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quarta-feira, 18 de maio de 2011

- A Historieta do Chicolino

História de nosso cotidiano: Chicolino
Por Adalberto Day

Chicolino começa a tomar destaque após o ano de 1982. O nosso personagem inicialmente produzido e confeccionado de forma artesanal por uma moradora da Rua da Glória em Blumenau, e que renderia ajuda no orçamento aquela família, logo seria "adotado".
Em 24 de dezembro de 1982, a vida de nosso personagem Chicolino começa a tomar novos rumos .
Nesta véspera de Natal, minha mãe que havia adquirido daquela senhora vizinha da Rua da Glória, quatro irmãos idênticos no aspecto "físico", para dar de presente aos seus netos (as), chega a nossa residência juntamente com nosso pai e solicita a nossa filha que escolhesse um entre os quatros.
O escolhido foi batizado e adotado com o nome de Chicolino, escolhido não sei se por mim, pelo meu pai (mais provável), pois eu sugeri que fosse Nicolino em homenagem a ele, mas não consegui.
Os outros três tomaram o mesmo destino de doação em uma só casa, a de minha irmã, que infelizmente hoje não existem mais.
Mas a vida de Chicolino não foi só de alegrias, houve algumas decepções, preconceitos e deboches, foram se acentuando.
No dia 16 de dezembro de 1983 quase véspera de completar um ano de adoção, Chicolino e nós passamos por momentos difíceis, quase o perdemos. Na noite deste dia eu estava prestes a me ausentar por compromissos assumidos, e tive que tomar uma atitude mais severa com nossa filha que estava inquieta e se comportando de forma inadequada para uma menina de cinco anos.
O "Castigo" teve que ser aplicado, e antes de sair, peguei o nosso personagem, o coloquei em cima de um Bandô ( acessórios de Cortinas) da abertura com acesso a nossa sala, e disse a nossa filha que só o receberia de volta se o comportamento melhorasse.
Logo após antes de retornar, na madruga do dia 17, uma grande tragédia assola nosso bairro, derrubando casas, pontes e as águas adentrando as residências de muita gente da comunidade.
Recebi a noticia dos acontecimentos, mais jamais poderia imaginar que estivesse ocorrendo também em nossa residência. No retorno, tentei ajudar alguns amigos atingidos, inclusive meus pais, quando fui indagado: "O que estás fazendo aqui ?" respondi ajudando algumas pessoas. E o mesmo informante disse: e a sua residência?. Tudo bem, nunca é atingida, retruquei. "Sinto muito em lhe informar que foi atingida e muito". Essas palavras me gelaram. Agradeci, saí em uma corrida a pé desenfreada pela Rua Progresso, distante dali 1 Km aproximadamente, e pude verificar nossa residência estava com 1,60 m tomados pelas águas barrentas do Ribeirão Garcia. Logo os vizinhos me disseram que minha esposa e filhas estavam a salvo em outra residência.
Foi desolador; perdemos quase tudo, mas o principal estava salvo, a vida, dos familiares.
Quando clareou o dia e as águas baixaram, um rastro de destruição por toda a comunidade pôde se ver. Adentrando a nossa residência com os familiares e outros para nos auxiliar na limpeza, pude constatar que pouco sobrou, mas o Chicolino estava também a salvo lá em cima no Bandô, e pôde "presenciar todos os fatos".
Graças as peraltices de nossa filha e a atitude que tomei, o Chicolino continua firme forte e trazendo curiosidades à muita gente.
No ano de 2003, Chicolino foi morar na região da Grande Florianópolis, e continua a atrair a curiosidade de quem o conhece, pois é fotografado até por turistas de outras cidades, estados e países. Na última vez que o avistei em janeiro de 2011, estava ele folgadão como sempre, com suas mãos junto aos bolsos e já com uma mistura de "Manezinho da Ilha", ao lado de uma gueixa de nome Pucca....dando continuidade a esta historieta.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

20 comentários:

Victor disse...

Caro Adalberto,
Ainda hoje estive passando pelo seu Blog.
Mais uma vez parabéns pelo qualidade e conteúdo do seu trabalho. Que bom saber que existem pessoas como você, com preocupação em preservar a história de "suas gentes."
sds

Victor Kingma

Antunes Severo disse...

belo trabalho amigo.
Boa semana.
Antunes Severo

arletesan disse...

DESTAS HISTÓRIAS TÃO INTERESSANTES SE FAZEM OS NOSSOS DIAS.
A CRIATIVIDADE DE UMA SENHORA,FÊZ NASCER ESTE BONEQUINHO E A SUA CRIATIVIDADE GEROU ESTA HISTÓRIA.E TAMBÉM VOLTA A LEMBRANÇA ESTES TRISTES FATOS QUE ACONTECEM EM BLUMENAU.
MAS QUE BOM SABER QUE O CHICOLINO SOBREVIVEU A TUDO,E CONTINUA A FAZER HIST´RIA.
ABRAÇOS GASPARENSES

Paulo Roberto Bornhofen disse...

Bom dia Adalberto,

Vou ficar de olho pra ver se encontro o Chicolino aqui por Floripa, rsss.

Abraços,

Paulo R. Bornhofen

Mercedes Oechsler disse...

Gratificante essa lembrança simples e bonita do Chicolino. Muito bem narrado. Gostei muito.

Cedy

Santos disse...

Oi Beto. Linda historia Beto. Bem antiga, ocorrida ha 29 (1982) anos. Você tem um arquivo histórico valiosíssimo. Conserve-o bem para a posteridade. Sempre haverá quem se interesse por ela. Como é interessante comparar-se as localizações com a atualidade. Como tudo muda. Hoje abri uma mensagem onde fazem a comparação de Hiroshima (não sei se estou escrevendo correto) da época em que foi atingida pela bomba atômica com a época atual - uma cidade moderníssima - com a mesma época no Brasil. Uma vergonha pra nós. Eu disse acima "como tudo muda", mas, neste último caso, cabe a expressão ,mas não os fatos. Um grande abraço e mais uma vez, parabéns pelas historias.

♥ κєκєl ♥ disse...

Olá

Sou professora de uma escola estadual e estou aqui lhe convidando para conhecer nosso blog de LIBRAS onde o nosso objetivo é expandir a Língua de Sinais, pois somos escola pólo para atendimento da pessoa com deficiência auditiva.
Se você tiver um tempinho e interesse pelo assunto, venha nos visitar. O endereço é:

http://eeblmlibras.blogspot.com/

Abraços fraternos

♥ κєκєl ♥ disse...

Bom dia

Muito obrigada por suas palavras no nosso blog Vejo Vozes. Realmente a educação é primordial para formar uma sociedade mais justa e inclusiva. É o que estamos buscando com nosso projeto.

Sabe que amei o Chicolino tirando foto com a nossa ponte ao fundo? hehehehe
Belissimo o seu trabalho e nos deu umas ideias aqui hehehe

Beijos e que possamos trocar muitas experiências.

Gustavo disse...

gustavoloos

@adalbertoday Legal o texto, vespera de natal de 1982, dia que completei 6 anos, por pouco meu nome não foi Vespero Natalino, hehe...

Carlos Braga Mueller disse...

Beto,

Parabéns por esta narrativa.
Imagino que cada boneca jogada em um canto, que às vezes até acaba indo pro lixo, já tenha sido muito importante na vida de uma criança e exista sobre ela uma bela história para contar.
O Chicolino, felizmente, encontrou uma excelente família que o adotou, e teve alguém, como você, que nos passou esta tocante historieta.
Vida longa ao Chicolino, que virou "manézinho".
Abs
Braga

Anônimo disse...

Adalberto:
Quanto me lembro daquele 17 de dezembro de 1983, e do que aconteceu na Emílio Tallmann e na Rua Capinzal, para onde fui para dar uma "força" para meus primos Lindner! Jamais esquecerei aquele dia. Por sorte fico sabendo, agora, que o Chicolino se salvou! Ainda bem! Quantas árvores de Natal, prontinhas, vi enterradas na lama daquele desastre que não conhecíamos...
Urda Alice Klueger

Fabiana Ratis disse...

Alguns fatos em nossas vidas não têm uma explicação plausível, mas o certo é que não acontecem por acaso: ocorrem para deixar uma lição, uma espécie de testemunho. Chicolino é um sobrevivente e entrou para a história de Blumenau e Floripa!

Vângela disse...

Que história bonita a do Chicolino, quer dizer, e triste também.Imagino que uma enchente é terrível.Mas com quem o Chicolino mora?
Vângela

VÂNGELA =) disse...

Se o Chicolino está com a tua filha, está em boas mãos. Porque ela sabe o quanto ele é importante pra vocês, e agora para todos nós. Já que você compartilhou essa bela história para humanidade. Um abraço Beto... e até mais. :)

Viviane disse...

Lindo demais!!!!!

lilisou disse...

Amigo o Chicolino me conquistou, historia linda...Guerreiro sobreviveu as enchentes.Recordar é viver..Um bonec, uma historia, um patrimônio..Parabéns.

OKTOBERBLOG disse...

Adalberto, mais uma excelente história que merece ser divulgada e aplaudida. Chicolino daria até um bom filme, com um roteiro de cinema e grandes surpresas e fortes emoções! Grande abraço do amigo Ricardo Brandes

Alexandre disse...

Abraços mestre. A história do Chicolino é fantástica.
Alexandre Farias.

sergio luiz buchmann disse...

Bom dia Professor!Bela historia a do Chicolino e me permita dizer o quanto as crianças se apegam a brinquedos simples,feitos e presenteados com amor, e carinho.E uma advertência o deixou famoso. Vc sabe da existência de outros confeccionados Da época?Quanto ao preconceito, e comentários maldosos isso vem a e ainda vai longe,estamos em 2015 quase 2016 e convivemos com isso todos os dias,não só pela cor.AS perdas em catástrofes me permita discordar da máxima: (O IMPORTANTE É A VIDA,E O RESTO SE RECUPERA)Em 2008 perdi tudo o q lutei por 22 anos,e ate hoje venho lutando por uma recuperação de tudo,e + um pouco.Que maravilha q temos os Chicolinos em nossas vidas é desses personagens simples,e historias igual a dele q nós sempre temos forças pra seguir em frente.ABRAÇO MEU QUERIDO.

Marilene disse...

Que conto agradável.
Mais tarde o meu neto vai gostar.
Antes que nascesse dei-lhe o livro de uma ex colega de trabalho - Cobras e Lagartos de Wânia Amarante. Anda conhecendo os personagens, passa as folhas rapidamente, quer olhar tudo.
Também presenteei aos netos (os que virão também) com Fábulas de Esopo. Pena não ter encontrado com ilustração. Da minha filha eram cada um num livro, uma encadernação excelente, mas foram acolhidos pelas águas lamacentas de uma enchente de 86cm em nossa casa. Foi o lugar que menos água entrou.

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