do Sul, Lontras e Matador. Como Hercílio Deeke era então o político mais interessado e informado de toda a questão, Baumgarten pediu que lhe adiantasse até que ponto estavam as tratativas. Novamente foi aventada a hipótese da Usina de Força do Salto Pilão, (vide nota Tópico: Salto Pilão- in Suplemento Vórtex 22) ) combinando uma série de Barragens de múltipla finalidade, com especiais comportas de sangramento, para relativa contenção das águas de cheias e aproveitamento da geração de eletricidade. As atuais “barragens” eram puro sonho e só vinte anos após passaram a iniciar seus projetos. Atualmente, depois que dita avenida Beira-Rio, em Blumenau, foi executada tão economicamente, o rio estreitou barbaridade, e ainda comentávamos com nosso pai, Hercílio Deeke, em 1976, quando o rio atingiu cerca de onze metros o caso do estreitamento e ele, já há longa data desiludido com a política dos novos próceres fâmulos da ditadura militar, nos dizia que e cidade pagaria o preço por não terem observado o projeto original. Achava que tudo foi excetuado muito simploriamente com um elementar aterro e enrocamento, sem observar a compensação na margem esquerda, e ainda recordou a projeto do elevado onde as vias passariam uns quatro metros acima do nível atual da rua e sobre pilotis com lojas e departamentos que o projeto previa, que poderiam ser levados a Leilão público, para custeio parcial da obra. Falava em comportas na saída do ribeirão Bom Retiro, do Tigre, da Fortaleza e até numa comporta que mandou fazer para estação provisória de tratamento d’água ( a da rua Bahia -que hoje infelizmente é a definitiva, pois assim preconizava o disposto nos projetos do Fundo Nacional de Financiamento ao abastecimento de água tratada) do “SAMAE” (8) a baixo do Salto. Enfim, quando nos nossos despachos diários mantidos na entrevistas de 1967 a 1977, das 7 as 8 da manhã na mesa do café, onde ia visitá-lo diariamente antes de apanhar o correio, e quando terminaram o monstrengo do “muro” e discutiam a denominação que ao mesmo dariam, falaram até em homenageá-lo com seu nome, o que não permitiu e nós pessoalmente discordamos da sua opinião. Hercílio Deeke ainda explicitou que jamais desejaria ter seu nome colocado numa obra tão impropriamente executada e que dia viria em que os blumenauenses infelizmente sentiriam na própria carne os danos e malefícios que o “aterro transmutado em Muro” provocaria pois o rio certamente se vingaria do furto que lhe fizeram, tomando-lhe cerca de trinta metros de sua largura, já antes tão exígua. Enfim, desanimado, e já muito doente lamentou a desgastante luta que tantos anos que lhe consumiu imenso esforço, bem como a perda da grande oportunidade que de fazer um “muro” nos moldes pretendidos, quando a verba já disponível, em agosto de 1961, foi congelada e devolvida pela Caixa Econômica à Brasília, logo após a renúncia de Jânio Quadros (1917-1992) # Aliás ele sempre considerou o atual “Muro de Arrimo” nada mais que um “Aterro de Arrimo” e que culpados haviam por sua execução tão imprópria e que se pudesse ter previsto que assim procederiam, teria sido mais simples e barato desviar o ribeirão “Bom Retiro”, pelas galerias diretamente para o dentro ribeirão Garcia, seguindo em reta pela atual rua Dr. Luís de Freitas Melro.(Aliás esta a solução propugnada por José Ferreira da Silva ex prefeito que iniciou a canalização com tubos de folha de lata galvanizados marca “Armco”-vide Bl’au CadernosTomo I nº 01 p. 19-20) Entretanto foi, o canal, procedido no curso da rua Nereu Ramos, rua então então inexistente, justamente para possibilitar a instalação de uma grande “Comporta” na saída para impedir o ingresso a enchentes ou pelo menos dos detritos para os baixos pontos da região da escola “Barão do Rio Branco”, pois quando o Rio Itajaí Açu alcançava 9,70 metros invadia a baixada da antiga rua Paraná, (Rua Paraná : tratava-se de uma transversal da Alameda rio Branco, que depois de ser denominada de rua Paul Werner (9), atualmente é a rua Vidal Ramos. A Rua Paraná foi asfaltada em 1951 gestão administrativa Prefeito Hercílio Deeke) e temos esta medida de 9,70 metros como referencial para a rua defronte a casa de Cláudio Buechele, ainda de pé, conservada pelos herdeiros e pertencente à família do Sr. Benjamim Margarida, cartorário em Blumenau. Tais obras deveriam ser executadas pelo governo federal, e estava tudo praticamente aprovado em 1961. (Há outros dois locais de aperto das águas abaixo de Gaspar, sendo uma a curva do Pocinho que precisava ser alargada e o estreitamento do Rio do baixo Pocinho logo após a Ponte das Canas. Lá, anos passados, retiraram muita areia aprofundando o leito, entretanto isso não resolverá, no máximo capacita a receber novos detritos em depósito (assoreamento) , sendo imprescindível o alargamento daqueles trechos. Os ecólogos, (ou seriam ecologistas? ) da atualidade ( estamos em 1996) se preocupam muito com os desbarrancamentos da margem esquerda, contudo são realmente necessários e até lógicos, pois deveriam ser procedidos artificialmente. Procedam o contrário e verão no que dará ! Estreitarão a largura e estrangularão a vazão. Outro assunto é a necessária retirada de areia, que deverá ser dimensionada corretamente, e também deverá ser procedida com mais intensidade que no passado pois hoje é bem maior a quantidade de sólidos que se depositam na calha profunda comparativamente ao que ocorria anteriormente. Da mesma forma em caso contrario, o rio assoreado não possibilitaria a vazão adequada, portanto sua retirada é imprescindível. (N.B. Não somos proprietários nem participamos de dragagens de areia ou de portos para seu depósito). No presente ano de 1996, discutem bizantinamente um certo projeto japonês “Jica” que custaria em torno de 300 milhões de dólares, e consideradas as opiniões que os supra citados participantes do jantar no Lux Hotel emitiram, a dita nova solução nipônica não resolveria absolutamente o problema, pois desconsidera o Alto vale e nem mesmo minimizaria sua ação no médio Vale, beneficiando somente a foz do rio, junto a cidade de Itajaí sendo muito eficaz neste último ponto. Pessoalmente prefiro crer naquelas pessoas que, no, passado, acertaram tantas feitos e não se deixavam dominar por paixões. Só para colocar uma pá de cal no problema de encontrar-se local adequado à feitura de um segundo canal extravasor, perguntamos porque não o projetam ao lado do atual, quando após o nível de 9,00 metros o rio passaria então a utilizar uma saída de cerca de sessenta metros de largura, ao lado, geminada a atual ? Para que fazer um longo trajeto desde o Escalvado ou abaixo na Barra do Rio (barra do Itajaí-Mirim) até a praia do Gravatá ou mesmo Armação - seria para dar serviço as empreiteiras ?
Canal extravasor . Esgotando as águas, do Itajaí Açu, na região de Armação-Penha do Itapocoroi : Vide Revista “Bl’au em Cadernos” , tomo I n.º 03, p. 60, onde consta : “Durante a enchente de outubro de 1911, o rio Itajaí Açu, saindo do seu leito um pouco acima da cidade (De Itajaí) formou um novo braço que, invadindo os terrenos em direção ao norte, foi desaguar nas imediações da Penha do Itapocoroi. Vide verbete “Barra Morta”. A atual geração dirigentes regionais obscuros, que solerte pontificou com suas indiscutíveis decisões no período da ditadura militar, felizmente devagar está sendo substituída, e esperançosos torcemos para que a novel classe de administradores públicos considere e execute as soluções mais acertadas para toda a questão.
A planta em 1959 era para a época surrealista, entretanto, dizia Hercílio Deeke, que sua execução era necessária e imprescindível ao futuro da cidade, pois o prédio da Prefeitura, mesmo incendiado, ainda abrigava, a câmara municipal, repartições estaduais e federais, arquivo público, e até cartórios dos tabeliães, registros civil e de imóveis - uma verdadeira babilônia dentro de recinto tão exíguo. Nos fundos da “Praça Victor Konder”, local que antes era designado por “Praça Carlos Gomes”, ainda se encontrava funcionando a Estação da Estrada de ferro Santa Catarina e a sede da mesma. O dito “Centro Cívico” (10), onde mais tarde foi construído o prédio do Fórum e da Nova Prefeitura, para complicar o pleno domínio pela Municipalidade continha sede da ferrovia, que naquele ano foi novamente transferida do Estado para a administração Federal, requerendo novas tratativas para desocupação que somente muitos anos depois, foi conseguida. Noutra planta muito comprida, também à aquarela, estava projetado um viaduto que iniciava na Rua Abrantes (Rua Santo Antônio ), seguindo em linha reta, secionando a rua 7 de Setembro no sentido da lavoura dos Padres (Atual Neu Market) a travessando o Mato dos Padres, (atual “Parque São Francisco”) chegava à Cia. Hering no Bom Retiro. Dita via, projetada muito larga, com muitos viadutos (mais parecia uma projeção da cidade de Chicago nos EUA) contornava o morro da Cia. Hering, atravessava a Velha pela altura da rua Mariana Bronnemann e alcançava o Morro da Caixa d’Água para então encontrar a Beira-Rio, que seguia contornando o morro da Boa Vista, já a montante da foz do ribeirão Velha. O projeto foi apelidado por Hercílio Deeke de “Krone Strasse”, no qual disse faltariam as projeções das instalações públicas, municipais, estaduais e federais, na altura do Mato dos Padres, o qual com sua área de 300.000 metros quadrados, livre de enchentes, poderia ser aproveitado sem grandes derrubadas da mata ! Tudo planos - quimeras dizia ele, que não pronunciava palavrão algum, porém digo eu : eram quimeras, que se transformaram nestas, acrescidas da letra “d” entre “e” e o “r”. Lá, além destes havia o do aeroporto de Gaspar, área que inclusive chegou a ser desapropriada e construída a “ Ponte Hercílio Deeke”, ligando o centro de Gaspar ao projetado aeroporto internacional que seria implantado na margem esquerda do rio Itajaí Açu, na região de Gaspar a fim de se estabelecer o aeroporto internacional do Vale do Itajaí. (Carta Prefeitura Municipal de Gaspar SC., datada de 29/4/1958 - Assunto Convênio Assinado com o Ministério da Aeronáutica para levantar o terreno para o FUTURO AEROPORTO DE BLUMENAU - em Gaspar - assinado Dorval Pamplona - Prefeito Gaspar. Nossos arquivos contém plantas e correspondências que atestam o esforço despendido, que entretanto foi postergado por motivos políticos, nos quais interferiu uma facção apodrecida da UDN (11) regional que vinha, paulatinamente, boicotando a fim de beneficiar sua terra natal - Itajaí, e dessarte o aeroporto foi construído em Navegantes quando hoje poderíamos ter, próximo a Blumenau, um aeroporto com uma pista de 3.800 metros, muitíssimas vezes mais apropriado que o de Navegantes o qual em 1996, segundo extensão que pretendem implantar, poderá atingir o limite de 2.600 metros de pista de pouso. O antigo aeroporto de Itajaí, que antes de 06/9/1952 já era foi denominado “ Aeroporto Salgado Filho” que situava-se transversalmente à rua Blumenau, foi construído em 1949, e sua construção foi inclusive subsidiada pela Prefeitura Municipal de Blumenau, quando pela Lei nº 98 de 27 de dezembro de 1949, despendeu Cr$ 10.000,00 para “Pagamento do auxílio para a construção do «Campo de Pouso» em Itajaí, neste Estado » p. 15 . Relatório F.G.Busch jr. ano 1949. Em 06/9/1952 era inaugurada a “Estação de Passageiros Presidente Vargas” – construída pela Prefeitura Municipal de Itajaí, junto ao Aeroporto Salgado Filho. O ato do descerramento da Placa com a qual a Prefeitura Municipal de Itajaí homenageou o “ Povo do Vale do Itajaí”., foi procedido pelo Prefeito de Blumenau. Sr. Hercílio Deeke. Somente em março de 1953 a Diretoria de Aeronáutica Civil (DAC) concedeu “Licença” a empresa “Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul” para a manutenção de uma linha de aviões com o itinerário ITAJAÍ- CURITIBA- SÃO PAULO- RIO, entretanto houve a demora de alguns meses para o início de funcionamento desses serviços.( Vide Carta de Hercílio Deeke datada de 19/3/1953- solicitando providência ao D.A.C para o início do trago aéreo- cópia in TABULARIUM NIELS DEEKE ) O antigo aeroporto, situando-se até 1970, à margem direita do Rio, a beira da rua Blumenau e de tão precário que era, quando em 30 de maio de 1963 o Ministro da Justiça do governo João Belchior Marques Goulart, Dr. Evandro Lins e Silva (Evandro Lins e Silva residia em 1958, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana- Edifício Pindorama- Defronte à Praça do Lido. Rio de Janeiro) que era parente, através seu casamento, do político ao qual, tempos antes, desinteressava o Aeroporto de Gaspar, depois de visitar Blumenau, seguiu viagem levantando vôo num avião AVRO, este arrancou os moirões de cerca da cabeceira da pista junto à rua Blumenau, em virtude da insuficiência no comprimento para rolamento da aeronave na ascensão e os jornais locais (de Itajaí), talvez por interesses inconfessáveis, nada reportaram, porém fomos testemunhas do fato). Quanto ao paradeiro dos documentos das ENCHENTES , nada sabemos, entretanto quando Hercílio Deeke deixou a Pasta da Fazenda do Estado, fizemos pessoalmente a “limpeza” da documentação particular e enormes pilhas transferimos ao nosso arquivo particular, porém estes não mais lá estavam - possivelmente, por serem de interesse na futura administração municipal à qual ele , Hercílio Deeke, se propunha como candidato, foram levadas para o seu gabinete, no “Banco Inco” em Blumenau e dali, após 29 de abril de 1968, teriam sido levadas para a Cidade de Deus, em Osasco SP como aconteceu com mais de três amarrados que sobraram dos 500 exemplares do “Livro do Centenário de Blumenau” que em 1950, ele Hercílio Deeke, na qualificação de Presidente da Comissão de Festejos, adquirira à título de sua participação financeira para a edição da obra , e que em São Paulo transformaram em papel picado. (Foi dito que o encarregado da triagem de papeis do antigo “Banco Inco”, que foram remetidos à sede do “Bradesco” , em S. Paulo, considerou os “livros” documentos de propaganda e publicidade). Daquelas “Pastas” que em Florianópolis, eram por indicação de Hercílio Deeke, organizadas pelo Sr Arony Natavidade da Costa, um competente, austero e atencioso antigo funcionário do Tesouro do Estado, destacado para exercer funções de representação no Gabinete, extraímos, na Capital, uma relação das enchentes de Blumenau que constou manuscrita nos Livros da Embarcação “Diana”, informes, cujas cópias xerográficas distribuímos desde 1974, através da antiga “Fábrica do Chocolate Saturno S/A”, ao tempo que exercíamos a sua presidência, cujo teor transcrevemos no Vórtex 55 ) : « Enchentes em Blumenau »

“VAE VICTIS” - pela fúria das águas de curso furtado
( Ai dos vencidos, dito por Breno- o gaulês anos 100 AC ).

Notas de fim acostadas por Niels Deeke:
1) CHARLES VAN LEDE . Remetendo ao ano de 1842 faz a : “Descrição dos Rios Itajaí Grande e Itajaí-Mirim” in Bl’au Cadernos Tomo II n.º 3 p. 41 a 45.
2) SALTO. Referido, já antes de 1810, como “ Primeira Caxoeira” do Tajahi-assú in obra “Memória Política sobre a Capitania de Santa Catharina - escripta no Rio de Janeiro em o anno de 1816 por Paulo Joze Miguel de Brito e impressa em Lisboa em 1829” à p. 90.
3) BÉLGICA. Em 04 de julho de 1951, o Prefeito Hercílio Deeke, oficiava o seguinte doc. : “Brasão do Município de Blumenau- timbre – Prefeitura Municipal de Blumenau- 04 de julho de 1951- Ao Ilmo Sr. Lauro Carneiro de Loyola. DD. Cônsul Belga em Joinville Sc. . Sr. Cônsul : Tenho o prazer de acusar o recebimento de seu ofício de 30 de junho findo, comunicando sua recente posse no cargo de “Cônsul da Bélgica “ em Joinville, com jurisdição no Estado de Santa Catarina. Apresentando-lhe os meus cumpuimentos e almejando a V.S. todas as felicidades no desempenho da honrosa missão que lhe foi confiada por S.A.Real Príncipe Baudouin, subscrevo-me Atenciosamente. Hercílio Deeke .- Prefeito Municipal.”
4) MURO DE ARRIMO DE BLUMENAU .
Transcrição de cópia assinada pelo Prefeito Hercílio Deeke, em papel timbrado P.M.B., do ofício nº 702, em duas páginas, dirigida, em 29 de maio de 1961 ao Presidente da República – Jânio Quadros.
“ Blumenau, 29 de maio de 1961- Ao Exmo. Sr. Dr. Jânio da Silva Quadros. DD. Presidente da República. Brasília DF. Exmo. Sr. Presidente. Blumenau vem, com a costumeira admiração e respeito que possui pelo Presidente da República, solicitar a resolução de um problema específico, que o está afligindo há muito tempo, e cuja conclusão sempre estacionou nas promessas. Em minha primeira explanação reivindicatória, situei com a devida importância, as OBRAS DE DEFESA DA MARGEM DO RIO ITAJAÍ AÇU, ao longo da Rua XV de Novembro, como se vê da cópia que se encontra acostada neste. Tenho conhecimento que os planos- projetos, plantas, etc. – relacionados com a construção das aludidas obras, já estão concluídos, faltando, somente, serem executados. Há, como frisei anteriormente, um convênio entre o Governo da União e o do Estado, para a elaboração de muro de arrimo. A medida mais acertada, porém, seria um convênio com o próprio Município, uma vez que este é o maior interessado no início e conclusão da obra. Vossa Excelência querendo, poderá autorizar a lavratura do convênio entre o Município de Blumenau e o Governo Federal, o que resultará em benefícios para ambos. É do meu saber, igualmente, que o Orçamento da União, para o exercício de 1961, consignou uma verba de Cr$ 20.000.000,00 ( Vinte milhões de cruzeiros) para o princípio dos trabalhos de construção das obras de defesa da margem do Rio Itajaí Açu. Esta verba, entretanto, foi inteiramente recolhida ao Plano de Economia Nacional. Blumenau recolhe para o Tesouro nacional, anualmente, mais de Quinhentos Milhões de Cruzeiros. Mais ainda poderá recolher se contar com o apoio de Governo Federal para a solução de seus problemas de base. O primeiro auxílio, necessário e urgente, é Vossa Excelência determinar o descongelamento da referida verba, a fim de que possa dar imediato começo às obras, o que tranqüilizará os meus munícipes, que vivem, trabalham, produzem e sonham, sob a ameaça constante e imprevisível de uma enchente do Rio Itajaí Açu, que traz incomensurável prejuízo ao Município, e conseqüentemente à União. Sei e tenho certeza que este apelo não é em vão, pois que Vossa Excelência, acima de tudo, trabalha para o bem da Pátria, meta idêntica dos blumenauenses, sabedores de que promessa feita por Vossa Excelência é realização certa. Atenciosos cumprimentos. Hercílio Deeke- Prefeito Municipal.”
W Em 08/01/1954 conforme relata o Prefeito Hercílio Deeke- in Relatório dos Negócios Administrativos ano 1954 p. 89 : “ É aprovado na Câmara Federal , o crédito destinado ao Muro de Arrimo da margem do rio Itajaí Açu, no centro da cidade.
W Em 25.7.1954 o Deputado Federal Wanderley Júnior apresentou uma emenda ao orçamento de 1955, elevando a cinco milhões de cruzeiros o crédito para a construção do projetado muro de arrimo da margem do rio Itajaí Açu no centro da cidade de Blumenau.
- Documento que seguiu acostado ao supra citado- dirigida ao Presidente Jânio da Silva Quadros:
OBRAS DE DEFESA DA MARGEM DO RIO ITAJAÍ AÇU- em BLUMENAU- AO LONGO DA RUA XV DE NOVEMBRO. – A cidade de Blumenau é banhada pelo Rio Itajaí Açu. A sua rua XV de Novembro, principal artéria, onde está congregado todo o seu comércio, beira o majestoso rio, que na fúria de suas cheias, acarreta inenarráveis prejuízos. O fenômeno atinge proporções de calamidade pública, causando o desassossego da população. As enchentes, que são periódicas, ocasionam o desbarrancamento da margem do rio, gerando, inclusive os desmoronamentos dos prédios, e outros prejuízos, desde 1911. O Município de Blumenau, de muito, vem insistindo na execução desta obra – Murro de Arrimo para Proteção da Barranca. Infelizmente, até hoje, encontra-se só em projeto. Há um convênio entre o Governo do Estado e o da União para a consecução do muro de arrimo. O projeto próprio já foi elaborado pelo Departamento Nacional de Portos Rios e Canais. Falta, agora, somente, executá-lo. É o que espera de V.Excia., o povo de Blumenau, dado a importância capital que empresta á sua execução. Sabem, e confiam os blumenauenses que V.Excia. não deixará “in albis” esta reivindicação, que é antiga e assome aos seus corações, intensamente, quando o plácido e bucólico Itajaí Açu ameaça desenfrear nova calamidade. Em V.Excia. residem as esperanças de todo um Município que quer produzir e prosperar, sem a tormentosa ameaça que tolhe o seu anseio de engrandecimento. O povo de Blumenau já tem conhecimento de que V.Excia. está realizando um governo de decência e justiça. Blumenau 22 de março de 1961- Hercílio Deeke – Prefeito Municipal”.
Seguem-se, no arquivo, diversas cartas e telegramas recebidos do Secretário Particular do Presidente Jânio Quadros- o Sr. José Aparecido de Oliveira, e um telegrama endereçado ao Prefeito Deeke do Pres. Jânio Quadros. Confirmação ao Prefeito Deeke de audiência marcada pelo Presidente Quadros, na qual solicita encaminhamento de exposição de assunto por escrito.
Ф Vide descrição parcial das “ Obras de Defesa da margem do Rio Itajaí Açu, ao longo da rua 15 de novembro” in Rel. Neg.Adm. Pref. Hercílio Deeke ano 1964 - p. 85/86. Em 26.02.1965 foi celebrado entre o Ministério da Viação e Obras Públicas - Depto. Nacional de Portos e Vias Navegáveis o “ Termo aditivo ao aditivo de 23/10/1963, referente ao termo de convênio de 27/8/1963 celebrado entre o Depto Nacional de Portos e Vias Navegáveis e a Prefeitura Municipal de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, para a execução das obras de proteção da margem direita do rio Itajaí Açu- naquele município- contém sete cláusulas e três pgs - cópia in arquivo Niels Deeke.- Leis HD. Ano 1965. Pelo Decreto nº 42.423 de 07/10/1957 o presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira nomeou um Grupo de Trabalho para estudar a situação econômica da bacia hidrográfica do rio Itajaí Açu. Foi então que numa das palestras mantidas por técnicos ficou assentado que o problema das cheias somente poderia ser resolvido com a construção de barragens nas cabeceiras dos principais rios que formam o Itajaí Açu. (a, b,.c)
a) Telegrama nº 255 datado de 02/12/1961 : Dr. João Goulart – Digníssimo Presidente da República- Brasília DF. – Comissão Defesa Vale do Itajaí vg Composta Todos Municípios Vale do Itajaí vg Reunida Dia 27 Novembro Findo Com Comparecimento Total Seus Membros vg Ouviu Conferência Pronunciada Dr. Carlos Krebs Filho –Diretor Distrito Obras Saneamento sobre Obras Defesa vg Resolveu Unanimemente Levar seus Agradecimentos a V.Excia. Razão Sua Visita Esta Região Et Empenho Defesa Nosso Vale Contra Terríveis Cheias et Assinatura Contrato Elaboração Projetos Obras Defesa Vale Itajaí PT Sabemos Que Solução Terrível Flagelo Serah Conseguida Devido Interesse V.Excia. PT Atenciosas Saudações Hercílio Deeke-Prefeito e Presidente Codevi. Vale do Itajaí”.
b) Telegrama nº 256 datado de 02/12/1961. : Cel. Virgílio Távora- Ministro Viação Obras Públicas- Rio de Janeiro- texto idêntico ao supra utilizado para o telegrama 255.
c) Telegrama nº 257 datado de 02/12/1961. : Governador Celso Ramos – Palácio do Governo –F’polis. - texto idêntico ao supra utilizado para o telegrama 255e 256.
5) BARRAGENS DE CONTENÇÃO DAS ÁGUAS NAS CABECEIRAS DO RIO ITAJAÍ AÇU. Através do telegrama nº 2.461 de 21/11/1961 o Ministro da Viação- Cél. Virgílio Távora- comunicou ao Prefeito Hercílio Deeke- de Blumenau, que havia assinado em 20.11.1961 o “Contrato para os Projetos definitivos da Barragem no Vale do Itajaí” ( Vide in “Reivindicações do Município de Blumenau- Santa Catarina- junto ao Governo Federal” - requeridas pelo Prefeito Hercílio Deeke em 21/01/1962- 2 folhas de capa introdutória e oito folhas de texto reivindicatório in arquivo N.D. título Hercílio Deeke- Prefeito de Blumenau- enchentes 1961- Um pouco de História- Criação do Município de Taió-)
6) CIA. PAUL Em 06/7/1961 O prefeito Hercílio Deeke atestava, “por ter conhecimento, que a Companhia Paul, manteve, nos anos de 1928 a 1932, inclusive sede social nesta cidade e Blumenau, no bairro Itoupava Seca, anos em que exerceu atividade comercial de fato e de direito”.
7) ILHA DOS AMORES Era também denominada “Ilha da Fortaleza”. Pequena ilhota de areia que havia defronte a “Verdadeira Fortaleza”, pouco a jusante da curva que o Itajaí Açu faz no pontal da planície do bairro Boa Vista ou Bela Vista. A ilha desapareceu com a forte correnteza da enchente de 1983. Nos idos de 1948/1950 corria uma “lenda” acerca da Ilha, desenvolver a história – onde as moças se entregavam aos rapazes sem perder a virgindade e sem engravidar.
8) SAMAE : Estações de Tratamento de água do município de Blumenau : Contratos firmados pelo Prefeito Hercílio Deeke para execução de plantas de triangulação e poligonais- com “Engenharia Civil Otto Hupfeld” ano l961 e Escritório Hildálius Cantanhede Engenharia Civil- Rio de Janeiro em 1963. Cópias dos docs. in arquivo Niels Deeke.
--- Compulse, também, o muito esclarecedor e proveitoso arquivo versando acerca da aquisição pela P.M.B. ( governo H.D.) à empresa Bromberg, das terras com cerca de 180.000 m2 , fronteiras à Represa do Salto, onde projetava-se a instalação da ¨ Usina de Tratamento de Água ¨ ( não uma Estação como a da rua Bahia, que foi instalada em caráter emergência l- portanto provisória- ( tornou-se incrivelmente definitiva) No texto do arquivo, adiante somente mencionado indaga-se o paradeiro da titularidade do imenso terreno da Prefeitura, cuja falta de aproveitamento com destinação à feitura da Usina constante do Projeto, causou e continuará causando grandes prejuízos a comunidade de toda Blumenau :O arquivo elaborado em separata consta do : Vórtex 51): : << DECORRÊNCIAS DA PROJEÇÃO, EM 1963 /64 / 65 , DE UMA “USINA DE TRATAMENTO D’ÁGUA” PARA ABASTECER PERENEMENTE BLUMENAU COM POPULAÇÃO ESTIMADA EM ATÉ TRÊS MILHÕES DE HABITANTES” >> Vide espesso documentário original in Arquivo Hercílio Deeke.
9) RUA PAUL WERNER. Via pública que homenageia Richard Paul Werner, nascido na Alemanha a 14 .12......., e que mediante a Lei Municipal nº 1.293 de 10/12/1964 foi titulado “Cidadão Blumenauense”- Vide Cópia do ofício expedido a Richard Paul Werner, pelo Prefeito Hercílio Deeke, comunicando-lhe ter sancionado a lei que lhe concedeu o Título de Cidadão Blumenauense. O título foi entregue em 22/12/1964 em sessão solene na Câmara Municipal de Blumenau. Relatório Adm. Hercílio Deeke ano 1964 p. 115. Trata-se do genitor de Bernardo Wolfgang Werner, executivo e empresário da Eletro- Aço Altoina S.A. O ofício, do Prefeito Hercílio Deeke ao novo cidadão blumenauense, comunicando a sansão da lei, foi datado de 14/12/1964 . ELETRO AÇO ALTONA S.A : Auerbach & Werner .Antiga razão social, início da década de 1930, da “Eletro-Aço Altona S.A.”, fundada por Karl Ernst Auerbach e Richard Paul Werner.
10) CENTRO CÍVICO : Vide separata in Vórtex 57 )
11) U.D.N. Sigla da União Democrática Nacional. Partido Político fundado em 1946 pelo Brigadeiro Eduardo Gomes, que em 1956 residia à Avenida da Praia do Flamengo nº 224 apto 701 – Rio GB . Lema do partido : “Vigilantia Aeterna libertatis precium est” - “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Tinha por símbolo uma “Tocha Ardente”.
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