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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

- Os 60 anos da Televisão brasileira

Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre, os 60 anos da TV- Televisão no Brasil.

Por Carlos Braga Mueller
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A GRANDE AVENTURA DA TELEVISÃO BRASILEIRA.
Há sessenta anos, exatamente no dia 18 de setembro de 1950, começava a "grande aventura da televisão brasileira".
Naquela data memorável, nervosa e evitando tremer porque estava exposta às câmeras, a atriz Iara Lins abriu a transmissão inaugural da TV Tupi de São Paulo, Canal 3, com a seguinte locução:
"Senhoras e Senhores, boa noite. A PRF 3 TV - Emissora Associada de São Paulo, orgulhosamente apresenta neste momento o primeiro programa de televisão da América Latina."
O programa transmitido chamava-se "TV na Taba", alusão à "taba" constituída pelas emissoras dos Diários Associados que usavam nomes de tribos indígenas, como Tupi e Tamoio. O estúdio foi montado no prédio da Rádio Tupi, conhecido como a "Cidade do Rádio".
Todo o equipamento fornecido pela RCA americana, fôra montado no Brasil sob a supervisão do engenheiro daquela fábrica, Walter Obermiller.
O início das transmissões estava marcado para as 21 horas mas começou com uma hora de atraso, devido à falha de uma das câmeras. Preocupado, Obermiller sugeriu que se adiasse o evento para o dia seguinte, mas os técnicos brasileiros insistiram em "improvisar" com apenas duas câmeras. O engenheiro retirou-se, contrariado, mas a festa continuou, na base do "jeitinho brasileiro".
No dia 28 de julho de 1950 já havia sido feito um teste com as imagens em "circuito fechado", quando o ex-ator de Hollywood, José Mojica, que havia abraçado um hábito franciscano, cantou em frente das câmaras para uma diminuta platéia.
Mas agora, no dia 18 de setembro, era para valer. Como não havia ainda em São Paulo receptores de TV, Assis Chateaubriand, dono da televisão, importou 300 aparelhos, vendidos pelas lojas Cássio Muniz. Alguns foram espalhados pela cidade, em locais estratégicos, como a Praça da República e o Jóckey Club.
Homero Silva foi o apresentador oficial deste primeiro programa.
A dois visitantes ele explicou a utilidade da TV.
Hebe Camargo estava escalada para cantar o "Hino da Televisão", mas ficou resfriada e foi substituída por Lolita Rodrigues.
Aurélio Campos falou sobre futebol, Mazzaropi contou piadas, Lima Duarte e Walter Forster interpretaram pequenos papéis em encenações teatrais.
Finalmente, uma hora depois, ao encerrar o progama uma pergunta pairava no ar: o que fazer no dia seguinte ?

A AVENTURA INICIAL FOI DE CHATEAUBRIAND (Foto)
Em 1950 a televisão estava completando 14 anos e o "milagre" de trazê-la ao Brasil foi do magnata das comunicações Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, proprietário dos Diários Associados, uma cadeia de emissoras de rádio, jornais e da revista "O Cruzeiro", a de maior circulação no país.
Para financiar o empreendimento, Chateaubriand conseguiu firmar, em 1947, uma série de contratos com grandes empresas, entre as quais Sul América, Antárctica, Indústrias da Família Pignatari, Moinho Santista, etc, pelos quais estas empresas pagaram adiantado um ano de publicidade na cadeia dos Associados. Foi assim que conseguiu-se levantar os 16 milhões de cruzeiros, pagos à RCA Victor norte-americana pela compra de uma estação de TV.
A IMPROVISAÇÃO DOS PRIMEIROS TEMPOS
A improvisação marcou o início da televisão brasileira.
Profissionais vindos do rádio, teatro, cinema e do jornalismo começaram a "aprender" como fazer televisão.
Tudo era feito ao vivo pois não havia video-tape.
No dia seguinte ao da inauguração foi ao ar o primeiro telejornal, "Imagens do Dia", escrito por Rui Resende minutos antes da transmissão.
Os comerciais eram feitos na hora, pelas garotas-propaganda.
Em novembro de 1950, Cassiano Gabus Mendes dirigiu o primeiro teleteatro, uma adaptação do filme norte americano "A Vida por Um Fio".
O primeiro beijo na televisão brasileira foi dado, timidamente, por Walter Forster em Vida Alves ... e ficou na história.
A cena fazia parte da primeira telenovela da Tupi, "Sua Vida Me Pertence", cujo primeiro capítulo foi ao ar em 21 de dezembro de 1951.
Relatando algumas destas passagens heróicas, que marcaram o início desta aventura, rendemos nossas homenagens a todos aqueles que ajudaram a construir esta história, cimentando 60 anos atrás os alicerces daquela que é, hoje em dia, a maior diversão dos brasileiros: a televisão !
(Fonte: Nosso Século,Abril Cultural, 1980, Fascículo 52.)
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Para saber sobre a TV em SC e Blumenau acesse:



Texto Jornalista Carlos Braga Mueller
Arquivo de Adalberto Day

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

- ¨ A historieta do TORNA - PÓ ¨

Apresentamos hoje mais uma crônica belíssima, com o renomado Niels Deeke - Memorialista em Blumenau

- UM COLOSSAL E CICLÓPICO ENGENHO QUE, EM 1952, ESCAVOU O SOLO DE BLUMENAU.

A historieta do ¨ TORNA-PÓ ¨ - um trator gigantesco, adquirido em 1952, por Hercílio Deeke para a Prefeitura de Blumenau e que então deslumbrou-nos pela versatilidade das funções desempenhadas.
Transcorria o ano de 1952, quando foi adquirido, pela P.M.B., um enorme trator - com duas lâminas desbastadoras, uma dianteira e outra central, dotado de escarificadores ( Cat Scraper), cilindros compressores - liso e denteado - e, ainda no intermédio da imensa estrutura, possuía a caçamba transportadora para cerca de seis metros cúbicos de terra. Movimentava-se sobre descomunais pneus que superavam a estatura de pessoa com 02 metros. O peso do monstrengo era tanto ( Aprox. 40 toneladas) que para trazê-lo, apesar de desmontado em duas partes, do porto de Itajaí à Blumenau, foi necessário escorar diversas pontes da antiga estrada estadual ligando as duas cidades e, mesmo assim, a “Ponte das Canas”, ainda construída em madeira e que situava-se no limite entre Gaspar e Ilhota, foi irremediavelmente avariada e logo substituída, quando as despesas correram por conta da Prefeitura de Blumenau. Naquela época Ilhota ainda era distrito de Itajaí e então o Prefeito de Itajaí – Sr. Paulo Bauer precisou deslocar-se diversas vezes até os locais das avarias para acertar em conjunto com Hercílio Deeke os consertos necessários, pois o Estado eximiu-se de custear os reparos, cuja responsabilidade certamente cabia à Prefeitura de Blumenau. Sua marca era “LE TOURNEAU”, fabricado pela Caterpillar, e modelos simplificados são utilizados atualmente na construção das grandes rodovias –os chamados tratores transportadores com emblema “Euclid”. (Euclid Road Machinery Co.). O modelo importado pela P.M,B. (zero km) era denominado “ Tourneau-Pull ”, fabricado pela Caterpillar, também grafado ¨Tournapull¨ (Pull = de arrasto), denominação que continha expressão mista franco-anglicana e a qual os operários da PMB, transliterando a pronúncia do exótico termo, chamavam de “ TORNA-PÓ ”, em razão de não conseguirem articular aqueles vocábulos exóticos.
Observe-se que naquela época todo e qualquer serviço de Oficina, manutenção, consertos e reparos, dos veículos e máquinas da P.M.B. eram executados pelos mecânicos funcionários da prefeitura e no próprio recinto desta, em oficina adrede localizada nos fundos do Paço Municipal.
Foto de um ¨ Torneau-Pull¨, idêntico ao que, em 1952, foi adquirido pela Prefeitura de Blumenau.

Posta em ação, rapidamente a potente máquina ¨Torna-Pó¨, demoliu o restante do antigo Morro dos Padres – secção leste - que era constituído de sedimento metamórfico, muito mais consistente que o barro, entretanto quebradiço e assemelhado à chamota – malgrado serem necessárias pequenas explosões em certos aglomerados de rocha mais sólida, de cor vermelho-roxa. É da mesma formação a rocha arenito-metamórfica encontrada no morro da Boa Vista - Morro da Banana, e defronte deste, na margem esquerda do Itajaí Açu, na antiga e verdadeira Fortaleza, conquanto a taipa, dita paredão da Fortaleza, junto ao rio Itajaí Açu, já não mais exista, e cujo material igualmente foi removido pela referida máquina - enfim trata-se da nossa conhecida pedra arenito de cor roxa, tendo o material da remoção do Morro dos Padres, servido para aterrar a grande depressão do terreno atrás do Teatro Carlos Gomes, onde atualmente encontra-se edificado o prédio que abriga a agência da Caixa Econômica Federal. Contudo todo o aterro foi insuficiente para elevar os níveis do grotão à alturas maiores, permanecendo, o solo, em níveis com cerca de quatro metros abaixo da rua 07 de Setembro, scilicet o subsolo da “Casa Royal”, que ainda atualmente é bastante profundo, apesar do volume de o aterro que recebeu. Os terrenos que serviram para abrigar o “Parque de Diversões” construído especialmente para os festejos do “Centenário de Blumenau”, foram, então, definitivamente aterrados, bem como parte da depressão da lavoura dos padres, no exato lugar onde hoje encontra-se edificado o Shopping NeuMarkt e ainda procedido o alargamento das ruas adjacentes. O trator, cerca de dois anos após a conclusão da remoção do morro até o ponto em que atualmente se encontra escavado e de ter alargado ruas na “Fortaleza” e Itoupava Norte, com destaque ao aterro e construção da galeria na foz do ribeirão da Toca da Onça na atual rua das Missões, bem como do leito desta, e do “Morro da Maternidade”, foi vendido em razão da absoluta impraticabilidade de seu emprego na continuidade dos serviços locais, cujas peças de reposição, por não haverem disponíveis no país, precisavam ser buscadas, pessoalmente por funcionário da PMB, no Uruguai, além de, no município, só haver um único tratorista capaz de manobrá-lo, e nos lembramos de sua pessoa que residia no alto da rua Floriano Peixoto, junto ao Colégio Pedro II. A máquina consta nos relatórios administrativos de Hercílio Deeke, ano 1952 pag. 18 como “Tournapoulll” modelo D. Roadmaster , adquirido em 1952 por Cr$ 521.000,00 e sem dúvida, naquele época, foi um “gigante na abertura das estradas de Blumenau”, além de ter sido, então, o maior dos complexos buldôzeres utilizados na abertura das estradas em Santa Catarina, razão porque é estranhável que administrações municipais bem mais recentes, numa época de tamanha tecnologia, não tenham se interessado na aquisição de tais rasgadores de estradas para resolver, de vez, a questão da ligação Velha Grande-Garcia, através do ribeirão Cego e da tão almejada ligação Terceira Vargem-Schmidt-Rússia com Botuverá , Guabiruba e Brusque, além da ligação Encano-Garcia, via ribeirão Caeté, no sopé do Spitzkopf. Dessarte até 1949, quando foi, a título precário, escavado o Morro dos Padres possibilitando o trafego pesado, os moradores da rua 15 de Novembro e seus confrontantes penaram pela convivência, principalmente desde o fim da Grande Guerra, com as nuvens de poeira, o barulho e o perigo que para as crianças representavam aqueles enormes e compridos transportes, ditos reboques, trazendo, da serra, madeira para exportação em Itajaí. A maioria, dos caminhões, trazia encravada na dianteira, a marcas GMC - diversos modelos, inclusive com o famoso motor marítimo; além dos potentes Mack, modelos Diamond e outros. Destes últimos da marca Mack, havia diversas unidades bem cuidadas que pertenciam à Cia. Fábrica de Papel Itajaí, e que em virtude de trazerem fixada no capô a insígnia de um Buldogue, dizia-se que precisariam parar à cada poste que pela estrada aparecesse, pois o cachorro que portavam como emblema assim exigia para satisfazer suas necessidades de desbeber.

O Super Trator da PMB - o monstrengo para a época - Le Tourneau Pull  Caterpillar, - operando, por volta de 1952/53, na Rua Itajaí. O trator possuía outros equipamentos acopláveis que não constam da foto, como os escarifadores de solo e rolos compressores de compactação. (foto enviada por Wieland Luckfeld.
 
O tratorista do ¨Torna-Pó¨,cujo nome nos escapa à memória, era muito relacionado ao funcionário da Prefeitura Sr. Alcides Corrêa da Costa, originário do nordeste do país ( tinha um sotaque algo carregado e que exercia cargo de fiscalização de obras da PMB- utilizando em 1952 uma motocicleta marca “Puch” - Fiscal da DOP - cargo classe “M”- aposentado pelo decreto de 21 de setembro de 1964- por ter completado 25 anos de serviço na PMB- e por participado nas operações da 2a. Grande Guerra na Força Expedicionária Brasileira) . Junto com o Sr. Alcides, e com toda sua família- esposa, filhos e filhas, parentes deste e o referido tratorista do “Torna-Pó”, enfim umas doze pessoas, segui – eu Niels Deeke - no ano de 1952, em caminhão coberto de lona, transportando uma bateira e redes de pesca para acampar nos matos da última lagoa da Praia Brava, em Itajaí. Não era propriamente uma lagoa, mas o estuário na foz do riacho Araribá que fazia divisa entre o antigo município de Camboriú e o de Itajaí. Lá ficamos desde a noite de uma sexta-feira até domingo a tarde, pescando com redes de espera as tainhotas escondidas nos profundos solapões da margem do riacho. Era preciso espantá-las daqueles socavões e nos arriscávamos nadando e batendo a água depois de armadas as redes desde o fundo do rio, até o alto sobre a água - na atmosfera - aonde as erguíamos com varas de bambu, pois as tainhas eram apanhadas “no ar” , caiam nas redes frouxas ao vento, quando saltavam do rio acossadas e foi mesmo possível acertá-las em pleno vôo a tiro, quando à guiza de perdigões ou narcejas, foram, abatidas, no pulo, em pleno ar, ao alcançarem cerca de 1,5 metros de altura. Foi certamente um espetáculo digno de ser apreciado, acertá-las com uma chumbeira - calibre 16 cano duplo - entretanto, já no sábado comemos tanta tainha frita preparada pelas mulheres, condição que acabou por provocar-nos indolência e preguiça. Soubéssemos, então, que justo naquele ponto no qual atiçávamos as tainhas, havia, pelo menos um, enorme jacaré que, após passados poucos anos, assistimos, pessoalmente, matar, não nos atreveríamos em adentrar aqueles solapões para espantar as tainhas. Reporto este episódio porque, enquanto refestelados nas redes de dormir, imaginávamos como seria produtiva a pesca acaso conseguíssemos esgotar toda a água da lagoa, rasgando um sulco de vazão para o mar fronteiro, e nisso o tratorista do ¨ Torna-Pó ¨, colega naquela pescaria, brincando dizia : ¨ é tudo muito fácil, é só Niels conseguir autorização do pai para trazermos o ¨Torná-Pó ¨ que em menos de duas horas faço o canal e vocês poderão apanhá-las no seco e então comer tainhas o ano inteiro ¨. Ora, pois sim !
Foto: Caterpillar Motor Scraper, modelo idêntico ao que, nos anos 1952/53, rasgou as estradas em Blumenau
O trator “LeTorneaupoull - Roadmaster”, - Torna-Pó - foi vendido, em 1953, pela PMB, à empresa “ETUC” ( após Entuco), empresa de engenharia e empreiteira da qual era engº o Sr. Wilson Gonçalves, do Rio de Janeiro, pelos mesmos Cr$ 521.000,00 gastos na sua aquisição. (Y)
Y VENDA DA MÁQUINA TOURNEAUPOUL - ROADMASTER Vide Relatório Neg. Adm. Pref. Hercílio Deeke ano 1953 p. 21 .

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Niels Deeke Memorialista em Blumenau SC - arquivo Niels Deeke/Adalberto Day

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

- E.B.M. Patrícia H. Finardi Pegorim

E.B.M. PATRICIA HELENA FINARDI PEGORIM
Uma bela escola, que recebeu o nome de uma Professora Especial.
Endereço: LUIZ KRUTSCH, 474 - Fortaleza
Blumenau, SC - 89058080
Fundada em 04 de agosto de 1997
História de nosso cotidiano
Por Adalberto Day
Tive a oportunidade de trabalhar na Escola E.B.M. Pedro II no Progresso-Canto do Rio, com a professora Patrícia. Eu como professor ela como Supervisora Pedagógica. Patrícia era por demais querida entre os alunos e professores. Pude acompanhar seus últimos momentos de sua bela trajetória como educadora , sua simplicidade e educação no trato com os alunos e professores.
Certa vez no final do ano de 1993, Patrícia me convidou para que lhe acompanhasse em seu automóvel e deixar-me próximo a nossa residência, pois por ali ela fazia o seu trajeto. Uma única vez aceitei e ela pelo caminho apenas queria agradecer pela educação e presteza que lhe atendia quando adentrava as salas para supervisão pedagógica.
- Eu perguntei o porquê, e agradeci a gentileza. Ela me relatou que eu era diferenciado. Estranhei, pois sua simplicidade, sua delicadeza, sua educação e postura, nada tinha a desabonar seu trabalho. Mas fiquei feliz.
Quando estávamos quase chegando próximo onde moro, ela parou para eu descer.
Um pouco antes quase em frente ao cemitério no Progresso, frente a antiga Lojas Soraya, - Paulo Schimitt, percebi que um caminhão carregado com vidros "pesados", estavam colocados só de um lado e certamente ao fazer a curva, penderiam para o outro lado e poderia tombar. Foi o que ocorreu .Disse a ela: "Patrícia aquele caminhão vai virar após a curva" ela olhou ficou visivelmente assustada. O fato ocorreu o caminhão tombou. Disse a ela : segue teu caminho que vou ajudar no que for possível. Rapidamente saltei do carro, me dirigi ao veículo tombado e ajudei os dois ocupantes a sair do caminhão. Perguntei : estão bem?...responderam que sim, tem mais gente além de vocês?,... não, responderam eles. Foi um susto danado a que essa professora e eu nos submetemos. Mas o pior estava por vir. Alguns dias após , seu automóvel estacionado no pátio da escola, incendiou-se e as chamas destroem o carro completamente. Ela estava em suas funções quando viu o ocorrido, aquele fogo tomando conta do carro, novamente um grande susto.
Poucos meses após a Professora Patrícia sente-se mal é internada, com problemas de saúde. Ficou em tratamento em grandes centros clínicos por mais de um ano, se não me falha a memória. Chegou a ter uma pequena melhora, mas acabou falecendo. Sofreu muito e nós professores acompanhamos todo seu drama sem nada ou pouco poder ajudar.
Conto essa triste história para em seguida mostrar o que escrevemos em nosso jornal da E.B.M. Pedro II o Pindorama. Também para conhecimento do educandário que empresta seu nome saber quem foi essa valorosa professora. Me incluo neste acontecimento pois neste período , sofri com a morte de meu pai Nicolao Day.
- Homenagem especial -
Edição do Jornal o Pindorama em maio de 1996.
É com eternas saudade que lembramos da nossa querida supervisora, professora, funcionária, amiga PATRICIA HELENA FINARDI PEGORIM, que Deus chamou desta vida para á eternidade no dia 05/05/96, com a idade de 31 anos, 8 meses e 9 dias.
Patrícia ingressou na família “Pedro II” em 1990. Desde então, vinha desempenhando um brilhante trabalho em nossa escola e comunidade.
Jamais esquecemos de seu sorriso, seu olhar, sua meiguice, suas palavras. Para seus amigos de trabalho ela sempre tinha uma palavra certa no momento certo. E sua alegria pela vida e em favor de nossas crianças era contagiante.
Para nossos alunos a “Tia patrícia”, assim chamada pelos menores, era a doce amiga que sempre estava disposta a ajudá-los.
Em abril de 1994 se afastou do trabalho que realizava com tanto amor,por motivo de doença.
A partir daí, carregava seu pesado fardo sem nunca reclamar. Encorajava e fortalecia com suas palavras de fé e esperança a todos que compartilhavam sua dor.
Pensando nela, queremos deixar uma mensagem especial.
Patrícia! Você nasceu para tornar os outros felizes. Você é uma heroína, vencedora de todas as batalhas diárias que buscou, através do carinho e do amor, transformar sua vida num verdadeiro paraíso.
Sem duvida, você se foi, mas nos deixa um grande a ser seguido. Exemplo de coragem, perseverança, fé, esperança e de muito amor.
E como consolo e, na certeza de nos reencontrarmos, queremos nos lembrar das palavras da Sagrada escritura que nos diz:
“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Salmo 23.1
“Sê fie até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Apocalipse 2.10
“De nós tem se lembrado o Senhor, e ele nos abençoará”. Salmo 115.12
Com eternas saudades.
Dos amigos da E.B.M.Pedro II
Supervisora Lilian Bewiahn Schwabe
Diretora: Mariana Heiden/Edilamar Simão.
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Nesta mesma edição:
Um professor injustiçado
Por: João Batista de Oliveira
Vigia da E.B.M. Pedro II, mais conhecido como Senhor Cordeiro.
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Conheci um professor surdo-mudo, que lecionava numa escola de uma cidadezinha, nos rincões do Estado de Minas Gerais. Ele dava aulas de Historia e Geografia.
Sua fama corria mundo, até que chegou ao conhecimento do Governador. Este surpreso, mandou chamá-lo ao Palácio.
O surdo-mudo, também surpreso, comparece. O governador, então mostrou lhe a redação de três decretos que seriam enviados á Assembléia Legislativa para votação. O surdo-mudo como não podia falar, pediu uma folha de papel, onde escreveu sua resposta. Mostrou ao governador, apontando cinco erros de Português.
- Como? Disse o Governador. Mas, lembrou-se que o surdo-mudo não ouvia nada. Então escreveu um bilhete e o entregou.
Dizia o bilhete: Como? Você é professor de historia e Geografia. Não me consta que você é também professor de Língua Portuguesa.
O professor surdo-mudo escreveu outro bilhete explicando que suas aulas eram dadas por escrito e não oralmente.
O Governador, na dúvida, chamou o Reitor da universidade, que por sinal era o autor da redação.
Surpreso, o reitor leu por diversas vezes os tais decretos e pediu ao surdo-mudo para que lhes apontasse os cinco erros. O professor, novamente escreveu outro bilhete, apontando não os cinco erros, mas desta vez, seis erros de Português.
O Governador, olhou para o reitor com ar de desprezo e o Reitor furioso gritou:
- Não é possível! Um surdo-mudo do interior entender tanto da língua portuguesa, quanto Camões.
Não pode ser.
Estou contando essa historia, para que a pericia médica de Blumenau avalie a capacidade intelectual do professor Adalberto Day.
Ele foi aprovado em concurso Público, porem não foi aprovado pela pericia para exercer a função de professor, por um motivo que o destino legou-lhe: os olhos.
Adalberto Day tem problemas na vistas, mas isto não tira-lhe a visão de educador. Seus conhecimentos na área de historia são, sem duvida, incomparáveis. Alem disso, nosso professor mantém um ótimo relacionamento com todos, desde as criancinhas do Pré até os alunos da 8ª série.
Em Historia, ele tem uma visão fantástica. É capaz de explicar a qualquer estudante de Historia ou a quem interessar, porque Pedro Álvares Cabral e o Presidente João Goulart, “mancavam das pernas esquerdas”. Com sua visão, é capaz de enxergar uma formiguinha preta no lombo de um elefante preto.
Mesmo assim, com todo seu conhecimento e valor, não lhe permitiram continuar exercendo sua profissão.
Isto, mais uma vez, prova os caprichos e injustiças da sociedade.
Avante Adalberto Day,porque o homem não precisa de sociedade. É ela que precisa do Homem.
João Batista de oliveira/Vigia da E.B.M. Pedro II - Maio de 1996
Arquivo Adalberto Day

terça-feira, 21 de setembro de 2010

- No tempo em que faltava carne

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica sobre o "Plano Cruzado" 28.01.1986 a 15.01.1989, decreto de 22.02.1986, em seguida "Cruzado Novo".
Foto : "Calendário de Blumenau 1988".
Em Blumenau como todo território nacional o entusiasmo tomou conta da população. Até os mais céticos acreditaram, mas o sonho a esperança do povo começou rapidamente a ruir e os "Zeros" voltaram. 
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Por Urda A. Klueger
Quem é jovem, não deve se lembrar, se bem faltou leite, também, e muita gente teve a mamadeira em perigo. Então, para os mais jovens, eu explico :
Em 1986, tivemos no Brasil uma coisa que se chamou Plano Cruzado. Foi uma coisa estupenda: com uma penada, o governo acabou com a inflação, tirou três zeros da nossa moeda e mudou o nome dela. Só isso não foi estupendo: estupenda foi a reação do nosso povo, que acreditou que seus problemas tinham terminado, e embarcou de cabeça no sonho de que "ia dar certo". Como milhões e milhões de outros brasileiros, eu também acreditei, e fiquei fula da vida quando ouvi a única voz que se levantou contra o plano: com horário político reservado para aqueles primeiros dias, o Leonel Brizola deitou e rolou em cima do entusiasmo do brasileiro, afirmando que inflação não se acaba por decreto, que o plano era furado e tinha vida curta. Fiquei cheia de rancor para com o Brizola, advogado do diabo dos nossos mais caros sonhos e, rapidinho, passei a admirá-lo, quando plano escorreu pelo ralo e nós embarcamos numa ciranda financeira que chegou a gerar 84,32% (Março de 1990) de inflação em um só mês.
Pois bem, mas a estupenda reação do nosso povo a favor do plano fez coisas dignas de nota: não dá para esquecer como pessoas comuns se sentiam indignadas a ponto de fechar supermercados, em nome do povo brasileiro, e outras coisas assim, como denunciar pequenos negociantes porque haviam subido o preço de alguma quinquilharia, indo um monte de gente parar na cadeia, levados pela deusa da época, uma tal de SUNAB.
O plano tinha sido em fevereiro: resistiu até a metade do ano. Lá por agosto, setembro, começaram a faltar coisas: carne, feijão, arroz, leite. O que mais doía na alma do brasileiro era a falta de carne - frango havia à vontade, e peixe também, mas carne, para o brasileiro, é a de gado, e aqueles sucedâneos não contavam. Eu era daquelas que acreditavam que, se todos nos uníssemos, o plano acabaria dando certo. Assim, quando a carne faltou (conseguia-se carne com ágio, secretamente), decidi que não me rebaixaria a pagar ágio, e que tudo faria para o sucesso do plano. Assim, se não havia carne, eu comeria sardinha - e durante semanas, fiz incontáveis tortas picantes, lindas, bem decoradas, recheadas com sardinha de lata, e me alimentei de torta picante até não poder mais nem olhar para uma.
E o plano foi para o brejo, bem como Brizola havia falado. Houve outras coisas estupendas antes que nos déssemos por vencidos, como a SUNAB, de helicóptero, reunindo no campo, gado que os donos se negavam a vender, tudo devidamente filmado e assistido no Jornal Nacional, e importação de carne da Europa, que chegou aqui com fama de ser carne contaminada pelo recente desastre nuclear de Chernobyl, carne que os europeus não queriam, coisa boa só para gente de Terceiro Mundo. Apesar da fama de contaminada, tal carne européia causou toda uma disputa: políticos de esquerda do Vale do Itajaí foram ao porto, exigir que a carne ficasse no Vale, e não fosse enviada para Curitiba, segundo constava que seria. Houve pega entre a polícia e os políticos, e eles foram em cana lá em Itajaí, bem como as coisas eram num país que recém saíra de uma ditadura e ainda não sabia como agir. Outro dia ouvi uma conversa de que tal carne, vinte e quatro anos depois, ainda está estocada em algum frigorífico, para que se decida se está ou não contaminada pelo desastre de Chernobyl. Nossos políticos de esquerda, porém, tiveram que amargar a cana e responder a processos pela sua defesa do Vale, coisa que também considerei estupenda, por eles terem tido a coragem de dar a cara para bater em defesa do que acreditavam.
Na festa de fim de ano do meu emprego, naquele ano, havia toda uma fartura de coisas: camarão, pernil, peixe, frango, mas estávamos todos tão obcecados com a falta de carne, que quando o garçom apareceu com uma grande travessa de carne de gado e deu um pedacinho para cada um, só um pedacinho, para que não faltasse para ninguém, houve uma ovação no salão, e o camarão, e o pernil, e tudo o mais, deixaram de ter importância. Só que aí eu já não estava achando a coisa estupenda - já houvera incidentes demais por causa do plano, e eu passara a dar razão a Brizola, de que inflação a gente não acaba por decreto.
Mas que foi um tempo divertido, foi. Há tantas histórias engraçadas devido à falta de carne, que daria para escrever um livro!

Arquivo: Adalberto Day/crônica de Urda Alice Klueger-escritora/Colaboração José Geraldo Reis Pfau

domingo, 19 de setembro de 2010

- Fogo na Curva do Cemitério

O fogo que teve inicio por volta das 11:30 horas deste domingo 19/setembro/2010, foi controlado até as 12:30 horas, graças as ações rápidas de nossa valorosa corporação de bombeiros e voluntários.
Moramos bem em frente ao acontecimento, onde em Nov/2008 já presenciamos toda aquela queda gigantesca de barreiras.
Caso as ações não fossem rápidas, haveria um sério risco de incêndio com grandes proporções, devido a enorme mata no local. Poderiam ser atingidas torres de alta tensão.
Causas: claro devido a estiagem, porém alguém teria provocado. Sabemos que para a contenção das quedas de barreiras na curva do cemitério, foram cortadas várias árvores e vegetação que ali ficaram e secaram. Além disso foram construídas, duas calhas de concreto com escadas, para que as águas decorrentes das chuvas se dividam através de canaletas, para evitar os desbarrancamentos. Outra coisa que nos preocupa, é que se de um lado há o benefício, de outro causa transtorno pois indivíduos com intenções as margens da sociedade, sobem por essas escadarias, e com um simples acender de um "cigarro" pode ocasionar danos incontroláveis.
Imediatamente ligamos para o 193 - Bombeiros, que tomaram as devidas providencias. Nossos agradecimentos a esses valorosos cidadãos
Felizmente não passou de um grande susto.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

- Almanaque Bela Vida Edição Nº 2



Mais uma participação na Revista Almanaque Bela Vida - bairros Garcia e Glória
A Revista como sempre trás belas reportagens e destaques de nossa comunidade.


Nesta edição de Agosto/setembro/2010, Garcia-Glória - página 06 e 7, em curiosidades Falamos sobre a Rua da Glória e a Rua Amazonas no Grande Garcia - Distrito do Garcia.

Almanaque Bela Vida
Bela Curiosidade
Bairro Glória:
O Bairro Glória foi oficialmente criado através da lei nº 03 , de 04 de fevereiro de 1938, pelo prefeito José Ferreira da Silva. O Bairro foi oficializado pelo prefeito Frederico Guilherme Busch Jr. através da Lei nº 717, de 28 de abril de 1956. O nome foi colocado em homenagem a um antigo clube musical chamado Glória que existia desde 1920.
Antes era conhecido como Specktiefe (palavra de origem alemã que quer dizer caminho lamacento ou gorduroso. - speck significa toicinho, e tiefe, profundidade). O nome Specktiefe porque desde o início da Rua da Glporia até próximo ao atual CSU - Centro Social Urbano, existiam pés de eucaliptos dos dois lados da rua,mantendo este espaço sempre sombrio,e, consequentemente, muito lamacento. O então diretor da Empresa Industrial Garcia, João Medeiros Jr., mandou colocar barro vermelho, e esta mistura fez o lamaçal ficar com cor de toicinho.
Rua Amazonas:
A Rua Amazonas ganhou esta nomenclatura porque na época era comum batizar Ruas com nome de Estado. Antes era conhecida com o nome de Terras Die Kolonie "A colônia" . A Rua Amazonas recebeu essa denominação através da Lei nº 124, de 16 de abril de 1919.Foi uma das primeiras Ruas de Blumenau a receber camada asfáltica. A então pacata via pública hoje se constitui em uma das mais importantes da cidade. a foto acima do ano de 1960, mostra o final da Rua Amazonas, na altura do número 4906 .
Atualmente este trecho faz parte da empresa Coteminas.O novo traçado da rua passa ao lado da empresa desde 1977.
Almanaque Bela Vida Agosto/setembro/2010 - ano 1 - nº 2
Editora Bela Vida
Diretor: Edson Peres Gonçalves
Coordenação Geral: Lilian Peres Gonçalves
Revisão de texto: Madalena Parisi Duarte
Foto: arquivo de Dalva e Adalberto Day/Colaboração Ângela Maria de Oliveira.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

- O “ Ato ATENTATÓRIO ”

Apresentamos hoje revelações históricas  , com o renomado Niels Deeke - Memorialista em Blumenau – SC. O valor desta contribuição é de fundamentação histórica inigualável para nossa cidade. Que nossos leitores compreendam o texto extenso e façam uma boa leitura.
___________________

Por Niels Deeke

O “ ATO ATENTATÓRIO ” exercido pelo Governo do Estado de Santa Catarina pretendendo coarctar a autoridade do Prefeito Municipal de Blumenau e seus poderes constitucionais. Ocorrência havida no ano de 1961.
Extrato sinóptico extraído da obra inédita ¨Palavras aos Blumenauenses¨ - autoria de Niels Deeke.
Adiante consigno o relato de um lamentável episódio contencioso ocorrido entre o Governo do Estado de Santa Catarina e o Governo Municipal de Blumenau, que, por sua inusitada extravagância, foi posto à margem da ¨História¨ de nossa comunidade.
A informação que a seguir enuncio encontra-se, por vezes e aparentemente, eivada de termos acrimoniosos que poderão suscitar interpretação de que ainda persistam ressentimentos e que as críticas tecidas na presente revelação sejam uma forma dissimulada de revanchismo aos protagonistas do nefasto episódio. Absolutamente não é o caso, porquanto atenho-me a divulgar verdades cristalinas e principalmente em razão de eu não dever favores à vivalma, senão respeito e reconhecimento aos probos e valorosos cidadãos deste meu torrão natal. Como nisto sinto-me à vontade, não me furtando a proceder um relato veraz, consignando os fatos mediante palavras com que, à época, foram apreciados os acontecimentos, vez que assisti – se bem que de camarote - o desenrolar da questão, e dess’arte não poderia deixar de fazê-lo de forma fidedigna, sob pena de reduzir-me à condição de súcubo – temeroso e melindrado - seja perante potestades governamentais, políticas, econômicas ou sociais. Portanto se identificadas forem aleivosias, estas não serão de minha responsabilidade, devendo serem debitadas aos seus formuladores – os autores ativos do incidente.

O Relato :
- Tão logo Hercílio Deeke assumiu, em 31/01/1961, o seu segundo mandato de Prefeito Municipal de Blumenau, lançou-se à tarefa de reconstruir, remodelando internamente, o prédio da PMB que fora sinistrado há então passados 15 meses, durante a administração municipal do laborioso prefeito Frederico Guilherme Busch jr. Era sua intenção executar a reconstrução preservando, integralmente, as características arquitetônicas que a obra apresentava anteriormente ao incêndio. Objetivando a feitura de projetos e plantas para a complicada reforma, era imprescindível evacuar as diversas repartições de outros poderes e mesmo particulares que então encontravam-se instaladas no edifício. A problemática era de tamanha envergadura que, atualmente ( 1999) passados mais de “quarenta” anos, a situação continua pendente de solução, se bem que Hercílio Deeke tenha, a titulo precário, reformado parcialmente a “ala” sinistrada. As dificuldades iniciaram logo nos primeiros dias de fevereiro de 1961, quando não foi possível encontrar qualquer planta arquitetônica relativa a reforma e construção efetuada em 1939/40, período em que o Prefeito José Ferreira da Silva, através projeto elaborado Governo Estadual, administrou a edificação contemporânea, obra que foi assentada sobre o antigo prédio existente antes mesmo de 1884 e que conservou grande parte das paredes antigas. Como o Governo Estadual instalado, igualmente, em 31/01/1961 fosse representado por partido de oposição ao do Prefeito Hercílio Deeke, e não demonstrasse qualquer desejo na reconstrução, aliás, na oportunidade, a remodelação do prédio do PMB contrariava os interesses do Governo Estadual como adiante ficará provado, pois oneraria o Estado com aluguéis para instalar suas repartições em locais diversos, tudo motivando situações constrangedoras, até mesmo em procurar-se obter a planta original ou cópias que houvessem na Capital, junto às repartições competentes, e veja-se que à época de 1939/40, lá deveriam ter sido arquivadas no antigo “Departamento das Municipalidades do Governo Estadual”- cujo acervo havia sido transferido para o Departamento Estadual de Geografia e Estatística. Certamente, cumprindo ordem do governo do Estado, fizeram desaparecerem as respectivas plantas arquitetônicas, projeções e afins.. E para glorificar a “Sanha” e o “Ódio” que lhe tinham os seus adversários, viu-se Hercílio Deeke sujeito a suportar, por parte do Governo Estadual, durante semanas o “Policiamento Ostensivo” do Prédio da Prefeitura Municipal – veleidades que desanimariam qualquer burgomestre em dar continuidade as projeções de reconstrução ou mesmo iniciar entendimento com a nefasta oposição política - mormente a local.
O primeiro passo portanto seria a desocupação total da “ala” sinistrada, medida que tornava-se imprescindível à feitura de projeto de reforma-reconstrução- remodelação.
Entretanto a oposição política – (próceres do então PSD) - somente para contrariar- desenfreadamente lançou-se à voraz campanha difamatória “Contra a Reconstrução” e cabe exclusivamente às pessoas adiante identificadas a paralisação da “Reposição Arquitetônica” nos moldes existentes antes de 08/11/1958 (Sábado)
Eram os seguintes os documentos legais de Propriedade da PMB :
PRÉDIO e TERRENO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BLUMENAU : Em conformidade com a Escritura Pública de Doação do Imóvel – lavrada no 1º Tabelião de Notas do Município de Blumenau, no Livro nº 107- fls. 91-92, na data de 01.9.1920, devidamente registrada no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Blumenau, no livro 3-B- fls.221 sob nº 13.327, escritura na qual constou a obrigação da Prefeitura Municipal “Manter no Edifício Doado Gratuitamente, e Sem Nenhum Outro Ônus para o Estado, o “Fórum”- a “Coletoria Estadual” e a “Agência de Terras” ( observe-se que indicaram exclusivamente estas três repartições- entretanto diversas outras lá forem acomodando-se no decorrer dos tempos). O início da construção do prédio da antiga Prefeitura de Blumenau, ocorreu em 1874, e sua conclusão aconteceu em 1876, mediante projeção de reforma de parte da residência do Dr. Blumenau. Foi obra edificada sob a responsabilidade do Engº Heinrich Krohberger. Reformas posteriores foram executadas em 1918/19 e 1938/39. O Prédio foi parcialmente destruído pelo incêndio da noite de 08/11/1958, um sábado. Durante a gestão administrativa municipal do Superintendente Paulo Zimmermann foi procedida uma reforma do antigo prédio. Em 1939, com recursos do governo estadual, o Prefeito José Ferreira da Silva, efetuou reformas substanciais no antigo, dando-lhe a feição que apresentava em 08/11/1958.

Exposição dos sucedimentos :
Logo no início de sua segunda gestão, mais precisamente no primeiro mês de seu novo mandato, a frente do executivo municipal, o prefeito Hercílio Deeke (foto), defrontou-se, em 1961, com uma administração partidariamente oponente no Governo do Estado e com a maioria da Câmara de Vereadores contrária à sua orientação político-partidária, criando-lhe estes, principalmente durante os dois primeiros anos do qüinqüênio toda sorte de entraves e problemas dos quais decorreram graves conseqüências para o município. Cabem-lhes o ônus de terem “travado”, durante dois anos, maior deslanche no progresso do município - eram tais as palavras que Hercílio Deeke, melancolicamente, repetiria no decorrer das muitas entrevistas que concedeu a seus familiares. Para que se tenha uma idéia da sanha contestatória da oposição que lhe contrariava qualquer decisão por mais acertada e meritória que fosse, recorde-se que um prócer oposicionista intentou até seu “impedimento” (Impeachment), em razão do prefeito, suasória e amigavelmente, ter convidado os “ocupantes ” da prédio da Prefeitura Municipal - Repartições Públicas Estaduais, Notários Públicos, como a – Seção de Fiscalização de Armas e Munições, Agência de Terras e Colonização, Gabinete do Instituto de Identificação, a procurarem outros locais para se estabelecerem, já que o prédio da prefeitura estava necessitando de reforma para sanar os danos do incêndio 08/11/1958, pois desde então nada tinha sido restabelecido. Ousaram e puseram até mesmo por em prática uma medida radical, fazendo o “Cerco da Prefeitura Municipal pela Força Pública do Estado” com ¨¨Pelotão¨ ( termo coevo) de cerca de 20 praças fardados e armados com fuzis aos ombros– um efetivo considerável para a época - especialmente alocados da Capital, dispostos em locais estratégicos, dentro do recinto da prefeitura e as imediações do Paço Municipal –quando antes na Delegacia de Polícia em toda Blumenau, não havia mais que somente três praças - portanto uma extremada insolência que foi realmente exercitada contra a Prefeitura e o Prefeito, os quais sofreram, assim, o denominado “Ato Atentatório”. O paço Municipal, permaneceu ostensivamente vigiado - termo com que tentavam justificar a ¨Ação de Força ou de Desforço¨, conquanto fosse mais que mero eufemismo, cujo real e ululante sentido era intimidar a pessoa do prefeito, a fim de que sujeito à humilhante condição de cercado ou sitiado – resignasse do mandato de prefeito. A esdrúxula circunstância perdurou por mais de duas semanas - procedimento que evidenciava, cabalmente, a “coarctação dos poderes do Prefeito Municipal”- configurando uma perfeita condição de “Estado de Sítio” promovido pelo Estado Federado de Santa Catarina sobre o Município de Blumenau. Na ocasião o Estado, através de seu Secretário da Segurança Pública- Dr. Jade Magalhães, tentou justificar-se, alegando – pura dissimulação em pretexto – que estaria somente “guarnecendo o Instituto de Identificação do Estado com os necessários Soldados da Força Pública”. Contudo não competia, absolutamente, a Prefeitura Municipal manter, em suas instalações prediais, as repartições de outros poderes ou instituições, entretanto o caso provocou mordazes ataques, infundados, da oposição que somente para contrariar, prejudicando a municipalidade, pretendia que repartições não municipais permanecessem instaladas no já exíguo espaço do sinistrado prédio sede da Prefeitura (Praça Hercílio Luz).
Imagine-se a barafunda, além da pândega, que continha aquela sinistrada edificação, abrigando em fevereiro de 1961, além das repartições municipais, também as de outros poderes, como Coletoria Estadual sendo então coletor Ricardo Schwanke; Inspetoria da Fiscalização da Fazenda do Estado; Inspetoria de Terras e Colonização do Estado, sendo então chefe o Sr. Gil Fausto de Souza; Serviço de Fiscalização de Armas e Munições do Estado; Gabinete do Instituto Médico Legal e Identificação- seções então vinculadas à Delegacia Regional de Polícia – sendo Delegado Regional o Dr. Zech dos Santos; Repartições Federais, Cartórios e tabelionatos, Distribuição Tabelionar, e mesmo a Estação Radiotelegráfica - Repartição Estadual a cargo do Sr. Heinz Lindner. E nisso a claque ignara, rastaqüera e rude, se deliciava, empulhando, com questiúnculas de toda sorte, a administração progressista do esforçado prefeito. Enfim era um descalabro pois num caso de tentativa de arrombamento do cofre da Coletoria Federal, responsabilizaram a Prefeitura Municipal de Blumenau por não manter vigia na Repartição “Federal” !!!
Dess’arte malgrado as louváveis intenções, viu-se, o prefeito, atacado por toda sorte de contrariedades, criticas acerbas, veleidades caluniosas tendo como protagonistas opositores políticos como Pedro Zimmermann Romário da Conceição Badia e Victor Manoel Gonçalves- o dito “Piranha”- todos ensandecidos e então despreparados para o exercício de funções públicas, além do adversário vereador Abel Ávila dos Santos- este mais comedido e que era Fiscal da Fazenda do Estado) que, como dito. somente para contrariar, prejudicando a municipalidade, pretendiam que repartições não municipais lá permanecessem instaladas
Alguns de seus nomes deixo de declinar a fim de não me igualar às suas baixarias quanto às veleidades, poderão, entretanto, ser facilmente encontrados nos jornais da época, estando seus nomes praticamente à Clef.

19 Agosto de 1955 Em solenidade no Palácio do Catete-Presidência República. Rio de Janeiro. Distrito Federal, o Deputado Federal Hercílio Deeke, recebe, representando o seu Município, o DIPLOMA de HONRA conferido à BLUMENAU, classificado como Município de MAIOR PROGRESSO no ANO de 1954. O Concurso foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal e pela Revista “O Cruzeiro” . Nas fotos Hercílio Deeke com o Presidente da República Dr. João Café Filho que conferiu e referendando assinou o Diploma.




A “CULPA MÁXIMA ” : conforme sempre declarou Hercílio Deeke, pelo cerceamento de sua intenção e que redundou na inadimplência em reconstruir integralmente o sinistrado Prédio da Prefeitura Municipal, coube quase que exclusivamente aos entraves interpostos pelo então deputado Pedro Zimmermann, cujas conseqüências, resultantes do nefasto e intempestivo procedimento, perpetuaram-se até nossos dias ( até o presente ano 1.999) retratadas na melancólica e soturna aparência que aquela edificação ainda apresenta.
HD: 59
Radiograma expedido por HERCÍLIO DEEKE
Qualificação : Prefeito Municipal de Blumenau
Destinatário : Governador Celso Ramos – Palácio do Governo do Estado de Estado de Santa Catarina – Florianópolis SC
Data : 20/02/1961

Tema : Comunicação do “Ato Atentatório” contra a Prefeitura Municipal de Blumenau
Cópia de telegrama:
Papel Timbrado da Prefeitura Municipal de Blumenau – Radiograma Urgente de 20/02/1961- Governador Celso Ramos- Palácio do Governo- Florianópolis.
“ Regressando rápida viagem dia dezoito tomei conhecimento vg através rádio vg telegrama deputado Pedro Zimmermann que vg sem conhecimento causa vg informa ter Executivo Municipal invadido Repartição Estadual instalada Prefeitura vg Gabinete Identificação vg Comunico V.Excia. tal informação vg precipitada et errônea vg não representa realidade Pt. Este Governo sempre acolheu ditas repartições PT Bem pouco tempo alojou vg em local previamente reconstruído vg Departamento Armas Munições PT Face chuvas torrenciais havidas Blumenau dias l6, 17 e 18 corrente vg que ameaça estragar Livros Públicos de Repartição estabelecida na ala Prefeitura consumida incêndio 1958 pt Este Governo procurando solucionar urgente caso verificou da possibilidade vg precedendo prévio entendimento Delegado Regional et Titular Gabinete Identificação vg de transferir dita Repartição para local contíguo vg no prédio Prefeitura pt Dia 17 este Governo tentou comunicar-se Delegado Regional et Titular Gabinete Identificação vg porém ambos não encontravam-se respectivas Repartições pt Este Governo foi surpreendido falsas alegações feitas que induziram Delegado Polícia “guarnecer” Repartição Instituto de Identificação com Soldados Polícia Militar Estado vg desnecessariamente vg uma vez que não houve arbitrariedade alguma por parte deste Governo pt Pressupõe este Executivo que Delegado Regional foi informado erroneamente Titular Gabinete Identificação em vista deste procurar indispor este Governo virtude providências tomadas contra funcionário municipal parente daquele titular pt Este Executivo pretende demolir ala prefeitura incendiada a fim iniciar urgentemente reconstrução nova construção pt. Daí necessidade acomodar outras Repartições Prefeitura vg presentemente instaladas ala condenada pt Governo anterior havia começado providências sentido localizar todas Repartições Estaduais vg atualmente funcionando Prédio Prefeitura vg em outro local vg tudo intuito facilitar este Governo começo obras urgentes et necessárias vg que jah foi objeto de ofício dirigido Secretários de Estado pt Rogo providências V. Exa. mesmo sentido também medidas fazer cessar policiamento Prefeitura vg por ser “Ato Atentatório” contra Município de Blumenau (1) vg que não fez e não pretende fazer nenhuma medida violenta ou arbitrária contra Repartições Estaduais vg mas vg tão somente vg conciliar interesse estadual et municipal Pt Lamento atitude precipitada Deputado Pedro Zimermann procurando indispor Governo Estadual et Municipal pt Atenciosas Saudações Hercílio Deeke – Prefeito Municipal de Blumenau.”
Φ Idem Ibiem : Copia de Radiograma - Papel Timbrado da Prefeitura Municipal de Blumenau – Radiograma Urgente de 20.02.1961- Dr. Jade Magalhães- Secretário Segurança Pública- Florianópolis
( Texto idêntico ao contido no radiograma ao Governador do Estado.)

Y
Referenciais : HD 59
Radiograma expedido por HERCÍLIO DEEKE
Qualificação : Prefeito Municipal de Blumenau
Destinatário : Governador Celso Ramos – Palácio do Governo do Estado de Estado de Santa Catarina – Florianópolis SC
Data : 20/02/1961
Tema : Comunicação do “Ato Atentatório” contra a Prefeitura Municipal de Blumenau
Documento cópia do Radiograma expedido por Hercílio Deeke. Colecionada por Niels Deeke, integrando o seu Arquivo Particular : Pastas Hercílio Deeke n° 517
Y
Notas ao HD 59 – escólios de Niels Deeke
HD: 60
Radiograma expedido por HERCÍLIO DEEKE
Qualificação : Prefeito Municipal de Blumenau
Destinatário : Governador Celso Ramos – Palácio do Governo do Estado de Estado de Santa Catarina – Florianópolis SC
Data : 22/ 02/ 1961
Tema : Solicitação de Instauração de Inquérito pelo Estado de Santa Catarina
Cópia de Radiograma:
Papel Timbrado da Prefeitura Municipal de Blumenau – Radiograma Urgente de 22/02/1961- Governador Celso Ramos- Palácio do Governo- Florianópolis.
“Em aditamento meu radiograma vinte corrente vg face grande exploração política torno caso surgido radiograma Deputado Pedro Zimmermann vg solicito V. Exa. Instauração competente Inquérito a fim apurar realidade incidente denunciado referido deputado pt. Atenciosas saudações Hercílio Deeke – Prefeito Municipal de Blumenau.” (1)
Y
Referenciais : HD 60
Radiograma expedido por HERCÍLIO DEEKE
Qualificação : Prefeito Municipal de Blumenau
Destinatário : Governador Celso Ramos – Palácio do Governo do Estado de Estado de Santa Catarina – Florianópolis SC
Data : 22. 02. 1961
Tema : Solicitação de Instauração de Inquérito pelo Estado de Santa Catarina
Documento cópia do Radiograma expedido por Hercílio Deeke. Colecionada por Niels Deeke, integrando o seu Arquivo Particular de Hercílio Deeke

Y
Notas ao HD 60 – Escólios de Niels Deeke
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Observe-se ainda que nominaram exclusivamente estas três repartições- entretanto diversas outras lá foram se acomodando no decorrer os tempos) # ( Vide Ofício 655, datado de F’polis,14/3/1961, da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, dirigido ao Prefeito Hercílio Deeke, em resposta ao ofício deste nº 166 de 18/12/1961, assunto : Desocupação pelo Estado das Repartições que utilizava no Prédio, objetivando reconstrução da “ala sinistrada” em 08/11/1958. A resposta do Estado foi “Negativa”- permaneceram instalados e ocupando o prédio).

Niels Deeke Memorialista em Blumenau SC - arquivo Niels Deeke/Edilamar Simão/Adalberto Day

domingo, 12 de setembro de 2010

- Henrique Janning

Henrique Janning: meu padrinho

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica belíssima sobre seu tio padrinho Henrique Janning.
Por Urda Alice Kluger

Ele devia gostar muito de mim. Eu fui conseqüência de uma relação familiar que já parecia antiga, embora tivesse, creio, pouco mais de uma década.
Era plena Segunda Guerra Mundial quando minha mãe, com 17 anos, chegou a Blumenau e foi ocupar uma vaga na então Empresa Industrial Garcia (Foto) e morar na casa do irmão dela, o tio Arnoldo, que eu vi uma única vez na vida, mas do qual guardo a lembrança de um homem moreno e bonito, verdadeiro moçárabe, daqueles lusos do qual nos fala Gilberto Freire . Há uma foto dele a atestar que minha impressão lá da primeira infância não estava equivocada. Agora que minha mãe já partiu, fico pensando que deveria ter perguntado mais, saber hoje mais detalhes do que aconteceu naqueles anos até 1944, quando ela e meu pai se casaram. Sei que por algum tempo ela também “pagou bóia” na casa da D. Madalena Hort, e que, antes de casar, pagava bóia na casa do jovem casal Janning, Henrique e Emília, que já tinha a filhinha Norma.
Tanto quanto me consta, minha mãe saiu da casa dos Janning para casar – Emília era nascida Bacca, família longeva de muitos filhos, e aquela moçada era amiga dos jovens meus futuros pais, que mais tarde, ao longo da minha infância, sempre estavam contando esta ou aquela história divertida vivida em companhia dos Bacca.
Então, aquela amizade com os Janning e com os Bacca começou mais ou menos uma década antes de eu nascer – quando nasci, em 1952, Henique e Emília Janning (foto) foram meus padrinhos.
Que ela gostava de mim está fora de dúvida – convivi com ela pela vida afora por mais de meio século. Quem partiu cedo foi ele, mas quantas lembranças! De outras, claro, não há como me lembrar: como teria sido aquele dia que deve ter sido festivo, quando me levaram à pia batismal e ele apresentou a meus pais a caderneta de poupança que havia aberto para mim no Banco INCO, extinto há décadas, encampado por um dos grandes tubarões do mundo bancário brasileiro? Fizeram churrasco? Assaram galinha? Houve Reicekaesel, macarrão ou maionese, os quitutes daqueles tempos em que eu era criança? Sei é que aquela caderneta de poupança era algo luminoso na minha infância – eu desconhecia qualquer outra criança que tivesse uma, e meus pais estavam sempre falando nela, no grande presente que eu ganhara, reserva certa para eu ir ao banco retirar quando completasse 18 anos.
Grande Hotel e o Banco INCO
Quando eu fiz 18 anos nem o banco existia mais e um monstro chamado Inflação há muito comera aquela caderneta...
Mas havia outras coisas que tinham vindo do meu padrinho e que iluminavam a minha infância: um baldinho com tampa, pintado de azul e com muitos desenhinhos, que um dia viera cheio de balas coloridas e translúcidas. E um ovo de Páscoa de madeira, com duas metades que se encaixavam perfeitamente. Era um ovo grande e oco, que podia ser enchido de guloseimas a cada Páscoa de novo... Eram coisas únicas, tesouros inestimáveis, que minha mãe guardava no armário de vidro da sala, aquele que um dia tinha sido da minha avó lituana, e que hoje está no meu escritório.
E havia as visitas. Lembro o quanto era xucra nesse começo da minha vida, de como temia que os outros percebessem as minhas emoções e os meus sentimentos. Então, quando sabia que os meus padrinhos vinham de visita, escondia-me, evitava olhar para eles, tanta era a expansão afogante que acontecia no meu coração diante de tamanha emoção. Assim era em Blumenau; assim era em Camboriú, no tempo em que a gente morava lá na boca da Lagoa. Lá em Camboriu, inclusive, houve um dia que passou sem que eu entendesse como, tanto me escondi por vergonha da minha emoção com a presença do meu padrinho. Quando começou a anoitecer eu temi como decerto se temia nos tempos bíblicos diante dos mistérios da natureza, pois, nas minhas contas, estava-se no começo do dia, e não no fim. Só saí do meu esconderijo de debaixo da casa quando me garantiram que não era um mistério que estava acontecendo, mas apenas um anoitecer normal, e que meu padrinho já fora embora. Da ocasião, restou-me um bocado de bichos-de-pé adquiridos no esconderijo da minha emoção.
Padrinho, naquela altura, era dindinho, mas poucas vezes usei dindinho ou dindinha para aquela dupla que me queria bem, mesmo depois que cresci mais e deixei de ser tão xucra. Eu os chamava de Henrique e Emília, e até hoje fica difícil, para mim, pensar neles com outra denominação.
Então, quando já era uma mocinha, minha mãe me disse que meu dindinho Henrique estava doente, e eu fui vê-lo. Teria, penso, uns 15 anos, e fui à sua casa na rua Mariana Bronnemann, em Blumenau.
Ele estava alquebrado e muito magro – guardava um leito de alvos lençóis, mas me recebeu com toda a efusão de que era capaz, e lembro dos seus olhos que eram como poços de ternura. Nessa altura, ao invés de xucra, eu estava muito adolescente, sem a maturidade suficiente para ter aproveitado aquele momento. Fiquei algum tempo lá, sem graça, sem saber como agir, enquanto ele me fazia perguntas pejadas daquela ternura que via nos seus olhos cheios de febre.
Não o vi nunca mais. Minha mãe me avisou outras vezes de que ele estava doente, mas eu andava preocupada demais amando aos Beatles e aos Rolling Stones para pensar muito no meu padrinho, e quando soube, ele já tinha morrido.
Guardo dele essas coisas, os olhos cheios de ternura, o baldinho azul, o ovo de Páscoa de madeira, a famosa caderneta de poupança do Banco INCO, os bichos de pé que peguei naquela vez em que me escondi tanto. Queria ter uma foto dele para ter certeza se ele era como eu me lembro.
Agora é muito tarde para tudo. Ele amou uma pequena menina que batizou lá no pós-guerra a ponto de ter para ela aqueles olhos cheios de ternura dos quais me lembro – a menina envelheceu recordando como tanto temia que alguém visse a emoção dentro do seu coração a ponto de se esconder do seu padrinho – os caminhos dos dois estiveram por muito pouco tempo próximos um do outro, mas como dói, agora.
Choro, Henrique Janning, meu padrinho. Pelo que foi possível, mas mais pelo que não foi.
Blumenau, 30 de agosto de 2010.
Urda Alice Klueger Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR
Arquivo de Adalberto Day e família Klueger

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

- JASC 2010 – 50 anos de fundação

Acompanhe abaixo  dados e estatísticas dos JASC
desde sua implantação em 1960
O JASC – O ano de  (2010) foi comemorado cinquenta anos de fundação ou de sua primeira edição em 1960 na cidade de Brusque.
A 50ª edição dos JASC foi disputado na cidade de Brusque de 09 a 18 de setembro /2010
A cidade campeã foi Florianópolis. 

Na abertura Zico, o galinho de Quintino, maior jogador da história do Flamengo
Consegui um autógrafo do Galinho com dedicatória. "Ao Beto com Abraço Zico"

Imagens cedidas pelo Radialista Amauri Pereira
Observações
Em 1983 não foram realizados os JASC, devido a grande enchente que assolou toda região do Vale do Itajái.
Os jogos Abertos de 2008, teve seu início, mas foi cancelado devido a tragédia ocorrida em novembro de 2008 em toda região.
Brusque e sua História:
Localizado no Vale do Itajaí, Brusque foi fundada em 4 de agosto de l860, quando 55 colonos alemães provenientes do Grão Ducado de Baden, sul da Alemanha, chegaram a Vicente Só. Era fundada então a "Colônia Itajahy" , que posteriormente, passou a denominar-se Brusque , sendo instalada por Maximilian Von Schnéeburg, seu primeiro diretor.
Ainda em l860 chegaram mais três grupos de colonos.
Nos anos seguintes, a corrente imigratória incluía somente alemães. Vieram também colonos de outras nacionalidades, principalmente os italianos, em l875. Em l889 chegou um pequeno grupo de poloneses, originários de Lodz que, não possuindo inclinação para a lavoura , iniciaram a era da tecelagem em modesta indústria artesanal doméstica, que se tornou base da notável indústria têxtil do Brasil de hoje.
Em 23 de março de l88l (pela Lei Provincial nº 920), a Colônia Itajahy tornava-se município com a denominação de São Luiz Gonzaga. Somente em 17 de fevereiro de 1890 (pelo decreto nº 77) , passava a denominar-se definitivamente Brusque, em homenagem a Francisco Carlos de Araújo Brusque, presidente da Província de Santa Catarina na época da fundação da colônia.
Brusque é o berço da Fiação catarinense .
_________________________
Artigo Jornal de Santa Catarina 04/agosto/2010
{...} Em 4 de agosto de 1860, 55 alemães liderados pelo barão austríaco a serviço da Casa Imperial brasileira Maximilian von Schneéburg instalaram a colônia Itajahy, transmudada na Brusque de cada um de nós. No sesquicentenário de instalação do núcleo precursor de nossa cidade, a lembrança das famílias que vieram em pequenas embarcações, pelo Rio Itajaí-Mirim, e atracaram num pequeno porto, nas imediações da Praça Vicente Só.
Apesar das dificuldades, a disposição para a construção de um novo lar na nova terra, alicerçada em valores comunitários e cristãos, impulsionou os pioneiros. Preocupado com a hegemonia alemã na região, o império implementou uma colônia ianque na região, a colônia Príncipe Dom Pedro, em 1867. Após desilusões e conflitos, os imigrantes de língua inglesa abandonaram a região e ocorreu a unificação administrativa das colônias que viriam a formar a Freguesia de São Luiz.
Cerca de 10 mil imigrantes italianos foram introduzidos a partir de 1875, dentre os quais uma menina hoje conhecida por Santa Madre Paulina. Mantendo a denominação São Luiz Gonzaga, foi criado o Município em 1881. A denominação Brusque foi adotada em 17 de janeiro de 1890, homenagem póstuma ao conselheiro imperial Francisco de Araújo Brusque, cujos despojos conduzimos de Pelotas para nossa cidade há 12 anos. Os tecelões chegados a partir de 1889, da Polônia, contribuíram decisivamente para a instalação da indústria têxtil em Brusque, em 1892. Com a publicação do Brusquer Zeitung, a região passou a ter seu jornal a partir de 1912. No ano seguinte, a energia elétrica e a fundação do Sport Club Brusquense, clube pioneiro do futebol catarinense.
Orgulha-nos ser o berço da fiação e do futebol catarinense, a gênese dos Jogos Abertos, do voto eletrônico e da mais antiga Sociedade de Atiradores, o Schützenverein, em funcionamento no Brasil. Na comemoração do sesquicentenário, está latente em Brusque a consciência de que há raízes a serem preservadas.
PAULO VENDELINO KONS /Historiador

Observação: Blumenau foi campeão em 24 edições seguidas: 1967/1982 (1983 não foi realizado) 1984/1991.

Blumenau e os JASC
Blumenau mais uma vez, é favorita ao título-geral.
Jogos abertos de 1962 em Blumenau – Estádio do Amazonas   (foto) preparado exclusivamente para esses jogos, após ser destruído totalmente na enxurrada violenta de 31/outubro de 1961.
Em 1962 foi realizado pela primeira vez os JASC em Blumenau, e um dos locais das competições era o magnífico Estádio do Amazonas do Bairro Garcia. Ainda garotinho pude acompanhar principalmente as modalidades de Atletismo e Ciclismo. Recordo-me muito bem do Waldemar Thiago, da família Boos e Dias do Amazonas, Belz e do próprio Thiago pelo Olímpico e tantos outros extraordinários atletas.
Blumenau sempre teve grandes atletas em todas as modalidades. Quero aqui destacar o nome de Waldemar Thiago de Souza (foto), como atleta símbolo. A história de Waldemar Thiago de Souza confunde-se com a do atletismo catarinense. Nascido em 1926, na localidade de Espinheiro (Ilhota), veio para Blumenau ainda jovem. Durante décadas foi o quase que imbatível atleta fundista de 5 mil e 10 mil metros. Representou Santa Catarina pelo Brasil, levando o nome de Blumenau além-fronteiras na década de 40. Um derrame tirou Waldemar Thiago das pistas, mas não freou o crescimento da semente por ele plantada. Faleceu no dia 17 de março de 2007, aos 81 anos.
Os Jogos Abertos de Santa Catarina foram criados em Brusque pelo desportista e empresário brusquense Arthur Schlösser (foto) e tiveram sua primeira realização em Brusque no período de 7 a 12 de agosto de 1960. Em 1956 Arthur Schlösser esteve em São Paulo colhendo informações e inteirando-se dos Jogos Abertos do Interior, que são realizados anualmente no estado de São Paulo, com a finalidade de criar em Santa Catarina uma competição semelhante. Em 1957, 1958 e 1959 Arthur Schlösser custeou parte da ida das equipes da Sociedade Esportiva Bandeirante de Brusque aos Jogos Abertos do Interior, nas cidades paulistas de São Carlos, Piracicaba e Santo André, afim de obter mais subsídios para que tivesse reais condições de criar os Jogos Abertos de Santa Catarina.
Na cidade de São Carlos em 1957 os dirigentes brusquenses mantiveram na Comissão Central Organizadora contato com Baby Barioni que fundou no ano de 1936 na cidade paulista de Monte Alto os Jogos Abertos do Interior.
Neste encontro os dirigentes brusquenses expressaram a Baby Barioni que na cidade de Brusque Arthur Schlösser pretendia realizar uma competição nos moldes dos Jogos Abertos do Interior. Além de fornecer regulamento, formulários e material, Baby Barioni nos solicitou que incentivássemos e auxiliássemos Arthur Schlösser a criar os Jogos Abertos em Santa Catarina. Desde 1957 Arthur Schösser Vinha mantendo entendimentos e reuniões com desportistas e autoridades brusquenses para a fundação dos Jogos Abertos de Santa Catarina, incluindo sua primeira disputa no ano de 1960 como parte integrante oficial das comemorações do Centenário de Brusque. Em 1958, 1959 e até o início dos primeiros JASC, as reuniões comandadas por Arthur Schlösser - eleito Presidente da CCO - Comissão Central Organizadora - foram sendo realizadas regularmente, inicialmente no escritório de Arthur Schlösser, depois na S.E. Bandeirante, e por fim na sede da CCO no 1º andar do Edifício Centenário no centro de Brusque. O grande mérito de Arthur Schlösser não ficou tão somente na criação dos Jogos Abertos de Santa Catarina, mas sim na sua dedicação e consideráveis gastos para que a competição não sofresse solução de continuidade. QUEM FOI ARTHUR SCHLÖSSERArthur Schlösser, "Pai dos Jogos Abertos de Santa Catarina" nasceu em Brusque em 26-5-1916 e faleceu em 28/10/1969. Casou com Regina Scheidemantel, e teve os filhos Roberto (já falecido) e Elisa. Foi Presidente da Sociedade Esportiva Bandeirante - onde foram realizados em 1960 os primeiros Jogos Abertos de Santa Catarina, e sempre participou de sua Diretoria e Conselho Deliberativo. Arthur Schlösser jogou futebol no Sport Club Brusquense, depois Clube Atlético Carlos Renaux. Foi atleta da S.E. Bandeirante de Brusque nas modalidades de ginástica, punhobol, tênis, voleibol e basquetebol. Participou da criação e incentivou o intercâmbio com Clubes de São Paulo, Joinville e Blumenau através da S.E. Bandeirante.
Foto: Valdir Appel
O Ginásio de Esportes da S.E. Bandeirante, inaugurado por ocasião dos VI Jogos Abertos de Santa Catarina realizados em 1965 em Brusque, foi iniciativa de Arthur Schlosser que destinou substancial auxílio para sua construção, não tendo Arthur aceitado que fosse colocado o seu nome ao Ginásio de Esportes, conforme era desejo da Diretoria e do Conselho Deliberativo da S.E. Bandeirante. Arthur Schlosser Foi Presidente do Rotary Clube de Brusque na gestão 1955/1956, sendo formado em fiação tecelagem, iniciando em 1-10-1941 suas atividades na Cia. Industrial Schlosser, onde chegou a ocupar o cargo de Superintendente.
Para saber mais:
http://fmdblu.blogspot.com/
http://www.jasc2009.com.br/
Arquivo de Adalberto Day

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