"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

- As nossas valorosas mulheres

Foto: Eraldo Martins
As mulheres na colônia Blumenau

[...] Não obstante todas as dificuldades, a nova Colônia progredia lentamente. Um grande obstáculo no seu desenvolvimento era a minoria do sexo feminino que, em relação ao masculino, era mais ou menos de uma mulher para dez homens. Justamente, no primeiro período as mulheres eram imprescindíveis, não só como meio para aumentar a população da Colônia,mas também, especialmente , para auxiliar o homem em sua árdua tarefa, pois não pode ignorar a prestimosa ajuda que uma mulher representa para o homem, quando é ativa e diligente!

Para se ter uma idéia do quanto a falta de mulher era sentida na Colônia, basta dizer que os homens solteiros, alguns até bem “maduros”, iam ao seu encontro nos navios que eram anunciados conduzindo imigrante.

E o faziam quando o navio que eram ainda se achava longe do atracadouro e da barra. Alugavam embarcações e se dirigiam para lá, subiam a bordo do navio para fazer propostas de casamento às jovens solteiras e senhoras que, via de regra, eram aceitas. Nestas “viagens de núpcias", agia-se muito conscienciosamente.
Através de uma lista com o nome das mulheres embarcadas e disponíveis para o casamento, os jovens solteiros tomavam conhecimento de que a “mercadoria” estava á disposição e, de acordo com esta informação, se operava a “transação” : tantas mulheres, tantos homens, nenhum a mais, ou a menos.
Os homens, candidatos ao casamento, eram escolhidos através de sorteio ou "rifa", assim como as mulheres. Era óbvio que, por vezes, um homem mais idoso era premiado com uma mulher bem jovem e vice-versa. Mas, como isto era um jogo de sorte, ninguém reclamava do destino – muito menos se um velho era premiado com uma jovem.
Troca não havia. O bilhete era sorteado por um juiz. Só em casos quando um ou outro era rejeitado, então poderia haver um acerto pela troca de beldades entre si.

Se as jovens, principalmente as mais belas, tivessem a oportunidade de conhecer com antecedência a maneira pela qual aqui decidiriam seus destinos, algumas certamente desistiriam de embarcar!

Este sistema – o de sorteio - era até certo ponto secreto, e todos o aceitavam e se comportavam como se realmente estivessem apaixonados. É claro que nem todos os que iam a bordo tinham por objetivo comprar carne humana. Muitos só desejavam adquirir provisões, como: sardinhas em salmora, carne salgada,batatas, etc. Mas isto também acontecia à parte, por muitos dos que iam ao sorteio, pois o mais importante para eles era, primordialmente, o bilhete premiado. Secundariamente vinham os negócios de compra de provisões. Nos casos das escolhas de casais, o comandante do navio era cientificado e, por sua vez, facilitava as coisas, auxiliando na organização e distribuição dos “prêmios do sorteio”.
Hoje tudo tem mais comodidade e não é necessário arriscar-se a vida, no mar traiçoeiro, para conseguir uma esposa [...] ________________


Dados extraídos do livro O município de Blumenau e a história de seu desenvolvimento. Escrito em 1917 por José Deeke/reeditado - Blumenau Nova Letra,1995 e revisado pelo Dr. Niels Deeke, neto de José.

Ficha Catalográfica elaborada pela Fundação "Casa Dr. Blumenau" - Blumenau - SC
Título original "Das Munizip Blumenau und seine Entwickelungsgeschichte", José Deeke, 1917.
Adalberto Day

domingo, 23 de janeiro de 2011

- Vera Fischer

A atriz blumenauense Vera Fischer em 1968. No ano seguinte ela seria eleita Miss Santa Catarina e Miss Brasil. (Imagem: arquivo pessoal de Willibaldo Zimmermann e Adalberto Day)
Publicado no jornal de Santa Catarina dia 22/01/2011
N° 12157 coluna ALMANAQUE DO VALE Da editoria de Geral -Sábado/domingo
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Assim foi enviado ao Santa:
- Vera Fischer
A imagem de 1968, mostra "a beleza eterna da jovem blumenauense Vera Fischer" provavelmente em sua residência no bairro da Velha. No dia 7 de junho de 1969 foi eleita Miss Santa Catarina e na madrugada do dia 28, eleita Miss Brasil.
Arquivo de Willibaldo Zimmermann e Adalberto Day
Foto Vera em 1968 enviada por Norberto Ballock
Maracanãzinho
Quase vinte mil pessoas lotavam o Maracanãzinho, no antigo Estado da Guanabara –RJ. Era uma noite fria de São Pedro (28 de junho) 24 jovens desfilaram pela passarela. Todas voltadas para ser a mais bela brasileira. Os apresentadores foram Paulo Max e Marli Bueno.
A comissão julgadora escolheu como semifinalistas as misses Ceará, Guanabara, São Paulo, Amazonas, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul. Finalmente o resultado final: Miss Brasil de 1969, Vera Fischer, Miss Brasil Beleza Internacional Maria Lúcia Alexandrino dos Santos, Miss Brasil Mundo Ana Cristina Rodrigues, e em quarto lugar ficou Mara de Carvalho Ferro.
Vera Lúcia Fischer foi eleita com 17 anos, um a menos que o mínimo exigido pelo regulamento.
Antigo pavilhão "A" da Proeb - FAMOSC
Foi no dia 7 DE JUNHO de 1969, no Pavilhao A da Proeb em Blumenau que a Miss Blumenau Vera Fischer se tornou a Miss Santa Catarina. CANDIDATAS: 1 Lugar-Vera Fischer-miss Blumenau, 2 lugar-Marta Rinaldi-Miss Tubarao, 3 lugar- Dagmar Polmann-Miss Timbo.
História:

Vera Lucia Fischer nasceu em Blumenau no dia 27 de novembro de 1951 – Residia no Bairro da Velha.
Vera Fischer conta como se tornou Miss Brasil em livro.
Leia o trecho da autobiografia em que atriz revela que usou peruca e falsificou idade no concurso.
A coroação como Miss Brasil, em 1969



Desfile na Rua Itajaí no dia 10/julho/1969 no "Thunderbird" Branco,com estofamento vermelho de couro, da FORD - foto batida por Egon Gropp - feita em cima do muro em sua casa.
"Daí eu já pensava: se eu for Miss Santa Catarina, vou para o Miss Brasil, e se eu vencer o Miss Brasil, saio da casa dos meus pais e vou morar no Rio. Morar no Rio era o meu sonho.Naquela época era a capital do glamour. Mar, sol, Pão de Açúcar, boates da moda, boutiques da moda, bossa nova, barzinhos, shorts, sandálias, vestidinhos de alça, gente bronzeada, uma certa esculhambação, enfim, a minha alforria.Pensando dessa maneira, em conquistar a minha liberdade, me esforcei ao máximo para cumprir todos os eventos sociais propostos. A primeira providência a ser tomada: eu teria que emagrecer um pouco. Comecei a fazer massagens para diminuir os quadris e as coxas; tomava aqueles choquinhos para celulite e me pesava diariamente. Só não consegui fazer dieta. Eu era chocólatra. E gulosa. ..... Aplaudiram muito a Miss Tubarão. Acho que queriam que ela ganhasse. Ela tinha uma torcida imensa e eu não tinha nenhuma. Para meu horror, fui vaiada novamente. Fiquei passada! Desfilei quase correndo pela passarela e nem olhei pra cara do júri, só queria sumir dali. Aí tinha o teste do microfone. Eu não sabia o que fazer. Estava muito nervosa, mas me saí bem.
Quando saiu o resultado, quase desmaiei. Eu ganhara. Queria pular de alegria, pois tinha conseguido um dos meus objetivos, que era vencer. Mas eu precisava voltar à passarela para ser coroada pela miss do ano anterior. Como eu tinha sido vaiada, não quis ir. Recusei-me terminantemente. Mas Elenita (a amiga que a acompanhava nos concursos), com muito tato, me convenceu. ........ Mas a minha vida não era essa vida certinha de cidade do interior. Queria ser livre e morar na cidade grande. Queria ser dona do meu nariz, como, aliás, sempre fui. Nunca ninguém me impôs nada, eu sempre sabia o que tinha que ser feito. E fazia. Na minha vida tudo tinha um porquê. Eu, que sempre fui tão corajosa, não consigo entender o porquê daquele medo louco de desfilar de maiô. Afinal, até então, eu nunca tinha tido medo de nada. Era vergonha do meu corpo. Não só porque ele não era perfeito, mas porque quando me desnudava eu o achava feio. Como se fosse um pedaço de carne pendurado num açougue.E tinha medo de multidão. Era fobia mesmo. Como tenho até hoje. Numa grande concentração de gente, eu fico perdida, não suporto. Também não gosto de falar em microfone. A verdade verdadeira é que sou tímida. Sempre fui. “Não parece, mas sou”.
"Elenita e eu ficamos no mesmo quarto. Todas as noites ela enrolava as minhas seis perucas. Tinha chanel, gatinho, longa lisa, longa enrolada e duas curtas. Todas da cor do meu cabelo. Eles nunca souberam o tamanho do meu cabelo, que era curto, e não desconfiavam que eu usava peruca. Eu os enganava, usando todos os dias uma peruca diferente. E depois, era proibido usar perucas para desfilar. Engraçado porque era moda e todas as mulheres usavam. Mas miss tinha que ser ao natural. Que bobagem! ….. Quando eu entrei de maiô, o público começou a aplaudir de pé. Foi uma ovação geral. Gritaram: – Já ganhou! Já ganhou! Foi de arrepiar; o Maracanãzinho lotado, lotado. Um delírio! Mas eu não sabia fazer gracinhas, andava rápido como um general, queria mesmo era chegar no final e ganhar. Só isso. Os repórteres estavam nos bastidores e queriam declarações minhas. ….. Eu teria que tirar o passaporte para ir a Miami para o Miss Universo, e aí o pessoal do concurso descobriu que eu só tinha 17 anos. Foi uma loucura! Claro, uma miss tinha que ter 18 anos. Foi um corre pra cá, corre pra lá, homens grandes entrando e saindo da minha casa, desesperados. Até trazerem um despachante que, finalmente, falsificou meus documentos. Pronto. Eu já tinha dezoito anos. Deram um jeitinho brasileiro. Fiquei com a identidade e o passaporte falsificados até poucos anos atrás, quando eu resolvi atualizar a minha idade. Afinal, agora que estou mais velha, faz diferença, né?!".
Este traje típico da Vera Fischer foi feito pela Senhora ASTRIT BAUMGARTEN. Moradora do bairro da Velha e que continua fazendo trajes de luxo, entre outras costuras. São os parentes dela que conviveram com o Doutor Blumenau.


O texto a seguir foi enviado por Luiz Herinque Pfau

Depoimento de Vera Fischer
Blumenau. Santa Catarina. Era noite. O ano, 1968. Eu estava na cama lendo um livro de poesia... (Vera morava na casa do poeta Lindolf Bell e conta que foi procurada à noite. Vestiu uma roupa e foi à porta, ver o que era)... Cabelos bem curtinhos, óculos de grau, calças pretas, blusa de gola rulê preta e sapatilhas também pretas. Pronta para descer, eu estava sem a menor vontade de ver ou conversar com ninguém. Mas fui. Encontrei meu pai e minha mãe em companhia de três estranhos. Dois homens e uma mulher. Eram do jornal "A Nação". E tinham vindo me convidar para participar do concurso de Miss Blumenau.Então eu, musa do existencialismo, era convidada para ser miss? Que afronta! Era só o que me faltava. Eu não tinha nenhuma pinta de miss. Eu era intelectual (pelo menos eu achava) e ser miss seria uma desonra Eu quase morri. O quê?! Então eu, musa do existencialismo era convidada para ser miss? Que afronta! Era só o que me faltava. Eu não tinha nenhuma pinta de miss.  Eu tinha 16 anos e é claro que meus pais não deixaram. – Ano que vem, quem sabe... – disseram. Mas mesmo que deixassem eu não aceitaria. Era contra os meus princípios. Mas fiquei com aquilo martelando a minha cabeça. Tinham colocado lá uma sementinha, e eu, sem ter muita consciência, a regava todos os dias. Adorava filosofia, mas queria ser jornalista. Dessas jornalistas que vão ao campo de batalha, no meio da guerra; queria ser como a Oriana Fallaci. Se eu soubesse o que passavam...!"


Um ano depois...
"O convite para concorrer ao título de Miss Blumenau veio, evidentemente (através da Elenita), do jornal "A Nação". Meus pais disseram que agora, se eu quisesse, poderia aceitar. Desfilar de novo, me maquiar, me pentear, usar saltos altíssimos, roupas de miss... e enfrentar o povo. Mas alguma coisa na minha cabeça estava se formando (não sei o quê, então) e eu disse sim. Iria ser candidata pelo teatro Carlos Gomes. À noite, eu pegava os maiôs da minha mãe (sim, porque eu só tinha biquínis e monoquínis) e ficava desfilando diante do espelho. Ai, ódio! Eu era cheinha, pernas grossas, e estava com pavor de ter que desfilar para a galera. Pensava, refletia – vou desistir – miss tem que ser magra, elegante. Eu já estava pronta para dizer que desistiria quando Elenita me contou que outros clubes não queriam concorrer. Eles não queriam apresentar nenhuma miss, porque sabiam que eu iria ganhar. Mas sabiam como? Bom, eles tiraram o cavalinho da chuva. Fiquei pasma! Foi uma surpresa e tanto para mim. Fiquei até meio convencida, porque isto significava que me achavam mais bonita que as outras. Foi um alívio saber que eu não teria que desfilar novamente. Desfilar de maiô era o meu terror".
Arquivo e fontes : Luiz Herinque Pfau/ José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day

Vinicios Batista/Rafaela Martins
Acervo de 200 filmes enriquece a história da cidade
Cerca de 3 mil negativos fotográficos da década de 1940 e 1950 e mais de 200 filmes que abrangem o período de 1950 até 1980 produzidos pelo comerciante blumenauense Willy Sievert foram encontrados por seu neto, o arquiteto blumenauense Sávio Abi-Zaid. O avô, que morreu em 1998, havia deixado o material na casa da família. Após a morte da avó, Vitória Sievert, ano passado, o neto encontrou o acervo.
Além de filmes e fotografias, Abi-Zaid encontrou diversas revistas, selos, moedas e outros materiais. vídeo com as projeções de filmes em formato 16mm.
Confira vídeos antigos de Blumenau feitos por Willy Sievert
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 22/janeiro/2011 - aqui além da bela Blumenau, aparece Vera Fischer sendo eleita Miss Blumenau e SC.
Confira só clicar:
http://www.youtube.com/watch?v=Z6wze3iT51s&feature=player_embedded
Belo trabalho publicado por Vinicios Batista e fotografias Rafaela Martins, a história de Blumenau agradece. (Adalberto Day cientista social e pesquisador da história).
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1. Fontes: EGO - NOTÍCIAS - Vera Fischer conta como se tornou Miss Brasil em ...
2. http://misssantacatarina.blogspot.com/2008/03/misses-brasil-de-santa-catarina.html
3. http://odia.terra.com.br/cultura/galeria_foto/vera_fisher_071207/

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

- O Centro Histórico de Blumenau e o descaso

 Uma lição para nós blumenauenses, no mínimo uma reflexão....
Parabéns EUNICE RINK
Turismóloga

18/01/2011
N° 12153Alerta
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ARTIGO

Foi de perplexidade a minha reação ao chegar, vinda de outro Estado, ao tão divulgado Centro Histórico de Blumenau. O que vi foram casarões velhos, abandonados e malcheirosos, além de prédios cuja construção foi interrompida há muito tempo e hoje abrigam marginais no escuro de seus esqueletos.
Quem vem da Rua Amazonas vê, à direita da placa anunciando o início do Centro Histórico, um imenso depósito de lama, cercado por tapumes verdes e pichados, que dão uma impressão horrorosa do que se irá descortinar. Fui informada depois tratar-se de um antigo estádio de futebol, desativado há cerca de 20 anos.
Também soube que a parca atividade comercial da região, assim como seus poucos moradores, têm sido vítimas de seguidos assaltos e arrombamentos, o que denota a escassez de segurança neste setor tão importante da cidade. Existem verbas federais destinadas à restauração e preservação do patrimônio histórico, repassadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional, através de projetos como o Monumenta.

Como turismóloga, apresento meus pêsames aos órgãos e setores ligados à cultura, ao meio ambiente, à segurança, ao empreendorismo e ao turismo desta cidade tão encantadora. Fica a pergunta: Blumenau não tem como administrar e preservar seu patrimônio histórico? Que tal apelar para a iniciativa privada para, em um esforço conjunto, mudar a decrepitude atual para algo que realmente valha a pena ver?
EUNICE RINK
Turismóloga
Acesse e tire suas conclusões:
Leia e deixe o seu comentário: Turismo em Blumenau, por Maicon Tenfen http://hype2.me/gpj0 Vale a pena ler!
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Arquivo de Adalberto Day

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

- Torcida do Amazonas de Luto

Irmãos - Bigo e Nene
Com as faixas de  campeão 1972
e no ano seguinte 1973 bi-campeões.
Faleceu nesta terça-feira 18/janeiro/2011 de ataque cardíaco fulminante às 10:00 horas - em Navegantes, o ex atleta Wilson Siegel 28/junho1949-18/janeiro/2011, aos 61 anos , jogador do antigo Amazonas de Blumenau.
Amazonas 1968
Em pé: Nilson, Nino, Eloy, Elizeu, Jaime, Raul Cavaco,
Agachados: Gandulas Gilberto (E) e Carlos Corsini (D), Mozito, Célinho,Gibi,Jeter e Nene.
Foi velado na capela Emilio Tallmann - enterro ocorreu dia 19 às 9:30.
Nene como era conhecido, era filho de Francisco e Rosalina Siegel, irmão de outros dois grandes jogadores da história do Amazonas e Futebol de salão Nilson Siegel (Bigo) e Adilson Siegel (Ticanca)
Jogador de uma técnica refinada, era ponta esquerda e chutava muito forte. Campeão Juvenil em 1968, e BI- Campeão em 1972/73 da primeira divisão de futebol amador de Blumenau - LBF., e outros torneios importantes como a Taça Colombo Salles (1974).
Iniciou suas atividades como jogador, no campinho do "12" ou morro, na Rua Almirante Saldanha da Gama, a primeira transversal da Rua da Glória.
Meu amigo de infância, sempre muito prestativo, amigo, humano, justo, trabalhamos durante 10 anos na Empresa Garcia, em Recursos Humanos. Depois Wilson foi trabalhar na Hering, despedido que foi da Artex quando da incorporação das duas empresas.
Wilson Siegel, meu irmão Nene, que DEUS o tenha, e que mostre a todos lá no céu sua bondade, sua presteza, e sempre a preocupação social. Com sua partida, fiquei mais órfão, e assim muita gente.
Deixa enlutado sua esposa Norma e filha Fernanda.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.

domingo, 16 de janeiro de 2011

- O dia em que visitamos Niels Deeke, na sua Fazenda Deeke

Sabe, aquele dia maravilhoso quando você visita uma pessoa que possui um conhecimento histórico fantástico sobre nossa cidade de Blumenau principalmente? Pois bem, esse dia foi 14 de janeiro de 2011. Visitamos  Niels Deeke (Nascido 20/agosto/1937 faleceu em 16/novembro/2013) – Memorialista em Blumenau. Filho de Hercílio Deeke, prefeito em Blumenau gestões - 1951/1955 e 1961/1966 - e sua esposa Joana Jensen Deeke,. que receberam-nos com uma cordialidade invejável.
Foi uma viagem ao passado, ao conhecimento para entender o presente e projetar o futuro.
Documentos raros de nossa história, objetos únicos fazem parte deste acervo extraordinário do  Niels. Um verdadeiro museu que nem mesmo em nosso oficial da cidade encontramos com tantos detalhes.
Eu e minha esposa Dalva tivemos este privilégio...ouvimos tantas e belas histórias que não dava mais vontade de sair de lá .
Adalberto Day
Mirante no portal da Fazenda - em bronze o aforismo - : Se não for útil o que fizemos, inútil será a glória. Maio de 1964
A imagem mostra uma parte da residência sede da Fazenda – fundos- com 3 mil m²
Uma bela propriedade de mais de 1 milhão de m² ornamentados com diversas lagoas, árvores de todas as essências nativas, pássaros, bugios, pacas e cotias, plantas exóticas, mantida incólume, pelo proprietário, como parque florestal e refúgio ecológico, há mais de meio século.
Na Fazenda Deeke, diante do busto do ex prefeito Hercilio Deeke, pai de Niels, os dizeres :
HERCILIO DEEKE
1910-1977
Exaltação ao Mérito
HERCILIO, meu pai,
Com as virtudes de
Teu caráter íntegro,
Veneraste a Deus.
Dignificando o próximo,
Honraste tua família,
Enaltecendo o trabalho,
Te consagraste ao bem da comuna,
Promovendo o progresso,
Glorificando teu torrão natal,
Sublimando tua existência
Em proveito da Pátria, para
Engrandecer Blumenau,
Santa Catarina e o Brasil
Niels
Gratidão perpétua dos descendentes

Em uma de suas salas, estava eu ouvindo belas histórias junto ao Memorialista Niels
Em mais um ambiente de cultura, com o amigo Dr. Niels. 
O memorialista Niels, explica detalhes do casco de um quelônio, um cruzamento de Tracajá ( amazônico) com Cágado ( local), obtido na Fazenda Deeke.

Em outra sala o abraço fraterno e ouvindo sobre Dona Ema, avó de Niels, e outras histórias
Uma réplica de canhão da Guerra do Paraguai (1864/70), marca Saint-Etienne, e eu com uma amostra da bala.
Em segundo plano uma raridade, uma máquina de passar lençol do início do século XX
O senhor Niels Deeke foi, por 25 anos, o dono da famosa Fábrica de Chocolate Saturno. Os dizeres:
1941-1966
Homenagem
Dos funcionários, e empregados da Fábrica Chocolate Saturno.
M.E. Kaeser S.A.
Pelo transcurso do 25º Aniversário de fundação.
A seus diretores.
Blumenau 1-9-1966


Na oportunidade recebemos do Dr. Niels de presente um livro "O município de Blumenau e a história de seu desenvolvimento". Por José Deeke, em 1917. José Deeke foi avô de Niels. Blumenau 12/05/1875 - 24/08/1931
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História
Consta da árvore genealógica da família Deeke, que seus ancestrais viveram durante séculos, na região Sul da Floresta Hercínia (Harz) na Alemanha central.
Desde o patriarca da família nascido em 1662, os representantes masculinos dedicavam-se, sem exceção a carreira florestal e de monteiria.
Com a emigração para o Novo Mundo, abriram-se novos horizontes ao pendor peculiar da família e, assim, resolveram os Deeke emigrar para o Brasil. Partiu primeiro em 1857, Theodor Deeke, atraído pelas publicações propagandistas do Dr. Blumenau. Seu nome consta sob o n° 727, do livro de matriculas I de imigrantes.
Não se conformou Theodor Friedrich Ernst Deeke com o parcelamento das terras da colônia do Dr. Blumenau em pequenas propriedades rurais, e adquiriu uma grande área onde estabeleceu sua fazenda em Brusque, no rio Limeira.Seguiu-lhe um ano depois Frederico ( Carl Friedrich Ferdinand Georg August) Deeke, genearca da família no Brasil e cujo nome figura no registro de imigrantes sob n° 867, do ano de 1858. Dois anos após veio ainda o irmão mais novo Carl Ernst Deeke, que alistou-se, em 1865, nas Forças Imperiais e seguiu, como Tenente, à Guerra do Paraguai, falecendo em batalha, portanto honrando o patronímico Deeke com a nobre qualificação de Mártir da Pátria. Theodor voltou à Alemanha em idade avançada, onde faleceu. Seus descendentes vivem radicados no Estado do Paraná, sob o nome de Oliveira. Na Alemanha extinguiu-se o nome Deeke desse ramo,quando pereceram durante uma epidemia, os três filhos homens de Wilhelm Deeke, único irmão que lá permanecera exercendo a profissão de Couteiro-Mor do Império Alemão.

Para saber mais acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2010/01/familia-deeke.html
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

- Escola de E.B. Hercílio Deeke

GRUPO ESCOLAR HERCÍLIO DEEKE. DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA- .número 6.664 de 17 de outubro de 1960. - Decreto nº 1.160 - O Governador do Estado do Estado de Santa Catarina, no uso de suas atribuições Decreta : art. 1º Fica criado na localidade de “Velha Central” , Município de Blumenau, um GRUPO ESCOLAR, QUE TERÁ A DENOMINAÇÃO DE HERCÍLIO DEEKE. Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário. Palácio do Governo, em Florianópolis, 12 de outubro de 1960. Ass. Heriberto Hülse - governador, Albino Zeni, ( Secretário da Educação)
HISTÓRIA DA ESCOLA - 16 de agosto de 2010
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Histórico:
A Escola de Educação Básica Hercílio Deeke está situada na Região do Médio Vale do Itajaí, Município de Blumenau - Santa Catarina, bairro Velha Central, sito à rua José Reuter, 581.
Seu processo histórico, físico e administrativo ocorre da seguinte forma:
No dia 18 de setembro de 1960, foi inaugurada com o nome de Grupo Escolar Hercílio Deeke, criado pelo decreto nº 1.160 de 12 de outubro de 1960 e publicado no diário oficial nº 6.664 de 17 de outubro de 1960.
Em 1975 a escola foi transformada em Escola Básica e em 1988 autorizado o funcionamento do Ensino Médio, pelo Parecer Nº 203/88 do Conselho Estadual de Educação.
A E.E.B. Hercílio Deeke está sob a jurisdição da 15ª GERED, com sede em Blumenau.
É mantida pelo governo do Estado de Santa Catarina e administrada pela secretaria de Estado da Educação e do Desporto.
Em 1988 ficou sendo “COLÉGIO ESTADUAL HERCÍLIO DEEKE”, quando foi criado o Ensino Médio (2º Grau). Parecer n. 203/88. Em 1998 o Colégio já contava com 1778 alunos distribuídos entre Pré Escolar até o 2º Grau. Em 1999, o colégio possuía aproximadamente 1990 alunos de Pré Escolar até o 2º Grau. Em 1999, também passou a se chamar-se Escola de Educação Básica Hercílio Deeke.
• Patrono da Escola:
O patrono é uma homenagem feita a alguém que fez coisas boas para uma cidade, estado ou país. O nosso patrono é o Sr. HERCÍLIO DEEKE. Nasceu em 15 de julho de 1910, na cidade de Ibirama. Foi prefeito de Blumenau duas vezes. Ele realizou muitas obras no município. Morreu no dia 19 de setembro de 1977 com 67 anos.

DADOS BIOGRÁFICOS DO PATRONO
Nome: HERCÍLIO ARTUR OSCAR DEEKE
Data de nascimento: 15/07/1910 em Ibirama
Data de falecimento: 19/09/1977
Filho de José Deeke e Emma Rischibieter. Era casado com Namy Deeke.
Vida Profissional:
Banqueiro. Foi diretor gerente do Banco Agrícola e Comercial de Blumenau, encampado em 1942 pelo Banco Indústria e Comercio de Sta. Catarina S.A, cuja Diretora participou desde 1945 até 1968, ano em que se aposentou e tendo ocupado as funções de Gerente, Diretor adjunto, Diretor Vice-Presidente.Participou durante longos anos da Diretoria da A. Pátria Cia.
Brasileira de Seguros Gerais.Foi Diretor-Presidente da Cia. Melhoramentos de Blumenau de 1958 a 1965, época em que esta construiu o Grande Hotel Blumenau, inaugurado em dezembro de 1962.
Vida Pública:
Político blumenauense militante durante 20 anos, filiado a extinta União Democrática Nacional (U.D.N.) e, posteriormente, Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Na U.D.N. foi várias vezes Presidente do Diretório Regional Catarinense durante vários anos e membro do Diretório Nacional nos anos de 1955 e 1956.
Cargos Ocupados:
Vereador na Câmara Municipal de Blumenau na fase da redemocratização do país, no perfodo legislativo de 1948 a 1951. Prefeito Municipal de Blumenau no período de 1951 a 1955. Deputado Federal por Santa Catarina (Vale do Itajaí) eleito para o período legislativo de 1955 a 1959.Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda de Santa Catarina (Governo de Jorge Lacerda e Heriberto Huelser) de 1956 a 1960. Prefeito Municipal de Blumenau (2 mandatos) no período administrativo de 1961 a 1966.
Vida Social:
Foi Presidente da Comissão Central Executiva dos Festejos do Centenário de Blumenau. Presidente durante muitos anos da Sociedade dos Amigos de Blumenau (por ele fundada quando Prefeito em 1951) para administrar o Patrimônio histórico de Blumenau. Essa Sociedade foi sucedida pela fundação “Casa Dr. Blumenau” em 1972 de cujo conselho curador participou desde o início na qualidade de seu presidente.Foi sócio-fundador do Rotary Clube de Blumenau participando de seu quadro social desde 1942 a 1955, tendo ocupado inicialmente os cargos de Presidente e Secretário. Foi Presidente do Conselho Curador do Hospital Sta. Catarina nos anos de 1936 a 1954. Membro do conselho Deliberativo da TV – Coligadas de Sta. Catarina desde a sua fundação. Sócio das principais Sociedades Culturais e Recreativas de Blumenau.
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Para saber mais acesse :
http://www.heroncio.xpg.com.br/
http://escolaherciliodeeke.blogspot.com/
Arquivo E.E.B. Hercílio Deeke/Niels Deeke/Adalberto Day

sábado, 8 de janeiro de 2011

- João Batista de Oliveira


Vigia da E.B.M. Pedro II, Progresso Canto do Rio mais conhecido como Senhor Cordeiro.
Hoje quero prestar uma homenagem em histórias de nosso Cotidiano, ao nosso amigo senhor Cordeiro. Na época anos 90 era vigia do E.E.B.M Pedro II no Progresso Canto do Rio. Homem de um caráter e personalidade marcante. Chegou a frequentar a Universidade de Minerolgia em Belo Horizonte, mas teve que abandonar por perseguição na época do regime militar. Exilado ficou alguns anos em Cuba e conheceu Fidel Castro.
Voltando ao Brasil, veio morar em nossa Blumenau, onde através de sua simpatia e presteza, obteve o carinho da comunidade.
Eu como professor do educandário, a primeira pessoa que cumprimentava era o vigia, - o portal de entrada e segurança do local. Muitas vezes pude compartilhar seus conhecimentos, e juntando com os meus, um aprendia com o outro. Fiquei tão seguro de seu conhecimento, que o levei em algumas oportunidades para dar aulas sobre determinados assuntos sobre história.
Ele foi em várias exposições que organizei, e me brindou entre outras pinturas, com essas duas fotos de nossa região da Empresa Garcia e casas populares.
Durante alguma folga, na própria  guarita, com materiais recicláveis e já descartados, fazia maravilhas.
Vejam dois trabalhos e comparem com as fotos que lhe emprestei.


Empresa Industrial Garcia 1912


Vila operária da E.I.Garcia (1946) - Existiam mais de 240 moradias neste estilo, todas feitas na marcenaria da empresa.
Adalberto Day/João Batista de Oliveira (Cordeiro)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

- Cia. Jensen

Companhia Jensen Agricultura Industria e Comércio

Fundada em 1872. Seus fundadores foram originários - ilha da qual emigraram os Jensen é a ILHA PELLWORM - Süd Dithmarschen ( atualmente uma península ) e não pertencia à Dinamarca, mas sim à Alemanha, no Schleswig a oeste no Mar do Norte um ducado autônomo até 1864, e como emigraram a partir de 1865 ( em 1865 a região passou a pertencer definitivamente à Alemanha) , não estava sob jurisdição do rei da Dinamarca.
Itoupava Central/Blumenau:
Rudolf Wilhelm Harro Jens Jensen e Karolina Kay casaram-se em 08/9/1867. Aliás Karolina Kay só aportou no Brasil em 30/6/1867 em S.Fco do Sul. Casaram-se aqui na Colônia Blumenau.
Rudolf Jensen. Em 1867, Karoline e Rudolf se casaram e foram morar na região que hoje pertence ao bairro Itoupava Central, em Blumenau, e faz divisa com o Belchior Alto, em Gaspar. O casal dedicou-se à agricultura e à pecuária. Depois de muito trabalho, conseguiram abrir uma venda. \"Dizem que ela passava por esses morros de carroça, e ia até Luís Alves e Navegantes, para vender os produtos agrícolas, principalmente cana-de-açúcar\", conta Alcides. Ele acredita que a comerciante não ia pelo caminho de Ilhota porque a estrada tinha muitos atoleiros.

Manteiga Frigor: imagem Arno Evandro Gielow
Portas fechadas
O trabalho árduo rendeu frutos e a venda dos Jensen transformou-se em uma das maiores empresas de Blumenau. \"A Companhia Jensen era uma potência, todos os agricultores da região vendiam seus produtos pra eles\", recorda Alcides. Rudolf Jensen faleceu em 1899 e deixou sua empresa para os filhos. Porém, em 1984, a companhia fechou suas portas.
A região da Itoupava Central destacou-se no início do século passado pela produção agrícola e pecuária. Nesse cenário, a Companhia Jensen surgiu como expoente na produção de leite pasteurizado e derivados de carne suína. Produtos como banha e embutidos tornaram o nome da família dinamarquesa conhecido em todo o país. A companhia foi a responsável por lançar pela primeira vez, em Blumenau, o leite embalado em pacote de plástico de 1 litro.
Em 1984, porém, a empresa decretou falência. Anos depois, os terrenos da companhia foram pleiteados pelo empresário João Batista Sérgio Murad, que pretendia construir um futuro parque na região. A negociação não deu certo e o Parque Beto Carreiro foi instalado em Penha.
Texto de Alcides Thais/Jornal Metas de Gaspar

domingo, 2 de janeiro de 2011

- Ah! O Maravilhoso Verão

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica escrita em fevereiro de 1996, sobre o "O Maravilhoso Verão" .
Urda Alice Klueger (Blumenau, fevereiro de 1952) é uma escritora e historiadora brasileira. Começou seus estudos na sua cidade natal, na Escola São José. Cursou o ginásio e o científico no Colégio Pedro II, também em Blumenau. Mais tarde, iniciou o curso de Economia (UNIPLAC), que não chegou a completar, na cidade de Lages. Finalmente, licenciou-se e especializou-se em História, pela FURB, em Blumenau. Lecionou como professora de História no ensino fundamental, em escola pública, nos anos de 2001 e 2002, e ensino médio em 2003. Atualmente, realiza pesquisa sobre os sambaquianos, antigos moradores de Santa Catarina, entre seis mil e dois mil anos atrás. A pesquisa iniciou-se em 1997 e resultou no livro O povo das conchas. Ela já gerou um trabalho de conclusão de curso, uma monografia de especialização, e está gerando um romance-histórico, e uma dissertação de Mestrado. É membro da Academia Catarinense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, da União Brasileira de Escritores e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Participou de várias antologias, foi colaboradora de várias revistas e jornais. Publicou cento e cinqüenta crônicas no jornal A Notícia, de Joinville, aproximadamente cento e trinta no jornal Expresso das Nove, de Açores, Portugal e também foi cronista do jornal Diário Catarinense, de Florianópolis. Fonte: Wikipedia
Escritora, historiadora e Doutoranda em Geografia pela UFPR
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Por Urda Alice Klueger
Eu nasci no verão, numa madrugada de carnaval, e a minha mãe me contou que, quando estava indo para a maternidade, a música que ouviu foi “Sassaricando”. Clicar para ver a letra e ouvir

Dá para aquilatar o astral do meu nascimento; estou sassaricando até hoje, e sempre tenho a impressão de que o fato de ter nascido no verão e no carnaval foi que fez de mim uma pessoa que curte o verão mais que as outras.
Daí, hoje, perguntei ao meu amigo Júnior se ele tinha uma sugestão para a minha crônica, e ele me deu a felicidade de sugerir que eu escrevesse sobre o verão. Pôxa, como não tinha pensado nisso antes? O verão é o tempo mais maravilhoso do ano, dá para escrever trocentas crônicas sobre ele, e fico aqui, agora, pensando, o que mais agradaria ao leitor.

Podemos falar dos adoráveis incômodos do verão: os carros cheios nas sextas-feiras à noite, os congestionamentos a caminho da praia, a água que está faltando quando se chega lá, as queimaduras de sábado, que impedem o Sol de domingo, todas essas adoráveis coisas que seriam horríveis em outra estação, mas que dão um charme todo especial ao verão.
Podemos falar, também, das delícias e da suavidade das ondas nos dias de sol, do encanto das noites quentes, da lindíssima cor bronzeada que a população exibe em Fevereiro, das batidinhas de morango, do reagge ouvido no carro horas de congestionamento – tudo, tudo há para se falar quando é verão, mas acho que é melhor contar uma histórinha.
Desde menina que freqüentava a Praia de Armação do Itapocoroy (Penha/SC) e conhecia todos os seus segredos. Um deles é um costão lindíssimo que liga o canto da Praia de Armação à Praia de Paciência, que atravessei a pé pela primeira vez lá pelos 14 anos, e que nunca mais deixei de atravessar. Leva-se bem umas duas horas para se fazer o trajeto, subindo e descendo pedras de todos os tamanhos, mas a natureza, lá, é tão majestosa, que vale a pena qualquer sacrifício para atravessar-se aquele pedaço de mundo ainda desconhecido dos turistas. Fiz a travessia muitas vezes, em todos os verões da minha juventude, e fui fazê-lo de novo, já perto dos 40 anos.

Foi num Ano Novo, creio que na entrada de 1990. Fomos acampar em Armação, e na manhã de Primeiro de Janeiro, resolvemos inaugurar o ano fazendo aquela travessia pelo costão.

Minha turma ia muito animada, e já tínhamos vencido mais ou menos a metade do caminho, quando aconteceu o inesperado: depois de mais de 20 anos de prática naquelas pedras, eu escorreguei e cai de cara no costão. Dizer que me machuquei é pouco: fiquei foi lanhada pelo corpo todo, e corte de pedra sangra que é uma barbaridade. Que fazer? Voltar ou ir para a frente dava na mesma, estávamos na metade do caminho, e não havia, por ali, nada nem ninguém que nos pudesse acudir, além de minha irmã e meus amigos, que não podiam fazer nada. Decidi ser forte, e, brincando, pedi-lhes:
- Quem se perder, siga o rastro de sangue, que vai achar o resto da turma!
Capengando, sangrando no rosto, no corpo, na perna, continuei fazendo a farra, quando aconteceu o inesperado: lá em cima, um passarinho que parecia um galinha resolveu se aliviar e, para usar uma palavra polida, deu-me um banho de cocô, abundante cocô líquido que me atingiu nos cabelos, nos óculos, no rosto, no corpo todo. Não tinha chorado ao cair, mas ai me deu vontade de chorar, só não adiantava fazê-lo. A solução foi entrar no mar e tomar um banho, o que até ajudou a diminuir os muitos sangramentos que as pedras tinham feitos dois ou três minutos antes. Dentro do mar, via minha turma morrendo de dar risada, e acabei rindo junto. Que forma de começar um ano! Como seria ele?
Na verdade, aquele ano foi muito bom, E, como esse incidentes aconteceram no verão, ficaram com um gosto bom de verão. Os cortes sararam em uma semana, mas a história ficou para ser contada muitas e muitas vezes. Não é qualquer um que, no verão, consegue cair num costão e tomar um banho de cocô de passarinho quase ao mesmo tempo. Tem-se que ter-se nascido no verão, ao som da música “Sassaricando”.
Que pena que o verão não seja o não todo! Já estou com saudades antecipadas dele!

Arquivo de Adalberto Day
Blumenau, 12 de Fevereiro de 1996
Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR

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