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domingo, 29 de agosto de 2010

- O Cinema em Blumenau - Parte XIX

Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre as novas "Telas de cinema".
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NOVAS TELAS VÃO SURGIR EM BLUMENAU

Por Carlos Braga Mueller

Antigamente falava-se em CINEMAS. Hoje fala-se em "telas". Isto, graças ao sistema multiplex, um conjunto de salas, como no Shopping Neumarkt, onde existe um cinema com 6 telas (6 salas).
Nos anos 60 do século 20 eram estes os cinemas de Blumenau:
No Centro: Cine Busch, com platéia e balcão (1.200 lugares no total);
Cine Blumenau, com platéia e balcão (1.300 lugares);
No bairro do Garcia: Cine Garcia (só platéia com aproximadamente 300 lugares);
No bairro da Itoupava Norte: Cine Mogk (sómente platéia, com mais ou menos 250 lugares);
No bairro da Vila Nova: Cine Atlas (só platéia, com 300 lugares).
Como se vê, há 50 anos existiam 05 (cinco) Cinemas e 5 telas em Blumenau.

NOVOS SHOPPINGS, NOVOS CINEMAS.
A partir do momento em que os cinemas de rua, ou seja, aqueles situados em prédios urbanos, começaram a fechar suas portas e novos cinemas foram surgindo nos Shoppings, muitos dos antigos exibidores acabaram cedendo seus lugares paras as novas redes de exibição, verdadeiros tentáculos estendidos pelo país inteiro.
É bem verdade que antigamente já existiam redes poderosas, como Luiz Severiano Ribeiro (no Rio de Janeiro, norte e nordeste do Brasil); Empresa Arco Iris (Santa Catarina e Rio Grande do Sul), etc.
Em Blumenau, com o fechamento de todos os cinemas de rua entre os anos 70 e 90, coube ao grupo gaúcho GNC montar o cinema no Shopping Neumarkt, inicialmente com duas salas. Depois, houve a expansão para as 6 salas atuais no andar superior.
Agora, passadas quase duas décadas, anunciam-se novas situações.
Estão previstos dois novos shoppings em Blumenau, e com eles estão sendo anunciados cinemas.
O Shopping Park Europeu, previsto para a Via Expressa, terá a catarinense Empresa Lageana de Cinemas/Grupo Arco Iris como exibidora, com 5 salas, inclusive uma com o sistema 3D - Terceira Dimensão. A Arco Iris tem muitos cinemas no interior catarinense e gaúcho. Administrou, até o fechamento, os Cines Blumenau e Busch.
Já no Norte Shopping, a ser inaugurado às margens da BR-470, o cinema será explorado por uma empresa mexicana. Trata-se da CINÉPOLIS, a maior rede de exibição da América Latina, que voltou seus olhos para dois países onde o cinema ainda tem muito futuro: Brasil e Índia.
Em Blumenau a Cinépolis promete 7 salas, sendo duas com o sistema 3D.
Esta empresa tem mais ou menos 2.200 salas em 170 conjuntos espalhados pelo México, Guatemala, El Salvador, Costa Rica, Colômbia, Panamá e Peru, além do Brasil onde inaugurou em 2009 um multiplex em Ribeirão Preto (Shopping Santa Úrsula). Pretende inaugurar ainda este ano novos cinemas em Salvador, na Bahia. O de Blumenau está previsto para 2011.
Isto faz lembrar os bons tempos do cinema, quando eram exibidos lacrimosos dramalhões mexicanos nas nossas telas. Estes filmes eram distribuidos pela PELMEX - Películas Mexicanas, e tinham atores famosos como Libertad Lamarque e Maria Felix; diretores de peso como Miguel M. Delgado e Emilio Fernandes; fotógrafos premiados, a exemplo de Gabriel Figueroa.
Que saudades das comédias do Cantinflas e Tin Tan !
NOVOS TEMPOS
Enquanto estas 12 novas salas são anunciadas para Blumenau, o Cinema do Shopping Neumarkt está programando uma reforma completa em suas salas, talvez até a redução de 6 para 5 telas, desde que tragam conforto máximo para os espectadores (nada como a concorrência !).
Mas, e a programação, como é que fica ?
FARTURA DE AÇÃO, CARÊNCIA DE FILMES CLASSE "A"
Mesmo com seis telas o Cinema do Shopping em Blumenau teima em exibir só filmes de ação e aventura, ou então infantis. Ah, sim, também comédias românticas chegam até aqui.
Entre final de maio e 20 de agosto deste ano, foram lançados 22 filmes, a maioria de ação e aventura, entremeados por dramas e comédias.
Se você é um cinéfilo e quer conhecer um pouco da produção do cinema europeu, por exemplo, não tem opção.
Libertad Lamarque
Embora exista a lei de proteção ao cinema brasileiro, durante estes três meses foram exibidas apenas três produções nacionais (400 contra 1, Quincas Berro D"Água e As Melhores Coisas do Mundo), uma semana cada. Cada sala é obrigada a exibir 28 dias de produção nacional por ano.
Em compensação, as telas explodiram com predadores, mercenários e titãs. Todos falando inglês, ou dublados.
Até se compreende: os exibidores trabalham com lucro, sem ele não há cinema que resista !
Então, viva aos filmes descartáveis...mas que rendem boas bilheterias !
E a lei de proteção ao cinema brasileiro, será que foi revogada ?
Texto: Carlos Braga Mueller/arquivo de Adalberto Day

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

- Um visionário : Theodor Darius

Hoje apresentamos uma carta enviada em 1933 por um dos fundadores da empresa "Catarinense" Theodor Julius Karl Darius - “Empreza Auto Viação Hahn, Hass & Darius”, embrião da atual Auto Viação Catarinense. Desde o momento em que criaram sua empresa de ônibus, Theodor Darius (Foto), imigrante alemão, João Hahn, imigrante Húngaro, e Adolfo Hass brasileiro, estabeleceram, embora não formalmente, uma regra fundamental de comportamento para sua atuação. Eles diziam: “O importante são as pessoas”. Contudo, mesmo com muito esforço, não dá para imaginar como se processavam, naquela época, os primeiros serviços oferecidos pela Hahn, Hass & Darius.
Recebi este importante dado histórico do meu amigo Theodor Darius, neto de um dos fundadores e dono da "Darius Turismo LTDA". Rua Ângelo Dias,45 centro - Fone (47) 3326 5008 - dariust@terra.com.br.
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Blumenau, 24 de agosto de 1933.
Meus queridos pais,
na querida Alemanha.
Voltando ontem a noite de viagem, encontrei sua última carta. Como hoje tenho plantão noturno na firma, disponho de tempo para fazer uma retrospectiva da minha permanência aqui no Brasil. Devem estar magoados pela minha demora em escrever-lhes. Creiam, não foi falta de tempo, nem tão pouco de reflexão mas sim, de certas inibições e dificuldades em concentrar-me. Não sei o que Paula, já escreveu mas contarei desde o início. Assim ficarão sabendo de tudo e a mim fará bem recordar já que o pior passou e estou progredindo.
Nove anos se passaram desde a nossa chegada ao Brasil, cheios de planos e fantasias, com programas estabelecidos e espírito empreendedor. Com a realidade aqui encontrada, tudo desvaneceu. Imaginem, eu. comerciante, como poderia negociar se nem ao menos conhecia a língua e a legislação da terra, para escrever uma carta comercial. Como iria tratar com um freguês, sem conhecer o câmbio e o idioma? Aspectos que considero muito importantes, pois, em qualquer firma saberia muito menos do que o mais simples dos empregados.
Se não fosse casado e minha mulher não estivesse esperando o primeiro filho, teria sido fácil conseguir um emprego que me desse casa e comida e teria tempo para conhecer a realidade da terra e a língua do povo. Mas diante a situação, tive que procurar um emprego que atendesse as necessidades básicas da família o mais rápido possível. Por esse motivo tantos outros emigrantes fracassaram. Mas deixemos estes assuntos para um dia comentá-los pessoalmente.
Devo alegrar-me em dizer-lhes que achei uma solução para estas primeiras dificuldades. Devo isto, primeiramente, a correta educação que recebi de vocês, da escola, nos moldes da disciplina prussiana, mas humana, que vivíamos em casa. Por tudo isso, agradeço-lhes profundamente pois, devido o alto grau de escolaridade, consigo conversar em todos os níveis e não tenho quaisquer presunções, adaptando-me em qualquer ambiente. Com esse preparo recebido foi fácil o contato com todas as camadas sociais e consigo comunicar-me bem com todos.
Enfim, ao assunto. No Rio de Janeiro, como vocês devem saber, ficamos somente duas semanas. A vida lá era muito dispendiosa e assim sendo, viemos a Blumenau. Mas também aqui não foi possível encontrar um ordenado compatível com meu grau de instrução.
Na foto dona Ingeborg Lauterjung Artista Plástico nasceu em 02 de Julho de 1924 e fez suas primeiras obras em 1990.e Adalberto Day – nos fez a doação de um guardanapo (adamascado) de tecidos da E.I. Garcia de seu enxoval de 1943, bordado com suas iniciais I.D. Inge Darius – seu pai Theodor Darius foi um dos fundadores da Auto Viação Catarinense.
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Deixei, então, cair por terra toda e qualquer vaidade, pensando: “Trabalhar não desonra”. Comprei um automóvel, aprendi a dirigir e me coloquei ao lado de outros carros de aluguel, esperando por fregueses...Digo-lhes, uma vida realmente amarga não poder aproveitar meus conhecimentos, mas assim conseguia tirar o pão de cada dia e o meu capital estava empatado de maneira a poder reavê-lo a qualquer hora. Com este serviço tive a oportunidade de aprender a língua do país,fato que me dava grande vantagem sobre muitos emigrantes que chegaram na mesma época e não tiveram essas facilidades o que os condenou a serem simples empregados. Outra vantagem foi me dada pelo automóvel. Como ele podia locomover-me a muitos lugares conhecendo a terra,seu povo e seus costumes. Durante mais ou menos dois anos, levei esta vida quando dei o primeiro passo. A um húngaro chamado João Hahn, juntei meu capital com o dele e compramos um ônibus. Com este, iniciamos uma linha regular de viagem à capital do estado, Florianópolis. A distância percorrida é de 160 km. Isto foi uma verdadeira revolução no transporte conhecido aqui. O preço de uma passagem de automóvel era duzentos mil reis e de ônibus cobramos trinta mil reis. Todos se compadeceriam de mim e de nosso pequeno capital. Mas mostramos a eles que uma vontade férrea consegue vencer. Sim, também aqui os amigos me chamam de “teimoso”. Sem me querer envaidecer, acho que os amigos usam este apelido como elogio e os inimigos com um certo receio. O povo aqui se admirava de transportarmos pacotes e encomendas sem extraviá-las ou roubá-las. No início fazíamos o trajeto duas vezes por semana, passando logo a seguir para três vezes semanais. O banco daqui, nos deu crédito, sem maiores exigências, para comprarmos um segundo ônibus. Logo surgiu a concorrência, provocada pela inveja. Começou então uma luta renhida. Mas como nos mantivemos corretos e pontuais os nossos compromissos, vencemos após alguns anos. Estendemos nosso trajeto.

Passados cinco anos, somos os únicos a percorrer as principais rodovias através de nosso estado. Trabalhamos com dezessete funcionários onze carros que perfazem um capital de mais ou menos duzentos mil marcos. Como aqui ainda não existe concessão para este tipo de transporte, só a nossa garra, sem trégua, garante o nosso êxito. Isto não é fácil. O nosso horário de serviço: de manhã, as sete horas, estou na firma, onde fico até às doze ou treze horas e muitas vezes até ás catorze. Faço uma pausa de dez minutos. Entenderam? Dez minutos. Neste breve intervalo vou de carro até em casa, almoço, beijo mulher e filhos e volto ao escritório. Continuo a trabalhar até às dezoito horas. Uma hora de mesa cativa (Stammtisch-Hotel Seifert) onde tomo um chope e em seguida janto em casa. Se tudo der certo, passo meia hora em casa e volto ao serviço até às vinte e duas horas ou mais, dependendo da chegada do último carro.

Dia 27 de agosto.

Somente hoje tenho tempo para prosseguir. É domingo à tarde e Paula fez um lanche em casa (aniversário). Como não sou amigo destas reuniões, estou aqui no escritório para terminar esta carta. Um domingo por mês, passo a tarde no clube local dos atiradores (Schuetzenverein – hoje Tabajara) ou assisto a um jogo de futebol. Mas muitos dos domingos exigem serviços na firma O que é trabalhar, aprendi aqui no Brasil. Se eu fosse empregado de uma firma, a vida seria bem mais fácil. O trabalho intenso e responsável que conhecemos na Alemanha ou Estados Unidos, aqui não existe. É isto que dificulta muito a organização de uma firma. Com pessoal não qualificado é difícil trabalhar. Agora, depois de anos, temos uma equipe razoável e nesta equipe um funcionário que nos acompanha desde o início. Compromisso com o dever e responsabilidade é difícil encontrar, o que dificulta a organização das respectivas firmas. Com os elementos que temos, agora, é possível pensar em expandir as linhas e ampliar a nossa frota. Desde a fundação da empresa nós os chefes, não tivemos um dia se férias, pois, com o nosso afastamento, tudo poderia desandar em pouco tempo. Só com uma férrea energia conseguimos que tudo funcionassem satisfatoriamente. Talvez vocês consigam compreender melhor o que quero dizer, informando-lhes a nacionalidade de nossos funcionários: três alemães, seis teuto-brasileiros, um luso-brasileiro, dois italianos, três húngaros e dois afro-brasileiro. Nem todos falam o vernáculo e outros nem o alemão. Imaginem como é difícil a comunicação entre eles e de um sistema patronal entre chefe e empregado, nem se fala.
E a nossa vida particular? Bem, levamos uma vida bastante simples. Casa alugada, mobiliário simples, porque o dinheiro que entra é aplicado na firma. Nestes primeiros anos, todo o capital foi absorvido pela empresa.Nós sócios temos uma retirada mensal e um extra para tratamento de saúde. Talvez dentro de um ano eu possa comprar um terreno para, futuramente, construir uma casa. Gostaríamos muito mais voltar à pátria, mas, nas atuais condições reinantes na Alemanha, nem penso nisso. Receio que para nós uma volta seria de difícil adaptação. Aqui se vive em quase total liberdade pessoal, os impostos são razoáveis, diferenças sociais não aprecem, a não ser nas firmas. Nas horas vagas reunimo-nos com cidadãos de todos os níveis.É no esporte, no teatro, no club de ginástica, etc. não se pergunta pelo “status”, todos são benquistos e tem os mesmos direitos.
 As mudanças na Alemanha, o tanto que me alegram, também me preocupam. A censura de imprensa, tanto da noticia boa, como da pejorativa, me leva a pensar que se cria novamente uma obediência cega do povo, como o era na época do Kaiser Wilhelm. Isto ao meu ver e, a dos meus conterrâneos aqui, é o maior perigo da política de Hitler. Mas deixemos de política. Conosco no momento, em matéria de saúde, está tudo bem. Malária, ninguém da família pegou. Mas Paula teve menos sorte e já foi operada duas vezes este ano. Agora se recupera bem. As crianças são fortes, sadias e bem inteligentes. Heinz é muito esquentado e se alguém o ofende, não perde tempo, avança sem olhar tamanho. Ele não teme castigo, pois sabe que o pai, que era assim, também o defenderá. Heinz entra na escola após o Natal. Ele já conta até duzentos, tanto em alemão, como em português. Em matéria de automóveis, não há quem possa com ele. Reconhece a marca dos carros pelo barulho do motor, seja Ford, Chevrolet ou Dodge.
Aqui termino e peço que me respondam em breve.

Sinceras recomendações nossas a todos de casa e aos amigos
Theo

(Theodor Darius)
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Para saber mais sobre a Auto Viação Catarinense acesse:

Arquivo de Theodor Darius/Adalberto Day
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Mídia - Abaixo nota "Um visionário", publicada na Coluna Almanaque do Vale, no Jornal de Santa Catarina. A nota foi publicada no dia 31 de agosto de 2010.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

- O Portão do Pasto do Tio Júlio

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica belíssima sobre "O Pasto do tio Júlio" no Zendron- Garcia- Valparaíso
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Por Urda Alice Klueger
Lembro-me como se fosse hoje, mesmo que já se tenham passado umas quatro décadas. Era o portão do principal pasto do tio Júlio , porque o tio Júlio tinha diversos pastos, e suas nédias e mansas vacas holandesas faziam rodízio neles, alimentando-se sempre de grama nova e viçosa.
O portão do pasto do tio Júlio era daqueles portões de madeira encarunchada e arame farpado que quase todas as propriedades tinham então, e era aberto sempre que se queria, por qualquer um, mesmo que fosse uma criança. Ele só era fechado por uma corrente que engatava num prego, e eu e meus primos podíamos abri-lo sem nenhuma dificuldade.
Lá no tio Júlio havia oito primos, fora três “anjinhos” que dormiam no cemitério e para quem a gente levava flores – mas os primos de idade mais próximas da minha eram o Jorge e o Afonso, a Ruth e a Darcy. Desde muito pequenos eles ajudavam tio Júlio em milhares de coisas no seu ofício de produtor de leite para o Hospital Santa Isabel, de Blumenau: colocavam gramão e cana na máquina de cortar trato, carregavam os balaios de trato para os cochos das mansas vacas holandesas, tinham seus próprios banquinhos de ordenha e tiravam baldes de leite de cada vaca, pois as do tio Júlio eram vacas premiadas, que produziam muitos litros de leite a cada dia. Era necessário, então, depois da ordenha, levar as vacas para o pasto daquela ocasião (elas freqüentavam um pasto de manhã e outro de tarde), e a Darcy, e o Jorge, e os outros é que o faziam, e muitas vezes abriam o portão mencionado, e acompanhavam mais de trinta vacas estrada abaixo, até o pasto escolhido para aquele dia, indo buscá-las de noitinha para a nova ordenha, abrindo e fechando o portão sem nenhuma dificuldade. No tempo em que eu era bem pequena, tio Júlio passava naquele portão com sua carroça; mais tarde, já lá pelos anos 60, entrava ali com seu carro. Em ocasiões em que havia um touro brabo no pasto, o portão ficava fechado o tempo todo – em outras ocasiões, quando as vacas já tinham saído para pastar alhures, o portão podia ficar aberto, com o cavalo Baio sozinho lá no pasto, que o Baio era tão manso que não fugia. E reafirmo o que já disse acima: o portão tinha tal simplicidade de fechadura que qualquer criança pequena podia abri-lo ou fechá-lo.
Mas então o tempo passou. Tia Fanny, e depois o tio Júlio, ambos acabaram viajando para outras plagas, e seus herdeiros tiveram que decidir o que fazer com aquela barbaridade de terra que tinha ficado. E ali no pasto principal do Tio Júlio cresceu um imenso condomínio cheio de prédios modernos, com um portão de entrada exatamente onde tinha sido o antigo portão do pasto. Meus primos moram lá, hoje, cada um num espaçoso apartamento, e cada um levou consigo para a nova morada algumas peças de mobiliário da antiga casa do Tio Júlio, e eu vou lá e tenho vontade de chorar quando as vejo e lembro daqueles tempos que ficaram lá tão longe. Meus primos tiveram o cuidado de mandar imortalizar por famosa pintora as fotos daqueles tempos em que eu era criança, e em que qualquer pequena mão infantil podia abrir o grande portão do pasto, e nas paredes dos seus apartamentos aqueles quadros são como que um soco no peito que o passado nos dá.
No Domingo passado eu fui lá lhes fazer uma visita. Minha mãe, que foi junto, telefonou antes, para confirmar estas coisas de bloco e andar, estas coisas que existem nos endereços contemporâneos. E então, que aconteceu? Minhas primas disseram:
- Olha, vocês trazem o celular e ligam lá do portão, que então a gente abre!
Santo Deus, há que se ter um telefone celular, agora, para se entrar no portão do pasto do tio Júlio! (foto) Levamos o celular, entramos – eu aproveitei para dar uma espiadinha no sistema de interfone que havia lá no portão, e que era complicadíssimo, desses que se criam para enganar qualquer ladrão, coisa de uso impossível para pessoas comuns. Sem celular, a coisa fica bem difícil!
E pensar que era um portão que qualquer mãozinha de criança abria!
Blumenau, 06 de Fevereiro de 2003.
Urda Alice Klueger/escritora
Arquivo de Família Klueger e Adalberto Day

domingo, 22 de agosto de 2010

- Hospital Santo Antônio 150 anos

Hospital Santo Antônio de Blumenau

Localização:
Rua Itajaí, 545 – Bairro Vorstadt - CEP 89015200 – Blumenau - SC

Histórico:
1850
Durante o início da colonização do município, o fundador Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau dedicou atenção especial à assistência dos imigrantes. As dificuldades, perigos de acidentes, afogamentos, mordidas de animais, picadas de insetos, epidemias e doenças tropicais, exigiam um tratamento que fosse além da assistência caseira. Assim sendo, em 1857, Dr. Bernardo Knoblauch foi contratado como primeiro médico da colônia.
1860
Dr. Blumenau, consciente da necessidade de um atendimento médico hospitalar eficiente, apresentou um orçamento que previa a construção de um “Hospital e arranjos internos de enfermaria, camas, roupas, etc”.
Partindo de uma organização fundada pelos imigrantes, mediante aprovação dos estatutos pelo Governo da Província, instituiu-se no dia 22 de agosto a Kranken-Unterstutzungs Verrein - Sociedade de Mútua Assistência em Enfermidades.
Os colonos eram atendidos pelo médico nas residências, fazendo-se cada vez mais necessária a construção de um Hospital, constantemente solicitado pelo Dr. Blumenau.
1870
Não havendo nenhuma resposta positiva em relação ao Hospital pelo Governo da Província, a Sociedade de Mútua Assistência em Enfermidades construiu uma modesta Casa de Saúde, na atual Rua Itajaí.
1874
A modesta construção ruiu em 22 de fevereiro de 1874 em conseqüência de um forte temporal. Foi iniciada, então, a construção de um Hospital apropriado, mediante autorização do Ministério da Agricultura, em 27 de abril de 1873.
1876
Foi concluída a construção, toda de carpintaria, com frontal de tijolos e coberto de telhas e muro. Contava com enfermeiras, cozinha, latrinas, depósito de cadáveres e pertences. Já no primeiro ano, foram realizadas 16 cirurgias.
Denominado de Hospital da Caridade, hoje Hospital Santo Antônio, teve como seu primeiro médico o Dr. Francisco Valloton, que atuou até o ano de 1886.
1879
Até este período toda assistência médica era gratuita. A partir de 1879, porém, foi permitido ao Hospital receber pagamentos dos doentes que tinham mais posses. As despesas com a administração e conservação do Hospital eram arcadas pela diretoria.
1880
A Colônia se emancipou. A diretoria do Hospital de Caridade foi dissolvida, requerendo Dr. Blumenau que a administração do Hospital fosse entregue à Sociedade de Mútua Assistência em Enfermidades. A entrega foi autorizada em 16 de dezembro de 1882.
A Sociedade realizou inúmeras melhorias no local, como a construção de um novo edifício em frente ao antigo, reforma e mudanças de uma parte do prédio em asilo. Foram médicos do Hospital no período: Dr. Francisco Valloton, Dr. Bonifácio Cunha e Dr. Hugo Gensh.
1918
A administração do Hospital foi entregue à Superintendência do Município, que passou a ser dirigida por uma comissão presidida pelo juiz de Direito, Dr. Pedro Silva.
1936
A enfermagem e administração foram entregues às irmãs da Irmandade de São Francisco, com sede na colônia de Angelina. Elas se dedicaram com carinho aos cuidados dos enfermos até agosto de 1978.
1943
Lançada no governo do Prefeito Dr. Afonso Rabe a pedra fundamental do novo Hospital, após demolição do antigo que jazia em completa ruína.
1948
O Hospital passou a denominar-se Hospital Santo Antônio, em 08 de abril.
1950
Sob administração do Prefeito Frederico Busch Jr., foram iniciadas as construções de novas áreas como: Maternidade, Pediatria, Otorrinolaringologia e um Pavilhão para quartos particulares
1968
O Hospital Santo Antônio e a Escola de Auxiliar de Enfermagem foram incorporados à Fundação Universidade Regional de Blumenau, passando a fazer parte das atividades do Centro Bio-Médico e visando à criação de um curso de medicina.
1970
Concluídas as obras do Hospital Santo Antônio. Sua capacidade de 80 leitos foi distribuída em 12 enfermarias, 20 quartos, Pronto Socorro Infantil e Consultórios Pediátricos.
1971
O Hospital Santo Antônio, Hospital Infantil e a Escola Auxiliar de Enfermagem foram desligados da FURB devido à criação da Fundação Hospitalar de Blumenau, entidade de direito público dirigida por um Conselho Curador nomeado pelo Prefeito.
A Fundação não teve continuidade nas suas atividades por falha institucional, voltando o Hospital a funcionar em estado precário, permanecendo assim até 1983.
1983
Uma grande enchente atingiu a cidade de Blumenau e o Hospital Santo Antônio, obrigando à desativação do Hospital em setembro de 1983.
1984
O Hospital foi reativado com diminuição de aproximadamente 50% da sua capacidade de internação.
1985
Novas e importantes mudanças foram introduzidas: nova sala para serviço de Eletroencefalografia, construção e ampliação no prédio de internações para instalação da nova cozinha, quartos dos plantões médicos e UTI.
1988
Foram reformadas as Ala Ana Néri e lavanderia. Iniciaram-se as obras da Ala São Camilo. Em agosto, entrou em funcionamento o Centro de Processamento de Dados do Hospital.
1989
Foi construída a Central de Ambulância. Uma campanha para angariar fundos para o Hospital foi realizada, com o mote “SOS Santo Antônio”.
1991
Inauguração das novas instalações da UTI Pediátrica. Os ambulatórios médicos foram demolidos, cedendo local para as obras do novo Pronto Socorro.
1997
Início da campanha “Santo Antônio pela Vida”, com o objetivo de melhorar o espaço físico insuficiente e equipamentos inadequados.
Foram inauguradas também as seguintes obras: UTI Pediátrica, Primeiro Andar, Pronto Socorro, Recepções, Cozinha, Raio x, Internação e Radiologia.
1998
Foram realizadas as seguintes obras e reformas: Travessia de Cabos de Tubulações, Pintura das Fachadas dos Prédios, ampliação do Berçário, Capela, Almoxarifado, Compras e Manutenção, SAME, Sala de Treinamento, Farmácia, Maternidade, Unidade Intermediária Neonatal, Centro Obstétrico, Centro Cirúrgico.
1999
O restaurante do Hospital foi reformado, bem como a sala de treinamento e o jardim interno. O Hospital obteve o certificado de Filantropia.
2000
O HSA conquistou o título de “HOSPITAL AMIGO DA CRIANÇA” em 5 de setembro. Foi realizada a construção da passarela para o transporte e locomoção dos pacientes hospitalizados.
2001
O Hospital Santo Antônio recebeu a colaboração do Governo Estadual com a doação de camas, respiradores e berços aquecidos.
Houve a troca da Superintendência e Administração do Hospital (a partir de agosto) marcando uma nova fase administrativa
2007
Grande marco na História do Hospital. Em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o Hospital inaugurou um prédio de três andares, construído com recursos doados pela Prefeitura Municipal.
A obra contemplou um novo Pronto Socorro, Centro Cirúrgico, UTI Neonatal, UTI Pediátrica, Quimioterapia, Pediatria e outros setores de apoio. As novas instalações possibilitaram atendimento mais ágil e humanizado aos pacientes.
Para saber mais acesse:

http://www.hsan.com.br/conteudo/default.aspx?s=9
Arquivo HS. Antônio/Adalberto Day

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

- Ribeirão Passo Manso

Apresentamos hoje revelações históricas sobre o Ribeirão Passo Manso e região , com o renomado Niels Deeke - Memorialista em Blumenau – SC. Parte do Texto original em sua grafia .
O valor desta contribuição é de fundamentação histórica inigualável para nossa cidade. Que nossos leitores compreendam e façam uma bela leitura.
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Por Niels Deeke

RIBEIRÃO PASSO MANSO - Uma Ucronia e um Blefe como Topônimo.
Seleção extraída da coleção : Anedotário e Verdades na História de Blumenau - inédita por Niels Deeke
¨ Ribeirão inexistente, conquanto fosse muito citado no passado. ¨
Quando, em 1934, o território municipal de Blumenau foi desmembrado em diversos novos municípios, descreveram as linhas extremas fixando os limites intermunicipais entre Indaial e Blumenau, através uma caracterização muito vaga de um suposto ribeirão Passo Manso¨. É quase impossível acreditar que tenham confundido o diminuto canal que encontraram coberto por precária ponte, dita antigamente “Ponte do Passo Manso” no final da atual ( estamos no ano 1997) rua Bahia, com um ribeirão. A antiga poça de água, ou baixio alagado, é uma extensão das águas do rio Itajaí Açu –uma baia ou enseada, e atualmente serve de limite intermunicipal, quando, a ponte, em absoluto, não faz a travessia do ribeirão Passo Manso, pois o filete d’água é inominado, porquanto jamais existiu um ribeirão denominado Passo Manso. Talvez fossem induzidos a assim pensar, levados pela circunstância de haver naquela ponto a dita balsa do Passo Manso, e por que era o início da região assim chamada, onde há uma depressão que o rio Itajaí Açu adentra, que entretanto não chega a configurar um ribeirão. O pretenso ribeirão Passo Manso nasceria nas faldas terminais, sitas ao norte do Morro do Encano, que por sua vez integra o espinhaço do também denominado Encano, seguindo suas fracas águas em direção noroeste, quando, depois de atravessado por ponte na via asfáltica, deságua no Itajaí Açu muito a montante do atual ponto considerado limite intermunicipal. Portanto a real linha extrema, cuja descrição estabelecia o ribeirão Passo Manso deveria transferir o atual limite até o ponto do nº 6.550 na rua Dr. Blumenau, já no atualmente considerado território pertencente à Indaial, em local que secciona, no ponto antes referido, a estrada de ligação entre Blumenau e Indaial, margem direita do Itajaí Açu. É o seguinte o texto contido no Anexo 2 do Decreto-Lei nº 238 de 01/12/1938 que instituiu os limites municipais de Blumenau, no seu item 7. –« Com no município de Indaial » “Começa no ponto em que o divisor das águas entre os rios Encano e Garcia encontra a serra do Itajaí, segue pelo dito divisor e pelo que fica entre os rios Encano e da Velha até alcançar a nascente do ribeirão Passo Manso ; desce até a sua foz no rio Itajaí-assu; sobe o Itajaí-assu até a confluência do ribeirão Kellermann; por êste último acima até a sua cabeceira”. Aliás toda aquela região do antigo Morro do Seide e o local atualmente conhecido por “Pauschtiefe” [ Pauschtiefe O topônimo “Pauschtiefe”, ou tifa do “Pausch” é uma adulteração ( corrupção fonética) de “Paupitztiefe” ou seja Tifa do “Paupitz“. O antigo morador no início desde beco era um Sr. Paupitz e pela corrupção fonética “Paupitztiefe” tornou-se “Pauschtiefe” ] é cortada pela estrada que acompanha o que seria o verdadeiro ribeirão Passo Manso, via que segue ao encontro da estrada asfáltica quase na foz do dito ribeirão. A área está contida numa conformação topográfica triangular, quase isoscélica, cuja base está a leste e as duas estradas ( catetos) vão se juntar ao oeste, e toda a área de cerca de 04 km2 de conteúdo entre as duas vias deveria, conforme a descrição, integrar o município de Blumenau, entretanto integra, politicamente, o município de Indaial..
Reunidos, no ano transato de 1996, em nossa Fazenda Deeke, numa das muitas visitas para evocar secções coloquiais de nostalgia, junto com o nosso saudoso amigo sr. Honorato Tomelin (Falecido aos seus 92 anos de idade em 03/9/2005), ilustre jornalista do jornal “O Lume”, Fiscal da Fazenda do Estado de Santa Catarina e que em 19/01/1964 foi nomeado “Diretor da Imprensa Oficial do Estado” e atual (ano 1996) proprietário de terras – uma pequena chácara - na área em lide não distante de nosso ponto de reuniões, recordamos, durante conversas, uma antiga burlesca anedota acerca de como, improvisadamente, os topógrafos de então mediam terras. ( Obs. Honorato Tomelin- Fiscal da Fazenda do Estado de SC e Sebastião Cruz- Inspetor da Fazenda Estadual em Blumenau, eram, em 1956, desafetos ao extremo, requerendo de Hercílio Deeke – Secretário da Fazenda - muito desgaste no sentido de harmonizar as mútuas hostilidades ).
Relato da antiga Anedota acerca do fabuloso dislate que teriam perpetrado ao definirem os limites entre Blumenau e Indaial, em ambas as margens do rio Itajaí Açu: Supostamente alguns antigos moradores da região em foco ainda recordam-se de interessante história, na qual afirmavam que a circunstância do limite da divisão político- administrativa intermunicipal entre Blumenau e Indaial, junto à margem do rio Itajaí Açu, não coincidir nas linhas, em reta, de ambas as ribanceiras, como tendo origem no fato de haverem os agrimensores escolhido o lugar para marco lindeiro, em ponto onde haveria acostada uma antiga balsa que ali fazia esporádicas travessias. Iniciaram a medição na margem esquerda que concluíram em meio dia ao chegarem às margens do rio Itajaí Açu. Cansados almoçaram lautamente além de servirem-se generosamente do garrafão de forte cachaça, quando, logo após, tomando uma embarcação - uma canoa que geralmente seguia acoplada à referida balsa, puseram-se a atravessar o rio para dar continuidade aos serviços de medição, e de piqueteamento por estacas, na margem oposta – a direita no Itajaí Açu. Como porém a correnteza naquela oportunidade fosse considerável e, sonolentos como estavam pelo efeito da cachaça, não conseguiram apanhar, a tempo, os remos que estivam sobre a balsa, e lá os ditos ficaram, resultando que a canoa na qual embarcaram, fosse levada pela correnteza abaixo, vez que ficaram desprovidos de propulsor apropriado para vencê-la, pois dispunham somente de uma improvisada vara e ajudados pelas próprias mãos, com muito esforço, conseguiram atingir a margem oposta, ou seja à direita. Contudo completaram a travessia alcançando um ponto muito a jusante, rio abaixo, na outra margem. Por puro comodismo, ou preguiça, e ainda por encontrarem-se exaustos pelo esforço despendido, acrescendo a molemolência provocada pela ação da ¨Pinga¨, não teriam procurado o local exato da interseção da linha em reta, no que precisariam seguir pelas barrancas longo trecho rio acima, e assim iniciaram as medições no ponto em que arribaram com a canoa, cerca de três quilômetros rio abaixo, para onde os levou a correnteza. Foi desta forma que explicavam a circunstância da descontinuidade da linha divisória em ambas as margens do Itajaí Açu, uma incongruência enorme de confrontações na continuidade do traçado retilíneo, como era pretendido no memorial descritivo original . Hercílio Deeke tinha plena ciência da controvérsia, e perguntado porque não reivindicava a área, por direito pertencente à Blumenau, respondeu que por tão irrisório território não acreditava poder justificar uma demanda e que enfim toda a questão não importava - geraria conflitos sem trazer melhoria social e que se assim desejassem, a iniciativa deveria partir dos respectivos moradores. Portanto o Município de Blumenau tinha ainda em 1965, realmente a área 514 Km2, o que correspondia, aproximadamente, à 0,5% da área total do Estado de Santa Catarina. Conforme relatórios e noticiário jornalístico dos últimos anos, o município teria agora, em 1996, somente 483 km², e acreditamos que a perda ocorreu realmente na região do ribeirão Kellermann, limite com Indaial, porém na margem esquerda do Itajaí Açu, até encontrar a extrema com o Município de Pomerode, onde. a exclusão da área de Blumenau, foi de cerca de 16 km2, pelo abandono com que os serviços cadastrais municipais de Blumenau a deixaram, a partir de 1966, sem nem mesmo cadastrá-la para fins de lançamento de impostos, quando, na gestão administrativa do governo Zadrozny consideraram todo o dito “Vale das Bonecas” área rural submetida ao antigo IBRA, depois INCRA, sujeita, portanto, à legislação federal com exclusão do IPTU, o que foi correto, porém, completamente extralegal em excluí-la do território do município de Blumenau para fins administrativos - aliás um tremendo disparate. Sem a incidência de impostos municipais sobre a área, não interessou à novel e inexperiente gestão administrativa empossada em 1966, considerá-la, de fato ou de direito, jurisdição administrativa da municipalidade de Blumenau – enfim esqueceram-se da existência, daquele então ermo rural, posteriormente tanto importante com a construção da BR 470. (Observe-se que o “Ibra”- Instituto Brasileiro de Reforma Agrária - começou a cadastrar aquelas áreas rurais em Blumenau em dezembro de 1965, determinado que fora, na Gestão do prefeito Hercílio Deeke, ao Sr. Jonas Neves –funcionário da PMB - de proceder , ¨in loco¨ as respectivas inscrições de cada propriedade rural, trabalho que, em dezembro de 1965, permanecia ainda inconcluso e que a partir de fevereiro de 1966 foi desativado por inacabado, para aquela região, pelo novo governo municipal. Certamente seus moradores, então desamparados pelo governo de Blumenau, passaram a dirigir-se a Prefeitura de Indaial , mas próxima de suas propriedades, para obter cadastramento rural no antigo ¨Ibra¨, bem como os licenciamentos de construção etc. o que redundou num verdadeiro “Uti Possidetis”, estabelecendo a jurisdição administrativa do território a favor de Indaial. (Vide “Relatórios Dos Negócios Administrativos do Município De Blumenau”- Prefeito Hercílio Deeke, anos 1951, 1952, 1953,1954, parcial 1955,1961,1962, 1963, 1964, 1965. - dados estatísticos, obras constantes das bibliotecas públicas e arquivos ). Obs.:
Segundo o Guia de Ruas , 8ª Edição , editor José Gonçalves à p. 02 registra : área do município 531 Km² (?) e altitude 14 metros. Pergunta-se : teriam as enchentes de 1983 e 1984 depositado terras de aluvião em favor dos blumenauenses para engordar a superfície do município em 17 km2, quiçá num segundo pavimento ( 1° andar aéreo) territorial ? Depois de muito procurar Niels Deeke encontrou a solução do problema em 23/5/1997, quando encontrou, junto seus arquivos particulares, um “Antigo Mapa”, onde está configurado parcialmente o estabelecimento dos limites intermunicipais entre Blumenau e Indaial, bem como, também, entre Blumenau e Gaspar. Mediante a observação do mapa fica cabalmente comprovado que a linha limítrofe acompanha, na margem esquerda do rio Itajaí Açu, o Ribeirão Kellermann por longo trecho, onde, pela escala do mapa , o persegue em cerca de 5 mil metros; e na margem direita do Itajaí Açu, apanha a linha exatamente fronteira à foz do Ribeirão Kellermann, no dito e assinalado como um hipotético Ribeirão Passo Manso, que outro não é que a aguada proveniente da atual Pauschtiefe ( Antes configurado) , considerada como integrando o município de Indaial. Vide Mapa Pasta nº 1 da Crônica da Família Deeke por Niels Deeke.
## Ribeirão Kellermann : Servia como divisa entre os municípios de Blumenau e Indaial. Afluente do Rio Itajaí Açu na margem Esquerda, e primeiro ribeirão a jusante do Ribeirão Mulde.
Texto : Niels Deeke, Memorialista em Blumenau-SC
Arquivo de Adalberto Day

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

- Arte fotográfica em Blumenau I951

1º salão Internacional de arte Fotográfica de Blumenau em 1951.

Introdução
Com grande satisfação apresentamos ao público o 1º salão Internacional de arte Fotográfica de Blumenau, exposição que inicia nossas atividades no setor Internacional e cujas finalidades são a difusão da verdadeira arte fotográfica em nosso meio, o estimulo aos amantes da fotografia foram alcançadas, a julgar pelo entusiasmo co que atenderam ao nosso apelo fotógrafos de todo mundo. Pela colaboração espontânea prestada por associação fotográficas deste e de outros países, pelo descomunal interesse co que a imprensa e o público blumenauense acolheram nossa iniciativa. Foram recebidos 783 trabalhos de 19 países diferentes. Destes, apenas 128 foram admitidos, o que bem demonstra a preocupação da comissão julgadora em manter elevado o nível artístico da exposição. Recebemos, infelizmente, boa quantidade de trabalhos maiores do que o tamanho determinado pelo regulamento do salão, a todos conhecimento (Ca.18x24 cm). Naturalmente, tais fotografias não puderam ser admitidas, já por uma questão de justiça diante de todos aqueles que fielmente obedeceram as condições pré-estabelecidas. Entretanto havia entre tais fotografias obras de grande mérito e valor, razão pela qual a comissão organizadora resolveu também submetê-las à seleção pelo júri e expô-las fora do Salão propriamente dito fora de concurso. Desejamos aqui externar nossa admiração à comissão julgadora pelo impecável desempenho de suas unções e pela absoluta imparcialidade de suas decisões, tomadas sempre sem que fossem conhecidos os autores das fotografias examinadas. Si d`entre tantos participantes internacionais dois dos prêmios couberam a fotógrafos brasileiros, não constituem isso indicio de favoritismo, mas prova irrefutável da pujança e do progresso da arte fotográfica brasileira, que tantos louros está colhendo nas exposições mundiais. É claro que grande satisfação nos causou também o fato de se encontrar entre os premiados um membro do nosso Clube. Especial menção desejamos fazer, ainda, á distinção especial conferida ao foto-Cine Clube Gaucho, de Porto Alegre, o qual, embora recém-fundado, apresentou um conjunto primoroso. A todos os participantes do nosso 1] Salão: MUITO OBRIGADO e VOLTEM EM 1953 I . Aos dignos doadores dos prêmios, a imprensa de Blumenau, aos anunciantes deste catalogo e a todos que prestaram seu apoio material e espiritual deixamos aqui consignados o nosso reconhecimento.
Teatro Carlos Gomes
Foto Club Blumenau
Da esquerda para a direita:
- Dr. Renato Fioravanti; Torino (Italia).
- Elizabeth T. Mc Menemy; Sta. Barbara (U.S.A.); premio prefeito Hercílio Deeke
- Edmundo Frings; Hamburgo (Alemanha).
- Francisco Aszmann; Rio de Janeiro (Brasil); premio Empresa Industrial Garcia S/A.

Da esquerda para a direita:
- Roberto E. Leyendecker; Blumenau (Brasil); premio Governador Irineu Bornhausen.
- James T. Johnson ; Sta. Barbara (U.S.A.)
- Bellini de Andrade ; Rio de Janeiro (Brasil)
- Ricardo Berger; Porto Alegre (Brasil)


Colaboração: Sidney Saut,Presidente da Confederação de Fotografia Brasileira/Rubens Heusi

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

- Preto no Branco: Félix Theiss

Parte do depoimento do economista, ex-prefeito de Blumenau (31/01/1973 - 31/01/1977 - Félix Christiano Theiss.
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Programa: Preto no Branco
Local: Auditório da Rádio Nereu Ramos
Mediadores: Paulo Cesar da Silva (PC) e Dirceu Bonbonatti.
Data: 30 de julho 2010
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Pergunta feita pelo cientista social e pesquisador Adalberto Day, sobre o Edifício América e o local onde era o antigo Estádio do Palmeiras-BEC, onde será construído edifícios que irão descaracterizar o centro histórico de Blumenau.
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Resposta: por Félix Christiano Theiss:

Adalberto...obrigado meu caro !!!. Este é o homem que mais contribui para a cultura de Blumenau hoje,...focado principalmente no bairro do Garcia.
Vocês podem ver que as melhores fotos no Santa, o Blogger que ele tem , agora ele tem um Twitter muito  atualizado. E ele é bom demais sobre história. Eu preciso render uma homenagem ao Adalberto .
A Sueli Petry diz: a Sueli quando tem certas coisas quando perguntam a ela, a professora diz assim: "De Garcia o Adalberto entende", vou perguntar ao Adalberto.
Então ele tem coisas maravilhosas, das glórias do Amazonas E.C., das glórias de outras coisas....Bom Adalberto...Edifício do América, está na minha garganta, é um nó danado. Parece que foi uma maldição que rogaram sobre ele, e aquele esqueleto permanece lá.
- Primeiro lugar Adalberto ele foi feito contra todas as normas previstas... Não quero comentar quem fez , quem não fez, como erraram, porque erraram, mas erraram.
Isso ali é STADTPLATZ.  STADTPLATZ no alemão é o Centro Histórico da cidade. Ali nasceu tudo.
O STADTPLATZ na época quando a gente ousou colocar o Mausoléu ali, nós estávamos louco para desapropriar o prédio da esquina ali. que na naquela época onde hoje funciona Turismo Holzmann , mais alguém , um banco , me parece não é, naquela época era da Schrader. E se nós tivéssemos dinheiro, nós teríamos desapropriado ,  pra que aquilo ali ficasse um centro efetivamente histórico .
Outro dia eu brinquei com o pessoal do planejamento, porque disse que o mausoléu tem uma porta de entrada  tão larga, quanto uma porta de saída lá nos fundos tão larga. Porque o Mausoléu deveria ser uma abertura, em que, estudado com carinho naquela época, você entraria e dali iria percorrer o Centro Histórico . Sairia pela porta dos fundos, passaria pelo cemitério dos gatos, curtiria as árvores que Dr. Blumenau plantou e ainda estão lá " Graças a Deus" ainda tem árvores, plantadas por ele..., e curtir aquele centro.... então o edifício América é um nó. Ai que se faz hoje Adalberto, ai tu estás me pondo na parada. Não dá para fazer o que o Cao disse outro dia numa charge muito feliz, eu acho genial o Cao. O Cao é um artista fantástico e o Cao colocava brincando do edifício do esqueleto ele disse pro amigo: o amigo respondeu "tem que fazer um prédio enxaimel"... não dá pra fazer nunca!!!. Essa é a vantagem , do enxaimel em Blumenau. Eu estou aqui diante de um mestre na área de arquitetura por isso eu tenho que respeitar muito, a posição do Lindner, nós dois temos uma posição incomum, onde puder se ressuscitar prédios enxaimel , verdadeiros enxaimel, é... arcabouço de madeira, com o tijolinho encravado ali no meio... maravilhoso. Mas nós não podemos fazer tudo  isso ...mas fizemos uma coisa fantástica, foi lá onde demoliram o antigo cartório Margarida...alguns se lembram na frente do grande Hotel Blumenau, é,...ali na frente saiu o edifício do Banespa!!! O edifício Banespa é show de bola. Eu sei que ele contradiz, alguns princípios dos que querem defender o enxaimel. Cuidado!!!...na Alemanha tem prédios idênticos, idênticos...idênticos. Se olhar o castelinho da Moelmann (Havan) prefeitura de Michelstadt , não sei o nome certo agora..., visitei esse prédio lá . Esse prédio ficou inacabado. A prefeitura lá é muito mais comprida, mais longa...então esse prédio inacabado, mostra uma arquitetura diferente. O que eu preciso dizer Adalberto, é o seguinte: Aqueles que não gostam desse estilo pelo menos valorizem que nós diminuímos o gabarito dos prédios na XV e na Beira Rio. Pelos menos avaliem isso. Se você pegar o prédio do Banespa, olhe o gabarito dele...e olhe o gabarito do prédio das Lojas Hering que na época era um monumento modernismo tal,tal,tal, mas aquilo me fazia mal em termo de estrutura para Blumenau, porque uma coisa tão...já tinha o edifício Brasília que era outra afronta, então se não tivessem surgidos prédios de tantos bancos, e porque bancos gente. Banco já ganhava dinheiro, hoje ganha muito mais,...enganan-se os que pensam, que no atual governo do Lula, os bancos ganhem menos. Ganham muito mais...me revolta ver os balanços, juros na estratosfera, a empresa que precisa vai sofrer,... se pegar, tomar dinheiro emprestado vai sofrer muito nas mãos deles. E eu tenho pena daqueles que entram no negativo, porque negativo é chantagem completa, é pior dos que vivem ai, emprestando dinheiro...do lado. Então o que eu queria dizer ao Adalberto é o seguinte: tal edifício eu fico na encruzilhada .."Meu Deus..."deveria ser demolido? Bah...é um patrimônio que foi construído. Eu estou entre a cruz e a espada, eu confesso para vocês que na negociação com o América, estava o seguinte; eu sou membro do América e numa assembléia nós decidimos o seguinte: saímos do prédio do América e eles nos dão uma sede na rua das Missões e façam um hotel. Ainda fazer um hotel é muito melhor do que deixar aquela porcaria inacabada lá, ... Quero dizer isso pra vocês de coração é o melhor? Não é...mas já tem outros edifícios ali...A STADTPLATZ está desfigurada ela não é mais a STADTPLATZ pura, só enxaimel. Bom...dá para corrigir tudo? Não dá.... E eu respeito a posição dos que dizem nós temos que fazer prédios modernos. Eu só não gostaria de ter aquela monstro de estrutura eu preferia ter um prédio enxaimel mais baixo, não importa que linha de enxaimel. Correio sim, aplaudo parabéns ao correio pelo novo prédio, vou estar lá na inauguração.Tamanha minha vibração..., todas essas coisas eu vibro quando ainda se procura uma releitura. O meu amigo Lindner disse respeitosamente num e-mail...Félix não tem essa coisa de releitura. Então eu aqui de coração,digo para ele, são as pequenas coisas que nós dois não concordamos, mas ele é meu amigo. Mas ele ainda me chama atenção...Félix não tem esse negócio de releitura ...achasse um nome novo...não...eu achei esse nome com um arquiteto...cuidado, Lindner com um colega teu que me disse...Félix é melhor falar em releitura do enxaimel.
Arquivo de Adalberto Day e Rádio Nereu Ramos de Blumenau - a Força do Rádio

sábado, 14 de agosto de 2010

- Quem são os ambientalistas?

Artigo jornal de Santa Catarina
Publicado no dia 03/07/2010/N° 11982

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Novamente a participação do Biólogo Lauro Eduardo Bacca, com um assunto polêmico, mas para a discussão de toda a sociedade blumenauense. O importante é chegar a um consenso que venha a beneficiar nossa cidade, sem transgredir com excessos e intransigências culturais, políticas e pessoais.
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LAURO  EDUARDO BACCA
Beira Rio - margem esquerda e direita
A polêmica da obra da margem esquerda em Blumenau evidenciou mais uma vez o grande desconhecimento sobre o que é ser ambientalista. Se alguém levanta a necessidade de se considerar o lado ecológico de um empreendimento ou obra, imediatamente surge quem o tache de ambientalista, dando sentido quase demoníaco ao termo.
Afinal, o que é ser ambientalista? Como fenômeno social, o ambientalismo realmente causa perplexidade, pois foge a praticamente todos os padrões usuais anteriormente conhecidos. Não caracteriza-se por faixa etária, nível de escolaridade, orientação ideológica ou político-partidária, profissão, religião, sexo, opção sexual, posição social, raça e assim por diante. Em todos esses segmentos e setores, encontramos ambientalistas. E entre os que são assim rotulados, temos desde o mais despreparado, que nunca estudou nada sobre Ecologia e Meio Ambiente, até o mais respeitado PhD no assunto. Há que se tomar muito cuidado, portanto, quando se qualifica algo ou alguém como ambientalista, pois atinge-se um espectro amplo demais de pessoas e atividades.
Beira Rio - margem esquerda
O paulista Paulo Nogueira-Neto é advogado, biólogo e bem-sucedido empresário, um autêntico gentleman, um diplomata nato e católico fervoroso. Já o gaúcho José Lutzenberger era engenheiro agrônomo, um verdadeiro rebelde, contundente e às vezes até agressivo, de comportamento autêntico e liberal, agnóstico. Personalidades mais díspares, impossível. Ambos, porém, são autênticos ambientalistas. Foram ministros de Meio Ambiente. Respeitadíssimos cientistas brasileiros como Aziz Nacib Ab’Saber, de renome internacional, ou o simples estudante Carlos Dayrell, que num impulso em 1975 salvou uma fileira de árvores que até hoje embelezam, frondosas, uma das mais importantes avenidas de Porto Alegre são, cada um a seu modo, ambientalistas.
Beira Rio - margem esquerda e direita
Eu me considero um ambientalista. Se me tacham de “ecochato” ou “biodesagradável”, esforço-me para não ser tanto assim. Se me rotulam de ser contra o progresso, dependendo do que se entende por progresso, sou contra, assim como seria contra embarcar numa canoa furada ou num avião sem garantias de segurança de voo. Se me qualificam como radical, se a questão é a erradicação da natureza e das condições que sustentam a vida no planeta, sou radical, sim. Quem em sã consciência e no perfeito uso da razão não seria radicalmente contra algo que ameaça a qualidade de vida de filhos e netos ou mesmo a própria sobrevivência?
Acima de tudo, não se pode confundir um ambientalista como alguém fora da casinha, um mero louco visionário. A grande maioria é composta por gente séria, que procura estudar a fundo o assunto e merece respeito. Se o objetivo for o da sobrevivência nossa e de todas as outras espécies e uma vida de boa qualidade, digna de ser vivida, bem-vindos os ambientalistas!
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Artigo jornal de Santa Catarina
Publicado no dia 17/07/2010

N° 11994 LAURO BACCA lauro.bacca@santa.com.br


As cinco bocas da vaca

Monges beneditinos no Paraná, para poderem se manter, entre outras atividades criam gado numa fazenda ou sítio em Borda do Campo, próximo a Curitiba. Adotam técnicas modernas de manejo de pastagem de alto rendimento, como o método Voisin, que inclui como princípio jamais deixar o gado pastando muito tempo num só lugar. Para isso, o pasto é dividido em parcelas. André Voisin, autor do método que leva seu nome, explica que o rendimento do pasto será máximo se as vacas pastarem apenas um dia em cada parcela.
Formado em Agronomia e responsável pela criação de gado de seu mosteiro, o monge beneditino Pierre Recroise, também artista entalhador de madeira, costumava explicar o método Voisin aos visitantes com o curioso comentário de que “a vaca tem cinco bocas, uma que come, e as outras são suas quatro patas”. A boca que come, se permanecer muito tempo no local, vai voltar ao mesmo capim e cortá-lo mais vezes, enfraquecendo-o e impedindo tempo suficiente de acúmulo de reservas em suas raízes, necessárias para um início de rebrote vigoroso. As outras quatro “bocas” fazem o resto, através do pisoteio de centenas de quilos em cada passada.
O que as cinco bocas da vaca têm a ver com Ecologia e Meio Ambiente? Os primeiros resultados do Inventário Florístico Florestal do Estado nos dão a resposta, principalmente na região do Planalto, onde ainda é forte a antiga tradição da invernada, em que o gado é liberado para circular nas matas e capões livremente durante os meses do inverno. O estrago é imenso, mas só percebido por agricultores bons observadores ou por quem estudou, acompanhou e entende do assunto, como o doutor Alexander Vibrans, da Furb. A boca que come, corta e danifica inúmeras mudas das futuras árvores daquela floresta e as outras quatro “bocas” pisoteiam, quebram e compactam o solo do local. O resultado são as “florestas ocas”, no dizer da botânica Lúcia Sevegnani, também da Furb, florestas sem mudas de árvores, com um grande vazio de regeneração em seu interior.
Quem não entende do assunto, olha do avião e afirma que ainda temos muita área preservada. Não sabe que aquilo que ele vê de longe ou superficialmente, mal chega a ser um espectro da floresta que foi no passado. No pouco que restou, caçadores continuam matando impunemente os poucos exemplares sobreviventes de uma fauna que outrora foi exuberante e abundante. Leis ambientais feitas para proteger não são cumpridas e agora também são contestadas. O golpe de misericórdia que poderá acabar de vez com essas outrora exuberantes florestas, quem diria, está sendo aplicado por ninguém menos que nossas inocentes e simpáticas vaquinhas. Coitadas. Como nós, humanos, também elas não sabem o que fazem.
Arquivo de Adalberto Day e Lauro Bacca

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

- Cacareco o vereador mais votado

Em Blumenau também teve gente como em São Paulo votaram nas eleições de outubro de 1958 para "Cacareco". Como foi possível leiam o texto. Ainda hoje a aqueles que votariam em um "Cacareco" !!!
Quando lecionava, mencionava aos alunos nas aulas de história sobre "Alexandre o Grande" (336 a.C.) rei da Macedônia" (356 a.C. 323.a.C) elegeu seu cavalo de nome "Bucéfalo" ao senado. Aproveitava a oportunidade para fazer o relato do "Cacareco".

Cacareco na verdade foi um rinoceronte do Zoológico de São Paulo que, nas eleições de outubro de 1958 para vereador da cidade de São Paulo, ganhou cerca de 100 mil votos. Naquele tempo, a eleição era realizada com cédulas de papel "O sufrágio" e os eleitores escreviam o nome de seu candidato de preferência.
Cacareco foi um dos casos mais famosos casos de voto nulo em massa da história da política brasileira, uma vez que se tornou o "candidato" mais votado das eleições. O partido mais votado não chegou a 95.000 votos. As eleições foram no dia 4 de outubro de 1959 . Mais de quinhentos candidatos disputavam as 45 vagas para vereador.
Após a divulgação do resultado das eleições, Stanislaw Ponte Preta teria comentado ao jornal Última Hora que "diversos membros da cúpula do PSP andaram rondando a jaula de Cacareco, para o colocarem no lugar de Adhemar de Barros . Já o então presidente JK - teria declarado: "Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo".
A idéia de lançar o animal como candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins, em protesto contra o baixo nível dos outros 450 concorrentes. O fato se tornou notório e serviu como referência para várias análises de percentuais no Brasil de voto nulo e dos votos de protesto e indignação.
Quando aquele imenso rinoceronte chegou a São Paulo, as pessoas não poderiam imaginar que ele se tornaria uma das figuras mais importantes do folclore político brasileiro. "Cacareco" viera do Rio especialmente para a inauguração do zoológico paulistano, no dia 28 de setembro de 1958.
A população logo se apaixonou por ele e, em poucos dias, Cacareco virou uma ilustre celebridade de coluna social.
Os cariocas queriam sua volta, os paulistas insistiam em ficar com ele, atingindo o objetivo. No ano seguinte, em plena campanha eleitoral para a renovação da Câmara e do Senado, a polêmica sobre o domicílio de Cacareco dominava os jornais. E acabou acontecendo o inimaginável: Cacareco foi eleito vereador de São Paulo, com cerca de 100.000 votos.
Ninguém podia imaginar que iria se tornar símbolo de protesto do eleitorado paulistano.
Cacareco era filho de Britador e Teresinha, o paquiderme bonachão recebeu esse nome porque era feio e desengonçado quando filhote. Cacareco, na verdade, era fêmea e tinha dois chifres.
Três dias antes da eleição, Cacareco seria “exilado”: embarcaram-no num caminhão que o levaria de volta ao Rio de Janeiro. Em sua partida, muita gente deu adeus àquele que seria o maior nome do pleito municipal do estado de São Paulo.
Na época o episódio foi destaque na Revista Time, que transcreveu a opinião de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.
Um rinoceronte – vive em média 45 anos, se mantido em seu hábitat. Porém, o “quase-vereador” morreu alguns anos depois de ter alcançado o estrelato. Não completou nem 10 anos de vida. A quem diga que desiludiu-se com a carreira pública, que prometia. E Cacareco, é bom registrar, nunca prometeu nada.
Na época, daria para elegeria quase 10 candidatos. era na base do papelzinho, na mão. Hoje não seria possivel , com a urna eletrônica.
Mas o assunto e por isso trago a tona, é um termo novamente usado em nossos dias. Os votos Cacarecos são para os candidatos engraçados, folclóricos, sem expressão alguma ou semi-analfabeto.
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Até uma música (marchinha) foi sucesso em muitos carnavais.
Cacareco É O Maior
Dupla Ouro e Prata, Marcha do Cacareco. Durval de Sousa e Maria Teresa ... Risadinha e José Roy

Ca-ca-ca-ca-re-co

Cacareco, Cacareco é o maior
Ca-ca-ca-ca-re-co
Cacareco de ninguém tem dó
Eu encontrei o Cacareco
Tomando chope com salsicha e rabanada
Mas lá no bloco da vitória ele gritava
Aqui, Gerarda, aqui, Gerarda.
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Arquivo de Adalberto Day

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

- Time do União da Rua da Glória

Registro da década de 1970 mostra o time do União da Rua da Glória, formado por parentes das famílias Santos, Zimmermann, Mendonça, Oliveira e Silva. Em pé : Zé Carlos, Célio, Hélio, Flávio, Madrugada, Jair Mendonça, Agachados : Jair Santos, Silvio, Gerson, Luizinho, Vilmar e Antônio.O técnico da equipe era o senhor Nena Heiden. (Imagem: arquivo pessoal de Célio Zimmermann, Álvaro Luiz dos Santos e Adalberto Day)
Publicado no Jornal de Santa Catarina, – 06/08/2010 coluna ALMANAQUE DO VALE .
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Tive oportunidade de jogar com todos esses jogadores e garanto que foram bons de bola. Destaque para Zé Carlos, Goleiro Flávio espetacular que atuou também no Amazonas, Gerson da Silva amigo e morador da Rua Almirante Saldanha da Gama, que jogou no Doze (1954/1979), Serrinha, Amazonas, jogador por demais talentoso, Silvio Mendonça também grande jogador pela Associação Artex.
Jogaram no período de 1975 à 1978. foram 41 jogos por todos os cantos da cidade e região. Invictos 40 jogos, bastou perder o primeiro jogo e o time se desfez, segundo meu amigo Álvaro "brigas internas...coisas de famílias".
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Em todo Grande Garcia também existiam outras equipes de pequenos e médio porte, mas com grande passagem e revelações de atletas, como Brasileirinho na Rua Amazonas, o Garciesporte Clube (1971/1973) que atuava no campo do Amazonas. O Glória (1959/1970), o Horizonte em atividade (fundado em 1961), Cruz de Malta, Estrelinha, ( havia o saudoso ESTRELA VERMELHA, que tinha sua sede na região do Gaspar Alto e era comandado pelo nosso amigo falecido VALDIR ex-goleiro do Olímpico e proprietário do Bar Sonia na rua 7 de setembro.
Atuavam nesta equipe Zeca Santiago, Armando Butske, Gerson, Silvio, Célio, Russinho, Cavaco, Nego, Gaipava, Arninho, Argeu), Estrela Azul, Caiçara, União, Colorado, Maringá,Centenário, Juventude, Humaitá .no Zendron o Independente, o Ájax . No Buraco Quente o três de Maio e tantos outros. No progresso ainda tínhamos o Progresso (entre 1952/1958), o o América, Niterói, a Ponte Preta, em atividade, o Santa Maria E.C, o Jordão E.C, o Canto do Rio (fundado em 1959), em atividade, que já conquistou vários torneios inclusive da liga Blumenauense de futebol de amadores (LBF).
O Niterói , e o América, faziam suas atuações no Pasto do Sr. Bernardo Rulenski (depois associação Artex).
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História:
O futebol em Blumenau até 1941, era praticado mais de forma amadora, quando então é fundada a LBF – Liga Blumenauense de Futebol, que passa a organizar campeonatos da cidade e regionais.
Anteriormente o futebol era praticado somente por equipes formadas pelos jovens do “Turnverein Blumenau – Sociedade de Ginástica (1873-1942)” e operários da Empresa Industrial Garcia, depois Amazonas Esporte Clube. Os jogos eram realizados nos finais de semana, próximo ao hotel Holetz, hoje Grande Hotel.
O primeiro jogo em Blumenau com equipe realmente formada foi no dia 26 de março de 1911 – no pasto do hotel Holetz contra um grupo de alemães – Imperial Esquadra Alemã – (conforme registros no jornal Der Urwaldsbote da época era um domingo à tarde), o resultado do jogo foi vencido pelos alemães 5x2 .
O Amazonas foi a primeira equipe de Blumenau a vencer um time de Florianópolis (seleção da cidade), o placar foi 2x1, gols de Nena Poli e Leopoldo Cirilo.
As mais tradicionais equipes de Blumenau foram o G. E. Olímpico, Palmeiras E.C., Amazonas E.C. (todos fundados em 1919), S.E. Vasto Verde, Guarani, Progresso, que disputavam o campeonato da cidade, e torneios inícios, que hora era vencido por uma ou outra equipe.
O importante nessas competições era o espírito esportivo e o amor à camisa vestida por qualquer dos componentes das agremiações blumenauenses.
Além do campeonato da cidade, também existia a disputa com outras equipes da região, das quais podemos citar o Tupi de Gaspar, União de Timbó, Floresta e Botafogo de Pomerode, XV de Outubro de Indaial, Internacional de Indaial, Baependi de Jaraguá do Sul e outros.
Eram tempos de muita nostalgia, amor, determinação e colaboração, relatos feitos por muitas pessoas que conviveram e viveram nas décadas citadas e posteriores, as quais não nominamos para não sermos injustos com cidadãos que com merecimento deveriam constar e por alguma razão poderiam ser esquecidos. Por isso falamos em nome de toda a comunidade de Blumenau, principalmente do Grande Garcia, ao referirmos ao Glorioso Clube Alvi-Celeste.
Adalberto Day Cientista social e pesquisador da história

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