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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

- Hotel Garcia

A imagem de 1934 mostra o antigo Hotel Garcia, de propriedade da E.I. Garcia. Construído por volta de 1895 e demolido em 1954, servia para visitantes e funcionários da empresa. Localizava-se na antiga Praça Getúlio Vargas, no Distrito do Garcia. Dirigido primeiro pela família Panoch e depois, Cândido. (Imagem: arquivo de Dalva e Adalberto Day)
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 26/dezembro/2010 , coluna Almanaque do Vale.
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A seguir mostramos o mesmo local em anos diferentes, para mostrar as transformações do local,um entroncamento das ruas Amazonas final, Início da Glória e Progresso.
História
1912 - Hotel Garcia
- Existia no final da Rua Amazonas, um entroncamento que dava acesso às ruas Progresso e Glória, através de uma pequena ponte sobre o Ribeirão Grevsmuhl . Um Hotel de propriedade da Empresa Industrial Garcia (mais ou menos 1895/1954), dirigido pelo Sr, Erwin Panoch, que também era motorista do Diretor da Empresa Industrial Garcia Sr. João Medeiros Júnior. Com o falecimento prematuro do Sr. Panoch em 1938, continuaram os trabalhos no hotel o Sr. Pedro Cândido. Mais tarde este local no final dos anos 50, passou a chamar-se Praça Getúlio Vargas até 1976, quando então foi aterrada e uma nova praça foi construída onde era a rua 12 de Outubro e atual terminal Garcia, com o mesmo nome.
1926 - Hotel Garcia
Esse Hotel era de exclusividade para funcionários da Empresa Garcia, e também hospedagem a visitas, e outros. Sua capacidade era de 38 a 42 lugares, na parte de cima da edificação. Era um grande quarto coletivo. Na parte de baixo funcionava restaurante, salão e moradia aos que cuidavam de sua manutenção.
Também essa mesma indústria, possuía um outro Hotel na Rua Almirante Saldanha da Gama , com funcionamento entre 1946 até 1950, depois se incorporou em uma divisão das casas, junto as mais de 240 casas populares existentes, para abrigar funcionários da referida empresa, todas construídas em sua própria marcenaria pelos funcionários.
A Antiga Praça Getulio Vargas
A imagem de 1967 mostra a antiga Praça Getulio Vargas,na parte de cima a esquerda, era o estádio do Amazonas e a ponte antiga com acesso a Rua Emilio Tallmann, ao centro E.I.Garcia e abaixo inicio da Rua da Glória com suas casas populares. Antes de ser praça, existiu neste local um Hotel de propriedade da E.I.Garcia, e o Ribeirão Grevsmuhl , com uma pequena ponte coberta, que desembocava no Ribeirão Garcia.
Até 1976 a Rua Amazonas passava por dentro do parque fabril da E.I.Garcia, no entroncamento que fazia a divisória entre os bairros Garcia, Gloria e Progresso. Neste entroncamento existia uma Praça com o nome de Getúlio Vargas, que desapareceu junto com o aterro para a incorporação das duas empresas Garcia e Artex. A mudança do traçado da Rua Amazonas, foi importante no processo de incorporação das duas empresas, porque ambas tinham que pagar ICMS, por transitar com mercadorias, de um lado ao outro da rua. A construção dessa Praça foi em 1954. Recebeu o nome de Getúlio Vargas, pois quando estava sendo construída, Getúlio suicidou-se em 24 de agosto de 1954.
Foi o primeiro local no Garcia na década de 1960, a se estabelecer um ponto de Táxi. Um automóvel da marca DKV e o motorista conhecido como Nino Massaneiro. Palco de apresentações teatrais e políticos, como também de encontros de namorados. As linhas de ônibus funcionavam somente até às 22h30min horas, justamente para que os empregados pudessem retornar logo ao seu lar, e participar de poucos lazeres e poder estar em boas condições de trabalho para o dia seguinte.
Segundo o jornalista e escritor Carlos Braga Mueller , ao longo das décadas a cidade foi crescendo e as praças continuaram fora do panorama da urbe. Foi assim que, há muitos anos, começou a circular uma lenda urbana. Ele conta que alguns governantes de antigamente, mancomunados com empresários tantos, não viam com bons olhos as grandes praças públicas, porque ali os operários ficariam a mercê dos prazeres proibidos: bebida em excesso, ócio nada criativo e, por conseqüência, noites mal dormidas, muita preguiça ao acordar, rendimento péssimo no trabalho do dia seguinte!
Claro que nunca se provou nada, nem ninguém assumiu a culpa pela falta de praças. Esta, foi sempre atribuída à nossa topografia acidentada e ao conturbado espaço físico disponível para tais excentridades ! Curioso é notar que praticamente desde a fundação, a cidade mantém as mesmas praças de sempre.
Este é o mesmo local onde existia o Hotel e depois praça Getúlio Vargas (a esquerda no retângulo) foi aterrada e uma nova Praça com o mesmo nome de Getulio Vargas foi construída próximo ao terminal Urbano Garcia, (imagem a direita no retângulo). A imagem é de 1978.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

- Natal das Lojas HM

Crônica de José Geraldo Reis Pfau, sobre o Papai Noel em Blumenau, das Lojas HM - Hermes Macedo

Por José Geraldo Reis
Natal HM - 1979
Do Blog Porto Alegre antigo republicamos com muita saudade, algumas lembranças da empresa de Hermes Macedo. No início da década de 1930 os irmãos Astrogildo e Hermes Macedo chegaram à capital paranaense. Vinham do interior do Rio Grande do Sul e pertenciam a uma tradicional família de comerciantes. Em 1932, sob a liderança de Hermes, abriram a Agência Macedo, um estabelecimento que vendia peças novas e usadas para caminhões e automóveis. Em pouco tempo formaram uma grande freguesia e decidiram ampliar os negócios. A segunda loja da empresa, aberta em 1936, funcionava na Praça Generoso Marques, no Centro de Curitiba, ao lado da Prefeitura e inserida do trajeto dos bondes e dos ônibus que ligavam o Centro à periferia curitibana. O sucesso foi tão grande que, alguns meses depois de aberta, os irmãos Macedo decidiram diversificar as vendas e assim a loja passou a comercializar bicicletas e artigos domésticos. Em 1943, já com a denominação de Lojas Hermes Macedo e obedecendo a uma planejada estratégia de expansão, foi inaugurada a primeira filial fora de Curitiba. O local escolhido foi a maior cidade do interior paranaense da época: Ponta Grossa. Em seguida – começando na década de 1940 – foram abertas lojas em Londrina, Maringá, Blumenau (a primeira fora do Paraná), Porto Alegre etc.

Em Blumenau as lojas HM se instalou na Rua XV ao lado do então Banco do Brasil aonde hoje é o centro comercial Beira Rio. No outro lado da rua, ao lado das Lojas Caça e Pesca de então, ficava o departamento de bicicletas e lambretas, onde hoje é o Banco do Brasil. Substituindo o Sr. Castelain no inicio da década de 50, meu saudoso pai Osmênio Pfau, assumiu a gerencia das Lojas Hermes Macedo. Teve a função de abrir todas as filiais no Estado. Pfau esteve a frente das organizações durante 35 anos, numa carreira brilhante e como diretor para Santa Catarina ele se aposentou. No inicio dos anos 60 Hermes Macedo construiu a maior loja do sul do Brasil com vão livre, na rua XV aonde hoje é o centro comercial Bremmer Zenter. Como uma loja de departamentos a nova HM de Blumenau surgiu no mercado catarinense como uma força de um verdadeiro shopping. Uma loja completa com moda masculina, feminina, presentes, toda a linha branca, eletrodomésticos, roupas de cama e banho, maquinas de costura, som, peças e acessórios para automóveis, bicicletas, lambretas, motos, pesca e náutica, pneus de automóveis e caminhões, móveis, carpete e outros, com o Frühstück bar num saboroso café e lanches.

No decorrer das décadas de 1960, 70 e 80, a rede de Lojas HM ocupou lugar de destaque no ranking das maiores empresas nacionais por vendas no comércio varejista brasileiro, sendo, durante todo esse período, a maior empresa do setor no Paraná. A partir do final da década de 1980, o império comercial criado por Hermes Macedo passou a enfrentar vários problemas. A desfavorável conjuntura econômica nacional, o aumento da concorrência com a entrada das novas empresas (nacionais e multinacionais) no setor de eletroeletrônicos e, principalmente, a disputa interna pela sucessão e pela administração da empresa foram fatores determinantes para o declínio do grupo HM.

Até 1997, quando foi decretada a falência da empresa, foram abertas 285 lojas em 80 cidades espalhadas por seis estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Foi daí que surgiu o slogan que durante anos identificou as Lojas HM na publicidade nacional: “Do Rio Grande ao Grande Rio!”.

O domínio das Lojas HM
Decoração de Natal
Desde sua abertura em Ponta Grossa, as Lojas HM dominaram o comércio varejista local oferecendo eletrodomésticos, pneus, móveis, brinquedos, utensílios domésticos e vestuário. A “Brinquedorama HM”, estruturada no andar superior da loja se tornou um dos lugares mais procurado pelas famílias ponta-grossenses que buscavam os presentes para as crianças na véspera do Natal.
Aliás, durante a década de 1970, a abertura oficial do Natal em Ponta Grossa – e em outras localidades – ocorria com a chegada do Papai Noel HM à cidade. Carros alegóricos, personagens da Disney, Super-Heróis e dezenas de figurantes desfilavam pela Avenida saudando o público e anunciando a chegada do Natal. O ritual se encerrava justamente com a passagem do “Bom Velhinho” no último carro que integrava o cortejo.

Em Blumenau não era diferente essa grande festa de Natal HM. A decoração interna da loja, sua fachada, o arco instalado no alto da Rua XV junto com o desfile do Papai Noel fizeram durante anos a alegria de todas as idades. Com apoio circense (Circo Bartolo de Ctba) a filial do HM de Blumenau e seus artistas do setor de decoração desenvolviam painéis, esculturas e carros alegóricos maravilhosos. Presépios, muitas luzes e decoração com a presença do Papai Noel e seu trono junto a Brinquedorama eram o programa e o sonho de todas as famílias. Numa época de Blumenau dominava o comércio catarinense. A Brinquedorama recebia um cenário com atendentes uniformizados a caracter com uma enormidade de opções em brinquedos para encanto das crianças.
Nos meados daquela década, outra atração propiciada por Hermes Macedo aos ponta-grossenses era a possibilidade de “assistir” as TVs coloridas, então uma novidade no mercado brasileiro. Os aparelhos eram colocados nas vitrines e ficavam ligados durante boa parte noite. Mesmo sem ouvir o som do que era transmitido, a possibilidade de assistir aos programas a cores fazia com que se formassem filas de carros ao longo da calçada da loja.
Já nos anos 80, quando o Atari se tornou uma febre no Brasil, as Lojas HM atraíram grande número de crianças e adolescentes que se acotovelavam para jogar o Pac Mac, o Enduro e o River Raid, os mais populares jogos disponibilizados pelo vídeo game.
Numa caracteristica local, os consumidores tradicionais, ao adquirir principalmente os produtos da linha branca (refrigeradores e fogões) bem como móveis tinham a cortesia do transporte dos equipamentos usados para as suas casas de praia. Nos períodos de festas a frota do HM realizava nos finais de semana a entrega de refrigeradores e fogões usados de seus clientes nas praias do litoral catarinense.

Disputas pelo poder, crises financeiras, fizeram o grupo pedir concordata em 1992, conseguiu pagar grande parte dos credores, em 1995 não tendo condições de continuar a atividade por falta de crédito e confiança dos fornecedores, a Lojas Hermes Macedo fazem um acordo comercial com as Lojas Colombo, os pontos de venda e os funcionários ficaram com a HM, por este acordo que permaneceu até fevereiro de 1997, a HM recebia uma comissão de cerca de 10% sobre as vendas realizadas. Em fevereiro de 1997, depois de esgotadas todas as possibilidades a empresa pediu falência com continuidade dos negócios. As Lojas Colombo mantiveram o acordo até novembro de 1997 quando foi decretada a falência definitiva.

Natal da HM em 1982
Foto da chegada do Papai Noel das lojas Hermes Macedo na rua XV de Novembro, em 1982. Costumava ser "o" evento para a criançada. A Hermes Macedo era "a" loja naquela época. Tinha tudo o que a gente sonhava. Não dá para entender o motivo do fechamento, já que era muito frequentada.
Foto : Charles Ringenberg

Flâmula da Hermes Macedo em 1962
Hermes Macedo na política
Devido ao grande sucesso financeiro que adquiriu e pelo prestígio que as lojas da empresa possuíam, Hermes Macedo lançou-se na vida política. Filiado a Arena – partido criado para apoiar o Regime Militar – o empresário ocupou, por diversos mandatos, o cargo de Deputado Federal entre as décadas de 1960 e 1980.
Acesse também:
 Antunes Severo :

 http://adalbertoday.blogspot.com/2008/12/histrias-do-nosso-papai-noel.html

Veja http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-162405002-flmula-lojas-hermes-macedo-blumenau-1962-_JM

José Geraldo Reis Pfau

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

- Natal 2010 em Blumenau

Foto: Jaime Batista da Silva 
Recebi este ano como em outros também, dezenas de centenas de cartões natalinos. Não haveria espaço para colocar todos. Mas quero aqui destacar um, de meu amigo Galinho de Qintino Zico. Recebi dia 24/12/2010 14:41. Obrigado Zico.

Valeu ZICO. Este grande desportista.

Este ano novamente podemos apreciar uma bela decoração nas principais ruas de Blumenau. A secretaria de Turismo, CDL, PMB,vem se esforçando, para que a cada ano possamos evoluir e quem sabe em um futuro breve, chegarmos próximo as festividades natalinas da cidade de Gramado RS, que se inspirou em nossa cidade a partir de 1986. Todos os órgãos gestores de nossa cidade nos últimos anos se envolveram em um esforço grandioso de recuperação para que a economia possa girar.
Com o nome de "A magia do Natal"  As programações começaram já em 15/novembro. Uma união de transformar as pessoas em um clima de fraternidade e do renascimento.
Parabéns a todos os organizadores - Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Prefeitura de Blumenau com apoio das entidades de classe.
A Magia de Natal, deste ano de 2010 ganha proporções na decoração de locais públicos, desfiles temáticos e apresentações artísticas, culturais e religiosas envolvendo os blumenauenses e turistas no clima do espírito de Nata.
Confira a programação completa no site oficial
FonteAssessora de Comunicação: Adriana Schimila
O Natal na minha Infância.
Meus avós, pais todos cultivam essa tradição que representa o nascimento de Jesus. A cidade se enfeitava, os presépios eram sempre as atrações principais, acompanhada do “bom velhinho”.
- Mas as festas natalinas começavam mais cedo, no dia 6 de dezembro, onde a figura de Bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, no século quatro. São Nicolau era rico, mas costumava ajudar pessoas pobres, que estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos de moedas, nas chaminés das casas. Uma vez ao atirar pela chaminé, essas moedas teriam entrando em uma meia, daí o termo “pé de Meia”. E foi assim que aprendi com minha avó Ana e meus pais, que a figura do Papai Noel teria se inspirado no Bispo Nicolau.
- No dia 24 de dezembro véspera de Natal, já cedo íamos ao mato cortar uma arvore (ou na casa do Senhor Djalma e Ingeborg (Inha) Fontanella da Silva, ou ainda na Frau Bachmann, mãe do meu amigo Walfrido – da antiga Rua 12 de outubro) para depois durante a tarde enfeitá-la com bolas coloridas e como não havia luzes “piscas-piscas” eram colocados velinhas também coloridas para iluminar o pinheiro. Muita alegria e confraternização entre os moradores das Ruas próximas onde morávamos: Almirante Saldanha da Gama, da Glória, 12 de outubro, Belo Horizonte, Progresso, e Vila. Mas um natal desses não foi tão bonito, pois uma velinha de cera ao cair nas vestes de nossa vizinha e colega Sandra, pegou fogo em suas vestes e lhe causou graves queimaduras em seu pequeno corpo, já que era uma garotinha de uns 10 anos. Era um dia especial, se colocava a arvore somente no dia 24, devido ao calor sempre predominante, a ramas murchavam facilmente.
- Em nossas ruas do bairro Garcia e Glória, eram colocados enfeites coloridos em toda extensão das vias públicas, da Rua Amazonas e Rua da Glória. Também havia sempre um presépio em forma de personagens de tamanho natural, colocado na antiga Praça Getulio Vargas, no início do Progresso, Glória e final do Garcia. E as músicas natalinas que ouvíamos bem cedo provenientes dos auto-falantes da casa Nº. 111 da Rua 12 de Outubro, residência do Senhor David Hiebert, mais conhecido como Russo, (hoje praça Getulio Vargas).
- Essa era a década principalmente dos anos de 1960, esperávamos ansiosos os presentes, que naquela época era raro, era costume os pais dar o mesmo presente, durante alguns dias, e depois os guardava para o ano seguinte. Da mesma forma as bonecas eram recolhidos alguns dias antes do Natal, e as mães as vestiam com roupinhas novas, para dar novamente as filhas na noite véspera do Natal. Os carrinhos eram todos de madeira, mas a bola para jogar o ano inteiro no clube doze (no Morro) há essa não podia faltar, e não era recolhida, ganhava todos os anos.
- E o presépio lindo que data de 1950, era da minha avó Ana, guardamos em nossa residência desde 1976 quando nos casamos e “tomei posse desta tão linda ornamentação”. A confraternização era linda entre os moradores, em nossa aldeia social, morávamos nas casas pertencentes a E.I.Garcia. Não Faltavam os lindos cantos natalinos, pura nostalgia e que cultivamos nos dias de hoje mantendo a tradição.

História
Há 16 séculos na Turquia, havia um menino rico que não suportava ver a miséria existente. Então decidiu distribuir brinquedos, alimentos, roupas.
O Papai Noel foi inspirado no Bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, no século 4. São Nicolau era rico, mas costumava a ajudar pessoas pobres, que estivesse em dificuldades financeiras, colocando sacos de moedas, nas chaminés das casas. Uma vez ao atirar pela chaminé, essas moedas teriam entrando em uma meia, daí o termo “pé de Meia”.
Quando cresceu se tornou bispo “São Nicolau” (dia de São Nicolau comemorado em 06 de dezembro) e continuou com sua generosidade.
Foi através dele que surgiu a lenda do Papai Noel na Finlândia, já com trenó, renas, descendo as montanhas geladas.
Mas foi na França que surge o termo “Papai Noel” depois imitado pelos Italianos que antes chamavam o bom velhinho de “Babbo Natale”.
O Cartão de Natal surgiu na Inglaterra em 1843. Mas foi em 1849 que começam a serem comercializados, tornando-se populares.
A figura do Papai Noel, foi elaborado pelo cartunista Thomas Nast, da revista Harper”s Weekly em 1881.
A tradição de arvores de Natal foi a partir do século XVI em 1525 na Alemanha, pelo pastor protestante Martinho Lutero.. Já o presépio acredita-se é desde o século 8 em Roma, e mais tarde em 1223 São Francisco de Assis fez o primeiro presépio vivo que se tem noticia.
O dia 25 de dezembro começou a se comemorar o nascimento de Jesus a partir do ano 353, até então eram em diversas datas.

Noite feliz
A canção mais popular da noite de Natal nasceu na Áustria, em 1818. Na cidade de Arnsdorf, ratos entravam no órgão da igreja e roeram os foles. Preocupado com a possibilidade de uma noite de Natal sem música, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o antigo. Em suas peregrinações, começou a imaginar como teria sido a noite em Belém. Fez anotações e procurou o músico Franz Gruber para que as transformasse em melodia.
A versão brasileira da canção também foi feita por um religioso: o Frei Pedro Sinzig. Também nascido na Áustria, em 1876, estudou música em sua terra natal e veio morar na cidade de Salvador, na Bahia, em 1893. O frei naturalizou-se brasileiro em 1898 e se destacou como um grande incentivador da música religiosa no país. Em 1941, criou a revista Música Sacra e fundou a Escola de Música Sacra, na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro. Frei Pedro é autor de várias músicas do mesmo estilo e livros sobre o assunto e também atuou como consultor e conselheiro de muitos compositores, inclusive de Villa-Lobos, que dedicou a ele a canção "Missa S. Sebastião". Frei Pedro morreu na Alemanha em 1952.

Mensagem:
Dentro de alguns dias, um ano novo vai chegar a esta estação.
Se não puder ser seu maquinista, seja o seu mais divertido passageiro.
Procure um lugar próximo a janela e desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer com o prazer de quem realiza a primeira viagem.
Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.
Procure curtir a viagem da vida observando cada arbusto, cada riacho, beiras de estrada e tons mutantes da paisagem.
Descobre o mapa e planeje roteiros. Preste atenção em cada ponto de parada e fique atento ao apito de partida.
E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou, não hesite.
Desembarque nela os seus sonhos.
Feliz Natal e feliz ano de 2011
Colaboração: José Geraldo Reis Pfau –Zé Pfau Publicitário.
Arquivo de Dalva e  Adalberto Day

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

- O Senhor Milico

Em História de nosso cotidiano, apresentamos hoje, uma entrevista concedida pelo senhor Luiz Felsky (o Milico) no jornal Tribuna do Vale do Itajaí em 1991. Enviado por Arlete Felsky Filander.

12 MAIO/91 TRIBUNA DO VALE DO ITAJAÍ

Milico e Glória (Bairro)
Isso é amor antigo
Uma das pessoas mais queridas do bairro Garcia, carinhosamente apelidado de Milico pelos amigos, Luiz Felsky é entrevistado do mês da Tribuna. Nascido em Brusque, em 20 de julho de 1914, nove filhos e 16 netos, ele nos falou de sua vinda a Blumenau, seu primeiro emprego como alfaiate, da profissão, dos velhos tempos, de política, das festas e do bairro. E faz um pedido singelo: que os moradores do Garcia, principalmente os jovens, se esforcem mais na preservação do bairro. “O que eles fazem agora estarão fazendo para seus filhos; o que eu fiz, estou colhendo agora através de meus filhos”.

Tribuna: O senhor saiu de Brusque para vir a Blumenau em que ano?
Milico: Em 1930. Estudei dois anos no Colégio Santo Antônio e resolvi então aprender a profissão de alfaiate e me mudei para o bairro Garcia para trabalhar na Alfaiataria “Gauche” cujo proprietário era o Senhor Arnaldo Gauche. Trabalhei seis anos aprendendo a profissão. Logo em seguida houve uma crise, onde fui trabalhar na Empresa Garcia, naquele tempo não existia esse negócio de oito horas, fundo de garantia, 13º, férias, INPS, não existia nada, era só trabalhar. Com a melhora da situação econômica fui trabalhar novamente na Alfaiataria “Gauche”. Saí dela depois de sete anos, fui para São Paulo fazer um curso de aperfeiçoamento em corte e costura, em seguida para o Rio de Janeiro e oeste de Santa Catarina e depois para a rua da Glória, onde estou até hoje.
Tribuna: Por que o senhor tem o apelido de Milico?
Milico: Quando começou a guerra, um tenente ou sub-tenente amigo meu, naquele tempo todo mundo era amigo, todos se conheciam, me chamou no quartel e pediu para que eu trabalhasse pra eles. Mal eu tinha começado a alfaiataria na Rua da Glória, mesmo assim aceitei.
Quando a turma vinha fazer roupa comigo e dizia que não podia, pois estava trabalhando para o quartel, fazendo roupa para “milico”. Onde levo este apelido até hoje. Mais tarde, numa partida de bocha, jogando com a turma, um amigo disse: “O milico, racha o milico”, que era o bolim. Eu, com sorte por ser um bolim velho, acertei e rachei e aí fiquei com apelido de Racha Milico, sendo agora só Milico, como sou conhecido.
Bodas de Ouro Sr. Luiz e Dona Erica (Dona Muchi) com Arlete ao centro 
Tribuna: Com quantos anos o senhor casou?
Milico: Casei com 33 anos, com Erica Dietrich, filha aqui do bairro.
Tribuna: O senhor é o morador mais velho do Garcia?
Milico: Eu vou completar 77 anos em julho. Não sou bem um dos mais velhos do bairro Garcia e sim do bairro Glória. Naquele tempo existiam de 10 a 15 moradores, lembro de quase todos: família Schwarz, Loes, Serafim de Oliveira, Rude Pabst, João Michifelds e outros. Esses já morreram.
Tribuna: Isso significa que o senhor é um dos últimos daquela geração?
Milico: Da geração velha sou eu. Dessas pessoas que já morreram eu lembro do velho Deca, que junto comigo e os demais companheiros fomos os fundadores da igreja e da escola. Inclusive nós temos o diploma de fundadores.
Tribuna: O senhor sempre gostou de política e simpatizou com Aldo Pereira de Andrade e Renato Vianna...
Milico: Política eu entendia mais ou menos. A gente conhecia todo mundo, inclusive o pessoal da cidade. Depois, um alfaiate naquele tempo era como é hoje um médico: era convidado pela sociedade. Fui convidado para muitos bailes no Olímpico, Tabajara, Carlos Gomes. Eu conhecia toda Blumenau. Na casa Flamingo, Casa Mayer a rua era toda de pantano e tinha uma calçada de madeira, por baixo passava o rio, vapor Blumenau frete para Itajaí.
Tribuna: Para quais políticos o senhor fez terno em Blumenau?
Milico: Eu fiz ternos para alguns políticos que eu lembro: senhor Curt Zadrozny, Aldo Pereira, Hercílio Deeke, Roberto Mata, Elias Adaine, Abel Ávila dos Santos.
Tribuna: O que o senhor acha da política do bairro ou de Blumenau?
Milico: Hoje já não estou mais na idade, não leio mais tanto.
Tribuna: Alguma coisa interessante que ocorreu em sua vida? Uma vez o senhor trocou uma bicicleta por um engradado de cerveja...
Milico: Foi numa festa de aniversário em Gaspar Alto. Foi uma brincadeira, naquele dia eu não tinha dinheiro, então empatei a minha bicicleta, só que o homem não levou a sério e no outro dia devolveu a bicicleta.
Tribuna: O que o senhor acha de bom, de ruim na Rua da Glória?
Milico: A Rua da Glória não está ruim, existe muita gente de respeito. Não é qualquer bairro que possui dois centros sociais, várias creches, muitas casas comerciais e uma escola que atende dois mil alunos.
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Texto de Arlete Felsky Filander escrito no dia do falecimento de seu pai Luiz, dia 04/abril/1998.
MEU PAI - esse cara é incrível!
Falar, cantar, dialogar, pensar ou escrever sobre ele é simplesmente pouco demais.
Ele é muito, mas muito incrível mesmo!
Se sinto orgulho dele? Muito mais que isso. Ele é a criatura humana mais importante na minha vida.
Se me deu exemplos de vida? Foi só o que ele fez em cada minuto em que tive a feliz oportunidade e a felicidade de poder conviver com ele, por tanto tempo e por tão pouco tempo ao mesmo tempo.
Eternidade? Sim, ele é eterno para mim.
Ilimitado no seu amor que me faz, e que agora se perpetua dentro de mim pela vida afora...
Oxalá cada um de vocês tivessem o privilégio de ter um PAI como o meu PAI. Ele é a mais humana de todas as criaturas que já encontrei, com todas as qualidades e alguns dos defeitos que somente os verdadeiramente humanos podem ter. E sempre, sempre e sempre, transpunha qualquer dificuldade ou vitória, com um sorriso em seus lábios e o seu jeito tão, mas tão especial de dizer: Muito obrigado!
Ele sempre sabia agradecer. JUSTIÇA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE era a sua bandeira predileta.
abnegação permanente por todos nós seus filhos essa é ilimitada.
Nas minhas duas mãos, segurei a tua mão direita e só pude dizer:
TE AMAMOS MUITO. PARA SEMPRE. MUITO OBRIGADO.
Arquivo Arlete Felski Filander e Adalberto Day

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

- Lá foi o trem

Nossa emoção sobre as histórias do trem EFSC, continua com o texto do nosso amigo Tenente Coronel Paulo Roberto Bornhofen, que faz um relato emocionante no livro Lá foi o trem. Estação Catarina: o trem passou por aqui. Blumenau:
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Por Paulo Roberto Bornhofen

Quando cheguei a Blumenau, lá pelo fim da década de 80, como um Aspirante começando minha carreira como oficial da Polícia Militar, fui apresentado a algumas reminiscências do que outrora fora uma importante e bela ferrovia. Ferrovia que cortava o vale levando a riqueza aqui produzida, ou seja, seu bravo e orgulhoso povo e seus produtos. Uma ferrovia que não mais existia. O trem sumiu.
A riqueza do vale agora segue pelas rodovias. As poderosas máquinas puxando enormes composições ficaram apenas na lembrança. Assim como ficaram na lembrança, e em vários registros fotográficos, as pessoas em suas indumentárias próprias da época. Os homens metidos em seus ternos e as mulheres em seus vestidos maravilhosos, ambos devidamente adornados por chapéus. Naquele tempo o passeio, ou a viagem de trem exigiam um tratamento especial.
Restavam, ainda, algumas instalações e um já quase apagado trilho de trem, serpenteando a margem do rio Itajaí-Açú. Aqui e ali, o caminho de ferro, teimosamente, resistia. Ainda era possível encontrar o que sobrou de uma estação, um túnel, uma ponte, um marco qualquer. Tudo aquilo chamava a minha atenção, pois de onde eu vinha não havia trem. Em Florianópolis eu não havia convivido com o trem.
O tempo estava se encarregando de apagar lentamente as lembranças do trem e sua admirável e charmosa ferrovia. Mas, não era tão fácil assim. Algumas destas instalações ainda estavam em boas condições, ou melhor, em condições de uso. Sua capacidade de adaptação foi sua salvação, pois elas continuavam úteis, apesar de terem outra finalidade. Assim, eu era apresentado a uma clinica veterinária, funcionando no que já tinha sido uma pequena estação. Um ponto de ônibus, que tinha sido um ponto de parada para o trem. Havia, ainda, as pontes, que como tinham uma estrutura forte para agüentarem o peso da composição, agora estavam servindo para a passagem dos veículos. E, tinham os túneis, ou melhor, o túnel.
Havia um túnel abandonado na Ponta Aguda. Hoje ele está integrado ao sistema viário da cidade e o acesso a ele se dá ao final da ponte Aldo Pereira de Andrade, ou simplesmente ponte de ferro, como ficou conhecida. Naquele tempo, quando cheguei em Blumenau, o túnel tinha outro tipo de freqüentadores. Eram os seres da noite, mas não eram morcegos, muito menos zumbis. Eram pessoas que por seu comportamento ficaram conhecidas como os famosos marginais, os que vivem, ou agem, as margens da sociedade. Eram basicamente usuários de drogas e profissionais do sexo pago.
Regularmente éramos obrigados a fazer rondas e a “dar batidas” no túnel e sempre encontrávamos algo, e alguns de seus habitantes. Eram usuários, às vezes traficantes e quase sempre travestis vendendo prazer, não encontrávamos prostitutas. Era um universo exclusivamente masculino. Sempre havia um “cidadão de bem”, que incomodado, denunciava o comportamento daqueles seres marginais. Quando acontecia um furto, ou um assalto na área central da cidade, mandávamos uma viatura para o túnel. Quando não encontrávamos nenhum dos tristes seres da noite, encontrávamos o espólio da empreitada criminosa, pelo menos a carteira com os documentos do infeliz, o dinheiro sempre sumia. Havia ainda os que pagavam pelo sexo e depois se arrependiam, então inventavam a “história” de que tinham sido vítimas dos criminosos. Era mais fácil justificar para a família a perda do sofrido salário com um boletim de ocorrência policial na mão. “Eu fui assaltado por um travesti” era uma história mais aceitável, digna até de pesares, do que admitir que gastou ( o tão esperado salário do mês) com efêmeros momentos de prazer.
Era uma lástima testemunhar no que havia sido transformado o túnel. É assim que a vida seguia o seu rumo depois que o trem se foi. Dizem alguns saudosistas, que o trem vai voltar. A linha vai ser reativada! Bradam outros. Como o trem não veio e a linha não foi reativada, o túnel foi restaurado e integrado ao sistema viário. Agora são os veículos que fazem uso dele. Os marginais foram expulsos, pelo menos do túnel. A vida segue, só falta o trem que um dia se foi e até hoje não mais voltou.
Paulo Roberto Bornhofen
15 de abril de 2009.

Acesse também :
BORNHOFEN, Paulo Roberto. Lá foi o trem. In: VENUTTI, Fátima (Org). Estação Catarina: o trem passou por aqui. Blumenau: Nova Letra, 2009.
Arquivo: Jornal de Santa Catarina/ACIB/Dalva e Adalberto Day

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

- "Férias no SUL"

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica escrita em junho de 1997, sobre o filme "Férias no Sul" em Blumenau de 1967 -, que hoje sabemos de sua importância e significado.

Por Urda Alice Klueger
Faz pouco mais de um ano que, numa mostra de cinema, revi “Férias no Sul”, filme feito em Blumenau na década de sessenta, e que na época causou um frenesi na cidade.
Vivíamos, naquele tempo do passado, sob a égide do cinema – a televisão demoraria muito, ainda, para chegar por aqui – na verdade, as pessoas só acabaram comprando televisão para a Copa do mundo de 70. Assim, nos anos sessenta, o divertimento preferido de quase todo o mundo era ir ao cinema, ao cinema que nos trazia Brigite Bardot e o capitão Custer matando índios, além de farwest famosos, como “Django e o Dólar Furado”, e o agente 007, e por aí afora. Ir ao cinema era o máximo, era ir à mais maravilhosa das fábricas de fantasias – imaginem o que foi saber-se que aqui, na nossa provinciana Blumenau, iria ser rodado um filme de verdade, um filme que seria visto por todo o Brasil!
O primeiro frissson foi das pessoas que queriam aparecer no filme: todos queriam, e não sei como é que os diretores do mesmo fizeram para chegar à seleção dos que poderiam ou não ir para a tela. Vendo o filme, agora, diverti-me um monte vendo a antiga juventude blumenauense, hoje transformada em gente sisuda e responsável, a fazer “pontas” no filme, compenetradíssima no seu papel de alguns minutos. Até o nosso austero ex-prefeito Victor Fernando Sasse, que naqueles idos deveria andar pelos vinte anos, aparece em longa cena, dançando num baile do Tabajara, o nosso clube mais tradicional.
Bem, depois do frisson das filmagens, houve o frisson de ver o filme, este muito maior, pois colocava o filme ao alcance de todos os mortais, e ninguém perderia, por nada no mundo, de ver aquele filme que se passava na nossa cidade, embora a opinião geral fosse de ele denegrira a imagem de Blumenau. Malhou-se o pau em “Férias no Sul” como nunca se tinha malhado o pau em filme nenhum, em Blumenau, nem mesmo naqueles em que Brigite Bardot aparecia nua. Lembro-me como “Férias no Sul” foi apresentado em Blumenau no Cine Blumenau, em sessão contínua para dar vazão aos quase oitenta mil blumenauenses que não perderiam de vê-lo por nada, só para depois poder falar mal. A coisa funcionava assim: abriam-se as portas do nosso maior cinema, esperava-se entrar a multidão que o encheria, fechavam-se as portas e rodava-se o filme – quando acabava, as pessoas saíam e a operação se repetia – isso por dias seguidos, sessão após sessão, sem nunca acabar a longa fila de espera que, lembro-me muito bem, ia do Cine Blumenau até onde hoje é o Banco do Brasil, uma fila de quase uns quinhentos metros. O pessoal que esperava na fila ainda não tinha visto o filme, claro – mas falava mal dele com toda a veemência, como se cada um fosse o diretor responsável. E o que é que exasperava tanto os ânimos dos blumenauenses de antanho, que tornava o filme tão terrível, que fazia com que ninguém quisesse perdê-lo?
Revi o filme faz ano e pouco, e morro de rir ao me lembrar. O famoso Davi Cardoso, aquele mesmo das pornochanchadas, mas que nesse tempo ainda filmava de roupa, vive uma cena de amor com uma moça da nossa cidade. A cena é num baile dum clube de Caça e Tiro, onde os dois se paqueram dançando, e depois dão o fora. A cena seguinte é deles voltando ao salão, a nossa linda moça loira sugerindo que teve suas roupas descompostas, e, oh! o frenesi dos frenesis: nossa atriz de um dia arruma o ombro da sua roupa, e, supra-sumo da sem-vergonhice para a época, deixa ver a alça do seu sutiã!
Gente, todo o pau que se quebrou em cima do filme foi por causa dessa cena fugaz, e de uma moça acertando a roupa e deixando entrever a alça de um sutiã! O escândalo foi tão grande que essa moça, que trabalhava numa loja de calçados, teve que ir embora da cidade.
Cine Blumenau - altos da rua XV
O filme, mesmo, é de uma grande ingenuidade. A tal alça do sutiã deu todo o toque picante para aquele momento de gloria de Blumenau, o de aparecer nas telas dos cinemas de todo o Brasil. Até hoje, nas rodas de pessoas de mais idade que eu, ouço falar do filme “Férias no Sul” como algo que envergonhou nossa cidade. As pessoas de hoje deveriam rever o filme, para poderem rir de seus velhos preconceitos. Quase não dá para imaginar que Blumenau, um dia, já foi assim!

Blumenau, 23 de junho de 1997.

Urda Alice Klueger - Escritora, historiadora e Doutoranda em Geografia pela UFPR
Para saber mai acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em_07.html
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

- O Cinema em Blumenau - Parte XX


  Cine Busch -  Cine Blumenau - Cine Garcia
Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre o encontro de exibidores catarinenses e proprietários de cinemas. Encontro este que ocorreu nos dias 29/30/abril de 1970 em Blumenau.
Por Carlos Braga Mueller
Nestes relatos, que agora chegam ao número 20, temos nos reportado aos acontecimentos que marcaram a história do cinema em Blumenau.
Hoje, vamos falar de um fato importante, um encontro de exibidores (proprietários de cinema) catarinenses que aconteceu em Blumenau no ano de 1970.
Algum tempo atrás, o ex-exibidor Alvacir Ávila me mostrou uma foto deste encontro. Fui atrás de mais detalhes e falando com outro ex-exibidor, Herbert Holetz, ele localizou dados interessantes no seu arquivo, facilitando a compreensão do que aconteceu naquele evento.
TELEVISÃO: PERIGO A VISTA PARA OS CINEMAS !
1969/1970 ! Os cinemas em Blumenau ainda estavam no apogeu. Na cidade existiam 5 salas: Busch e Blumenau, no centro; Cine Garcia, no bairro do Garcia, Cine Mogk na Itoupava Norte e Atlas na Vila Nova.
A televisão incomodava pouco. Chegavam ao município imagens com muitos chuviscos, de uma repetidora do Canal 6 – TV Paraná, de Curitiba.
Mas em 1969 foi fundada TV Coligadas de Santa Catarina em Blumenau. Um ano depois era inaugurada a TV Cultura de Florianópolis. E quase todo mundo ficava em casa, assistindo televisão. Ao cinema iam apenas os apaixonados/viciados na chamada “sétima arte”.
OUTRAS AMEAÇAS RONDAVAM OS EXIBIDORES
Para piorar as coisas, o INC – Instituto Nacional de Cinema, órgão federal, era tão severo na sua fiscalização que proibia até que os donos de cinemas dessem ingressos cortesia a título promocional. Se alguém desse uma cortesia, era obrigado a trocá-la na bilheteria por um ingresso, que estava sujeito ao recolhimento das taxas e impostos (Prefeitura, Imposto Estadual, ECAD e INC).
Os cinemas também eram “obrigados” a exibir filmes nacionais 56 dias por ano, e falava-se que logo este número seria dobrado, passando para 112.
Um terror, na época, porque os filmes nacionais era “detestados” pelo público, em virtude da falta de consistência comercial dos filmes do chamado “cinema novo”.
Resultado: espertalhões criaram as “pornochanchadas”, aproveitando o mote das “chanchadas”, comédias inocentes dos anos 50, adicionando erotismo como apelo para faturar.
Os direitos autorais cobravam percentual sobre o ingresso, a Prefeitura idem, o INC idem, o Estado impunha um famigerado Imposto de Transações ...
A REAÇÃO
Havia chegado o momento dos exibidores tentarem dar um “basta” a tudo isto.
Eles adotaram, inclusive a nível nacional, uma tática, hoje conhecida como “lobby”, e saíram atrás de candidatos a deputado federal que defendessem os interesses da classe, de preferência que fossem também exibidores.
Conseguiram apenas um, em São Paulo, Braz Nogueira.
Em Santa Catarina, os exibidores tiveram no Senador Antônio Carlos Konder Reis um defensor da causa, em Brasília.
FILAS ... DE FISCAIS, NAS PORTAS DOS CINEMAS
Fiscal da distribuidora do filme marcando quantas inteiras e quantas meias entradas estavam sendo vendidas ...para cobrar percentual sobre a receita da bilheteria !
Fiscal de Menores ... Fiscal da Prefeitura...
Taxa e impostos a pagar. E a televisão roubando os frequentadores do cinema !
ENCONTRO DE EXIBIDORES PARA BUSCAR SOLUÇÕES
Foi então que, em Santa Catarina, os exibidores se organizaram, através do Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas dos Estados do Paraná e Santa Catarina, que tinha sede em Curitiba e um Delegado Estadual em Florianópolis.
O presidente era o paranaense Ismail Macedo, enquanto a delegacia em nosso Estado era exercida por Jorge Daux, tradicional exibidor da capital catarinense.
Foi marcado, então, um grande “encontro” de todos os exibidores catarinenses: o ENCONTRO DE BLUMENAU, que foi realizado nos dias 29 e 30 de abril de 1970.
Todos os exibidores foram convocados através de circular expedida pela Delegacia Estadual do Sindicato dos Exibidores.
A reunião foi realizada na sede da ACIB – Associação Comercial e Industrial de Blumenau, cuja sede ainda ficava no Edifício Mauá, na Rua 15 de Novembro, nº 600.
O programa elaborado, do qual Herbert Holetz possui um no seu arquivo, dizia o seguinte:
“Dia 29/4/70, às 14 h início dos trabalhos.
Pauta:
- Devolução do Imposto de Transações
cobrado anos a fio dos exibidores, em virtude
do Sindicato ter ganho a causa em favor de
toda a classe (*).
- Cinema nacional
- Direito autoral
- Tabelamento dos cinemas
- Censura de menores
- Carteiras de estudante
- Filmes e carvões (**)
- Debates e palavra livre.
(*) Este imposto depois passou a ser o de Vendas e Consignações.
(**) carvão era o material importado, usado para criar a luminosidade das lanternas, para projeção dos filmes.
Dia 30/4/70, às 8,30 h. reabertura dos trabalhos.
- Soluções finais
- Memorial de Reivindicações.
Às 10 horas
- Recepção às autoridades
Às 13 horas
- Banquete em homenagem ao Senador Antônio Carlos Konder Reis.
O almoço foi servido no recém inaugurado Restaurante Frohsinn, no Morro do Aipim, onde foi tirada a foto que ilustra esta matéria.
Na circular enviada aos exibidores, o presidente do Sindicato, Ismail Macedo, alertava:
“Compareça sem falta. Agradecemos a sua cooperação. Tudo será feito em defesa de V.Sa. e da própria classe.”
CINEMA NACIONAL: 112 DIAS POR ANO !
Ironia ou não, menos de 60 dias depois, em 30 de junho de 1970, o Instituto Nacional de Cinema baixou a Resolução 38, aumentando para 112 o número de dias ao ano em que era obrigatória a exibição de filmes nacionais, o que gerou mais protestos dos exibidores e estimulou as pornochanchadas, de duvidosa qualidade.
FOTO HISTÓRICA
A foto que registrou o encontro dos exibidores em abril de 1970 reuniu verdadeiros “cobras” da cinematografia catarinense daquela época.
Além do Senador Konder Reis e do Vereador de Blumenau Armando Bauer Liberato (o 1º da esquerda), lá estão: Caetano Deeke de Figueiredo e Osvaldo Pereira (Cine Blumenau); Herbert Holetz (Cine Busch), Reynaldo Olegário (Cine Garcia), Alvacir Ávila (Cine Atlas), Haraldo Mogk (Cines Mogk de Blumenau, Gaspar, Pomerode, Indaial e Timbó).
Entre os vários participantes, aparecem na foto também o delegado do Sindicato, Jorge Daux , Sr. Lenzi dos Cines Luz e Itajaí, de Itajaí,
Irmãos Gracher do Cine Real de Brusque e Sr. Bratti, do Coliseu, também de Brusque.
O toque feminino: a única mulher presente era a secretária da Delegacia do Sindicato em Santa Catarina.
Ao fundo desta foto estão Blumenau e a Avenida Beira Rio do início dos anos 70.
Para saber mais acesse : 
 http://adalbertoday.blogspot.com/2008/01/artigos-carlos-braga-mueller.html
_______________________
Texto: Carlos Braga Mueller/arquivo de Carlos Braga Mueller/Adalberto Day

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

- Almanaque Bela Vida Edição nº 4

Mais uma participação na Revista Almanaque Bela Vida - Bairros Garcia e Glória.
A Revista como sempre nos apresenta belas reportagens e destaques de nossa comunidade.
Para entender a bela revista, apresento o Sumário:
Bela Curiosidade 6
Bela Receita 10
Bela Dica de Culinária 12
Bela Piada 16
Bela Saúde Bucal 18
Bela Saúde 19
Bela Saúde Infantil 20
Bela Veterinária 22
Bela Saúde Corporal 24
Bela Cultura 26



Nesta edição de Novembro/Dezembro/2010, Bela curiosidade : Garcia-Glória - página 06 falamos sobre EEB Governador Celso Ramos - e na página 08, sobre a Cooperativa de Consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia - no Grande Garcia - Distrito do Garcia.
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Almanaque Bela Vida
Bela Curiosidade: Glória
EEB Governador Celso Ramos
A imagem mostra professoras do grupo Escolar São José, atual E.E.B. Governador Celso Ramos; Nadir, Evelina, Júlia Strzalkowska, Esmeraldina de Jesus Bacca ( Santiago), mais conhecida como Landi, e Ágata (Águida) dos Santos.
A Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos foi fundada em 14 de fevereiro de 1929, com o nome de Escola Paroquial São José (servia de capela para a comunidade – com sede inicialmente na rua Belo Horizonte, em propriedade da família de Carlos Loos).
Dona Júlia Strzalkowska foi a primeira professora da escola. Com seu jeito simples, ás vezes interpretada de forma dura, severa, pelos seus posicionamentos. Mas hoje é reconhecida como uma pessoa que prestou relevantes serviços á educação de nossa comunidade.
Fonte: Adalberto Day, Cientista social e Pesquisador da História

Bela Curiosidade: Garcia
Cooperativa de Consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia
O estabelecimento fornecia gêneros alimentícios de primeira necessidade. Os clientes da cooperativa tinham que se associar e, com isso, as despesas eram descontadas em folha de pagamento. O associado também participava de cotas, dependendo de sua situação e também de consumo. Ao atingir uma certa cota , recebia uma quantia de retalhos e tecidos da empresa.
A Cooperativa de Consumo dos Empregados da Empresa Industrial Garcia foi fundada em 17 de março de 1944, com o apoio do senhor Ernesto Stodieck Jr., diretor. A idéia foi de um grupo de colaboradores que buscava a solução para a escassez de produtos básicos, durante e após a guerra. Localizava-se na rua Amazonas, logo após o Estádio do Amazonas e ao lado da antiga ponte de acesso a Rua Emilio Tallmann. Uma nova fase da Cooper Artex, que foi transferida em 1979 para a Rua da glória, 344. Posteriormente , Cooper Hering – atual Cooper.
Fonte: Adalberto Day, Cientista social e Pesquisador da História
Almanaque Bela Vida Novembro/Dezembro/2010 - ano 1 - nº 4
Editora Bela Vida
Diretor: Edson Peres Gonçalves
Coordenação Geral: Lilian Peres Gonçalves
Revisão de texto: Madalena Parisi Duarte
Contato (47) 3035-3366
Fotos: arquivo de Dalva e Adalberto Day

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

- Saudosa Indaial

Recebi do amigo Fernando Pasold de Indaial, um livro produzido por ele , participação de seu pai Beno Pasold e Alfredo Nagel, com fotos exclusivas da cidade, desde seus primórdios.
A capa aqui apresentada, Arte : Andressa Sachetti com reprodução da pintura original.
Acervo de Carl Heinzlueders

Uma viagem pelo tempo
O livro como citamos, é uma coletânea de fotos antigas de toda a bela Indaial. Mas aqui estamos apresentando sobre a E.F.S.C. Estrada de Ferro Santa Catarina que interligava a cidade de Blumenau até Indaial conforme histórico.
Foto 1908 - Locomotiva "Macuca" acervo :FIC
A Locomotiva "Macuca" fazendo transporte do pessoal de obras da ponte da estrada de ferro para ser construída no Encano.
A pequena locomotiva chegou ao porto de Itajaí em 1907 e posteriormente foi transferida por via fluvial para Blumenau até o porto de Itoupava Seca. Foi de grande importância na construção dos primeiros quilômetros da Ferrovia Santa Catarina, pois puxava a composição que transportava os trilhos para o avanço do leito ferroviário.
Era assim chamada em virtude do nome de um pássaro local (Macuco). Hoje se encontra exposta em frente à prefeitura de Blumenau.
Foto1909 - Inauguração da Estação do Warnow
Estação de Warnow da Estrada de Ferro Santa Catarina, no dia da inauguração do trecho - Blumenau-Warnow em 03 de maio de 1909. A Locomotiva saiu de Blumenau sob festivos apitos e ornamentada com palmas, flores, bandeiras, e escudos do Brasil e da Alemanha. Os convidados e a população lotaram os três vagões de passageiros originais da composição e também vários carros abertos, adaptados com cadeiras e bancos.
Depois de passar por Salto Weissbach, Passo Manso, Encano e Indaial, o trem foi recebido em Warnow com festa.

Sobre este trabalho
Era uma vez... três amigos que resolveram fazer um inventário das mais significativas fotos de Indaial antiga, aquela que nossos antepassados nos legaram com muito labor. e porque não dizer, com irretocavel dose de amor. Esses três amigos viram a necessidade de resgatar esse autentico patrimônio histórico, que acabou se transformando num álbum de fotografias de valor inestimável. Atingiram, com isso, a oportunidade de ter, num só ambiente de pesquisa, uma seleção de fotografias que retratam a História Indaialense.
Mas o trabalho não foi fácil......[....]...Hoje os amigos  Alfredo Nagel - Beno Pasold - Fernando Pasold (foto) sentem-se realizados nessa empreitada, e certos de que colocaram os seus tijolos na construção desse legado que ficará para as gerações futuras: ....[....}
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História
"O primeiro trecho inaugurado em 1909 ligava Blumenau ao Warnow, em Indaial. A possibilidade de percorrer o trajeto a 30 km/h, era fundamental,e mostrava uma nova era pois o transporte mais popular era a carroça na época . Dos 184 quilômetros que a ferrovia já abrangeu, o trem hoje funciona apenas no trecho de Rio do Sul – Ficaram apenas lembranças vivas dos ruídos, a fumaça e o ranger dos trilhos".
A estação de Blumenau, a original, foi inaugurada com a linha, em 03 de maio de 1909 (demolida a partir de setembro de 1974), em estilo (Técnica) enxaimel. Em 1.904, o Governo Estadual concedeu autorização a Companhia Colonizadora Hanseática para a construção e exploração de uma via férrea ao longo do Vale. O primeiro trecho, com 30 quilômetros de extensão, entre Blumenau e Warnow, hoje Indaial, foi inaugurado em 3 de maio de 1.909. Em junho do mesmo ano, o leito chegou em Ascurra; e, em outubro em Hansa, atual Ibirama. A Estrada de Ferro Santa Catarina foi a primeira obra da época, realmente planejada na região do Vale do Itajaí. Seu leito foi construído em uma altitude especial, visando a proteção contra as cheias já registradas pelos primeiros colonizadores. Foi desativada em 1954, com a extensão da linha até Itajaí, quando se construiu uma nova estação. Chegou a funcionar por algum tempo juntamente com a nova estação, como pátio de manobras e estação de cargas.
Em 1954, quando o trecho finalmente foi inaugurado, a linha velha permaneceu por uns anos. Normalmente as locomotivas usavam a linha velha para fazer a limpeza da caldeira (jato de vapor) numa ponte que existia perto da velha estação. Mas, isto durou uns anos e depois a linha foi erradicada. A estação velha a partir de 1954, passou a abrigar apenas o escritório da ferrovia, a diretoria, por exemplo, por ser área central da cidade, e assim ficou até a desativação em 13 de março 1971.
______________
Arquivo de comunidade Indaialense /Adalberto Day

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

- A Praça da Estação

A imagem do final da década de 1920 mostra a praça e a estação de trem de Blumenau, inaugurada com a linha, em 3 de maio de 1909. O posto funcionou até 1954, quando passou a abrigar o escritório da ferrovia. Em 1974 , a estação, situada onde hoje é a atual prefeitura de Blumenau, foi demolida. (Imagem: arquivo pessoal de Carl Heinz Rothbarth e Adalberto Day
Publicado no Jornal de Santa Catarina - coluna Almanaque do Vale Segunda - feira 22/Nov./2010.
A imagem de 1930 – Mostra a antiga estação ferroviária de Blumenau – demolida a partir de setembro de 1974
– Esta estação funcionou até 1954 – se localizava onde hoje é a atual prefeitura de Blumenau. Em 13 de março de 1971, os trilhos foram arrancados logo depois, sob protestos da comunidade. O trajeto existente e único restaurado da locomotiva fabricada em 1920 compreende apenas 600 metros, vagão de madeira em seu interior, ainda é possível regressar no tempo. O passeio de trem, no Bairro Bela Aliança, em Rio do Sul, relembra os tempos dourados da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC).
Macuca que está na praça ao lado da prefeitura  (desde 31-08-1991) de Blumenau.
Primeira locomotiva de Blumenau. Importada da Alemanha em 1.908, chegou ao Brasil a bordo do Vapor Klobenz que também trazia oitocentas toneladas de material para a Estrada de Ferro Santa Catarina. Sinônimo de progresso e modernidade quando chegou ao município, em 1908 , a Macuca simboliza a memória de uma época.
obs: (A Macuca prestou serviço de 1909 até 1935, seria  a Locomotiva No. 3, segundo relatórios preservados de Breves Filho, que era o diretor da EFSC. As de No. 1 e 2 foram construídas, respectivamente, em setembro e novembro de 1907, enquanto a Macuca é de 1909. Tanto a No. 1 quanto a No. 2 foram sucateadas em 1932) 
  Além disso, reforça a necessidade de preservação da única locomotiva que sobrou da frota da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC). Produzida em Berlim, na Alemanha, carregava inicialmente a missão de levar material de construção para as obras ferroviárias entre Blumenau e Indaial. Ela veio para o Vale do Itajaí como uma locomotiva para trens de serviço, mas também puxou trens com autoridades ferroviárias e governamentais e até militares em inspeção ao longo da via férrea.Curiosidade: O apelido “Macuca” foi dado carinhosamente pela comunidade devido a semelhança com o macuco (Tinamus Solitárius – Ave da família Tinamidae). Além da anatomia, o seu apito lembrava o piu do macuco e o ruído da descarga de sua caldeira recordava o som produzido pelas asas da referida ave.
A locomotiva inaugurou o trecho Blumenau - Warnow (cidade de Indaial).
História:
"O primeiro trecho inaugurado em 1909 ligava Blumenau ao Warnow, em Indaial. A possibilidade de percorrer o trajeto a 30 km/h, era fundamental,e mostrava uma nova era pois o transporte mais popular era a carroça na época . Dos 184 quilômetros que a ferrovia já abrangeu, o trem hoje funciona apenas no trecho de Rio do Sul – Ficaram apenas lembranças vivas dos ruídos, a fumaça e o ranger dos trilhos".
A ESTAÇÃO:
A estação de Blumenau, a original, foi inaugurada com a linha, em 03 de maio de 1909, em estilo (Técnica) enxaimel. Em 1.904, o Governo Estadual concedeu autorização a Companhia Colonizadora Hanseática para a construção e exploração de uma via férrea ao longo do Vale. O primeiro trecho, com 30 quilômetros de extensão, entre Blumenau e Warnow, hoje Indaial, foi inaugurado em 3 de maio de 1.909. Em junho do mesmo ano, o leito chegou em Ascurra; e, em outubro em Hansa, atual Ibirama. A Estrada de Ferro Santa Catarina foi a primeira obra da época, realmente planejada na região do Vale do Itajaí. Seu leito foi construído em uma altitude especial, visando a proteção contra as cheias já registradas pelos primeiros colonizadores. Foi desativada em 1954, com a extensão da linha até Itajaí, quando se construiu uma nova estação. Chegou a funcionar por algum tempo juntamente com a nova estação, como pátio de manobras e estação de cargas.
Em 1954, quando o trecho finalmente foi inaugurado, a linha velha permaneceu por uns anos. Normalmente as locomotivas usavam a linha velha para fazer a limpeza da caldeira (jato de vapor) numa ponte que existia perto da velha estação. Mas, isto durou uns anos e depois a linha foi erradicada. A estação velha a partir de 1954, passou a abrigar apenas o escritório da ferrovia, a diretoria, por exemplo, por ser área central da cidade.
Foi este local um dos primeiros a ser "encampado" pela Prefeitura de Blumenau, que ali construiu o fórum da cidade onde era o antigo colégio Luiz Delfino (foto fundos),e onde era a estação a atual prefeitura nova de Blumenau em 1982 - e lamentavelmente demolindo a estação, isto já pelos fins de 1968. Além do prédio do fórum, que já não é mais fórum, o local abriga hoje o grande prédio da Prefeitura de Blumenau" (Luiz Carlos Henkels, 2008). Ao lado direito da foto, antigo Hotel Esperança, onde depois foi construída a Casa Willy Sievert, hoje Loja Millium.
__________________________________
(Fonte: A Estrada de Ferro no Vale do Itajaí, de Angelina C. R. Wittman, 2001; Luiz Carlos Henkels, 2008). Wieland Lickfeld
Arquivo : Dalva e Adalberto Day /José Geraldo Reis Pfau / Carl Heinz Rothbarth

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

- CENSO Blumenau

Agora somos 309.214

BLUMENAU - A terra da Oktoberfest, terceira cidade mais populosa do Estado, passou dos 261.808 habitantes registrados uma década atrás para a marca atual dos 309.214 moradores. O crescimento representa 18,1% em relação à última coleta de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000. Os números finais do Censo 2010, divulgados ontem, apontam que Itapema é o município que mais cresceu em Santa Catarina: aumento populacional de 77,1%, passando de 25.869 para 45.814 habitantes. Balneário Camboriú (47,1%) e Brusque (38,7%) também são cidades da região com maior incremento no número de habitantes. Municípios do interior têm crescimento mais tímido: José Boiteux, por exemplo, aumentou apenas 2,74%.
Para a professora e doutora em Psicologia Social da Furb, Lorena de Fátima Prim, o aumento da população no Litoral e o baixo crescimento das cidades do interior é reflexo do êxodo rural que o Brasil vive desde 1960. Antes, 80% da população vivia no campo. Hoje, são apenas 18%. A mudança, segundo ela, é motivada pela busca por melhores condições de trabalho geradas pelo turismo crescente e também pela qualidade de vida.
Com mais de 6,2 milhões de habitantes, Santa Catarina teve um crescimento de 893 mil pessoas em 10 anos, uma variação acima da média nacional, com 16,68%. O Estado ocupa a 11ª posição no ranking de crescimento populacional no país. O número de habitantes no Brasil chega a 190,7 milhões, com aumento de 20 milhões de pessoas em relação ao Censo 2000, o que representa 12,3% de crescimento.
Nesta pagina você encontra a nossa população desde 1.860
http://pt.wikipedia.org/wiki/Blumenau#S.C3.A9culo_XIX
____________________________________
• Fonte: Publicado no Jornal de Santa Catarina , dia 30/11/2010
Edição N° 12110
• Colaboração José Geraldo Reis Pfau
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

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