"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

- "O Fio da História"

No dia 1º/fevereiro/2010, concedi uma entrevista para RBS TV de Florianópolis.
O documentário intitulado “O Fio da História” irá enfocar assuntos de Blumenau e região no contexto histórico das empresas, principalmente no Ramo Têxtil.
Várias empresas foram pesquisadas, e pessoas que trabalharam nas indústrias de toda região.
No meu caso, como cientista social e pesquisador da história, discorri aspectos históricos, da Empresa Industrial Garcia (Foto Tecelãs - 1912 ) e Artex. Tratei sobre assunto da importância de se trabalhar em uma empresa que oferecia condições assistências, tais como: casas populares, coleta de lixo seletiva, duas vezes por semana, água encanada, saneamento básico, cooperativa de consumo, biblioteca, centro de treinamento, ambulatório, dentista, parque esportivo, festas populares, ajuda pecuniárias, igrejas, escolas.

O programa irá ao ar na RBS - TV a partir do meio dia, no “Jornal do Almoço”, nos dias 27/fevereiro e 06/março/2010. O documentário é um trabalho que visa resgatar antigos costumes do cotidiano de nossa gente ordeira que construiu nossa região. O referido documentário será além de ser exibido no “Jornal do Almoço” RBS TV, cópias serão entregues a diversas instituições e educandários de toda a região.
Esteve comigo nesta entrevista: As jornalistas Kátia Klock, diretora e roteirista, Zuca Campgna e Emanuela Vieira Calasans
Arquivo de Adalberto Day

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

- O trenzinho da HM

A imagem da década de 1960 mostra o trenzinho da antiga Lojas Hermes Macedo, na Rua Getúlio Vargas, onde existiu a Brinquedolândia (Sessão de brinquedos). O gerente da loja na época era Osmenio Pfau que foi zagueiro do Palmeiras de Blumenau. Os passeios eram diários e em ruas com pouco movimento.
(Foto: Arquivo de José Geraldo Reis Pfau/Pfau Comunicações/Adalberto Day)
Publicado no Jornal de Santa Catarina – Terça-feira 23/outubro/2010 , coluna ALMANAQUE DO VALE do jornalista Sérgio Antonello
Arquivo de José Geraldo Reis Pfau e Adalberto Day

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

- Parque Esportivo

Apresentamos novamente a participação do amigo Carlos A. Salles de Oliveira, presidente da Comissão Pró-construção do AGG – Ambulatório Geral do Garcia, que hoje nos apresenta uma mistura de saudosismo do nosso “Morro, ou 12”, com projetos de instalação do Parque Tecnológico e uma área de lazer.

Outrora, nos bons tempos das antigas empresas – E.I.Garcia e Artex (foto acima, e ao alto a esquerda o "12", conglomerado industrial que veio a conquistar o status de maior produtor têxtil em cama, mesa e banho da América Latina, num grande morro das proximidades, isto no princípio da década de 50, em uma de suas colinas foi terraplanado, formando dois extensos grandes patamares e, colocado a disposição da comunidade local, para a utilização como área de lazer. A ideia foi muito bem vinda e a plataforma mais elevada foi preparada e transformada em um belo campo de futebol, de dimensões equivalentes ao de futebol suíço. A partir desta época, nos arredores deste morro brotaram muitos times de futebol, que treinavam, ensinavam, aprendiam e se aprimoravam na prática da arte e domínio da bola. Surgiram os “bate-bolas”, “tiros ao gol”, “jogo de controle”, “peladas diversas”, “jogos clássicos” e “jogos de campeonatos”, exatamente como no meio profissional.
Toda a grande região em torno daquelas Indústrias tornou-se uma excelente incubadora de times de futebol, que além de se utilizarem de outros campos que surgiram, sequencionalmente, em outros vários locais, tinham como ponto principal para os melhores clássicos e finais dos torneios, o “campo do morro”, que passou a ser denominado de campo do 12, devido o nome do clube principal das imediações daquela praça esportiva, da rua 12 de outubro.
Inúmeras vezes campeões, o Clube 12 (foto), uma bela mistura de vascaínos, palmeirenses, fluminenses, corintianos, são-paulinos, botafoguenses, santistas, flamenguistas e outros tantos fanáticos desse esporte, perderam a conta da grande quantidade de garrafas de capilé que conquistaram, justa recompensa financiada por todas as equipes e, que substituía a taça de campeão, caríssima e rara naqueles tempos. A rigor e de forma natural, toda aquela região se tornou um magnífico centro de formação espontânea de grandes atletas, maior fonte de sustentação e formação do majestoso Amazonas Esporte Clube, campeão blumenauense e grande representante de Blumenau no cenário catarinense.

Nos tempos atuais, analisando exclusivamente dentro da nossa dimensão municipal, estamos vivendo e vivenciando, uma realidade bastante deficitária na prática esportiva em geral e, especialmente na modalidade mais valorizada e prestigiada, no futebol, já se vão muitos anos que estamos presenciando participações inexpressivas do nosso município, com baixo índice de aproveitamento, chegando, em algumas ocasiões à nulidade completa.

O mais impressionante e comovente é a constatação de que num passado recente tínhamos, nesta área do esporte, uma estrutura excelente, organizada, com enorme capacidade de atuação, que produzia constantes expressivos bons resultados para a glória de nossa cidade.
Camisas do Olímpico, Palmeiras, Amazonas, Vasto Verde e Guarani
O que aconteceu? Onde estão os grandes times de futebol que tantas glórias e orgulho nos proporcionaram? O que ocorreu com o time do OlímpicoPalmeiras, Amazonas,Vasto Verde, Guarani  e demais tantos clubes, que brilharam nas mais diversas divisões do futebol de Blumenau.
Hoje temos ciência do fator primordial e fundamental, que provocou em um curto espaço de tempo, toda essa transformação do nosso status no cenário futebolístico catarinense. Como num processo de desertificação as nascentes de água vão secando, o desaparecimento gradativo dos nascedouros e formadores de atletas e jogadores foi enfraquecendo, desestabilizando o sistema até a completa desestruturação. Todos os bons, fortes e prestigiados times de futebol foram sendo fechados, desativados e nem uma réstia de luz permaneceu, daquela fantástica e vitoriosa estrutura que naturalmente havia se formado de forma gradual e correta, em todas as regiões da cidade.
BEC- 1989. Leandro, Alaércio, Silva, Gassem e Sidney; Derval, Serginho ; Osmair, Mirandinha, Cesar Paulista e Cide.
Uma das vítimas fadadas ao desaparecimento completo está o valioso espaço do morro do clube 12, ou morro do 12, assim abreviado, que outrora foi um dos mais importantes e significativos incubador de bons times, formador de grandes jogadores e, que está no eminente risco de se tornar apenas um imóvel privado, mas, que de direito, ainda deve pertencer ao governo e, portanto, ao povo, que ainda não assinou qualquer autorização que permita sua indireta comercialização imobiliária.

O campo deste saudoso Clube 12 servia de área de lazer e campo de futebol nas décadas de 50, 60 e 70, era utilizado pelas comunidades abrangidas pela totalidade das ruas da Glória, Vila Operária, Belo Horizonte, Emílio Talmann, Júlio Heiden e grande parte das ruas Amazonas e Progresso. Já há muitos anos, desde sua desativação no final da década de 70, não foi mais permitida a sua utilização pública. Foi, em 2007 colocado à disposição da entidade de empreendimentos, “SC Parcerias”, que ali se comprometeu com a imediata construção do grande “Centro Tecnológico de Blumenau”, mas, que até o momento e sem qualquer satisfação ou esclarecimento, sequer iniciou a obra, isto é, absolutamente nada ainda executou.

Há aqui de se esclarecer, de que aquele espaço estava previsto para utilização como área de lazer, bem antes de surgir este atual projeto do Parque Tecnológico. O Governo municipal de Blumenau, que detém os direitos de utilização, por comodato renováveis a cada 30 anos, de toda aquela grande área de propriedade do Governo estadual, havia prometido a implementação da referida obra para o povo do Garcia e, a Secretaria Municipal de Saúde também a utilizaria, no suporte aos tratamentos corretivos e preventivos da saúde pública.
Com a preocupação de que este, inegável excelente empreendimento, não vier mais a acontecer, o que seria, do ponto de vista econômico e de desenvolvimento técnico e humano, lamentável para todo o nosso Distrito do Garcia, nada mais justo o direito da nossa comunidade reivindicar aquela grande área para utilização, como anteriormente estava previsto, como uma área de lazer e completo parque esportivo, resgatando dessa forma a imagem e os desígnios que foram naturalmente concebidos e desenvolvidos, pelas condições proporcionadas pelo antigo campo do morro do Clube 12.
“Bravamente, do alto dos enormes eucaliptos que ladeavam o Campo do Clube 12 vislumbrava-se, um futuro bastante promissor para a comunidade garciense” .

Texto Carlos A. Salles de Oliveira.
Arquivo Adalberto Day

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

- C. A. Metropolitano de Blumenau

Introdução:
Walter Knaesel que escreveu a crônica quero te dizer, “que paixão é paixão”. Continuo torcendo pelo Amazonas, Olímpico, Palmeiras (BEC), Guarani, Vasto Verde. Mesmo os times não existindo ou não competindo, a nostalgia bate a porta. Sou blumenauense como você, bairrista por natureza, torço pelo Canto do Rio, Horizonte, Independente, Jordão, Ponte Preta, Glória, Estrelinha, e até o 12 que desde 1979 não existe mais, pois o perverso progresso e a vontade de acabar com o nosso campinho foi mais forte que nossa vontade, me refiro a empresa Artex (dirigentes) que fez(fizeram) questão de acabar com o nosso Amazonas e o Clube 12.
Avante Verdão Verde que te quero Verde
Clube “12” – campinho no alto onde aparece a clareira.
Sábado à tarde, domingo pela manhã sol ou chuva, “vamos ao majestoso” estádio dos eucaliptos o clube “12”, para mais um jogo. Geralmente tínhamos que erguer novas traves, pois o Sr. Hipólito tinha recolhido para queimar em seu fogão a lenha.
O pequeno campo do “12” ou Morro se localizava na rua Almirante Saldanha da Gama bairro Glória, próximo às empresas Garcia e Artex em Blumenau. Muitos craques se revelaram nesse pequeno campo, e foram jogar em equipes como Amazonas, Palmeiras, Olímpico e tantos outros. Suas dimensões não ultrapassavam 60 x 30, mais barro que grama, que foi palco de diversos jogos valendo uma “garrafa de capilé” (troféu da época). Obs.:  O "12" existiu devido a retirada do barro para a aterrar a antiga Praça Getúlio Vargas em 1954. 

Quem teve oportunidade de conhecer esse pequeno espaço de propriedade da Empresa Industrial Garcia, com funcionamento, a partir de 1954 até 1979, jamais esquecerá, pois irá recordar de um gol, de machucar o pé ou o dedo no solo irregular, (era comum o atleta atuar descalço).

Adendo ao nosso querido e saudoso "12"
Campo do Clube 12 – Exemplo para Implantação de Áreas Esportivas em Blumenau.
Mais do que bela e nostálgica, esta matéria sobre o nosso atual representante maior do futebol de Blumenau, com a intrínseca lembrança dos saudosos times do passado, desde os principais, até os pequenos, somado a lembrança do campo de futebol do Clube 12, um dos principais centro de formação espontânea de grandes atletas, traz, à tona, dois importantes fatores de valioso valor na aprendizagem no que foi de influência direta e nefasta no desenvolvimento e aperfeiçoamento do futebol de toda a nossa comunidade.
O primeiro destaca-se pelo encerramento do Amazonas Esporte Clube, clube de futebol de valor inestimável para o povo do Bairro do Garcia, como também foram outros, de grande importância aos seus respectivos Bairros, como o Vasto Verde, Palmeiras, Olímpico, Guarani e demais clubes de toda a região, cujo desaparecimento dos respectivos times de futebol contribuiu, consideravelmente, para o declíneo da prática e interesse desse esporte em nossa cidade, que outrora se orgulhava em posição de destaque, hoje se lamenta de sua participação inexpressiva e, em algumas ocasiões, vexatórias, no cenário futebolístico catarinense.
O segundo, da mesma forma seguindo o mesmo caminho vimos o desaparecimento e ou, enfraquecimento das dezenas dos demais times de futebol, representados pelos clubes das 2ªs, 3ªs e demais divisões inferiores e extinção de um grande número de pequenos times, que se formavam em torno de pequenos campos de futebol, como o do Clube 12, nesta citada matéria muito bem lembrado e destacado pelo Prof. Adalberto Day.
O campo do Clube 12, que se localizava nas proximidades da antiga EIG-Artex, atual Coteminas, o qual possibilitou à região abrangente a criação de inúmeros times de futebol, com ensino e prática de futebol a uma infinidade de meninos, “como eu”, muitos dos quais se tornaram verdadeiros craques, que brilharam nas divisões de profissionais do nosso município como também, no cenário estadual e até nacional, em alguns casos específicos.
O terreno do grande morro que abriga o referido “campo do Clube 12”, a exemplo de tantos outros, esta totalmente fechado com impedimento de sua utilização pelo povo, foi disponibilizado, em 2007 pelo proprietário atual Governo do Estado de SC, à Empresa SC Parcerias, para a finalidade exclusiva de ali desenvolver o grande projeto “Centro Tecnológico de Blumenau” e, que até o momento ainda não foi sequer iniciado.
Vejo no exemplo do passado o modelo que deveria ser novamente reaquecido, para a recuperação de toda uma estrutura de sustentação desse exclusivo esporte. Exatamente como um grande caudaloso rio é formado pelo seus constantes afluentes, que por sua vez são criados pelos inúmeros córregos alimentados permanentemente pelas respectivas nascentes, temos que resgatar e desenvolver inúmeras e pequenas áreas de lazer com as quadras poli esportivas, estratégicamente localizadas e eficazmente bem administradas, para a composição da rede que permanentemente encubará, formará e dará a constante sustentação, especialmente ao futebol, ao nosso representante maior desse esporte.

Da mesma forma como contribuiu no passado, o nosso saudoso Campo do Clube 12, o qual poderá, ainda há tempo, ser recuperado e resgatado como modelo-exemplo piloto, de um abrangente projeto que seria desenvolvido e estendido para toda Blumenau, uma rede de inúmeras áreas esportivas, resgatadas e ou implantadas por toda a cidade, com toda a certeza, trará novamente a confiança e o orgulho pelos nossos futuros representantes times de futebol, que contarão com uma ampla e completa estrutura de sustentabilidade, possibilitando a formação de eficientes plantéis profissionais, com todas as chances de projeção estadual e nacional, com muitas vibrantes vitórias e grandes conquistas esportivas.
Além dos exclusivos benefícios futebolísticos, inúmeros outros viriam no bojo desta iniciativa, destacando-se os valiosos benefícios para as áreas da educação e da saúde. Com destaque para a grande contribuição ao povo no combate ao ócio e vida sedentária, atraindo o menino e o jovem para a atraente prática de esportes e participação nos torneios esportivos, ajudando-os enormemente a trilhar um bom caminho de vida e salvando-os das armadilhas das drogas.
“No auge da adolescência, bravamente, do alto dos enormes eucaliptos que ladeava o Campo do Clube do 12, vislumbrava um futuro muito promissor para a nossa comunidade garcience”.
CarlosASallesOliveira
____________________
Mas hoje, nosso time é aquele que disputa o campeonato, o Metropolitano, e estaremos torcendo por ele, que representa nossa cidade Blumenau.

“Verde que te quero verde” como sempre diz o meu amigo Valmir.
Crônica enviada por Walter Marcos Birkner
Por Walter Knaesel
Metropolitano, pão com lingüiça
Meu coração é urbano, suburbano, rural e praiano
Sou blumenauense, brasileiro
De Santa Catarina sou germano, português açoriano, africano, tijucano, alemão com italiano
Rollmops, pão com lingüiça
Arroz com feijão, polenta e pizza
Meu coração é verde, verde, verde, rubro-branco
Preparo-me pra enchente todo ano
Jogo bocha, pesco e pago
Pra enchente me preparo, todo ano, ano a ano
Revellion da Beira Rio
Hering, Malwee, Artex e Sulfabril

Meu coração é verde
Mas torço pra um time do Rio
Torcedor do BEC que se renda
Esca! Ostia! Qués o que?!
Estopôr, cabeça dura,
Vasco, Bota, Flu, Flamengo, o ano todo mulherengo
Meu coração é verde, colono verde rubro-branco
Sou rural, sou suburbano, urbano e praiano
Pra enchente me preparo, todo ano, ano a ano
Torço pra um time do Rio, mas meu coração é Metropolitano
Walter Knaesel
Arquivo Adalberto Day

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

- A Confeitaria

Interior da Confeitaria Tönjes, com vista para o Rio Itajaí-Açu, em 1945. O estabelecimento foi fundado em 1933 por Anna Tönjes e os filhos Hans e Heirinch Gehardeus. Sentados à mesa, Heirinch e o filho Werner H. Tönjes, último proprietário até 1979. A partir de 1º de dezembro de 1979 a confeitaria chamou-se de Blumental do Dr.Godo Goemann que introduziu também o prato pizza. A firma foi repassada para o Dr.Godo Goemann .A confeitaria Blumental mudou de proprietários três vezes aproximadamente até 1986.

A antiga Confeitaria Tonjes
Pratos e copo da antiga confeitaria

Publicado no Jornal de Santa Catarina – 12/02/2010 coluna ALMANAQUE DO VALE do jornalista Sérgio Antonello
Arquivo de Werner H.Tonjes/ Adalberto Day

sábado, 13 de fevereiro de 2010

- Carnaval em Blumenau

Grupo Carnavalesco e Conjunto Musical “Los Guarachos”
A imagem de 1949 mostra o Bloco carnavalesco “Los Guarachos” de Blumenau. Este Bloco foi organizado na Sociedade Dramática Musical Carlos Gomes onde a maioria de seus componentes eram sócios.
- Primeira fila sentados: da (E) para a (D): Matilde Longo, Caetano Deeke de Figueiredo, Edite Kielwagen, Artur Stammer.
- Segunda fila em pé: da (E) par a (D): Silvia Jensen Hacklender, Geraldo Keunecke, Isolde Kielwagen, Lelis Silva, Malvina Clímaco, Luiz Savi, Helga Kielwagen, Armando Santos, Bráulia Clímaco, Heitor Gonzaga Clímaco.
Com total apoio do presidente da Sociedade Dramática Musical Carlos Gomes, Senhor Leopoldo Colin e dos membros da Diretoria, Senhores Willy Sievert – Tesoureiro, Nestor Heusi – Primeiro Secretário, e Antônio Reinert - Diretor Social.
Artur Stammer, Lelis Silva, Geraldo Keunecke, Armando Santos e Heitor Gonzaga Climaco, faziam parte também do CONJUNTO MUSICAL LOS GUARACHOS.
Los Guarachos
Conjunto Musical Amador

Componentes:
- Armando Santos Acordeon (Regente)
- Heitor Gonzaga Climaco Bateria
- Artur Stammer Violino (Administrador)
- Lelis Silva Maracás
- Geraldo Keunecke Cantor (Baritano)
- Armando Liberato Cantor
- Airton Reinert Piano
- Gil RaRochadel Piano
- Demóstenes Feminella Clarinete
- Afonso Rogério de Oliveira Pistão
- Nelson Passold Saxofone
- Mário Giese Acordeon
- Batista José Aguiar Afuxê
- Silvio Perini Pistão (Joinville)
- Eugênio Zeiler Trombone de Vara
- Salmo Feminella Cantor (Itajaí)
Músicas Preferenciais:
- Boleros, Rumbas, Fox Blues, Sambas, Tangos, Passo Dobles e Músicas Românticas.
Observações:
Os músicos de Itajaí e Joinville foram contratados para substituírem três músicos que não puderam comparecer aos compromissos.
Este conjunto musical nos anos de 1948/1952, teve apoio do Presidente da época Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes, Senhor Leopoldo Colin e dos membros da Diretoria, Senhores Willy Sievert – Tesoureiro, e Antônio Reinert - Diretor Social.
Nota: na época, a diretoria da Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes, autorizou o conjunto a ensaiar duas vezes por semana, no salão social,e, ainda a guardar os instrumentos musicais.
Também apoiavam o conjunto, Senhor Heiz Geyer – Maestro a Orquestra Sinfônica,da Sociedade Musical Dramático Carlos Gomes.
Colaboração: Arquivo/ Rubens Heusi /José Geraldo Reis Pfau /Adalberto Day
História:

Em cada cabeça uma sentença!
Muita gente pensa que o Carnaval é uma festa típica do Brasil. Mas toda essa farra vem de muito longe, existe desde a Antigüidade. O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C.
Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo em forma de festa pagã. O Carnaval Pagão foi iniciado por Pisistráto, que oficializou o culto à Dioniso, na Grécia, no século VII a.C. e termina quando a Igreja Católica adota a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizou no Egito. A festa não era nada mais do que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais. Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape. É nessa época que foi introduzido sexo e bebidas na festa.
Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características atuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter "pecaminoso". No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...
Em 1545 a Igreja Católica, através do Concílio de Trento, oficializa que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus.
O cálculo é um pouco complexo. Determina-se o equinócio da primavera, que ocorre entre os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.
O Carnaval brasileiro surge em 1723, com a chegada de portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. A principal diversão dos foliões era jogar água nos outros. Esta brincadeira é conhecida como Intrudo, e ainda existe em carnavais como o de Laguna, cidade litorânea de Santa Catarina onde, principalmente as crianças, ficam escondidas nas sacadas e jogam sacos plásticos cheios de água nos pedestres.
O primeiro registro de baile é de 1840. Em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das atuais escolas de samba. No início do século XX, já havia diversos cordões e blocos, que desfilavam pela cidade durante o Carnaval. A primeira escola de samba foi fundada em 1928 no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, e se chamava Deixa Falar. A partir de então, outras foram surgindo até chegarmos à grande festa que vemos hoje! O PHAROL volta na quinta feira. DIVIRTA-SE, EXTRAVASE...SEM EXCESSOS !
Luiz Antonio Silva, palestrante Comportamental, capacitador Educacional, coaching Liderança.
Colaboração: Eutraclínio A. dos  Santos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

- Jornal “O GARCIA” Edição nº 16

Introdução: Adalberto Day
- Nesta edição de Fevereiro/2010, o jornal, continua com belas matérias.
- Os destaques desta edição são para os seguintes artigos
Capa: Aquecimento Global, verdade ou mentira? : - Artigos: Cantinho da Saudade, A vida com alegria é outra coisa, página 5 - Imagem do mês: Time dos Coroinhas ,página 5 – Dr. Raul Dalmarco Filho,Amigo Bicho, página 4 – Prof. Sylvio Júnior, Saúde em Movimento,página,3 – Prof. Anderson de Souza, De olho na Ortografia, página, 7

“Onde está o ouvinte está a Nereu” e “Pick-up da frigideira”.
A disputa pela audiência entre a Rádio Clube, PRC-4, e a Nereu Ramos era acirrada.
Na Rádio Nereu Ramos eu me interessava ainda mais pelo rádio. Ouvia esportes na voz do Edemar Annuseck, o Grande Jornal do Ar e “Onde está o Ouvinte está a Rádio Nereu” - que era comandado pelo Nelson Tófano, veio do Paraná trazido por Lazinho.. Ele usava uma lambreta e com o auxílio de um operador técnico – Waldir Weingartner ou Arno Cavilha – Tófano visitava as residências que eram sorteadas para gravar lá um programa de uns 30 minutos. Os ouvintes tinham que se inscrever e apresentar na hora do programa um pacote de um determinado café (acho que era da marca Úru - a marca do café era COMETA, confirmado por Altair Pimpão), para ganhar presentes e responder perguntas que davam dinheiro ao acertador. Também era costume dos dois radialistas, levarem junto um relógio, já com uma hora exata, e uma das perguntas para o morador responder, era “ que horas estava registrado no relógio”.
Na PRC 4 - Rádio Clube a transmissão do programa “Pick-up da frigideira”, começou com a vinda do radialista Nelson Rosembrock para Blumenau. Ele era oriundo da Rádio Araguaia de Brusque, cidade onde nasceu e veio trabalhar na PRC 4 - Rádio Clube de Blumenau.
O nome “Pick-up da frigideira”, foi criado pelo radialista Altair Carlos Pimpão. A marca característica do programa era exatamente o barulho das batidas de uma colher desferidas contra uma frigideira, além do placar dos nascimentos nas maternidades da região, a música regional e o horóscopo. Quem não se lembra de “Conversando com o turista”, de “ A vida com alegria é outra coisa”?.
Rosembrock dizia: “Como vai Dona Maria? Já colocou o feijão no fogo? E o cafezinho, tá fresco ou passado?”
O programa ia ao ar às 13,00 horas, de segunda a sexta feira, logo após “A Marcha do Esporte”, programa comandado pelo Tesoura Jr., um dos meus favoritos.
Por mais de 15 anos o programa contou com o patrocínio exclusivo das lojas Prosdócimo, Gessy Lever patrocinou o programa...por 5 anos,depois sucedida pelas Pilhas Eveready. Rosembrock se dirigia as casas com sua tradicional lambreta, até ganhar de um empresário um carro. Quem deu o carro ao Nelson Rosembrock, foi o empresário e  saudoso Guilherme Jensen, ja que o Leite Frigor patrocinava o "A Vida Com Alegria é Outra Coisa", e os resultados do programa fizeram com que ele desse o carro pro Nelson...foi o primeiro automovel dele.
Acontecimentos marcantes de um tempo que jamais será apagado da memória de muita gente, que como eu e quem sabe você teve o prazer de vivenciar, ou ouvir falar dessas histórias
Arquivo de Adalberto Day/Colaboração André Luiz Bonomini

Expediente:

Jornal O Garcia
- Grande Agência Publicitária Ltda
- Distribuição Tiragem 5 mil exemplares : mensal e gratuita
- Circulação : Distrito do Garcia, Centro,e Região
- Gerente comercial/ Diagramação e fotos: Carlos Ubiratan Apolônio
- Editor/Jornalista : Fernando Gonzaga
- Revisão Ortográfica : Prof. Anderson de Souza
- Endereço: Rua Ignácio dos Santos,83 – Bairro Glória - Blumenau SC
- Contatos: 
- Fone: (47) 3329 2143
Arquivo: Carlos Ubiratan/Adalberto Day

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

- Uma Longa Disputa pelo Território

Colônia Blumenau  e os conflitos :
Não tendo mais como prover naturalmente suas necessidades alimentares, os xokleng passaram a assaltar as propriedades dos colonos ou a atacá-los nos locais de trabalhos ou de trânsito.

As novas gerações de colonos e os novos imigrantes aumentavam a necessidade pela terra e por novas colônias. Estava instalada a tensão. O livro Os índios Xokleng – Memória Visual, do antropólogo Sílvio Coelho dos Santos, cita um episódio que mostra de forma clara a dificuldade e pouca possibilidade de entendimento entre índios e os recém-chegados.

Operários que terminavam a construção do rancho de recepção dos imigrantes foram surpreendidos pelos índios nas cercanias da residência. “Certamente, logo pegaram suas armas e gritaram em alemão para que os índios se afastassem”,escreveu Silvio Coelho dos Santos. “Como tal não aconteceu, pois os índios nada entendiam da língua dos brancos e estavam muito curiosos e entretidos com as plantações e, equipamentos e instalações no entorno da casa, os trabalhadores em seguida deram alguns tiros para assustá-los.” No dia seguinte, um dos índios foi encontrado desfalecido, vitima de ferimento à bala, vindo a falecer logo depois. Os xokleng eram temidos pelos imigrantes. Frederico Deeke recebeu de Hermann Blumenau a incumbência de prevenir os ataques à colônia.

Já nos anos de 1870, aumenta a movimentação política e governamental para afugentar e exterminar os indígenas. O governo já aplicava recursos no pagamento dos batedores de mato ou bugreiros. Eram grupos de oito a 15 homens, a maioria aparentada entre si. Martinho Marcelino de Jesus, o Martinho Bugreiro, foi o mais conhecido de todos. No inicio do século, comandou várias expedições no Vale do Itajaí. Em algumas de suas estadas em Blumenau, foi fotografado com seus homens e suas vitimas. Quando o processo de pacificação organizado através do Serviço de Proteção aos Índios, comandado no Alto Vale por Eduardo Hoerhan, começou, em 1914, já era tarde para neutralizar os efeitos devastadores que a imigração acabou provocando na cultura xokleng. Hoje, restam poucos dos primeiros habitantes de Blumenau e região, a maioria alojados na Reserva Duque de Caxias, no Alto Vale do Itajaí.

“Quando o processo de pacificação começou, em 1914, já era tarde para neutralizar os efeitos devastadores na cultura xokleng.”

- Um Polêmico Gesto de Amor
Índios: Botocudos ou Bugres e Xokleng
Em 1905, Martinho Bugreiro trouxe crianças e mulheres índias que capturara em Blumenau. O objetivo era mostrar à cidade que havia efetivamente acabado com a “ameaça indígena”. No grupo, estava à pequena Korikrã, que foi adotada pelo médico Dr. Hugo Gensch. Ela recebeu o nome de Maria Gensch e teve fina educação, aprendendo inclusive o inglês e o alemão.

O médico publicou uma pequena monografia sobre sua experiência de adoção e educação de indígena. E comprou briga em 1908, no auge da polêmica, dividindo opiniões, sobre a conveniência ou não de se adotar os pequenos xokleng capturados pelos bugreiros. Lembrava sempre que sua atitude, antes de mais nada, era uma prova de amor humanitário.

Em 1918, com as relações amistosas entre colonos e xokleng, acabou sendo arranjado um encontro entre Maria e seus verdadeiros pais. O pacificador Eduardo Hoerhan, em depoimento ao antropólogo Darcy Ribeiro, narrou o tenso reencontro. O antropólogo Silvio Coelho dos Santos incluiu o depoimento no livro Os Índios Xokleng – Memória Visual. Hoerhan relata que, reconhecida pela marca tribal e por uma cicatriz produzida pelo ferimento de uma queda, Maria não compreendia a real extensão do encontro. Seu pai xokleng perguntou, pegando a cabeça da jovem: “Você não me reconhece? Eu sou seu pai.” Com pavor e asco do legitimo progenitor, Maria não dizia uma palavra sequer. O velho cacique afastou a cabeça da filha com um safanão e, com ódio no olhar, sentenciou: Estou vendo. Você tem nojo de mim e de toda a sua gente”.

Suplemento Jornal de Santa Catarina, sábado, 02 de setembro de 2000 – 150 Anos Blumenau; Volume 2 – O Passado.
Arquivo de Adalberto Day

sábado, 6 de fevereiro de 2010

- As legendárias Minas de Prata -Parte 3

Histórias de nosso cotidiano.
Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller.
Hoje vamos concluir este nosso trabalho sobre as “Minas de Prata” da Nova Rússia, bairro Progresso em Blumenau. Analisando o relato do historiador José Ferreira da Silva, vimos como foram cavados túneis na rocha e erguidos, em plena mata, os depósitos, moinho e forno para fundição de metais.
Por Carlos Braga Mueller
Ferreira, no artigo “As Minas de Chumbo do Ribeirão da Prata”, publicado em 1968 na revista “Blumenau em Cadernos”, relata que “novas prospecções e medições dos terrenos foram feitas pelo engenheiro Hugo von Moers. Um engenheiro alemão, o Sr. Kerschbaumer, que trabalhara nas colônias germânicas do sudoeste africano, também já havia realizado outras prospecções das minas, trabalho muito dificultado pela irregularidade do terreno e pelas enormes e densas florestas que o cobriam, e o cobrem ainda.
Igualmente trabalhou no levantamento da Mina e na avaliação de sua capacidade o geólogo Dr. Heinrich Lotz, que para cá viera durante a primeira grande guerra, o qual atestou tratar-se de veios de quartzo de cerca de 40 metros de largura, por uma profundidade de 50 quilômetros mais ou menos, rico em substâncias metálicas.
Já em 11 de janeiro de 1913, anteriormente, portanto às providências mencionadas, o Sr. Otto Rohkohl requerera autorização à Câmara Municipal para a construção de uma linha aérea em que, por meio de cabos de arame, estendidos sobre postes, e por caçambas deles suspensas, se fizesse o transporte de minério bruto desde a mina até o porto de Blumenau.
Ponte da Entrada das Minas da Prata - Construída na Gestão do então prefeito Hercílio Deeke (1951/1954). 
Essa providência, apesar de autorizada pela Câmara, nunca foi posta em prática e a sua idéia foi logo abandonada em vista do vultoso custo em que importaria, resolvendo-se o beneficiamento do minério no próprio local das jazidas.
O Sr. Rohkohl procurou interessar grandes firmas alemãs no empreendimento. Assim é que, depois da primeira guerra mundial, a grande empresa de mineração alemã, Hugo Stines, mandou para cá o seu engenheiro de minas, Dr. Vogel, que procedeu a novos estudos a respeito da qualidade do minério e do seu aproveitamento industrial. O seu relatório nunca foi dado a conhecer, mas o fato é que o mesmo Dr. Vogel resolveu permanecer em Blumenau, construindo residência própria no bairro do Garcia, nas proximidades da Rua Engenheiro Odebrecht.
É desse Dr. Vogel que provém o nome do ribeirão que, nascendo nas encostas dos morros da margem direita do Ribeirão Garcia, atravessa as terras que foram do mesmo Dr. Vogel e deságua neste último ribeirão.
Aconteceu, porém, que pouco depois a firma Hugo Stines, em virtude da grande crise por que passou toda a indústria carvoeira da Europa, foi à falência, morrendo o seu chefe. E o seu homem de confiança aqui, o Dr. Vogel, algum tempo após aquele desastre, veio igualmente a falecer de desgosto e depressão.
Continuaram-se, entretanto, os serviços preparatórios para a exploração industrial do minério, agora sob a direção dos senhores Kirschbaumer e Otto Schlem, este último como gerente comercial, chegando-se mesmo a conseguir a fundição do chumbo comerciável, transformado em barras.
Mas ao mesmo tempo em que, a custo de enormes sacrifícios pessoais e grandes somas de dinheiro, iam se conseguindo estes pequenos resultados satisfatórios, acentuava-se a realidade de que só mesmo um grande empreendimento, dispondo de grandes capitais para a compra e instalação de maquinaria especializada, poderia tornar a empresa economicamente lucrativa.
Realmente, a aparelhagem que havia sido montada mal servia para o aproveitamento do minério de chumbo, perdendo-se, na escória, todo o restante teor de cobre, zinco, enxofre e prata.
Escola Básica Municipal Margarida Freygang (1938)
Chegou-se à conclusão de que o que se punha fora com os resíduos da fusão do chumbo era muito mais valioso do que este último produto.

Tendo que cuidar de outros empreendimentos em que se envolvera, como na direção da Empresa Força e Luz Santa Catarina, o Sr. Otto Rohkohl desinteressou-se da mineração e as Minas de Prata do Garcia foram legadas ao abandono.
O Sr. Otto Schlem, que havia construído uma suntuosa residência no próprio local das minas, deixou-a, e transferiu-se para Joinville.
“Aos poucos, tudo quanto ali se havia feito com tanto trabalho e grandes dispêndios de dinheiro, foi desaparecendo, ou furtado por estranhos, ou consumido pelo tempo.”
Quando redigiu este estudo, em 1968, Ferreira da Silva destacou que naqueles tempos restavam apenas vestígios do que fora feito na região, e do que ali se produzira.
Naquele ano, escória de material fundido ainda podia ser vista entre pedaços de rocha veiada de minerais, reverberando ao sol, em montes de cascalho extraído dos vários túneis, cujas aberturas, na rocha viva, estavam sendo encobertas pela capoeira e pelos fetos que crescem exuberantes, escondendo os derradeiros sinais de uma empresa que poderia ter sido de inestimável impulso para o progresso e enriquecimento de Blumenau.
Hoje em dia, muitos ainda se aventuram pelas matas em busca dos túneis. Alguns os encontram, entram neles, e saem entusiasmados, com a certeza de terem vivido uma experiência emocionante.
Texto: Carlos Braga Mueller/Revista Blumenau em Cadernos; 1968; José Ferreira da Silva. Arquivo:Pedro Prim/Adalberto Day

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

- As legendárias "Minas de Prata" Parte 2


Histórias de nosso cotidiano.

Mais uma participação exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata a parte 2 sobre as ”Minas de Prata” em Blumenau.

Por Carlos Braga Mueller
AS  LEGENDÁRIAS “MINAS DE PRATA” DE BLUMENAU
Em nosso comentário anterior traçamos um perfil do que significam, na história de Blumenau, as “Minas de Prata”, algo que durante décadas e décadas representou para Blumenau, desde seus tempos de Colônia, um “eldorado”, de onde espargiriam toneladas de prata para enriquecer os mineradores que se aventurassem a buscá-las na Serra do Itajaí.
Vimos como passaram a posteridade alguns relatos do Professor Rodolfo Hollenweger, sobre um explorador estrangeiro que teria palmilhado a região nos anos 30 do século 19, em busca de riquezas minerais, embora estas informações não possuam certificação.
Mas como tudo passa, as “minas de prata” também passaram, ficaram no esquecimento, transformaram-se praticamente em lenda. Isto porque, comprovou-se, as reservas de minério (ouro, prata, chumbo, cobre ) estavam em local de difícil acesso, afugentando investidores porventura interessados.
A revista “Blumenau em Cadernos”, fundada na década de 50 do século passado pelo historiador José Ferreira da Silva, publicou em seu tomo IX, de 1968, muitos fatos interessantes sobre este assunto, sob o título de “As minas de chumbo do Ribeirão da Prata”. Por aí se pode deduzir que a prata tinha sido artigo raro na mineração que havia se processado na região. As minas estavam mais para a extração de chumbo.
Vamos nos permitir reproduzir neste espaço, alguns tópicos daquilo que José Ferreira da Silva pesquisou e publicou há 41 anos. (1968).
Poderá haver, nestes dados, divergências que outros estudiosos e pesquisadores entendam que colidam com suas anotações e arquivos. Se contestações surgirem, estaremos buscando atualizar estas antigas informações, transformando-as em repositório mais seguro para os estudantes deste assunto.

Depois das primeiras incursões de mineradores, houve desistências e, como relata Ferreira, “as matas do Garcia continuaram, ainda por muitos anos, no seu primitivo abandono, morada de feras e de índios. Terras muito acidentadas, impróprias para a cultura, não despertavam a cobiça dos colonizadores, que as aproveitavam apenas como fonte fornecedora de madeira para os engenhos próximos, de palmitos para a cozinha dos moradores da cidade e para as pequenas fábricas de conservas.
Até que, por volta de 1896, uma sociedade de argentinos e espanhóis requereu e obteve uma concessão de 3.000 hectares na região, fé-la medir e demarcar, propondo-se a explorar o minério, já então mandado analisar. Essa firma, sob a razão de Cortada & Cia., deu os primeiros passos para a instalação da maquinaria necessária.
Entretanto, os trabalhos de prospecção das minas resultaram na conclusão de que a exploração do minério seria muito problemática em seus resultados econômicos, dada a reduzida capacidade das jazidas. Os empresários, desanimados, ante essa evidência, e ainda mais, diante da retratação dos financiadores, acabaram abandonando a idéia.
Mas o propósito de fazer com que a riqueza mineral da região viesse, também, contribuir para o progresso do município, numa época em que, por toda parte, reinava uma ânsia de desenvolvimento em todos os ramos de atividades, continuava a preocupar a mente de alguns blumenauenses, entre os quais a do Cônsul Otto Rohkohl, tanto mais quando haviam sido descobertos novos depósitos de minério, ribeirão mais acima.
Otto Rohkohl que, como primeiro diretor da Estrada de Ferro Santa Catarina e à frente de outros empreendimentos regionais, vinha prestando grandes serviços ao município, adquiriu as terras do Ribeirão da Prata e providenciou nova prospecção das jazidas e novos exames do minério. Destes últimos, participou o engenheiro de minas, Pedro Hermann, único filho homem do Dr. Hermann Blumenau .
Conservava o Arquivo Histórico, destruído por um incêndio em 1958, duas cartas desse engenheiro, dirigidas ao senhor Victor Gaertner, datadas de junho e outubro de 1913. Na primeira delas, o filho do fundador acusava o recebimento de amostras do minério, mas lamentava ter que contrariar as esperanças do remetente, pois as amostras comprovavam tratar-se de quartzito com aspersões de cascalho sulfuroso.
Na segunda carta, o Dr. Pedro Hermann comunicava que o Sr. Otto Rohkohl o havia visitado e conversado com ele sobre as ocorrências mineralógicas no Garcia, havendo-lhe dito que havia entrado em contato com muitos interessados e fazendo votos que os seus esforços na Alemanha fossem coroados de êxito. Adiantava mais que faria o que pudesse para auxiliar o Sr. Rohkohl, aconselhando-o na medida do possível e que, depois de examinar os minérios e planos para o seu aproveitamento, poderia concluir se os citados dados seriam bastantes para se chegar a um critério seguro, ou se seria necessária a sua vinda a Blumenau para examinar, in loco, a situação e o aproveitamento do material.
Realmente, na viagem que em 1911 empreendera a Alemanha, o Sr. Otto Rohkohl empenhou-se não apenas em mandar analisar as amostras que levara, como a interessar capitais que pudessem ser investidos no empreendimento. Nessa oportunidade, acertou a ida a Blumenau do Dr. Pedro Hermann, que efetivamente aqui esteve e realizou os estudos técnicos dos quais resultou a possibilidade de aproveitamento industrial do minério, em vista da riqueza das jazidas.
Verificou-se que o material examinado continha boa percentagem de chumbo, além de prata, cobre, zinco e enxofre.
Em vista disso, deu-se começo aos trabalhos de exploração e aproveitamento do minério. “Foram cavados três túneis na rocha, perseguindo os veios mais ricos, construíram-se depósitos para o material bruto, moinho e pequeno forno para a fundição.”
Na seqüência deste trabalho, vamos conhecer um pouco mais da aventura que marcou a atuação dos mineradores das nossas “minas de prata”, conforme relato publicado pela revista “Blumenau em Cadernos”.
Texto: Carlos Braga Mueller/Revista Blumenau em Cadernos; 1968; José Ferreira da Silva. Arquivo:Adalberto Day

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