"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

- Aluna do Grupo Escolar São José

 A imagem de 1962 mostra a escritora Urda Alice Klueger, então aluna do Grupo Escolar São José – atual E.E.B. Governador Celso Ramos, Bairro Glória. O educandário foi fundado em 14 de fevereiro de 1929, com o nome de Escola Paroquial São José. Era comum na época todos terem uma foto exibida como recordação. Desde 1991 o diretor-geral é João Albino Gonçalves (Foto: Arquivo de Adalberto Day)
Publicado no Jornal de Santa Catarina –28/04/10, coluna ALMANAQUE DO VALE do jornalista Sérgio Antonello
Arquivo de Adalberto Day

Histórico

- A Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos foi fundada em 14 de fevereiro de 1929, com o nome de Escola Paroquial São José (servia de Capela pela comunidade – com sede inicialmente na Rua Belo Horizonte, em propriedades da família de Carlos Loos).
- A primeira comissão para a construção da escola e a igreja era formada por Henrique Heiden, Carlos Loos, Roepcke, Gustavo Weinrich. Compraram o terreno da família Schatz (antes o terreno era da família Sasse). Todos com exceção de José Schatz doaram o terreno, que chegou a estar em mãos da professora Júlia Strzalkowska, . Antes dessa negociação do terreno, cogitou-se a construção de um cinema e de um hotel” (depoimento do sr. Nicolau Schtaz em 2002).
O primeiro Presidente da escola foi Paulo Schatz, vice-presidente Carlos Loos e o primeiro secretário Nicolau Schatz.
Quem sugeriu o nome da igreja e ajudou a fundá-la foi o frei Beda Koch, já na segunda comissão presidida pelo Sr. Rafael Rosini.
- Em meados de 1951, a Escola já contava com mais de 500 alunos.
- Em 1953, uma nova comissão em prol da ampliação da Escola foi formada, e comandada pelo Frei Raul Bunn.
Com o apoio da comunidade a escola foi ampliada, atendendo assim as necessidades da crescente demanda de alunos. Em 1954, a Escola São José, comemorava sua festa jubilar de 25 anos de fundação, bem como a festa de Dona Júlia, agora Diretora da Escola.
Em 1957, a direção da Escola Paroquial foi confiada às Irmãs da Providência. Nesse ano, a Escola Particular foi transformada em Grupo Escolar São José, por decreto assinado pelo Governador Jorge Lacerda.
A direção da escola continuou sob a responsabilidade das irmãs, funcionando desde o Jardim de Infância até a 5ª série, do antigo Curso Primário.
Em 1960, o novo prédio foi oficialmente inaugurado pelo Governador Jorge Lacerda, que assinou convênio com a escola, decretando que as professoras seriam remuneradas pelo Estado.
No ano de 1966,pelo Decreto Nº 3823, de 21 de janeiro, foi criado o Ginásio Normal Governador Celso Ramos, funcionando somente no período noturno em salas cedidas pelo Colégio São José e tendo como diretora a Professora Dóris Terezinha Sanceverino.
Em 1969, o Ginásio passou a funcionar em prédio anexo ao Colégio São José, com 12 salas de aula, além de salas destinadas à secretaria, à direção e aos professores.
No dia 31 de março de 1971, com a implantação do novo Plano Estadual de Educação, a escola foi transformada em Escola Básica Governador Celso Ramos. Em 1974, houve a fusão do Grupo Escolar São José com a Escola Básica Governador Celso Ramos.
Já em 1976, com 2225 alunos, houve a implantação do 2º Grau e a escola passou a denominar-se Conjunto Educacional Governador Celso Ramos. A partir daí, passou a contar com mais duas direções: além do Diretor Geral, um responsável pelo 1º Grau e outro pelo 2º Grau.
Em 1979, as instalações foram ampliadas e realizou-se a cobertura do pátio interno. O Conjunto Educacional Celso Ramos, uma das maiores escolas de Santa Catarina, contava até então com 2300 alunos atendidos em três turnos, desde o Pré - Escolar até 2º Grau.
Com a saída da direção do Reverendo Padre Vertolino José Silveira, assume a professora Terezinha Warmeling, que em 1983 passa o cargo para a Professora Carla Laemmle Campos.
Em 1985, a Associação de Pais e Professores, que era administrada pelo CAP (Conselho de Administração Paroquial), decreta sua autonomia e constitui sua diretoria.
Em 1990, por eleição interna entre os funcionários, assume a direção a Professora Vanilda Anacleto Bittencourt até dezembro do mesmo ano.
Em 1991, eleito com 70% dos votos, o Professor João Albino Gonçalves assume a direção do estabelecimento escolar.
No ano de 1999, no dia 20 de novembro, após amplo resgate da história do Conjunto Educacional Celso Ramos, desenvolvido por todos os segmentos da comunidade escolar, foi comemorado o aniversário de 70 anos de fundação da escola.
No ano de 2000 passa a denominar-se Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos e a atender a 2100 alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino.
Em novembro de 2008, a escola foi atingida por um deslizamento de terra, sendo que muitas dependências do andar térreo foram danificadas. A partir desse evento catastrófico, o prédio que a abriga foi submetido a uma reforma geral, custeada com recursos oriundos da parceria entre os governos federal e estadual.
Essas terras onde estão o colégio foram adquiridas da família Schatz , pela comunidade de todos os credos, mas por indução do Frei Raul Bunn, a comissão comandada pelo Sr. Rudolfo Papst passou a emprestar o nome da Igreja que iria assegurar a propriedade da comunidade em nome da comunidade. Lamentávelmente em agosto de 2002, o Bispo diocesano da catedral São Paulo Apostolo de Blumenau através da MITRA, vendeu ao governo do Estado o Colégio que foi construído pela comunidade sem distinção religiosa. Um ato que revoltou toda uma comunidade, de uma atitude prepotente, e sem fundamentação histórica. A comunidade no geral não foi consultada, apenas alguns lideres que não aceitaram a venda, gerando discussões em Rádio e Jornais.
Quero aqui relatar que no direito judicial a venda do educandário foi efetuada dentro da legalidade, porém nem tudo que é legal é moral e ético, e foi isso que foi ignorado.
Quando falamos que foi a comunidade que construiu, foram de todos os credos, inclusive os céticos, maçons, espíritas e ateus, o que eles queriam era uma escola.
- Esse colégio foi o esforço de toda uma comunidade, ainda quando a Rua da Glória era conhecido com o nome de Spectife (palavra de origem alemã que quer dizer terra gordurosa ou lamacenta – barro vermelho) e foi nessas terras lamacentas que a comunidade do grande Garcia independente de credo, política, e pessoas representativas do bairro, como o Sr. Rudolfo Papst, Orlando de Oliveira, Francisco de Oliveira, João Heiden, José Klein Jr., Júlio Corsini, Antonio Tillmann, Dr. Nelson Salles de Oliveira, José de Oliveira, Oswaldo Malheiros , posteriormente Frei João Maria e o Padre Virtulino que introduziu o segundo grau e tantos outros que poderíamos nominar, levantaram tijolos por tijolos deste grande Educandário.
Adalberto Day Cientista social e pesquisador da história

quarta-feira, 28 de abril de 2010

- O Gabião da Rua Emilio Tallmann

No dia 13 de novembro de 2009, o então secretário de Estado de Desenvolvimento Regional de Blumenau, Paulo França, acompanhado do Gerente de Infraestrutura Cleverton João Batista, o Diretor de Articulação Política Comunitária, José Luis Gaspar Clerici, juntamente com lideranças da comunidade Carlos Alberto Salles de Oliveira, Presidente da Comissão Pró Construção do AGG, Adalberto Day líder comunitário, cientista social, Secretário da Comissão Pró AGG e membro da Associação METAJUHA, esteve a nosso pedido, neste local onde colocamos o descontentamento da comunidade com a forma como a obra foi executada.
“Crasso e Obvio”.
Na oportunidade, foi solicitado ao secretário Paulo França e ao Gerente de Infraestrutura Cleverton, que fossem verificadas possíveis irregularidades, no gabião na margem direita do Ribeirão Garcia, local onde houve um avanço para dentro do Ribeirão conforme mostra as fotos, quando deveria ser o contrário. Deveria sim ser retirada a curva existente e o gabião adentrando as margens com a Associação Artex.
Afirmaram-nos que a obra era monitorada a cada 15 dias, mas que comunicariam o fato à empresa que realizou a obra.
Outras reuniões foram realizadas, na Associação da Rua Emilio Tallmann, com a presença do Prefeito João Paulo, vereador Deusdith de Souza, e comunidade.

Nesta terça-27/abril/2010, o vereador Deusdith, mostrou imagens na Câmara de Vereadores e em seu pronunciamento comentou sobre a obra mal executada sem que a comunidade fosse ouvida, sabiam que não era essa a forma correta. Deveria haver uma melhor fiscalização e que a obra foi questionada junto ao Ministério Público. Foram gastos mais de R$ 2,7 milhões que podem estar sendo – “dinheiro público jogado no ralo”-, concluiu o vereador.
Estive no local logo após o pronunciamento do vereador, e pude constatar que a situação é realmente delicada, e merece uma rápida solução antes que todo trabalho seja perdido. Pude verificar exatamente aquilo que prevíamos. Com a velocidade das águas, não consegue fazer a curva e passa direto adentrando por de trás do gabião e em consequência sua destruição.
A boa noticia, também nesta terça/27/abril/2010, ouvi na TV Galega do Gerente de Infraestrutura Cleverton João Batista, que as obras de contenção as margens e morro da curva do cemitério na Rua Progresso, terão início imediatamente, com prazo de conclusão em até 180 dias. Para isso estão sendo disponibilizados R$ 950 mil.
Para saber mais, acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/11/ponte-do-centenario-ruas-emilio.html
Arquivo de Adalberto Day

terça-feira, 27 de abril de 2010

- Um Eterno Problema

Em 1985, foram feitas bancadas para abertura e pavimentação do local. Foram arborizadas, mas a partir de 1990 os problemas de desbarrancamentos acontecem frequentemente.
VALE EM ALERTA
OPINIÃO: UM ETERNO PROBLEMA
Até quando vamos conviver com o problema da curva do cemitério da Rua Progresso? Desde 1990 os desbarrancamentos acontecem frequentemente. Solicitamos às autoridades municipais e estaduais – que estiveram no local – obras de contenção no barranco do Ribeirão Garcia, como também bancadas, de cima para baixo, no morro. Só foram executadas obras paliativas, com a retirada do barro excedente.

No morro próximo ao Posto Bruno as necessidades são idênticas. Ainda podemos observar o barro que está depositado no barranco do Ribeirão Garcia desde a tragédia de novembro de 2008. Parte é de deslizamentos e outra parte foi depositada ali para abertura da via pública.
Qualquer chuva um pouco mais forte provoca deslizamentos, pondo em risco toda uma comunidade e o trânsito intenso pelo local. Eu tenho a convicção, como muita gente do bairro, que é só uma questão de tempo e toda essa curva após o cemitério virá abaixo. Boa parte da via pública está comprometida e pode desabar, causando uma tragédia ainda maior. São necessárias obras urgentes e duradouras, não paliativas.
Caso o morro venha a deslizar em quantidades maiores, pode ocorrer um desvio no ribeirão, causando uma imensa inundação nas casas ribeirinhas, e esta é a preocupação que vem tirando o sono de nossa gente.
Publicado no Jornal de Santa Catarina em 27/Abril/2010
ADALBERTO DAY
Cientista social e morador do Progresso

domingo, 25 de abril de 2010

- Enchente e deslizamentos em Blumenau

As chuvas constantes dias 24/25/26/27/abril/2010, voltam a assustar os blumenauenses.
Leiam em ordem cronológica sobre a enchente dos dias 25/26/27/abril./2010, em Blumenau
Desde às 06:00- 26/04/10-  trabalhos na curva do cemitério
A maior atenção fica por conta dos deslizamentos como já está ocorrendo na curva do cemitério (Foto) – na Rua Progresso. A defesa civil de Blumenau trabalha em estado de alerta.
Às 20hrs. deste domingo 25/abril, na última medição, o nível das águas é de 6,50 metros.
Às 21hrs - 6,66 m
Às 22hrs - 6,78 m
Às 23hrs - 6,94 m
Às 24hrs - 7,06 m
O local na curva do cemitério é este da foto.
_________________________________
Dia 26/abril: nível do Rio Itajaí-Açu
Às 01hrs - 7,20 m
Às 02hrs - 7,38 m
Às 03hrs - 7,60 m
Às 04hrs - 7,72 m
Às 05hrs - 7,88 m
Às 07hrs - 8,18 m
Às 08hrs - 8,26 m
Às 09hrs - 8,34 m
Às 10hrs - 8,40 m
Às 11hrs - 8,40 m
Às 12hrs - 8,44 m
Às 13hrs - 8,44 m
Às 14hrs - 8,44 m
Às 15hrs - 8,40 m
Às 16hrs - 8,40 m
Às 17hrs - 8,44 m
Às 18hrs - 8,44 m
Às 19hrs - 8,46 m
Às 20hrs - 8,46 m
Às 21hrs - 8,40 m
Às 22hrs - 8,36m
Às 23hrs - 8,32m
Às 24hrs - 8,24m
Fotos de Jaime Batista da Silva do Centro de Blumenau, à 1 hora da madrugada 26/abril/10, e 09 horas

PMB ativa cinco abrigos da Defesa Civil
A Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social, orienta a comunidade que necessita deixar suas casas, que cinco abrigos da Defesa Civil já estão ativados. Os abrigos ficam em escolas da rede municipal, estadual e entidades religiosas.
Vale lembrar que nas unidades escolares que funcionam de abrigo não haverá aula. Nas outras unidades haverá as aulas normalmente.
Confira onde ficam os abrigos ativados:
N3 – EEB Jonas R. Coelho Neves ** Rua Denis Diderot, s/nº Fidélis
N2 – EBM Felipe Schmitt ** Rua Frederico Jensen, 3.139 Itoupavazinha
S2 – EBM Pastor Faulhaber ** Rua Pastor Osvaldo Hesse, 1090 Ribeirão Fresco
Par. São Francisco de Assis ** Rua Francisco Vahldieck, 1149 Fortaleza
Igreja E. Livre de Blumenau ** Rua Cidade do Salvador, 89 Itoupava Norte
A defesa civil, alerta a comunidade que fique atenta aos sinais de movimentação de terra. Em caso de emergências ou dúvidas, contato com a defesa civil, pode ser feito pelo telefone 199.
Segundo as previsões a chuva pode perdurar até terça feira 27/abril.
As primeiras ruas a serem atingidas a partir dos 8 metros são:
Rua 1º de Janeiro, Fidelis.
Rua Roberto Bruch, Itoupavazinha
Veja cota de enchente em ruas de  Blumenau:
http://bit.ly/bwX99p

Deslizamentos em várias Ruas de Blumenau:
No bairro da Glória, Rua Carlos Stiehler é interditada, até altura do nº 700.
Outras Ruas atingidas : Rua Grevsmuehl – Da Glória
João Severino Gomes – Dá Glória
Antonio dos Santos, também no bairro Glória, Ernesto João Nunes no Tribes, Miguel Simão Santos na Nova Esperança. No  Progresso a curva do Cemitério só meia pista, mas deverá ser interditada.

Foto: Jaime Batista da Silva
Dia 27/Abril: Nível do Rio Itajaí-Açu em Blumenau
O Nível do Grande Rio continua baixando, trazendo tranquiliadade a nossa gente.
Às 06:00hrs - 8,00m
Às 07:00hrs - 7,97m
Às 08:00hrs - 7,92m
Às 09:00hrs - 7,86m
Às 10:00hrs - 7,74m
Às 11:00hrs - 7,68m
Às 12:00hrs - 7,60m
Às 13:00hrs - 7,52m
Às 14:00hrs - 7,44m
Às 15:00hrs - 7,34m
Às 16:00hrs - 7,24m
Às 17:00hrs - 7,14m
Às 18:00hrs - 7,06m
Às 19:00hrs - 6,94m
Às 20:00hrs - 6,80m
Às 21:00hrs - 6,68m
Às 22:00hrs - 6,55m
Às 23:00hrs - 6,45m
Às 24:00hrs - 6,32m
Eu como pesquisador, cientista social, a cada chuva também me preocupo. Atrás de nossa residência, esta tarde ficou assim (Foto). A partir de 2008, qualquer chuva um pouco mais intensa, os resultados são preocupantes. Corre muita água. Até Janeiro de 2008 quando caiu à primeira barreira, isso não ocorria.
Conversado com o vizinho (em várias oportunidades), este se mostra insensível e diz ser da natureza, quando na verdade as águas são provenientes  do seu terreno e poderiam ser alteradas com simples aberturas de pequenas valas, já que tanto atrás como do lado faz parte de seu terreno. A primeira vez a camada que deslizou não foi tão grande, e na oportunidade o barro foi transportado para o lado do vizinho com sua permissão.
Acesse também e saiba tudo sobre as enchentes em Blumenau:
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/11/enchente-enxurrada-caos-em-blumenau.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/12/tragdia-anunciada.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/02/tres-meses-da-tragedia-em-blumenau.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/o-rio-do-garcia-esta-chorando.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/11/enchente-em-blumenau.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/09/as-chuvas-em-blumenau-setembro-2009-09.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2010/04/chuvas-em-blumenau.html
Veja cota de enchente em ruas de Blumenau:
http://bit.ly/bwX99p
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

sábado, 24 de abril de 2010

- A Casa de Busch


A imagem mostra a casa de Frederico Guilherme Busch na Rua XV de Novembro no centro de Blumenau

Ele sempre foi um exemplo de Arrojo e dedicação a nossa querida Blumenau. Entre os diversos empreendimentos que marcaram o final do século 19 em Blumenau, destacou-se a figura arrojada de Frederico Guilherme Busch, nascido em Santo Amaro da Imperatriz, chegou a cidade em 1888, com 22 anos de idade.
Um Homem inquieto e criativo. Visionário Frederico Guilherme Busch foi um dos grandes empreedendores da cidade de Blumenau no inicio do Século 20. Busch foi Alfaiate, Suplente de Juiz de Direito, sócio de Indústria Têxtil. - Frederico Guilherme Busch. Nasceu em 29 de dezembro de 1865. Por orientação médica preferiu abandonar o Litoral e, por opção, escolheu Blumenau para morar. Filho do carpinteiro Wilhelm Busch, antes de deixar a cidade natal, Frederico aprendeu a profissão de alfaiate, ramo que usou para se estabelecer no Vale do Itajaí. O fato de ser “estrangeiro” não impediu Busch de fazer parte da história de Blumenau.

- O alfaiate chegou em 1888, mas não demorou muito para começar a interferir de forma intensa no dia-a-dia da cidade. Poucos anos depois da chegada, já inaugurava um comércio de importação e exportação, considerado o primeiro exportador de laticínios da região.





Foi um bem sucedido comerciante, que exportava manteiga, queijo, banha e outros produtos coloniais. Investiu na indústria. Instalou a primeira Usina Hidrelétrica da cidade. Ele promoveu a primeira sessão de cinema e foi o primeiro proprietário de automóvel da cidade.Faleceu em Julho de 1943, aos 77 anos.
A banha era um produto feito em diversos locais da cidade, sob o controle de Busch, no final do século 19.

- Em 1903, Busch importou um automóvel movido a vapor, primeiro veículo motorizado a chegar na cidade e um dos primeiros a circular em todo o Brasil. Em novembro do mesmo ano era nomeado segundo suplente de juiz de Direito em Blumenau, cargo que voltou a assumir em 1904. Segundo minhas pesquisas com ex empregados da Empresa Garcia, este Ford, ficou abandonado por anos no interior do parque fabril da empresa, e por volta dos anos de 1940 foi enterrado dando lugar a novas construções. Busch até seu falecimento foi um dos principais sócios e dirigentes da E.I.Garcia.
Arquivo de Adalberto Day

quarta-feira, 21 de abril de 2010

- Estratégia Saúde da Família

Com satisfação, abrimos espaço para Dra. Danielle Bernardi de Chaves.
Médica de Família, Pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela PUC/RS.
Servidora pública concursada pela PMB.
Lotada no ESF Maria S. Baumgartner, rua da Glória.
Diretora Técnica do Ambulatório Geral Garcia.

AGG -  IRMÃ MARTA ELISABETHA KUNZMANN
ABRA O SEU CORAÇÃO PARA A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

A estratégia de Saúde da Família é um projeto dinamizador do SUS, condicionada pela evolução histórica e organização do sistema de saúde no Brasil, é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde.
Iniciado em 1994, apresentou um crescimento expressivo nos últimos anos, sendo esta velocidade de expansão da Saúde da Família comprovada pela adesão progressiva, de gestores estaduais e municipais aos seus princípios.
A Saúde da Família como estratégia estruturante dos sistemas municipais de saúde tem provocado um importante movimento com o intuito de reordenar o modelo de atenção no SUS.
Busca maior racionalidade na utilização dos demais níveis assistenciais e tem produzido resultados positivos nos principais indicadores de saúde das populações assistidas às equipes saúde da família.
A atuação das equipes ocorre principalmente nas unidades básicas de saúde, nas residências e na mobilização da comunidade, caracterizando-se: como porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde; por ter território definido, com uma população delimitada, sob a sua responsabilidade; por intervir sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; por prestar assistência integral, permanente e de qualidade; por realizar atividades de educação e promoção da saúde; por estimular a organização da comunidade para exercer o controle social das ações e serviços de saúde; por atuar de forma intersetorial, por meio de parcerias estabelecidas com diferentes segmentos sociais e institucionais, de forma a intervir em situações que transcendem a especificidade do setor saúde e que têm efeitos determinantes sobre as condições de vida e saúde dos indivíduos-famílias-comunidade.
Grupo de Educação em Saúde para Hipertensos e Diabéticos, coordenado pela Dra. Danielle Bernardi de Chaves, do ESF Maria S. Baumgartner, Blumenau, SC.
Equipe de Saúde ESF Maria S. Baumgartner a caminho para Visita Domiciliar:
Dra. Danielle Bernardi de Chaves, Médica do ESF Maria S. Baumgartner, prestando atendimento em Visita Domiciliar.
ESF é vocação, é amor ao próximo.
Onde há um ESF a população tem o privilégio de ter assistência à saúde de toda a sua família, da criança ao adulto, o idoso, a gestante, todos, terão assistência médica na porta de casa, ou a alguns metros de casa, e caso estiver acamado, não podendo vir ao ESF, o médico vai à sua casa prestar atendimento, e todo mês, uma pessoa, o Agente de Saúde, figura fundamental, digo, pilares do ESF, passará em sua casa, para saber da sua saúde e de sua família, fará orientações de saúde e repassará os problemas que identificou na
comunidade para a equipe de saúde, e esta se mobilizará, através da consulta domiciliar, agendamento quase que prontamente para consulta médica, através de ações em saúde como palestras educativas, em que aos poucos tenta-se conscientizar a população de que a prevenção é a chave para não adoecer e só através de mudança de hábitos e conceitos mudaremos também a cara da nossa saúde!
A responsabilidade pelo acompanhamento das famílias instiga a equipe de saúde da família a ultrapassar os limites classicamente definidos para a atenção básica no Brasil, especialmente no contexto do SUS.
Quando se avalia o desempenho da Estratégia Saúde da Família, o modelo de
Atenção à Saúde do Brasil é referência internacional, destaque para outros países e é pauta política dos gestores públicos. Hoje considera-se a estratégia Saúde da Família consolidada nos municípios brasileiros.
Desempenho este comprovado através de estudos acadêmicos em curso, que
demonstram que a Saúde da Família no período de 1992 a 2002 apresenta indicadores animadores como a redução da mortalidade infantil.
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo e Universidade de Nova York, demonstra que a cada 10% de aumento de cobertura por ESF, o índice de mortalidade infantil cai em 4,6%.
E o fator crucial da avaliação é o crescente aumento da satisfação dos usuários quanto ao atendimento recebido, resultado das práticas e acolhimento feito pelas equipes de saúde.
Eu trabalho no ESF há 5 anos, e sou apaixonada pelo meu trabalho pois acredito naquilo que faço! Penso, se eu mobilizar meus agentes de saúde a buscarem todos hipertensos e diabéticos de sua área de abrangência para virem ao ESF periodicamente para consulta médica e educação em saúde, quantos destes deixarão de ter um 'Derrame" ou "Infarte", evitarão de serem hospitalizados, de terem complicações outras, advindas destas patologias, seqüelas, quanto eu poderei intervir nessa minha comunidade agindo de maneira preventiva para dar-lhes longevidade com qualidade de vida! Quantas crianças eu poderei acompanhar para haver adequado ganho de peso/estatura e desenvolvimento neurológico/psicomotor , imunizações que estarei monitorando, e quanto ao Pré-Natal e Saúde da Mulher, fazendo o acompanhamento das gestantes mensalmente, com suporte de exames e preparando a "mãesinha"para a chegada do seu filho, orientando sobre a importância do aleitameto materno exclusivo até os seis meses, no mínimo, e a parte emocional trabalhada, pois é um momento da vida da mulher em que ela se sente vulnerável, com muitas dúvidas, medos frente a algo novo em suas vidas! Também na prevenção do câncer de colo de útero, são coletados exames preventivos em todos os ESFs,na prevenção do câncer de mama, são solocitadas mamografias nos ESFs, e agora uma novidade em Blumenau os mutirões feitos para prevenção do câncer de próstata! Já partindo do princípio da necessidade da comunidade, por demandas levantadas, em estarmos começando programas para prevenção da saúde do homem.
Eu vejo a Estratégia Saúde da Família como uma mãe que cuida de uma grande família, desde o filho que está no ventre, o outro que está na creche, o adolescente, o adulto jovem, o pai, o avô, a avó e a própria mãe, aqui eu fazendo um comparativo da mãe, sendo o ESF, que a comunidade deve cuidar bem do seu ESF, valorizar o trabalho da equipe de saúde, dos profissionais, lutar sempre por melhorias, participando ativamente dos Conselhos Locais de Saúde, sempre de maneira a agregar algo positivo à equipe de saúde, resolver um ou outro problema, mas sempre de maneira positiva, pois o ESF é para a comunidade, é uma conquista da comunidade, e prova sua representatividade!
Dra. Danielle Bernardi de Chaves.
Arquivo: Dra. Danielle B. de Chaves e Adalberto Day

segunda-feira, 19 de abril de 2010

- Projeto Indígena

Educação para a revitalização da língua e da cultura Laklanõ/Xokleng

Texto sobre Indígenas do amigo Carlos Odilon.
Carlos Odilon da Costa.( Professor de escola pública, mestre em Educação pela FURB Blumenau SC, com a pesquisa Autonomia em Paulo Freire e a Educação Indígena, pesquisador do grupo Educogitans Mestrado em Educação FURB.)

No ano de 2009 o professor Ernesto Jacob Keim inscreveu o projeto referente a Educação Indígena da Universidade Regional de Blumenau FURB, por intermédio do grupo de pesquisa do Mestrado em Educação Educogitans, no processo seletivo Capes/ Observatório da Educação Indígena, um programa nacional voltado ao desenvolvimento de estudos e pesquisas que priorizem a formação de professores e gestores educacionais para territórios ocupados por povos indígenas e que escolhe os melhores projetos a nível nacional, que de certa forma contribuirá com a valorização da cultura indígena.
Foto: Reunião Aldeia Coqueiro
O projeto foi aprovado juntamente com mais 16 projetos de outras Universidades, com o seguinte título: “Planejamento Pedagógico-Didático e Formação Intercultural de Professores para a Revitalização da Língua e da Cultura Laklanô/Xokleng nas Escolas Indígenas Laklanô e Bugio em Santa Catarina”, este projeto é coordenado pelo professor Jacob e que tem como foco o Povo Laklanô, que se constituiu com os remanescentes do povo Xokleng, juntamente com indígenas dos povos Guarani e Kaigang. O interesse dos pesquisadores no Povo Laklanô se dá pelo fato de que eles existem há aproximadamente 3.000 anos na região do Vale do Itajaí Açú, na condição de povo nômade, que tinha como hábito fazer duas migrações anuais, passando o inverno no litoral e o verão na serra e no planalto. Vivem hoje na Reserva Duque de Caxias, localizada entre os municípios de Doutor Pedrinho, José Boiteux, Victor Meireles e Taió.
Atualmente segundo as lideranças indígenas da localidade, um grande desafio é como manter a identidade e a cultura de pertencimento, em um mundo cada vez mais globalizado fragmentário? Os próprios indígenas percebem que seus jovens e crianças não possuem mais acesso aos saberes e cultura tradicionais, para agravar existem “aldeias” na Terra Indígena Laklanô, que quase 90% não falam mais o Laklanô/Xokleng, nesse sentido, para muitos indígenas, eles estão vivendo um momento desafiador, nas palavras de Paulo Freire: “Situação Limite”, ou algo deverá ser feito para que revitalize a cultura (inédito viável) , ou o na terão mais esperanças quanto a futuro de seu povo. O Projeto nasce a partir do olhar, de revitalizar a língua e a cultura Laklanô/Xokleng dentro de uma perspectiva ética-vital, ou seja, os indígenas serão sujeitos no projeto e não objetos, este projeto será totalmente revertido para os povos indígenas da Terra Laklanô. Pensamos que o local pó excelência para desencadear este processo, passa pela Escola. A escola nos próximos anos terá a missão de ser o inicio de um processo maior que visa influenciar as comunidades em seu entorno, os aknos serão formados, dentro de uma visão de colaboração e participação na comunidade e preservando a cultura e a língua Laklanô/Xokleng.
Foto: Ponte para Aldeia Toldo
O projeto já teve início e as primeiras ações foram as seguintes:Após algumas reuniões de nosso grupo, em particular a pessoa do professor Jacob e as lideranças indígenas de todas “Aldeias” do Território Indígena e o povo das comunidades, foi liberada nossa entrada no território Indígena, para iniciarmos o projeto. Nos dias dias 19, 20 e 21 de Fevereiro visitamos a Terra Indígena para a aplicarmos um questionário sócio/cultural/econômico.
No primeiro dia houve uma reunião com o cacique presidente Aniel e os demais caciques na sede as FUNAI em José Boiteux. A pesquisa foi desenvolvida ao longo dos três dias contemplou as aldeias: Pavão, Palmerinha, Bugio, Figueira, Toldo e Sede. A Aldeia Coqueiro foi realizada uma semana após esta data. Está pesquisa de campo nos ajudará a conduzir o projeto. A partir da pesquisa veremos como poderemos criar a formação para os professores indígenas, seja no curso de especialização que será ofertado para eles, ou até mesmo no ambiente virtual que está em fase de construção. Os professores indígenas foram escolhidos pelas lideranças das Aldeias, são seis no total. Eles terão a missão de multiplicar o conhecimento construído no curso de formação para os outros professores. A pesquisa também servrá comoum marco referencial para a comunidade, conhecer e entender um pouco mas da dinâmica social/econômica que eles vivem.

Foto: Ponte caída que era o acesso para o povo Guarani da Aldeia Toldo
Após este primeiro levantamento foi realizado um encontro nas dependências da FURB no dia 26 de março conferência de lançamento do programa “Educação para a revitalização da língua e da cultura Laklanõ/Xokleng”, com o tema "Dor e culpa e a diversidade cultural”. O palestrante convidado foi o professor pesquisador da USP Antonio Joaquim Severino. Diversas atividades aconteceram durante todo o dia 26 de março, com a participação de indígenas da reserva Duque de Caxias. Para as 17h 30, os organizadores programaram uma feira de artesanato indígena, que aconteceu no hall térreo do Bloco I, também no campus 1 da Universidade.Acreditamos que este projeto sem sombra de dúvida de certa forma poderá ajudar aos povos indígenas de nossa região na construção de uma vida melhor para as comunidades existentes e assim a revitalização de cultura indígena passa pela manutenção língua no caso, os Laklanô/Xokleng, em tempos de globalização a preservação de identidade torna-se um elemento importantíssimo para garantir que as futuras gerações desses povos autóctones possam ser vividas e contadas.
Texto e arquivo de Carlos Odilon da Costa

sábado, 17 de abril de 2010

- As casas de Dr. Blumenau

Dr, blumenau nasceu nesta casa, na cidade de Hasselfeld, na Alemanha
- Dr. Blumenau nasceu a 26 de dezembro de 1819, no ducado de Braunschweig (Alemanha). Após viver trinta e quatro anos em Blumenau, seu fundador partiu em definitivo para a Alemanha, veio a falecer em 30 de outubro de 1899, aos 79 anos de idade.

Em 1974, seus restos mortais foram transferidos da Alemanha para Blumenau, estando depositados no Mausoléu, erguido em sua homenagem.
Blumenau foi fundada em 02 de setembro de 1850 pelo Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau - O poder público adotou esta data a partir de 02 de setembro de 1900, por ser a data em que chegaram os primeiros 17 imigrantes. Até então a data considerada de fundação era 28 de agosto de 1852, data em que Dr. Blumenau entregou os primeiros lotes na Região Sul (Garcia) em Blumenau.
- A região de Blumenau era habitada por índios Kaigangs, Xoklengs e Botocudos, e mesmo antes da fundação da Colônia Blumenau, já havia famílias estabelecidas na região de Belchior, à margem do ribeirão Garcia e margem esquerda do Rio Itajaí-açu.
A imagem mostra a Casa que morou Dr. Blumenau. Esta casa foi completamente destruída pela enchente de 23 de setembro de  1880 tornando-a inabitável, na Rua das Palmeiras (Avenida Duque de Caxias). 
- Inicialmente o centro da cidade era onde hoje se localiza a Avenida Duque de Caxias (Rua das Palmeiras), arquivo histórico José Ferreira da Silva, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Mueller e o museu da Família Colonial.
- A primeira Rua em Blumenau surgiu em 1852, com o nome de Palmenalle , onde foi construído o primeiro hotel, de alvenaria. Num dos quartos o Dr. Blumenau instalou a direção da Colônia.
- A Rua Palmenalle mudou seu nome para Boulevard Wendeburg em 3 de fevereiro de 1883, depois para alameda Dr. Blumenau e em 8 de abril de 1939, para alameda Duque de Caxias através do Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto 1942, na administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais. A povoação compreendia o início do Garcia, e parte da rua XV de Novembro.
- Muitos outros imigrantes atravessavam o Oceano Atlântico em veleiros de companhias particulares. E assim foi crescendo o número de agricultores, povoadores e cultivadores dos lotes, medidos e demarcados ao longo dos rios e ribeirões que banhavam o território da concessão. No princípio, a Colônia era de propriedade do fundador, Dr. Blumenau.
Arquivo de Adalberto Day

quinta-feira, 15 de abril de 2010

- Escola Margarida Freygang

Desde 1938 a Escola Básica Municipal Margarida Freygang presta relevantes serviços à comunidade da Nova Rússia, no Bairro Progresso, nas Minas de Prata. (Foto: Arquivo de Pedro Prim/Adalberto Day)
Publicado no Jornal de Santa Catarina – 15/04/10, coluna ALMANAQUE DO VALE do jornalista Sérgio Antonello
Caminhos das "Minas da Prata" foto Pedro Prim
Arquivo de Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história

segunda-feira, 12 de abril de 2010

- Um Passeio pela Rua principal de Blumenau II

UM PASSEIO PELA RUA PRINCIPAL DE BLUMENAU EM 1900/1903

Escrito por OTTO STANGE - Traduzido do alemão pelo seu filho ERICH STANGE
Nós continuamos nosso passeio pela rua principal. Vemos Friedrich Blohm, saindo da sua casa, descendo a escada com a barba “KaiserFriedrich”e seu chapéu tipo coco, na sua cabeça larga. Guarda-chuva, na mão, segue à direita, subindo pela estrada. Já sabemos, vai ao clube, tomar o seu chope da tarde. Já atravessou o canal e nós também chegamos ao canal, com sua passarela já bastante danificada pelo tempo, pois é de madeira, o corrimão também já não é mais muito seguro, necessitando renovação urgente, para evitar um desastre. Agora estamos chegando à casa do Sr. Eberhardt, onde está instalado o correio. A casa de moradia está fechada, mas mais ao fundo, onde está instalado o correio, há movimento. Uma velha casa de madeira, com escada de dez degraus já velha, de madeira também, tendo como corrimão um sarrafo de telhas num dos lados, para facilitar o acesso. Nada, mas absolutamente nada de pomposo, este nosso “Correio Nacional”, como consta na placa pregada ao lado da porta. Os sacos com a correspondência já estão aí, desembarcados do vapor “Blumenau” e o agente “Eberhard o da barba”, nosso digno agente do correio, abre-os pessoalmente e sua mulher e o filho Paul, distribuem a correspondência. Ao lado da estrada, amarrado na cerca de estaquetas vem buscar a sua correspondência. Também o Sr. Friedenreich, com sua charrete, vem chegando para pegar tudo que se destina para seus vizinhos lá de Altona, saindo em seguida, sentado na sua aranha puxada pelo cavalo, voltando para sua vizinha Altona. Paciência, diz o Sr. Ebehard, todos receberão sua correspondência. Nós também recebemos algo e com as cartas na mão, descemos os degraus da escada, seguindo pela estrada.

Rua XV de Novembro - Blumenau início de 1900
Boas notícias? pergunta o açougueiro Poerner do outro lado da rua. Acho que sim, respondemos, correspondência da velha terra natal. Pois certamente também terá algo para mim, da velha Bohemia, ele responde.
Também o Peter Kiesel, fabricante de escovas, que mora ao lado, dirige-se, balançando a sua barrigona, ao correio. A sua mulher encheu a varanda da casa com roupa branca bem passada, principalmente acessórios para camisas, pois hoje a noite teremos baile do Ernst Bernhardt e então os jovens da sociedade querem apresentar-se bem vestidos, com as suas camisas brancas, bem passadas com amido. Sempre trabalhando, Mutter Kiesel?, perguntamos, e ela responde: - Quem vai passar à ferro toda esta roupa branca, se eu não o faço?, responde orgulhosa e satisfeita.
Quase esquecemos que lá no Merk teremos que comprar lentilhas, encomendadas pelo pessoal da casa. Entramos no estabelecimento dos dois velhinhos. Frau Merk, pequena mas resoluta e sempre alegre, serve-nos com a sua mercadoria, sempre boa, principalmente as lentilhas, fresquinhas, e tem também ervilhas e feijão branco, arroz importado da Índia, sal importado de Lueneburg, com este sempre tem cuidados especiais, pois com tempo úmido que acontece muito aqui nos trópicos, ele fica molhado, ela se queixa, e, assim empilha os saquinhos de sal no fundo, em cima do fogão à lenha, para que fique sempre seco. Levamos nossas compras, agradecemos e nos despedimos.
O Sr. Coletor Buechele, ao lado, bem a vontade, ainda de pijama, esta sentado na beira da sua cama de casal, pois, querendo ou não, com a cortina e a janela aberta, olha-se diretamente para dentro do seu quarto de dormir, situado ao lado da estrada, pois as casas aqui na “Gespensterstrasse” (rua dos fantasmas) ficam a um metro abaixo do nível da estrada, tendo ainda uma calçada, revestida de placas de pedra-louça. Esta calçada, passando pelo correio, acaba num canal de tábuas, na casa dos Blohm. Mas o dentista Haertel, na esquina da Gespensterstrasse quer acabar com este estado, pois com a casa de dois pavimentos, em construção, exige dos poderes públicos solução para este caso, o que já lhe foi prometido.
No outro lado da rua, o Alexandre Lenzi já tem duas casas, com dois pavimentos cada, bem construídas, prontas, uma ao lado da outra, mas devido aos muros grossos sem as fundações necessárias, as duas se inclinaram um pouco para o lado do rio, ainda seguras, parecendo torres de Pisa. Na sua hospedaria, Lenzi hospeda principalmente seus compatriotas de origem italiana, Ao lado, a construção de igual tamanho, pertence ao Benno von Barasky, que tem ali uma pequena padaria onde faz grandes pães. É Barrigudo e bem encorporado. Da varanda da sua casa se tem uma bela vista para o rio, mas neste momento está na janela do bar, esperando algum freguês. Cumprimenta o seu vizinho do outro lado, o alfaiate August Sutter com um “bom dia” e este retribui só com um aceno da cabeça. Sutter está sentado perto da janela na sua máquina de costura e não tem muito tempo para conversas, pois o terno que ele está costurando deverá estar pronto ainda hoje por causa do baile. Cumprimenta também a nós só com um aceno da cabeça, quando passamos por ele.
No lado oposto, na esquina da Gespensterstrasse, tem um bem cuidado jardim com flores e muitas verduras, que o velho Mayer sempre deixa bem em ordem. O velho casal mora na casinha um pouco afastada, nos fundos do terreno, gozando sua existência, com muita calma. Mas bastante agitado está, no outro lado da Rua, o Sr, Gustav Ermlich. Com seu boné vermelho na cabeça, um grande bigode, voz alta e boca grande, fica frente à estrada do seu bazar, ao lado da escada de acesso, e grita: - Entrem, aqui vocês acham tudo que precisam, bem barato. Acabo de chegar do Rio de Janeiro de onde estou trazendo caixas e mais caixas de mercadoria comprada em liquidações. Também aqui temos preços de liquidação. Aqui só se compra bom e barato, repete. Segunda-feira cedo saio de carroça para o Testo, onde já tenho a minha freguesia que sabe de quem se compra bom e barato. Então eles tiram da gaveta os seus mil-réis, esvaziam seus cofrinhos e compram, compram, enquanto tenho para vender, pois tão barato nunca mais comprarão, eles sabem. E vocês não pretendem comprar nada? Estão perdendo a melhor oportunidade, entrem e vejam, e puxando-nos pelo braço, encaminha-nos escada acima para dentro da loja. Vejam, até com um vintém preto já tem coisas à comprar, e com seu boné vermelho na cabeça redonda mostra suas mercadorias.
Rimos e divertimo-nos com seus gestos, damos a mão e despedimo-nos prometendo voltar em outra ocasião para comprar, mas ele continua insistindo em voz alta: barato, barato, barato. Assim saímos, escutando ainda sua voz insistente por alguns instantes, já procurando novos fregueses. O sapateiro Kumm do outro lado, bate sola, não quer saber da conversa do vizinho da frente. Quem fica incomodado com o barulho do lojista é o dentista Hugo Riedel, ao lado da loja. Sem descanso, como se fosse pêndulo de um relógio, ele vai de um lado para o outro, no seu jardim e grita para Ermlich: - Por favor, cale a sua boca pelo menos por alguns instantes. Já não agüento mais este barato, barato, barato, estou ficando louco. O dia que precisares dos meus serviços de dentista, vai sentir a alicate, aí sim, pode gritar à vontade, isto lhe garanto. Sobe a escada e entra na casa, bate a porta e fecha a janela, mas logo está de volta, frente a porta e outra vez retorna para dentro, todo nervoso, parece que hoje esta excepcionalmente excitado, o bom Riedel. A sua caseira, a Senhora Germann observa balançando a cabeça, os gestos nervosos do dentista, em pé na varanda. Também o Sr. Ferraz ao lado, calmamente observa tudo. Acima da porta da sua casa tem uma placa com os dizeres: “Agência Geral das Terras e Estradas Estaduais”, o escritório público de propriedades ou tabelionato. Ao Sr. Ferraz não aborrece a gritaria do Senhor Ermlich para convencer fregueses nem os gestos nervosos do dentista Riedel, que mais parecem danças de índio. Ele é a calma em pessoa, passa dois dedos pela sua barba tipo Ruy Barbosa, num gesto particular muito seu.
Avançando, chegamos ao latoeiro Reinhold Pauli. Erminio Moser e Emil Fiedler neste momento, estão carregando uma carroça com latas de manteiga, digo, para manteiga, provavelmente para F.G. Bush - Exportadora de manteiga e banha. Reinhold Pauli controla o carregamento e sua mulher olha pela janela da sua casa na esquina do Jammertal (Bom Retiro). No lado oposto da rua as crianças brincam na roça de cana, no barranco do rio. Lá, para estes terrenos não se acha compradores, estão num nível muito baixo. Ninguém arrisca construir neste barranco. No outro lado, na esquina do Jammertal a situação é idêntica, o nível baixo do terreno só serve para pasto dos animais. Pode-se ver isto no poço do Sr. Schadrack, que está com o nível da água para transbordar, lá naquelas bandas do pasto. Bom que ele construiu o galpão para sal e couros em palafitas, assim mais seguros contra a umidade. O ferreiro Richter já construiu sua casa e ferraria mais acima do barranco. O acesso a barbearia do August Werner também tem uma escada de 6 a 7 degraus para evitar as constantes enchentes. Ele não tem necessidade de arranjar uma canoa em qualquer pequena enxurrada, lá em casa, infelizmente tem que estar sempre a mão, assim fala a boa Mutter Pauli.
Atravessamos a rua do acesso ao Jammertal e vemos o Ferdinand Schadrack indo apressado a sua moradia, esfregando as mãos, como de costume. A sua casa esta situada no centro do seu pomar de frutas e legumes. Também ao lado, o Karl Rothbarth tem muito espaço ao redor da casa e pomar.
Porto em Blumenau 
Ping-pang, ping-pang, assim se ouve a oficina do cobreiro Georg Hindelmayer. Frente a oficina, na valeta a beira da estrada, está jogada uma enorme frigideira redonda de cobre e um alambique com canos em espiral, para cachaça, e encostado na parede há dois palanques com bombas manuais para água, parafusados, prontas para serem entregues. Parece que não falta serviço para este nosso amigo cobreiro. Bem situado, um pouco retirado, atras de arbustos floridos, entre a oficina e a casa do vizinho, fica sua casa. Com sua perna de pau (prótese) o Karl Rothbarth atravessa a rua e vai em direção à sua fábrica de charutos e depósito de tabaco. Sua perna amputada logo abaixo do joelho, não atrapalha muito nos seus afazeres. Neste momento está saindo em carroça do portão, um italiano que trouxe um carregamento de tabaco. A casa ao lado tem um cartaz com os dizeres “Trikotwarenlager von Gebrueder Hering”(depósito de artigos de tricô dos irmãos Hering). Este depósito, bem como o depósito e fábrica de cigarros, separados por um barzinho, são construções baixas. Sabemos que até poucos anos atras, aqui era o berço dos artigos de tricô dos Hering. Aqui o Papa e Tio Hering manejaram e manobraram eles próprios suas primeiras máquinas, mas agora, lá nos fundos do Jammertal eles construíram e instalaram uma fábrica bem maior, tocada por uma grande roda d’água que fornece a energia para suas máquinas com as quais fazem o tricô para suas camisetas e cuecas. Trinta pessoas já trabalham lá e estão ganhando o pão de cada dia para si e seus familiares. E ainda estão aumentando a fábrica. A mercadoria está sendo muito bem aceita, os pedidos se acumulam, a expectativa de vendas é enorme pois neste grande Brasil o potencial de consumo vem crescendo sempre. Aqui na cidade, o depósito está sendo administrado pelo Sr. Ernest Steinbach com a sua jovem esposa, filha do Papa Hering. Agora ele está conversando com seu vizinho Sr. Wilhelm Gross, dono do barzinho entre os dois depósitos. Aos sábados a tarde sempre aparecem fregueses e vizinhos para tomarem alguns copos de cerveja do Jennrich e Rieschbiter ou do Hosang. A charrete do Carl Rieschbieter está parada aí em frente à porta, e ele, no seu jeito simpático e calmo está tomando uma pequena preta, de sua fabricação. Uma “pequena preta” sempre é saudável, ele fala neste instante ao farmacêutico Brandes, na mesa redonda do Stammtish. De cima também está chegando o Sr. Paul Husadel, relojoeiro e joalheiro, e se junta a eles. Da sua última viagem à Alemanha ele trouxe muitas novidades e artigos para a sua loja. Na mesa de bilhar os senhores Schossland, fabricante de gasosa e o Sr. Oscar Gross estão em disputa acirrada.
Esquecemos de visitar o Eugem Currlin, atravessamos a rua, retrocedemos um pouco, passamos pelo estabelecimento da Frau Brockes, com sua loja de chapéus, renda e linhas. Escutamos quando ela, sentada no banco da varanda, conta a senhorita Keine, da sua exportação de canarinhos da telha, que ela mesma leva para a Alemanha. Faz Pouco, voltou de lá. Se a venda destes passarinhos foi um bom negócio, só ela sabe também não nos interessa. Agora subimos os oito degraus para a livraria do Sr. Eugen Currlin. O senhores desejam alguns cartões postais de Blumenau? Tenho aqui cartão da ponte do Garcia, vista do morro do aipim, aqui o porto com o barco “Progresso”, vendo-se ao leme o capitão Gustav Hacklaender e o maquinista José Gall, os “piratas” do rio Itajahy. Cada cartão custa só 300 réis. Os clichês foram feitos na Alemanha, por isso posso vendê-los tão barato. Muito bem, votem sempre.
Novamente na rua, vemos ao lado do farmacêutico no “Urwaldsbote” o ajudante de fiscal Wehmuth, cavalgando como de costume, sua mula, com duas guaiacas de couro atrás do selim e algumas estacas e piquetes com pontas de ferro, do mesmo tipo dos usados por seu superior, o fiscal Ebert, do Fidelis. G. Arthur Koehler está, neste momento, sentado no seu escritório, perto da janela, exercitando-se na sua nova máquina de escrever “Continental”, recém importada da Alemanha., a primeira em Blumenau.

Troço complicado, tem que ser estudado primeiro para ser usada. Mas certamente aprenderá a usá-la. Saindo da sua livraria, fala ao Sr. Wehnuth: - Quando te vejo montado assim na mula me lembro do meu tempo de caixeiro viajante, quando saia para o interior da colônia, vendendo a minha mercadoria. Só as estacas e piquetes eu não precisava levar. Bom tempo aquele mais como vai? - Não tão bem assim, senhor Koehler, este responde, Durante a semana o Ebert e eu estivemos na Velha-Alta, medindo terrenos. Lá a situação não é muito boa, os bugres, vindo do Spitzkopf causam pânico. Velha-Alta e Encano-Alto estão em alerta, esperando assaltos. Lá no Warnow-Alto já houve alguns assaltos destes selvagens, como o povo de lá conta. Os colonos conseguiram fugir pelas picadas dos fundos. O fiscal Ebert queria falar a respeito com o senhor, para publicar algo no jornal, mas agora ele deve voltar para sua casa senão escurece antes de ele chegar lá no Fidelis, onde mora.

Ah, sim,. responde Koehler, sempre estes bugres selvagens. Parece que não há outra alternativa, o Martins com sua turma de caçadores de Índios deverá fazer uma nova batida por lá. Está bem, senhor Wehmuth, agradeço sua informação. Vou imediatamente a redação do “Urwaldsbote” para escrever e publicar isto e advertir os colonos que moram muito isolados, por estas bandas, para não se afastarem muito, andarem sempre em grupos e armados.

Também para Desterro teremos que informar. O governo deverá saber o que está acontecendo a respeito aqui. Eles devem ajudar os colonos contra estes bandos de bugres selvagens.

Hermann Hering, do outro lado, da porta da sua loja, tinha escutado toda a conversa e falou que seu irmão Georg, que veio ontem lá da Ilse, também falou a respeito. Lá eles viram as pegadas de “Pé-Grande” esse deve ter um número enorme para sapatos, mas ele não os usa. Koehler responde, isto é interessante para escutar. Falando para dentro da loja, ele diz: Elsbeth, vou rapidamente ao Fouquet. Até logo, bom domingo senhor Wehmuth. Com isto sai num passo rápido de ginasta para o outro lado da rua, passa pela bela residência do Sr. Gustav Baumgart que passeia, com as mãos nas costas, frente à sua casa, pra lá e pra cá.

Logo na casa ao lado o Sr. Koehler bate na janela, pois lá mora o redator do “Urwaldsbote” Sr. Eugen Fouquet. Falam algum tempo e o Sr. Koehler, voltando pela rua, encontra no outro lado, na sala do clube no pátio de Paul Hering, os senhores Papa e Onkel Hering, que vem chegando na sua própria charrete, lá do Jammertal (Bom Retiro), da fábrica. Agitado o Sr. Koehler conta aos dois, os últimos acontecimentos referente aos bugres. O Sr. Paul Hering saindo da loja, também escuta tudo. Bem, diz Onkel Hering, aí o nosso morro “Schweinerueken” também deverá estar infestado. Otimista como sempre , Papa Hering fala: O Shweinerueken certamente os bugres vão deixar sossegado.
 O nosso bom Doutor Blumenau, uns cinqüenta anos atrás, passou por momentos piores. Ele teve a visita dos bugres na barra do ribeirão Velha, onde residia, mas não fugiu, Bem Arthur, não quer entrar e tomar uma cerveja? Obrigado, responde G. A. Koehler, apressado, preciso treinar bastante na minha nova máquina de escrever, é complicado, mas para ler a letra da máquina é mais fácil que do que a minha, que algumas vezes, até eu tenho dificuldades para decifrar. Bem, boas conversas e até logo. Amanhã a gente se encontra la trás, para o Scat. Tenho que dar revanche ao Hermann Müller pelo último jogo onde eles me esvaziaram os bolsos. Todos riem e também nós fomos andando, despedindo-nos.
 No jardim do Sr. Lueders falamos algumas palavras com ele e sua esposa, olhando as belas flores do jardim. Ele costura corseletes para as senhoritas e damas da sociedade para afinar as suas cinturas.
E o Dr. Tomé Braga, o nosso advogado “quebra galho”, para os íntimos, atravessa com suas pernas curtas a rua para conversar com o Dr. Juiz de Direito, conversa fiada, pois aos sábados a tarde não se fala do ofício. Dr. Ayres de Albuquerque Gama está a janela e observa o movimento da rua. -Boa tarde, Sr. vizinho. - Boa tarde, Sr. Tomé, como tem passado? nós também atravessamos a rua e cumprimentamos: Boa tarde, senhores doutores e seguindo adiante fazemos uma visita curta ao senhor Otto Freygang, experimentamos o seu excelente licor que este fabricante e dono do bar nos oferece. Muito bom mesmo e bem temperado, senhor Freygang. Ele agradece o cumprimento elogioso e passa a mão na sua barbicha de bode.

Na altura da Igreja católica neste momento começam a badalar os sinos pois é hora da “Ave-Maria”, seis da tarde. Está na hora de apressar os passos se queremos chegar com a claridade do dia em casa e acabar com este nosso passeio por Blumenau. - Até logo amigo Freygang, outro dia a gente conversa mais.
Passeando pela alta escadaria da igreja e comprido muro, damos uma olhada para dentro das janelas do convento dos padres franciscanos. Estes já começaram novamente alguma construção, nunca ficam sem construir algo, estes senhores padres. No outro lado da rua temos o barranco do rio a algumas corujas saem voando das altar árvores envoltas em capim, que se encontram lá.

Nada para observar até chegar na loja de ferragens do Luiz Altenburg. No trapiche particular dele ainda estão descarregando uma lancha . Ferro em barras, cimento em barris, caixotes com vidro plano para janelas, outras caixas e caixotes com ferragens estão sendo levados para o depósito. Ferdinand Altenburg, mais novo dos filhos, atravessa rapidamente a rua para receber um telegrama do telegrafista Veiga. A senhora de Rudolf Altenburg está a frente de sua casa, ao lado da escada e pergunta ao Ferdinand, antes deste entrar no estabelecimento - Notícias Boas? Penso que sim, diz Ferdinand, o Rudolf vai retornar com o vapor “Santos” mas ainda dá uma paradinha em São Paulo à negócios, mas o resto, tudo bem.
Saindo da rua dos padres, vem dois padres montados nos seus cavalos. Interpretados falam que um vai para Belchior e Luiz Alves e outro para Encano e Indayal. Agora estamos chegando ao depósito do estabelecimento comercial de Nienstett e Rabe onde acaba de chegar uma carroça puxada por quatro cavalos, com um carregamento da filial de Massaranduba. Arthur Rabe cumprimenta o carroceiro e ajuda no descarregamento. Os cavalos são levados à cocheira para serem tratados. Leopold Rabe recebe os sacos e os carrega junto com o seu ajudante, para o armazém. O Sr. Nienstett, o padrasto, com a papelada na mão, confere a carga de milho e feijão , os barris de banha e manteiga que são descarregados em seguida. Da bonita moradia do outro lado se escuta a conversa alta e animada dos filhos mais jovens. Também os filhos do Fides Deeke que mora ao lado estão lá, brincando no grande jardim, bem cuidado, ao lado da residência nova dos Deeke. Duas belas construções estas residências destes senhores. É mais um progresso que enfeita Blumenau.
Indaial/Blumenau, maio de 1950
OTTO STANGE
(Traduzido do original alemão para o português pelo filho Erich Stange, em julho de 1994)
Texto enviado por Fernando Pasold. Arquivo de Adalberto Day

sexta-feira, 9 de abril de 2010

- A imigração vista pelos olhos de uma criança

Novamente destacamos em nosso Blog - Crônica da escritora e colunista Urda Alice Klueger, em seu texto além de demonstrar o seu amor e carinho por nossa cidade e crianças, Urda comenta os problemas com os primeiros imigrantes, nos barracões oferecidos no início da colônia.

Histórias do nosso cotidiano
Eu convivi muito com a minha avó, Emma Katzwinkel Klueger, que chegou ao Brasil no final do século XIX, vinda da Lituânia. Ela chegara já com sete anos, idade em que uma criança se lembra de quase tudo, e como gostava de ouvi-la contar sobre sua vida lituana, sua viagem para o Brasil, a chegada às terras que seriam do meu bisavô, um lugar meio indefinido, que, segundo ela, é onde hoje está a represa de Rio dos Cedros! Como ela era criança (tinha mais dois irmãozinhos pequenos, nascidos em terras Bálticas – outros dois nasceriam no Brasil), o que ela viu, assistiu, participou, foi sempre com os olhos de uma criança, e foi com essa visão de criança que, muitas décadas depois, ela me passou o que aconteceu.

Eu sei que Blumenau tinha o “Barracão dos Imigrantes”, lugar onde essa gente que passava três meses atravessando o mar podia descansar um pouco, refazer-se um pouco, antes de pegar o rumo da floresta desconhecida que seria o seu lar. Fala-se, hoje, nos desconfortos do tal Barracão, mas, em todo o caso, era um lugar em terra firma onde havia aquele descanso tão necessário. Minha avó nunca me falou do Barracão, nem de como eles andaram mato adentro para chegarem nas terras, mas me falou muito da sua primeira noite no mato. Seu pai cortou palmitos e montou uma pequena casa, um rancho, coberto pelas folhas dos próprios palmitos, e eu fico a imaginar que ele aprendera a técnica nos dias ou semanas em que ficou no Barracão dos Imigrantes, para fazer num instantinho uma casinha assim. Lá dentro, arrumaram as suas coisas para uma primeira noite: baú e caixas contra a parede, camas muito precárias no chão. Mais tarde, talvez no dia seguinte, tratariam de fazer camas suspensas, estrados de renda de cipó, onde as pessoas poderiam dormir mais ao abrigo de formigas e outras coisas. Naquela primeira noite, porém, não houve tempo. Tão logo houve cama pronta no chão, e alguma coisa para comer, as crianças foram dormir.

Pensem comigo: criança é assim mesmo, desde que o pai e a mãe estejam por perto, elas dormem calmamente em qualquer lugar, sem sentir medo de nada. E minha avó e seus dois irmãozinhos entregaram-se aos braços de Morfeu tranqüilamente, e dormiram que foi uma beleza. Teriam dormido assim até de manhã, não fosse a trovoada que caiu: a pequena cabana fora construída num declive de terreno, e a água daquela assustadora trovoada tropical entrou cabana adentro, querendo levar tudo de roldão e molhando todo o mundo que dormia no chão. Ela lembrava-me como acordara, como foram socorridos pelos pais. Era um pouco folclórico, aquele acontecimento da trovoada, e o que ela contava a seguir era da manhã seguinte, quando meu bisavô tomou as primeiras providências contra trovoadas tropicais, abrindo valetas ao redor daquela casinha de nada, feita de palmitos. Decerto depois que a água inundou a casinha, os pais botaram as crianças a dormir em lugar seco, isto é, sobre as caixas e baú , e elas de novo se esqueceram do mundo. Muitas outras coisas da vida desta minha avó eu já contei em crônicas e livro – ela não é uma estranha para a Literatura.

Então eu chego à conclusão: soube do que acontecia na primeira noite de um imigrante no mato pelos olhos de uma criança, e criança dorme bem e é feliz desde que os pais estejam por perto. Tive dessa primeira noite uma experiência romântica, bonita, apesar da assustadora trovoada, pois tudo foi visto pelos olhos de uma criança que se sentia protegida pelos pais.
Como terá sido para os meus bisavós, no entanto, tal experiência? Que sentiram, pessoas adultas, ao verem a tempestade quase por abaixo a casinha que era o único socorro que tinham? Quais os medos que os acometeram quando ouviram todos os ruídos do mato circundante, todos os pios, rugidos e outras coisas, e pensaram na possibilidade de índios andando ali fora, já que se estava em plena guerra com os nossos Xoklengs? Isto foi coisa que eu descobri depois. Um dia eu conto.
Texto/Urda Alice Klueger/arquivo de Adalberto Day
Blumenau, 01 de Janeiro de 2003.

terça-feira, 6 de abril de 2010

- Um passeio pelas ruas de Blumenau

Histórias de nosso cotidiano

BLUMENAU, CIDADE QUE EU AMO

Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre um passeio pelas ruas de Blumenau
Dia destes, passando os olhos por uma relação das ruas de Blumenau, pude sentir a variada gama de mensagens que muitos prefeitos, e outros tantos vereadores expressaram ao elaborar projetos de lei dando nomes a estas ruas.

Se formos analisar os nomes das ruas em Blumenau, por exemplo, tirando as homenagens a pessoas mais conhecidas, vamos encontrar centenas e centenas de nomes próprios que aos nossos ouvidos não representam muita coisa; são desconhecidos da maioria, mas em vida tiveram seu valor para a história de Blumenau..
Desfilam, também, nomes de Estados, municípios, figuras da história catarinense e brasileira, datas importantes, etc.

E, claro, restam algumas curiosidades:
Não é que existe uma rua chamada Cacilda Becker na Fortaleza? Alguém se lembrou de homenagear esta grande dama do teatro brasileiro.
Jardel Filho, outro famoso ator de teatro, cinema e TV, também é nome de rua na mesma Fortaleza.
E, coincidência ou não, Cacilda e Jardel atuaram juntos em 1954 em um filme chamado “Floradas na Serra”, exibido recentemente pelo Canal Brasil da TV a cabo.

Temos outros ilustres artistas perpetuados em nossas ruas:


Luiz Gonzaga (no Fidélis), Ari Barroso (Salto do Norte), Noel Rosa (Tribess), John Lennon (Ponta Aguda), Dalva de Oliveira (Itoupava Norte), Dolores Duran (Itoupava Norte), Ellis Regina (Fortaleza), Raul Seixas (Fidélis).

Outros expoentes da música, que também estão no rol das nossas ruas:

Heitor Villa Lobos fica no Badenfurt; Johann Sebastian Bach na Fortaleza, Mozart e Beethoven, ambas no Salto do Norte.
A igreja católica, além de dezenas de santos, está representada por freis franciscanos que trilharam durante muitos anos os corredores do Colégio Santo Antônio: a Rua Frei Fulgêncio Kaupp fica na Vila Nova; a Rua Frei Efrém na Água Verde; a Frei Estanislau Schaette situa-se na Vila Nova; Frei Lucinio Korte, também na Vila Nova; Frei Ernesto Emmendoerfer, no Bom Retiro. Sem falar da central e conhecidíssima Padre Jacobs, o primeiro vigário de Blumenau, e da autoridade maior da igreja, Papa João 23, na Itoupava Norte.
Na Vila Itoupava a prevalência dos nomes alemães, para homenagear antigos colonos, não venceu algumas barreiras, porque até hoje antigas “tifas” mantém o nome que tinham há mais de 100 anos, como a Rua Sarmento ou a Rua Braço do Sul.

Líderes da resistência aos militares no poder, ganharam espaço nas ruas de Blumenau.

Lá estão:
Rua Carlos Marighella, na Itoupava Central, e Rua Vladimir Herzog, na Itoupava Central. Assim como o defensor das nossas florestas, Chico Mendes, está perpetuado em via pública do Fidélis.
Nos anos 60, quando era prefeito Carlos Curt Zadrozny, houve homenagens aos clubes de serviço e lá estão, até hoje no bairro do Garcia, as ruas Rotary Clube, Soroptimistas, Lions Clube e Câmara Júnior.
E na terra em que todo mundo conhece um Fritz ou uma Frida, são onze  as ruas que levam o nome de Fritz, entre as quais a mais conhecida é a que rende homenagem ao sábio Fritz Müller, situada no bairro do Salto. Mas como Fritz é um diminutivo de Friederich, (Frederico em português), vamos lá: quantos Fredericos estão em nossas ruas ?
São vinte. E apenas um tem sobrenome português: Gonçalves. A rua Ten. Frederico Gonçalves fica no Badenfurt. Os outros 19 “fredericos” tem sobrenomes alemães.
Ah, sim, e as Fridas ? São 4 ruas, todas grafadas como Frieda, mas cuja pronúncia é Frida.
Não resta a menor dúvida de que uma vista de olhos pelos nomes das nossas ruas representa um universo muito amplo, que conta muitas histórias interessantes
Se fossemos nos debruçar sobre cada rua, pesquisar a origem de cada uma, conhecer as pessoas que moram ali, poderíamos encher muitas e muitas páginas, criar muitos e muitos livros.
Arquivo de Adalberto Day

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