"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

- CSU Garcia – Hercílio Deeke

CSU - GARCIA - Hercílio Deeke

30 anos de bons serviços prestados a comunidade

Placa com os seguintes dizeres:
Secretaria de Planejamento da Presidência da República Programa Nacional de Centros Sociais Urbanos Ministério da Fazenda Caixa Econômica Federal/FAS Governo do Estado de Santa Catarina Supervisão da Ação Comunitária Centro Social Urbano Hercílio Deeke, inaugurado em 31 de outubro de 1978 com a presença do Excelentíssimo Senhor João Baptista de Oliveira Figueiredo.
Governar é encurtar distâncias.


- Dia 30/julho/2008 o Centro Social Urbano Hercílio Deeke, Rua da Glória 459, Bairro Glória, completou 30 de serviços prestados a comunidade. Data essa da criação do Conselho Comunitário. O CSU Hercílio Deeke foi um dos pioneiros em nossa região e constituiu-se durante muitos anos como modelo e orgulho para nossa comunidade em geral. Na oportunidade diversas pessoas da comunidade foram homenageadas. Foi apresentado um belo histórico sobre as atividades junto a comunidade e em seguida foi oferecido aos convidados saborear um delicioso bolo .

Galeria dos presidentes do CSU

- 1978/1980 - Olávio Antônio Costa
- 1980/1982 - Francisco José Malheiro
- 1982/1984 - Olimpio Moritz
- 1984/1985/1986/1987 - Augusto César Viana
- 1987/1988 - Dorival Agapito Viana
- 1985/1986/1988/1989 - Pedro Stahelin
- 1989/1994 - Antônio Carlos Silveira
- 1994/2006 - Júlio César Pereira
- 2006/ - Walkiria Sens Luchemberg, atual presidenta.
CSU - GARCIA 02.09.08 Rua XV

Homenageados

Júlio César Pereira e Walkiria Sens Luchemberg

Flagrante geral
Trabalhos desenvolvidos:
Desde as modalidades esportivas, teatrais, ambulatórias, posto de saúde, Clube de Mães Mãos Unidas, creche Frieda Zadrozny, trabalhos com idosos, são desenvolvidos pela instituição.
- No local funciona o AGG – Ambulatório Geral do Garcia, que se encontra sem uma boa infra-estrutura, física e estrutural. Em breve será transferido para o antigo Salão da Artex (América) posteriormente cantina da Artex. As novas instalações estão em fase de acabamento e será inaugurado no dia 12 de setembro de 2008, possibilitando com suas modernas instalações e equipamentos, uma melhor condição de atendimento a comunidade.

CSU - Garcia - complexo esportivo

- Nesses 30 anos de sua implantação, os Garcienses puderam usufruir um excelente local não só de lazer mais de atividades as mais diversas. Parabéns a direção atual presidida pela senhora Walkiria Sens Luchemberg.
Arquivo de Adalberto Day

terça-feira, 29 de julho de 2008

- Stammtische em Blumenau


O termo stammtisch é formado da junção das palavras stamm, que significa tronco e tisch, que significa mesa. Ou seja, numa tradução fiel "mesa de tronco".
O dicionário Michaelis (alemão/ português), acrescenta dois outros aspectos que procuram explicar o significado do termo: "Stammtisch, mesa cativa de grupo de freqüentadores". Desta forma, define um local pré-determinado (mesa cativa) e incorpora, a este local, a presença de um grupo de freqüentadores habituais. Entretanto, além dos aspectos pré-determinantes que envolvem o sentido do termo, para entendê-lo é preciso trazer à luz o espírito reinante neste ambiente. Não é outra a intenção demonstrada numa jocosa definição contida em uma placa pirografada afixada num espaço existente para a reunião destes grupos na Cervejaria Hofbräuhaus, em Munique.

A este respeito, por ocasião da comemoração dos 400 anos desta cervejaria, em 1989, o apresentador do programa especial rodado pela TV alemã ZDF assim traduziu a salada de letras contida nesta placa: "Stammtisch é: Um determinado local, uma determinada mesa, num determinado canto, onde em determinados dias, umas determinadas pessoas, num determinado horário, tomam assento em determinadas cadeiras. Ali, com uma determinada quantidade de uma determinada bebida, falam sobre alguns determinados temas, e então numa determinada hora, com um determinado porre, determinam ir para casa onde uma determinada pessoa espera, com certeza, com um determinado protesto".
E conclui o apresentador da ZDF: "Isto está determinadamente certo". Uma versão mais romântica do que significa stammtisch, passada geração após geração pela tradição oral, conta que o termo começou a ser usado na Idade Média. Os lenhadores bávaros, ao cortar a primeira árvore de uma nova área de extração de madeiras, faziam-no à altura de uma mesa e, de seus galhos mais grossos, cortavam toletes que lhes serviriam de bancos. Era ao redor desta mesa improvisada que faziam suas refeições e, ao final do trabalho diário, ali se reuniam para bater papo, planejar o dia seguinte e bebericar do vinho que traziam em seus alforjes. O seu tronco comum (stamm), era a sua própria profissão ou atividade (lenhadores) e o espírito reinante ao final de cada jornada de trabalho, ao redor daquela improvisada mesa (tisch), forjada no tronco da árvore, não era outro que relaxar, jogar conversas ao léu, cultivar a amizade, celebrar a vida.
Segundo esta versão, o hábito daqueles lenhadores ganhou as tabernas, nas cidades, e nestes ambientes, teria se perpetuado o nome stammtisch para todos aqueles que, habitualmente, as freqüentavam e costumavam, na companhia de amigos, sentar-se numa mesma mesa previamente reserv- A origem nomes dos Bairros de Blumenau

A origem dos nomes dos bairros de Blumenau
Vorstadt: “Entrada da Cidade”, isto é, para quem vinha do litoral é o que se localiza antes do centro da cidade.
Centro: Local onde ficou instalada a sede da Colônia Blumenau, conhecida como Stadtplatz – praça da cidade. Hoje engloba três ruas principais, a Rua XV de Novembro, a Rua Sete de Setembro e Castelo Branco (Beira Rio).
Ribeirão Fresco: Desde o início da Colônia Blumenau, já se conhecia o caminho principal deste bairro como Kühler Grund – palavra de origem alemã que significa Solo Fresco, daí o nome do ribeirão, como Fresco.
Garcia: Por existir nesta região moradores vindos do rio Garcia de Camboriú, hoje rio Camboriú, já em 1846. Conhecidos como gente do Garcia
Da Glória: Nome dado em 04 de fevereiro de 1938 pelo então prefeito José Ferreira da Silva por existir nesta localidade, desde 1920, o Clube Musical Glória.  Esta localidade até esta data era conhecida pelos moradores como Spectiefe – palavra de origem alemã que significa caminho ou vale lamacento, ou gorduroso.  
Progresso: O nome deriva de na proximidade da região; serem instaladas as primeiras indústrias têxteis: Empresa Industrial Garcia e a Artex, sinal de Progresso. Quando um morador vinha fazer uma "Ficha" nas empresas ou no comércio, eram perguntados: Onde você mora? - Moro no Alto Garcia, ou Garcia Alto, - mas onde fica este local? ; - Lá onde o Progresso está chegando, se referindo as indústrias.
Valparaíso: Por haver na localidade um conjunto residencial Loteamento Valparaíso – nome dado em homenagem à cidade chilena de Valparaíso.
Vila  Formosa: Margeado pela rua Hermann Huscher, este bairro foi criado em 1956 pelo prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior.   Esta denominação foi dada em homenagem a um grande proprietário de terras no Bairro Vila Formosa, que inaugurou um curtume no dia 7 de janeiro de 1898.
Jardim Blumenau: Criado em 1956 belo então prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior que o denominou assim, motivado pela tradição dos moradores terem em frente às casas, sempre jardins bem cuidados.
Bom Retiro: Desde cedo esta localidade era conhecida como Jammerthal – que significa Vale das lamentações. O nome do Ribeirão Retiro já consta no mapa de Blumenau de 1864.  Com a criação deste bairro em 1956, a tranqüilidade do lugar deu origem ao nome de Bom Retiro.
Velha: A origem do nome deste bairro tem duas versões: uma, que remonta a 1838 diz que na região morava uma velha senhora as margens do ribeirão; outra versão baseia-se no fato de que ali existiria uma família de cognome Velha, antes mesmo da fundação da cidade de Blumenau. Como também de referencia a serraria mais velha, do que a do Garcia.
Velha Central: Área central do curso do ribeirão Velha com ampla área plana, envoltos em pequenos morros.
Velha Grande: Área junto do ribeirão da Velha formada pelo estreito e longo  vale deste ribeirão, hoje com locais de ocupação quase que exclusivamente em áreas de declive.
Passo Manso: Desde cedo esta região era conhecida como Stiller Pass, que significa passo ou passagem calmo ou silencioso, pois o rio Itajaí-Açu ali tem suas águas calmas e tranquilas.
Salto Weissbach: Bairro na margem direita do rio Itajaí-Açu próximo da foz do Ribeirão Branco, que em alemão se diz “Weissbach”. Nome dado por imigrantes alemães que significa “Salto do Ribeirão Branco”.

Salto: Bairro localizado na margem direita do rio Itajaí-Açu, do lado sul do Grande Salto de 8 metros de altura aproximadamente.
Escola Agrícola: Na localidade em 1940 foi instalada uma “Escola Agrícola Municipal” para crianças. Com o desenvolvimento a região passou a ser conhecida como Escola Agrícola.
Água Verde: Diz a lenda que por haver nas águas do ribeirão da região grande número de algas e musgos, aparentando ser de coloração verde, daí o nome deste bairro.
Vila Nova: Bairro criado em 1956 e deu-se o nome de Vila Nova, porque na época sua ocupação com residências era recente.
Itoupava Seca: Localizado no lado Sul do rio Itajaí, o nome Itoupava de origem tupi-guarani significa corredeiras, já Seca se refere ao afloramento das pedras do leito do rio em épocas de estiagem.
Victor Konder: Nome dado em homenagem a personagem da história local. Victor Konder tinha uma fazenda nesta localidade e  foi Presidente da Câmara de Blumenau, Secretário da Fazenda do Estado e Ministro da Viação.
Boa Vista: Nome derivado de neste bairro haver um morro que desde cedo oferecia uma boa visão da área central da colônia.
Ponta Aguda: Nome dado pelo fato de o rio Itajaí-Açu nesta área ter uma curva bem acentuada, formando uma ponta de terra, daí Ponta Aguda.
Nova Esperança:  A localidade era conhecida como Morro do Abacaxi , mais tarde após o encontro de uma onça passaram a chamar Toca da Onça, nos anos 1980 após um plebiscito na comunidade optaram pela denominação Nova Esperança, por ventura da esperança dos inúmeros migrantes que chegavam ao local.
Itoupava Norte : O nome  Itoupava é de origem tupi-guarani e significa corredeiras, logo este bairro está localizado no lado Norte do rio Itajaí-Açu.
Fortaleza: Região do ribeirão Fortaleza, por ventura deste ribeirão haver próxima sua foz no Itajaí um rochedo alinhado semelhante a uma fortaleza.
Tribess: Nome dado em homenagem a um dos primeiros moradores da localidade.
Fortaleza Alta: Região próxima as nascentes do ribeirão Fortaleza.
Fidélis : Nome derivado da referência que os primeiros moradores da localidade faziam ao ribeirão ali existente, dizendo: fluss geht ganz fidel – o rio corre mansamente. A palavra Fidel, mais tarde aportuguesada passou a ser pronunciada Fidélis.
Salto do Norte: Lado norte do Grande Salto do rio Itajaí-Açu..
Badenfurt: Bairro próximo à região da foz do rio do Testo no Itajaí-Açu, onde imigrantes vindos de Baden se estabeleceram, daí o nome que significa travessia do (rio) de Baden. Trata-se de um lugar que permite a passagem de um rio, travessia do rio em uma localização da água rasa (mas não pantanosa).
Testo Salto: Bairro próximo ao salto do rio do Testo, daí a origem do seu nome.
Itoupavazinha: De origem tupy que significa “pequeno ribeirão com corredeiras”.
Itoupava Central: Região central do ribeirão Itoupava. Itoupava: corredeiras.
Vila Itoupava: Vila do ribeirão de corredeiras.
Para saber mais acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com.br/2007/07/o-bairro-vila-formosa.html
Arquivo de Adalberto Day/ada ou que lhes era cativa. Mais tarde, o nome acabou identificando aqueles que, além da amizade, detinham outros aspectos comuns, o mesmo local de trabalho, uma determinada atividade cultural, social ou política, etecetera (mesmo tronco, mesmas raízes), que justificasse o fato de se encontrarem, ao redor de uma mesma mesa, uma mesa cativa.

Foi ali, no ambiente das tabernas que os grupos se deixaram envolver por outra bebida além do vinho, a cerveja, na maioria dos casos, como ainda hoje, era produzida nestes próprios estabelecimentos ou na cidade aonde se localizavam. Certa, errada ou meramente especulativa, esta versão é a que, sem sombra de dúvida, mais se encaixa com o jeito de ser dos stammtische espalhados pela Alemanha, Áustria, Suíça, Dinamarca e em outros países sob influência tedesca, bem como aqui no Brasil, nas cidades colonizadas por descendentes destes países.
Stammtische em Blumenau
PRECEDENTES HISTÓRICOS

Luiz Eduardo Caminha
São imprecisos os registros históricos a respeito dos grupos de stammtische, em Blumenau. Nos tempos de colônia, como não poderia deixar de ser, os imigrantes seguramente já faziam seus stammtische, quando, ao final do dia, sorvendo ou não alguma bebida, se reuniam para planejar o dia seguinte, discutir as precauções a serem adotadas no conflito com os índios, falar da laboriosa e difícil faina diária, comuns àqueles primeiros momentos da colônia, ou mesmo para relembrar ou choramingar as saudades de sua terra natal, de tantos parentes e amigos que por lá ficaram.
Os grupos eram freqüentados por homens que, ou não tinham o zelo de registrar aquelas reuniões informais ou não achavam estes registros importantes ou ainda, porque não tinham interesse que suas conversas e andanças, habitualmente noturnas, pudessem chegar ao conhecimento de suas esposas, noivas ou namoradas, muito menos à pudica sociedade da época.
É bem verdade que o Pastor Oswaldo Hesse, que aqui chegou em 1857, o historiador José Ferreira da Silva, e a escritora Christina Baumgarten fazem referências em seus escritos sobre o hábito de se reunir dos alemães aqui radicados, mas o registro formal de que estas reuniões reproduziam a tradição germânica dos stammtische, inexiste de fato. Talvez por esta razão sejam tão escassos os registros históricos destes grupos e o que mais se sabe sobre eles vem muito mais da tradição oral, referências das pessoas, lembranças de outras, ou relatos que foram passados pelos mais antigos.
O SUMIÇO DO NOME
Luiz Eduardo Caminha
Não há dúvida que contribuiu para o sumiço desta cultura, o movimento nacionalista deflagrado, a partir de 1935, pelo o governo tendo, como alvo preferencial, as colônias alemãs do sul do Brasil. Esta xenófoba campanha abafou as expressões públicas de germanicidade. Deixou-se de falar o alemão em público; diminuíram as atividades dos clubes; as Sociedades de Atiradores (Schützenverein) tiveram seus nomes nacionalizados ou foram fechadas, a educação passou a ser feita em língua portuguesa e era vergonhoso se declarar de origem alemã. Desta forma, termo e tradição desapareceram do coloquial comum dos blumenauenses e o "jeito de ser" dos stammtische acabou sucumbindo. Mais que isso, para disfarçar e fugir do aparato policial, desenvolveu-se o hábito de associar à reunião de um stammtische uma atividade sócio-esportiva, como o futebol, a bocha, o bolão, entre outras, o que acabou por transformá-los em grupos ou patotas destinados a estas atividades. Mas, o que faziam, de fato, nada mais era que perpetuar aquela tradição.
O hábito de se reunir continuou como traço cultural do blumenauense nestes grupos, entre os freqüentadores de sauna, de um mesmo bar, nos clubes de jipeiros, ou mesmo nos grupos de amigos, que a cada final de tarde ou a cada "früestück", se sentavam para um bate-papo. O que se esqueceu, foi chamar de stammtisch estas reuniões, algumas com regras, livros de ata, álbum de fotos, etc, outras sem qualquer formalidade. Deixou-se de ir ao meu stammtisch e passou-se a frequentar a minha patota, o meu grupo de bocha ou bolão, a turma do cafézinho do bar Pingüim, do Marreta ou outro que o valha.
Bairro Altona - hoje Itoupava Seca - futura Rua São Paulo. Foto da Cervejaria Otto Jennrich uma das Primeiras. Aonde um stammtisch se reunia. Ali também havia muita música e cantorias, motivo de "reclamações" de vizinhos (Arquivo Histórico José Ferreira da Silva)
Depois dos anos 50
Luiz Eduardo Caminha
Na segunda metade do século XX, já livres da xenófoba campanha nacionalista da era Vargas, alguns grupos ainda se identificavam como stammtisch. Entre estes, destaque-se aqui a existência de dois grupos de blumenauenses da gema, que se reuniam diariamente, nos fins de tarde, início de noites, na Confeitaria Socher, bem como um outro que usava as dependências do Bar do Benthien, ambos na Rua XV de Novembro. Havia ainda, nos anos 50, três outros grupos, dos quais tomamos conhecimento, que mantinham esta tradição, um na Sociedade Recreativa e Esportiva Ipiranga, outro na Itoupava Central e um outro na região do Testo Salto.
Sobre esta época, dois registros são destaques de duas crônicas do Jornalista Altair Carlos Pimpão. Uma delas, levada ao ar em seu programa radiofônico "Crônicas do Vale", na ex-Rádio Difusora, lhe foi passada por Victor Maria Flesch e aconteceu na década de 50 do século passado, com o Sr. Walter Wendlich, membro de um stammtisch que se reunia diariamente no Bar do Benthien:
“... a história ficou apenas entre os que participavam da "Stammtisch", isto é, aquela meia dúzia de alemães e brasileiros germanófilos e cervejófilos, que todas as noites sentavam na mesma mesa e ficavam tomando cerveja (não cito os nomes para evitar merchandising), de casco escuro".
No outro registro, em seu livro "Crônicas de Blumenau" o jornalista Altair Carlos Pimpao descreve com certa dose de saudade a existência do Socher, bar, café, restaurante e confeitaria: "Os homens de negócio também se reuniam ali. Muitos mantinham sua germânica e tradicional instituição, "Stammtisch", sempre a mesma mesa, que, diariamente, no horário habitual e sempre rodeada pelas mesmas pessoas,ocupando os mesmos lugares, era palco dos comentários políticos, esportivos e sociais da época"... E acrescenta o cronista: "Como também participei de uma rodinha ( o grifo é nosso), posso afirmar que foi ali que começou o movimento para a fundação do Bela Vista Country Club. Mas começaram ali muitos outros movimentos e concretizaram-se grandes transações comerciais e imobiliárias".
Intencionalmente, o jornalista apresenta um significado abrasileirado para o termo "stammtisch". De fato, se quisermos explicar, para quem nunca ouviu falar, o que significa este termo, o melhor similar brasileiro que encontramos seria "rodinha" ou "roda de amigos". Há que se destacar ainda um registro feito pela pesquisadora Edith Kormann em sua obra “Blumenau, arte, cultura e histórias de sua gente (1850-1985) quando se refere a um tradicional jogo de cartas alemão, o “skat”“:
...: "considerado esporte dos homens é também praticado por mulheres, e conforme estatísticas, cada terceira pessoa na Alemanha sabe jogar "skat" e se reúnem regularmente nos clubes e no "stammtisch" para o jogo". l

Foto do Arquivo Histórico de Blumenau - Primeira metade Sec. XX Rótulos Cervejas Blumenau
A RE-INVENÇÃO DA TRADIÇÃO
O fato é que as rodinhas, patotas, confrarias, os grupos de amigos são o correspondente brasileiro desta tradição cultural de origem tedesca. E em Blumenau as coisas foram assim. Foram!!! Porque a partir da estréia do Programa Stammtisch, em 02 de Abril de 2.000 a tradição, bem como o termo "stammtisch" passam a ser definitivamente resgatados e, hoje, não há um blumenauense sequer que não reconheça o seu significado. Trouxe aqui estes registros da História para marcar, com toda ênfase, a importância que dou, e sou testemunha, ao ressurgimento desta tradição a partir de Abril de 2.000, através do Programa Stammtisch, que tivemos a honra de estrear, ainda como quadro do Programa Feliz Cidade, na TV Galega. Foi, sem qualquer dúvida, através do Programa, que se conseguiu trazer ao momento presente, a existência desta cultura "disfarçada" em outras denominações que trazem, no seu jeito de ser, esta herança deixada pelos colonizadores e seus descendentes. Assim, é de mérito afirmar que o grande resgate desta história toda, começada em 02 de Abril de 2.000, com um simples quadro denominado "stammtisch" do programa semanal "Feliz Cidade", foi a volta do uso deste termo, bem como desta tradição. Não mais patotas, não mais rodinhas, mas "STAMMTISCH" mesmo, como os alemães o conceberam e como os descendentes dos colonizadores usavam como hábito de seu dia-a-dia. Re-inventou-se, desta forma, uma tradição que muito certamente, estava caindo no rol do esquecimento histórico. No afã de reproduzir a história, os próprios grupos procuraram se aprofundar no assunto e, respeitadas as adaptações, resgataram uma "memória social" tão vivida pelos antepassados. Foi nesta vertente que, em Blumenau, e novamente por ação direta do Programa Stammtische inventou-se uma "nova" e adaptada tradição. Falamos da "Strassenfest (tradição comum na Alemanha) mit Stammtischtreffen", uma Festa de Rua aonde todos os stammtische, patotas, confrarias e grupos de amigos comparecem para re-editar, em plena Rua XV de Novembro, as reuniões informais habitualmente vivenciadas em seus ambientes cativos, nas suas mesas reservadas.
Na Alemanha
Segundo fontes históricas, o 1º. Stammtische surgira ainda no reinado de Friedrich Wilhelm I, o Rei-Soldado, (Soldatenkönig), Rei da Prússia (1713 – 1740), mais de um século antes de se constituir o Império Alemão. O Rei Friedrich Wilhelm I criara, em seu castelo, uma espécie de grupo de adeptos do fumo, o legendário “Tabakskollegium”, que se reuniam para fumar "Tonpfeifen", literalmente cachimbos de barro ou de cerâmica. O uso concomitante de cerveja e o hábito de se reunir é apontado como provável surgimento da primeira mesa regular (ou 1º Stammtisch)
“Friedrich Wilhelm I brought what was perhaps the first "Stammtisch" round into being” (Friederich Wilhelm I começou o que, talvez, tenha sido o 1o.Stammtisch).
"Castelo Königs Wusterhausen, em Berlim. Aqui nasceu o primeiro Stammtisch do mundo".
O QUE É ISTO, GENTE ?
O Encontro de Stammtische (Stammtischtreffen) não existe em nenhuma parte do mundo. Nem mesmo na Alemanha. Esta foi uma tradição re-inventada aqui, na nossa Blumenau e hoje levada a efeito em mais de 30 cidades catarinenses.
É, na verdade uma Strassenfest (Festa de Rua), tão comum na Alemanha, aonde os Stammtische trazem para a Rua XV de Novembro (antiga Würststrasse – Estrada da Lingüiça), a principal artéria central de Blumenau, toda a sua estrutura: mesas, copos, bebidas e alimentação, procurando re-editar em plena rua, das 9:00 as 17:00 de um Sábado, as suas reuniões diárias, semanais, quinzenais ou mensais. Durante o evento, inúmeras bandas típicas, com acordeões, gaitas de boca (harmônicas), instrumentos de sopro, teufelsgeig, entre outros instrumentos, animam a festa. A alegria é a tônica e prevalece um clima de muita amizade e irreverência. Seus componentes gastam seu tempo comendo, brindando, cantando, jogando conversa fora além das rodadas de dominó, cartas, skat e outros. Um espaço especial é dispensado às crianças.
O evento, denominado “Strassenfest mit Stammtischtreffen”, deixou de lado o significado germânico para se identificar simplesmente como Encontro de Stammtisch ou, somente, Stammtisch, embora esta não seja a denominação correta. Enfim, um Encontro é uma grande reunião de Stammtische, cada qual organizado em suas próprias barracas.

A IDEIA
Tudo poderia ter começado sete (7) anos antes. De fato, em janeiro de 1993, Norberto Mette fora empossado Secretário Municipal de Saúde do Governo Renato Vianna/Vilson Souza, em Blumenau.
Com o intuito de colaborar na criação de atrativos turísticos para a cidade, o Publicitário, Jornalista e Agitador Cultural Horácio Braun, compareceu à sede da Secretaria de Turismo com o intuito de propor idéias inovadoras. Entre tantas, uma delas ficou gravada na mente do Secretário Mette: A realização de um Encontro dos Stammtische existentes em Blumenau, nas dependências da PROEB. Segundo estimativas do próprio mentor, devia haver espalhados pela cidade, mais de 1.200 destes grupos. A ordem, entretanto, naquele início de Governo, era a contenção de despesas até que as finanças da Prefeitura ficassem arrumadas. A idéia foi escanteada, mas não saiu da cabeça do Secretário e, nem tampouco, de seu proponente.
Os anos passaram e, em Julho de 1999, foi criado o Instituto Blumenau 150 anos. No ano 2000, no dia 02 de Setembro, Blumenau completaria 150 anos de existência. Diversas comissões foram formadas e Ricardo Stoedick foi guindado à condição de Presidente do Instituto. Norberto Mette comandava a Comissão de Eventos do Instituto. E foi aí, no 2º. Semestre de 1999 que Horácio voltou à carga. O Encontro de Stammtisch ficou agendado para o ano seguinte, no dia 01/09. Entretanto, ficara para discussão posterior, o local aonde seria realizado. Horácio achava que o local apropriado seria a Proeb. O Instituto queria que todos os eventos, relativos à data jubilar, acontecessem na Rua XV de Novembro.
Fonte dos textos: http://www.stmt.com.br/
Arquivo de Adalberto Day/Arquivo histórico José Ferreira da Silva.

domingo, 27 de julho de 2008

- 25 anos da Enchente – Lojas Hering


“Histórias de nosso Cotidiano”

Julho de 1983, enquanto as águas sobem, uma das mais tradicionais lojas da cidade se prepara para enfrentar as águas do Rio Itajaí-Açu, e pela primeira vez!
Por: André Luiz Bonomini
Baseado no depoimento de Anelore Heiden Bonomini


Saudações amigos!
Hoje, embalados pelas memórias trágicas de Julho de 1983, resolvi revirar um pouco a memória de meus parentes, a primeira “vitima” foi a minha mãe, Anelore Heiden Bonomini (foto), que estava trabalhando na saudosa Lojas Hering desde 1979, ela me contou muito sobre como estava a situação da loja naquele trágico Julho e de como a direção das Lojas Hering, de antemão, previu que não seria qualquer cheia.
Pegos de Antemão

Já no primeiro fim de semana do mês de julho havia uma boa chuva, dia 2, sábado, foi dia de trabalho normal, das 08h00min até 13h00min (as Lojas Hering fechava as 13 horas aos sábados). Todo o fim de semana foi chuvoso, e na segunda foi dia normal de trabalho, tudo transcorria normalmente.
Ao chegar à terça-feira (5/7 de 1983), todos os funcionários foram para um dia normal, porém, começaram a chegar às medições oficiais que indicavam alerta de enchente, e previa-se já que não seria uma enchente qualquer, como a última de dezembro de 1982 (detalhe, já chovia em pequena quantidade desde o natal de 1982). Seria uma enchente de grande porte, tendo isso como alerta geral, foi ordenada uma coisa inédita até o presente momento nas Lojas Hering, que todo o térreo da loja (inclusive o subsolo, onde se localizava a TOKA), teria que ser esvaziado. Em enchentes anteriores dificilmente a água chegava no estabelecimento, mas desta vez, parecia que a pratica desmentiria a teoria, e foi o que aconteceu.

Foto das funcionárias (da esquerda p/direita):Marcia, Tereza (Depósito), Anelore (Toalhas), Ingelore (Depósito), Nair (Toalhas) e Alaide (Chefe do setor de toalhas)
Toda a mercadoria foi levada a sobreloja, deixando apenas o mobiliário fixo. Para isso, foi usado um método bem engenhoso para a evacuação da seção de toalhas, a escada rolante foi r usada como esteira de transporte entre o térreo e a sobreloja. Louças, cristais e porcelanas foram embrulhados e seguiram de elevador para o depósito. Toda a mercadoria das seções do térreo foi literalmente esvaziada. Estavam no térreo da loja às seções de:
-Perfumaria
-Papelaria e Presentes
-Cine – Foto – Som
-Cristais
-Cama – Mesa – Banho
-Porcelanas
-Moda Masculina
E no subsolo a TOKA, seção de moda jovem de discos/fitas.
Seção de toalhas com Rosilene e Anelore
No fim da tarde, todos os funcionários foram dispensados, pois já com 10 metros de cheia, já não se tinha passagem em várias vias, como a Rua São Paulo e a Rua Amazonas. Durante todo o período da enchente os funcionários estavam em suas casas esperando à hora de voltar, alguns lutavam contra as águas, outros apenas esperavam. Quando se deu a certeza de que o tempo estava firme e que não haveria mais previsão de mais chuvas os funcionários começaram a voltar à loja. O chamado foi feito pelas rádios da cidade. Para chegar a loja não foi um caminho fácil, a única passagem da Garcia até o centro era a Rua Hermann Huscher, e ainda até no Hospital Santa Isabel, dali se seguia um atalho a pé por trás do Hospital, passando atrás do Colégio Sagrada Família até chegar à atual saída do educandário, entrando na Rua Paul Hering até chegar à Rua XV. O cenário era devastador, lojas colocavam suas mercadorias todas para fora, era tanta lama que o risco de uma queda era eminente, ao chegar à frente da loja. O Sr. Günter Steinbach, já esperando seus "heróicos" funcionários, ordenou que os mesmos entrassem pela frente da loja, já que o subsolo (inclusive a TOKA) estava ainda submerso. Para Anelore, um fato histórico, pois a diretoria não permitia que seus funcionários em serviço entrassem com o uniforme da loja na porta da frente, mas a situação o obrigou a quebrar a norma e deixar os poucos que conseguiram chegar entrar. Observação: O rio ainda se encontrava em alto nível, porém em baixa.

A medida "a olho" dentro da loja denunciou 1,20 de água. Os turistas que chegavam a loja depois do acontecido sentiam curiosidade em saber sobre a enchente, até se mostrava, com certo "espanto" até onde as águas haviam alcançadas no local, Para Anelore foi um certo sufoco, pois por ironia do destino, sua função era justamente a de Repositora, e tinha de cuidar da limpeza do setor.
A enchente de 1983 mexeu não só com seu “profissional”, mas com seu “pessoal”, com casamento marcado para dia 30 de Julho, teve de adiá-lo para 27 de Agosto de 1983. Este ano, no próximo dia 27 de Agosto, Anelore e seu marido Mario José Bonomini comemoram suas bodas de prata, pelo menos, no meu caso, alguma coisa de alegre faz 25 anos. Mas uma coisa devo afirmar: para mim, não são apenas 25 anos de uma tragédia, mas 25 anos de alegria, pois a partir deste dia surgiu um casal, e deste casal nasceu este que vos escreve hoje. É realmente (desculpem o trocadilho) uma enchente inesquecível!
*Anelore Heiden Bonomini trabalhou nas Lojas Hering de 22 de Março de 1979 a 12 de Setembro de 1995, desempenhando os cargos de Repositora, Balconista, Armazenista, Almoxarife, Encarregada do setor de deposito e Armazenista II, e como muitos blumenauenses, sentem falta da querida Lojas Hering!
Arquivo de Adalberto Day/ Anelore Heiden Bonomini/ André Luiz Bonomini

quinta-feira, 24 de julho de 2008

- O Cinema em BLUMENAU - Parte IV

Mais um capítulo da história do cinema em Blumenau.
Blumenau foi uma das primeiras cidades do Brasil a exibir filmes, e provavelmente a pioneira a ter sala própria para exibição de filmes .
Por Carlos Braga Mueller:
DO SALÃO HOLETZ AO CINE BUSCH

O Hotel Holetz, que ficava onde hoje se situa o Grande Hotel Blumenau, possuía um anexo nos fundos que abrigava um salão onde muitos bailes e sessões de cinema alegraram a comunidade blumenauense durante praticamente toda a primeira metade do século XX.
Foi neste salão que aconteceram algumas das pioneiras exibições de cinema em Blumenau, ainda no tempo dos filmes mudos, em que um pianista ficava tocando enquanto as imagens passavam na tela.
Minha tia, Antonietta (Nitinha) Braga, tocou piano durante muito tempo nas sessões de cinema. Ela ficava ao piano, do lado da tela, e conforme a cena ia se desenrolando executava as músicas no teclado. Se os artistas estavam namorando, a música era suave. Se a comédia tinha perseguições, a partitura musical era ligeira, e assim por diante (somente em 1927 o cinema seria sonoro, com as gravações na própria película).

Cine Busch anos 40 - Frederico Busch Sênior – Cine Busch anos 50
No começo do século passado, o Salão Holetz continuava recebendo muitos exibidores ambulantes de filmes, mas foi em 1919 que um destes exibidores acabou ficando ali em definitivo. O Sr. Frederico Guilherme Busch Sênior, empresário, importou equipamentos e filmes da Europa e a sala foi batizada de BUSCH’S KINO (CINE BUSCH). Mas em pouco tempo o salão ficou pequeno e o Sr. Busch resolveu, construir uma sala maior e mais moderna. O projeto foi feito pelo Engenheiro Vitorino Ávila Filho, em linhas art-déco, e para “durar eternamente”, como se apregoava na época. Era o final da década de 30, e enquanto surgia na Alameda Rio Branco o novo Cine Busch , as sessões de cinema aconteciam provisoriamente na sede do Clube Náutico América (onde hoje está o espigão inacabado, ao lado do Biergarten).
O salão do América não tinha declive e as pessoas que sentavam mais no fundo não viam nada.
A situação era tão caótica que se pedia que as damas fossem ao cinema sem chapéu!
O primeiro filme exibido no América foi o policial “Charlie Chan em Honolulu”, no dia 13 de fevereiro de 1940.
Mesmo sem estar completamente pronto, o novo cinema foi reinaugurado em tempo recorde. Em 29 de junho de 1940 as portas se abriram para exibir o filme alemão “Allianz-Adolescência de Uma Rainha”. A platéia possuía cerca de 800 poltronas e a novidade era um balcão com mais 300 lugares, onde inclusive o preço era mais barato do que na platéia de baixo. No dia seguinte (30/06/1940) foi exibido o filme norte americano “Rosalie”, um musical com Eleanor Powell e Nelson Eddy.
A história registra que no dia 8 de outubro de 1954 os proprietários do Cine Busch comemoraram os 50 anos de existência do cinema (desativado em 1993), o que leva a crer que o empresário Busch tenha considerado como data inicial de suas exibições o mês de outubro de 1904 no antigo Salão Holetz. Por essa época ainda não existiam salas fixas nem no Rio e São Paulo, pois o cinema engatinhava. Não havia completado nem 10 anos.
No Cine Busch durante muitos anos depois do gongo entrava a música "A lenda da Montanha de Cristal", um sucesso da época.
Blumenau ficou assim registrada na história do cinema brasileiro como um das primeiras salas exibidoras fixas do país.
Arquivo de Adalberto Day/ Morgana Holetz Aguiar – com a colaboração especial do Jornalista e escritor Carlos Braga Mueller.

terça-feira, 22 de julho de 2008

- É "nóis" em Floripa

Hoje o blog Adalberto Day, foi citado no Jornal Hora de Santa Catarina, de Florianópolis, na coluna Paixão Azurra, do colunista André Tarnowsky Filho. Agora o pessoal da Ilha de Santa Catarina, também poderá acompanhar as notícias do blog. Confiara abaixo, a nota publicada na edição de hoje, do JHSC. Se você não conseguir ler a nota na coluna, abaixo a nota na integra:
Adalberto Day Nossos cumprimentos ao avaiano Adalberto Day, cientista social e pesquisador, pelo primeiro aniversário do seu blog. Toda a história da bela Blumenau pode ser vista ali.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

- Um ano de Blog mostrando a história de nossa Bela Blumenau

- Hoje 21 de julho de 2008, é com muita satisfação que desejo compartilhar com você meu amigo leitor esse momento de alegria e conquistas. Os dados até o momento são extremamente satisfatórios e animadores: Os números indicam mais de 25 mil visitas e mais de 58 mil páginas visitadas. Até chegar a esses resultados positivos, muitos caminhos tiveram que serem trilhados, e sem você e os colaboradores tudo seria mais difícil. Estamos felizes e agradecemos à preferência e em especial a minha família: esposa Dalva, e filhas Louisiana e Vanessa.
- Este trabalho começou desde quando eu era garoto onde fui adquirindo conhecimentos através de entrevistas e pesquisas à comunidade, pelos idos anos de 1961 quando iniciei a minha caminhada no Grupo Escolar São José (Hoje E.B.Gov.Celso Ramos).Trabalhei 25 anos no setor de Recursos Humanos das empresas Garcia e Artex, e lecionei vários anos no Colégio Pedro II e Padre José Mauricio, no Progresso. Tive a oportunidade de realizar diversas palestras sobre o Vale do Garcia, em vários Educandários de toda Grande Garcia, Empresa Coteminas e na FURB. Também acompanhei diversos trabalhos de Mestrado e Doutorado na UFSC e de todas as universidades da região.
- Um dos acontecimentos que muito me orgulha, é ter recebido em 1999, uma MOÇÂO da Câmara de Vereadores de nossa cidade, como também uma placa banhada em letras de ouro, da E.E. Básica Padre José Mauricio em 2003 – de agradecimentos pelos trabalhos realizados junto a comunidade. Homenagens em 1997 e 2005 na E. E. BASICA PEDRO II .
As imagens que apresento a seguir mostram alguns flagrantes de mostras e palestras que ao longo dos anos realizamos.
- Palestras em diversos educandários e empresas.
Escola de Educação Básica Padre José Mauricio
C.E. Governador Celso Ramos – Empresa Coteminas – Associação Artex.

Associação Artex – Colégio Vale do Itajaí - Antigo Castelinho da Moellmann
Um abraço a todos.
Adalberto Day /cientista social e pesquisador da História.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

- Programa " Na Geral " Radio Bandeirantes AM 1260

- Desde o dia 23 de maio de 2008, participo do Programa “Na Geral” com Amauri Pereira, na Rádio Bandeirante AM 1260 – Blumenau. Indicado por Juliano Russi, com a produçao do programa Scheila dos Santos e comentários do Sílvio Kohler;
- No programa comentamos do futebol e esportes em geral do passado, todas as sextas-feiras a partir das 17:15 horas. Hoje dia 18 de julho estaremos destacando os programas já realizados, e o baile comemorativo dos 89 anos do BEC.

LBF - Olímpico - Palmeiras - Amazonas - Vasto Verde - Guarani
- 23/05/08. Na primeira participação destacamos o futebol, desde sua formação em Blumenau, com as primeiras equipes, até a fundação da (LBF) Liga Blumenauense de Futebol - em 1941.
- 30/05/08. Depois apresentamos sobre o Grêmio Esportivo Olímpico, suas conquistas, seus grandes jogadores e curiosidades. Duas vezes campeão estadual em 1949 e 1964. O jogo do Santos enfrentando o time Grená em 30/08/1961, 8x0 com 5 gols de Pelé. E em 30/08/1969, Garrincha vestiu a camisa Grená, contra o Caxias de Joinvile.
- 06/06/08. Em seguida falamos sobre o Amazonas Esporte Clube do bairro Garcia, suas conquistas, seus grandes jogadores e seu belo estádio que foi demolido pela empresa Artex a partir de 1974.
- 13/06/08. Na semana seguinte fizemos um belo comentário sobre o Palmeiras Esporte Clube, campeão da cidade no centenário em 1950. E concluímos com o BEC – Blumenau Esporte Clube.
- 20/06/08 E Chegou o programa em que apresentamos o famoso Álbum em Homenagem ao grande craque catarinense Teixeirinha, onde destacamos as equipes de 1963, do Palmeiras, Olímpico, Vasto Verde Amazonas, Guarani, Tupi, Floresta, União, Caxias, América, Carlos Renaux, Paisandu, Barroso, Marcilio Dias.

- 27/06/08 Depois fizemos uma homenagem à família Siegel, desde seu patriarca Francisco Siegel, e seus filhos: Wilson, Nilson e Adilson. O Tema abordado teve como titulo “Os filhos de Francisco”.
- 04/07/08 Com a participação especial do eterno comentarista Tesoura Junior (o Patrão) ( Nasceu 23 março 1916/ Faleceu em 24 de janeiro de 2014), que nos brindou com informações as mais diversas sobre nosso futebol. Foi uma honra para todos nós trazer ao programa este Goiano de nascimento e blumenauense de coração, convite este feito por Scheila dos Santos. Aos 95 anos, Tesoura Júnior apresentou uma aula sobre futebol, desde sua chegada a Blumenau em 1944, até seu programa de maior audiência no Vale do Itajaí na Rádio Clube de Blumenau – “A Marcha do Esporte” sucesso absoluto na cidade durante muitos anos, chegando a atingir a marca dos 93% de audiência no Horário das 12h35min às 13h00min .
- 11/07/08. Foi a vez do nosso Guarani da Itoupava Norte – Onde destacamos o grande time “Bugrino” Campeão da LBF de 1963, e sua trajetória histórica, como também os grandes times de Futebol de Salão Bi-campeões do Estado em 1976 e 1978.
Todos os programas sempre tiveram a participação ao vivo dos ouvintes, com perguntas e colaborações importantíssimas.

- Clube Atlético Metropolitano. Com uma bela campanha no campeonato catarinense de futebol de 2008, o Metropolitano comandado pelo ex craque César Paulista, consegue uma vaga para a disputa do campeonato brasileiro da série C. As esperanças se voltam para que o clube possa com o apoio de toda comunidade, representar bem nossa cidade, e rumo classificação em Caxias do Sul neste domingo.
Foto da Torcida do Palmeiras – BEC – “A Farroupilha” – A torcida organizada mais antiga de Blumenau - Brasil-Palmeiras-BEC fundado em 19 de julho de 1919. “BEC 89 anos de História rumo aos noventa” Baile em comemoração: 19 de julho, 21 horas no Clube Blumenauense Caça e tiro .
Arquivo de Adalberto Day/Neilor José Hostins - participação e colaboração no programa: José Bento,Laerte Schimidt, Aurélio Pinheiro, Renaldo Nunes, Alfredo Radunz, Hamilton Antonio.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

- A morte do ribeirão


Crônica da escritora Urda Alice Klueger, falando sobre Ribeirão da Rua Antonio Zendron no bairro Valparaiso em Blumenau.
"Histórias de nosso cotidiano":
-Tudo era úmido, fresco e verde, lá naqueles dias da minha primeira infância. E no meio daquele grande frescor verde, ele corria como uma dádiva de cristal, serpeando pelo fundo do Vale que ele próprio escavara ao longo de tempos imemoriais, e onde agora ficava a rua, as poucas casas, os muitos pastos. Os adultos já deveriam saber de alguma poluição, pois minha mãe sempre dizia para não beber daquela água, o que fazia, claro, que a cada vez que eu me visse sozinha, fosse correndo beber exatamente daquela água que era tão boa, tão fresca, tão cristalina!
Havia peixinhos nadando para cima e para baixo por todo ele, pequenas piavas cujas barrigas prateadas brilhavam quando o sol sobre elas incidia, e grandes cascudos que viviam em tocas, e que meu pai pegava com uma fisga nas suas tardes de folga, além de outros peixes que o nosso vizinho Osnir acabava pescando, como uma assustadora “ingüila”, que metia medo em todos nós, e que hoje sei que o nome certo era enguia.
Aquela coisa de cristal que navegava por meio de pastos atraía muitos insetos, também. E, nas tardes de Primavera, interessantíssimos bichinhos que a gente chamava de “helicópteros”, e que hoje eu penso que se tratava de louva-a-deus, e grilos, e outros grandes insetos de asas transparentes enchiam o ar por ali, e muitos deles, decerto, acabaram pousando no rumorejo brilhante daquela água encantada, e viraram comida dos muitos peixes que havia. E quando era dia de festa, como dia de aniversário e Primeira Comunhão, o pai da gente comprava gasosa e cerveja para o almoço, e naquele tempo de antes da chegada da geladeira, as garrafas eram colocadas dentro do ribeirão de manhã, para que seus conteúdos ficassem bem fresquinhos para o almoço. E a mãe da gente pegava baldes d’água dali para encher o cocho de lavar roupa, e a tia Fanny, mais adiante, fazia a mesma coisa.

E quando chovia muito, ele simplesmente transbordava. Qual era o problema dele transbordar? Havia pastos e pastos por todos os lados onde ele podia se espraiar, e se havia uma coisa boa na vida de uma criança, era andar por dentro dos pastos alagados, molhando-se o mais que podia, mesmo sabendo que levaria uma bronca ao chegar em casa. A gente não corria o risco de cair na corrente principal, lá onde era perigosa quando ele estava cheio, porque ela era toda demarcada por touças de inhame que se aproveitavam da umidade perene para vicejarem com o maior garbo. E passada a chuva o ele se encolhia, voltava ao seu leito, e a vida voltava a correr normalmente.
Estou falando do Ribeirão da Rua Antonio Zendron, em Blumenau. Ele era assim como estava contando, e foi assustador o que aconteceu com ele. Nestas ultimas quatro décadas, gente e mais gente foi morar onde antes eram os pastos; condomínios surgiram e casas pipocaram, e ele deixou de ter para onde transbordar nos dias de chuva, e também perdeu as suas curvas, os seus inhames, os seus peixes. Chegou um momento em que ninguém mais queria saber dele, que se tornou um ribeirão odiado. E então retificaram-no de fora a fora, e prenderam-no num grande túnel de concreto. Nesta semana, estive lá espiando o que aconteceu. Fui ver sua desembocadura, que é o que ainda pode ser visto, e lá no fim do túnel de concreto escuro, saía uma água sofrida, humilhada, cheia de garrafas, pedaços de plástico e outros lixos. Escuras algas que antes não existiam quase engolem o pouco de água que sobrou – decerto nasceram ali para devorar alguma coisa da grande poluição que corre por aquele canal. Até uma rua passa por cima do canal escuro – é como se o ribeirão nunca tivesse existido.
Cadê as libélulas, os cascudos, as piavas com as barrigas prateadas brilhando ao sol, e a água limpa para as mães da gente lavarem roupa? Não estão mais lá, com certeza. Mas eu me lembro como era, ah! Como me lembro!
Blumenau, 10 de Outubro de 2003
Urda Alice Klueger/ Escritora
Arquivo: Adalberto Day

segunda-feira, 14 de julho de 2008

- Portaria central Artex 1986 e 2008


- A imagem à esquerda mostra a portaria da empresa Artex em 1986 no horário de almoço, funcionários se dirigindo ao refeitório ou cantina ao centro, onde está sendo construído o novo AGG – Ambulatório Geral do Garcia, que deverá ser entregue a comunidade até setembro. A pujante empresa Artex maior empresa da América Latina na época do ramo de Cama-Mesa-Banho, na oportunidade com quase cinco mil colaboradores só na filial de Blumenau. E a imagem à direita mostra a realidade de hoje: a portaria com emblema da Artex (desativada),- atual Coteminas .
História:
- A empresa Artex foi fundada em 23 de Maio de 1936 por Theophilo B. Zadrozny e Otto Huber, que compraram as terras da família Gresvsmuhl. É bom observar sempre o capital agindo sobre o proletário, ou seja; Theophilo Bernardo Zadrozny, não possuía conhecimento no ramo têxtil, então convidou um hábil tecelão e técnico chamado Otto Huber para começar uma nova empresa. Otto Huber (Austríaco) trabalhou 30 anos na E.I.Garcia, e convidado por Theophilo B .Zadrozny (nascido em Brusque) foi para a Artex. , e juntamente com outros empregados da Empresa Industrial Garcia, fundaram a Artex.”– O Primeiro diretor Presidente foi Ricardo Peiter. Também iniciaram os preparativos na montagem da nova empresa, Max Rudolf Wuensch e Albert Hiemisch”.

Os empregados da Artex desfrutavam de Centro de Treinamento, Assistência Social - Em setembro de 1994 a família Zadrozny perde o controle acionário da empresa, que é vendida para o grupo Garantia/Polônia - G/P – Investimentos, lavrado em ata em 28 de abril de 1995, desaparecendo o nome Fabrica de Artefatos Têxteis S/A .ARTEX – para então somente ARTEX S/A .
- Em 01 de junho de 2000, a empresa é novamente vendida desta vez ao Grupo Coteminas - e doravante a empresa passou a possuir uma nova razão social passando a denominar-se Toália S/A - Indústria Têxtil . - Filial da Empresa Toália de João Pessoa – Paraíba, mas ainda com participação do grupo Garantia. A ex-empresa Artex S/A muda de razão social para atender interesses próprios e de seus acionistas, com o nome de Kualá S/A em junho de 2000.
- Em 09 novembro de 2001, o grupo Garantia, sai do controle acionário, e a empresa adota o nome de COTEMINAS – Companhia de Tecidos Norte de Minas.
- E finalmente em 06 de janeiro de 2006, COTEMINAS S/A.
O empresário fundador da COETEMINAS e ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, 79 anos (17 de outubro de 1931), dia (29/03/2011), às 14h41, no Hospital Sírio Libanês, após longa batalha contra o câncer. Segundo o boletim médico, a causa da morte foi câncer e falência de múltiplos órgãos
Arquivo: Adalberto Day

sexta-feira, 11 de julho de 2008

- Rua Progresso, 2421

Na foto:Maria Heiden, seus filhos, Valmor Heiden e Maria Julia Boos, a filha adotiva Elena (Lena) Rocha e Irene Alfarth.
Hoje vamos novamente apresentar o tema:


Por André Luiz Bonomini - A antiga casa de Eugen Maier até hoje é lembrada, um verdadeiro “marco da entrada da Rua Guarapari”, até o fogo chegar.
- Rua Progresso, 2421 – Bairro Progresso em Blumenau. Durante anos, esse endereço ficou na história popular e do bairro, pela casa que lá ficava lembrada com alegria por muitos que a viram, criticada por muitos que a achavam um “incomodo”, uma “velharia”, aquele endereço fez parte da vida de muita gente, e em certa parte, da minha também.
Segundo meu avô, Godofredo Heiden, a casa ainda não existia teoricamente no terreno, seu dono, o carpinteiro faz-tudo Eugen Maier tinha outra casa, atrás desta. Mas após o falecimento de seu pai, Eugen e a família se mudaram para a Rua Rui Barbosa e colocaram aquela casa em aluguel para um comerciante de sobrenome Struck, e este, mas tarde passara para outro homem de sobrenome Piske.
Mas tarde, este homem passou o estoque desta venda para Inácio Borges, que assume a direção do pequeno armazém e resolve, em 1925 (aprox.) fazer a construção de um estabelecimento maior, que abrigasse a loja e sua casa própria, a casa assim surgia. Borges não era dono dela, ele ainda pagava aluguel a Eugen, o dono do terreno.

Depois de alguns anos, Borges passa o ponto para dois cunhados, de sobrenome Manske e Knopp. O armazém permaneceu até 1942 com eles, até Godofredo e seu irmão Paulo Heiden, comprarem o ponto, com o estoque e tudo mais da venda que havia dentro da loja. O sucesso era tremendo, o que era uma pacata mercearia tinha virado um armazém movimentadissimo. O movimento e a compra eram tantos que, mesmo aos domingos, era aberta uma janela na lateral da casa só para atender os clientes, que estavam dentro e fora do estabelecimento. Motivo óbvio era a única venda de grande porte da empresa Artex para cima no Progresso, pelo que se tem conhecimento. E também um dos mais “modernos”, contava até com uma “geladeira natural”, um porão de temperatura amena, onde se mantiam as bebidas em geral, e que as deixavam frescas como se fosse numa geladeira mesmo.
Mas em 1961, Godofredo passa para a moderna casa que construira ao lado da antiga, a família voltava a crescer, e era preciso mais espaço, a casa então voltava à família proprietária Para lá voltou o filho Heinz Maier, a mulher Magnólia Maier e filhos e a mãe de Heinz, Ida Maier, nota: Até hoje, na escritura original, o nome do proprietário ainda é de Ida Maier!
Eugen, que tinha criação de cavalos e outros animais, ficara sozinho na Rua Rui Barbosa (antigo Kroba). A sua morte foi uma das mais misteriosas, voltando do armazém de Godofredo, com os 2 quilos de milho que comprava para seus animais todo dia – e depois de alguns copos de cachaça – sumiu ao “tentar” entrar na ponte da Rua Rui Barbosa (a “ponte preta”), foi encontrado morto no dia seguinte, pelas crianças que iam para o colégio, deitado numa pedra, perto do leito do ribeirão, com o saco de milho nas mãos e como guarda-chuva pendurado no pescoço.
A família Maier assim ficou durante muito tempo, morando naquela casa, chegou-se até a abrir um pequeno botequim, mas o destaque ficou para o começo da “Radical Som”, empresa de som e sonorização de Cesar Maier que começara na frente da casa. Tendo depois seu endereço mudado para a Rua Santa Maria, bem na esquina com a Rua Ana Groh. Depois de algum tempo, a casa foi se esvaziando, Magnólia se mudara dali, Heinz Maier falecia e ficava ali apenas a tia de Heinz, Regina, que também deixaria a casa e iria para a Casa São Simeão, algum tempo depois.
A casa, abandonada na esquina virou sinônimo de incomodo, pois os moradores da Rua Guarapari e seus visitantes reclamavam da saída, além de virar abrigo de andarilhos e vândalos. No fim de tarde de 2 de maio de 2006 desencadeou-se um grande incêndio que consumiu mais de 80 anos de história em quase uma hora e meia, confesso que fiquei aterrorizado, nunca tinha visto um incêndio ao vivo, quanto mais assim perto de casa. Assim hoje, o que resta apenas é um terreno baldio, quem passa e mora lá perto já se acostumou a morar sem a casa, mas é impossível não deixar de lembrar dela, gerações passaram ali, e muitas não esquecem deste endereço: Rua Progresso, 2421.
*Godofredo Heiden é o último remanescente daquela época, avô de André Luiz Bonomini, é dele a maior parte das informações aqui descritas. Está com 95 anos e é o ultimo vivo que teve negócio na casa e o ex-morador mais velho da casa. Arquivo de Adalberto Day/André Luiz Bonomini. Colaboração Godofredo Heiden.

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